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ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO (ANTIGA 14ª CÂMARA CÍVEL)
APELAÇÃO CÍVEL N.º 0010710-07.2010.8.19.0008
APELANTE: RN COMÉRCIO VAREJISTA S.A
APELADOS: TRANSNETO- 2000 LOCADORA E TURISMO LTDA E MARCOS ANTÔNIO
RODRIGUES e MIRTES FERREIRA
RELATOR: DESEMBARGADOR GILBERTO CAMPISTA GUARINO
APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ATROPELAMENTO EM
CALÇADA POR CAMINHÃO DIRIGIDO POR PREPOSTO DA PRIMEIRA RÉ QUE
FAZIA ENTREGA DE ELETRODOMESTICO PARA A 2º RÉ. FERIMENTOS
GRAVES A AUTORA E MORTE DE FILHA MENOR. PEDIDO DE INDENIZAÇÃO
POR DANOS MATERIAIS E MORAIS PELOS PAIS DA MENOR. SENTENÇA DE
PARCIAL PROCEDENCIA DOS PEDIDOS. IRRESIGNAÇÃO DA 2ª RÉ.
PRELIMINARES DE ILEGITIMIDADE PASSIVA E AUSENCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO REJEITADAS. CONTRATANTE QUE SE UTILIZAÇÃO DO
SERVIÇO DE FRETE COMO FORMA DE CIRCULAÇÃO DE RIQUEZAS E COM
NITIDO OBJETIVO DE LUCRO. APLICAÇÃO DA TEORIA DO RISCO-
PROVEITO, IMPONDO A EMPRESA QUE EXTRAIR PROVEITO DE CERTA
ATIVIDADE, A RESPONSABILIZAÇÃO PELOS RISCOS QUE ELA TRAZ.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECEDENTES DO STJ. PROVA DOS
AUTOS QUE COMPROVA QUE O VEÍCULO ERA UTILIZADO PARA
TRANSPORTE DE MERCADORIAS DE PROPRIEDADE DA SEGUNDA RÉ.
DANO MORAL CARACTERIZADO DIANTE DO SOFRIMENTO E ABALO
EMOCIONAL EXPERIMENTADO PELOS AUTORES COM A MORTE DA FILHA,
EM TENRA IDADE. QUANTIFICAÇÃO. APLICAÇÃO DO MÉTODO BIFÁSICO,
SUFRAGADO PELO COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, SOB O
INFLUXO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE, QUE PRESERVA O
POSTULADO DA RAZOABILIDADE. MÉDIA ARITMÉTICA DAS CONDENAÇÕES
PROFERIDAS POR TAL E. INSTÂNCIA, EM HIPÓTESES
[Link] FIXADO NA SENTENÇA QUE DEVE SER MANTIDO.
INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL RELATIVO A DESPESAS COM
FUNERAL QUE É DEVIDA. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE
JUSTIÇA NO SENTIDO DE SER DESNECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO. VALOR
DO PENSIONAMENTO CORRETAMENTE ARBITRADO NA SENTENÇA.
RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.
Vistos, relatados e discutidos estes autos da Apelação Cível
n.º 0010710-07.2010.8.19.0008, em que é apelante RN COMÉRCIO
VAREJISTA S.A e apelados TRANSNETO- 2000 LOCADORA E TURISMO
LTDA E MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES e MIRTES FERREIRA
ACORDAM
Os Desembargadores que integram a 12ª Câmara de Direito
Privado em conhecer do recurso e, no mérito, desprovê-lo, nos termos do
voto do relator. Decisão unânime.
RELATÓRIO
01. Adota-se integralmente o relatório da sentença de fls.152
a 167 (indexador n.º 181), que passa a fazer parte integrante deste voto, com
Assinado em 27/04/2023 14:51:47
GILBERTO CAMPISTA GUARINO:14990 Local: GAB. DES GILBERTO CAMPISTA GUARINO
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base no permissivo regimental (art. 92, § 4º do R.E.G.I.T.J.E.R.J), conforme
transcrito abaixo:
“MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES e MIRTES FERREIRA ajuizaram a
presente demanda em face de TRANSNETO 2000 LOCADORA E
TURISMO LTDA e RN COMÉRCIO VAREJISTA S.A (RICARDO ELETRO),
buscando a tutela jurisdicional que lhes satisfizessem a pretensão de
ver as rés condenadas a pagar-lhes indenização a título de danos
morais e materiais, consistentes estes no reembolso de despesas com
funeral e sepultamento, além de pensionamento vitalício. Trouxeram
como fatos constitutivos de seu direito a alegação de que a segunda
autora, no dia 14/04/2010, por volta das 11h10, retornava da escola da
filha Ana Paula Ferreira Rodrigues, menor com 6 (seis) anos de idade,
em companhia desta, quando foram atropeladas em cima da calçada
por caminhão conduzido por preposto da primeira ré, que prestava
serviço de entrega de mercadorias para a segunda ré. Aduzem que o
evento teve por razão a imprudência do condutor do veículo, que, além
de dirigi-lo em péssimo estado de conservação, tentou estacioná-lo em
rua íngreme para descarga e entrega de mercadorias da segunda
demandada, perdendo o freio e descendo ladeira abaixo, ocasionando
graves lesões à autora, que foi socorrida e hospitalizada, e o
falecimento de sua filha no local do acidente. A petição inicial de fls.
