1000
Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro
Décima Primeira Câmara de Direito Privado (antiga Vigésima Sétima
Câmara Cível)
Apelação Cível nº 0005462-76.2013.8.19.0001
Apelante1: Luiz Thiago Rodrigues Rosa REP/P/S/Mãe Érica Lopes Rodrigues Rosa
Apelante 2: Érica Lopes Rodrigues Rosa
Apelado: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Relatora: Des. Maria Luiza de Freitas Carvalho
ACÓRDÃO
Apelação. Ação indenizatória por danos morais
fundada em alegada falha na prestação do serviço de
saúde por ocasião de procedimento cirúrgico e
atendimentos médicos pós-cirúrgicos ministrados em
nosocômio público ao 1º autor, menor de idade. Em
se tratando, na espécie, de suposto dano causado por
agentes da pessoa jurídica de direito público, deve a
questão ser analisada segundo a norma inserta no
art. 37, § 6º da Constituição da República.
Responsabilidade objetiva do ente estatal que não é
irrestrita. Necessidade de comprovação do dano e do
nexo causal. Laudo pericial claro ao consignar que as
condutas adotadas pela equipe médica responsável
pelo atendimento do 1º autor se mostraram corretas
dentro do quadro apresentado. Nexo causal não
evidenciado. Embora extremamente lamentável a
situação dramática vivenciada pelos autores, fato é
que, em não sendo demonstrado o nexo causal entre
o dano sofrido e a conduta dos agentes, não há que
se falar em responsabilidade do réu. Precedentes
TJRJ. Sentença mantida.
RECURSO DESPROVIDO
Vistos, relatados e discutidos, nestes autos da apelação cível nº 0005462-
76.2013.8.19.0001, em que figuram como apelantes Luiz Thiago Rodrigues Rosa
REP/P/S/Mãe Érica Lopes Rodrigues Rosa e Érica Lopes Rodrigues Rosa.
ACORDAM os Desembargadores da VIGÉSIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL
DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, por UNANIMIDADE,
em desprover o recurso, nos termos do voto da relatora.
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MARIA LUIZA DE FREITAS CARVALHO:16078 Assinado em 20/04/2023 17:34:05
Local: GAB. DES(A) MARIA LUIZA DE FREITAS CARVALHO
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Apelação Cível nº 0005462-76.2013.8.19.0001
Na forma do permissivo regimental, adoto o relatório do juízo sentenciante,
assim redigido:
“Trata-se ação indenizatória proposta por LUIZ THIAGO
RODRIGUES ROSA, representado por sua genitora, ÉRICA
LOPES RODRIGUES ROSA, em face da UNIVERSIDADE DO
ESTADO DO RIO DE JANEIRO - UERJ, visando à reparação de
danos morais sofridos em razão de suposto erro médico. Com a
petição inicial vieram os documentos de f. 11/20. Despacho que
deferiu a gratuidade de justiça e determinou a citação do réu (f.
22). Contestação (f. 27/32). Réplica na f. 58/64. Decisão que
saneou o feito (f. 188). Laudo pericial nas f. 159/165. Solicitação
da expedição de ofício pela parte autora (f. 225). Nova
documentação juntada (f. 279 e seguintes). Complementação
pericial após a juntada dos novos documentos (f. 896/897).
Parecer ministerial final nas f. 916/917. É o relatório. Passo a
decidir.”.
A sentença de fls. 924/928 resolveu o mérito, adotando o seguinte dispositivo:
“I Por todo o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido, nos termos do art. 487, I,
Código de Processo Civil. Condeno a autora a pagar as custas processuais e os
honorários de sucumbência, estes fixados em 10% (dez por cento) do valor da causa,
observada a gratuidade de justiça já deferida. Transitada em julgado, dê-se baixa e
arquive-se. Publique-se. Intime-se.”
