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Embargos de Declaração em Apelação Cível

O documento trata dos embargos de declaração em uma apelação envolvendo o Município de Nova Iguaçu e a responsabilização por erro médico que resultou em falecimento. O tribunal decidiu parcialmente favorável ao embargante, reconhecendo a necessidade de aplicar a taxa SELIC para juros e correção monetária a partir de 09/12/2021, conforme a Emenda Constitucional 113/2021. A decisão reafirma a condenação do réu ao pagamento de indenizações por danos morais e pensão mensal à autora.

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Embargos de Declaração em Apelação Cível

O documento trata dos embargos de declaração em uma apelação envolvendo o Município de Nova Iguaçu e a responsabilização por erro médico que resultou em falecimento. O tribunal decidiu parcialmente favorável ao embargante, reconhecendo a necessidade de aplicar a taxa SELIC para juros e correção monetária a partir de 09/12/2021, conforme a Emenda Constitucional 113/2021. A decisão reafirma a condenação do réu ao pagamento de indenizações por danos morais e pensão mensal à autora.

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA


Nº 0031304-05.2017.8.19.0038

EMBARGANTE: MUNICÍPIO DE NOVA IGUAÇU

EMBARGADO: RAYSSA CANDIDO FONSECA REP/P/RAFAEL CANDIDO


DA SILVA

EMBARGADO: RAFAEL CANDIDO DA SILVA

EMBARGADO: SANDRA REGINA DA ROCHA FONSECA


EMBARGADO: WILSON DOS SANTOS FONSECA
ORIGEM: NOVA IGUAÇU 6ª VARA CÍVEL

Embargos de declaração. Alegação de omissão


quanto a juros e correção monetária.
Quanto aos consectários legais e incidência da taxa
SELIC, omissão que se enfrenta para prover os
embargos e fixar a aplicação da taxa a contar de
09/12/2021 face o teor do artigo 3º da EC 113/2021.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE
PROVIDOS.

ACÓRDÃO

Examinados e discutidos estes autos, ACORDAM os Julgadores


da Vigésima Sexta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio
de Janeiro, POR UNANIMIDADE, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao
recurso, nos termos do voto da Relatora.

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NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONCALVES DE Assinado em 25/11/2022 14:28:31
Local: GAB. DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA
OLIVEIRA:15388
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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Rio de Janeiro, na data da assinatura digital.

Des. Natacha Nascimento Gomes Tostes Gonçalves de Oliveira – Relatora

RELATÓRIO.

Tratam-se de embargos de declaração opostos em face de acórdão


desta Câmara, assim ementado:

APELAÇÃO. SAÚDE. HOSPITAL.


RESPONSABILIDADE OBJETIVA. ERRO MÉDICO.
FALECIMENTO. PENSIONAMENTO. DANO MORAL.
Pretendem os autores ser indenizados pelos danos
materiais e morais decorrentes do falecimento da
genitora da criança Rayssa, esposa de Rafael e filha
de Sandra e Wilson ocorrido em hospital do réu,
apontando erro médico. A sentença condena o réu a
pagar à autora RAYSSA pensão mensal no valor
equivalente a 1/3 (um terço) do salário-mínimo, a
contar da data do óbito da sua genitora e até que a
autora complete 18 anos de idade, ou 24 anos se
estiver cursando universidade, bem como ao
pagamento da quantia de R$ 100.000,00 a título de

