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Substituição de Restauração Classe IV com Resina

O documento relata um caso clínico de substituição de uma restauração classe IV insatisfatória em um paciente de 26 anos, utilizando resina composta direta. A abordagem incluiu a realização de exames clínicos, escaneamento digital e análise cromática para garantir a estética e funcionalidade da restauração. O estudo destaca a importância da odontologia estética e o uso de tecnologia digital na prática clínica atual.

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Substituição de Restauração Classe IV com Resina

O documento relata um caso clínico de substituição de uma restauração classe IV insatisfatória em um paciente de 26 anos, utilizando resina composta direta. A abordagem incluiu a realização de exames clínicos, escaneamento digital e análise cromática para garantir a estética e funcionalidade da restauração. O estudo destaca a importância da odontologia estética e o uso de tecnologia digital na prática clínica atual.

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SUBSTITUIÇÃO DE

RESTAURAÇÃO CLASSE IV COM


RESINA COMPOSTA DIRETA:
RELATO DE CASO CLÍNICO

Adrielle Viani Pinto Backes1


Bruna Cima Delavalle2
1 Acadêmico do curso Ludmilla de Azevedo Linhares3
de Odontologia.
E-mail: adri_
backes@hotmail.
com

2 Acadêmico do curso RESUMO


de Odontologia.
E-mail:
brunadelavalle@
[Link] O desenvolvimento da Odontologia estética e dos materiais restauradores
3 Doutora em levaram a uma maior procura por parte dos pacientes pela realização de procedi-
Dentística. E-mail:
[Link]@ mentos estéticos com a intenção de corrigir imperfeições relacionadas a forma,
[Link]
tamanho, cor e posição. Atualmente, as restaurações em resina composta estão
sendo muito utilizadas devido suas vantagens, pois há grande variedade de mar-
cas e tipos disponíveis no mercado, para alcançar a capacidade de reproduzir
efeitos existentes nos dentes naturais. Neste sentido, o objetivo deste estudo foi
relatar um caso clínico de uma substituição de restauração classe IV insatisfatória
de um paciente do sexo masculino, 26 anos que compareceu à Clínica do Centro
Universitário Avantis – Uniavan, em Balneário Camboriú. Ele queixou-se da al-
teração de cor da sua restauração no incisivo central superior direito. Mediante
sua anuência, o paciente foi submetido a realização de fotografias iniciais, exame
clínico e radiográfico. Para auxiliar na reconstrução do contorno e forma da su-
perfície palatal e borda incisal. Foi realizado um enceramento diagnóstico, atra-
vés da confecção de um modelo digital, obtido por meio do escaneamento digital
intra oral. Com esse modelo, obteve-se uma guia de silicone para auxiliar essa
etapa restauradora. Para definir as cores, realizou-se uma análise cromática com
o auxílio da escala de cor e posicionamento de pequenos incrementos de resina
composta. A partir desta definição, um ensaio restaurador foi feito, para verificar
a cor e a espessura dos incrementos, auxiliando assim a restauração definitiva.

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Palavras-chave: Estética Dental. Odontologia Digital. Restauração Dentária
Permanente.

CLASS IV RESTORATION REPLACEMENT WITH DIRECT COMPOUND


RESIN: CLINICAL CASE REPORT

ABSTRACT

The development of aesthetic dentistry and restorative materials has led to


greater demand by patients to perform aesthetic procedures to correct imperfections
related to shape, size, color and position. Currently, composite resin restorations are
being widely used because of their advantages as there are a wide variety of brands
and types available on the market to achieve the ability to reproduce effects on natu-
ral teeth. In this sense, the aim of this study was to report a case report of an unsatis-
factory class IV restoration replacement of a 26 - year - old male patient who atten-
ded the Clinic of the Centro Universitário Avantis - Uniavan, in Balneário Camboriú.
He complained about the color change of his restoration in the upper right central
incisor. Upon his consent, the patient underwent initial photographs, clinical and ra-
diographic examination. To assist in the reconstruction of the contour and shape of
the palatal surface and incisal edge. A diagnostic waxing was performed by making
a digital model obtained by intraoral digital scanning. With this model, a silicone
guide was obtained to assist this restorative step. To define the colors, a color analy-
sis was performed with the aid of color scale and positioning of small increments of
composite resin. From this definition, a restorative test was made to verify the color
and thickness of the increments, thus assisting the definitive restoration.

