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Apelação Cível por Erro Médico RJ

A apelação cível de Isabelle da Silva Machado contra a Casa de Saúde Santa Rita de Cassia e a Unimed Rio foi julgada improcedente, com a sentença fundamentada na ausência de erro médico e na gravidade das comorbidades da filha da autora. O tribunal não conheceu do recurso, pois a autora não impugnou especificamente os fundamentos da decisão anterior, violando o princípio da dialeticidade. A decisão foi unânime e reafirmou que a improcedência do pedido não configura prêmio às rés, mas sim a falta de evidências de ilicitude em suas condutas.

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Apelação Cível por Erro Médico RJ

A apelação cível de Isabelle da Silva Machado contra a Casa de Saúde Santa Rita de Cassia e a Unimed Rio foi julgada improcedente, com a sentença fundamentada na ausência de erro médico e na gravidade das comorbidades da filha da autora. O tribunal não conheceu do recurso, pois a autora não impugnou especificamente os fundamentos da decisão anterior, violando o princípio da dialeticidade. A decisão foi unânime e reafirmou que a improcedência do pedido não configura prêmio às rés, mas sim a falta de evidências de ilicitude em suas condutas.

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1271

Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro


Quarta Câmara de Direito Privado
Apelação Cível nº: 0000358-34.2016.8.19.0087

Vara de origem: 1ª Vara Cível da Regional de Alcântara


Apelante: Isabelle da Silva Machado
Apelada 1: Casa de Saúde Santa Rita de Cassia Ltda.
Apelada 2: Unimed Rio Coop. de Trabalho Médico do RJ Ltda.
Juiz: Dr. Denise Appolinaria dos Reis Oliveira
Relator: Des. Cristina Tereza Gaulia
Ementa: Apelação cível. Responsabilidade civil por erro
médico. Relação de consumo. Erro médico. Sentença
que julgou improcedente o pedido autoral. Julgado que se
baseou em laudo pericial. Recurso da autora que
apresenta argumentos dissociados da fundamentação da
sentença e ao não impugnar especificadamente os
fundamentos da decisão atacada, deixou de atender ao
princípio da dialeticidade dos recursos, que é uma
exigência do princípio do contraditório, para possibilitar à
parte contraria a defesa de seus interesses e o órgão
jurisdicional a fundamentação de sua decisão. Princípio
da dialeticidade. Inteligência do art. 1.010, III CPC. Falta
de cotejo lógico-argumentativo ao apelo. Precedentes
desta Corte. Recurso não conhecido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os argumentos da apelação cível de referência


em que são partes as acima indicadas, ACORDAM os Desembargadores da
Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro,
por unanimidade, em NÃO CONHECER do recurso, na forma do voto do
Relator.

RELATÓRIO

Trata-se de apelação cível à sentença da 1ª Vara Cível da


Regional de Alcântara interposta por Isabelle da Silva Machado que, nos
autos da ação indenizatória por danos morais movida em face de Unimed Rio
Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda. e da Casa de Saúde
Santa Rita de Cassia Ltda., complementada pela decisão de fls. 1209/1210,
julgou improcedente o pedido, condenando a autora ao pagamento das
despesas processuais e honorários advocatícios de 10% do valor da causa,
observa da gratuidade de justiça.

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Assinado em 28/03/2023 13:15:44


CRISTINA TEREZA GAULIA:9697 Local: GAB. DES(A). CRISTINA TEREZA GAULIA
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Apelação Cível nº: 0000358-34.2016.8.19.0087

Refere a sentença que, da análise dos documentos acostados


aos autos, bem como do laudo pericial emitido pelo perito do juízo, não restou
demonstrado erro no procedimento adotado pelas rés; que a filha da autora
era portadora de doença congênita grave e outras comorbidades, o que
favoreceu a proliferação das bactérias que causaram sua morte; que a perícia
apontou não ser incomum o surgimento de tais infecções diante do quadro de
saúde da filha da autora, existindo ainda, em razão do curto tempo entre a
internação e o exame que constatou a infecção, verossimilhança nos fatos
alegados pela segunda ré, de que a menor já estaria acometida de infecção
proveniente de tais bactérias quando do momento de sua internação; que não
houve demonstração de ilicitude a ser atribuída as rés a ensejar a
condenação das mesmas.

