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Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro
Primeira Câmara Cível
Apelação Cível nº 0028740-34.2017.8.19.0206
Apelante: Hospital de Clínicas Santa Cruz Ltda
Apelado: Maria Luisa Lourenço De Lima Rep/P/S/Mãe Cristiny Lourenço
Pinto
Relator: Des. Custódio de Barros Tostes
ACÓRDÃO
APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR.
EXAME DO CORAÇÃO REALIZADO
EM MENOR. ALTERAÇÃO NO
VENTRÍCULO DIREITO. FATO QUE
PROVOCOU GRANDE COMOÇÃO E
TRISTEZA EM TODA SUA FAMÍLIA.
DIAGNOSTICO EQUIVOCADO. PROVA
PERICIAL QUE CONFIRMA A TESE
AUTORAL. ROTINA DE
INVESTIGAÇÃO DE DOENÇA
CORONARIANA DE FORMA
DESNECESSÁRIA. AVALIAÇÃO
INADEQUADA DO QUADRO CLÍNICO.
DESGASTE PSICOLÓGICO.
ABORRECIMENTO QUE EXTRAPOLA
ESFERA DA NORMALIDADE. DANO
MORAL. VALOR DA INDENIZAÇÃO
QUE DEVERÁ SER MINORADO.
APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA
PROPORCIONALIDADE E DA
RAZOABILIDADE.
PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO
DE APELAÇÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos da Apelação Cível
nº 0028740-34.2017.8.19.0206, em que é apelante HOSPITAL DE
CLÍNICAS SANTA CRUZ LTDA e apelado MARIA LUISA LOURENÇO
DE LIMA REP/P/S/MÃE CRISTINY LOURENÇO PINTO.
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LL 1
Assinado em 07/05/2023 20:09:57
CUSTODIO DE BARROS TOSTES:9687 Local: GAB. DES CUSTODIO DE BARROS TOSTES
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Apelação Cível nº 0028740-34.2017.8.19.0206
A C O R D A M os Desembargadores da Primeira Câmara
Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por UNANIMIDADE de votos,
pelo PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO DE APELAÇÃO, nos
termos do voto do Relator.
RELATÓRIO
Trata-se de ação de rito comum proposta por MARIA LUISA
LOURENÇO DE LIMA REP/P/S/MÃE CRISTINY LOURENÇO PINTO
contra HOSPITAL DE CLÍNICAS SANTA CRUZ LTDA, com o fim de
haver, em razão da falha do diagnóstico e tratamento deferido a menor, a
indenização por dano moral.
Proferida a sentença, restou declarado na parte dispositiva o
seguinte (index 000244):
Posto isso, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para
condenar o demandado ao pagamento de indenização
a título de compensação por dano moral no valor de R$
24.000,00 (vinte e quatro mil reais), corrigido
monetariamente conforme a tabela de índices fornecida
pela CGJ/RJ, a partir desta data, e acrescido de juros
moratórios de 1% (um por cento) ao mês, a contar da
data de citação. Por consequência, RESOLVE-SE O
MÉRITO, nos termos do artigo 487, I, CPC. Condeno o
demandado ao pagamento das custas, despesas
processuais e honorários advocatícios fixados em
15% sobre o valor da condenação, com fulcro no artigo
85, § 2º do CPC.
Apelou a parte ré, sustentando, em síntese, a ausência do
ilícito, do nexo causal, do dano e o excesso do valor arbitrado a título de
indenização por dano moral (index 000297).
O recurso é tempestivo e foi devidamente contrarrazoado.
A Procuradoria de Justiça opinou pelo provimento parcial do
recurso de apelação.
É o relatório.
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LL 2
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Apelação Cível nº 0028740-34.2017.8.19.0206
VOTO
A autora, menor de idade, sustenta que, no dia 05 de maio
de 2017, foi submetida a um exame do coração, sendo o resultado
entregue somente no mês de setembro do mesmo ano.
Relata a autora que, após 04 (quatro) dias da data marcada
à entrega do resultado do exame, o profissional habilitado pelo hospital
diagnosticou uma alteração no seu ventrículo direito, fato que provocou
grande comoção e tristeza em toda sua família.
Afirma a autora que, encaminhado o laudo hospitalar a sua
pediatra, obteve a informação no sentido de que o diagnóstico declarado
estava equivocado, pois não foi considerada a sua idade, fator
preponderante na avaliação clínica, o que foi confirmado com a
realização de um novo exame.
A relação articulada entre as partes é colhida pelo
microssistema do Código de Defesa do Consumidor. Verificam-se, no
caso concreto, todos os requisitos objetivos e subjetivos que qualificam
as figuras dos artigos 2º e 3º da Lei 8.078/90.
