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Indenização por Erro Médico em Nova Iguaçu

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu em apelação que o Município de Nova Iguaçu é responsável por danos materiais e morais decorrentes do falecimento de Alessandra, devido a erro médico em hospital. A sentença condenou o réu a pagar pensão mensal à filha da falecida e valores significativos por danos morais aos familiares. O recurso do réu foi negado, mantendo-se a condenação original.

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Indenização por Erro Médico em Nova Iguaçu

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu em apelação que o Município de Nova Iguaçu é responsável por danos materiais e morais decorrentes do falecimento de Alessandra, devido a erro médico em hospital. A sentença condenou o réu a pagar pensão mensal à filha da falecida e valores significativos por danos morais aos familiares. O recurso do réu foi negado, mantendo-se a condenação original.

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

APELAÇÃO Nº 0031304-05.2017.8.19.0038
APELANTE: MUNICÍPIO DE NOVA IGUAÇU
APELADO: RAYSSA CANDIDO FONSECA REP/P/RAFAEL CANDIDO DA
SILVA
APELADO: RAFAEL CANDIDO DA SILVA
APELADO: SANDRA REGINA DA ROCHA FONSECA
APELADO: WILSON DOS SANTOS FONSECA
ORIGEM: NOVA IGUAÇU 6ª VARA CÍVEL

APELAÇÃO. SAÚDE. HOSPITAL.


RESPONSABILIDADE OBJETIVA. ERRO MÉDICO.
FALECIMENTO. PENSIONAMENTO. DANO MORAL.
Pretendem os autores ser indenizados pelos danos
materiais e morais decorrentes do falecimento da
genitora da crinça Rayssa, esposa de Rafael e filha de
Sandra e Wilson ocorrido em hospital do réu,
apontando erro médico. A sentença condena o réu a
pagar à autora RAYSSA pensão mensal no valor
equivalente a 1/3 (um terço) do salário-mínimo, a
contar da data do óbito da sua genitora e até que a
autora complete 18 anos de idade, ou 24 anos se
estiver cursando universidade, bem como ao
pagamento da quantia de R$ 100.000,00 a título de
reparação por dano moral. Condena-o a pagar ao
autor RAFAEL a quantia de R$ 20.000,00 a título de
reparação por dano moral, e aos autores SANDRA e
WILSON a quantia de R$ 30.000,00.
Apelo do réu. Responsabilidade objetiva. Nexo causal
comprovado através do laudo pericial.
Responsabilidade que restou demonstrada nos autos,

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NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONCALVES DE Assinado em: 29/09/2022 14:40:35
Local: GAB. DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA
OLIVEIRA:15388
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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

já que o expert concluiu que contribuíram


decisivamente para o óbito da paciente - Alessandra,
dois pontos a saber: A demora de sua transferência
da UPA para o nosocômio municipal – HGNI; e a
intubação inadvertida no esôfago realizada no
Hospital Geral de Nova Iguaçu. Falha do réu
comprovada. Dano moral inegavelmente configurado.
Valor dos danos morais fixados de forma adequada.
A criança perdeu sua mãe com 03 anos de idade.
Impactos emocionais imensuráveis.
Em relação a Rafael, marido de Alessandra, de fato o
impacto emocional em perdê-la com apenas 20 anos
de idade, deixando sob sua responsabilidade uma
filha de 3 anos de idade para cuidar e educar sozinho,
gera um impacto psicológico imediato devendo,
assim, ser mantida a indenização fixada
originariamente no valor de R$ 20.000,00.
Finalmente, quanto aos pais, Sandra e Wilson, a perda
sofrida causou dor inimaginável, eis que entregaram
sua filha apenas com 20 anos aos cuidados do
hospital que não usou de cautela com a paciente que,
por sua falha quanto ao vício na prestação do serviço
diante da intubação inadvertida no esôfago, realizada
no Hospital Geral de Nova Iguaçu, contribuiu para o
seu falecimento. Montante originário fixado para cada
um em R$ 30.000,00, que deve ser mantido, diante dos
graves fatos nestes autos em discussão.
Recurso desprovido.

ACÓRDÃO

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Examinados e discutidos estes autos, ACORDAM os Julgadores


da Vigésima Sexta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio
de Janeiro, POR UNANIMIDADE, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso,
nos termos do voto da Relatora.

Rio de Janeiro, na data da assinatura digital.

