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Apelação por Danos Morais em Caso de Óbito Infantil

A apelação cível nº 0017939-48.2013.8.19.0061 envolve uma ação de indenização por danos morais movida por Magda Correa de Souza contra a Fundação Educacional Serra dos Órgãos, após a morte de sua filha de 3 anos devido a complicações de saúde. A sentença de improcedência foi mantida, pois o laudo pericial concluiu que não houve nexo de causalidade entre o atendimento do hospital e o óbito da criança, que já era portadora de leucemia. O recurso foi negado e os honorários recursais foram majorados para 15%.

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Apelação por Danos Morais em Caso de Óbito Infantil

A apelação cível nº 0017939-48.2013.8.19.0061 envolve uma ação de indenização por danos morais movida por Magda Correa de Souza contra a Fundação Educacional Serra dos Órgãos, após a morte de sua filha de 3 anos devido a complicações de saúde. A sentença de improcedência foi mantida, pois o laudo pericial concluiu que não houve nexo de causalidade entre o atendimento do hospital e o óbito da criança, que já era portadora de leucemia. O recurso foi negado e os honorários recursais foram majorados para 15%.

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ESTADO DO RIO DE JANEIRO


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
VIGÉSIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL/CONSUMIDOR

APELAÇÃO CÍVEL Nº 0017939-48.2013.8.19.0061


APELANTE: MAGDA CORREA DE SOUZA
APELADO: FUNDAÇÃO EDUCACIONAL SERRA DOS ÓRGÃOS - FESO
RELATOR: JDS MARIA CELESTE P.C. JATAHY

APELAÇÃO CÍVEL. Direito do Consumidor. Ação


ordinária de indenização por danos morais. Alega a
autora que, sua filha, na época com 3 (três) anos de
idade, veio a óbito em decorrência de erro médico do
nosocômio réu. Sentença de improcedência. Recurso
da parte autora pleiteando a reforma da sentença
objetivando a procedência dos pedidos. O laudo
pericial, como apresentado, se mostrou suficiente
para o julgamento da presente demanda, que
concluiu pela inexistência de nexo de causalidade
entre o serviço prestado pelo hospital réu com o
óbito da menor, filha da autora. Criança portadora
de leucemia. Serviço prestado pelo hospital que não
contribuiu para o óbito da criança. Inaplicabilidade
da teoria “perda de uma chance”. Inexistência dos
requisitos ensejadores do dever de indenizar.
Sentença que merece ser mantida. Honorários
recursais majorados para 15% (quinze por cento) em
sede recursal por força do art. 85 § 11º do NCPC,
observada a gratuidade de justiça deferida à autora.
NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de apelação nº 0017939-


48.2013.8.19.0061, interposta por MAGDA CORREA DE SOUZA, figurando
como apelado FUNDAÇÃO EDUCACIONAL SERRA DOS ÓRGÃOS -
FESO.
(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
1

MARIA CELESTE PINTO DE CASTRO JATAHY:8207 Assinado em 27/09/2017 17:59:55


Local: GAB. JDS. DES. MARIA CELESTE PINTO DE CASTRO JATAHY
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ACORDAM os Desembargadores que integram a Vigésima Terceira


Câmara Cível do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade
de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto ante o julgado proferido nos autos da ação


ordinária de indenização por danos morais ajuizada por MAGDA CORREA DE
SOUZA, em face de FUNDAÇÃO EDUCACIONAL SERRA DOS ÓRGÃOS -
FESO.

Na forma regimental (art. 92, §4º, do RITJERJ), adoto o relatório


constante da sentença (índex nº 000490), que passo a transcrever:

“MAGNA CORREA DE SOUZA propôs a presente ação em


face do HOSPITAL DAS CLINICAS DE TERESÓPOLIS
CONSTANTINO OTTAVIANO sustentando que sua filha de
3 anos, Kiane de Souza Nogueira, faleceu em 1310512013, em
razão de diversas falhas na prestação do serviço por parte do
nosocõmio réu.

Assim, requer a condenação do demandado ao pagamento da


importância de R$ 500.000,00 a título de danos morais.