Apelam os autores (fls. 953/960) sustentando, em resumo, que, embora
acidentes cirúrgicos possam acontecer, não corrigir o erro imediatamente é inaceitável,
ainda mais se tratando de uma criança de um ano e cinco meses que, por pouco, não
veio a óbito, de forma que não há dúvida de que houve negligência, imprudência no
procedimento cirúrgico e, principalmente, no tratamento pós cirúrgico, haja vista que só
17 (dezessete) dias após a cirurgia foi realizado exame de US que constatou o
erro/procedimento médico cometido.
Recurso tempestivo, interposto sob a gratuidade de justiça (fl. 962).
Contrarrazões às fls. 970/974.
Manifestação do Ministério Público pelo desprovimento do recurso às fls.
990/994.
É O RELATÓRIO
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Apelação Cível nº 0005462-76.2013.8.19.0001
VOTO
Cuida-se de ação indenizatória por danos morais fundada em alegada falha
na prestação do serviço de saúde por ocasião de procedimento cirúrgico e atendimentos
médicos pós-cirúrgicos ministrados em nosocômio público ao 1º autor, menor de idade.
Segundo se extrai da inicial, o 1º autor foi internado no Hospital Universitário
Pedro Ernesto – HUPE, em 11/09/2012, para realização de cirurgia de retirada de hérnia
e fimose, com previsão de alta no mesmo dia e, após a colocação de sonda vesical em
razão da dificuldade em urinar apresentada, teve seu quadro agravado, apresentando
febre e inchaço abdominal, restando constatado, 19 dias após a internação (29/09/2012),
ter havido o rompimento da bexiga, sendo realizada nova cirurgia.
Consta, ainda, naquela peça que, após a alta ocorrida em 08/10/2012, o autor
continuou apresentando quadro de saúde instável, sendo novamente internado de
10/10/2012 até 17/10/2012 e que, por estar se sentindo mal, a genitora o levou, em
05/12/2012, ao Hospital réu, tendo o médico solicitado USG abdominal, sob a justificativa
de perfuração vesical, o que somente foi agendado em 08/01/2013. Asseveram os
autores que, quatro meses após a 1ª cirurgia, o menor ainda apresenta sequelas, o que
evidencia a falha na prestação do serviço em questão.
A sentença julgou improcedente o pedido ao fundamento de que
incomprovada a falha no atendimento médico.
Em se tratando, na espécie, de suposto dano causado por agentes da pessoa
jurídica de direito público, deve a questão ser analisada segundo a norma inserta no art.
37, § 6º da Constituição da República.
Tal dispositivo preconiza que os entes públicos podem ser responsabilizados
pelos danos causados aos particulares por atos comissivos ou por omissão. Enquanto
no primeiro caso a responsabilidade pode ou não advir de conduta culposa, a qual não
se perquire, visto que de cunho objetivo, na segunda, se genérica a omissão, será
subjetiva a responsabilidade, sendo necessário ao lesado provar a negligência, o dano
e o nexo causal entre ambos. Porém, em havendo omissão específica, que se traduz na
violação de dever objetivo de cuidado (STF. Plenário. RE 677139 AgR-EDv-AgR, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 22/10/2015), é de se reconhecer, tão somente, a
responsabilidade objetiva.
Como assentado pelo Eg. STF, “a jurisprudência dos Tribunais em geral tem
reconhecido a responsabilidade civil objetiva do Poder Público nas hipóteses em que o
“eventus damni” ocorra em hospitais públicos (ou mantidos pelo Estado), ou derive de
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Apelação Cível nº 0005462-76.2013.8.19.0001
tratamento médico inadequado, ministrado por funcionário público, ou, então, resulte de
conduta positiva (ação) ou negativa (omissão) imputável a servidor público com atuação
na área médica”. (AI 734689 AgR-ED, Relator(a): CELSO DE MELLO, Segunda Turma,
julgado em 26/06/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-167 DIVULG 23-08-2012
PUBLIC 24-08-2012
Por outro lado, a responsabilidade civil do Estado não é irrestrita, de modo
que esta deixará de existir ou incidirá de forma atenuada quando o serviço público não
for a causa do dano ou quando não for a sua causa única, tudo de acordo com a teoria
do risco administrativo.