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

reparação por dano moral. Condena-o a pagar ao


autor RAFAEL a quantia de R$ 20.000,00 a título de
reparação por dano moral, e aos autores SANDRA e
WILSON a quantia de R$ 30.000,00.
Apelo do réu. Responsabilidade objetiva. Nexo causal
comprovado através do laudo pericial.
Responsabilidade que restou demonstrada nos autos,
já que o expert concluiu que contribuíram
decisivamente para o óbito da paciente - Alessandra,
dois pontos a saber: A demora de sua transferência
da UPA para o nosocômio municipal – HGNI; e a
intubação inadvertida no esôfago realizada no
Hospital Geral de Nova Iguaçu. Falha do réu
comprovada. Dano moral inegavelmente configurado.
Valor dos danos morais fixados de forma adequada.
A criança perdeu sua mãe com 03 anos de idade.
Impactos emocionais imensuráveis.
Em relação a Rafael, marido de Alessandra, de fato o
impacto emocional em perdê-la com apenas 20 anos
de idade, deixando sob sua responsabilidade uma
filha de 3 anos de idade para cuidar e educar sozinho,
gera um impacto psicológico imediato devendo,
assim, ser mantida a indenização fixada
originariamente no valor de R$ 20.000,00.
Finalmente, quanto aos pais, Sandra e Wilson, a perda
sofrida causou dor inimaginável, eis que entregaram
sua filha apenas com 20 anos aos cuidados do
hospital que não usou de cautela com a paciente que,
por sua falha quanto ao vício na prestação do serviço
diante da intubação inadvertida no esôfago, realizada
no Hospital Geral de Nova Iguaçu, contribuiu para o

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

seu falecimento. Montante originário fixado para cada


um em R$ 30.000,00, que deve ser mantido, diante dos
graves fatos nestes autos em discussão.
Recurso desprovido.

Embarga o réu para alegar omissão em relação aos consectários


legais, sendo necessário observar a aplicação dos juros pela Caderneta de
Poupança em conformidade com o comando legal do art. 12 da Lei 8.177/91,
para depósitos realizados após 04/05/2012,devendo seguir o percentual de
0,5% ao mês, ou 70% da Meta SELIC caso esta última esteja abaixo de 8,5%
ao ano. Considerando que em 2012, 2013 e a partir de 2017 a meta anual da
SELIC foi definida em índice abaixo de 8,5% ao ano, então os juros nestes
períodos foram apropriados em 70% da meta Selic anual, mensalisada com o
advento da Emenda Constitucional 113/2021, a partir de janeiro de 2022. No
ponto correção monetária, defende que com o advento da Emenda
Constitucional 113/2021, a partir de janeiro de 2022 passou a ser aplicado para
juros e correção monetária, de forma conjunta, o índice SELIC.

Os embargados não se manifestaram, index 512.

É O RELATÓRIO.

VOTO.

Não ocorre omissão, contradição ou obscuridade no julgado.

Os embargos de declaração, na forma delimitada pelo artigo 1.022, do


Código de Processo Civil, têm por finalidade a eliminação de obscuridade,
contradição, omissão e a correção de erro material, de forma que qualquer

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

efeito infringente, que possa ser concedido aos embargos declaratórios,


decorre não da mera modificação do julgado, mas sim, da análise de possível
omissão, contradição, obscuridade ou erro material, que leve a este resultado.

Isto é, a regra disposta no artigo 1.022 do CPC que é absolutamente


clara quanto ao cabimento de embargos declaratórios, não sendo possível a
utilização desta espécie recursal para rediscutir a matéria de mérito decidida no
acórdão embargado.

Identifica-se que o embargante no apelo limitou-se a pedir


genericamente a aplicação correta de juros e correção monetária sem coligar a
alguma tese.

A sentença, index 370, decide a lide nos seguintes termos:

ISTO POSTO, julgo parcialmente procedentes os


pedidos para:
I - Condenar o réu a pagar à autora RAYSSA
pensão mensal no valor equivalente a 1/3 (um terço) do
salário-mínimo, a contar da data do óbito da sua genitora
e até que a autora complete 18 anos de idade, ou 24 anos
se estiver cursando universidade;
II - Condenar o réu a pagar à autora RAYSSA a
quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a título de
reparação por dano moral, acrescida de correção
monetária pelo IPCA-E a contar da publicação desta
sentença e de juros moratórios nos termos do art. 1º-F da
Lei 9.494/97, a contar da citação;
III - Condenar o réu a pagar ao autor RAFAEL a
quantia de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) a título de
reparação por dano moral, acrescida de correção

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monetária pelo IPCA-E a contar da publicação desta


sentença e de juros moratórios nos termos do art. 1º-F da
Lei 9.494/97, a contar da citação;
IV - Condenar o réu a pagar à autora SANDRA a
quantia de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) a título de
reparação por dano moral, acrescida de correção
monetária pelo IPCA-E a contar da publicação desta
sentença e de juros moratórios nos termos do art. 1º-F da
Lei 9.494/97, a contar da citação; e
V - Condenar o réu a pagar ao autor WILSON a
quantia de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) a título de
reparação por dano moral, acrescida de correção
monetária pelo IPCA-E a contar da publicação desta
sentença e de juros moratórios nos termos do art. 1º-F da
Lei 9.494/97, a contar da citação.
Condeno o réu ao pagamento de metade da taxa
judiciária e de honorários advocatícios que fixo em 10%
sobre o valor da condenação.
Sem custas pelo réu.