Com inicial de tis. 02117 vieram os documentos 18/122.

Regularmente citado, o réu apresentou contestação às tis.


123/128, seguida dos documentos de fls. 129/266.

Réplica às fls. 268/271.

Manifestação do réu às fls. 272

(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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Manifestação da autora às fls. 273/274

Saneado o feito às fls. 275, ocasião em que foi deferida a inversão


do ónus da prova e deferida a produção das, provas documental
suplementar, pericial e oral.

Laudo pericial médico às fls. 300/316. Manifestação do réu


acerca do mesmo às fls. 320 e da autora às fls. 321/324.

Prestados esclarecimentos pelo perito às fls. 327/331.


Manifestaçaô da autora às fls. 333.

Ata da Audiência de instrução e julgamento às fls. 340.

Parecer do MP, informando não ter interesse em intervir no


presente feito, às fls. 341.

É o relatório. Decido”.

A parte dispositiva da sentença foi lançada nos seguintes termos:

“Isto posto, JULGO IMPROCEDENTE a pretensão inicial


extinguindo o feito com resolução do mérito.

A demandante suportará as custas do processo e a verba


honorária, cujo valor arbitro em 10% do valor da causa,
observada a gratuidade de justiça concedida.

P.I.”

Inconformada, apela a autora (índex nº 000494), pleiteando a reforma da


sentença, para que seus pedidos sejam julgados procedentes.

(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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Contrarrazões (índex nº 000512) apresentadas pela ré, em prestígio à


sentença.
É o relatório. Passo ao voto.

Observo, inicialmente, que se encontram presentes os requisitos de


admissibilidade do recurso, o qual merece ser conhecido.

Sustenta a autora em sua inicial, que em 19/04/13, sua filha, de apenas 3


anos de foi internada nas dependências do hospital apelado, apresentando um
quadro de febre diária e dor no corpo. O diagnóstico inicial de sua filha foi de
“pancitopenia”, que é redução de todos os elementos do sangue ao mesmo
tempo, mais “adenomegalias generalizada” que é o aumento dos gânglios
linfáticos, tal diagnóstico preliminar, já demonstrava não se tratar de uma "febre
comum".

Afirma que sua filha já tinha realizado vários exames laboratoriais, que
foram encaminhados com a mesma no ato de sua internação. Durante este
período, foram realizados mais exames laboratoriais e diante dos demais
resultados, informaram à autora que os exames de sua filha seriam
encaminhados para o hemorio, pois existia a suspeita que sua filha estivesse
com leucemia, e que, demoraria em torno de 30 (trinta) dias a obtenção da
resposta. Após 7 (sete) dias de internação, no dia 26/04/13, sua filha teve alta,
porém, ainda com os mesmos sintomas, tendo sido receitado a mesma, apenas
sulfato ferroso. Passados 4 (quatro) dias, em 30/04/13, sua filha piorou muito e
necessitou ser internada novamente, pois todos sintomas se agravaram o que
foi somatizado a sinais de hemorragia (sangramento nasal e pelos olhos).

Nos primeiros momentos da internação, sua filha realizou mais uma


bateria de exames laboratoriais, tendo o salientado a necessidade de avaliação
especializada de um hematologista. O quadro clínico de sua filha continuou
piorando e, no dia 01/05/13, o responsável médico solicitou informações ao
médico plantonista do hemorio, que orientou pela suspensão imediata da
hidrocortisona, pois, a sua utilização dificulta o diagnóstico de Leucemia.
(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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Salienta que no prontuário médico de 03/05/13, o médico relata que sua


filha tem apresentado piora sendo necessário muito esforço para respirar e que
se encontrava em estado grave. Tal situação, só piorou, pois, no dia 08/05/13 o
setor de pediatria do hospital apelado, encaminhou um parecer para o setor de
fisioterapia, informando que a menor estava com pneumonia e que necessitava
de fisioterapia respiratória, pneumonia esta que afirma que adquiriu enquanto
estava internada.

