INSTITUTO POLITÉCNICO ADVENTISTA DE MALANJE- IPAM
GABINETE DE INSERÇÃO NA VIDA ACTIVA
PREVALÊNCIA DA ANEMIA FALCEFORME EM
PACIENTES DOS 3 AOS 6 ANOS DE IDADE,
ATENDIDOS NO HOSPITAL MATERNO INFANTIL
DE MALANJE NO ANO DE 2024.
Autores:
1. Odete Francisco André
2. Orlinda Vesitele Daniel
3. Rosa Gaspar Almeida
4. Teresa Pascoal Teca Sermão
Tutora: Marta Gerusa Josias César, Lic.
Malanje/2025
Odete André; Orlinda Daniel; Rosa Almeida; Teresa Sermão.
PREVALÊNCIA DA ANEMIA FALCEFORME EM PACIENTES
DOS 3 AOS 6 ANOS DE IDADE, ATENDIDOS NO HOSPITAL
MATERNO INFANTIL DE MALANJE NO ANO DE 2024.
Curso: Análises Clínicas
Grupo nº: 6 Ac.
Trabalho de Fim de Curso, apresentado ao
Instituto Politécnico Adventista de Malanje
para obtenção do grau de Técnico Médio de
Análises Clínicas.
Orientadora: Marta Gerua Josias César, Lic.
Malanje/2025
FICHA CATALOGRÁFICA
Instituto Politécnico Adventista de Malanje- IPAM
Director Geral: Francisco M. Fuxe, Lic.
Sub-diretor pedagógico: Domingos Manuel Francisco, Lic.
Gabinete de Inserção na Vida Activa: Baião Figueira Dala, Lic
FICHA CATALOGRÁFICA
1. Odete Francisco André
2. Orlinda Visitele Daniel
[Link] Gaspar Almeida
[Link] Sermão
PREVALÊNCIA DA ANEMIA FALCEFORME EM PACIENTES DOS 3 AOS 6 ANOS
DE IDADE, ATENDIDOS NO HOSPITAL MATERNO INFANTIL DE MALANJE NO
ANO DE 2024.
Orientador: Marta Gerua Josias César, Lic.
TCC: Instituto politécnico Adventista de Malanje
Técnico médio em Análises clínicas
ISBN:
III
FICHA DE APROVAÇÃO
Orlinda Daniel; Odete André; Rosa Almeida; Teresa Sermão.
PREVALÊNCIA DA ANEMIA FALCEFORME EM PACIENTES DOS 3 AOS 6 ANOS
DE IDADE, ATENDIDOS NO HOSPITAL MATERNO INFANTIL DE MALANJE NO
ANO DE 2024.
TCC apresentado ao Instituto Politécnico Adventista de Malanje, como requisito para a
obtenção do título de Técnico médio em Análises clínicas
COMISSÃO JULGADORA
Presidente do corpo de júri: ________________________________________
Primeiro vogal: __________________________________________________
Segundo vogal: __________________________________________________
Malanje, ________________ data da defesa.
IV
FOLHA DE AUTORIZAÇÃO
Declara-se sobre compromisso de honra que o TCC agora entregue corresponde à que
foi aprovada pelo júri constituído pelo Instituto Politécnico Adventista de Malanje- IPAM.
Declara-se ainda que concedemos ao IPAM uma licença não exclusiva para arquivar e
tornar acessível, nomeadamente através da sua biblioteca, nas condições abaixo indicadas, o
TCC em suporte impresso e em suporte digital, sendo a autorização concebida a titulo gratuito.
Assinatura_____________________________________________________________
Orlinda Francisco Daniel
Assinatura_____________________________________________________________
Odete Visitele André
Assinatura_____________________________________________________________
Rosa Gaspar Almeida
Assinatura_____________________________________________________________
Teresa Pascoal Teca Sermão
Data_________/__________________________/________.