02/09 veio instruída com os documentos de fls. 10/27. Gratuidade de
Justiça deferida às fls. 29, assim como foi determinada a citação das
rés. Regularmente citada (fls. 62), a primeira ré apresentou a
contestação de fls. 32/36, acompanhada dos documentos de fls. 37/60,
alegando, em síntese, inexistência de sua responsabilidade quanto ao
evento danoso, mas sim culpa exclusiva do motorista do caminhão,
Wilson Folias Rodrigues, o qual era autônomo e lhe prestava serviços
de transporte eventualmente com o caminhão de propriedade da
genitora, Selita Fuly Rodrigues, tendo lhe prestado serviço pela última
vez em dezembro de 2009, mas não no dia do acidente em 14/04/2010.
Ressalta, outrossim, a renúncia em sede policial da autora quanto à
representação criminal em face do motorista do caminhão, bem como
a declaração do autor de que teria comparecido na Delegacia Policial
tão somente para obtenção de documentos para fins de recebimento
do seguro DPVAT. Por fim, alega não haver comprovação nos autos
das despesas com o funeral da criança, requerendo a improcedência
total dos pedidos. Arrolamento de testemunhas pelos autores às fls.
61. Regularmente citada (fls. 62), a segunda ré quedou-se inerte, razão
pela qual foi decretada sua revelia, conforme certidão e decisão de fls.
65v e 79. Réplica às fls. 63/65. Instados na especificação de provas (fls.
66), autores e primeira ré se manifestaram às fls. 67/69. Audiência de
Conciliação realizada consoante assentada de fls. 82, na qual não se
obteve êxito na composição da lide. Na oportunidade, autores e
primeira ré se reportaram às peças dos autos e aos pedidos de provas
delas constantes, requerendo a primeira demandada, ainda, o
chamamento à lide do motorista e da proprietária do caminhão. A
segunda ré, por sua vez, requereu o recebimento e a apreciação da
contestação apresentada intempestivamente em audiência. Decisão
saneadora às fls. 108. Audiência de Instrução e Julgamento realizada
conforme assentada de fls. 149, ocasião em que foi ouvida uma
testemunha arrolada pelos autores, consoante termo de fls. 148, tendo
os demandantes desistido da oitiva da testemunha Reginaldo Santos
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Martins. Por fim, as partes se reportaram às manifestações constantes
dos autos e declarado o encerramento da instrução pelo Juízo. É O
RELATÓRIO.”
02. E assim foi julgada a pretensão deduzida (fls.167, índice
eletrônico n.º 181):
“ Isto posto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE os pedidos,
extinguindo o feito com resolução do mérito, na forma do artigo 487,
inciso I, do CPC, para condenar solidariamente TRANSNETO 2000
LOCADORA E TURISMO LTDA e RN COMÉRCIO VAREJISTA S.A.
(RICARDO ELETRO DIVINÓPOLIS LTDA) a: " pagar indenização pelos
danos morais sofridos pelos autores, no valor de R$ 100.000,00 (cem
mil reais) para cada um, perfazendo o total de R$ 200.000,00 (duzentos
mil reais), corrigido monetariamente a partir da intimação da presente
sentença e com juros de mora de 1% ao mês desde a data do acidente;
" pagar indenização por danos materiais consistentes em 2/3 (dois
terços) do salário mínimo mensal em razão da morte da filha Ana Paula
Ferreira Rodrigues (falecida aos 6 anos de idade), percentual a ser
observado até a data em que a menor completaria 25 anos de idade,
quando então será reduzido para 1/3 (um terço) do salário mínimo. O
pensionamento, na espécie, somente será devido a partir de 6 de
fevereiro de 2018, isto é, data em que atingiria idade hábil ao trabalho
como aprendiz (14 anos), até que a de cujus completasse 70 anos de
idade, ou cessando quando da morte dos autores, se esta ocorrer em
primeiro lugar, devendo ser acrescido de juros de mora de 1% (um por
cento) ao mês, contados desde o ato ilícito praticado, na forma
disposta no artigo 398 do Código Civil brasileiro, garantida a correção
monetária pela variação do salário mínimo; " pagar indenização por
danos materiais referentes às despesas com funeral, a qual arbitro em
R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), atualizados pelo índice oficial de
correção monetária de débitos judiciais e acrescidos de juros legais de
1% (um por cento) ao mês desde a data do falecimento; " constituir
capital para garantir o pagamento das verbas alimentares contidas na
presente decisão ou incluir os autores em suas folhas de pagamento,
na forma do artigo 533, §§ 1º e 2º, do CPC. Por fim, ante o princípio da
causalidade, condeno as rés ao pagamento das despesas processuais
e, diante da a complexidade da demanda, fixo o percentual de 15%
(quinze por cento) a título de honorários advocatícios. O cálculo da
verba honorária deve incidir sobre doze das prestações mensais a
vencer, deferidas a título alimentar, excluído o valor referente ao
capital de garantia e incluída a verba fixada a título de indenização por
danos morais.”
