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Planilha para Dimensionamento de Coberturas em Madeira

O documento apresenta uma planilha eletrônica atualizada para o dimensionamento de estruturas de madeira de coberturas em duas águas, conforme a norma ABNT NBR 7190:2022. A ferramenta permite cálculos automáticos para elementos do telhado, com variações inferiores a 0,18% em comparação aos novos critérios, e está disponível gratuitamente. O trabalho também discute as propriedades mecânicas da madeira, tipos de telhados e verificações necessárias para garantir a segurança estrutural.

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Rubens Sousa
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Planilha para Dimensionamento de Coberturas em Madeira

O documento apresenta uma planilha eletrônica atualizada para o dimensionamento de estruturas de madeira de coberturas em duas águas, conforme a norma ABNT NBR 7190:2022. A ferramenta permite cálculos automáticos para elementos do telhado, com variações inferiores a 0,18% em comparação aos novos critérios, e está disponível gratuitamente. O trabalho também discute as propriedades mecânicas da madeira, tipos de telhados e verificações necessárias para garantir a segurança estrutural.

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Planilha eletrônica para o dimensionamento de estruturas

de madeira de coberturas em duas águas de acordo com a


ABNT NBR 7190:2022

Luis Enaiton Luz Oliveira1, Ismar Costa Lima Júnior1, Eduardo Martins Fontes
do Rêgo1
1
Centro de Tecnologia – Universidade Federal do Piauí (UFPI) – Teresina – PI – Brasil
luisenaiton@[Link], [Link].s20@[Link],
e_eduardofontes@[Link]

Resumo. A norma ABNT NBR 7190 para dimensionamento de estruturas de


madeira foi atualizada em 2022, substituindo a versão de 1997. Lima Júnior e
Rêgo (2023) automatizaram as etapas de dimensionamento conforme a norma
de 1997 com uma planilha eletrônica e um dashboard. Este trabalho visa
atualizar essa planilha para atender às novas recomendações da ABNT NBR
7190 (2022). A ferramenta em Excel permite que o usuário insira dados de
entrada e realize cálculos automaticamente para elementos do telhado (ripas,
caibros, terças e tesouras do tipo Howe), considerando ligações entalhadas. A
verificação mostrou variações inferiores a 0,18% comparada aos novos
critérios. A ferramenta é gratuita e acessível via Google Drive e OneDrive.
Palavras-chave: estruturas de madeira; telhado; dimensionamento; planilha.
Abstract. The ABNT NBR 7190 standard for the design of timber structures was
updated in 2022, replacing the 1997 version. Lima Júnior and Rêgo (2023)
automated the design steps according to the 1997 standard using a spreadsheet
and dashboard. This study aims to update this spreadsheet to meet the
recommendations of ABNT NBR 7190 (2022). The Excel-based tool allows
users to input data and automatically perform calculations for roof elements
(slats, rafters, purlins and Howe trusses), considering notched joints.
Verification showed variations of less than 0.18% compared to the new criteria.
The tool is freely accessible via Google Drive and OneDrive.
Keywords: wooden structures; roof; sizing; spreadsheet.

1. Introdução
A madeira é um dos materiais mais utilizados na construção civil, apresenta grande
disponibilidade na natureza e relativa facilidade de manuseio (Pfeil e Pfeil, 2003). Além
disso, possui elevada relação entre resistência e peso, facilidade de fabricação de diversos
produtos e bom isolamento térmico. Na construção civil utiliza-se a madeira
provisoriamente em formas para concreto, andaimes e escoramento, e definitivamente,
como em estruturas de cobertura, esquadrias, forros e pisos (ZENID et al., 2009).
Desperdícios de madeira na construção civil podem ser evitados por meio de um
projeto que atenda às normas técnicas. O dimensionamento de cobertura em madeira de
acordo com a ABNT NBR 7190 (1997) é apresentado por Guimarães e Vieira (2019) e
Moliterno (2010) e o de ligações e treliças de madeira por Albuquerque (2006). Santos