Des. Natacha Nascimento Gomes Tostes Gonçalves de Oliveira –


Relatora

RELATÓRIO.

Trata-se de ação de indenização por danos materiais e morais com


pedido de antecipação parcial de tutela proposta por RAYSSA CANDIDO
FONSECA representada por seu genitor, RAFAEL CANDIDO FONSECA,
SANDRA REGINA DA ROCHA FONSECA e WILSON DOS SANTOS
FONSECA. Alegam que Alexandra, já falecida, deu entrada no HGNI – Hospital
Geral de Nova Iguaçu em 01/05/2016 com dores na região do peito e quadro
de seguidas convulsões. Informam que o quadro foi estabilizado e os médicos
solicitaram a transferência para o Hospital da Posse por conta de uma melhor
estrutura de atendimento e internação, que foi solicitada a ambulância de

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

transferência da paciente pela primeira vez no dia 02/05/2016, às 20:30hs,


porém não havia ambulância disponível, e, que por diversas vezes foram
solicitadas ambulâncias para a transferência, mas as tentativas restaram
frustradas, e que sem os cuidados necessários para a manutenção de sua
saúde, a jovem de 20 anos veio a óbito em 04/05/2016 às 22:44h. Requerem:

a. CITAÇÃO DO RÉU, PARA, QUERENDO,


CONTESTAR A PRESENTE, SOB PENA DE SER
DECLARADA A REVELIA E A CONFISSÃO FICTA;
b. TRATAMENTO PSICOLÓGICO para todos os Autores
pelo tempo e custo indicado por ocasião do arbitramento
pericial, a ser suportado pelo Réu;
c. REEMBOLSO DE TODAS AS DESPESAS havidas com
o evento;
d. PENSIONAMENTO PARA OS AUTORES, levando em
consideração a expectativa de vida que teria a de cujus;
e. INTIMAÇÃO DA TESTEMUNHA, ao cabo arrolada.
f. Requer o envio de oficio ao CREMERJ, (Conselho
Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro),
endereço na Praia de Botafogo, Rio de Janeiro- Cep.:
22.359- 900, a fim de informar tais fatos;
g. DANO MORAL - para todos os Autores,
individualmente, no valor de 200 salários mínimos
nacional vidente, que o Hospital-Réu deverá suportar, que
encontra fundamento no par. 6º, do art. 37, CRFB/88;
h. CORREÇÃO MONETÁRIA de todas as verbas fixas
que integrarem a indenização, desde o ingresso da ação;
i. HONORÁRIOS DE ADVOGADO, no percentual máximo
e incidente sobre o total da condenação (parágrafo 5º, do
artigo 20 do CPC).

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Contestação, index 120. Sustenta que na realidade, a falecida deu


entrada no Hospital Geral de Nova Iguaçu transferida da UPA de Comendador
Soares, que teria sido direcionada à Unidade de Terapia Intensiva no dia
03/05/2016, e que, diferente do que os autores alegaram, a falecida não teria
sido transferida do HGNI devido à instabilidade clínica, porque qualquer
tentativa de transferência a colocaria em risco de morte, não havendo,
portanto, conduta reprovável passível de indenização. Defende, ainda, a
inépcia da inicial por ausência de indicação do nome da falecida na inicial, a
ausência de pertinência subjetiva dos autores, com pedido de extinção do
processo sem resolução do mérito, ausência de erro ou culpa, nexo de
causalidade, danos morais e pensionamento aos autores, que não se
configurou dano em ricochete, não havendo dever indenizatório, haja vista não
haver demonstração de culpa da equipe médica nos autos, bem como não há
comprovação nos autos de que a falecida exercia atividade laborativa,
tampouco de que os autores eram seus dependentes financeiros. Ainda,
menciona que os autores sequer informaram quais seriam as despesas
suportadas e seus valores e nem houve juntada dos respectivos comprovantes,
não sendo possível presumir dano material. Requer ao final a improcedência
dos pedidos.

Réplica, index 187.

Decisão, index 243, rejeita as preliminares de inépcia e ilegitimidade


ativa e defere a produção de prova documental suplementar e oral.

AIJ, index 253, com pedido de desistência da testemunha arrolada


pelos autores o que foi homologado e foram apresentadas alegações finais das
partes.

O Ministério Público, index 262, pede que os autores comprovem


vínculo empregatício.