Keywords: Dental Esthetics. Digital Dentistry. Permanent Dental Restoration.

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1 INTRODUÇÃO

Atualmente, com o desenvolvimento da Odontologia estética e dos materiais


restauradores houve uma procura maior por parte dos pacientes pela realização de
procedimentos estéticos com a intenção de corrigir imperfeições relacionadas a for-
ma, tamanho, cor e posição, buscando um resultado final satisfatório (SOUZA-JÚ-
NIOR et al., 2010).
Dentre os procedimentos estéticos estão as restaurações classe IV, tendo
como suas principais etiologias: o traumatismo dentário, a cárie e a substituição da
restauração com estética desfavorável. Essa classe envolve a face proximal e o ângu-
lo incisal, sendo exclusiva dos dentes anteriores (BARATIERI et al., 2012).
Há uma grande procura na estética restauradora para realizar procedimentos
de substituição das restaurações antigas, devido a mudança de cor da resina com-
posta ao longo dos anos. Com isso, o sucesso de uma restauração não pode ser ava-
liado de imediato, pois deve oferecer longevidade associada a estética (GRACIANO,
2008).
Procedimentos estéticos requerem atenção e cuidado durante e a longo pra-
zo. Neste caso, o cuidado durante o procedimento é responsabilidade do profissio-
nal, pois na remoção da resina composta antiga, é necessário preservar a estrutura
dental sadia. Já os cuidados a longo prazo estão associados aos hábitos do paciente
e manutenção das restaurações através de consultas periódicas para realização de
acabamento e polimento. O mesmo precisa estar instruído que para alcançar a du-
rabilidade almejada, torna-se necessário minimizar hábitos para não ocorrer man-
chamento precoce da restauração e ir periodicamente ao dentista para realizar a
manutenção (SILVA; LUND, 2016; MENDES et al., 2013).
Atualmente, com a valorização e procura pela estética, as restaurações em re-
sina composta estão mais abrangentes devido suas vantagens, em função da grande
variedade de marcas e tipos disponíveis no mercado, sendo capazes de reproduzir
efeitos existentes nos dentes naturais (SILVA; LUND, 2016).
Além disso, há a tecnologia digital, na qual vem ocorrendo constantes avan-
ços e tornando-se evidente que o seu uso já faz parte da realidade clínica do cirur-
gião dentista. O uso da tecnologia CAD/CAM está se destacando cada vez mais na
Odontologia, podendo ser utilizada tanto para fins funcionais e/ou estéticos (FIL-
GUEIRAS et al., 2018).

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Sendo assim, deve-se elaborar um planejamento adequado ao caso do pa-
ciente, obter conhecimento sobre a técnica a ser executada e os materiais a serem
utilizados, observando as vantagens, desvantagens e limitações de cada técnica,
priorizando a conservação das estruturas dentais, para que ao final se obtenha o
sucesso esperado no procedimento (DECURCIO, 2013).
Este trabalho teve como finalidade relatar um caso clínico de substituição de
restauração classe IV insatisfatória, com substituição e restabelecimento da estética
e função do elemento anterior com resina composta, reproduzindo as característi-
cas adequadas com naturalidade.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 CLASSIFICAÇÃO DAS RESTAURAÇÕES

Em 1908, Black propôs classificar as restaurações em etiológicas, onde as


áreas anatômicas susceptíveis a lesões de cárie foram divididas em superfícies de
cicatrículas, fissuras e superfícies lisas, e em artificial embasada na técnica de ins-
trumentação da cavidade. Para que assim pudesse padronizar a comunicação e o
registro das informações (MONDELLI et al., 2002; BARATIERI et al., 2012).
Essa classificação de Black possui cinco classes, são elas: classe I - a oclusal de
molares e pré-molares, terço oclusal da face vestibular dos molares inferiores e face
palatina dos molares superiores, palatina dos incisivos superiores; classe II - faces
proximais de molares e pré-molares; classe III - faces proximais de incisivos e cani-
nos, sem envolvimento do ângulo incisal; classe IV - faces proximais de incisivos e
caninos, com envolvimento do ângulo incisal; e classe V - terço cervical das faces
vestibular e lingual de todos os dentes (MONDELLI et al, 2002).

