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Ação Penal por Tráfico de Drogas em SC

O documento trata de uma ação penal contra Wagner Vargas Teixeira, acusado de tráfico de drogas, especificamente por portar maconha e LSD em sua posse, além de materiais para comercialização. A defesa do réu argumentou a nulidade da busca veicular realizada pela polícia, mas o juiz rejeitou essa preliminar, considerando a ação policial justificada. O Ministério Público requereu a condenação do réu, enquanto a defesa solicitou a absolvição ou a desclassificação do crime para posse de drogas para uso próprio.

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Wesley Coimbra
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Ação Penal por Tráfico de Drogas em SC

O documento trata de uma ação penal contra Wagner Vargas Teixeira, acusado de tráfico de drogas, especificamente por portar maconha e LSD em sua posse, além de materiais para comercialização. A defesa do réu argumentou a nulidade da busca veicular realizada pela polícia, mas o juiz rejeitou essa preliminar, considerando a ação policial justificada. O Ministério Público requereu a condenação do réu, enquanto a defesa solicitou a absolvição ou a desclassificação do crime para posse de drogas para uso próprio.

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20/12/2024, 14:29 :: 310051425424 - eproc - ::

ESTADO DE SANTA CATARINA


PODER JUDICIÁRIO
1ª Vara Criminal da Comarca de Criciúma
Av. Santos Dumont, s/n - Bairro: Milanese - CEP: 88804500 - Fone: (48) 3403-5227 - Email:
criciuma.criminal1@[Link]

AÇÃO PENAL - PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Nº 5004474-20.2023.8.24.0020/SC


AUTOR: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
RÉU: WAGNER VARGAS TEIXEIRA

SENTENÇA

I. Relatório.

O Ministério Público do Estado de Santa Catarina, por seu representante legal


em exercício neste Juízo, deflagrou ação penal contra WAGNER VARGAS TEIXEIRA, já
qualificado nos autos, dando-o como incurso nas disposições do art. 33, caput, da Lei n.
11.343/06.

Segue a narrativa fática da incoativa do Evento 1:

No dia 24 de fevereiro de 2023, por volta das 16h28min, na Avenida Centenário, Bairro Santa
Bárbara, neste Município e Comarca de Criciúma/SC, o denunciado WAGNER VARGAS
TEIXEIRA, com vontade livre e consciente, trazia consigo, no interior do seu automóvel,
para fins de comercialização, sem autorização e em desacordo com determinação legal e
regulamentar, aproximadamente 423g (quatrocentos e vinte e três gramas) da droga
popularmente conhecida como maconha, fracionada em três tabletes grandes, 3,3g (três
gramas e três centigramas) da mesma substância, fracionada em 11 (onze) cigarros pequenos,
além de 1 (uma) cartela da droga sintética conhecida popularmente como LSD. Registra-se

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que as substâncias apreendias causam dependência física e psíquica, e o uso e
comercialização são proibidos em todo o território nacional, conforme Portaria SVS/MS n.
344/1998 da ANVISA e subsequentes atualizações. Além dos entorpecentes, foi realizada a
apreensão de uma balança de precisão, uma faca utilizada para fracionar as drogas a serem
comercializadas, um rolo de papel filme, um esmurrugador e R$ 623,00 em espécie, fruto do
comércio espúrio.

Em conclusão à exordial acusatória, requereu o Parquet o recebimento da


denúncia, a citação do denunciado e o devido processamento do feito até a condenação, por
sentença, nas sanções penais correspondentes.

A peça vestibular veio acompanhada do rol de testemunhas e dos documentos


necessários ao ajuizamento da actio penal, tudo extraído dos autos relacionados n. 5004152-
97.2023.8.24.0020.

Houve a prisão em flagrante de WAGNER, em 24/02/2023, a qual restou


homologada e convertida em segregação preventiva no dia seguinte, conforme decisão de
Evento 10 dos autos relacionados n. 5004152-97.2023.8.24.0020.

A denúncia foi recebida em 06/03/2023 (Evento 4).

Devidamente citado (Evento 20), o acusado apresentou resposta à acusação no


Evento 21, o que fez por meio de defensor constituído. Na peça, arguiu a preliminar de
ausência de justa causa para o exercício da ação penal e postulou a rejeição da denúncia e a
absolvição sumária do acusado, com fulcro no art. 395, inciso III, do CPP. Ao
final, foram arroladas testemunhas.

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Por meio da decisão do Evento 25, rejeitou-se a preliminar arguida pela defesa
do réu, bem como designou-se audiência de instrução e julgamento para o dia 05/09/2023 às
16:00h.

Informações em Habeas Corpus impetrado em favor do réu junto ao Superior


Tribunal de Justiça prestadas no Evento 32.

Houve pedido de revogação da prisão preventiva formulado pela defesa de


WAGNER, o qual foi denegado, após parecer do Ministério Público no mesmo sentido
(Evento 41).