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Decisão, index 268, converte o feito em diligência e defere a produção


de prova pericial médica indireta.

Laudo pericial, index 309, com manifestação dos autores, index 355.

Parecer do Ministério Público, index 361.

Sentença, index 370, decide a lide nos seguintes termos:

ISTO POSTO, julgo parcialmente procedentes os pedidos


para:
I - Condenar o réu a pagar à autora RAYSSA pensão
mensal no valor equivalente a 1/3 (um terço) do salário-
mínimo, a contar da data do óbito da sua genitora e até
que a autora complete 18 anos de idade, ou 24 anos se
estiver cursando universidade;
II - Condenar o réu a pagar à autora RAYSSA a quantia
de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a título de reparação por
dano moral, acrescida de correção monetária pelo IPCA-E
a contar da publicação desta sentença e de juros
moratórios nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/97, a
contar da citação;
III - Condenar o réu a pagar ao autor RAFAEL a quantia
de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) a título de reparação por
dano moral, acrescida de correção monetária pelo IPCA-E
a contar da publicação desta sentença e de juros
moratórios nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/97, a
contar da citação;
IV - Condenar o réu a pagar à autora SANDRA a quantia
de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) a título de reparação por

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

dano moral, acrescida de correção monetária pelo IPCA-E


a contar da publicação desta sentença e de juros
moratórios nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/97, a
contar da citação; e
V - Condenar o réu a pagar ao autor WILSON a quantia
de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) a título de reparação por
dano moral, acrescida de correção monetária pelo IPCA-E
a contar da publicação desta sentença e de juros
moratórios nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/97, a
contar da citação.
Condeno o réu ao pagamento de metade da taxa
judiciária e de honorários advocatícios que fixo em 10%
sobre o valor da condenação.
Sem custas pelo réu.

Apelação do réu, index 415, discorre sobre a responsabilidade civil e


reitera ausência de nexo entre a conduta médica e o óbito da paciente. Reitera
a tese sobre a ausência de falha na prestação do serviço já que as unidades de
saúde agiram de acordo com a boa prática médica, inexistindo, portanto,
conduta a ensejar a responsabilidade civil do Município Réu. Diante desse
quadro, a equipe médica de pronto atendimento informou os autores acerca do
resultado e, imediatamente, iniciou o tratamento, os colocando sob observação
em sala especializada e ministrando medicamentos intravenosos. De plano,
pode-se afirmar que, conforme manifestação inicial da parte autora, é
incontroverso que a equipe médica, em momento algum, foi omissa,
imprudente, negligente ou agiu sob imperícia, pois a todo momento, foram
prestativos e corretos, dando toda a assistência necessária aos autores
durante o trabalho de parto e o pós-operatório. Defende que não há
comprovação de danos morais, bem como que o valor fixado em R$
100.000,00 para a autora criança e R$ 30.000,00 para os demais autores,
totalizando R$ 190.000,00, mostra-se exorbitante. Requer ao final:

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Pelo exposto, requer-se a reforma da r. sentença para


julgar totalmente improcedentes os pedidos autorais.
Contanto, caso assim não se entenda, requer a reforma
da decisão ao menos para que seja reduzido o valor da
indenização a título de danos morais imposta ao
Município de Nova Iguaçu, pois o mesmo, conforme foi
demonstrado, está em completo desacordo com o que
costumeiramente é aplicado nos tribunais justiça,
configurando claro enriquecimento sem causa para a
parte autora, bem como para que seja aplicado
corretamente o percentual de juros e correção monetária.

Não houve apresentação de contrarrazões pelos autores, conforme


certidão no index 435.

Após a remessa ao Tribunal, foram apresentadas contrarrazões


replicadas no index 442,447 e 452.

Manifestação da Procuradoria de Justiça, index 457, pelo


desprovimento do apelo.

É O RELATÓRIO.
VOTO.

O recurso deve ser conhecido eis que preenchidos os requisitos de


admissibilidade.

As contrarrazões foram protocolizadas em 06/09/22, sendo a


intimação para manifestação quanto ao apelo datada de 20/06/22 (index
433/434), sendo, portanto, intempestivas.

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Pretendem os autores ser indenizados pelos danos materiais e morais


decorrentes do falecimento de Alessandra da Rocha Fonseca, mãe da menor
Rayssa, esposa de Rafael e filha de Sandra e Wilson ocorrido em hospital do
réu, apontando erro médico.