V
DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho a Deus Pai Todo-Poderoso, que
permitiu o término da nossa formação e pelo facto dos nossos
sonhos tornarem-se uma realidade. Aos familhares,
professores, colegas e todos aqueles que de forma direta ou
indireta contribuíram para realização do presente trabalho.
VI
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, a Deus, por nos ter guiado e iluminado em cada
decisão a ser tomada. A todos integrantes do grupo, e com certeza
futuros excelentes profissionais, superamos mais uma etapa da
nossa jornada, pois com toda paciência, dedicação, participação e
companheirismo, desempenhamos nosso objectivo proposto, ao
orientador pela simpatia e apoio prestado durante a execução do
trabalho de investigação. À família, em especial, pais, irmão e avós,
por todo o apoio, pelo carinho e palavras de incentivo que nos
deram ao longo destes anos de estudo, que agora terminam.
Obrigado por estarem sempre presentes. Aos nossos amigos e
colegas de curso que percorreram comigo este percurso, nem
sempre fácil, mas sem dúvida recompensador. Recordaremos para
sempre os bons momentos que passámos juntos.
VII
RESUMO
A Doença Falciforme é uma doença genética de origem multicêntrica. Pessoas com Doença
falciforme passam por diversas situações de emergência na vida cujas os sinais mais comuns
são: febre, crises dolorosas, sequestro esplênico, acidente vascular cerebral (AVC) e priapismo.
A presente investigação teve como objectivo determinar a prevalência do diagnóstico da anemia
falciforme dos 3 à 6 anos de idade atendidos no um Hospital Provincial Materno Infantil no II
trimestre de 2024. Para a realização do estudo utilizou-se a abordagem qualitativa, ademais,
recorreu-se as pesquisas de campo, descritiva e bibliográfica, participaram desta pesquisa 6
profissionais de saúde sendo 4 técnico de enfermagem, 2 pediatra, e um Médico. Quanto a
técnica de coletas de dados utilizou-se a observação e a entrevista. Quanto as suas
manifestações a pesquisa permitiu aferir manifestações como dor crônica devido à obstrução
dos vasos sanguíneos pelos glóbulos vermelhos em forma de foice, episódios de dor aguda
conhecidos como crises de dor falciforme, fadiga e anemia por causa da destruição prematura
dos glóbulos vermelhos , infecções frequentes o baço, que combate infecções, pode ser
danificado pela doença, problemas de crescimento em crianças, devido à falta de nutrientes e
oxigênio. A partir da pesquisa ficou patente o papel do enfermeiro no cuidado de crianças com
anemia falciforme, pois é multifacetado e essencial, agindo assim, alívio da dor em fornecer
cuidados paliativos e gerenciar a dor aguda durante as crises de células falciformes, na
prevenção de crises neste caso, diminuir a incidência de crises através da educação sobre
hidratação adequada e evitando gatilhos conhecidos, na educação, deve ensinar a criança e a
família sobre a condição, tratamentos disponíveis, e estratégias de manejo etc.