Relata que o quadro clinico de sua filha foi piorando a cada dia desde o
início da sua internação e mesmo ciente da gravidade, o réu não realizou os
procedimentos necessários a preservação da saúde e vida da criança, como o
acompanhamento de um médico hematologista.

No dia 12/05/13, foi relatado no prontuário a piora da hemorragia, que


estava com intenso sangramento nasal e gengival, com quadro de alucinações.
Diante da piora, a menor foi entubada no mesmo dia para que sua respiração
fosse feita através de forma mecânica. A menor tornou a realizar novos exames
laboratoriais e no dia seguinte o resultado mais uma vez constava a seguinte
informação do laboratório: "procurar parecer de médico hematologista" e, isso não
ocorreu. No relatório médico constou apenas que a criança estava em estado
grave, respirando de forma mecânica, sedada, e intensa hemorragia - sangue
vivo, sendo aspirada a todo o momento.

Após a criança estar em estado praticamente irreversível, o réu cogitou a


hipótese de transferi-ia para o centro de tratamento intensivo no tocante a uma
"possível” estabilidade de quadro clínico.

Contudo, às 21 horas do dia 13/05/13 sua filha não resistiu a uma


parada cardiorrespiratória e não respondeu a massagem cardíaca, vindo a
falecer, ressaltando que no leito onde estava internada não havia aparelho
desfibrilador.
(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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Pugna assim, pela condenação do réu ao pagamento de indenização por


danos morais no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).

Em sua contestação, o réu afirma que foram utilizados todos os meios


para tratamento da filha da autora, não havendo, portanto, que se falar em sua
responsabilidade. Postula assim, a improcedência do pedido autoral.

Sentença de improcedência, sob fundamento de que não restou


comprovada a falha na prestação do serviço do réu a ensejar a condenação de
indenização por danos morais.

Recurso exclusivo da parte autora, postulando a reforma da sentença,


para que seja julgado procedente o pleito inicial.

Noto, no caso em exame, que a questão versa sobre típica relação de


consumo, enquadrando-se a autora, na figura de consumidora e o réu, na figura
de fornecedor de serviços (artigos 2º e 3º do CDC).

Resume-se a controvérsia recursal, se houve falha na prestação de serviço


do réu.

Realizada a prova pericial (índex nº 000445), restou concluído que:

“Ao examinarmos os documentos científicos encartados nos


Autos, a Doutrina Médica, somados a experiência médica deste
Perito, concluímos que não houve desvio de conduta
profissional dos médicos ou instituição de saúde envolvidas
no diagnóstico e tratamento da Menor Kiane. A menor era
portadora de grave patologia neoplásica, que a debilitou
imunologicamente, permitindo que pneumonia bacteriana se
instalasse e evoluísse para infecção generalizada e coagulação
intravascular disseminada. Portanto, a Menor Kiane feneceu
devido a evolução de processo mórbido;”. (grifos nossos)
(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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Inicialmente, impõe-se ressaltar que, consoante documento acostado


no index 00181, fls. 140, consta que a menor quando deu entrada, pela
primeira vez, no hospital em 19/05/2013, apresentava febre há 17 dias.

(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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A parte autora, em seu recurso de apelação, aponta uma série de


irregularidades praticadas pela apelada que teriam contribuído para o óbito ou,
pelo menos, para a perda da chance de sobrevivência de sua filha.

A primeira alegação é de que a menor deveria ter sido logo


encaminhada ao Hemorio, diante da suspeita de leucemia.

Ocorre que, como ressaltado pelo i. Perito, a transferência da menor


para o Hemorio somente poderia ser efetivada após o cumprimento das
exigências do Sistema único de Saúde, ou seja, somente são atendidos pacientes
com hemopatias primárias após a confirmação do diagnóstico.