Por se tratar de matéria técnica, deferida a prova pericial, o
expert declarou em suas conclusões o seguinte (index 000179):
Não há dados nos autos que nos permita afirmar, que
os exames a que foi submetida a Autora eram
indispensáveis para esclarecer a origem da dor
torácica. Considerando ainda a ausência completa de
dados, sequer podemos definir que esta dor possuía
características essencialmente cardiológicas.
Em seus esclarecimentos (index 000223), o perito do juízo
afirmou que a criança foi submetida a uma rotina de investigação de
doença coronariana de forma desnecessária, sendo realizada uma
avaliação inadequada do quadro clínico.
Da prova colhida, verifica-se que houve falha no atendimento
realizado pelos prepostos da ré, o que culminou em uma rotina
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desnecessária de investigação de doença coronariana, causando a
menor e a sua família desgaste psicológico demasiado.
Nessa perspectiva, demonstrado que o atendimento
disponibilizado não observou a melhor técnica, o que acarretou a
declaração de um diagnóstico equivocado, por certo, se deparou a autora
com o aborrecimento que extrapola esfera da normalidade, configurando
o dano imaterial a ser indenizado.
No entanto, quanto ao valor da indenização, necessário se
faz a sua adequação aos princípios da razoabilidade e da
proporcionalidade.
Como bem destacado pela Procuradoria de Justiça, a menor
e seus familiares passaram por momentos de apreensão e angústia, em
decorrência de um erro de diagnóstico, porém, não se deparou a autora
com risco à integridade física e à vida, motivo pelo qual deverá ser
minorado o valor da indenização.
O nosso Tribunal vem enfrentando hipóteses assemelhadas:
APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL.
ERRO MÉDICO. ATENDIMENTO EM HOSPITAL
PARTICULAR. DEMORA INJUSTIFICADA PARA A
ELABORAÇÃO DE DIAGNÓSTICO QUE
PROLONGOU DEMASIADAMENTE O SOFRIMENTO
DO PACIENTE E MAJORARAM OS RISCOS A QUE
SE SUBMETEU. NEGLIGÊNCIA E IMPERÍCIA DA
EQUIPE MÉDICA DEMONSTRADAS. LAUDO
PERICIAL QUE É CLARO EM APONTAR A
OCORRÊNCIA DE ERRO MÉDICO. DANO MATERIAL
E DANO MORAL. VALOR DA INDENIZAÇÃO. Cuida-
se de ação indenizatória em que o autor narrou que
deu entrada no setor de emergência do hospital réu,
com quadro agudo de dores fortes e atípicas na região
abdominal e que passados quase 4 dias e com
agravamento na intensidade das dores sofridas, ainda
não tinha o diagnóstico correto e que não obteve a
devida atenção e tratamento da equipe do hospital.
Informou que sua família precisou buscar assistência
médica particular e que a equipe contratada
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rapidamente realizou os exames realmente
necessários, formou o diagnóstico em que se definiu
como causa principal a vesícula necrosada que,
secundariamente, teria causado prejuízos ao pâncreas;
e imediatamente o conduziu para a realização da
cirurgia de emergência. Sentença que julgou
procedentes os pedidos para condenar o réu ao
pagamento de R$ 46.000,00 (quarenta e seis mil reais)
por danos materiais, acrescidos de juros de mora
desde a citação e correção monetária desde o
desembolso, bem como ao pagamento de R$
10.000,00 (dez mil reais) por danos morais, acrescidos
de juros de mora desde a citação e correção monetária
do arbitramento. Condenou o réu, ainda, ao pagamento
das despesas processuais e honorários advocatícios
que fixou em 10% sobre o valor da condenação.