Na audiência de instrução, procedeu-se à coleta do depoimento de duas


testemunhas arroladas pela acusação e duas testemunhas arroladas pela defesa e, por fim,
realizou-se o interrogatório do acusado. Na fase de diligências, o Ministério Público requereu
a expedição de ofício ao IAF - Instituto dos Auditores Fiscais de Florianópolis, para que
encaminhasse o laudo pericial de substância entorpecente. A defesa requereu o
reconhecimento da nulidade da prova de busca e apreensão no veículo e a revogação da
prisão preventiva e o Ministério Público se opôs ao deferimento do pleito. Pelo MM. Juiz
restou determinada a expedição de ofício ao IAF, conforme requerido pelo Parquet, e
indeferido o pedido de liberdade do acusado (Evento 68).

As diligências requeridas pelo Ministério Público foram juntadas no Evento 77.

O Ministério Público apresentou alegações finais requerendo a condenação do


réu nos termos da denúncia (Evento 81).

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Por sua vez, a defesa do acusado WAGNER VARGAS TEIXEIRA em suas
alegações derradeiras, arguiu a preliminar de nulidade da revista veicular realizada pelos
policiais, com fundamento no art. 395, inciso III, do CPP. No mérito, requereu a absolvição
do réu ante a insuficiência probatória, com fulcro no art. 386, inciso V, do CPP, e, para o caso
de condenação, pugnou pela desclassificação do delito de tráfico para o delito de posse de
drogas para uso próprio. Ademais, postulou a fixação da pena-base no mínimo legal, a
aplicação regime inicial semiaberto, bem como a concessão do direito de recorrer em
liberdade e a restituição do dinheiro apreendido (Evento 90).

Os autos vieram-me conclusos.

É o relatório.

Passo a fundamentar e decidir.

II. Fundamentação.

Trata-se de ação penal pública incondicionada, em que o Ministério Público do


Estado de Santa Catarina apura a responsabilidade penal do acusado WAGNER VARGAS
TEIXEIRA pelo cometimento, em tese, do crime previsto no art. 33, caput, da Lei n.
11.343/06.

Da preliminar.

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Postula o acusado, por sua defesa, seja reconhecida a nulidade da
revista veicular operada pelos agentes policiais durante a abordagem, argumentando para
tanto que não havia qualquer justificativa plausível para a execução da
diligência. Todavia, reputo que a preliminar arguida não merece guarida.

Os elementos reunidos no feito dão conta de que a ação dos agentes policiais
tomou como base o fato de terem sentido um forte odor de maconha, no momento em que
estavam parados no sinal vermelho do semáforo, e de terem flagrado o denunciado fumando
um cigarro do referido entorpecente no interior de seu veículo.

Dessa feita, constata-se que a atuação dos agentes estatais restou verificada em
um contexto capaz de conferir a justa causa para a inspeção veicular mais minuciosa, por
meio da qual se descobriu de modo legítimo a ocorrência do delito de tráfico de drogas. Está,
pois, justificada a medida, tendo agido os policiais militares no estrito cumprimento de seu
dever legal.

Ademais, impende consignar o recente julgamento realizado pelo STF sobre o


assunto:

Agravo regimental no recurso ordinário em habeas corpus. 2. Agravante, reincidente, preso


com drogas, arma e balança. 3. A Constituição que assegura o direito à intimidade, à ampla
defesa, ao contraditório e à inviolabilidade do domicílio é a mesma que determina punição a
criminosos e o dever do Estado de zelar pela segurança pública. O policiamento preventivo e
ostensivo, próprio das Polícias Militares, a fim de salvaguardar a segurança pública, é dever
constitucional. 4. Fugir ao avistar viatura, pulando muros, gesticular como quem segura algo
na cintura e reagir de modo próprio e conhecido pela ciência aplicada à atividade policial,
objetivamente, justifica a busca pessoal em via pública. 5. Alegação de violação a domicílio.

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Caso concreto. Inocorrência. 6. Agravo improvido. (RHC 229514 AgR, Relator(a): GILMAR
MENDES, Segunda Turma, julgado em 02-10-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n
DIVULG 20-10-2023 PUBLIC 23-10-2023)

No mesmo rumo, é entendimento do STJ e da Corte Catarinense:

PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE


DROGAS. BUSCA PESSOAL E VEICULAR. FUNDADAS SUSPEITAS.
POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. [...] 2. Com relação à busca
veicular, o Superior Tribunal de Justiça entende ser equiparada à busca pessoal, e o art. 244
do CPP assevera que " a busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou
quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de
objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no
curso de busca domiciliar". 3. Verifique-se que a fundada suspeita reside no fato de que os
agentes policiais em patrulhamento pela região, conhecida como de abandono de veículos
roubados, avistaram o indiciado no interior do veículo, cujo emplacamento dianteiro estava
pendurado, razão pela qual decidiram abordá-lo. Em revista, nada de ilícito foi apreendido
com o ora agravante, contudo, durante a abordagem, os policiais sentiram forte odor de
maconha, o que motivou a realização de vistoria no interior do veículo, onde localizaram os
blocos de maconha. 4. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no HC n. 794.039/SP,
relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 24/3/2023.)

APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME CONTRA A SAÚDE PÚBLICA. TRÁFICO DE DROGAS


CIRCUNSTANCIADO PELO ENVOLVIMENTO DE ADOLESCENTE (ART. 33, CAPUT, C/C
ART. 40, VI, AMBOS DA LEI N. 11.343/06). SENTENÇA CONDENATÓRIA. RECURSO DA
DEFESA. PRELIMINAR. NULIDADE DA REVISTA VEICULAR E PESSOAL.
ILEGALIDADE NÃO VERIFICADA. POLICIAIS MILITARES EM PATRULHAMENTO.
DENÚNCIA DE QUE HAVIA UM CARRO ESTACIONADO EXALANDO FORTE ODOR
DE MACONHA. SITUAÇÃO CONSTATADA PELOS POLICIAIS NO LOCAL.
EXISTÊNCIA DE FUNDADA SUSPEITA A JUSTIFICAR A BUSCA VEICULAR E
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PESSOAL. LEGALIDADE DA ATUAÇÃO DOS POLICIAIS MILITARES. PRELIMINAR
AFASTADA.[...] (TJSC, Apelação Criminal n. 5014609-86.2022.8.24.0033, do Tribunal de
Justiça de Santa Catarina, rel. Hildemar Meneguzzi de Carvalho, Segunda Câmara Criminal,
j. 18-04-2023).

Sendo assim, REJEITO a preliminar arguida.

Não há outras preliminares ou questões a serem abordadas de ofício.

Do mérito.

Segue a descrição do crime imputado, nos termos da Lei n. 11.343/06:

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à
venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar,
entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil
e quinhentos) dias-multa.

A materialidade delitiva encontra-se devidamente comprovada nos autos pelo


boletim de ocorrência n. 0187435/2023-BO-00473.2023.0000897, da Delegacia de Polícia
Civil de Criciúma/SC, de fls. 3/8, pelo auto de exibição e apreensão de fl. 14, pelo laudo de
constatação de substância entorpecente de fl. 15, todos anexados ao Evento 1 dos autos
relacionados n. 5004152-97.2023.8.24.0020; pelo laudo pericial de identificação de

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substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica
n. 2023.19.1281.23.002-94 anexado ao Evento 10; assim como por meio de toda a
prova oral colhida nas fases policial e judicial.

Consta do laudo pericial de identificação de substâncias entorpecentes ou que


determinem dependência física ou psíquica n. 2023.19.1281.23.002-94 que: (a) o material
apreendido em forma de fragmentos de blocos de erva prensada, acondicionados em 2
invólucros de plástico filme incolor e em 1 invólucro envolto em fita adesiva de cor parda e
invólucro de plástico filme incolor, com massa bruta total de 424,23g; e (b) o material
apreendido em forma de cigarros artesanais parcialmente queimados, todos contendo erva,
sendo 13 unidades, com massa bruta total de 3,17g, acusaram a presença de THC
(tetrahidrocannabinol), presente no vegetal Cannabis sp., conhecido vulgarmente
como maconha.

De acordo com o laudo pericial supracitado, outrossim,


a substância apreendida é capaz de causar dependência física e/ou psíquica, tendo seu uso
proibido em todo território nacional, a teor da Portaria n. 344/98 da ANVISA.

Quanto à autoria delitiva, igualmente está comprovada.

BRUNO DE PÁDUA CAVALCANTE, policial militar que participou da prisão


em flagrante do acusado, afirmou na fase inquisitiva (Evento 1, VÍDEO3, dos autos
relacionados n. 5004152-97.2023.8.24.0020) que a guarnição estava em deslocamento na
Avenida Centenário; que pararam a viatura ao lado de um veículo Pálio vermelho; que
dentro do veículo o motorista estava fumando um cigarro de maconha; que as janelas
do carro estavam abertas e o cheiro de maconha estava bastante forte; que o veículo
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estava parado no sinal vermelho do semáforo; que, diante disso, procederam a abordagem no
veículo; que o acusado não viu a viatura; que Wagner foi cooperativo em todo momento da
abordagem; que encontraram cerca de 423g de maconha, uma faca com resquícios da
droga, uma balança de precisão, restos de cigarro de maconha, cerca de R$ 600,00 em
dinheiro, esmurrugador e outros objetos; que havia uma imagem fotográfica que
aparentava ser droga sintética; que a balança é utilizada para porcionar a droga; que
Wagner alegou que a droga era para consumo próprio; que o contexto da situação indicava
a pratica do tráfico de drogas; que foi levado em consideração a quantidade da droga, a
maneira como ela estava armazenada, os demais utensílios apreendidos, tais como
balança de precisão, faca com resquícios da droga, a vultosa quantidade de dinheiro
(mais de R$ 600,00 em espécie e US$ 1,00), além do acusado já ter passagem por tráfico
de drogas.