Palavras-Chaves: Prevalência; complicações; Anemia falciforme; Criança
VIII
ABSTRACT
Keywords:
IX
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS
IPAM----------------------------- INSTITUTO POLITÉCNICO ADVENTISTA DE MALANJE
AF---------------------------------. ANEMIA FALCIFORME
DF-----------------------------------DOENÇAS FALCIFORMES
AVC---------------------------------ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL
HMIM…………………………..HOSPITAL MATERNO INFANTIL DE MALANJE
X
ÍNDICE
FICHA CATALOGRÁFICA ................................................................................................... III
FICHA DE APROVAÇÃO ......................................................................................................IV
FOLHA DE AUTORIZAÇÃO.................................................................................................. V
DEDICATÓRIA .......................................................................................................................VI
ABSTRACT ............................................................................................................................. IX
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS ................................................................................. X
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 13
CAPÍTULO I - ENQUADRAMENTO TEORICO-CONCEPTUAL ...................................... 16
1.1. Definição de termos e conceitos .................................................................................... 16
1.1.1. Prevalência ................................................................................................................. 16
1.1.2. Anemia falciforme ..................................................................................................... 16
1.1.3. Pacientes .................................................................................................................... 16
1.2. Teoria de suporte ........................................................................................................... 17
1.3. Breves considerações sobre anemia falciforme ............................................................. 17
1.4. Classificação da anemia falciforme ....................................................................................... 18
1.5. Manifestações clínicas ................................................................................................... 18
1.7. Tratamento da anemia falciforme .................................................................................. 19
1.8. Complicações da anemia falciforme.............................................................................. 20
1.9. Cuidados de enfermagem às crianças com falciforme .................................................. 21
CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO METODOLÓGICA ................................................. 22
CAPITULO III - APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
.................................................................................................................................................. 23
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 24
Sugestões .................................................................................................................................. 25
BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................... 26
ANEXO .................................................................................................................................... 28
APÊNDICE .............................................................................................................................. 29
XI
XII
INTRODUÇÃO
As anemias são definidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma
condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue se encontra abaixo do valor
considerado normal, como resultado de uma carência de um ou mais nutrientes essenciais, seja
qual for a causa dessa deficiência
A anemia pode ainda ser descrita como uma diminuição da hemoglobina circulante
ocasionada por diversos mecanismos fisiopatológicos, e é comparada com os valores esperados
em pessoas saudáveis do mesmo sexo e da mesma faixa etária, sob as mesmas condições
ambientais. Seria, então, um conjunto de alterações que tem constatações clínicas e laboratoriais
sendo, portanto, uma manifestação de uma doença já apresentada pelo paciente
As Doenças Falciformes (DF) é um termo genérico para se designar um conjunto de
alterações genéticas que se encontram ligadas à presença de uma hemoglobina alterada, a HbS.
Quando acontece essa alteração genética na hemoglobina e essa mutação é herdada do pai e da
mãe em homozigose (HbSS), dizemos que o paciente apresenta a Anemia Falciforme (AF).
Portanto, a anemia falciforme é uma das doenças falciforme.
As manifestações clínicas são fundamentadas em episódios de vaso oclusão produzido
pelo acúmulo dos drepanócitos e agregados multicelulares (neutrófilos, leucócitos, plaquetas)
nos vasos sanguíneos de pequeno calibre. Além disso, envolvem a anemia, crises de dor,
infecções recorrentes, icterícia, crise no sequestro, úlceras nos membros inferiores, priapismo
e o mais grave que é o acidente vascular cerebral (AVC). Elas estão amplamente envolvidas
com a variabilidade da doença, fazendo com que os pacientes adquiram uma doença mais
branda ou mais grave. Os sinais e sintomas podem ser mais leves ou mais intensos nesses casos,
[Link] enfermidade é hereditária, não tem cura, mas tem tratamento.
A importância de realizar o teste do pezinho proporciona a detecção precoce de
hemoglobinopatias, como a anemia falciforme.
A anemia tem se destacado mundialmente como uma das carências nutricionais mais
prevalentes, constituindo assim um grave problema de saúde pública. Dados da Organização
Mundial de Saúde (OMS) apontam que mais de 1,62 bilhão de pessoas sofrem de algum tipo
de anemia. Uma vez que atinge um terço da população mundial, a anemia é, pois, considerada
um dos distúrbios fisiológicos de maior incidência.
13
O primeiro relato científico sobre esse tipo de anemia foi descrita pela primeira vez pelo
médico norte-americano James Herrick, em 1910, a partir de amostras de sangue em um
estudante da Universidade das Índias Ocidentais, proveniente de Granada (no Caribe), no qual
se observou, à microscopia, o aspecto anômalo e alongado das hemácias.
Assim, de acordo com relatos históricos, a Anemia Falciforme se originou na África, se
espalhou pelas Américas por ocasião do tráfico de escravos e, a partir daí se difundiu para o
mundo todo. Portanto, é uma doença que acomete principalmente indivíduos de ascendência
negra ou afrodescendentes.