03. Inconformada, apela a segunda ré (fls.170 a 209, indexador
nº 200), alegando, preliminarmente, a ilegitimidade da Apelante e ausência e
fundamentação da MM juiz a quo, nos moldes do inciso VI do artigo 485 do
Código de Processo Civil.
04. No mérito, sustenta a inexistência dos requisitos que
permeiam a responsabilidade civil, ausência de nexo causal entre a Apelante
e o ilícito, bem como a ausência de qualquer prova neste sentido.
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05. Defende ainda a inexistência de dano moral, por se tratar de
mera fatalidade e ausência de dano material a ser indenizado e,
subsidiariamente, pretende a redução do dano moral e havendo a
manutenção da sentença quanto à reparação dos danos materiais, reformá-la
para reduzir o valor das prestações mensais alimentares para 1/3 do salário
mínimo, bem como definir como termo ad quem a maioridade de até 25 anos
da vítima, filha dos Apelados.
06. Contrarrazões do primeiro réu às fls. 234 a 236 (índice
eletrônico n.º 269), propugnando a insurgência.
07. Recurso tempestivo e devidamente preparado (cf. fls.263 e
302)
É o relatório.
VOTO
08. A apelação preenche os requisitos intrínsecos e extrínsecos
de admissibilidade recursal.
09. De plano, há de se rejeitar a preliminar de ilegitimidade
passiva ad causam, uma vez que aplicável à hipótese a Teoria da Asserção,
segundo a qual a pertinência subjetiva para figurar no polo passivo da
demanda dessume-se in status assertionis, sendo, pois, legitimado para
responder à ação aquele a quem o Autor atribui a conduta lesiva, remetendo-
se para o mérito a análise da responsabilidade civil, a determinar a
consequente procedência ou improcedência da pretensão.
10. Com relação a ausência de fundamentação, tampouco
merece ser acolhida, vez que a alegação de ausência de requisitos para
imputação do ato ilícito diz respeito ao mérito, onde serão devidamente
analisadas.
11. Sendo assim, rejeitos a preliminares suscitadas e passo a
análise do mérito.
12. Trata-se de demanda com pretensão indenizatória por danos
morais e materiais, cuja causa de pedir fora acidente automobilístico causado
por motorista da 1ª ré que transportava eletrodomésticos da Apelante, ora 2ª
ré. Em decorrência do acidente foram vitimadas a segunda autora, que sofreu
ferimentos graves e sua filha, que veio a óbito, quando o preposto da primeira
ré tentou estacionar o caminhão em rua íngreme para descarga e entrega de
mercadorias da segunda ré, perdendo o freio e descendo ladeira abaixo,
ocasionando o grave acidente.
13. A Apelante alega que não possui qualquer relação de
dependência ou tampouco subordinação com aquela primeira ré, o que ratifica
a responsabilidade exclusiva do transportador pelos danos narrados na
presente demanda.
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14. Nesse contexto, sabe-se que é muito comum as sociedades
empresárias contratarem serviços de terceiros para realizar deslocamentos e
entregas de seus produtos.
15. Na relação contratual do transporte de cargas, existem três
sujeitos envolvidos, tais quais, o remetente, o transportador e o destinatário
ou consignatário, e, como todo contrato, estão todos sujeitos à direitos e
deveres.
16. Não obstante, vale lembrar que o remetente também tem
responsabilidade civil sobre a carga transportada, pois a contratante se utiliza
do serviço de frete como forma de circulação de riquezas e com o nítido
objetivo de lucro.
17. É nesse contexto que surge a teoria do risco-proveito na
seara da responsabilidade civil, impondo à pessoa que extrair proveito de
certa atividade, a responsabilização pelos riscos que ela traz.
18. Convém destacar, que a questão da responsabilidade civil da
empresa tomadora do frete já fora diversas vezes analisada pelo Superior
Tribunal de Justiça, restando consolidado o dever da tomadora de indenizar
os danos ocorridos no desenrolar de sua atividade, em que se reconhece a
solidariedade:
“ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Nº 211/STJ.
RESPONSABILIDADE CIVIL. SERVIÇO DE FRETE. ACIDENTE DE
TRÂNSITO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REEXAME DE PROVA.
SÚMULA Nº 7/STJ. 1. A tese veiculada aos artigos apontados como
violados no recurso especial não foi objeto de debate pelas instâncias
ordinárias, sequer de modo implícito, e embora opostos embargos de
declaração com a finalidade de sanar omissão porventura existente,
não foi indicada a contrariedade ao art. 535 do Código de Processo
Civil, motivo pelo qual, ausente o requisito do prequestionamento,
incide o disposto na Súmula nº 211 do STJ. 2. Caracteriza-se a
responsabilidade solidária da empresa contratante de serviço de
transporte por acidente causado por motorista da empresa
transportadora terceirizada. 3. Rever questão decidida com base no
exame das circunstâncias fáticas da causa esbarra no óbice da Súmula
nº 7 do Superior Tribunal de Justiça. 4. Agravo regimental não provido.
(AgRg no AREsp 438.006/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS
CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/10/2014, DJe 10/10/2014)
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. SERVIÇO DE
FRETE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÚMULA 83/STJ. REEXAME
DE FATOS E DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DANO MORAL. QUANTUM
INDENIZATÓRIO. REVISÃO. INVIABILIDADE. VALOR RAZOÁVEL.