Igualmente, perante o Juízo (Evento 75), o policial BRUNO narrou que estava
com mais dois policiais; que e a guarnição estava trafegando pela Avenida Centenário com a
viatura e, em um dado momento, parou no sinal vermelho do semáforo em frente a um posto
de combustível; que ao lado da viatura estava o acusado em um veículo com os vidros
abaixados; que o acusado estava fazendo uso de substância entorpecente; que o acusado
estava fumando um cigarro de maconha; que foi possível sentir o forte odor da droga;
que, diante disso, procederam com a abordagem no veículo e encontraram uma
quantidade de maconha; que a droga estava prensada e fracionada; que também
encontraram uma quantidade em dinheiro; que deram voz de prisão ao acusado pela
prática do tráfico de drogas; que a quantidade de maconha era em torno de 500g; que
essa quantidade de entorpecente é considerável; que acredita que havia uma balança de
precisão no carro; que o dinheiro não estava bem organizado; que acredita que foi

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encontrada uma porção de droga sintética também; que o dinheiro estava em notas
fracionadas; que o acusado relatou que era usuário e que já tinha feito o tráfico de
drogas; que o réu tem passagens relacionadas ao tráfico de drogas e outros delitos; que não
conhecia o acusado antes da abordagem; que nenhum dos policiais conhecia o acusado; que o
depoente era comandante da guarnição e estava no banco do carona da viatura; que o
depoente estava mais próximo do réu e pôde constatar o forte odor de maconha sendo
queimada; que, diante disso, o depoente deu voz de abordagem e emanou as ordens legais de
parada do veículo; que Wagner fez a condução do veículo até o posto de gasolina para não
interferir no fluxo de trânsito; que a busca veicular foi feita a partir da constatação do forte
odor de maconha; que, diante da fundada razão, a autorização para a abordagem veicular é
prescindível, mas o acusado autorizou os policiais; que acredita que o acusado não estava
usando uniforme de trabalho; que o acusado relatou que estava trabalhando; que acredita que
a abordagem foi gravada; que não lembra exatamente o momento em que iniciaram a
gravação; que acredita que as passagens policiais do acusado eram referentes a crimes
patrimoniais (furto, estelionato) e crimes relacionados a drogas (posse para uso pessoal e
tráfico).

EDER CARLOS MACHADO DE OLIVEIRA, miliciano igualmente atuante na


ocorrência desencadeadora da prisão em flagrante do réu, ao ser ouvido na etapa contraditória
(Evento 75), aduziu, em sintonia com suas declarações extrajudiciais (Evento 1,
VÍDEO1, dos autos relacionados n. 5004152-97.2023.8.24.0020), que a guarnição estava
transitando pela Avenida Centenário, quando visualizou um masculino usando
entorpecente; que fizeram a abordagem no masculino; que fizeram a revista no veículo
e encontraram alguns torrões de maconha, que totalizavam mais de 500g; que o acusado
estava dentro do veículo e a droga estava dentro de uma mochila; que os vidros do carro

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estavam abertos e o acusado estava fumando um cigarro de maconha; que foi possível
sentir o cheiro de maconha; que o acusado jogou o cigarro de maconha no chão; que, no
momento da abordagem, os policiais encontraram a ponta do cigarro dispensado pelo
acusado e mais a quantidade de droga; que também encontraram no veículo uma faca e
outros objetos que indicavam a traficância; que não recorda se foi encontrada balança de
precisão; que o acusado relatou que estava indo para uma festa e que ia levar para uns
amigos; que o depoente não conhecia o acusado, mas os outros policiais relataram que
conheciam; que o acusado estava sob o efeito de drogas no momento da abordagem; que
tinha uma quantidade em dinheiro picado com o acusado; que parecia que o acusado
também tinha micropontos de LSD, mas não foi possível de identificar; que a maconha
estava fracionada em 3 ou 4 tabletes; que o depoente fez a abordagem e encontrou a droga
dentro da mochila; que não encontraram nada com o acusado em revista pessoal; que a
mochila não estava visível pelo lado de fora do veículo; que fizeram a revista no veículo,
porque é o procedimento padrão; que não pediram autorização para fazer a revista no veículo,
pois faz parte do procedimento; que Wagner foi cooperativo durante a abordagem e ficou
acompanhando a ocorrência; que a ocorrência aconteceu entre 14:00h ou 15:00h; que não
recorda se Wagner estava usando uniforme de trabalho; que além das drogas, havia o
dinheiro picado sem origem, mochila escondida específica para a droga, que indicavam
a traficância.