Apela a autora, às fls. 1187/1193, alegando que a indenização


por danos morais, que deve punir o causador do ilícito, não poderia se
mostrar complacente com o mesmo; que deveria o magistrado fixar o
quantum indenizatório de forma satisfatória e exemplar, considerando a
gravidade dos danos causados, já que perdera sua filha, vítima da negligência
no atuar das rés; que deveria o juízo de piso fixar indenização em valor que
desestimule as rés a agirem de forma negligente, buscando melhor diligenciar
em suas operações; que a improcedência do pedido seria um prêmio às rés,
pois além de não afetá-las, descaracterizaria, principalmente, o caráter
punitivo e o efeito pedagógico da indenização; que as rés deveriam sofrer
condenação elevada, para que sirva como reprimenda de modo que não
voltem a cometer a mesma conduta, proporcionando por outro lado uma
compensação pelo desgosto, dor, perda de tempo útil, tristeza, angústia e
humilhação sofrida. Requereu o provimento do recurso para que o pedido seja
julgado procedente.

Contrarrazões da segunda ré (Casa de Saúde Santa Rita de


Cassia Ltda.), às fls. 1219/1228, sustentando que a autora não teria refutado
uma linha sequer da sentença, se limitando a informar que a mesma deveria
ser revertida como caráter punitivo e pedagógico; que a autora não teria se
manifestado sobre as provas produzidas, mormente a pericial que apontou
que a paciente já ingressou no hospital com as bactérias; que a filha da autora
quando levada ao hospital já estaria com quadro infeccioso, fazendo uso,
inclusive, de medicamentos anteriormente prescritos em outra unidade de
saúde; que a criança já estaria colonizada pelos germes staphylococcus

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aureus (MARSA) e slebsiella pneumoniae (ESBL +), conforme constatado nos


exames de swab nasal e retal de 30/04/2015; que os germes (MARSA e
ESBL) apresentados pela filha da autora, seriam comumente detectados em
pacientes com doenças crônicas, necessidades de reinternação frequente e
procedimentos de repetição; que a menor apresentava hidrocefalia crônica e
bexiga neurogênica, necessitando de cateterismo vesicais com frequência;
que qualquer procedimento cirúrgico realizado antes do controle clínico do
caso, poderia disseminar mais ainda a infecção, com piora do quadro da
paciente; que com a evolução do quadro, a neurocirurgiã, em 16/05/2015,
indicara o procedimento cirúrgico, sendo autorizado pelo plano de saúde em
19/05/2016 e realizado no mesmo dia; que em casos de infeção no sistema, o
procedimento mais indicado seria a derivação ventricular externa com
programação futura, após a melhora do quadro infeccioso, de nova derivação
ventrículo-peritoneal; que, ao contrário do que teria afirmado a autora, após o
procedimento cirúrgico, o neurocirurgião indicara o reencaminhamento da
menor ao CTI pediátrico para manutenção do tratamento clínico; que a
segunda intervenção cirúrgica não teria caráter de urgência, eis que serviria
para retirada do sistema de derivação ventricular externa e implantação do
sistema de derivação ventrículo peritoneal; que não teria havido pedido de
autorização de um segundo procedimento cirúrgico em 19/05/2015, mas
somente no dia 03/06/2015, após a estabilização do quadro clínico, que foi
autorizado pela Unimed em 11/06/2015; que a menor teria evoluído de forma
arrastada, com difícil manejo clínico devido ao quadro infeccioso e às
comorbidades pré-existentes, inviabilizando novo procedimento cirúrgico, indo
à óbito em 14/06/2015; que o perito teria esclarecido de forma minuciosa a
hidrocefalia e a infecção do sistema de derivação ventrículo peritoneal,
ressaltando que a infecção seria comum, e não sendo combatida por
antibióticos, o correto seria a remoção do sistema infectado, colocando
temporariamente uma derivação ventricular externa até o controle da
infecção, como teria procedido. Requereu o desprovimento do recurso.