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(2021) desenvolveu o aplicativo para celular Promadeira para o dimensionamento
estrutural de cobertura em madeira. Lima Júnior e Rêgo (2023) desenvolveram planilhas,
dashboards e tabelas para verificar o dimensionamento de telhados de duas águas em
estrutura de madeira conforme o que preconiza a ABNT NBR 7190 (1997). No entanto,
estes trabalhos não se aplicam aos novos projetos de estruturas de madeira uma vez que
a última edição da ABNT NBR 7190 foi publicada em 2022.
Diante do exposto, o presente trabalho propõe realizar alterações na planilha
desenvolvida por Lima Júnior e Rêgo (2023) para o dimensionamento de cobertura de
madeira em duas águas de forma a adequá-la à ABNT NBR 7190 (2022) e torná-la mais
abrangente, acrescentando a verificação das ligações da tesoura. A planilha elaborada
neste trabalho visa tornar a etapa de dimensionamento mais prática e acessível.

2. Estrutura de madeira
Esta seção apresenta os fundamentos técnicos necessários para o dimensionamento de
estruturas de cobertura em madeira, abrangendo propriedades mecânicas, classificações,
elementos estruturais e tipos de telhados. Além disso, discute os carregamentos atuantes,
combinações de ações e verificações exigidas pelas normas, com foco na ABNT NBR
7190 (2022). Também são abordadas as ligações por entalhe e o roteiro de cálculo para o
dimensionamento e análise estrutural. Esses tópicos são a base teórica para a aplicação
prática dos conceitos e normas descritos no trabalho.

2.1. Propriedades mecânicas


Dentre as propriedades mecânicas da madeira, as principais para o projeto de estruturas
na construção civil são a resistência, densidade e rigidez. A resistência é a capacidade de
um determinado material de suportar tensões (ABNT NBR 7190, 2022). No cálculo
estrutural, as dimensões dos elementos estruturais necessárias para resistir aos esforços
solicitantes estão diretamente relacionadas à resistência da madeira. Devido à anisotropia
da madeira, a resistência da madeira apresenta valores distintos na direção paralela e
normal às fibras (Pfeil e Pfeil, 2003). A estimativa do peso da estrutura e o
dimensionamento de ligações de peças estruturais com conectores metálicos dependem
da densidade da madeira. A densidade básica da madeira é a relação entre a massa seca e
volume saturado enquanto a densidade aparente é obtida para a massa e volume na mesma
umidade (ABNT NBR 7190, 2022). A estabilidade de peças comprimidas e obtenção de
deslocamentos máximos estão vinculados à rigidez do material, diretamente relacionada
ao módulo de elasticidade da madeira, obtido na fase elástico-linear (ABNT NBR 7190,
2022).

2.2. Classes de resistência da madeira


A ABNT NBR 7190 (2022) classifica as madeiras de espécies nativas, com base em
ensaios realizados em corpos de prova isentos de defeitos, conforme a resistência
característica à compressão paralela às fibras, nos grupos de resistência D20 a D60. Já as
classificações de resistência baseadas em ensaios de peças estruturais, de acordo com a
resistência à flexão, abrangem os grupos C14 a C50 para madeiras de árvores coníferas e
D18 a D70 para madeiras de árvores folhosas.

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2.3. Telhados em estruturas de madeira
Segundo Moliterno (2010), telhado é um constituinte de uma edificação destinado a
protegê-la de intempéries, tais como sol e chuva, sendo dividido em duas partes
principais, a Cobertura (formada por materiais impermeáveis à água da chuva, como por
exemplo telha cerâmica, telha de concreto, metálica entre outros) e a armação (formada
por vários elementos estruturais com o objetivo de dar sustentação à cobertura). Para
coberturas de telhas cerâmicas, a mais comum em edificações (Pfeil e Pfeil, 2003), a
armação é constituída de ripas, caibros e terças, além de, eventualmente, tesouras, que
são treliças localizadas em telhados. Esse tipo de armação é mostrado na Figura 1.
Quando executada em madeira, a armação pode ser denominada madeiramento
(Moliterno, 2010).

