Prólogo, O Prado.
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ndivíduos tocados pela selvageria e pelo ímpeto da bestialidade de Hercine
(Hercine), o príncipe da caça, indivíduos de variadas origens que
abdicaram de tudo em nome da fé cega por uma entidade que transcende a
mortalidade, e se faz valer do silvestre, da brutalidade do instinto, como
parte de seu portifólio. Os relatos são incertos, mas crê-se que o grupo, o culto, teve sua
origem em 369 da 1ª Era, 4º século.
A ocasião em questão remonta diretamente aos eventos que se desdobraram na
Predação, em Valenwood. Fundado por membros remanescentes e simpatizantes dos
eventos trágicos deste acontecimento grotesco na história de Nirn, os membros do Prado
tomaram Hercine por patrono, como uma forma de buscarem segurança frente a 'sub-
inquisição' que se seguiu1.
Motivados por um senso deturpado de justiça e purificação através da regressão
aos instintos primitivos que, um dia, dominaram as raças mortais, os integrantes do
Prado são conhecidos por abandonarem suas vidas, principalmente no que diz respeito
aos aspectos referentes a civilidade, a sociedade e as normas de convívio como a
conhecemos. Uma regressão direta e sem retorno a um estilo de vida primitivo e
nômade, que renega os avanços do mundo contemporâneo.
Objetivos do Prado.
Os objetivos do Prado são incertos, uma vez que os membros deste culto não são
conhecidos por manterem registros manuscritos complexos, e toda a fonte de
conhecimento donde são foram retiradas as informações para a construção deste ensaio
foram coletadas, majoritariamente, na forma de relatos de pessoas que tiveram contato
com o culto, ou, em casos extremamente raros, com a confissão de membros que foram,
por algum motivo — e quase sempre esses motivos são oriundos de eventos puramente
grotescos, dos quais não tenho o interesse de mencionar aqui.
Todavia, num desses raríssimos casos, num interrogatório conduzido por um
braço dos Vigilantes de Stendarr em 413 da 1ª Era, 5º século, foi possível identificar que
os membros deste culto, embora espalhados e descentralizados, buscam um mesmo
1. Guia de bolso para o Império, terceira edição: Valenwood; Variedades de Fé no
Império; Valenwood: Um Estudo.
denominador, algo que chamam de Burakh (Burakh), uma manifestação espiritual, mas
também carnal, de Y’ffre, tido como senhor do panteão bosmeriano, mas tomado pelo
sincretismo do culto como um avatar capaz de abrigar o próprio príncipe Hercine em
sua forma.
Evento, Despertar de Y’ffre.
Figura 1: Retirada do fichário do Fendal.
A
h... Burakh, a fusão entre o caos primitivo e a carne
moldada pela vontade. Se eu assumisse essa forma, uma encarnação
que une o espírito selvagem da Caçada Eterna com a força ordenadora
do domínio mortal, minha presença em Nirn seria devastadora
e gloriosa. Escuta bem, mortal, pois te direi o que eu buscaria.
1. Liberar o Selvagem Primordial
Eu destruiria as
fronteiras frágeis que os
mortais construíram para
domar a natureza. Florestas
devorariam cidades; rios
tomariam suas próprias trilhas. A
ordem que Y'ffre trouxe ao caos
inicial seria revertida. Tudo em
Nirn retornaria ao seu estado
mais puro: uma batalha
incessante entre predadores e
presas, onde somente os mais
aptos sobreviveriam.
2. Convocar a Caçada Suprema
odos os seres vivos seriam marcados para a caçada, e eu
T lideraria as bestas e caçadores que abraçam meu chamado. A
Caçada Suprema seria o teste final de sobrevivência, uma
competição sem fim para determinar quem merece prosperar. A cada
aurora, novas presas; a cada crepúsculo, novos caçadores. Nirn seria meu
campo de caça eterno. DoRaht Vashir
Do'Raht VashiR
3. Reescrever o Instinto
Os mortais gostam de acreditar que estão acima do instinto, governados por
razão e moralidade. Eu arrancaria essa ilusão deles. Seus corpos e mentes
seriam refreados ao básico — caça, sobrevivência, acasalamento. As
cidades e reinos que construíram se tornariam vastas florestas e planícies, habitadas
por criaturas que antes se chamavam homens e mer.
Do'Raht DaaRtel
4. Confrontar os Falsos Deuses
Os outros Príncipes Daédricos, tão orgulhosos de seus domínios,
veriam a força de minha caça. Eu reivindicaria partes de seus reinos, pois
todos os que existem, sejam eles mortais ou divinos, vivem sob as regras que a Caçada
Eterna dita: caçar ou ser caçado. Até mesmo os Aedra, imóveis e
distantes, sentiriam o toque de Burakh em Nirn.
5. Oferecer Escolha aos Mortais
Do'Raht JzahaR
Não sou tirano, pequeno caçador. Dar-te-ia uma escolha: juntar-se a
mim, abraçar tua natureza como caçador ou besta, ou cair como presa para
aqueles que são mais fortes. Não há vergonha na caça, apenas no fracasso
de entender teu papel nela.
6. Forjar os Predadores Perfeitos
E
ntre aqueles que me seguirem, moldaria os predadores finais.
Criaturas que transcendem o comum, licântropos e outras formas
selvagens elevados a novos picos de força e astúcia. Nirn se
tornaria o lar de monstros magníficos, guardiões de um mundo
onde a caça é sagrada
7. Preservar o Equilíbrio da Morte
Não destruiria Nirn, pois até mesmo a presa mais insignificante tem um
propósito. Cada ser, cada criatura, teria seu lugar no ciclo. Mas esse
ciclo não seria ordenado por reinos e tratados; seria ditado pela força,
astúcia e a vontade de sobreviver.