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no REsp 1248999/MT,
Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA,
julgado em 26/02/2013, DJe 05/03/2013)”
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19. No caso dos autos, embora a apelante defenda a ausência de
nexo causal e que o serviço de frete não foi contrato pela mesma, verifica-se
que, a primeira ré em nenhum momento se insurge quanto à afirmativa de
estar no local para entregar eletrodomésticos da ré, ora apelante, ao contrário,
a primeira ré alude aos depoimentos dos ajudantes de caminhão prestados
em sede policial, os quais corroboram que o fatídico evento decorreu da
atividade de entregar mercadorias na Baixada Fluminense, conforme fls. 23 a
24.
20. Ademais, a primeira ré afirma nas contrarrazões às fls.235 a
236, que a segunda ré simplesmente terceirizou o serviço de entrega,
valendo-se de um caminhão que integra empresa de transporte para
"mudanças", tudo de molde a potencializar o risco de sua atividade
empresarial. Destaco o trecho abaixo:
21. Desta forma, consoante bem salientado pelo magistrado:
“quer pela prova documental, quer pela revelia da segunda ré, é incontroverso
nos autos que o, veículo causador do fatídico acidente era utilizado para
transporte de cargas e que, na ocasião, executava a atividade-fim da primeira
ré, fazendo em nome desta a entrega de mercadorias de propriedade da
segunda ré, atraindo, portanto, a incidência da Lei 8.078/90, pelo que deve
responder solidariamente pelos danos causados”.
22. Com relação ao dano moral, a perda de uma filha de apenas
06 ano de idade, é fato de extrema relevância e profundidade, que provoca
intensa dor, sofrimento e abalo emocional, notadamente, quando a morte é
repentina e em situação dramática, como no caso dos autos.
23. Passa-se então à análise do quantum indenizatório.
24. É cediço que o quantum indenizatório deve atentar para a
extensão, gravidade e repercussão do dano moral, que deve estar em
consonância com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem
olvidar o princípio da preservação da empresa como fonte geradora de
empregos em massa, consumo em grande escala de produtos e serviços
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necessários dentro da cadeia de produção e fonte expressiva de arrecadação
de impostos, gerando a salutar circulação de riquezas dentro da sociedade.
25. Ressalta-se ainda que o valor fixado não deve ser tão alto que
gere enriquecimento ilícito para quem o recebe, nem deverá ser irrisório a
torná-lo incapaz de reparar o dano suportado, o que aumentaria o sentimento
de lesão sobre a vítima.
26. Ora, se é doloroso para um filho enterrar seus genitores – o
que é a ordem natural da vida – o que dirá da dor dos pais ao enterrar sua
filha de apenas 06 (seis) anos de idade, como vítima de um grave acidente.
27. O juízo a quo condenou as empresas rés ao pagamento de
uma indenização, na quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais).
28. Observa-se nos julgados abaixo que este valor é o adotado
por este Tribunal de Justiça e pelo Superior Tribunal de Justiça em casos
semelhantes. Confira-se:
“Ação indenizatória. Acidente de trânsito. Atropelamento seguido
da morte, do filho do autor. Sentença de procedência parcial.
Apelações. Responsabilidade civil subjetiva. A culpa em sentido
estrito, exige, para a sua configuração a violação do dever de cuidado
ordinário ou excepcionalmente exigido pelas circunstâncias em que o
fato se deu, a partir da comparação da conduta do apontado causador
do acidente, com aquela denominada padrão ou modélica, de todos
exigida no desempenho de certa atividade, notadamente nas de risco,
em atenção ao neminem laedere que preside a vida de relação. E, no
caso, o atropelamento da vítima no acostamento, pelo veículo de
propriedade do 2º. Réu e conduzido pelo 1º., sem habilitação e em
altíssima velocidade, configura, sem dúvida alguma, extrema
imprudência do condutor. Provas de índole testemunhal e documental
suficientes à prova da existência material do evento e o nexo
etiológico entre esse e o resultado lesivo. Responsabilidade solidária
do 2º réu, proprietário do veículo (Súmula 132 do STJ), que entregara a
condução ao filho não habilitado e imprudente no recorte trágico da
realidade. Dano moral. O dano de índole moral suportado pelo
demandante é absolutamente indiscutível e deflui da perda violenta e
inesperada da vítima, que contava 31 anos de idade. Verba de R$
120.000,00 (cem e vinte mil reais) que se exibe proporcional e
suficiente à composição do dano moral experimentado, corrigida
monetariamente da data do acórdão - Súmula 362 do STJ, e acrescida
de juros da mora desde o evento. Pensionamento. Presunção de
dependência financeira do genitor que só é reconhecida nas hipóteses
em que a vítima seja menor na data de seu falecimento. Ausência de
prova nos autos acerca da dependência financeira do autor com
relação ao seu filho falecido, com 31 anos de idade. Precedentes.
Provimento parcial do recurso do autor, negado provimento ao dos 1º
e 2º réus. (APELAÇÃO nº 0003526-80.2013.8.19.0012 - Des(a).