“Quanto as alegações de que a menor deveria ter sido


transferida para o Hemorio, existe um protocolo da entidade
que alerta de que a transferência só será efetivada depois de
cumprida as exigências do Sistema único de Saúde, ou seja , só
serão atendidos pacientes com hemopatias primárias, após
confirmação diagnóstico. E esta confirmação diagnostica
dependia diretamente dos exames efetivados pelos Médico
Assistentes e que só ficaram prontos no dia 16MAI13, ou seja,
três dias depois do fenecimento da menor Kiane”
(index 445 – fls. 308/309)

Constata-se, portanto, que não poderia o hospital réu determinar a


transferência para o Hemorio.

A segunda alegação refere-se à alta ocorrida em 26/04/2013.

Com efeito, a menor recebeu alta na referida data (index 0020, fls. 36):

(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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A alta, contudo, não foi precipitada, como esclareceu o perito no laudo


pericial (index 0445):

“Pela medicação efetivada nessa primeira internação, houve


melhora do quadro clínico e assim, a menor Kiane recebeu alta
hospitalar, no dia 26ABR13, com a orientação de ter
continuidade do tratamento com acompanhamento
ambulatorial e aguardar os resultados dos exames laboratoriais
solicitados (devido a sua especificidade podem levar até 30
dias para haver liberação dos resultados”
(fls. 308)

E indagado, de forma específica, se teria sido correta a alta, informou:

(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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“04-Pode o Sr. Perito responder, se foi correta a atitude da Ré


em dar alta para a paciente no dia 26/04/2013 sendo
receitado apenas sulfato ferroso?

R.:Diante da melhora clínica da Menor e na ausência da


confirmação diagnostica, sim. É importante informar que a
pneumonia da Mentor Kiane só se apresentou depois da alta
hospitalar e que esta patologia pulmonar foi determinante
para a segunda internação;

05-Pode o Sr. Perito responder, no que diz respeito a 2'


internação da filha da Autora em 30/04/2013, se o
agravamento dos sintomas anteriores sinais de hemorragia
(sangramento nasal e pelos olhos) conforme folha de
internação do Hospital Réu, datada de 30/04/2013 (doc3 na
inicial), foi agravado pela não continuidade de tratamento
médico visto a alta médica dada pelo hospital?

R.:Não. A alta hospitalar relativa na primeira internação, se


deu com a orientação de continuidade de tratamento através
do . acompanhamento ambulatorial e aguardando o resultado
dos exames de sorologias solicitados e colhidos o dia 20ABR13.
Portanto sem definição diagnostica e estando a menor
apresentando bom estado geral não havia justificativa de
manté- la internada;
(fls. 310/311)

Ressalte-se que através do prontuário acostado aos autos (index 00181),


constata-se que a menor, desde 23/04/2013, apresentava-se “ativa” , ao
contrário dos dias anteriores em que se apresentava “hipoativa”. Nos dias 23 e
24/04/2013 somente se apresentou febril à noite e na véspera e no dia da alta, a
criança estava “afebril” .

É certo que a menor retornou ao hospital, em 30/04/2013, sendo a


queixa principal a febre. (index 0020, fls. 40):

(E)
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Não há elementos nos autos, contudo, a autorizar a conclusão de que o


agravamento no estado de saúde da criança tenha sido decorrente da alta
ocorrida em 26.03.2013.

A internação de qualquer pessoa deve se dar pelo período extremamente


necessário, ainda mais uma criança com baixa imunológica, como afirmou o i.
perito, no pedido de esclarecimentos formulado pela parte autora (index 0473,
fls. 328):

“Diante da melhora clínica apresentada pela menor a conduta


de alta hospitalar estava correta. Porém a menor foi
direcionada para continuidade da investigação de seu estado
mórbido em caráter ambulatorial e ainda aguardava o
resultado s ficais dos exames hematológicos já iniciados. É
sempre bom lembrar que uma paciente com baixa imunológica
importante, pode ser contaminada com germes hospitalares
com amis facilidade e frequência que outros tipos de doentes.”

(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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A terceira alegação da apelante é de que por ocasião da reinternação, era


imperiosa a transferência da menor para hospital especializado.

