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Fenômenos Astronômicos no Céu

O documento explora a relação entre a Terra e os fenômenos astronômicos, destacando a esfera celeste como uma construção mental que ajuda a localizar astros no céu. Ele descreve a esfericidade da Terra e como diferentes observadores veem partes distintas da esfera celeste, além de mencionar os astros visíveis a olho nu e o conceito de movimento próprio das estrelas. Por fim, aborda a imutabilidade aparente das estrelas distantes em contraste com os astros do Sistema Solar que se movem em relação a elas.
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Fenômenos Astronômicos no Céu

O documento explora a relação entre a Terra e os fenômenos astronômicos, destacando a esfera celeste como uma construção mental que ajuda a localizar astros no céu. Ele descreve a esfericidade da Terra e como diferentes observadores veem partes distintas da esfera celeste, além de mencionar os astros visíveis a olho nu e o conceito de movimento próprio das estrelas. Por fim, aborda a imutabilidade aparente das estrelas distantes em contraste com os astros do Sistema Solar que se movem em relação a elas.
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Céu: palco dos fenômenos astronômicos

Olhando à nossa volta ao ar livre, vemos a paisagem terrena. Olhando para cima, vemos o céu,
palco dos fenômenos astronômicos. Como expectadores desses fenômenos, nós nos encontramos
num lugar particular do Universo: a Terra, o Planeta que habitamos. Como veremos, a localização
da Terra no Universo, a sua forma, a sua atmosfera e o seu movimento (que nos arrasta),
determinam uma visão particular dos fenômenos astronômicos.

A esfera celeste

Uma multidão de astros está espalhada pelo vasto espaço cósmico. Um desses astros é a Terra.
Os demais encontram-se, uns mais perto, outros mais longe dela. Ignorando suas diferentes
distâncias, construimos mentalmente uma esfera (Figura 1) cujo centro ocupamos e em cuja
superfície imaginamos que os astros estejam projetados (Figura 2), como num planetário. Essa
representação idealizada do céu é a esfera celeste. Com ela podemos especificar a direção dos
astros no céu. Mas, saber a direção de um astro na esfera celeste não é saber a sua posição no
espaço pois, para isso, precisaríamos saber também a sua distância.

Figura 1. Não existe uma esfera celeste real. Trata-se de mera construção mental. Seu raio é bem grande,
mas nem precisa ser especificado. O observador na Terra só vê a metade da esfera celeste acima do chão.

Cada astro, mantido em sua linha-de-visada, é projetado na esfera celeste, como mostra a Figura
2.

Figura 2. Projeção de um astro na esfera celeste. A linha tracejada representa a linha-de-visada do astro.

Terra esférica

Para o observador da Figura 1, o chão é representado pelo plano horizontal sob seus pés, e a sua
vertical é perpendicular ao chão. O plano horizontal pode ser determinado com um nível de
pedreiro, e a vertical, com um fio-de-prumo.

A Terra, porém, não é plana, mas sensivelmente esférica. Portanto o chão plano do observador da
Figura 2 é apenas uma pequenina porção da superfície esférica da Terra ao redor dele, e a vertical
é só dele. A Figura 3 mostra vários observadores em diferentes pontos da Terra. Cada um pode
determinar o seu plano horizontal e a sua vertical, também com um nível de pedreiro e um fio-de-
prumo. A vertical é perpendicular ao chão em todos os lugares, mas a orientação do plano
horizontal e da vertical muda de um lugar para outro. Todavia as verticais de todos os lugares
convergem para o centro da Terra (Figura 3) na medida em que a Terra é esférica.
Figura 3. O chão de cada observador é como um pequeno painel plano ao redor dele. A justaposição desses
painéis forma uma gigantesca superfície esférica, a Terra. Os observadores no topo e na base da Figura
enxergam hemisférios celestes diferentes e complementares, representados em cinza. Porque é esférica, de
diferentes lugares da Terra se observa partes diferentes da esfera celeste.

Astros visíveis a olho nu

No céu podemos observar também vários objetos que não são astros. P. ex.: aves, pipas, balões,
aviões e satélites artificiais . Os astros visíveis da Terra a olho nu são o Sol (estrela do Sistema
Solar, FICHA No.5,6,11,21,22), a Lua (satélite natural da Terra, FICHA No.12), alguns planetas do
Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), estrelas da nossa Galáxia, a Nebulosa
de Órion , o Saco de Carvão e algumas galáxias (FICHA No.24) vizinhas: as Nuvens de Magalhães
e Andrômeda. Podemos ainda ver meteoros (FICHA No.28) ou estrelas cadentes ocorrendo na
atmosfera da Terra. Ocasionalmente podemos ver algum cometa (FICHA No.27).