Ademais, cumpre ao lesado comprovar o dano sofrido, bem assim que
referido dano tenha decorrido de uma conduta (ação ou omissão) praticada pelo ente
público, ou seja, é imperiosa a demonstração do nexo de causalidade.
Segundo a lição de SÉRGIO CAVALIERI FILHO (in Programa de
Responsabilidade Civil. Rio de Janeiro, 2007, Ed. Atlas, p 228): “(...) o constituinte adotou
expressamente a teoria do risco administrativo como fundamento da responsabilidade
da Administração Pública, e não a teoria do risco integral, porquanto condicionou a
responsabilidade objetiva do Poder Público ao dano decorrente da sua atividade
administrativa, isto é, aos casos em que houver relação de causa e efeito entre a
atividade do agente público e o dano.”
Na hipótese, todavia, o quadro probatório carreado aos autos não é capaz de
demonstrar que a ruptura da bexiga, que ocasionou a permanência do menor no
nosocômio por tempo superior ao esperado, bem assim a realização de nova cirurgia,
tenham decorrido da conduta adotada pelos prepostos do Hospital Estadual Pedro
Ernesto.
De fato, o laudo pericial foi claro ao consignar que as condutas adotadas pela
equipe médica responsável pelo atendimento do autor se mostraram corretas dentro do
quadro apresentado.
Confiram-se os seguintes trechos do laudo pericial (fls. 214 e 896/897):
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Apelação Cível nº 0005462-76.2013.8.19.0001
Cabe frisar que, a despeito de ter acusado erro grosseiro na espera de mais
de 24 horas para realização da segunda cirurgia a que o autor foi submetido (parte final
do item 7.2 ora colacionado), o perito, após ter acesso ao relatório cirúrgico, esclareceu
que “Aparentemente, estava programada uma uretrocistografia para o dia seguinte para
confirmação do diagnóstico, motivo pelo qual a plantonista pode ter optado por aguardar
até o dia seguinte.” (fl. 897).
Nesse sentido, verifica-se que o prolongamento da internação se deveu às
complicações enfrentadas pelo menor, notadamente a ruptura da bexiga, cuja
ocorrência, de acordo com o perito, embora rara, é possível em cirurgias abdominais.
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Apelação Cível nº 0005462-76.2013.8.19.0001
Assim, não restou configurado o nexo causal entre a ruptura do órgão e o
primeiro procedimento cirúrgico a que foi submetido o menor, tão pouco entre as
condutas adotadas no pós-operatório, consoante resposta da perito ao quesito 3
formulado pelos demandantes:
Note-se que a perita não relata qualquer tipo de desídia ou inobservância das
regras técnicas por parte da equipe médica responsável pelos cuidados do autor, sendo
impossível exigir dos médicos a capacidade de prever todas as intercorrências.
Portanto, embora extremamente lamentável a situação dramática vivenciada
pela parte autora, fato é que, em não sendo demonstrado o nexo causal entre o dano
sofrido e a conduta dos agentes, não há que se falar em responsabilidade do réu.
Confira-se, a propósito, a jurisprudência desta Corte:
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO ADMINISTRATIVO E
CONSTITUCIONAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. UPA E HOSPITAL
ESTADUAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. TEORIA DO
RISCO ADMINISTRATIVO (ART. 37, §6º DA CRFB/88).
AVALIAÇÃO ORTOPÉDICA DE EMERGÊNCIA. PROVA
PERICIAL. AUSÊNCIA DE NEXO CAUSAL. ART. 373, I, DO CPC.
MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. - Inconformismo da autora com a
improcedência do pedido de indenização por danos morais,
alegando que houve erro médico durante o atendimento
emergencial, eis que o réu não se utilizou de todos os meios a seu
alcance para resolver o problema do paciente, realizando um
atendimento com descaso e sem zelo. Requer o provimento do
recurso, para reformar a sentença e julgar procedente o pedido
reparatório. - Hipótese de responsabilidade civil objetiva do ente
público municipal, à luz da Teoria do Risco Administrativo (art. 37,
§ 6º, da CRFB/88). - Ausência de comprovação do nexo causal
entre os atendimentos emergenciais e a piora da fratura do pé
da autora, concluindo a perícia que o tratamento ministrado foi
adequado para fratura do quarto metatarso e que não há
sequelas e/ou déficit funcionais relacionados à fratura e
decorrentes de erro médico. - Para além disto, a autora não se
insurgiu contra o laudo pericial, tendo se quedado inerte ao ser
instada a se manifestar sobre o laudo técnico, o que configura
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Apelação Cível nº 0005462-76.2013.8.19.0001
verdadeira aceitação tácita dos argumentos e conclusão do expert.