2.1.1 RESTAURAÇÕES CLASSE IV DIRETAS E INDIRETAS

As restaurações classe IV podem ser realizadas através da técnica indireta,


confeccionada no laboratório e a técnica direta, confeccionada em boca com resina
composta. A técnica direta, pode ser realizada com uma matriz pré-formada, uma

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tira de poliéster ou uma guia de silicone gerada a partir de um enceramento de diag-
nóstico em modelo de gesso ou modelo digital (RUSSO et al., 2010; BARATIERI et
al., 2002).
Para realizar a substituição de uma restauração classe IV insatisfatória pode-
mos utilizar uma guia de silicone, mais utilizada nos dias de hoje, com objetivo de
auxiliar na confecção da superfície palatal e da borda incisal (TORRES et al., 2013;
POTTMAIER et al., 2014).
Primeiramente, deve-se realizar a moldagem do dente ou escaneamento di-
gital antes de ser restaurado para se obter um modelo de gesso ou modelo digital,
no qual será utilizado para um enceramento da futura restauração proporcionando
uma anatomia adequada. Com um silicone denso, aplica-se sobre o modelo ence-
rado e após presa remove-se, com um bisturi o silicone, o qual é cortado na parte
vestibular (TORRES et al., 2013).
Em seguida, a guia é testada em boca e aplicada uma fina camada de resina
composta sobre a mesma e encostando sobre a estrutura dental, por fim fotopoli-
merizada. Esse método, proporciona maior facilidade e riqueza anatômica na hora
da reconstrução da restauração, possibilitando ajuste funcional e estético mais ade-
quado, garantindo um melhor resultado (TORRES et al., 2013; HAENSCH, 2011).

2.2 CLASSIFICAÇÃO DAS RESINAS COMPOSTAS

As resinas compostas podem ser classificadas referentes ao tamanho das par-


tículas inorgânicas, podendo ser macroparticuladas, microparticuladas, híbridas, mi-
crohíbridas e nanoparticuladas, ao método de ativação, quimicamente ativadas, fo-
toativadas ou duais e ao grau de viscosidade, ou seja, sua capacidade de escoamento
podendo ser: baixo, médio ou alto (CONCEIÇÃO et al., 2007; JÚNIOR et al., 2011).
As resinas compostas macroparticuladas são as convencionais e possuem
partículas com tamanho entre 15 e 100 micrometros, as microparticuladas possuem
partículas de sílica coloidal com tamanho médio de 0,04 micrometros, as híbridas
são compostas por macro e micropartículas com tamanho médio entre 1 a 5 micro-
metros, as microhíbridas ou as nano-híbridas as partículas têm tamanho médio en-
tre 0,6 e 0,8 micrometros e as nano-híbridas suas partículas de carga são entre 20 e
75 nanômetros (BARATIERI et al., 2012; CONCEIÇÃO et al., 2007).

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Quanto ao método de ativação, as quimicamente ativadas ocorrem polimeri-
zação do material após a mistura de uma pasta base e uma catalisadora, as fotoati-
vadas apresentam fotoiniciadores e somente com a presença de luz para se polime-
rizar e as duais, possuem os dois tipos de ativação (CONCEIÇÃO et al., 2007).

2.2.1 SELEÇÃO DA COR

Para selecionar a cor correta da resina composta pode-se utilizar diversas téc-
nicas, entre elas estão: escolher a cor com o auxílio da escala de cor da determinada
marca que será utilizada e/ou realizar o teste de cor através
do ensaio restaurador. O ensaio restaurador é escolher a cor que mais se ade-
qua com o dente, realizar uma restauração provisória para avaliar se a cor é a corre-
ta, caso seja, realizar a restauração final (BARATIERI, 2015).
As cores possuem dimensões primárias que devem ser observadas, são elas: o
matiz, o croma e o valor e secundárias, que são: translucidez, opalescência e fluores-
cência. Mas, a reprodução correta da cor do dente com material restaurador ocorre
devido a um fenômeno psicofísico chamado metamerismo (BARATIERI et al., 2015;
CENSI, 2010).
O matiz indica a família da cor, conforme o espectro de cor visível com suas
cores existentes e em relação as resinas compostas, há quatro matizes: A (marrom),
B (amarelo), C (cinza) e D (vermelho). O croma refere-se à saturação ou intensidade
da cor e nas resinas compostas, sua identificação é de forma numeral e crescente de
1 a 7. E o valor, está relacionado à luminosidade da cor, ou seja, é uma escala de tons
de cinza, partindo do branco ao preto (BARATIERI et al., 2012; CENSI, 2010).
O metamerismo ocorre quando um objeto de apenas uma cor é submetido
a diferentes fontes luminosas, resultando na apresentação de curvas de espectros
diferentes. Com isso, após a confecção da restauração, pode ocorrer falhas metamé-
ricas, ocasionada devido a alteração da fonte luminosa (RADAELLI et al., 2012).
Além disso, para agregar e resultar em uma cor natural, é preciso seguir uma
dinâmica de cor e propriedades ópticas. Em relação a dinâmica, sabemos que os
dentes são formados por dentina e esmalte, então é preciso saber a variação de es-
pessura de cada tecido, principalmente devido ao envelhecimento fisiológico. Já em
relação as propriedades ópticas, o esmalte e a dentina além de possuírem diferentes