Em Angola, afeta cerca de 20% da população angolana, ou seja, mais de 3 milhoões de
pessoas, No entanto, muitos dos portadores da doença ainda não foram diagnosticados. A taxa
de mortalidade entre as crianças não cuidadas é de cerca de 80%, até aos 5 anos de idade.
Angola regista 1.000 novos casos de anemia falciforme por ano, a vida média das
pessoas não cuidadas é de 8 anos enquanto que , pessoas cuidadas podem alcançar a terceira
idade. . Desta forma, o diagnóstico prévio e o tratamento adequado permitem serem alcançados
bons resultados.
Nessa perspectiva, acredita-se que desenvolvimento do presente trabalho tem
importância relevante, pois busca esclarecimentos sobre a Anemia Falciforme e o papel do
Analísta clínico frente à essa patologia, posto que trata-se de uma doença que até pouco tempo
atrás tem sido negligenciada, dificultando uma atenção qualitativa à saúde de seus portadores.
A metodologia escolhida foi a descritiva e bibliográfica com abordagem qualitativa,
ademais, recorreu-se as pesquisas de campo.
A proposta dessa pesquisa pode ser traduzida pelo seguinte questionamento: Qual é a prevalência
da anemia falciforme em pacientes dos 3 aos 6 anos de idade atendidos no Hospital Provincial
Materno Infantil de Malanje no ano de 2024?
Na busca de respostas foi perseguido os seguintes objetivos:
Objectivo Geral
Conhecer a prevalência do diagnóstico da anemia falciforme dos pacientes dos 3 à 6
anos de idade atendidos no Hospital Provincial Materno Infantil no II trimestre de 2024.
Específicos
14
1. Identificar os Métodos de diagnóstico laboratórial da anemia falciforme no HMIM;
2. Descrever as causas da anemia falciforme em pacientes dos 3 à 6 anos de idade
atendidos no HMIM;
3. Propor medidas que visam melhorar os métodos de diagnóstico laboratórial da anemia
falciforme no HMIM;
Justificativa
Laboratórios clínicos. Na vertente social vem despertar o hospital estudado sobre a
necessidade de se adoptar uma dinamica para melhor identificar as possíveis causas de um
diagnóstico de anemia falciforme. Durante o percurso de estágio deparou-se com esta situação
e preferimos fazer uma pesquisa relacionada com o mesmo tema acima de tudo diferentes
saberes. Dentro do contexto profissional, o presente tema tem uma grande importância para
análises clínicas.
A relevância desse estudo para as instituições de saúde será de grande utilidade, para a
prestação de um cuidado de excelência a criança com anemia falciforme. O estudo poderá
contribuir para uma melhor assistência de enfermagem, um cuidado humanizado, poderá
minimizar os casos de complicações evitando e reduzindo internações e até mesmo o óbito
destas crianças
O presente trabalho está estruturado por três capítulos nomeadamente: Iº capitulo, aqui,
fez-se menção das teorias que sustentam o presente trabalho onde a partir das referências
bibliográficas procurou-se trazer ideias de vários autores que abordaram sobre a problemática
em questão, falou-se ainda sobre as palavras chaves que compõe o trabalho.
O trabalho está ainda constituído por IIº capítulo cujo o nome é fundamentação
metodológica, nesta parte do trabalho o grupo procurou apresentar de forma clara sobre os
procedimentos técnico e metodológico para a realização deste trabalho, apresentando assim, o
tipo de abordagem, as técnicas de coleta de dados, os participantes da pesquisa etc. E por fim,
o IIIº capítulo que é apresentação, análise e interpretação dos resultados, onde se fez menção
ou procurou-se descrever todas as informações obtidas no campo de pesquisa, seguindo
procedimentos da técnica de interpretação dos resultados. A parte introdutória deve ter de 2 a 4
páginas.