MAURÍCIO CALDAS LOPES - Julgamento: 15/02/2023 - DÉCIMA
OITAVA CÂMARA CÍVEL)
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APELAÇÃO CÍVEL. REPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE REPARAÇÃO
DE DANOS. ATROPELAMENTO SEGUIDO DE ÓBITO. RÉU QUE
PERDEU O CONTROLE DO VEÍCULO QUE AVANÇOU SOBRE A VÍTIMA
NA CALÇADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PELOS DANOS
MATERIAIS E MORAIS SOFRIDOS PELOS GENITORES. SENTENÇA DE
PROCEDÊNCIA PARCIAL. APELO DO RÉU. A preliminar de nulidade da
sentença pela utilização de prova emprestada por violação aos
princípios do contraditório e da ampla defesa não se sustenta. É válida
a juntada de prova emprestada de processo criminal do qual não
participaram todas as partes da demanda e para o qual a prova será
trasladada, desde que respeitado o contraditório. PRELIMINAR
REJEITADA. No mérito, o pleito de indenização por danos materiais e
morais em decorrência do acidente que ensejou o atropelamento e
óbito da vítima está baseado na responsabilidade civil subjetiva,
exigindo, portanto, prova do fato, nexo causal, dano e culpa, conforme
os artigos 186 e 927, do Código Civil. As provas revelam que a
excludente de responsabilidade, fundada na culpa exclusiva da vítima,
não se sustenta. Ao contrário do alegado pelo apelante, as fotografias
do veículo mostram que o atropelamento da vítima ocorreu na calçada
da praça e não no meio da via pública. Registre-se ainda, que os
relatos da dinâmica do acidente prestados por testemunhas do fato
apontam que o carro subiu na calçada, atropelou a vítima e ficou sobre
o corpo da jovem, ainda com vida, enquanto o condutor fugiu do local
e não prestou socorro. Uma vez comprovada a conduta ilícita, o dano e
o nexo causal, surge o dever de indenizar o dano moral sofrido pelos
autores, decorrente da morte por atropelamento da sua filha. O valor
estabelecido na primeira instância a título de reparação por danos
morais somente deve ser revisto nas hipóteses em que a condenação
é irrisória ou exorbitante, distanciando-se dos padrões de
razoabilidade, nos termos do verbete sumular 343 deste Tribunal: a
verba indenizatória do dano moral somente será modificada se não
atendidos pela sentença os princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade na fixação do valor da condenação. O montante
estabelecido na sentença, de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para cada
autor, está em consonância com os precedentes jurisprudenciais em
casos análogos. Recurso CONHECIDO e DESPROVIDO.” (0008836-
90.2015.8.19.0208 - APELAÇÃO - Des(a). CEZAR AUGUSTO
RODRIGUES COSTA - Julgamento: 12/12/2022 - DÉCIMA SÉTIMA
CÂMARA CÍVEL).
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ATROPELAMENTO COM
RESULTADO MORTE. ACIDENTE CAUSADO POR COLETIVO. VÍTIMA
QUE ERA FILHO DA 1ª AUTORA E IRMÃO DOS DEMAIS AUTORES.
SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. APELO DA RÉ,
SUSCITANDO CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA OU CULPA
CONCORRENTE, REDUÇÃO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E
EXCLUSÃO DO PENSIONAMENTO. ART. 37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO
DA REPÚBLICA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. CONDENAÇÃO
TRANSITADA EM JULGADO NA ESFERA CRIMINAL QUE IMPEDE A
REDISCUSSÃO SOBRE A AUTORIA DO FATO DANOSO.
POSSIBILIDADE DE ANÁLISE QUANTO À CULPA CONCORRENTE
ALEGADA. PRECEDENTE DO E. STJ. LAUDO DE EXAME DE LOCAL
DE ACIDENTE DE TRÂNSITO, ASSIM COMO DEPOIMENTO DAS
TESTEMUNHAS QUE SÃO CONTUNDENTES AO INDICAR CONDUTA
IRREGULAR ADOTADA PELO MOTORISTA DO ÔNIBUS, PREPOSTO
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DA RÉ, AO ULTRAPASSAR EM LOCAL PROIBIDO. INEXISTÊNCIA DE
QUALQUER CONTRIBUIÇÃO DA VÍTIMA PARA O ATROPELAMENTO,
QUE SE DEU NA PISTA DE ROLAMENTO CONTRÁRIA À VIA DO
COLETIVO. OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR QUE SE MANTÉM INCÓLUME.
ACERTO DA SENTENÇA QUE CONDENOU A RÉ AO PAGAMENTO DE
PENSIONAMENTO À GENITORA. PRESUNÇÃO DE DEPENDÊNCIA
ECONÔMICA ENTRE MEMBROS DE FAMÍLIA CONSIDERADA DE
BAIXA RENDA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 215 DESTA CORTE: "A
falta de prova da renda auferida pela vítima antes do evento danoso
não impede o reconhecimento do direito a pensionamento, adotando-
se como parâmetro um salário mínimo mensal". PENSIONAMENTO
FIXADO NO VALOR DE 2/3 (DOIS TERÇOS) DO SALÁRIO-MÍNIMO
NACIONAL QUE, TODAVIA, DEVE SER REDUZIDO PARA 1/3 DO
SALÁRIO- MÍNIMO. PENSÃO ESTABELECIDA EM FAVOR DO GENITOR
EM OUTRO FEITO. DANO MORAL CONFIGURADO. AUTORES QUE
PERDERAM FAMILIAR MUITO PRÓXIMO, DE FORMA ABRUPTA E
VIOLENTA. VALOR INDENIZATÓRIO ARBITRADO EM CONSONÂNCIA
COM OS CRITÉRIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
MONTANTE DE R$ 100.000,00 (CEM MIL REAIS) A SER PAGO À
GENITORA E R$ 30.000,00 (TRINTA MIL REAIS) A CADA IRMÃO. DADO
PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO. (0019355-79.2010.8.19.0021 –
APELAÇÃO - Des(a). MÔNICA FELDMAN DE MATTOS - Julgamento:
07/06/2022 - VIGÉSIMA PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL -)
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ.