Ocorre que a transferência tentada pelo hospital réu para o Hemorio


dependia do cumprimento das exigências do SUS e, em relação aos demais
hospitais, a menor teria que ser incluída no SISREG (Sistema Nacional de
Regulação), conforme esclareceu o perito (index 0445 – fls. 314/315):

[Link] esclarecer se quando da internação da infante foi


feito contato pelo serviço de pediatria do hospital com a
responsável pelo setor de triagem da Hemo Rio;
R.:Sim;

[Link] esclarecer qual foi a orientação recebida pelo


serviço de pediatria do HCTCO;
R.:Que a menor Kiane fosse incluída no SISREG;

[Link] o ilustre perito esclarecer se foi seguido o protocolo


pelo serviço de pediatria do HCTCO, com a inclusão no
tratamento da menor de antibióticos de amplo espectro, para
se evitar qualquer infecção, com a acomodação de filha da
autora em enfermaria separada;
R.:Sim;

[Link] esclarecer se o Hemorio somente aceita pacientes


após serem esgotadas todas as outras possibilidades de
patologias que não a leucemia;
R.:Sim, depois de confirmada a doença;

[Link] esclarecer se foi tentada a transferência da menor


para o Serviço de Oncologia do Hospital dos Servidores do
Estado;
R.:Sim — fls. 51 e verso dos Autos;

(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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[Link] informar se foi tentada pelo HCTCO a transferência


da menor através do SISREG (Serviço de Regulação do
Estado), para o Hospital da Criança;
R.:Sim;

Constata-se, portanto, que não houve inércia por parte do hospital réu ao
tentar a transferência para um hospital especializado.

A quarta alegação é de que a menor não recebeu acompanhamento de


um hematologista no período de sua internação.

Indagado a respeito, esclareceu o perito (index 0445, fls. 312/313):

07-Pode o Sr. Perito responder, se a observação do


Laboratório de analises clínicas do próprio Réu, sobre a
necessidade da avaliação por um hematologista do resultado
dos exames era fundamental para um diagnóstico correto
para a patologia da filha da Autora?
R.:Os Médicos Assistentes da menor, tinham condições
técnicas e profissionais de efetivar e conduzir o diagnóstico
correto na menor Kiane, como foi que aconteceu;

08-Pode o Sr. Perito responder, quanto a observação do


Laboratório de analises clínicas do próprio Réu, sobre a
necessidade da avaliação por um hematologista do resultado
dos exames da filha da Autora, seria imprescindível para o
início de um tratamento mais correto para a patologia da
filha da Autora?
R.:Este Perito reporta-se a resposta do quesito imediatamente
anterior;

09-Pode o Sr. Perito responder, quanto a observação do


Laboratório de analises clínicas do próprio Réu, sobre a
necessidade da avaliação por um hematologista do resultado
dos exames da filha da autora, caso o hospital Réu
procedesse com a devida observação, a filha da Autora seria
(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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beneficiada com o início mais célere do tratamento


adequado?
R.:Examinando os documentos científicos insertos nos Autos,
todos os meios científicos pertinentes ao bom atendimento da
menor Kiane, foram efetivados pelos Médicos Assistentes.
Portanto a presença do hematologista, em nada adiantaria o
tempo ou melhoraria o prognóstico da menor;

E nos esclarecimentos prestados, acrescentou (index 0473, fls. 329):

d)Da resposta quanto ao quesito 6 da Autora -"Pode o Sr.


Perito responder, se a observação constante nos exames
laboratoriais realizados pelo laboratório de análises do
próprio Réu na filha da Autora, nos seguintes termos:
"necessidade de avaliação especializada de um
hematologista", poderia ser destacada pelo Hospital Réu?" O
nobre Perito faz referência ao segmento discussão e
conclusão no qual aduz que a anotação no roda pé dos
resultados de exames de laboratório indicavam patologia
grave, porém, diz ainda que os médicos pediatras tinham
conhecimento do que se tratava, entretanto, tal afirmação
vai a favor da tese autoral, pois, tornava-se necessário a
consulta de um especialista o que não foi realizado.
R.:A conduta dos Médicos Assistentes da menor Kiane era
correta em primeiro estabelecer um diagnóstico definitivo,
afastando outras patologias. Foi estabelecido desde início do s
cuidados terapêutica adequada ao caso;

Ressalte-se que embora houvesse a suspeita do diagnótico, sua


confirmação dependia diretamente dos exames laboratoriais que somente
ficaram prontos no dia 16/05/13 (índex nº 000020, fls. 110/112), três dias após o
falecimento da filha da autora.