15
CAPÍTULO I - ENQUADRAMENTO TEORICO-CONCEPTUAL
1.1. Definição de termos e conceitos
1.1.1. Prevalência
Número total de casos de uma doença , existentes em um determinado local e período
de tempo. É uma medida de frequência de ocorrência de um evento em uma população em
risco. A prevalência é uma medida estatística, semelhante a uma fotografia. Para calculá-la, são
observados os casos existentes, ou seja, as pessoas que adoeceram em algum momento do
passado e que estão vivas no momento da observação (Amorim, 2022, p. 13).
1.1.2. Anemia falciforme
Conforme Alberto (2023), a anemia falciforme (AF) é a termo clínico da homozigose
do DNA da hemoglobina S, onde a hemoglobina natural é alterada através da mutação genética
por consequência ganha um formato diferente em forma de foice. É uma doença sucessiva que
acomete ao portador um quadro de intensas crises de dor e déficit no sistema imunológico, por
se tratar de uma patologia crônica e incurável.(p. 23)
A anemia falciforme (AF) é uma patologia de etiologia genética, com prevalência em
populações de origem africana. A mesma é determinada pela mutação do cromossomo 11, onde
se tem a substituição de um ácido glutâmico por uma valina na cadeia beta globina, que dá
origem a hemoglobina S. Por sua configuração diferente, os eritrócitos assumem um formato
de foice, em decorrência da polimerização da hemoglobina em condições de hipoxemia
(Barbosa, 2017, p. 15).
1.1.3. Pacientes
Para Dicionário Universal de Língua Portuguesa (2015), “etimologicamente a palavra
paciente provem do latim, patiente que significa aquele que sofre física ou moralmente que
suporte com moderação e sem queixa, sofredor e perseverante.
Já para o Dicionário de Significados (2010), “a palavra paciente é um adjectivo que se
refere ao indivíduo do ponto de vista médico, ao que está doente e sob cuidados médicos. O
adjetivo (derivado de paciência) e o substantivo (sinônimo de “doente) apresentam a mesma
grafia e pronúncia.
16
1.2. Teoria de suporte
1.3. Breves considerações sobre anemia falciforme
Primeiramente, há que se lembrar que o sangue é um tecido vivo, líquido, renovável,
cuja principal função é transportar nutrientes/oxigênio para todos os tecidos e órgãos do corpo.
O sangue é constituído por uma parte líquida chamada plasma e por uma parte celular
constituída por: glóbulos brancos (responsáveis pelas defesas do organismo), plaquetas (que
evitam o sangramento) e glóbulos vermelhos, chamados de eritrócitos ou hemácias (que são
responsáveis pela oxigenação das células). No interior dos 5 milhões de glóbulos vermelhos
que circulam pelo nosso organismo existe uma proteína chamada hemoglobina (HB), que tem
como principal função o transporte de oxigênio (Bernadino, 2018, p. 20).
Portanto, a hemoglobina desempenha importante papel no organismo, posto que atua no
transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos e, no transporte do gás carbônico até os
pulmões. A hemoglobina (HB) é uma proteína com peso molecular de 64.500 dáltons presente
em grandes quantidades no interior dos eritrócitos. É solúvel na água e é formada pela união de
uma proteína incolor, a globina, que por sua vez é composta de 2 pares de cadeias de
aminoácidos (α e β), como também de um composto corado que possui quatro grupos os quais
contém ferro, chamados de grupo heme (Castro, 2015, p. 24).