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. VALOR DA INDENIZAÇÃO.
REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. PENSÃO. FAMÍLIA DE BAIXA
RENDA. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA PRESUMIDA.
[Link] INTERNO NÃO PROVIDO. [Link] caso dos
autos, conforme se extrai do acórdão recorrido, cuida-se de ação
indenizatória proposta em face do Município do Rio de Janeiro, em
virtude de erro médico em Hospital Municipal que teria ocasionado o
falecimento de recém nascida, filha dos autores. Julgada parcialmente
a demanda e interpostas apelações, o Tribunal de origem deu parcial
provimento ao recurso do réu, para excluir a condenação por danos
morais em relação à inexistente terceira autora, e deu provimento ao
recurso da parte autora para majorar os danos morais. 2. Não é
possível acolher a pretensão recursal no sentido de que o valor
arbitrado a título de danos morais se revela desproporcional e
desarrazoado. Isso porque, diante da ausência de flagrante
exorbitância do quantum indenizatório fixado em R$100.000,00, para
cada um dos genitores, seria necessário reexaminar o conjunto fático-
probatório dos autos para acolher a pretensão do recorrente, o que
não é possível em sede de recurso especial, em face do óbice da
Súmula 7/STJ. Frise-se que o Superior Tribunal de Justiça só pode
rever o quantum indenizatório fixado a títulos de danos morais em
ações de responsabilidade civil quando irrisórios ou exorbitantes, o
que não ocorreu na espécie. 3. O Tribunal a quo decidiu em
conformidade com a jurisprudência desta Corte de Justiça, no sentido
de que, em se tratando de família de baixa renda, se presume a
existência de ajuda mútua entre os integrantes da família, de modo que
não é exigida prova material para a comprovação da dependência
econômica do filho, para fins de obtenção de pensionamento mensal
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em virtude do falecimento deste. 4. Agravo interno não provido. (AgInt
no REsp 1934869/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 09/11/2021, DJe 11/11/2021)
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ACIDENTE EM RODOVIA.
ÓBITO DO MOTORISTA. INDENIZAÇÃO. PENSIONAMENTO MENSAL.
MAJORAÇÃO. DANO MORAL. QUANTUM. PRETENSÃO DE REEXAME
FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA
DO STJ. I - Na origem, trata-se de ação ajuizada contra o Departamento
de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER/SP)
objetivando indenização, por danos materiais e morais, em razão do
óbito do pai do autor, decorrente de colisão com animal que invadiu
via de responsabilidade do réu. II - Na sentença, julgou-se parcialmente
procedente o pedido, condenado o DER/SP ao pagamento: (i) a título
de dano material, de pensão no valor equivalente a 75% da
remuneração do de cujus, com termo inicial no mês seguinte à morte e
termo final na data em que a autora completar 18 anos, ou, em caso de
comprovar que continua a estudar, até que complete 24 anos, corrigido
anualmente pelo IPCA; (ii) a título de indenização por dano moral, de
R$ 100.000,00 (cem mil reais), corrigidos desde a data da prolação da
sentença e acrescido de juros legais de mora desde a citação e (iii) de
honorários advocatícios sucumbenciais de 10% do valor da
condenação (fls. 96-101). III - No Tribunal a quo, a sentença foi
parcialmente reformada "para determinar a aplicação dos índices das
cadernetas de poupança previstos no artigo 1º-F da Lei nº 9.494/1997,
com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009, à atualização e aos juros
de mora incidentes sobre o valor da condenação". Esta Corte
conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e
dar-lhe provimento para determinar que os termos inicial e final do
pensionamento sejam, respectivamente, a data do falecimento do de
cujus e o momento em que a recorrente completará 25 anos.
Determinou-se, ainda, que a correção monetária dos valores arbitrados
seja realizada com base no IPCA-E. IV - A jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça é firme no sentido de que é defeso a esta Corte
Superior modificar o entendimento da Corte de origem quando
necessário o reexame dos fatos e provas dos autos. V - A Corte a quo
analisou as alegações da parte e concluiu, no tocante ao pleito de
majoração do pensionamento mensal, que o arbitramento de 75% do
valor correspondente à renda do de cujus seria apropriado ao caso em
comento. VI - Verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia
dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à
matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o
reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da
Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de
provas não enseja recurso especial". Ressalte-se ainda que a
incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a,
impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da
patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse
sentido: (AgInt no REsp n. 1.354.214/RJ, relatora Ministra Assusete
Magalhães, Segunda Turma, julgado em 15/6/2020, DJe 19/6/2020 e
AgInt no AREsp n. 989.675/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira
Turma, julgado em 19/5/2020, DJe 27/5/2020.) VII - O referido percentual
não destoa do que esta Corte entende como pertinente em situações
como a presente, tendo em conta que o percentual faltante para
integrar os 100% seria utilizado pela vítima, para seu próprio sustento.