Figura 1. Elementos do telhado em estrutura de madeira

2.3.1. Tipos de tesouras


Existem vários tipos de tesouras, a mais utilizada para estruturas de madeira no Brasil é
a tesoura tipo Howe (Moliterno, 2010) mostrada na Figura 2. Isso se deve ao fato desse
tipo de tesoura permitir executar a ligação entre diagonais, verticais e banzos por meio de
entalhe, que é a forma mais natural de ligação entre peças de madeira (Moliterno, 2010).

Figura 2. Tesoura tipo Howe

2.4. Carregamentos atuantes


De acordo com Moliterno (2010), os principais carregamentos sobre telhados de
edificações são cargas permanentes, constituídas pelo peso próprio da estrutura e dos
elementos fixos, e cargas variáveis de ação do vento e sobrecargas ou cargas acidentais.
As ações permanentes e acidentais atuam em direção perpendicular ao plano horizontal,

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e a ação do vento atua perpendicularmente ao plano do telhado, conforme apresentado na
Figura 3.

Figura 3. Posição dos carregamentos no telhado


As ações permanentes consideradas nesse estudo são o peso próprio de terças,
caibros, ripas, telhas e tesouras, além do forro e painéis fotovoltaicos, quando existirem.

2.4.1. Cargas Variáveis


Em relação aos carregamentos acidentais, a ABNT NBR 6120 (2019) recomenda a
utilização de uma carga uniformemente distribuída de no mínimo 0,25 kN/m² para
coberturas, além de uma carga pontual de 1 kN localizada na posição mais desfavorável
à estrutura, considerando-a atuando isoladamente das demais cargas variáveis. Entretanto,
segundo a ABNT NBR 7190 (2022), para elementos com vão menor que 70 centímetros,
pode-se dispensar a utilização dessa carga pontual. O valor da força da ação do vento,
cujo cálculo é preconizado pela ABNT NBR 6123 (2023), deve ser informado pelo
usuário da planilha.

2.4.2. Plano de atuação dos carregamentos


O plano de atuação dos carregamentos no telhado é mostrado na Figura 4, em que as
cargas permanentes e a ação do vento estão sobre o plano do telhado, enquanto a
sobrecarga atua sobre um plano horizontal. Para um correto dimensionamento, a carga
acidental no plano horizontal Qh é transformada para o plano do telhado Qi, conforme a
Equação (1). O ângulo do telhado é θ.
𝑄𝑖 = 𝑄ℎ ּ cos θ (1)

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2.4.3. Decomposição dos carregamentos
Tendo em vista que os carregamentos atuam em direções diferentes dos eixos ortogonais
dos elementos estruturais, faz-se necessário decompor esses carregamentos para que
atuem na mesma direção. Essa decomposição é mostrada na Figura 4, onde os eixos x e y
são os eixos ortogonais da seção, e G, Q e V são as ações permanentes, acidentais e do
vento, respectivamente.

(a) Terças e ripas (b) Caibros

Figura 4. Decomposição dos carregamentos

2.4.4. Esforços atuantes


Os esforços aos quais as ripas, caibros e terças estão submetidos são mostrados na Figura
5, em que as componentes de carregamento nas direções x, y e z são dadas,
respectivamente, por qx, qy e qz. Mx e Mz são os momentos fletores nas direções x e y. Vx
e Vy são os esforços cortantes ao longo dos eixos x e y. Nz é o esforço axial ao longo do
eixo z.

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(a) Ripas

(b) Caibros

(c) Terças

Figura 5. Carregamentos e esforços atuantes

2.5. Combinação de ações para estruturas de madeira


A determinação dos valores de cálculo das ações leva em conta as combinações das
diversas ações atuantes na cobertura, buscando-se obter a ação com valor de cálculo mais
desfavorável à estrutura nos Estados limites últimos (ELU) e de serviço (ELS) (ABNT
NBR 7190, 2022). Estados limites últimos são aqueles que quando ocorrem, causam a

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interrupção do uso da construção (ABNT NBR 8681, 2004). Segundo a ABNT NBR 7190
(2022) existem três situações de projeto para o ELU: uso normal da construção, transitória
e excepcional. Já os Estados limites de serviço são aqueles que quando ocorrem, causam
efeitos que não atendem às condições especificadas para o uso da construção (ABNT
NBR 8681, 2004). As combinações do ELS podem ser quase permanentes, frequentes ou
raras (ABNT NBR 8681, 2004).