A quinta alegação é de que o hospital réu não transferiu a criança para o


CTI e que próximo ao leito não havia um desfibrilador próximo.

(E)
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O perito, embora tenha confirmado a primeira assertiva, esclareceu que


diante da gravidade do estado de saúde da criança o prognóstico não seria
outro.

12-Pode o Sr. Perito responder, se diante do quadro clínico de


saúde da paciente, era necessário a sua transferência para o
centro de tratamento intensivo?
R.:Sim, mas diante da gravidade da situação clínica não
mudaria o prognóstico;

13-Pode o Sr. Perito responder, se diante da não


transferência da paciente para o CTI, seria necessário ter um
desfibrilador próximo ao leito da paciente?
R.:Este Perito reporta-se a reposta do quesito imediatamente
anterior:

Diante da aparente contradição, a parte autora requereu esclarecimentos


ao perito que foram devidamente prestados (index 0473, fls. 330):

h)Da resposta ao quesito 12 da Autora, "Pode o Sr. Perito


responder, se diante do quadro clínico de saúde da paciente,
era necessário a sua transferência para o centro de
tratamento intensivo?" o nobre perito afirma que sim que
seria necessário a transferência da menor, porém, isso não
ocorreu o que demonstra a negligência do hospital
demandado, o que também é comprovado pela resposta ao
item 13 da _ Autora.
R.:Não ocorreu por que era necessário a confirmação
diagnostica pelos exames laboratoriais específicos que ainda
não estavam prontos e segundo as diretrizes do HemoRio, a
transferência somente se faz com a definição diagnóstica;

i)Da resposta ao quesito 14 da Autora, como poderia o


hospital ter realizado todos os procedimentos necessários se

(E)
Processo nº 0017939-48.2013.8.19.0061
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o próprio perito informa que seria necessário a transferência


da menor para o centro de tratamento intensivo?
R.:Seria necessário desde que os exames que confirmassem a
patologia portada pela menor estivessem prontos confirmando
a sua doença;

O fato é que a criança, infelizmente, era portadora de leucemia e veio a


falecer.

Os procedimentos adotados pelo hospital réu não foram a causa da


morte.

A transferência para a CTI ou a existência de desfibrilador próximo ao


leito poderia, em tese, ter prolongado um pouco a vida da criança? Talvez sim,
talvez não. Todavia, diante do grave estado de saúde, inexiste probabilidade de
que tais medidas pudessem impedir o óbito.

O E. STJ já se manifestou que para a aplicação da teoria da perda de uma


chance, na hipótese de erro médico, tendo o paciente falecido, deve restar
evidenciada a possibilidade de cura do paciente.

REsp 1622538/MS
Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI (1118)
Órgão Julgador T3 - TERCEIRA TURMA
Data do Julgamento 21/03/2017
Data da Publicação/Fonte DJe 24/03/2017
Ementa
CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL E COMPENSAÇÃO POR DANO
MORAL. ERRO MÉDICO. RESPONSABILIDADE CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA.
SÚMULA 282/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E
SIMILITUDE FÁTICA. INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. AUSÊNCIA.
ACOMPANHAMENTO NO PÓS-OPERATÓRIO. APLICAÇÃO DA TEORIA DA PERDA DE
UMA CHANCE. POSSIBILIDADE. ERRO GROSSEIRO. NEGLIGÊNCIA. AUSÊNCIA.
1. Ação de indenização por dano material e compensação por dano moral ajuizada

(E)
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em 24.01.2008. Recurso especial atribuído ao gabinete em 25.08.2016.