A sentença julga parcialmente procedentes os pedidos para:

I - Condenar o réu a pagar à autora RAYSSA pensão


mensal no valor equivalente a 1/3 (um terço) do salário-
mínimo, a contar da data do óbito da sua genitora e até
que a autora complete 18 anos de idade, ou 24 anos se
estiver cursando universidade;
II - Condenar o réu a pagar à autora RAYSSA a quantia
de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a título de reparação por
dano moral, acrescida de correção monetária pelo IPCA-E
a contar da publicação desta sentença e de juros
moratórios nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/97, a
contar da citação;
III - Condenar o réu a pagar ao autor RAFAEL a quantia
de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) a título de reparação por
dano moral, acrescida de correção monetária pelo IPCA-E
a contar da publicação desta sentença e de juros
moratórios nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/97, a
contar da citação;
IV - Condenar o réu a pagar à autora SANDRA a quantia
de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) a título de reparação por
dano moral, acrescida de correção monetária pelo IPCA-E
a contar da publicação desta sentença e de juros
moratórios nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/97, a
contar da citação; e

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

V - Condenar o réu a pagar ao autor WILSON a quantia


de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) a título de reparação por
dano moral, acrescida de correção monetária pelo IPCA-E
a contar da publicação desta sentença e de juros
moratórios nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/97, a
contar da citação.
Condeno o réu ao pagamento de metade da taxa
judiciária e de honorários advocatícios que fixo em 10%
sobre o valor da condenação.
Sem custas pelo réu.

Apelo do réu. Requer a improcedência ao fundamento, em síntese, de


ausência de nexo causal ou pretende a redução do valor fixado quanto à
indenização por danos morais.

Com efeito, no caso sob análise deve ser apreciada a responsabilidade


pela ótica da responsabilidade objetiva e não subjetiva.

Desta maneira, não aproveita ao réu a tese de que há ausência de


nexo entre a conduta médica e o óbito da paciente.

In casu, cuida-se de responsabilidade objetiva do réu e para


apreciação da questão em julgamento, impõe-se a observância da norma
insculpida no art. 37, § 6º, da Constituição da República, que assim determina:

“as pessoas jurídicas de direito público e as de direito


privado prestadoras de serviços públicos responderão
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurando o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo e culpa.”

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Tal norma constitucional consagra a teoria do risco administrativo,


prevendo a responsabilidade objetiva, que dispensa a demonstração da culpa,
fazendo surgir o dever de indenizar.

Tratando-se de responsabilidade objetiva, para se livrar da obrigação


de indenizar, ao réu cumpria comprovar, e de forma incontestável, que o fato
ocorrera por culpa exclusiva da vítima, ou em razão da ocorrência de caso
fortuito, ou de força maior.

O ente público somente pode exonerar-se do dever de indenizar por


danos decorrentes do exercício da atividade médico-hospitalar se demonstrar
que não deu causa e/ou que o resultado danoso adveio de condições próprias
do paciente, o que não restou comprovado.

Ao contrário, a prova dos autos comprova a responsabilidade do réu


pelos fatos narrados pelos autores.

A pretensão do réu de afastar a condenação imposta ao argumento de


falta de prova do nexo causal não prospera.

Isto porque a prova pericial produzida nos autos é categórica ao afirmar


que contribuíram decisivamente para o óbito da paciente - Alessandra, dois
pontos a saber:

1 - A demora de sua transferência da UPA para o nosocômio municipal


– HGNI.
2 - A intubação inadvertida no esôfago realizada no Hospital Geral de
Nova Iguaçu.

Index 309, fl. 318:

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Desta maneira, resta comprovada a falha do réu quanto ao vício na


prestação do serviço diante da intubação inadvertida no esôfago, realizada no
Hospital Geral de Nova Iguaçu.

No que se refere à demora de transferência da paciente para o HGNI,


assim foi justificada pela sentença de maneira correta:

Tenho que a demora na transferência da paciente para o


HGNI não pode ser atribuída a um vício específico do
serviço público do Município réu, haja vista que não há
nos autos prova de que a ele competia a administração de
tal unidade de saúde ou mesmo do serviço de transporte
de pacientes.