2.6. Verificação dos elementos de cobertura


Os elementos estruturais da cobertura devem ser verificados quanto à sua resistência aos
esforços aos quais estão submetidos. Segundo a ABNT NBR 7190 (2022), as verificações
a serem feitas para o ELU são à compressão, estabilidade, tração, flexão simples reta,
flexão simples oblíqua, flexocompressão, cisalhamento, estabilidade lateral e compressão
normal às fibras. Em relação ao ELS, devem ser verificados o deslocamento instantâneo
e final. Além disso, deve-se verificar a esbeltez das peças da tesoura. Conforme mostrado
na Tabela 1, devido aos elementos da estrutura do telhado estarem sujeitos a diferentes
esforços internos, cada uma dessas peças deve atender às suas respectivas verificações de
cálculo.
Tabela 1. Verificações para cada elemento da cobertura.

RIPAS CAIBROS TERÇAS TRELIÇAS


Flexão Oblíqua Flexão simples Flexão oblíqua Tração
Cisalhamento Compressão Cisalhamento Compressão
Estabilidade Esbeltez fora e no
Deslocamento Flexocompressão
lateral plano da treliça
Compressão Compressão
Cisalhamento Deslocamento
normal às fibras normal às fibras
Compressão
Flexão oblíqua Estabilidade lateral Ligações
normal às fibras
- Deslocamento - -
Compressão
- - -
normal às fibras

2.7. Ligações por entalhe


Os entalhes são ligações em que o esforço é transmitido de um elemento ao outro por
contato direto. Para a ligação da Figura 6, a mais comum em tesouras de madeira, as
seguintes condições devem ser atendidas para o correto dimensionamento da ligação
(Pfeil e Pfeil, 2003).
𝑁𝑑 ּ cos (𝛽)
𝑡≥ (2)
𝑏 ּ 𝑓𝑐𝛽𝑑
Onde:
𝑡: Profundidade do entalhe;
𝑁𝑑 : Valor de cálculo do esforço normal o qual a ligação está sujeita;

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𝛽: Ângulo de inclinação entre as peças;
𝑏: Largura das peças;
𝑓𝑐𝛽𝑑 : Valor de cálculo da resistência a compressão para a inclinação 𝛽.
𝑁𝑑 ּ cos (𝛽)
𝑎≥ (3)
𝑏 ּ 𝑓𝑣𝑑
Onde:
𝑎: Comprimento da folga;
𝑓𝑣𝑑 : Valor de cálculo da resistência ao cisalhamento.

Figura 6. Ligação por dente simples

2.8. Roteiro de cálculo


O método de dimensionamento da cobertura em estrutura de madeira está representado
na Figura 7. Como dados de entrada tem-se: as condições iniciais em que a estrutura está
inserida, como a geometria dos elementos estruturais e espaçamentos; o tipo de madeira
e as condições ambientais as quais a estrutura está sujeita; e as cargas atuantes. A partir
dessas informações é possível determinar a resistência de cálculo da madeira e os esforços
aos quais a estrutura está submetida. Com base nisso, verificam-se os elementos
estruturais em relação ao cumprimento ou não das recomendações da ABNT NBR 7190
(2022) para o adequado dimensionamento da estrutura de madeira.