A maioria dos astros visíveis à noite a olho nu, consiste em estrelas da nossa própria Galáxia. São
estrelas como o Sol, mas que se encontram a distâncias muito, muito maiores. A luz do Sol chega
à Terra em apenas 8 minutos, a da estrela mais próxima, em 4 anos e 3 meses! Cerca de 6 mil
estrelas em toda a esfera celeste brilham o suficiente para poderem ser vistas a olho nu. Em
princípio, num dado instante poderíamos observar cerca de 3 mil estrelas, pois só metade da
esfera celeste fica acima do horizonte. Mas o número na prática é menor, pois perto do horizonte a
atmosfera da Terra é menos transparente.

Essas estrelas, inclusive o Sol, se encontram nos braços espirais da Galáxia que formam a
componente estrutural chamada disco (FICHA No.24). Conseguimos enxergar estrelas que distam
de nós mais do que a espessura desse disco. Por isso enxergamos mais estrelas numa faixa de
brilho difuso chamada Via Láctea, que dá uma volta na esfera celeste. Essa faixa é a projeção na
esfera celeste do disco da Galáxia visto de seu interior. O disco abriga maior concentração de gás,
poeira e estrelas.

Estrelas fixas

Suponhamos que uma estrela se desloca no espaço entre os pontos 1 e 2 (Figura 4)


transversalmente à linha-de-visada de um observador em A. Esse . Visto dedeslocamento é visto
por ele como um arco com abertura angular distâncias cada vez maiores (B e C), esse mesmo
deslocamento no espaço, corresponde a arcos cada vez menores (Figura 4). Por isso, embora as
estrelas distantes também se desloquem no espaço, elas estão tão longe que o arco que
descrevem na esfera celeste se torna praticamente imperceptível. Conseqüentemente as estrelas
distantes permanecem praticamente fixas na esfera celeste.
,Figura 4. Os ângulos , cada ve e z menores, subtendem o mesmo deslocamento espacial de um
astro, visto de distâncias cada vez maiores.

Cenário de fundo das estrelas fixas

As estrelas distantes formam, portanto, na esfera celeste uma espécie de cenário de fundo
praticamente imutável. É como se elas estivessem aderidas à esfera celeste. Contrastando com
elas, os astros do Sistema Solar que estão muito mais perto, se deslocam na esfera celeste à
frente do cenário permanente de fundo (FICHA No.17,18,19).

Movimento próprio

Há estrelas que estão muito, muito além do Sistema Solar, no entanto são as mais próximas.
Nesse caso, seus deslocamentos angulares na esfera celeste, embora diminutos, podem ser
detectados em relação às estrelas fixas de fundo, quando comparamos fotografias tiradas em
épocas bem diferentes. Esses deslocamentos têm duas causas: (i) o real deslocamento do astro
transversalmente à linha-de-visada do observador; (ii) o deslocamento aparente devido ao
movimento do observador (ou da Terra) em relação ao Sol. Mesmo quando a componente devida à
segunda causa é removida das medidas brutas, muitas vezes resta um resíduo. Ele é atribuído à
primeira causa e é denominado movimento próprio. Portanto, movimento próprio é o deslocamento
angular de um astro na esfera celeste como se ele fosse observado do Sol.

Contrariando o ensinamento aristotélico tradicional da imutabilidade do céu, em 1718 Edmond


Halley (1656-1743) foi o primeiro a sugerir a existência do movimento próprio que foi confirmado 20
anos depois por Jacques Cassini (1677-1756) com a estrela Arcturus.

Mas o Sol não está em repouso absoluto. Ele dá uma volta em redor do centro da Galáxia a cada
225 milhões de anos (ano galáctico) a 220 km/s. Além disso, ele se move individualmente a 20
km/s na direção da constelação de Hércules. O efeito de paralaxe (FICHA No.5) devido ao primeiro
movimento tem uma escala de tempo enorme. Bem antes que o Sol dê meia-volta ao redor do
centro da Galáxia, o movimento próprio de um astro resulta de: (a) o movimento aparente devido
ao movimento do Sol em direção a Hércules; (b) diferença entre a velocidade orbital desse astro e
a do Sol em redor do centro da Galáxia6; (c) real movimento individual do astro no espaço7. O
movimento próprio costuma ser tão pequeno que, só depois de séculos, atinge o ). Assim, também
as estrelas próximas, comequivalente ao diâmetro da Lua (0,5 exceção do Sol, permanecem
quase fixas na esfera celeste durante milênios. Visto da Terra, um conjunto de estrelas pode
sugerir alguma figura no céu (p. ex., Cruz, Escorpião) formando constelações. Estas geralmente
resultam de mero efeito de perspectiva entre estrelas que nada têm a ver entre si. Uma exceção
rara é Plêiades, um aglomerado de estrelas nascidas de uma mesma nuvem interestelar (FICHA
No.21). As constelações também se mantêm praticamente inalteradas na esfera celeste. A esfera
celeste foi dividida em 88 constelações.

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