Segundo Cunha (2019), a hemoglobina é um componente presente nos eritrócitos de
todos os mamíferos, sendo que cada molécula de hemoglobina carreia quatro moléculas de
oxigênio, estando estas uma ligada a um grupo heme, quanto está se encontra totalmente
saturada sua estrutura é unida a um núcleo prostético de ferro, a ferroprotoporfirina IX (heme),
que impossibilita a propriedade de receber, ligar e/ou liberar o O2 nos tecidos”.(p. 17)
O diagnóstico é através da triagem neonatal (o teste do pezinho) e o exame laboratorial
de eletroforese de hemoglobina. É importante ressaltar que o diagnóstico precoce é essencial
para o tratamento e a prevenção das complicações. O tratamento é realizado através da
administração de antibióticos e acompanhamento continuo com médicos hematologistas, uma
medicação bastante utilizada para as crises álgicas é a hidroxiuréia, a penicilina para profilaxia
e até mesmo outras medicações como morfina e codeína (Dowell, 2002, p. 28).
17
1.4. Classificação da anemia falciforme
Podemos classificar a AF dentro da classificação laboratorial como sendo um anemia
normocítica e normocrômica, caracterizada por algumas alterações laboratoriais específicas
(Tabela 1).
Título: Alterações laboratoriais características na Anemia Falciforme
Exame laboratorial Valores esperados
Concentração de hb s(*) 90-80%
Dosagem de hb fetal 2-10%
Tipo de anemia Normocítica e normocrônica
Dosagem de hb 7-9g/dl
Contagem de reticulócito 5 – 30%
Leucócitos Acima de 10 mil
Plaquetas Plaquetose, com anisocitose
Fragilidade osmótica Diminuída
Bilirrubina indireta Acima de 5mg/dL
Urobilinogênio urinário Elevado
Urobilinogênio fecal Elevado
Hematúria Frequente
Ácido úrico sérico Frequentemente elevado
Ferro sérico Normal ou aumentado
Ferritina Frequentemente elevada
Fosfatase alcalina sérica Elevada nas crises
Fonte: Fingueira (2017)
1.5. Manifestações clínicas
As manifestações crônicas mais comuns na doença são: anemia, dor e má
funcionamento de órgãos vitais, que ao decorrer da vida agrava a doença, o acúmulo de
alterações em órgãos agravam e reforçam a fisiopatologia da doença. Já as manifestações
agudas são: a crise vaso oclusiva, anemia aguda, infecções bacterianas, acidente vascular
cerebral, dor, infarto pulmonar, priapismo e surdez. Já alguns pacientes têm vida normal, sem
crises (Furtado et al, 2007).
A crise vaso oclusiva ou crise álgica é a causa de 90% das internações hospitalares
destes pacientes, sendo ligada com isquemia tecidual secundária a falcização das hemácias, o
seu surgimento pode ser imprevisível, causada pela exposição ao frio, estresse, a desidratação,
entre outros fatores, ocasionando o internamento das crianças e até mesmo o óbito, ocorre
devido obstrução dos vasos sanguíneos pelas células falciforme emaranhas e rígidas causando
anoxia tissular e necrose (Freire, 2020 , p. 30).
18
1.6. Diagnóstico de anemia falciforme
Triagem neonatal
Segundo galdino (2017), o diagnóstico precoce das doenças falciformes é realizado
através da triagem neonatal (TN) para a HbS, também conhecida como “Teste do Pezinho”,
para que se tenha o correto resultado o ideal é que a amostra de sangue seja colhida entre 48
horas e sete dias após o nascimento, sendo aceitável até o 30º dia. (p. 15)
Diagnóstico laboratorial
O diagnóstico laboratorial da Doença Falciforme, é realizado pela detecção da (HbS)
em homozigoze ou da sua associação com outras variantes. Assim a técnica mais eficaz é a
eletroforese de hemoglobina em acetato de celulose ou em agarose, em pH alcalino (pH
variável de 8 à 9). Quando realizado o diagnóstico pela triagem neonatal, os métodos
laboratoriais mais utilizados são; cromatografia líquida de alta performance (HPLC) e
focalização isoelétrica. Ambos os métodos tem especificidades e sensibilidades excelentes.
Porém as hemoglobinas identificadas são na maioria das vezes relacionadas em ordem
decrescente de quantidade. Portanto, todos os resultados iniciam-se com “F”, de hemoglobina
Fetal (Ruiz, 2007, p. 13).
