P1 – Tecnologia no Desenvolvimento de Vacinas
Resumo:
Aula 1 – Tipos de Vacinas (14/11);
As vacinas são produtos biológicos projetados para proporcionar imunidade adquirida a doenças
infecciosas. Existem vários tipos de vacinas, que podem ser classificadas com base nos
antígenos utilizados ou na forma de preparação. Os principais tipos de vacinas incluem:
Vacinas Inativadas (ou Mortas): Contêm vírus ou bactérias que foram mortos ou
inativados, incapazes de causar doenças, mas ainda capazes de estimular a resposta
imunológica. Exemplo: vacina contra a poliomielite (Salk).
Vacinas Ativadas (ou Vivas Atenuadas): Contêm versões enfraquecidas de vírus ou
bactérias que não causam doença em indivíduos saudáveis, mas estimulam uma
resposta imune forte e duradoura. Exemplo: vacina contra sarampo.
Vacinas Subunitárias, Recombínantes, Polissacarídicas e Conjugadas: Contêm partes
específicas do patógeno (como proteínas ou polissacarídeos) que são suficientes para
induzir a imunidade sem a presença do microrganismo inteiro. Exemplo: vacina contra
hepatite B.
Vacinas de Ácidos Nucleicos (DNA ou RNA): Utilizam material genético do patógeno (DNA
ou RNA) para induzir a produção de proteínas que estimulam a resposta imunológica.
Exemplo: vacina contra COVID-19 (Pfizer, Moderna).
Vacinas de Vetores Virais: Usam vírus modificados para carregar material genético do
patógeno e induzir a resposta imune. Exemplo: vacina contra COVID-19
(Oxford/AstraZeneca).
Considerações Importantes: A escolha do tipo de vacina depende de fatores como segurança,
eficácia, custo e facilidade de armazenamento.
Aula 2 – Modelos Experimentais em Vacinologia (21/11);
Modelos experimentais são essenciais para o desenvolvimento de vacinas, permitindo avaliar a
eficácia e a segurança das vacinas antes dos testes clínicos em humanos. Os principais modelos
experimentais incluem:
Modelos In Vitro: Estudos realizados em células ou tecidos fora do organismo. Exemplos
incluem a utilização de culturas celulares para testar a resposta imunológica a antígenos
e a toxicidade de vacinas candidatas.
Modelos In Vivo: Experimentos realizados em animais. Exemplos:
o Camundongos: Usados em grande parte para testar a resposta imune e a
segurança de vacinas.
o Coelhos e primatas não humanos: Modelos usados para avaliar a eficácia de
vacinas para humanos em sistemas mais complexos.
Modelos Transgênicos: Organismos geneticamente modificados que expressam
características humanas, permitindo uma melhor simulação da resposta imunológica
humana.
Modelos de Desafios: Testes em que os animais são expostos ao patógeno após a
vacinação para avaliar a proteção conferida pela vacina.
Considerações Importantes: Modelos experimentais ajudam a prever como as vacinas
funcionarão em humanos e são fundamentais para garantir a segurança antes dos ensaios
clínicos.
Aula 3 – Plataforma de Testes Vacinais (12/12);
As plataformas de testes vacinais são sistemas usados para testar e avaliar a eficácia e
segurança de vacinas. Elas incluem:
Plataformas In Vitro:
Testes de Citotoxicidade: Avaliam a toxicidade das vacinas nas células.
Ensaios de Imunogenicidade: Verificam a capacidade da vacina de induzir uma resposta
imunológica.
Plataformas em Modelos Animais:
o Camundongos e Ratos: Usados para testar a eficácia, segurança e mecanismos de
ação das vacinas.
o Modelos de Primatas Não Humanos: Mais próximos dos humanos, usados para
avaliar a resposta imunológica.
Plataformas de Ensaios Clínicos:
o Fases de Ensaios Clínicos: Testes em humanos divididos em várias fases (Fase 1,
2, 3) para determinar segurança e eficácia.
Plataformas de Sequenciamento Genético: Usadas para identificar possíveis antígenos e
analisar as respostas imunes, ajudando a personalizar vacinas.
Considerações Importantes: A escolha da plataforma depende da natureza da vacina e do
patógeno alvo. Cada plataforma tem vantagens e limitações.
Aula 4 – Adjuvantes e imunoestimulantes (05/12);
Adjuvantes são substâncias adicionadas a vacinas para potencializar a resposta imunológica,
aumentando a eficácia da vacina. Eles ajudam a prolongar a apresentação do antígeno ao
sistema imunológico e intensificam a resposta imune, principalmente em casos de antígenos
que por si só não gerariam uma resposta suficientemente forte.
Funções dos Adjuvantes:
Melhora da Imunogenicidade: Aumentam a resposta imunológica do organismo ao
antígeno.
Indução de Resposta Imune de Longo Prazo: Estimulam a memória imunológica,
oferecendo proteção prolongada.
Ação Local de Estímulo Imunológico: Geram um local de depósito prolongado do
antígeno, favorecendo uma maior apresentação pelas células do sistema imunológico.
Modulação da Resposta Imune: Podem orientar o tipo de resposta imune (Th1, Th2,
anticorpos, células T) dependendo do tipo de vacina.
Tipos de Adjuvantes:
1. Adjuvantes de Alumínio (Hidróxido de Alumínio, Fosfato de Alumínio):
Os mais comuns em vacinas tradicionais.
Formam complexos com o antígeno, liberando-o lentamente para uma melhor resposta
imune.