Irresignação acerca da pericia que não merece
prosperar. Laudo pericial que se ateve ao objeto da
perícia, formulou observações que foram importantes à
compreensão da dinâmica dos fatos e das condutas
adotadas e concluiu de forma satisfatória o múnus que
lhe foi atribuído. No mérito, importa pontuar que o laudo
pericial foi claríssimo ao apontar as negligências e
imperícias cometidas pelo corpo médico. Saliente-se
que o apelante, embora tenha defendido a todo o
tempo o acerto do diagnóstico de pancreatite, não
trouxe aos autos qualquer documentação, fosse
histórico médico, fosse prontuário ou qualquer outro
hábil a refutar as conclusões do experto, no sentido de
que o diagnóstico estava incompleto e que a questão
de maior gravidade e que trazia risco iminente à vida
do paciente não foi adequadamente pesquisada. Sob
este ângulo, é necessário repisar que se trata de
hospital renomadíssimo, que dispunha de toda a sorte
de equipamentos e insumos necessários à pesquisa
aprofundada das causas reais dos sintomas
apresentados pelo paciente. E mais, que a equipe
médica particular contratada, em poucas horas
entendeu o caso, solicitou os exames necessários,
interpretou-os corretamente e imediatamente
encaminhou o paciente para uma cirurgia de
emergência. Desta forma, não se podem ignorar as
conclusões do auxiliar do juízo, de modo que está
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demonstrado nos autos a ocorrência de culpa pelo
evento danoso, consubstanciada pela negligência e
imperícia. Negligência pela confessa não realização de
exames imprescindíveis ao diagnóstico e imperícia pelo
mau emprego de técnicas e interpretações,
especialmente, no que tange à avaliação da anamnese
do paciente e à valoração dos achados médicos nos
exames realizados. De fato, como constatado, a equipe
médica do hospital não deu o acompanhamento e
tratamentos adequados ao apelado, que necessitou
custear as suas expensas outros profissionais para
fazer o serviço para o qual o hospital apelante recebeu
do plano de saúde para fazer. Assim, correta a
sentença ao determinar o ressarcimento pelos
prejuízos materiais suportados pelo apelado em
decorrência da falha na prestação do serviço. Dano
moral amplamente caracterizado. Quantum
Reparatório. Utilização de método bifásico para
arbitramento do dano. Valorização do interesse jurídico
lesado e das circunstâncias do caso concreto. Fixação
da indenização que merecia uma pequena elevação a
fim de compensar os danos sofridos pelo apelado-
autor, em decorrência dos fatos narrados na petição
inicial e devidamente comprovados no processo.
Todavia, em respeito ao princípio do non reformatio in
pejus, visto que não houve recurso para sua
majoração, deve permanecer o valor de R$ 10.000,00
(dez mil reais) tal como lançado no julgado de primeiro
grau. Majoração de honorários advocatícios, na forma
do artigo 85, §11º do Código de Processo Civil.
DESPROVIMENTO DO RECURSO. 0036006-
08.2017.8.19.0001 – APELAÇÃO - Des(a). ALCIDES
DA FONSECA NETO - Julgamento: 18/08/2022 -
DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CÍVEL
-------------------------------------------------------------------------
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR.
ALEGAÇÃO DE ERRO NO DIAGNÓSTICO DO
EXAME OFTALMOLÓGICO E NA PRESCRIÇÃO DA
RECEITA DE ÓCULOS. RESPONSABILIDADE
OBJETIVA. DANO MATERIAL E MORAL
COMPROVADOS. NEXO DE CAUSALIDADE
PRESENTE. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA.
IRRESIGNAÇÃO DO RÉU. MANUTENÇÃO DA
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DECISÃO RECORRIDA. 1. Cabe frisar que esta
relação jurídica processual se enquadra no conceito de
relação de consumo regulada pela Lei 8078/90, norma
de ordem pública que tem por objetivo a proteção e a
defesa do consumidor. 2. A controvérsia recursal diz
respeito ao reconhecimento do nexo de causalidade
com o dano sofrido pela parte apelada e sobre a
ocorrência ou não do dano moral. 3. Os documentos
trazidos pela apelante com os comentários técnicos
sobre receitas médicas junto com o Parecer do
Conselho Regional de Medicina, que indicam a
diferença no exame oftalmológico, não são capazes de
causar os transtornos alegados, fariam diferença se a
autora não tivesse complicações de saúde relevantes
para a saúde ocular. 4. A respeito do erro na prescrição
do grau das lentes é fato incontroverso, o qual restou
identificado nos exames realizados na clínica ré,
restando assim comprovado o dano e o nexo de
causalidade, tendo em vista que a prescrição fez com
que a paciente viesse a comprar lentes não adequadas
para a sua visão, causando transtornos físicos, tendo
que refazer os exames para o acerto de suas lentes. 5.
O erro no diagnóstico realizado e a prescrição para a
utilização de lentes que se mostraram prejudiciais à
saúde ocular da autora é situação que extrapola o
limite do mero aborrecimento cotidiano não indenizável.
6. O quantum indenizatório arbitrado pelo juízo de
origem em R$ 8.000,00 (oito mil reais) que se revela
condizente com os princípios da razoabilidade e
proporcionalidade, sem olvidar a finalidade punitivo-
pedagógica da sanção e as especificidades inerentes
ao caso concreto. 7. Recurso conhecido e negado o
provimento. 0029454-86.2015.8.19.0004 – APELAÇÃO
- Des(a). WILSON DO NASCIMENTO REIS -
Julgamento: 09/08/2022 - VIGÉSIMA SEXTA CÂMARA
CÍVEL
Assim, configurado o dano moral, o valor da indenização
deverá ser arbitrado em conformidade com os princípios da razoabilidade
e da proporcionalidade.
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Ante o exposto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL DO
RECURSO DE APELAÇÃO, para que a indenização por dano moral seja
fixada no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).
Rio de Janeiro, na data da sessão.
Desembargador CUSTÓDIO DE BARROS TOSTES
Relator
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