1.7. Tratamento da anemia falciforme
A Anemia Falciforme não tem cura, e sim tratamentos que ajudam a diminuir a
severidade das manifestações clínicas, a fim de proporcionar uma vida melhor para os
portadores. O tratamento inicia com o diagnóstico neonatal e com as profilaxias. Sendo
indicada a penicilina profilática com início aos três meses e é utilizada em crianças até cinco
anos de idade, combatendo infecções que são comuns até essa idade (ferreira, 2013, p. 19).
O tratamento é acompanhamento médico constante e o avaliação do crescimento,
desenvolvimento somático e psicológico, com o objetivo principal prevenir as complicações e
cuidados gerais de saúde. O acompanhamento é realizado em centros especializados, em
unidade de referência, com profissionais adequados para a prestação de cuidados, por ser uma
enfermidade crônica, os doentes precisam ser acompanhados por toda sua vida, sendo de
maneira adequada, de acordo com as peculiaridades da sintomatologia em cada indivíduo
(Verrastro, 1996).
19
Para alívio dos sintomas e das crises falcêmicas são utilizados vários medicamentos
conformem apresenta o quadro abaixo:
Tabela 2: Medicamentos para alívio dos sintomas das crises falcêmicas
Hidroxiuréia Usada para diminuir as crises dolorosas, e aumentar a produção
de hemoglobina fetal (HbF), de 15 a 20%, este aumento diminui
as crises e manifestações clínicas.
Profilaxia com penicilina Esta medida profilática imunizadora (preventiva de infecções)
deve ser empregada em crianças com anemia falciforme, desde o
segundo mês de vida até os cinco anos.
Antibioterapia sistêmica O emprego de antibióticos é necessário, pois a maior causa de
hospitalização e óbito na anemia falciforme é por infecção
bacteriana
Analgesia Dipirona, acetaminofem, acido acetilsalicítico, ibuprofem são
utilizados em crises dolorosas vaso-ocluisivas. Às vezes é
necessário o uso de morfina e codeína.
Fonte: Sanitária (2002)
1.8. Complicações da anemia falciforme
Segundo Souza (2023) , Embora o surgimento da AF seja desencadeado por uma única
mutação pontual no gene da beta-globina (HBB), os pacientes com AF apresentam alta
heterogeneidade clínica, que pode ser atribuída a outros fatores genéticos. As complicações
agudas estão associadas à isquemia tecidual aguda, causada pela vaso-oclusão, e nesse caso o
controle deve ser rápido para interromper o processo vaso oclusivo.
O sequestro esplênico, complicação aguda de maior gravidade, é resultante da
estagnação aguda das células falciformes no baço, que aumenta seu volume em 2 cm ou mais à
palpação, sendo causa de grande morbidade e mortalidade. É de rápida instalação, com queda
súbita nos valores sanguíneos de hemoglobina e, não raramente, evoluindo ao choque
hipovolêmico (SANTOS, 2014 , p. 33).
20
Complicações clínicas presentes e síndromes de dor são habitualmente de cunho agudo,
comprometendo de um modo drástico e fugaz os pacientes com AF, levando os pacientes
acometidos a necessitarem de acompanhamento imediato, devido a sua elevada taxa de
[Link] as principais complicações da AF destacam-se:
Neurológicas: AVA, Aneurisma, Infarto cerebral silencioso, Ataque isquêmico
transitório, Velocidade elevada no Doppler transcraniano e Comprometimento
cognitivo.
Cardiopulmonar: Hipertensão pulmonar e ou arterial, Síndrome torácica aguda,
Cardiomegalia e Cardiomiopatia.
Gastrointestinais/hepatobiliares: Colecistite, Colelitíase, Sequestro hepático.
Sistema genital e urinário: Priapismo, Falência renal aguda, Doença renal crônica,
necrose papilar do rim, Hematúria e Pielonefrite.