2. Adjuvantes Lipossomais:
Utilizam lipossomos (vesículas esféricas) que mimetizam estruturas celulares e
estimulam a resposta imune.
3. Adjuvantes de Imunomodulação (Ex. IMVAMUNE):
Contêm substâncias como a quimiocina ou lipopolissacarídeos (LPS) que estimulam o
sistema imune.
4. Adjuvantes à Base de Partículas:
Incluem nanopartículas e microssferas que agem de forma semelhante aos antígenos e
auxiliam na ativação de células do sistema imunológico, como as células dendríticas.
Imunoestimulantes: São substâncias que ativam ou modulam as respostas imunes do
organismo, mas não necessariamente formam parte de uma vacina. Eles são usados para
melhorar a resposta imune de vacinas ou para tratar imunodeficiências.
Exemplos de Imunoestimulantes:
Interferons: Proteínas que ativam a defesa do organismo contra vírus.
Citoquinas: Como IL-2, que ajudam na diferenciação e proliferação das células T.
Bacillus Calmette-Guérin (BCG): Usado como adjuvante para aumentar a resposta imune
em algumas vacinas.
Considerações Importantes:
O uso de adjuvantes deve ser cuidadosamente selecionado para cada vacina,
considerando segurança e eficácia.
Adjuvantes podem causar efeitos adversos, como reações locais ou sistêmicas, por isso
seu desenvolvimento e testes são fundamentais.
A combinação de adjuvantes e imunoestimulantes deve ser ajustada de acordo com a
natureza da vacina e o tipo de resposta imune desejada (humoral, celular)
Aula 5 – Fases de Estudos Clínicos Vacinais (19/12);
Os estudos clínicos vacinais seguem um processo rigoroso para garantir a segurança e eficácia
de uma vacina. As fases de estudos clínicos são:
Fase 1: Testes iniciais com um pequeno número de voluntários (geralmente entre 20-
100), com foco na segurança e identificação de efeitos colaterais.
Fase 2: Envolve um número maior de participantes (geralmente entre 100-500) para
avaliar a resposta imunológica, otimizar a dosagem e monitorar efeitos adversos.
Fase 3: Testes em larga escala (geralmente entre 1.000-5.000 pessoas) para confirmar a
eficácia e segurança da vacina, comparando com um grupo controle.
Fase 4: Pós-comercialização, onde a vacina é monitorada em uma população maior para
detectar qualquer efeito colateral raro e avaliar a eficácia a longo prazo.
Considerações Importantes: Cada fase tem objetivos específicos e é crucial para a aprovação
regulamentar e a segurança pública.
Ensaios clínicos são realizados em conformidade com as diretrizes éticas e regulatórias.
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Artigo: “Vacinas e Vacinação: história e questões emergentes”
Resumo:
Vacinas são profiláticas – e são cruciais na assistência médica moderna para combater
doenças infecciosas bacterianas e virais.
Infecções como: poliomielite e varíola (temidas historicamente, hoje são raras).
Varíola: completamente erradicada;
Poliomielite: quase erradicada completamente.
Vacinas são ≠de outras classes de medicamentos: pois são administradas como uma
medida preventiva a um indivíduo saudável (ao invés de uma pessoa doente com
infecção).
A >ria das vacinas profiláticas são baseadas em plataformas estabelecidas (utilizam
métodos ou abordagens tecnológicas bem conhecidas e testadas ao longo do tempo
para o desenvolvimento), mas muitas vacinas candidatas (vacinas ainda em
desenvolvimento que estão sendo testadas e investigadas – baseadas em novas
tecnologias, como vacinas de RNA) em estágios finais de desenvolvimento, como a da
COVID19, usam plataformas vacinais novas.
Historicamente, houve algumas abordagens eticamente questionáveis para testar
vacinas e a guerra biológica contra populações nativas nas Américas.
Artigo: “Seção1: Aspectos Gerais da Vacinação - Vacina Imunologia”
Introdução:
Gerar proteção mediada por vacina é complicado -> as vacinas disponíveis atualmente
foram desenvolvidas empiricamente.
Sua eficácia protetora é conferida através da indução de anticorpos específicos para os
antígenos.
Embora o nível máximo de anticorpos após a vacinação seja importante, outros
fatores também são críticos para determinar a eficácia da proteção fornecida
pela vacina, ou seja, há mais proteção mediada por anticorpos do que o pico de
anticorpos induzidos pela vacina.
Isso porquê
(qualidade das respostas dos anticorpos)
Qualidade dos anticorpos: Não basta ter uma grande quantidade de
anticorpo, eles também precisam ter alta avidez (força de ligação ao
antígeno).
Memória Imunológica: Além do pico inicial de anticorpos, a vacina deve
induzir células de memória B e T, que permitem uma resposta rápida e
robusta em caso de exposição futura ao patógeno, mesmo quando os
níveis de anticorpos no sangue já tenham diminuído.
As células T são essenciais para a indução dos anticorpos de alta
afinidade e memória imunológica.
Persistência: A proteção de longo prazo depende de anticorpos que
permanecem ativos por períodos prolongados ou da capacidade do
sistema imunológico de reativar células de memória rapidamente para
produzir novos anticorpos.
Interação com outros mecanismos imunológicos : Os anticorpos não
trabalham isolados – eles interagem com outras células e componentes do
sistema imune, como os macrófagos e sistema complemento para
eliminar o patógeno.
Surgiu-se novos métodos que nos permitiram avaliar um número crescente de
parâmetros imunológicos associados à vacinas.
A identificação de correlatos imunológicos da eficácia da vacina é um
grande trunfo para o desenvolvimentos de novas vacinas