VIROSES
• PANLEUCOPENIA FELINA
• CORONAVIRUS
• HEPATITE INFECCIOSA CANINA
• ROTAVIRUS
• RAIVA
PANLEUCOPENIA FELINA
Etiologia
• A doença é causada pelos vírus da panleucopenia felina (VPF) e parvovírus canino (CPV),
pertencentes à família Parvoviridae.
• Doença infectocontagiosa de felinos domésticos e selvagens que acomete animais jovens com taxa de
mortalidade de 80%.
• Os órgãos de preferência são intestinos, tecido hematopoiético e cerebelo.
• O reservatório do vírus são os próprios gatos, sendo que a transmissão é por contato direto,
secreções ou fômites.
• Pulgas, carrapatos e humanos podem agir como vetores mecânicos.
Período de incubação - varia de 2 a 10 dias, mas geralmente é de quatro a cinco.
Patogenia:
• A viremia desenvolve-se em 24 horas, ocorrendo replicação em células mitoticamente ativas, principalmente em
células das criptas intestinais, linfopoiéticas da medula óssea, timo, linfonodos e do baço.
• A citólise desses tecidos resulta na panleucopenia.
• A infecção transplacentária está relacionada com o estágio da gestação na época da invasão viral e sua consequência
varia de hipoplasia cerebelar e displasia de retina até a morte do feto.
Manifestação clínica - varia de acordo com a imunidade do animal acometido. Pode-se observar: anorexia, febre,
vômito e diarreia por dois dias naqueles que apresentam sintomas.
A recuperação, quando ocorre, é em até cinco dias após o início da doença, e os sobreviventes são aqueles com
imunidade forte e duradoura.
A dor abdominal e a desidratação severa, devido a gastroenterite podem ser confundidas com envenenamento.
Diagnóstico - é feito por exame clínico e achados laboratoriais que incluem leucopenia grave.
Tem sido utilizada a microscopia eletrônica em amostra de fezes e kit de CPV para identificação
do antígeno do VPF.
O aumento do anticorpo nas amostras de soro IgM e IgG também são formas de diagnóstico.
Tratamento - suporte, para restaurar o balanço hídrico e eletrolítico.
A transfusão de plasma fresco congelado no tratamento da doença parece ter impacto positivo,
havendo maior mortalidade naqueles que não o transfundiram.
Prevenção - A principal forma de prevenção é através da vacinação.
Vacinas vivas modificadas são mais eficazes do que as vacinas inativadas que necessitam
reforços, mas não são seguras para gatas prenhes.
Coronavirus
ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE O CORONAVÍRUS EM CÃES
E EM HUMANOS
O coronavírus canino (CCoV) é um vírus muito antigo, descoberto na década de 70. É membro da
família Coronaviridae (CVC) e seu gênero é o Alphacoronavírus, diferente do SARS-CoV2,
causador da COVID-19, que tem o Betacoronavírus como gênero.
Assim como os cães, os gatos também podem ser afetados, mas a infecção
por coronavírus em gatos é causada pelo coronavírus felino (FCoV), também do gênero
Alphacoronavírus responsável pela Peritonite Infecciosa Felina, a PIF.
Para essa doença ainda não há vacinas disponíveis, a recomendação é manter os gatos
dentro de casa, evitando o contato com outros animais. O tratamento deve ser indicado por
um médico veterinário.
Coronavírus canino
Etiologia - O coronavírus canino (CCoV) é considerado um dos principais patógenos causadores de
gastroenterite aguda em cães jovens.
A enterite por coronavirus é tipicamente menos grave que a enterite clássica por parvovírus e
raramente causa diarreia hemorrágica, septicemia e morte.
A infecção por CCoV facilita a infecção por outros vírus, de modo que a co-infecção pode agravar a
intensidade da diarreia.
Existem dois genótipos: CCoV-I e CCoV-II. No Brasil, um estudo recente identificou o CCoV-II na
população canina e sua posterior caracterização e análise filogenética identificou que os subtipos IIa e IIb
encontrados nas amostras brasileiras.