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graus de translucidez, também apresentam distintas propriedades ópticas, ou seja, a
opalescência e a fluorescência (BARATIERI, 2015; RADAELLI et al., 2012).
A translucidez é a transmissão de uma quantidade relativa de luz através de
um objeto. Ela pode ser intermediária, bloqueando totalmente os raios luminosos
(opacidade) ou pode transmitir totalmente os raios (transparência). Nos elementos
dentais, a translucidez é encontrada mais no terço incisal, pois há menos dentina
do que no terço médio (BARATIERI et al., 2015; CORRÊA, OLIVEIRA e SILVA, 2005).
A opalescência ocorre devido ao espalhamento de comprimentos menores
de onda relacionado ao espectro visível. Quando os objetos são observados sob luz
refletida, eles tornam-se opalescentes azulados, e quando observados sob luz trans-
mitida, são mais alaranjados. Na borda incisal, principalmente em incisivos centrais
superiores, pode-se observar melhor uma faixa azulada, que se denomina o halo
opalescente. Já na região de ponta dos mamelos em dentes anteriores, apresenta
uma aparência alaranjada, que se denomina contra opalescência (BARATIERI et al.,
2015; FERRAZ DA SILVA et al., 2008).
A fluorescência está presente na dentina e no esmalte, estando associada
a quantidade de matéria orgânica do elemento dental, ou seja, sua intensidade é
maior na dentina. Devido ao mecanismo biológico e térmico na dentina, no proces-
so de envelhecimento fisiológico ocorre o aumento da intensidade da fluorescência
(BARATIERI et al., 2015; DALLA NORA, BUENO e POZZOBON, 2013).

2.2.2 DURABILIDADE DA RESTAURAÇÃO DE RESINA


COMPOSTA

Existem três fatores essências para garantir a durabilidade das restaurações


de resina composta, sendo elas: o profissional, o paciente e o material utilizado. O
profissional deve realizar corretamente o procedimento restaurador, utilizar instru-
mentos apropriados, como também uma técnica e preparo adequados para se obter
uma boa qualidade no procedimento, evitando falhas que promovem a degradação
da resina e o mesmo deve estar sempre estudando e treinando para possuir habili-
dade apropriada para esses casos (TORRES et al., 2013; BARATIERI, et al., 2015).
Em relação ao paciente, fatores como dieta, higiene e hábitos parafuncionais
podem interferir na durabilidade da restauração, portanto o mesmo deve estar aten-

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do a alimentos ácidos e com corantes, deve realizar uma higiene adequada após as
refeições e manter retornos periódicos ao dentista para se obter um controle (TOR-
RES et al., 2013).
Por fim, os sistemas adesivos e a resina composta devem apresentar carac-
terísticas determinantes para obter qualidade no procedimento como resistência,
polimento, indicação do uso, proporcionando maior durabilidade da restauração
(NOORT, 2010; TORRES et al., 2013).