- Considerando, pois, a inexistência de subsídios que apontem
falha omissiva ou comissiva do réu, impõe-se a manutenção do
decisum. DESPROVIMENTO DO RECURSO. (0124587-
28.2019.8.19.0001 - APELAÇÃO - Des(a). MARIA HELENA PINTO
MACHADO - Julgamento: 11/07/2022 - QUARTA CÂMARA
CÍVEL)
EMENTA: RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL. PROCEDIMENTO
CIRÚRGICO REALIZADO EM UNIDADE PÚBLICA DE SAÚDE.
ALEGAÇÃO DE ERRO MÉDICO QUE TERIA REDUNDADO EM
SEQUELAS FÍSICAS. PRETENSÃO DE RECEBIMENTO DE
REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS E ESTÉTICOS. SENTENÇA
DE IMPROCEDÊNCIA. 1 – Aplicação da teoria do risco
administrativo. Exegese do artigo 37, § 3º, da CR. Adoção
expressa, pelo constituinte, da teoria do risco administrativo como
fundamento da responsabilidade da Administração Pública. Nessa
toada, a responsabilidade objetiva do Poder Público está
condicionada ao dano decorrente da sua atividade administrativa,
ou seja, necessário haver nexo de causalidade entre a conduta e o
dano ocorrido. Conquanto o Estado responda objetivamente pelos
danos causados decorrentes da conduta omissiva do agente
estatal, consoante iterativa jurisprudência dos Tribunais
Superiores, não se olvida que indispensável que reste
insofismavelmente demonstrado o liame fático entre o indigitado
atuar omissivo e os danos suportados pelo jurisdicionado. Em
outras palavras, para que configure a responsabilidade civil do
Estado, tanto por ato comissivo quanto por ato omissivo, necessário
a comprovação de três pressupostos básicos: o evento danoso, a
qualidade de agente na prática do ato e o nexo causal entre eles,
sendo certo que a ausência de qualquer desses elementos inibe a
obrigação de indenizar. 2 – Cerceamento de defesa. Inocorrência.
Diversamente do asseverado pelo ora recorrente, o laudo
pericial apresentado pela expert não se revela inconcludente.
Ao revés, foi acuradamente elaborado, tendo sido promovida
a análise percuciente dos registros médicos pertinentes,
assim como, respondidos inequivocamente os quesitos
formulados, oportunidade na qual, com fundamento em
considerações de ordem técnica, a perita nomeada expôs suas
cristalinas conclusões. Inexiste qualquer justificativa plausível
para a determinação de inédita perícia por expert diverso, sendo
certo que a mera discordância da parte com as conclusões
apresentadas por profissional técnico, as quais, inclusive, foram
alicerçadas em exame físico e registros médicos, divorciada de
qualquer fundamento relevante, não se anuncia apta a recomendar
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Apelação Cível nº 0005462-76.2013.8.19.0001
o prolongamento da instrução probatória. Ausência de negativa de
vigência à norma inserta no art. 480 do CPC, porquanto cabe ao
magistrado avaliar se as questões de fato foram devidamente
esclarecidas e se há necessidade de dilação comprobatória,
precipuamente, considerando que o sistema processual pátrio
adota o princípio do livre convencimento motivado, nos termos do
art. 371, do referido diploma legal. 3 - Inexiste nos autos vestígios
de prova de que o autor tenha sido vítima de imperícia, ou de
qualquer conduta culposa do cirurgião médico ou de sua
equipe, quando da intervenção cirúrgica ultimada nas
dependências do nosocômio municipal. Pelo conjunto dos
elementos colacionados ao processo, não se visualiza na
atuação do médico cirurgião o afastamento do bom caminho,
da boa conduta, devido a uma percepção errônea dos fatos. Ao
revés, a circunstâncias sinalizam no sentido de um atuar
pautado nos protocolos médicos pertinentes ao caso