Julgamento: CPC/73.
2. A centralidade do recurso especial perpassa pela análise da ocorrência de
erro médico, em razão de negligência, imprudência ou imperícia, passível de
condenação em compensar dano moral.
3. O não acolhimento das teses contidas no recurso não implica omissão,
obscuridade ou contradição, pois ao julgador cabe apreciar a questão conforme o
que ele entender relevante à lide.
4. A ausência de decisão acerca de argumentos do recorrente e de
dispositivos legais indicados como violados, impede o conhecimento do recurso
especial.
5. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico
entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas.
6. Não se conhece do recurso especial quando ausente a indicação expressa do
dispositivo legal a que teria sido dada interpretação divergente.
7. Por ocasião do julgamento do REsp 1.254.141/PR, a 3ª Turma do STJ
decidiu que a teoria da perda de uma chance pode ser utilizada como
critério para a apuração de responsabilidade civil, ocasionada por erro
médico, na hipótese em que o erro tenha reduzido possibilidades concretas
e reais de cura de paciente.
8. A visão tradicional da responsabilidade civil subjetiva; na qual é imprescindível a
demonstração do dano, do ato ilícito e do nexo de causalidade entre o dano sofrido
pela vítima e o ato praticado pelo sujeito; não é mitigada na teoria da perda de
uma chance. Presentes a conduta do médico, omissiva ou comissiva, e o
comprometimento real da possibilidade de cura do paciente, presente o nexo
causal.
9. A apreciação do erro de diagnóstico por parte do juiz deve ser cautelosa, com
tônica especial quando os métodos científicos são discutíveis ou sujeitos a
dúvidas, pois nesses casos o erro profissional não pode ser considerado
imperícia, imprudência ou negligência.
10. A dúvida sobre o diagnóstico exato da paciente foi atestada por vários
especialistas, não sendo possível, portanto, imputar ao recorrente erro crasso
passível de caracterizar frustração de uma oportunidade de cura incerta, ante a
alegada "ausência de tratamento em momento oportuno" (e-STJ fl. 519).
11. Recurso especial conhecido parcialmente, e nessa parte, provido.
(grifos nossos)

A chance perdida, para que seja indenizável, deve guardar estreita


relação com a realidade, ou seja, deve constituir-se em autêntica oportunidade
de sucesso e não apenas a mera possibilidade. Não basta ser possível, mas
também provável.
(E)
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Desta forma, ficou provada a ausência de responsabilidade do apelado,


já que não restou configurado o nexo causal entre o dano alegado e o
tratamento ministrado na filha da autora, não havendo, portanto, qualquer
justificativa a ensejar a indenização pleiteada, razão pela a sentença merece ser
mantida

Lembro, por oportuno, que este Câmara já apreciou situação análoga:

“Apelação cível. Ação de indenizacão por danos morais e


materiais. Relação de consumo. Responsabilidade civil por erro
médico. Sentença de improcedência. Laudo conclusivo pela
inexistência de nexo de causalidade entre o serviço
multiprofissional prestado pelo hospital réu com o óbito da
menor, que era filha dos 1º e 2º autores e neta da 3ª autora.
Ausência de nexo causal. Falha na prestação do serviço
do hospital ou presença de conduta ilícita perpetrada pelos
médicos não evidenciadas. Inexistência dos requisitos
ensejadores do dever de indenizar. Firme orientação
jurisprudencial. Recurso ao qual se nega seguimento, com
fundamento no artigo 557 caput do CPC”. (Apelação nº
0192922-46.2012.8.19.0001. JDS. Des. Fabio Uchoa.
Julgamento: 02.12.15. 23ª Câmara Cível Consumidor)

Diante do exposto, meu voto é no sentido de se NEGAR PROVIMENTO


AO RECURSO, para manter a r. sentença, sob seus próprios fundamentos
majorando os honorários em sede recursal para 15% (quinze por cento) sobre o
valor atualizado da causa, por força do art. 85 § 11º do NCPC, observada a
gratuidade de justiça deferida à parte autora.

Rio de Janeiro, na data do julgamento.

(E)
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MARIA CELESTE P.C. JATAHY


Juiz de Direito de Entrância Especial
Substituto de Segundo Grau

(E)
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