2.3 SISTEMAS ADESIVOS

Na odontologia, para se obter a união dos materiais restauradores se faz ne-


cessário a utilização de materiais conhecidos por sistemas adesivos, constituído por
um fluido viscoso, que agem como agentes mediadores entre os substratos dentais
e os materiais restauradores, estabelecendo uma adesão (BARATIERI et al., 2015;
HEYMANN, JUNIOR; RITTER, 2013).
Para se obter o sucesso do procedimento, é fundamental seguir uma série de
passos, com suas funções essenciais. Iniciando pelo isolamento do campo operató-
rio, com objetivo de conter a entrada de saliva e umidade no local do procedimento
para que assim não haja falhas no procedimento adesivo (BARATIERI, et al., 2015;
TORRES et al., 2013).
Em seguida, o condicionamento ácido é realizado por 15 segundos na dentina
e 30 segundos em esmalte com ácido fosfórico entre 37% para aprontar a superfície
de dentina e esmalte para incorporar o sistema adesivo. Após, deve ser lavado com
spray de ar/água e secado removendo o excesso de umidade, para que não ocorra a
diluição do sistema adesivo (BARATIERI et al., 2015; BANZI et al., 2006).
A dentina não apresenta um substrato adequado para promoção da adesão
por ser úmida, por este motivo se faz a aplicação de um Primer, composto por mo-
nômeros bifuncionais hidrofílicos e hidrofóbicos promovendo elo entre superfície
úmida da dentina e sistema adesivo. O primer possibilita que um ambiente possa
unir os compósitos e compômeros a dentina, ou seja, ele age como um agente inter-
mediário, devendo ser aplicado por toda a superfície por 30 segundos para se obter
bons resultados (BARATIERI et al., 2015; NOORT, 2010).
Nesta ordem, aplicaremos o adesivo propriamente dito, que tem como fun-

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ção embeber a superfície dental, promovendo a cobertura de espaços irregulares
e microporosidades, atuando como um intermediário entre a estrutura dental e o
material restaurador (BARATIERI et al., 2015).
Atualmente, existem vários tipos de adesivos, desde sistemas com três passos
como sistemas de um único passo, com a intensão de facilitar e diminuir o tempo
clínico. O sistema adesivo convencional de três passos é composto por frascos se-
parados de ácido, primer e adesivo, sendo aplicado um de cada vez nesta ordem,
ainda hoje é considerado padrão ouro da adesão na odontologia, porém envolve um
número maior de passos. Já o sistema adesivo convencional de dois passos é repre-
sentado pelo condicionamento ácido mais a aplicação do primer/adesivo atribuído
em um único frasco com o objetivo de diminuir a quantidade de etapas do procedi-
mento (BARATIERI et al., 2015; SILVA et al., 2010).
Neste campo, apresentasse também os sistemas adesivos autocondicionantes
de dois passos onde é elaborado por um primer ácido e um agente adesivo, neste sis-
tema o primer é responsável por alterar o substrato dental para que este se relacione
com o agente adesivo, não devendo ser removido, já que não há uma etapa separada
do condicionamento ácido. E o sistema de passo único, pode ser apresentado em um
único frasco contendo ácido, primer e adesivo já misturados e prontos para a apli-
cação, ou em dois frascos, devendo ser misturados uma gota de cada antes do uso,
apresentando como vantagem a utilização de um único componente (BARATIERI, et
al., 2015; NOORT, 2010).
Outro sistema encontrado é o chamado adesivo universal, o qual segue o con-
ceito do sistema adesivo autocondicionante, de apenas um único passo. Neste senti-
do entende-se que os sistemas adesivos sempre estarão em evolução, podendo gerar
resultados bons ou ruins, portanto, se faz necessário acompanhar os resultados dos
estudos para realizar a escolha do material adequado (BARATIERI et al., 2015; ARI-
NELLI et al., 2016).

2.4 IMPORTÂNCIA DO ACABAMENTO E POLIMENTO

Para que ocorra a efetividade de um sistema de acabamento e polimento, as


partículas abrasivas devem possuir maior dureza que das partículas de carga pre-
sentes nas resinas compostas. O acabamento é a refinação anatômica da restaura-

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ção, e o polimento tem como objetivo proporcionar a superfície maior semelhan-
ça à superfície do dente, promovendo brilho e lisura da restauração. Essa etapa do
procedimento é fundamental para que ocorra sucesso e longevidade da restauração
(JANUÁRIO et al., 2016; MENEZES et al., 2014).
Com o passar dos anos as restaurações de resina composta sofrem alterações
da cor. As causas dessas alterações de cor podem ser devido a fatores intrínsecos
que é a descoloração do próprio material ou fatores extrínsecos, que está relaciona-
da com a dieta ou hábitos do paciente. Para que a restauração tenha longevidade, é
importante que o paciente compareça periodicamente ao cirurgião dentista para re-
alizar manutenção, ou seja, repolimento destas restaurações (MENDES et al., 2013).