concreto, sem que se possa extrair com clareza alguma
evidência de erro médico. Despiciendo ao deslinde da
controvérsia o fato de ter se mostrado inviável a determinação da
real causa da sequela ostentada pelo postulante, quer de origem
traumática ou cirúrgica, precipuamente, considerando que a expert,
de forma peremptória, ressaltou em suas conclusões que “mesmo
sendo causada por uma lesão intra operatória, essa complicação é
inerente ao procedimento cirúrgico e não constitui um erro, mas sim
uma complicação possível”. Propício consignar que há situações
em que o dano físico subsequente ao ato cirúrgico é causado não
por falha no exercício do profissional médico ou emprego de técnica
inadequada, mas sim, por reações inesperadas do corpo humano,
que ocorrem mesmo diante de uma conduta médica correta,
assentada em normas e princípios da profissão, hipótese esta que
se amolda ao caso sub judice. A responsabilidade do ente público,
embora objetiva, não é absoluta, podendo ser afastada quando
inexistir a culpa do profissional médico. Não é preciso que a culpa
do médico seja grave: basta que seja certa. Tem que haver
certeza na presença de culpa, no agir do médico, pois a
atribuição de responsabilidade e condenação por erro médico
exige elementos objetivos e seguros e não meras
possibilidades ou conjecturas de que males que surgem após
a intervenção médica sejam frutos dessa intervenção.
Inarredável a conclusão de que não se vislumbra qualquer ilicitude
no atuar dos profissionais médicos, tampouco, relação de causa e
efeito entre a atividade exercida pelo agente público e o dano
suportado pelo requerente, ressaltando-se, por oportuno, que sem
o liame de causalidade entre o fato e o dano, não se admite a
obrigação de indenizar, precipuamente, porque a causalidade
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constitui o fundamento da responsabilidade objetiva do Estado.
RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. (0279015-
17.2009.8.19.0001 – APELAÇÃO - Des(a). MURILO KIELING -
Julgamento: 07/06/2021 – VIGÉSIMA TERCEIRA CÂMARA
CÍVEL)
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ALEGAÇÃO DE
FALHA NO ATENDIMENTO MÉDICOHOSPITALAR PRESTADO
PELO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO, CARACTERIZADO
POR ATENDIMENTO QUE RESULTOU NO FALECIMENTO DO
GENITOR DA AUTORA. REALIZADA PROVA TÉCNICA
PERICIAL. NEXO CAUSAL NÃO COMPROVADO. SENTENÇA
DE IMPROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO DA AUTORA. PROVA
TÉCNICA SUFICIENTE AO JULGAMENTO DA LIDE. PERÍCIA
CONCLUSIVA PELA INEXISTÊNCIA DO ALEGADO ERRO
MÉDICO OU DE FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO
MÉDICO-HOSPITALAR. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA
MANTIDA. PRECEDENTES. RECURSO A QUE SE NEGA
PROVIMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS MAJORADOS
PARA 12% SOBRE O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA, NA FORMA
DO ART. 85 §11 DO CPC, OBSERVADA A GRATUIDADE DE
JUSTIÇA DEFERIDA. (0102490-05.2017.8.19.0001 - APELAÇÃO -
Des(a). HUMBERTO DALLA BERNARDINA DE PINHO -
Julgamento: 02/02/2023 - VIGÉSIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL)
Desse modo, a sentença merece ser mantida tal qual lançada.
Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO
e, consequentemente, majorar os honorários advocatícios para 12% sobre o valor
da causa, nos termos do art. 85 §11 do CPC, observada a gratuidade de justiça, na
forma do art. 98, §3º, do CPC.
Rio de Janeiro, 20 de abril de 2023.
Desembargadora MARIA LUIZA DE FREITAS CARVALHO
Relatora
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