Figura 7. Processo de cálculo

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3. Metodologia
A planilha para o dimensionamento de estrutura de cobertura em duas águas apresentado
por Lima Júnior e Rêgo (2023), seguindo as recomendações da ABNT NBR 7190 (1997)
é usado como base para o presente estudo. A planilha é atualizada no presente trabalho
de forma a cumprir as recomendações da nova ABNT NBR 7190 (2022), além de
adicionar a verificação das ligações entalhadas da tesoura de madeira. Todas as etapas de
cálculo são realizadas utilizando as ferramentas do Excel, tais como operações
matemáticas e gráficos.
Para o presente trabalho são considerados apenas telhados de duas águas com
madeiramento composto por ripas, caibros, terças e tesouras do tipo Howe, e cobertura
em telhas cerâmicas.
Os dados de entrada na planilha são o tipo de telha e de madeira utilizado, as
seções e espaçamentos dos elementos estruturais, o valor da ação do vento e as dimensões
da cobertura. Os dados de saída são disponibilizados em formato de dashboards,
informando se os elementos estruturais do telhado atendem ou não às verificações
estabelecidas pela ABNT NBR 7190 (2022). Além disso, apresenta-se na planilha a
estimativa da quantidade de material para a construção do telhado.
A validação da planilha é feita por meio da comparação dos resultados com a
resolução de um exercício de dimensionamento de um telhado.

4. Resultados

4.1. Planilha em Excel


A Figura 8 apresenta o link e QR Code para acessar a planilha desenvolvida neste
trabalho. Recomenda-se que seja feito o download da planilha para um melhor
aproveitamento de todas as funções disponibilizadas pela ferramenta.

[Link] [Link]
s/d/1n4dcUOfdq-eR_XSpc_- fe1d489696a/_layouts/15/[Link]?resi
Di602EbziTZ8H/edit?gid=124548052 d=A6A12FE1D489696A!sb37c2526c89
8#gid=1245480528 24987afa70d832595f768&cid=a6a12fe1
d489696a&migratedtospo=true&app=Ex
cel

Figura 8. QR Code e link para acesso às planilhas

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A planilha do Excel contém a aba principal “HOME” e mais dez abas adicionais:
a) DSB: Dados de entrada e Dashboards;
b) RST: Resistência da madeira;
c) CRG: Carregamentos;
d) CMB: Combinações de ações;
e) VRF: Verificações;
f) AXA, AXB, AXC, AXD: Significam respectivamente, planilhas auxiliares A,
B, C e D;
g) LGC A: Ligações entalhadas.
As planilhas auxiliares realizam cálculos que estão expressos resumidamente nas
planilhas principais. Nas 9 primeiras planilhas foram feitas alterações de forma a adequá-
las à nova ABNT NBR 7190 (2022), já a planilha “Ligações” foi acrescentada ao arquivo
para contemplar o dimensionamento das ligações da tesoura.
Para acessar todas as abas da planilha, o arquivo contém uma tela inicial nomeada
“HOME”, conforme mostrada na Figura 9, através da qual o usuário pode acessar o
modelo A de tesoura, o qual representa elementos com vão de até 6 metros. Nesta aba,
também é possível visualizar o módulo independente das ligações da tesoura.

Figura 9. Planilha "HOME"

4.1.1. Dados de entrada e Dashboards


A Figura 10 mostra o módulo A para inserção dos dados de entrada para o
dimensionamento da estrutura de cobertura em madeira. Os resultados do
dimensionamento são mostrados em forma de Dashboards (B, C, D, E). Desta forma, o
início e o final do cálculo podem ser vistos na mesma aba.

As informações estão reunidas em cinco grupos:

a) Dados de entrada – região A: nesse espaço encontram-se os dados de entrada


solicitados pela planilha ao usuário para que seja feito o dimensionamento.
Apenas a região A, em campos com célula em tonalidade cinza e texto em cor
branca, pode ser editada, preservando a integridade das fórmulas da planilha;
b) Dimensões - região B: as principais dimensões do projeto são mostradas,
principalmente dos elementos do telhado;
c) Orçamento – região C: apresenta o custo estimado de madeira e telha para o
projeto;

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d) Resultados das verificações – região D: mostra os resultados do dimensionamento
através de dashboards para cada elemento do telhado, apresentando a verificação
mais crítica em forma de gráfico de rosca;
e) Detalhamento das ligações – região E: apresenta as ligações da tesoura com as
distâncias mínimas calculadas para cada nó.
Na região A apenas algumas células com o texto na cor branca são editáveis, pois
são referentes aos dados de entrada que o usuário deve preencher. As células com texto
na cor cinza não são editáveis e servem apenas para uma melhor visualização dos cálculos
realizados automaticamente pela planilha.