RENATO ARNS DA SILVA, policial militar, ouvido somente pela


Autoridade Policial (Evento 1, VÍDEO2, dos autos relacionados n. 5004152-
97.2023.8.24.0020), verbalizou que estava como motorista da viatura; que foi feita a
abordagem no veículo; que o depoente ficou cuidando do trânsito da Avenida Centenário;
que encontraram droga no veículo.

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Também foram ouvidas as testemunhas de defesa Alexandre Cechinel
Gonçalves e Samuel Ugioni da Luz.

ALEXANDRE CECHINEL GONÇALVES disse que Wagner frequentava a


empresa do depoente e comprava peças automotivas; que o pai de Wagner tem oficina e o
acusado trabalha com ele; que o acusado trabalhava de segunda a sexta-feira em horário
comercial; que não sabe se o acusado estava trabalhando no dia da prisão; que nunca ouviu
falar que Wagner era traficante; que não lembra se conversou com Wagner no dia dos fatos;
que sabia que Wagner estava preso, mas não sabia qual era o delito envolvido.

SAMUEL UGIONI DA LUZ aduziu que Wagner é cliente da loja do depoente;


que possui uma loja de artigos esportivos; que o acusado trabalhava na oficina do pai dele;
que a loja do depoente fica ao lado da oficina; que nunca ouviu que o acusado estava
traficando drogas; que ficou espantado quando ouviu a notícia; que não sabe nenhuma
informação sobre os fatos; que o pai de Wagner disse que o acusado tinha sido preso.

WAGNER VARGAS TEIXEIRA interrogado na Delegacia de Polícia (Evento


1, VÍDEO4, dos autos relacionados n. 5004152-97.2023.8.24.0020), relatou que estava
trabalhando no momento da abordagem; que tinha passado no Pinheiro para buscar a droga
para seu consumo e estava indo à praia; que cortou uma parte da droga para levar para a praia
do Rosa; que sempre compra a droga em porções de 250g e 300g para usar em alguns meses;
que é usuário de maconha; que os policiais pararam o interrogado; que fizeram a
abordagem, porque o interrogado estava fumando naquele momento; que tinha
acabado de pegar a maconha e estava indo para a praia do Rosa; que já foi abordado
outras vezes por posse de maconha.

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Sob o crivo do contraditório e da ampla defesa (Evento 75), o denunciado
WAGNER declarou que a acusação não é verdadeira; que não comercializa a droga, apenas
faz uso; que estava trabalhando no dia dos fatos; que estava indo comprar um radiador com o
dinheiro que estava em sua carteira; que estava vestindo o uniforme da mecânica; que não
estava fumando no momento da abordagem; que os policiais pararam no semáforo e
mandaram o interrogado descer do veículo; que os policiais direcionaram o interrogado para
a parte de trás do veículo; que havia movimento na Avenida Centenário; que conduziram o
interrogado até o posto de combustível; que um dos policiais levou o carro do interrogado;
que os policiais fizeram a revista no veículo sem pedir autorização; que encontraram a
quantidade de droga que o interrogado havia comprado de manhã; que estava
transitando com a droga; que estava com uma mala de roupas e outros pertences, porque ia
à praia depois do trabalho; que o interrogado disse aos policiais que pegava uma quantidade
maior de droga, pois era mais barato e o interrogado não precisava ir tantas vezes no ponto de
tráfico; que anda com a balança de precisão para não ser enrolado pelos traficantes quando
busca a droga; que essa quantidade de droga dura por 3 ou 4 meses; que os policiais trataram
o interrogado de forma violenta; que não possui passagens policiais por outros crimes, apenas
TC por uso de maconha; que estava trabalhando como radiador; que trabalha de segunda à
sexta com seu pai; que estava trabalhando no momento da abordagem e ia para a praia depois
do serviço; que usava a balança para não ser enrolado pelos traficantes; que possuía a faca, o
rolo de papel filme e o esmurrugador no veículo, pois destacou uma quantidade de droga para
levar à praia e o restante da droga iria deixar em casa; que usa o esmurrugador para deixar a
droga pronta e fechada; que ia utilizar a faca para cortar a droga e o rolo de papel para manter
o entorpecente conservado; que tinha comprado a droga pela manhã, por volta de 9:00h ou
10:00h; que fuma 25g por semana e a droga iria durar 3 ou 4 meses; que ia levar 50g de
maconha para a praia e o restante do tablete ia deixar em casa; que foi apreendido R$ 623,00

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em espécie; que seu pai tinha lhe dado esse dinheiro para comprar um radiador; que estava
com o radiador dentro do veículo no momento da abordagem; que estava com o radiador
antigo no veículo e iria comprar um novo; que geralmente trabalha com dinheiro em espécie
na oficina; que estava indo na loja comprar o radiador, quando os policiais chegaram ao lado
de seu veículo e mandaram o interrogado, de forma autoritária e agressiva, ir para a parte
traseira do carro; que acredita que os policiais não foram com “a cara” do interrogado; que
não autorizou a entrada dos policiais em seu veículo; que não conhece os policiais da
abordagem; que, durante a abordagem, os policiais pediram reforço de outra viatura e chegou
o policial Andrei Dias; que Andrei conhece o interrogado desde novo e conhece toda sua
família; que Andrei conhecia o interrogado de vida pessoal e não do meio policial.