As vacinas devem ter as variantes do patógeno.
Período de incubação - 1 a 4 dias pós-infecção
Patogenia:
• A via de infecção é fecal-oral e a replicação ocorre nas vilosidades, assim que o vírus atinge o intestino
delgado
• A infecção por CCoV é restrita ao trato gastrointestinal e ocorre principalmente em canis e abrigos para cães,
uma vez que por se tratar de um vírus altamente contagioso se difunde rapidamente pela população canina.
• A principal via de infecção é oral, sendo as fezes e fômites as principais fontes de infecção.
• O CCoV é eliminado nas fezes por até 2 semanas pós-infecção, prolongando-se por até 180 dias em alguns
casos.
• Cães saudáveis podem excretar o vírus nas fezes por longos períodos.
• O vírus foi encontrado nas fezes e em vários órgãos parenquimatosos.
• Pode ocasionar o óbito, principalmente devido ao CCoV-IIa.
Manifestações Clínicas - CCoV-I manifestam sinais clínicos leves a moderados;
-CCoV-II sintomas e lesões mais graves;
- Febre;
- Letargia;
- Anorexia;
- Emese;
- Diarreia (hemorrágica ou não);
- Sinais neurológicos (ataxia, convulsões);
- Acentuada leucopenia, principalmente por linfopenia.
• O óbito pode ocorrer de 2 a 3 dias após o início dos sintomas.
• Severas lesões no trato gastrointestinal, fígado, baço, pulmões e rins.
Lesões:
Macroscopicamente, observa-se:
- Enterite leve a moderada nas infecções por CCoV, com conteúdo líquido de coloração amarela ou
esverdeada;
- Dilatação do intestino delgado.;
- A mucosa intestinal encontra-se hemorrágica e/ou hiperêmica;
- Os linfonodos mesentéricos podem estar edemaciados.
Microscopicamente observa-se:
- Atrofia das vilosidades intestinais;
- Achatamento das células epiteliais;
- Aumento de celularidade da lâmina própria;
- Severa necrose hepática e renal;
- Aumento e congestão esplênica com severa depleção linfóide;
- Congestão pulmonar.
Diagnóstico
• A detecção do vírus nas fezes ou intestino é a forma mais utilizada para o diagnóstico.
• Microscopia eletrônica é utilizada para visualização do agente nas fezes, entretanto outros
métodos diagnósticos como a técnica de RT-PCR realizada diretamente das fezes
• Técnicas sorológicas temos a soroneutralização (SN), imunoperoxidase (IPX) e o ELISA.
• Deve- se considerar, no entanto, que sorologia tem pouca utilidade diagnóstica, haja vista a distribuição
do vírus na população canina e a grande quantidade de infecções subclínicas.
Tratamento - baseia-se na restituição do equilíbrio hidro-eletrolítico e controle das
infecções secundárias.
Profilaxia - As vacinas atenuadas foram testadas com bons resultados e cães
vacinados por via oral apresentaram títulos mais altos de IgA dos que os vacinados
por via intramuscular, além de não excretarem o vírus nas fezes como foi observado
nos animais que receberam a vacina por via intramuscular.
HEPATITE INFECCIOSA
Hepatite infecciosa canina
• Conhecida também de doença de Rubarth é uma infecção produzida por um vírus a animais
susceptíveis, como raposas e cães novos.
• Etiologia - é causada pelo adenovírus canino tipo 1(CAV-1) já há muito tempo é reconhecido como causa
de necrose hepática aguda em cães.
• A incidência da moléstia clínica causada por CAV-1 é atualmente muito baixa, devido a eficácia
dos procedimentos de vacinação.
• O CAV-1 é adquirido através de exposição oronasal.
• Ele é encontrado em todos os tecidos sendo eliminado em todas as secreções durante uma infecção
aguda.
• Ele também é eliminado por pelo menos 6 a 9 meses na urina após a recuperação.
• É altamente resistente à inativação e à disseminação através de fômites e ectoparasitas.