Figura 10. Dados de entrada e Dashboards

4.1.2. Resistência da madeira


A planilha mostra as propriedades da madeira selecionada pelo usuário, como resistência
e rigidez, além de coeficientes que serão úteis para o cálculo, como o coeficiente de
modificação kmod e o coeficiente de fluência, conforme apresentado na Figura 11.

Figura 11. Resistência da madeira

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4.1.3. Carregamentos
Nesta aba (ver Figura 12) são apresentados os valores dos carregamentos permanentes e
variáveis em kN/m² para cada elemento do telhado, como terças, caibros, ripas, telhas e
tesouras. Ademais, tem-se a decomposição desses carregamentos para os eixos ortogonais
da peça.

Figura 12. Carregamentos

4.1.4. Combinações de ações


As combinações de ações realizadas para o ELU e ELS em cada elemento estrutural do
telhado são mostradas na Figura 13. As cargas de projeto resultantes dessas combinações
são dadas em kN/m². Portanto, multiplica-se a carga no elemento pelo espaçamento de
cada peça para obter uma carga distribuída em kN/m. Através dessas cargas é possível
determinar os esforços internos de cada elemento, tais como momento fletor, esforço
cortante e esforço normal.

Figura 13. Combinações

4.1.5. Verificações
As verificações descritas no item 2.6 são calculadas nessa planilha de acordo com a
ABNT NBR 7190 (2022). Para uma melhor visualização dos resultados, as verificações
são apresentadas com a coloração verde e texto “ATENDE” caso a verificação seja
satisfeita, e coloração magenta e texto “NÃO ATENDE” caso não sejam satisfeitas
(Figura 14).

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Figura 14. Verificações

4.1.6. Planilhas auxiliares AXA, AXB, AXC e AXD


As planilhas auxiliares AXA, AXB, AXC e AXD são usadas como suporte para os
resultados apresentados na aba principal “DSB”, melhorando assim a sua apresentação.
Além disso, essas planilhas contêm informações úteis para o dimensionamento, como
tabelas de propriedades da madeira e dados das telhas.

4.1.7. Ligações
Há duas planilhas relacionadas a ligações, uma delas, nomeada como “LGC” e mostrada
na Figura 15, é dependente das informações inseridas na planilha de dados de entrada e
dashboards. Há também a planilha independente de ligações “LGC A”, em que o usuário
insere os dados de entrada que serão usados no cálculo na própria aba.

Figura 15. Ligações

4.2. Validação da planilha


Considerando que a ABNT NBR 7190 (2022) foi atualizada recentemente, não foi
possível identificar, na literatura especializada, exemplos que abordem integralmente os
aspectos contemplados pela planilha desenvolvida neste trabalho. Assim, foi elaborado
um exemplo específico para este estudo. A Figura 16 apresenta a geometria e os detalhes
do exemplo, que representa um telhado com as seguintes características:
• Projeto arquitetônico: 20 m de comprimento por 5,9 m de largura;
• Telhas: cerâmicas do tipo portuguesa, absorção de 30 %;

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• Ripas: seção 5x1,5 cm e espaçamento de 38 cm;
• Caibros: seção 5x7 cm e espaçamento de 50 cm;
• Terças: seção 6x16 cm e espaçamento de 151 cm;
• Tesouras: seção 6x12 cm e espaçamento de 250 cm;
• Madeira: serrada, classe D40, densidade aparente de 750 kg/m³, fck = 40 MPa
(ABNT NBR 7190, 2022).