2.5 SISTEMA CAD/CAM

O termo CAD/CAM designa o desenho de uma estrutura em um computador


(Computer Aided Design – Desenho Assistido por Computador) seguido de sua con-
fecção por uma máquina de fresagem (Computer Aided Manufacturing – Fabricação
Assistida por Computador). O surgimento desse sistema na Odontologia em 1985, com
a marca CEREC® da empresa Sirona. E com o passar dos anos, novos sistemas surgi-
ram juntamente com os avanços e modificações de softwares, que são constantemen-
te atualizadas devida as necessidades clínicas (UEDA, 2015; SILVA; ROCHA, [s.d]).
Para a confecção de um trabalho há as seguintes etapas: escaneamento, sof-
twares e processamento. O escaneamento é onde a obtenção das estruturas tridi-
mensionais, podendo ser intra (diretamente do meio bucal) ou extra oral (fora do
meio bucal). Já os softwares, cada marca comercial possui o seu próprio software, no
qual contém uma biblioteca digital para personalizar o trabalho conforme seja ne-
cessário. E o processamento, é a obtenção da peça, que pode ocorrer de duas formas:
a fresagem que é a última fase do processo CAD/CAM, que trata-se da confecção da
peça e a impressão 3D, que é a impressão dos modelos confeccionados através do
escaneamento (FILGUEIRAS et al., 2018; CAMARGO et al., 2018).

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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Relato de caso clínico de um paciente, do sexo masculino, 26 anos com in-


dicação de substituição de restauração classe IV com resina composta. Os procedi-
mentos foram executados na clínica do Centro Universitário Avantis - Uniavan, em
Balneário Camboriú S.C., por acadêmicas do curso de Odontologia.
Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa, sob
o parecer n° 3.399.470.

4 RELATO DO CASO

Paciente do sexo masculino, 26 anos, compareceu a clínica do Centro Uni-


versitário Avantis – Uniavan, em Balneário Camboriú, queixando-se da alteração
de cor da sua restauração no incisivo central superior direito (dente 11). A causa da
restauração foi uma queda de bicicleta na adolescência.
Na consulta inicial, realizou radiografia periapical (Fig. 1), fotografias iniciais
(Fig. 2 A-B) e escaneamento intral oral para confecção do enceramento diagnóstico
(Fig. 3). A partir disso, confeccionou-se um guia de silicone com objetivo de auxiliar
na reconstrução do contorno e forma da superfície palatal e da borda incisal (Fig. 4).

FIGURA 1: Radiografia periapical.

Fonte: Autores, 2019.

FIGURAS 2: A) Fotografia extra-oral inicial do sorriso do paciente; (B) Fotografia intra-oral


inicial.
Fonte: Autores, 2019.

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FIGURA 3: Enceramento diagnóstico.
Fonte: Autores, 2019.

FIGURA 4: Guia de silicone.


Fonte: Autores, 2019.

4.1 ENSAIO RESTAURADOR


Na segunda sessão, a análise cromática através da escala de cor Vita Classical®
(Fig. 5) auxiliou no reconhecimento da cor. A seleção da resina composta foi reali-
zada da seguinte forma: posicionou-se dois pequenos incrementos de resina com-
posta de dentina (Resina IPS Empress Direct – Ivoclar Vivadent®) no terço cervical e
a resina composta de esmalte na borda incisal nas cores A1 e A2 no dente a ser res-
taurado (Fig. 6). Os incrementos foram fotopolimerizados e a cor A2 foi selecionada
aparentando ser a mais adequada.

FIGURA 5: Registro de cor com a escala Vita Classical®.


Fonte: Autores, 2019.

FIGURA 6: Incrementos de resina composta de esmalte e dentina nas cores A1 e A2.


Fonte: Autores, 2019.

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Após alcançada a seleção da cor, foi realizada a remoção da restauração insa-
tisfatória com broca esférica diamantada (1012 e 1014, KG Sorensen®), protegendo o
dente adjacente com matriz metálica. A remoção foi realizada cuidadosamente para
preservar a estrutura dental, com intuito de remover apenas o material restaurador
(Fig. 7). Para reconstrução da face palatal, foi confeccionada uma guia com silicone
de condensação perfil (Coltone®) posicionada no modelo impresso (Fig. 8).

FIGURA 7: Remoção da restauração insatisfatória.