Contrarrazões da primeira ré (Unimed Rio Cooperativa de


Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda.), às fls. 1230/1240, aduzindo que o
laudo pericial teria comprovado a ausência de conduta ilícita; que a filha da
autora era portadora de outras comorbidades como bexiga neurogênica
refratária, realizando cateterismos vesicais intermitentes, o que, por si só, teria
propiciado infecções repetidas do trato urinário; que as internações, exames,
pareceres e outras solicitações teriam sido autorizadas sem quaisquer críticas

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ou postergações; que inexistiu falha na conduta médica, negligência,


imprudência ou imperícia capaz de se cogitar qualquer erro médico; que não
haveria nexo de causalidade entre a conduta e o suposto dano ocorrido.
Requereu o desprovimento do recurso.

Certidão, à fl. 1260, informando a ausência de manifestação da


apelante acerca do argumento trazido pela segunda ré (Casa de Saúde Santa
Rita de Cassia Ltda.), às fls. 1219/1228, sobre o desrespeito ao princípio da
dialeticidade.

É o relatório.

VOTO

O recurso é tempestivo, conforme fl. 1194, tendo as custas sido


corretamente recolhidas, devendo ser o mesmo admitido.

A autora ajuizou ação de responsabilidade civil contra as rés


(plano de saúde e nosocômio), sustentando ter sofrido dano moral indenizável
em decorrência de suposto erro médico que levou à óbito sua filha.

Alegou que, no dia 26/04/2015, levou sua filha menor de idade


(12 anos) e portadora de hidrocefalia congênita, em razão de fortes dores
abdominais e febre, à sede da segunda ré (Casa de Saúde Santa Rita de
Cassia Ltda.), tendo a criança, no dia 30/04/2015, contraído bactérias
multirresistentes que, em conjunto com os obstáculos criados pela primeira ré
(Unimed Rio Cooperativa de Trabalho Médico do RJ Ltda.) quanto às
autorizações dos procedimentos, levaram a menor à óbito.

A sentença julgou improcedente o pedido, sob o fundamento


de não ter sido demonstrado erro nos procedimentos adotados pelas rés, na
medida em que, conforme esclarecido pela perícia médica, a filha da autora
era portadora de doença congênita grave e outras comorbidades, o que
favoreceu a proliferação das bactérias que causaram sua morte, não sendo
incomum o surgimento de tais infecções diante do quadro de saúde da
mesma.

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A autora, em sua apelação, apresenta argumentos dissociados


da fundamentação da sentença que se baseou na ausência de nexo de
causalidade, diante do laudo pericial que afastou a ocorrência de erro médico
em razão do grave quadro clínico congênito da filha da autora.

Ao não impugnar especificadamente os fundamentos da


decisão atacada, deixou a autora de atender ao princípio da dialeticidade dos
recursos, que é uma exigência do princípio do contraditório, para possibilitar à
parte contrária a defesa de seus interesses e ao órgão jurisdicional a
fundamentação de sua decisão, conforme consta do art. 1.010, III, do CPC,
verbis:

“A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro


grau, conterá:
(...)
III - as razões do pedido de reforma ou de decretação de
nulidade.”

A fundamentação específica do recurso é portanto requisito


essencial para sua admissibilidade, pois sua ausência impede o órgão ad
quem de aferir a existência de error in judicando ou de error in procedendo no
ato impugnado.