Patogenia:
• Após a exposição oronasal.
• O CAV-1 causa viremia e se dissemina para todos os tecidos, especialmente
destinando-se aos hepatócitos e às células endoteliais.
• A lesão endotelial pode afetar qualquer tecido, mas o CAV-1 é particularmente
notado por seus efeitos no endotélio corneano, glomérulos renais e
endotélio vascular.
• Os cães agudamente doentes tornam-se moribundos e morrem dentro de horas.
• Um curso de 5 a 7 dias caracteriza-se pelos seguintes sintomas:
- Febre de 39,5 a 41°C;
- Vômitos;
- Diarreia;
- Dor abdominal,;
- Tonsilite (inflamação do tecido linfoide localizado na nasofaringe);
- Faringite;
- Linfoadenopatia;
- Edemas cervicais;
- Tosse (pneumonite);
- Diátese (distúrbio) hemorrágica (petéquias e equimose epistaxe, melena);
- Podem ocorrer sinais no sistema nervoso central (SNC)(desorientação, depressão, estupor, coma, e ataques
convulsivos) como resultado de encefalopatia hepática de hipoglicemia ou de encefalite não-supurativa.
- Em casos de infecção aguda ou após a recuperação de uma infecção inaparente podem ocorrer sinais que incluem
edema corneano (nublação corneana, também chamada de “olho azul da hepatite”) e uveíte anterior
- ( blefaroespasmo, inflamação, miose e glaucoma complicante).
Diagnóstico – são usados testes sorológicos, de isolamento viral, estudos imunofluorescentes ou histopatologia.
Tratamento - Suporte –Fluidoterapia com soluções suplementadas com potássio e dextrose e antibioticoterapia.
Prevenção - A vacinação é altamente efetiva na prevenção da infecção por CAV1.
Prevenção pediátrica e vacinação anual;
Hepatite infecciosa canina
ROTAVÍRUS
Etiologia – Rotavirus.
Ocorrência nos animais – Desde o ponto de vista econômico, a diarreia neonatal dos animais domésticos é
importante tanto pela sua alta morbilidade como mortalidade.
O grande número de agentes bacterianos e virais que causam esta enfermidade e a frequência de
infecções mistas dificultam estabelecer as taxas de incidência por um só agente etiológico.
Dos estudos virais e sorológicos se pode deduzir que 90 a 100% dos leitões e bezerros e 38% dos
cordeiros adquirem a infecção por rotavírus no início da vida.
Nos leitões e bezerros a infecção por rotavírus, normalmente, é menos severa, em termos de
letalidade, que a ocorrida por E. coli ou coronavírus, se bem que ocorreram algumas epizootias que causaram
até 90% de mortalidade.
É provável que as infecções subclínicas sejam mais frequentes e podem ser devido à imunidade
passiva conferida pelo colostro ou por cepas pouco patogênicas do vírus.
A enfermidade nos animais - Neonatos e animais jovens, sendo que pode ocorrer em
qualquer idade.
A sintomatologia consiste de:
- Depressão;
- Anorexia;
- Diarreia.;
- Vômitos em leitões.
OBS. A enfermidade, normalmente, é afebril, se não houver contaminações
secundárias. Quando a diarreia se prolonga, pode produzir desidratação e morte.
Fonte de infecção e modo de transmissão
• Não está totalmente esclarecida a epidemiologia da enfermidade.
• O vírus é resistente e pode sobreviver meses na temperatura ambiente, nas fezes.
• Os leitões e os bezerros podem eliminar 107 a 1011 doses infectantes por grama de material fecal,
durante 5 a 9 dias.
Diagnóstico - O vírus pode ser isolado das fezes utilizando cultivos
celulares. Pode utilizar ELISA e imunofluorescência.
Controle – Devido à diarreia por rotavírus em animais ocorrer,
principalmente, durante os primeiros dias de vida, sem dar tempo a
imuniza-los de forma ativa, a atenção deve ser dada à proteção passiva.
A ingestão do colostro materno.
RAIVA EM MAMIFEROS