Da acurada e percuciente análise do contexto probatório exibido nos autos,


verifico que a prova constituída é firme e categórica em demonstrar a responsabilidade penal
do denunciado WAGNER VARGAS TEIXEIRA pela prática do crime de tráfico de drogas
descrito na denúncia.

Com efeito, os policiais ouvidos durante a instrução processual afirmaram que


Wagner foi flagrado fazendo uso de maconha no interior de seu veículo, o que provocou um
forte odor do entorpecente no ambiente, e que, em diligência de averiguação, logrou-se êxito
na constatação da prática delitiva do tráfico de drogas. Essa constatação fica evidenciada pela
quantidade de droga apreendida (3 blocos de maconha, pesando 424,23g), pela localização
de valores de procedência lícita não demonstrada pelo acusado (R$ 622,00 em espécie e em
notas variadas) e de petrechos corriqueiramente utilizados na traficância, como balança de
precisão, faca utilizada para fracionar a droga, rolo de papel filme utilizado para embalar a
droga, esmurrugador, bem como pelo contexto motivador da decisão de abordagem por parte
dos policiais.
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Em acréscimo, nota-se que as declarações do réu nas etapas policial e judicial
apresentaram contradições, bem exibindo a falta de credibilidade na negativa de autoria
trazida por Wagner. O réu aduziu em Juízo que não estava fumando no momento da
abordagem, que estava indo comprar um radiador com o dinheiro que estava em sua carteira
e que os policiais encontraram a quantidade de droga que havia comprado pela manhã
daquele dia; todavia, quando ouvido perante a Autoridade Policial, Wagner afirmou que tinha
acabado de pegar a maconha e já estava indo para a Praia do Rosa e que os milicianos
realizaram a abordagem, pois ele estava fumando naquela ocasião.

Ademais, embora tenha o réu declarado que não possui passagens policiais por
outros crimes, mas apenas TC por uso de maconha, veja-se, consoante demonstra a certidão
de antecedentes criminais do Evento 3 dos autos relacionados n. 5004152-97.2023.8.24.0020,
que o acusado já foi condenado por delito de tráfico de drogas.

Dessa forma, é possível considerar que a negação de que perpetrava


o tráfico resta divorciada do conjunto probatório formado nos autos, até mesmo porque o
acusado não trouxe nenhuma prova com aptidão de demonstrar o álibi alegado de posse
apenas para consumo.

É nítido, portanto, que a droga apreendida era destinada à venda, patenteado


isso todas as circunstâncias apuradas e exibidas no feito pelos elementos de prova reunidos.

Isso posto, não há como dar guarida ao pleito absolutório almejado pela defesa,
porquanto o local e as circunstâncias em que se deram a apreensão dos tóxicos evidenciam,
pelo menos, o transporte da droga no veículo do denunciado (trazer consigo), o que se
amolda a um dos verbos do art. 33, caput, da Lei de Drogas.
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Diante de tudo isso, reputo satisfatoriamente demonstrado que, no dia
24/02/2023, por volta das 16:28h, na Avenida Centenário, Bairro Santa Bárbara, neste
Município e Comarca de Criciúma/SC, o denunciado WAGNER VARGAS TEIXEIRA, com
vontade livre e consciente, trazia consigo, no interior do seu automóvel, para fins de
comercialização, sem autorização e em desacordo com determinação legal e regulamentar,
aproximadamente 424,23g de maconha, fracionada em três tabletes grandes, e 3,17g da
mesma substância, fracionada em 13 cigarros pequenos. Além dos entorpecentes, foi
realizada a apreensão de uma balança de precisão, uma faca utilizada para fracionar as drogas
a serem comercializadas, um rolo de papel filme, um esmurrugador e R$ 623,00 em espécie,
sem comprovação lícita demonstrada.

Convém ressaltar que eventual condição de usuário não exclui a


responsabilidade pela conduta típica imputada na denúncia, pois nada impede que o usuário
ou viciado seja também traficante e, se a prova dos autos indicar esta condição, como no
presente caso, devida é a condenação pelo tipo descrito no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06.

A Corte Catarinense já assentou, ademais:

"APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO DE DROGAS. [...]PLEITO ABSOLUTÓRIO.


MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. PALAVRAS FIRMES E COERENTES DOS
POLICIAIS QUE EFETUARAM A PRISÃO DO APELANTE. DESCLASSIFICAÇÃO PARA O
DELITO CAPITULADO NO ART. 28 DA LEI 11.343/06. IMPOSSIBILIDADE. EVENTUAL
CONDIÇÃO DE USUÁRIO QUE NÃO AFASTA O RECONHECIMENTO DO CRIME DE
TRÁFICO. CONDENAÇÃO MANTIDA. Cediço que eventual condição de usuário não exclui a
responsabilidade pela conduta típica deflagrada, tampouco possibilita a desclassificação para
consumo próprio, pois nada impede que o usuário ou viciado seja também traficante e, se a
prova dos autos indicar essa condição, obstado se encontra o afastamento da condenação.

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Nesse passo, estando comprovada a materialidade e a autoria do tráfico, nem se cogita a
desclassificação para a conduta prevista no art. 28 da Lei 11.343/06. [...]" (TJSC, Apelação
Criminal (Réu Preso) n. 2015.015391-2, de Biguaçu, rel. Des. Moacyr de Moraes Lima Filho,
j. 14-04-2015).

No mais, é inegável que WAGNER VARGAS TEIXEIRA, agindo com vontade


livre e consciente, incorreu nos elementos configuradores do delito previsto no art. 33, caput,
da Lei n. 11.343/06, cometendo fato típico e ilícito.

Presentes se encontram os elementos da culpabilidade, analisada como


pressuposto para a aplicação da pena. O réu era maior de 18 anos ao tempo do crime e
mentalmente são, portanto penalmente imputável. Tinha potencial consciência da ilicitude da
conduta e, em face das circunstâncias, podia e devia ter agido de forma diversa. Assim, o
acusado atuou culpavelmente e de modo reprovável, merecendo ser a imposição da devida
sanção penal.

Passo à aplicação da pena.

De início, promovo a análise das circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do


CP e das circunstâncias previstas no art. 42 da Lei n. 11.343/06. A culpabilidade do acusado
deve ser considerada intensa e merece ser negativada, pois a prática do crime ocorreu durante
o cumprimento da pena executada nos autos de n. 0004254-49.2019.8.24.0020, de acordo
com a certidão de Evento 3 dos autos relacionados n. 5004152-97.2023.8.24.0020 (STJ,
AgRg no HC n. 761.926/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em
6/12/2022, DJe de 12/12/2022; AgRg no HC n. 752.212/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas,
Quinta Turma, julgado em 16/8/2022, DJe de 22/8/2022). Em relação aos antecedentes

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criminais, conforme se verifica na certidão do Evento 3 dos autos relacionados n. 5004152-
97.2023.8.24.0020, o acusado acumula uma condenação transitada em julgado, a
saber, condenação nos autos n. 10362-36.2015.8.24.0020 pela prática do crime descrito no
art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06, com trânsito em julgado em 08/05/2019. Referida
condenação, todavia, será reservada para contabilização na segunda etapa de aplicação da
pena, por configurar a agravante da reincidência. Nada há de concreto acerca de sua conduta
social. Nada foi discutido acerca da personalidade. Os motivos são próprios do
crime. As circunstâncias do crime são relevantes e negativas para o réu, haja vista
a quantidade da droga comercializada (três tabletes grandes de maconha, pesando 424,23g,
e 13 cigarros pequenos de maconha, pesando 3,17g). As consequências são próprias do
crime. Não há comportamento da vítima a ser sopesado.

Diante disso, considerando a existência de duas circunstâncias


judiciais desfavoráveis a serem contabilizadas na presente etapa (culpabilidade acentuada e
circunstâncias do crime [quantidade do entorpecente apreendido]), elevo a pena na fração de
2/6, a partir do mínimo legal cominado, e fixo a pena-base em 6 anos e 8 meses de reclusão e
666 dias-multa.

Na segunda fase, ausentes circunstâncias atenuantes. Presente,


entretanto, a agravante da reincidência, diante da condenação nos autos n. 10362-
36.2015.8.24.0020 pela prática do crime descrito no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06, com
trânsito em julgado em 08/05/2019

Isso posto, agravo a pena em 1/6 e fixo a pena provisória em 7 anos, 9 meses e
10 dias de reclusão. As agravantes e atenuantes não incidem sobre a pena de multa (TJSC,
Apelações Criminais n. 2009.055507-6, 2008.061798-8, 2007.020716-2, 2006.035613-2,
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entre outras).

Na terceira fase, ausentes causas de aumento ou de diminuição de pena a serem


contabilizadas. Cabe registrar que a causa de diminuição de pena descrita no art. 33, § 4º, da
Lei n. 11.343/06 não pode ser aplicada em favor do acusado, por não se tratar de agente
primário.

Dessa feita, estabeleço a pena definitiva em 7 anos, 9 meses e 10 dias de


reclusão e 666 dias-multa.