Nesse sentido leciona Daniel Amorim Assumpção Neves1:

“... o princípio da dialeticidade diz respeito ao segundo


elemento, exigindo do recorrente a exposição da
fundamentação recursal (causa de pedir: error in judicando e
error in procedendo) e do pedido (que poderá ser de anulação,
reforma, esclarecimento ou integração). Tal necessidade se
ampara em duas motivações: permitir ao recorrido a
elaboração das contrarrazões e fixar os limites de atuação do
Tribunal no julgamento do recurso (...). Por outro lado, o pedido
se mostra indispensável na formulação de qualquer recurso
porque, ao lado da fundamentação, limita a atuação e decisão
do Tribunal, considerando-se a regra do tantum devolutum
quantum appelatum ...”

Conclui-se por conseguinte ser inepto o presente recurso, não


devendo ser o mesmo conhecido, por defeito na regularidade formal (requisito

1 Manual de direito processual civil, editora Juspodivm, 8ª edição, 2016, pág. 1.490.

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extrínseco de admissibilidade recursal), nos termos do art. 932, III, do CPC, in


verbis:
“Art. 932. Incumbe ao relator:
(...)
III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que
não tenha impugnado especificamente os fundamentos da
decisão recorrida;”

Confira-se a jurisprudência do STJ e desta Corte:

“AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO


ESPECIAL. RECEPTAÇÃO. SUSTENTAÇÃO ORAL. NÃO
CABIMENTO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. AUSÊNCIA
DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO
AGRAVADA. SÚMULA N. 182/STJ. AGRAVO REGIMENTAL
NÃO CONHECIDO.
1. Conforme se extrai do art. 7.º, § 2.º-B, do Estatuto da Ordem
dos Advogados do Brasil, inserido pela Lei n. 14.365/22, o
recurso interposto contra decisão que não conhecer de agravo
em recurso especial não foi incluído entre as espécies
recursais que admitem a sustentação oral.
2. O princípio da dialeticidade impõe ao Agravante o ônus
de demonstrar o desacerto da decisão agravada. No caso,
nas razões do agravo regimental, o Recorrente não
rebateu, especificamente, o fundamento da decisão
recorrida. Aplicação da Súmula n. 182/STJ.
3. Agravo regimental não conhecido.”
(AgRg no AREsp n. 2.192.467/SP, relatora Ministra Laurita
Vaz, Sexta Turma, julgado em 18/10/2022, DJe de
24/10/2022.)

“AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO


NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JULGADO.
ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ADMISSIBILIDADE.
DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. ART.
932, INCISO III, DO CPC/2015. RAZÕES GENÉRICAS.
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. PEDIDO DE SUSPENSÃO.
ATO PROCESSUAL. NULIDADE NÃO DECRETADA.
PREJUÍZO. AUSÊNCIA.
1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na
vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados
Administrativos nºs 2 e 3/STJ).
2. Incumbe ao agravante infirmar especificamente todos os
fundamentos da decisão atacada, demonstrando o seu
desacerto, de modo a justificar o cabimento do recurso
especial interposto, sob pena de não ser conhecido o
agravo (art.932, inciso III, do CPC/2015).

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3. Na hipótese, não tendo as agravantes demonstrado prejuízo
algum resultante do julgamento do feito, não há falar em
nulidade do ato processual por falta de suspensão do feito.
4. Nos termos da jurisprudência desta Corte, o princípio do pas
de nullité sans grief exige, em regra, a demonstração de
prejuízo concreto à parte que suscita o vício, podendo ser ela
tanto a nulidade absoluta quanto a relativa, pois não se decreta
nulidade processual por mera presunção.
5. Agravo interno não provido.”
(AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.040.994/SP, relator Ministro
Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em
17/10/2022, DJe de 24/10/2022.)