Fonte: Autores, 2019.

FIGURA 8: Guia de silicone em posição.


Fonte: Autores, 2019.

Para dar início ao ensaio restaurador, foi realizado um ponto de condiciona-


mento com ácido fosfórico 37% (Villevie®) no centro da borda incisal por 15 segun-
dos, com proteção dos dentes adjacentes através da fita de politetrafluoretileno. Em
seguida, lavagem e secagem, aplicação do sistema adesivo (Adesivo Adper Single
Bond 2 – 3M®) e fotopolimerização por 20 segundos (Fig. 10).

FIGURA 9: Condicionamento pontual da borda incisal.


Fonte: Autores, 2019.

FIGURA 10: Aplicação do adesivo na borda incisal.


Fonte: Autores, 2019.

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Com isso, iniciou-se o procedimento restaurador construindo a face palatal
com uma fina camada de resina composta de esmalte na cor A2 sobre a guia, levando a
mesma em posição e fotopolimerizando por 20 segundos (Fig 11-A). Logo após, foi re-
alizado a camada de dentina para a reconstrução dos mamelos dentinários na cor A2
(Fig 11-B). Para reprodução do halo opaco foi utilizada a resina composta de dentina na
cor BL-L na borda incisal (Fig. 11-C) e entre os mamelos a resina composta Trans-Opal
foi utilizada para caracterizar os efeitos ópticos de opalescência (Fig, 11-D). Por último,
deu-se a inserção da camada de esmalte vestibular na cor A2 (Fig, 11-E). Importante
salientar que entre cada camada de resina inserida era realizada a fotopolimerização
dos mesmos por 20 segundos. Após, realizou-se o ajuste oclusal e o acabamento com
discos de lixa (Sof-Lex) e finalização do ensaio restaurador (Fig. 11-F).

FIGURA 11: (A) Esmalte correspondente à face palatal; (B) Aplicação da camada de dentina
referente aos mamelos dentinários; (C) Caracterização do halo opaco; (D) Inserção da resina
opalescente no terço incisal; (E) Finalização da camada vestibular com resina de esmalte;
(F) Resultado imediato final do ensaio restaurador.
Fonte: Autores, 2019.

4.2 RESTAURAÇÃO DEFINITIVA

Passados 14 dias da realização do ensaio restaurador, o paciente retornou a


clínica para avaliar a cor, espessura e forma do mesmo. Com isso, pode-se observar
que a seleção da cor estava adequada, mas apresentava uma mancha mais opaca na
distal (Fig. 12), provavelmente associada a quantidade de dentina inserida na etapa
de ensaio.

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FIGURA 12: Restauração provisória após 14 dias.
Fonte: Autores, 2019.

Após a remoção do ensaio restaurador, iniciou-se a confecção da restauração


definitiva com remoção do ensaio restaurador e isolamento absoluto (Fig. 13-A). Os
dentes vizinhos foram isolados com uma fita de politetrafluoretileno (Fig. 13-B) e
iniciado o protocolo adesivo, começando pelo condicionamento ácido no esmalte
por 30 segundos, com ácido fosfórico 37% e na dentina por 15 segundos, seguido da
lavagem abundante com água e secagem com jatos de ar (Fig. 13-C). Na sequência, o
sistema adesivo foi aplicado na superfície, utilizado jatos de ar para evaporação do
solvente e fotopolimerizado por 20 segundos (Fig. 13-D).

FIGURA 13: (A) Isolamento absoluto; (B) Proteção do dente adjacente com fita de polite-
trafluoretileno; (C) Condicionamento com ácido fosfórico 37%; (D) Aplicação do sistema
adesivo.
Fonte: Autores, 2019.

A etapa restauradora definitiva seguiu a mesma sequência do ensaio restau-


rador, utilizando as mesmas cores de resina selecionadas (Fig. 14 A-I). Após a aplica-
ção de cada camada foi realizado a fotopolimerização por 20 segundos, aplicou-se
o gel hidrossolúvel (Fig. 14-J), realizou-se a fotopolimerização final (Fig. 14-K) e a
restauração foi finalizada (Fig. 14-L).