Figura 16. Dimensões do exemplo de dimensionamento


Os resultados da planilha e do exemplo, cujo memorial de cálculo de parte das
ligações é apresentado no Apêndice A, são mostrados na Tabela 2. A variação percentual
dos resultados var (%) é:
𝑅𝑝 − 𝑅𝑒
𝑣𝑎𝑟(%) = ( ) ∙ 100 (4)
𝑅𝑒
em que Rp é o resultado da planilha e Re é o resultado do exercício.
Tabela 2. Comparativo entre a planilha e um exemplo de dimensionamento
(continua)
Dado Planilha Exemplo Unidade Variação
1. Resistência da madeira
fc0d 2 2 kN/cm² 0,00%
fvd 0,2333 0,2333 kN/cm² 0,00%
Ec,ef 1015 1015 kN/cm² 0,00%
2. Verificações
2.1 Flexão Reta
σMx,d 0,6154 0,6153 kN/cm² 0,02%
Ripas
σMy,d 0,0554 0,0553 kN/cm² 0,18%
Caibros σMx,d 1,1304 1,1304 kN/cm² 0,00%
Terças σMx,d 0,5802 0,5802 kN/cm² 0,00%

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Tabela 2. Comparativo entre a planilha e um exemplo de dimensionamento
(continua)
Dado Planilha Exemplo Unidade Variação
σMy,d 0,4642 0,4641 kN/cm² 0,02%
2.2 Flexão Oblíqua
Ripas 0,3271 0,327 - 0,03%
Terças 0,4526 0,4525 - 0,02%
2.3 Compressão
Caibros σN,d 0,0615 0,0615 kN/cm² 0,00%
2.4 Flexocompressão
Caibros 0,5661 0,5661 - 0,00%
2.5 Deslocamento
δinst x 0,0029 0,0029 cm 0,00%
Ripas δinst y 0,108 0,108 cm 0,00%
δinst lim 0,1667 0,1667 cm 0,00%
δinst y 0,4219 0,4219 cm 0,00%
Caibros
δinst lim 0,5046 0,5046 cm 0,00%
δinst x 0,543 0,5429 cm 0,02%
Terças δinst y 0,2545 0,2545 cm 0,00%
δinst lim 0,8333 0,8333 cm 0,00%
2.6 Cisalhamento
τx,d 0,0055 0,0055 kN/cm² 0,00%
Ripas
τy,d 0,0185 0,0185 kN/cm² 0,00%
Caibros τd 0,0317 0,0317 kN/cm² 0,00%
2 .6 Cisalhamento
τx,d 0,0097 0,0097 kN/cm² 0,00%
Terças
τy,d 0,0323 0,0323 kN/cm² 0,00%
2.7 Flambagem lateral
σcd 1,1431 1,1431 kN/cm² 0,00%
Caibros
σlim 4,8816 4,8815 kN/cm² 0,00%
σcd 1,0444 1,0444 kN/cm² 0,00%
Terças
σlim 2,1945 2,1945 kN/cm² 0,00%
2.8 Compressão normal às fibras

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Tabela 2. Comparativo entre a planilha e um exemplo de dimensionamento
(continua)
Dado Planilha Exemplo Unidade Variação
Resit. Fcnd,y 0,5 0,5 kN/cm² 0,00%
Ripas σcnd,y 0,0074 0,0074 kN/cm² 0,00%
Caibros σcnd,y 0,0494 0,0494 kN/cm² 0,00%
σcnd,x 0,0129 0,0129 kN/cm² 0,00%
Terças
σcnd,y 0,115 0,115 kN/cm² 0,00%
3. Treliça
3.3 Verificações Treliça
3.3.1 Peças Tracionadas
Barra 1 σN,td 0,4634 0,4635 kN/cm² -0,02%
Barra 5 σN,td 0,1101 0,1101 kN/cm² 0,00%
3.3.2 Esbeltez dentro do plano
Barra 1 λ 83,7158 83,7158 - 0,00%
Barra 5 λ 50,2295 50,228 - 0,00%
3.3.3 Esbeltez fora do plano
Banzo
λ 167,4316 167,4268 - 0,00%
Inferior
3.3.4 Peças Comprimidas
Barra 3 σN,d 1,2545 1,2549 kN/cm² -0,03%
Barra 4 σN,d 0,3788 0,3789 kN/cm² -0,03-%
3.3.5 Esbeltez dentro do plano
Barra 3 λ 43,7009 43,7025 - 0,00%
Barra 4 λ 43,7009 43,7025 - 0,00%
3.3.6 Esbeltez fora do plano
Banzo Superior λ 87,4018 87,4026 - 0,00%
3.3.7 Compressão normal às fibras
σcnd,y 0,2026 0,2026 kN/cm² 0,00%
3.3.8 Deslocamento instantâneo
δ 0,3416 0,3416 cm 0,00%
δlim 1,9333 1,9333 cm 0,00%