Dentro dessas conclusões acima, em que pese não tenha o laudo


concluído acerca da ocorrência ou não do resultado morte, independentemente
dos vícios mencionados acima neste voto, certo é que eles são pertinentes
com a causa da morte e eventualmente poderiam tê-la evitado.

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Assim, resta comprovado o vício específico na prestação do serviço


público prestado pelo réu, o que consequentemente se estabelece o nexo
causal entre o vício do serviço e o dano dele decorrente.

Portanto, o vício do serviço do réu, certamente contribuiu para o


resultado que levou a óbito a mãe da criança, esposa e filha dos demais
autores, restando, assim, devidamente comprovado o nexo causal e o erro
médico.

Tem-se, portanto, que houve falha na prestação do serviço, impondo


ao réu o dever de indenizar os prejuízos dela decorrentes, que se mostrou
confirmada por toda prova documental carreada nos autos.

Correta, pois, a sentença ao condenar o réu a pagar à autora RAYSSA


pensão mensal no valor equivalente a 1/3 (um terço) do salário-mínimo, a
contar da data do óbito da sua genitora e até que a autora complete 18 anos de
idade, ou 24 anos se estiver cursando universidade.

O dano moral, ao contrário do alegado pelo réu, restou configurado,


posto que pela falha do réu quanto ao vício específico na prestação do serviço
público, de fato contribuiu para o evento morte, e é inegável a dor causada pela
perda do ente querido.

É importante frisar que a responsabilidade do réu também é dotada de


vertente pedagógica diante do sofrimento causado aos autores que perderam
mãe, esposa e filha tão jovem já que a época tinha 20 anos por erro médico
comprovado nos autos, constituindo elemento que deve ser levado em conta
quando da fixação do valor da indenização a ser arbitrada.

Com efeito, é sabido que a indenização, mormente a título de dano


moral, deve ser fixada com moderação e prudência pelo julgador. Por outro

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

lado, não deve ser insignificante, considerando-se a hipossuficiência do


consumidor e a situação econômica do ofensor, eis que não pode constituir
estímulo à manutenção de práticas que agridam e violem os direitos daqueles.

A fixação do montante indenizatório a título de dano moral deve


considerar o dúplice aspecto do ressarcimento, que é compensatório para o
lesado e punitivo para o agente causador do dano, não podendo ser
insignificante e, tampouco, fonte de enriquecimento sem causa. Há, pois, que
se observar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.

E no caso, pretende o réu a redução do valor fixado afirmando ser


excessivo.

Os valores, todavia, estão adequados.

Rayssa perdeu sua mãe quando ainda tinha apenas 3 anos de idade,
sendo que a consequência emocional é ter o convívio materno interrompido,
sendo criada sem a presença da figura materna, o que sem dúvida gera
incomensurável impacto que perdurará durante toda sua vida.

Quanto ao autor Rafael, marido de Alessandra, de fato o impacto


emocional em perdê-la com apenas 20 anos de idade, deixando sob sua
responsabilidade uma filha de 3 anos de idade para cuidar e educar sozinho,
gera um impacto psicológico imediato devendo, assim, ser mantida a
indenização fixada no valor de R$ 20.000,00 a título de danos morais.

Quanto aos seus pais, Sandra e Wilson, de fato a perda sofrida causou
dor inimaginável, eis que entregou sua filha apenas com 20 anos aos cuidados
do hospital que não usou de cautela com a paciente que, por sua falha quanto
ao vício na prestação do serviço diante da intubação inadvertida no esôfago,
realizada no Hospital Geral de Nova Iguaçu, contribuiu para o seu falecimento.

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26ª CÂMARA CÍVEL


RELATORA: DES. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES GONÇALVES DE OLIVEIRA

Assim, o montante de R$ 30.000,00 para cada um, deve ser mantido,


diante dos graves fatos nestes autos em discussão.

Por fim, no que se refere aos consectários legais a sentença observou,


após a integração pelos aclaratórios o tema 810 fixado pelo STF, não
merecendo reparo.

Assim sendo, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso,


majorando os honorários advocatícios para 12% do valor da condenação,
e, caso ultrapassadas a primeira faixa do art. 85, § 3º do CPC, deverão os
honorários observar o acréscimo de um ponto em relação ao percentual
mínimo de cada faixa.

Rio de Janeiro, na data da assinatura digital.

Des. Natacha Nascimento Gomes Tostes Gonçalves de Oliveira -


Relatora

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