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FIGURA 14: (A) Incremento de resina para esmalte sobre a guia; (B) Incremento de esmalte
posicionado na face palatal e fotopolimerizado; (C) Vista proximal da espessura do esmalte
palatal; (D) Incremento de resina para dentina referente aos mamelos dentinários; (E) Vista
proximal do volume dos mamelos dentinários; (F) Resina de dentina posicionada na borda
incisal para reprodução do halo opaco; (G) Incremento de resina opalescente para mimeti-
zar os efeitos ópticos presentes no terço incisal; (H) Incremento único de resina para esmal-
te; (I) Finalização do esmalte vestibular; (J) Gel hidrossolúvel para fotopolimerização final
da restauração; (K) Fotopolimerização final; (L) Fotografia final da restauração imediata.
Fonte: Autores, 2019.

4.3 ACABAMENTO E POLIMENTO

Após 1 semana, o paciente retornou para os procedimentos de acabamento e


polimento (Fig. 15-A). Iniciou-se pela delimitação da área plana do dente restaurado
baseado no dente homólogo, através das arestas longitudinais (Fig. 15-B). Com dis-
cos de lixa (Sof-Lex, 3M ESPE®), removeu-se o excesso de material resinoso da área
plana (Fig. 15 C-D). O ângulo distal também foi ajustado, cuja curvatura foi reprodu-
zida utilizando-se os demais dentes do paciente como parâmetro.

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FIGURA 15: (A) Restauração após 1 semana; (B) Delimitação da área plana através da demar-
cação das arestas longitudinais; (C) Desgaste da área plana com disco de lixa; (D) Finaliza-
ção do acabamento da área plana.
Fonte: Autores, 2019.

Para finalização do acabamento, utilizou-se os discos de lixa por ordem de-


crescente de granulometria (Fig. 16 A-C) na face vestibular; realizou-se também o
ajuste oclusal, além da utilização da tira de lixa de poliéster na face proximal distal
(Fig. 17), proporcionando uma superfície lisa.

FIGURA 16: (A) Disco de lixa de granulação média; (B) Disco de lixa de granulação fina; (C) Disco de
lixa de granulação extra-fina. FIGURA 17: Tira de lixa de poliéster posicionada na face proximal
distal.
Fonte: Autores, 2019.

Para o polimento inicial, utilizou-se borrachas abrasivas para resina compos-


ta seguindo a sequência da maior granulação para a menor (Fig. 18 A-C).

FIGURA 18: (A) Borracha de maior granulação; (B) Borracha de média granulação; (C) Borra-
cha de menor granulação.
Fonte: Autores, 2019.

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FIGURA 19: (A) Escova de carbeto de silício; (B) Roda de feltro. FIGURA 20: Resultado final
da restauração após o polimento.
Fonte: Autores, 2019.

FIGURA 21: Sorriso frontal após 7 dias da finalização da restauração.


Fonte: Autores, 2019.

FIGURA 22: Sorriso de perfil demostrando volume satisfatório em relação aos dentes adja-
centes.
Fonte: Autores, 2019.

Finalizando o polimento, a escova de carbeto de silício foi utilizada seguido


da roda de feltro para brilho e lisura final (Fig. 19 A-B), finalizando assim a restau-
ração classe IV (Fig. 20). Após 7 dias o paciente retornou e foi possível verificar o
mimetismo da resina composta com os dentes adjacentes (Fig. 21 e 22).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As restaurações diretas de resina composta são uma ótima opção de trata-


mento estético e funcional de dentes anteriores fraturados, tendo como vantagem
da resina composta a possibilidade da realização de um ensaio restaurador que per-
mite testar a tonalidade e opacidade da resina e definir a espessura e tamanho dos

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incrementos que serão utilizados na restauração definitiva.
Outra vantagem da resina utilizada neste caso é ser do tipo nanoparticulada,
ou seja, possui partículas de tamanho nanométricos e alta porcentagem de carga
inorgânica que promove alta resistência ao desgaste, estabilidade da cor e conserva-
ção do polimento a longo prazo.
O sucesso do tratamento restaurador está associado a vários fatores, como
um bom planejamento do caso, utilização de sistemas como o CAD/CAM e a mate-
riais de boa qualidade que permitem a execução do ensaio restaurador por exemplo,
fatores essenciais para se obter o resultado desejado.
Através do procedimento restaurador, alcançou-se um resultado satisfatório,
pois a proposta foi de obter a cor, forma e tamanho adequado, proporcionando ao
paciente uma estética harmônica do seu sorriso, e assim, um efeito positivo na sua
autoestima.

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