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Tabela 2. Comparativo entre a planilha e um exemplo de dimensionamento
(conclusão)
Dado Planilha Exemplo Unidade Variação
3.3.9 Deslocamento final0,4541
δ 0,4541 0,4542 cm -0,02%
δlim 3,8867 3,8867 cm 0,00%
4. Ligação entalhada
fcαd 1,6029 1,6031 kN/cm² -0,01%
Dente (t) 2,7476 2,7473 cm 0,01%
Folga (a) 18,8754 18,8776 cm -0,01%
Conforme Tabela 2, a planilha apresenta resultados com valores praticamente
idênticos aos do exemplo resolvido, com variação máxima de 0,18%. Essa variação é
devido ao número de casas decimais adotadas no cálculo, limitada a quatro casas
decimais.

5. Conclusão
A planilha desenvolvida apresenta boa confiabilidade quanto ao procedimento de cálculo
de estruturas de madeira, visto que seus resultados apresentaram variação máxima de
0,18% quando comparados com os de um exemplo de dimensionamento de um projeto
de um telhado de madeira seguindo as recomendações da ABNT NBR 7190 (2022).
Além disso, por ser constituída de gráficos e dashboards, há um bom
entendimento por parte do usuário sobre as informações expostas na planilha,
evidenciando que esta pode ter uma boa aceitação para a comunidade interessada no tema.
Em relação à aplicação prática dessa ferramenta, é esperado que ela auxilie na
busca por conhecimento e desenvolvimento da construção civil, uma vez que agrega
praticidade e economia. Além disso, a planilha pode continuar sendo aperfeiçoada com a
sugestão de melhorias e correções. Mais exemplos e aplicações são necessárias para
verificar a confiabilidade total da planilha.
É importante ressaltar que os resultados desta ferramenta são de responsabilidade
do usuário.

Referências
ALBUQUERQUE, R. B. (2006). Sambladuras em Tesouras de Madeira Tipo Howe.
153 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia de Estruturas, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6120 (2019).
Cargas para o cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 7190. (2022).
Projeto de estruturas de madeira. Rio de Janeiro.

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8681 (2004).
Ações e segurança nas estruturas - Procedimento. Rio de Janeiro.
COSTA LIMA JÚNIOR, I; MARTINS FONTES DO RÊGO, E. (2023). Planilha
eletrônica para o dimensionamento de coberturas de duas águas em estrutura de
madeira. Revista Tecnologia, [S. l.], v. 43, p. 17. DOI:
10.5020/23180730.2022.13937. [Link] Março.
GUIMARÃES, L. C.; VIEIRA, P. H. M. (2019). Dimensionamento Estrutural da
Cobertura em Madeira de uma Edificação Rural. 2019. 128 f. TCC (Graduação) -
Curso de Engenharia Civil, Faculdade Evangélica de Goianésia, Goianésia.
MOLITERNO, A. (2010). Caderno de projetos de telhados em estruturas de madeira.
4ª Edição Revisada. São Paulo, SP: Editora Blucher.
PFEIL, W.; PFEIL, M. (2003). Estruturas de madeira. Editora LTC. Rio de Janeiro.
SANTOS, L. M. S. (2021). Desenvolvimento de Aplicativo Android para Verificação
e Dimensionamento de Estruturas de Madeira para Coberturas. 100 f. TCC
(Graduação) - Curso de Engenharia Civil, Universidade Federal do Piauí, Teresina.
Telhas Mafrense. Disponível em: [Link] Março.
ZENID, G. J.; ROMAGNANO, L. F. T.; NAHUZ, M. A. R.; MIRANDA, M. J. A. C.;
FEREIRA, O. P.; BRAZOLIN, S. (2009). Madeira: uso sustentável na construção
civil. 2. ed. São Paulo. IPT, 99p.

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