0021539-26.2014.8.19.0002 – APELAÇÃO - Des(a). TERESA


DE ANDRADE CASTRO NEVES - Julgamento: 06/10/2022 -
VIGÉSIMA SEGUNDA CÂMARA CÍVEL
“ACÓRDÃO APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL.
ERRO MÉDICO. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. DIREITO
PROCESSUAL CIVIL. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE.
APELANTE QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DA
SENTENÇA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. 1-
Relação de consumo, portanto, incidem as regras dispostas no
CDC. 2- Falecido Autor com diagnóstico de ("esporão
calcâneo"), sendo indicado o tratamento fotoquímico e sessões
com laser. 3- Alegação de queimaduras com área de necrose,
devido à incidência do laser "infravermelho", niro da empresa.
Ré. 4- Morte do Autor no curso da demanda. 5- Habilitação dos
herdeiros. 6- Magistrado a quo reconheceu a ausência de
responsabilidade da Ré, considerando que o laudo pericial é
conclusivo no sentido de que as lesões apresentadas pelo
Autor eram preexistentes e não foram em consequência do
tratamento de fototerapia realizado pela empresa. 7- Para que
um recurso seja conhecido, é imprescindível a observância
ao princípio da congruência/dialeticidade, que exige que
todo o recurso seja formulado com a indicação dos
motivos de fato e de direito pelos quais se cogita um novo
julgamento. 8- Razões recursais que não impugnaram
especificamente os fundamentos da sentença, limitando-se
a narrar os fatos sob sua ótica e a peça da impugnação ao
laudo pericial (indexadores 306/310), de onde se infere,
portanto, que não podem ser conhecidas. 9- Manutenção da
sentença. 10- NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, por
ausência de requisito de admissibilidade, na forma do art. 932,
III c/c 1010, III, todos do NCPC.”

0208264-58.2016.8.19.0001 – APELAÇÃO - Des(a). MURILO


ANDRÉ KIELING CARDONA PEREIRA - Julgamento:
02/03/2021 - VIGÉSIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL
“RECURSO DE APELAÇÃO. AÇÃO COMPENSATÓRIA POR
DANOS MORAIS. DIREITO ADMINISTRATIVO. ERRO

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MÉDICO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.
SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO DA
PARTE AUTORA QUE NÃO DEVE SER CONHECIDA.
Ausência de correlação recursal. Razões de apelo dissociadas
dos fundamentos da decisão atacada. Manifesta
inadmissibilidade. Princípio da dialeticidade. Conteúdo fático
constante dos autos e afirmados na sentença dos quais se
distancia a recorrente em suas razões recursais. Inteligência do
art. 1.010, incisos II e III, CPC/2015 (que repete os incisos II e
III do art. 514 do CPC/1973). Afora hipótese de interesse
público ou direito indisponível, a matéria devolvida ao exame
do Tribunal se limita aos termos da impugnação do apelante à
sentença, de modo que deve haver dialeticidade entre a ratio
decidendi e os fundamentos do pedido recursal. Ausência de
estabelecimento de uma relação dialética entre o teor da
sentença impugnada e o conteúdo do apelo. Nessas
circunstâncias, o não conhecimento do recurso
manifestamente inadmissível, ao revés de excessivo
formalismo, é a única solução possível que se põe ao
julgador, na absoluta ausência de impugnação da ratio
decidendi, aliada à impossibilidade de se proferir decisão
não adstrita aos limites objetivos traçados na petição
inicial. Falta de impugnação dos fundamentos da sentença
que impede o conhecimento do recurso por inobservância
ao disposto no art. 1.010, incisos II e III, do CPC/2015.
Ofensa ao princípio da dialeticidade. Inépcia da apelação.
Precedentes do STJ e do TJRJ. RECURSO NÃO
CONHECIDO.”

Isso posto, VOTO no sentido do NÃO CONHECIMENTO do


recurso, mantendo-se a sentença tal como lançada.

Rio de Janeiro, 28 de março de 2023.

Des. Cristina Tereza Gaulia


Relator

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