Hematológicas: Hipermolise, Crise aplásica, Episódios de vaso oclusão, Falência
aguda de múltiplos órgãos e Neuropatia.
Oftalmológicas: Glaucoma, Deslocamento da retina, Retinopatia proliferativa
Complicações musculares/esqueléticas/cutâneas: Osteonecrose, Síndrome mão-pé,
Úlceras nas pernas. Miosite, Osteomielite e Osteoporose.
Distúrbios do crescimento e desenvolvimento: Retardo do crescimento (Ruiz, 2007).
1.9. Cuidados de enfermagem às crianças com falciforme
Segundo (Fingueira (2017), a primeira atuação do enfermeiro para a identificação dos
sintomas e a confirmação do quadro clínico é a verificação da saturação e avaliar a intensidade
da dor atuando com os métodos terapêuticos para amenizar a mialgia. Logo, caso não seja
solucionado, encaminhá-los para o hospital de referência que tenha especialização em
hematologista. (p. 19)
Os enfermeiros (as), podem orientar a educação do paciente e familiares a respeito do
desenvolvimento das crianças, a importância dos pais saberem da finalidade do exame de
triagem neonatal, avaliação dos hábitos nutricionais, ingesta hídrica, acompanhar o calendário
de imunização, atividade física moderada, evitar o etilismo, verificar a adesão medicamentosa,
criar grupo de convivência, reforçar sobre o retorno das consultas; Orientar não apenas o
usuário, como também as pessoas as quais residem junto ao paciente (Rosário, 2013, p. 22).
21
CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO METODOLÓGICA
22
CAPITULO III - APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO
DOS RESULTADOS
23
CONSIDERAÇÕES FINAIS
24
Sugestões
25
BIBLIOGRAFIA
Amorim, E. S. (2022). A importância dos cuidados da enfermagem aos portadores da anemia
falciforme. São Luís.
Barbosa, R. M. (2017). Características demográficas e clínicas de crianças e adolescentes com
anemia falciforme de um ambulatório de referência . Salvador (Bahia).
Bernadino, F. (2018). Características de recém-nascidos portadores de hemoglobina S
detectados através de triagem em sangue de cordão umbilical. Reve. Medicina,.
Cunha, R. d. (2019 ). qualidade No atendimento de enfermagem aos pacientes falciformes: Uma
revisão de literatura . Palmas.
Dowell, D. (2002). Anemia falciforme: diagnóstico e tratamento. Faculdade de Educação e
Meio Ambiente, Ariquemes.
ferreira, s. l. ( 2013). Qualidade de vida e cuidados às pessoas com doença falciforme. salvador.
Fingueira. A, K. B. (2017). Anemia falciforme: abordagem diagnóstica laboratorial. Revista
Ciências e Saúde Nova Esperança.
Furtado, L. G., Nóbrega, M. M., & Fontes, W. D. (2007). Assistência de enfermagem a paciente
com anemia falciforme utilizando a teoria nhb e a CIPE® VERSÃO 1.0. Fortaleza.
GAIGUER, R. (2021 ). Anemia falciforme: contribuição do profissional farmacêutico no
diagnóstico e tratamento . SÃO JOSÉ DO RIO PRETO .
Galdino, E. L. (2017). O cuidar do enfermeiro ao paciente com anemia falciforme. Rio de
Janeiro.
Gorgônio, J. C. (2022). Influência dos moduladores genéticos nos níveis de hemoglobina fetal
na anemia falciforme: revisão literária. Natal, RN .
MANFREDINI, e. a. (2007). A Fisiopatologia da Anemia Falciforme. Infarma. Porto Alegre:
disponivel em [Link] Acesso
em: 12 março de 2024.
Marinho, W. V. (1969). Avaliação da qualidade de vida de portadores de anemia falciforme.
Dissertação de Mestrado. 2016, 118f. Programa de Pós-Graduação em Psicologia.
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ANEXO
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