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A propósito, confiram-se: (AgRg no REsp n. 1.296.871/RO, relator
Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 27/6/2017,
DJe 2/8/2017 e AgRg no REsp n. 1.388.266/SC, relator Ministro
Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 10/5/2016, DJe
16/5/2016.) VIII - No tocante à pretensão de revisão da indenização por
danos morais, a jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de
que é admissível o reexame do valor fixado em hipóteses
excepcionais, quando for verificada a exorbitância ou a índole irrisória
da importância arbitrada, em flagrante ofensa aos princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade. A propósito, confiram-se: (AgInt
no REsp n. 1.287.225/SC, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma,
julgado em 16/3/2017, DJe 22/3/2017 e AgInt no AREsp n. 873.844/TO,
relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em
16/3/2017, DJe 27/3/2017). IX - A partir de tal entendimento, é preciso
determinar se o valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais), fixado nos
presentes autos, seria irrisório, conforme sustentado pela parte
recorrente. X - Para que se considere a verba irrisória ou excessiva, é
necessário efetuar um parâmetro com precedentes em casos, senão
idênticos, ao menos análogos, em que se possa verificar eventual
disparidade. Nesse sentido, os seguintes precedentes: (AgInt nos EDcl
no REsp n. 1.829.751/SE, relatora Ministra Assusete Magalhães,
Segunda Turma, julgado em 29/4/2020, DJe 5/5/2020, AgInt no AREsp n.
1.241.086/GO, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado
em 9/5/2019, DJe 4/6/2019 e REsp n. 1.736.448/PR, relator Ministro
Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 6/9/2018, DJe
16/11/2018.) XI - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp
1700675/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA,
julgado em 01/03/2021, DJe 15/03/2021)
29. Quanto à indenização por danos materiais consistentes nas
despesas com funeral, registre-se que a ausência de prova do pagamento
pelo serviço não invalida o pleito, porquanto as despesas com o funeral são
evidentes, e devem ser adimplidas, não demandando comprovação,
consoante jurisprudência da Corte Superior:
“EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. MORTE DA VÍTIMA.
CULPA E NEXO CAUSAL. REEXAME DE MATÉRIA DE FATO. PENSÃO
MENSAL DEVIDA AO FILHO. DIREITO DE ACRESCER. DESPESAS DE
FUNERAL. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE. SUCUMBÊNCIA
RECÍPROCA. CONFIGURAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. ACOLHIMENTO DOS
EMBARGOS, SEM ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. 1.
A adoção de entendimento diverso por esta Corte quanto à culpa e à
existência de nexo causal capaz de ensejar a responsabilização da
embargante demandaria reexame de fatos e provas, o que encontra
óbice na Súmula 7/STJ. 2. A jurisprudência deste Tribunal orienta que
"cabível o direito de acrescer à viúva a parcela dos filhos, quando
estes deixarem de receber a pensão" (AgRg no REsp 777.889/RJ, Rel.
Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 23.3.2011). 3.
Entende ainda esta Corte ser desnecessária a comprovação das
despesas de funeral da vítima. 4. A sucumbência recíproca ou em parte
mínima, estabelecida pelo Tribunal de origem, envolve contexto fático-
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probatório, cuja análise e revisão revelam-se interditadas a esta Corte
Superior, em face do óbice contido na Súmula 7 do STJ. 5. Embargos
de declaração acolhidos, sem alteração no resultado do julgamento.
(EDcl no AgRg no AREsp 151.072/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL
GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 21/08/2018, DJe 11/09/2018)”.
30. Quanto aos danos materiais, cabível o pensionamento
pleiteado, considerando que, se tratando de família de baixa renda, há
presunção relativa de colaboração financeira entre os seus membros, a
despeito de prova da dependência econômica.
31. Portanto, razoável que, em favor dos pais, seja arbitrado
pensionamento mensal, como forma de reparação pelo prejuízo material
inequívoco, resultante da perda da contribuição da vítima para o custeio das
despesas domésticas.
32. Considerando que a vítima faleceu aos 06 anos de idade e
ainda não exercia atividade remunerada, o pensionamento deverá
corresponder a 2/3 do salário mínimo vigente ao tempo da sentença até a
data em que completaria 25 anos de idade presumindo-se que 1/3 da
remuneração do falecido seria gasto com a sua própria subsistência. A partir
de então, impõe-se a redução da verba para 1/3 do salário mínimo, já que
supostamente constituiria sua própria família, até a data estimada de sua
expectativa de vida, com base na tabela do IBGE, ou até a data do óbito de
dos autores, conforme bem estabelecido na sentença.