Observando o disposto no art. 43, caput, da Lei n. 11.343/06, arbitro o valor de


cada dia-multa no mínimo legal, equivalente a 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente
à época dos fatos.

Em face do quantum de pena aplicado, da reincidência e da presença de


circunstâncias judiciais desfavoráveis, fixo o regime fechado para o resgate da pena corporal
(art. 33, § 2º, alínea "a", do CP).

Deixo de realizar a detração da prisão cautelar (art. 387, § 2º, do CPP), uma vez
que o período em que o acusado permaneceu segregado, não altera o regime inicial de
cumprimento de pena.

Outrossim, impende registrar que "a competência para a análise da detração,


como prevista no art. 42 do Código Penal, para aferição do restante de pena a cumprir, é do
Juízo da Execução, e não deve ser tratada no processo de conhecimento." (TJSC, Apelação

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Criminal n. 5002193-56.2021.8.24.0022, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, rel. Sérgio
Rizelo, Segunda Câmara Criminal, j. 06-12-2022).

Diante do total de pena privativa de liberdade imposta, incabíveis os benefícios


da multa substitutiva (art. 60, § 2º, do CP), da substituição por penas restritivas de direito (art.
44 do CP) ou da suspensão condicional da pena (art. 77 do CP).

Dos bens apreendidos.

O material entorpecente deve ser perdido em favor da União e destruído pela


Autoridade Policial, por incineração e na forma dos §§ 4º e 5º do art. 50 da Lei de Drogas.

O dinheiro (R$ 622,00 e US$ 1,00) deve ser perdido em favor da União, com
base no art. 91, inciso II, alínea “b”, do CP, no art. 63 da Lei n. 11.343/06 e no art. 243,
parágrafo único, da CF/88, porque não demonstrada a origem lícita e porquanto há fundados
elementos dando conta da provável origem no comércio espúrio desenvolvido. A quantia em
questão deve ser revertida ao FUNAD.

A balança de precisão, a faca, o rolo de papel filme, o esmurrugador e a


garrafa de alumínio apreendidos devem ser perdidos, com fulcro no art. 63 da Lei n.
11.343/06 e no art. 243, parágrafo único, da CF/88, já que utilizados na concretização
do tráfico. Referidos objetos merecem ser destruídos, diante do inexpressivo valor
econômico.

Com essas considerações, exaurem-se as matérias aventadas nos autos.

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III. Dispositivo.

Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido contido na denúncia


do Evento 1 e, em consequência, CONDENO o réu WAGNER VARGAS TEIXEIRA ao
cumprimento da pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado,
bem como ao pagamento de 666 dias-multa, cada qual no valor mínimo legal, em razão da
prática do crime descrito no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06.

DENEGO os benefícios da multa substitutiva (art. 60, § 2º, do CP), da


substituição da reprimenda de prisão por penas restritivas de direito (art. 44 do CP) ou da
suspensão condicional da pena (art. 77 do CP), conforme já exposto na fundamentação.

CONDENO o réu ao pagamento das custas e despesas processuais, visto que


defendido por defensor constituído, bem como porque não comprovada incapacidade
financeira (art. 804 do CPP).

Em atenção ao disposto no art. 2º, § 3º, da Lei n. 8.072/90 e no art. 387, § 1º, do
CPP, tendo o réu permanecido preso durante toda a instrução criminal, bem assim porque
restou condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado
e ainda porquanto não verifico alteração fática nos elementos que determinaram a
prisão cautelar, NEGO-LHE O DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE,
recomendando-o ao presídio em que se encontra, por entender que agora, com maior
razão, persistem os motivos para a manutenção da segregação provisória,
consubstanciada na necessidade de garantia da ordem pública, diante da concreta
periculosidade do apenado para o seio social, e para assegurar a aplicação da Lei Penal.

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A destinação dos bens apreendidos deve ser procedida nos termos da
fundamentação.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se, devendo o réu ser intimado pessoalmente.

Após o trânsito em julgado: (a) Lance-se o nome do réu no rol dos


culpados; (b) Realize-se a comunicação à Corregedoria Geral de Justiça e à Justiça
Eleitoral; (c) Forme-se o Processo de Execução Criminal definitivo; (d) Realize-se a
cobrança das custas; (e) Cumpra-se em relação aos bens apreendidos conforme determinado
mais acima, se ainda não efetivada a destinação; (f) Arquivem-se os autos.

Em havendo recurso, forme-se o PEC provisório.

Documento eletrônico assinado por KLAUSS CORREA DE SOUZA, Juiz de Direito, na forma do artigo 1º, inciso III,
da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço
eletrônico [Link] mediante
o preenchimento do código verificador 310051425424v44 e do código CRC 07d20e4d.

Informações adicionais da assinatura:


Signatário (a): KLAUSS CORREA DE SOUZA
Data e Hora: 15/11/2023, às 9:15:2

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