No tocante aos consectários legais, a sentença os fixou de acordo com


o que restou definido pelo Tema 905 do STJ que se encontra em consonância
com o que foi definido no tema 810 do STF, segundo o índice da remuneração
da caderneta de poupança, por se tratar de relação jurídica não tributária e
indenização de natureza administrativa:

1) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada


pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros
moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública,
é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de
relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública


remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio
constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto
às condenações oriundas de relação jurídica não-
tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o
índice de remuneração da caderneta de poupança é
constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o
disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação
dada pela Lei nº 11.960/09; e 2) O art. 1º-F da Lei nº
9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na
parte em que disciplina a atualização monetária das
condenações impostas à Fazenda Pública segundo a
remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se
inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao
direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que
não se qualifica como medida adequada a capturar a
variação de preços da economia, sendo inidônea a
promover os fins a que se destina. consta no disposto no
art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, alterada pela Lei nº
11.960/09.

Aplicam-se, assim, os critérios anteriormente fixados pelo STJ, não


alterados, em relação a este feito, pela decisão do STF:

Natureza administrativa

Nas condenações judiciais de natureza administrativa em


geral, foi decidido que estas sujeitam-se aos seguintes
encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5%
ao mês; correção monetária de acordo com os índices
previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

destaque para a incidência do IPCA-E a partir de


janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do
CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/09: juros de
mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação
com qualquer outro índice; (c) período posterior à
vigência da Lei 11.960/09: juros de mora segundo o
índice de remuneração da caderneta de poupança;
correção monetária com base no IPCA-E.

- Taxa SELIC.

Com relação a pretensão de utilização da taxa SELIC com base na EC


113/2021 assiste razão ao embargante não tendo sido a matéria apreciada.

A questão dos consectários legais foi analisada pelo STF e STJ e


fixadas as teses que foram adotadas pela sentença e confirmada no acórdão.

Contudo, deve ser observado que após a definição das teses pelo STJ
e STF, sobre a matéria dos consectários legais houve a Emenda Constitucional
113/2021 que deve ser aplicada a partir da sua publicação em 09/12/2021 e a
sentença é posterior à legislação eis que proferida em 25/02/2022.

Previu a EC 113/2021 em seu artigo 3º que nas discussões que


envolvam a Fazenda Pública, independente de sua natureza, deverá ser
utilizada a taxa SELIC:

Artigo 3º Nas discussões e nas condenações que envolvam a Fazenda


Pública, independentemente de sua natureza e para fins de atualização
monetária, de remuneração do capital e de compensação da mora, inclusive do
precatório, haverá a incidência, uma única vez, até o efetivo pagamento, do

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

índice da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia


(Selic), acumulado mensalmente".

Desta forma, a partir de 09/12/2021 a taxa SELIC é a única a incidir na


condenação que envolva a Fazenda Pública, excluída quaisquer outras,
entretanto, deve ser observado que o crédito autoral anterior a data da EC,
ainda sofrerá a incidência de juros e correção com base nos temas 905 do STJ
e 810 do STF, conforme fixado em sentença e acórdão.

Tendo as teses jurídicas sido apreciadas, não há omissão, visto adotar


o direito nacional a teoria da substanciação, aplicando-se, ainda, o disposto no
art. 1025 do CPC/15.

Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL


PROVIMENTO aos embargos, enfrentando a omissão no que se refere a
EC 113/2021, para fixar que a partir de 09/12/2021 deve ser aplicada
apenas a taxa SELIC como fator de correção do débito, sem incidência de
quaisquer outro índice.

Rio de Janeiro, na data da assinatura digital.

Des. Natacha Nascimento Gomes Tostes Gonçalves de Oliveira - Relatora

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