33. Ademais, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é
pacífica quanto à idade em que deve se iniciar o pagamento de pensão
vitalícia em casos que envolvem menor de idade, o que ocorrerá a partir de
quando completaria 14 anos de idade, data que já poderia exercer a atividade
de aprendiz, conforme precedente abaixo:
“RECURSOS ESPECIAIS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS. FALECIMENTO DE MENOR IMPÚBERE VÍTIMA
DE AFOGAMENTO EM PISCINA DE CLUBE ASSOCIATIVO. CULPA IN
VIGILANDO. RESPONSABILIDADE CONCORRENTE DOS PAIS. NÃO
OCORRÊNCIA. PENSIONAMENTO AOS PAIS. FIXAÇÃO DO TERMO
FINAL. DATA EM QUE A VÍTIMA COMPLETARIA 65 ANOS DE IDADE,
SOB PENA DE JULGAMENTO ULTRA PETITA, ASSEGURADO O
DIREITO DE ACRESCER. RECURSO ESPECIAL DA RÉ DESPROVIDO E
PROVIDO PARCIALMENTE O DOS AUTORES. 1. Trata-se de ação de
indenização por danos materiais e morais decorrentes do falecimento
de menor impúbere, com 8 (oito) anos de idade, respectivamente, filho
e irmão dos autores, o qual, entre o término da aula na escolinha de
futebol e a chegada do responsável para buscá-lo, dirigiu-se à área da
piscina na companhia de seu irmão, de 7 (sete) anos, vindo a se
afogar. 2. Os autores fundaram o pedido inicial de responsabilização
da associação recreativa nos arts. 159, 1.518, e 1.537, I e II, do CC/1916,
sob o enfoque da responsabilidade subjetiva da ré em face da omissão
de seus prepostos como causa do fatídico acidente, razão pela qual o
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julgamento do recurso deve ser realizado sob esses parâmetros, sem a
necessidade de pronunciamento a respeito da incidência ou não das
normas consumeristas à hipótese, por se tratar de questão que ainda
enseja cizânia tanto no campo doutrinário quanto jurisprudencial, dada
a diversidade de situações envolvendo clubes recreativos que, a
depender do caso concreto, poderá ou não atrair sua aplicação. 3.
Tratando-se de acidentes em piscinas, poços, lagos e afins, em
princípio, a responsabilidade de quem explora esse tipo de atividade é
presumida, embora decorra da existência de conduta culposa, ou seja,
proveniente da responsabilidade subjetiva, a qual só poderá ser elidida
mediante a comprovação de alguma situação excludente prevista na
lei, como motivo de força maior, fato de terceiro ou fato exclusivo da
vítima. 4. No caso, conforme se depreende da moldura fática delineada
pelo Tribunal estadual - o que afasta a incidência da Súmula 7/STJ, não
se verifica a presença de nenhuma circunstância que possa afastar a
responsabilização da demandada pelo evento danoso e,
consequentemente, pelo dever de indenizar os danos causados. 5.
Diversamente, a partir do momento em que a associação recreativa
permitiu que os pais deixassem os filhos menores impúberes na
portaria do clube para frequentar as aulas na escolinha de futebol - o
que inclusive se tornou corriqueiro -, aceitou a incumbência de guarda
sobre eles, surgindo, em contrapartida, para ela o dever de zelar por
sua incolumidade física ou demonstrar que, se não o fez, foi por algum
motivo que escapou ao seu controle, a fim de tornar evidente que não
incorreu em falta de vigilância ou não agiu com culpa. 6. A
jurisprudência desta Corte tem reconhecido o dever de indenizar em
decorrência de acidente em piscina, tendo por base a negligência
quanto à segurança ou, em certos casos, o descumprimento do dever
de informação (REsp n. 1.226.974/PRRelator o Ministro João Otávio de
Noronha, Terceira Turma, DJe de 30/9/2014 e REsp n. 418.713/SP,
Relator o Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ de 8/9/2003). 7.
Na hipótese, não deve ser acolhida a alegação de culpa concorrente
dos pais, o que importaria em redução do valor da indenização, haja
vista que, tendo havido a aceitação tácita por parte da associação do
dever de guarda dos filhos dos autores, reside nesse fato o elemento
ontológico da responsabilidade, o qual se sobrepõe à eventual
ausência dos pais no momento do trágico incidente, como causa direta
e imediata do dano. 8. Segundo precedentes deste Tribunal, é devido o
pensionamento aos pais, pela morte de filho, nos casos de família de
baixa renda, equivalente a 2/3 do salário-mínimo ou do valor de sua
remuneração, desde os 14 até os 25 anos de idade e, a partir daí,
reduzido para 1/3 até a data correspondente à expectativa média de
vida da vítima, segundo tabela do IBGE na data do óbito ou até o
falecimento dos beneficiários, o que ocorrer primeiro. No caso, tendo
os recorrentes formulado pedido apenas para que o valor seja pago até
a data em que o filho completaria 65 (sessenta e cinco) anos, o recurso
deve ser provido nesta extensão, sob pena de julgamento ultra petita.
9. Cessando para um dos beneficiários o direito ao recebimento da
pensão, sua cota-parte será acrescida, proporcionalmente, em favor do
outro. 10. Recurso especial da ré desprovido e provido parcialmente o
dos autores.” (REsp 1346320 / SP, Ministro MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, DJe 05/09/2016).
34. Tudo bem ponderado, voto no sentido de conhecer da
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apelação, e no mérito, desprovê-la. Condeno em honorários recursais de 2%
do valor da condenação.
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2023.
Desembargador GILBERTO CAMPISTA GUARINO
Relator