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Apelação por Erro Médico em São João de Meriti

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro decidiu em apelação cível que não houve comprovação de erro médico e, portanto, não se configurou a responsabilidade civil do Município de São João de Meriti. A sentença de improcedência do pedido de indenização por danos morais foi mantida, pois não foi demonstrado o nexo causal entre o atendimento médico e os danos alegados. O recurso da primeira apelante não foi conhecido e o do segundo apelante foi desprovido.

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Apelação por Erro Médico em São João de Meriti

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro decidiu em apelação cível que não houve comprovação de erro médico e, portanto, não se configurou a responsabilidade civil do Município de São João de Meriti. A sentença de improcedência do pedido de indenização por danos morais foi mantida, pois não foi demonstrado o nexo causal entre o atendimento médico e os danos alegados. O recurso da primeira apelante não foi conhecido e o do segundo apelante foi desprovido.

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Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro


8ª CÂMARA CÍVEL

APELAÇÃO CÍVEL Nº 0011136-70.2013.8.19.0054

APELANTE 1: SILVANA BRAZ SILVA DOS SANTOS

APELANTE 2: ABRAÃO ISRAEL SILVA DOS SANTOS, rep/s/mãe,


SILVANA BRAZ SILVA DOS SANTOS

APELADO: MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DE MERITI

RELATOR: DES. AUGUSTO ALVES MOREIRA JUNIOR

ACÓRDÃO

APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE


RESPONSABILIDADE CIVIL C/C INDENIZATÓRIA
POR DANOS MORAIS. ALEGAÇÃO DE ERRO
MÉDICO. DIAGNÓSTICO EQUIVOCADO.
SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO
INICIAL ALVEJADA POR RECURSO DE APELAÇÃO.
RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA. ARTIGO 37,
§6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.
IMPRESCINDÍVEL A DEMONSTRAÇÃO DO DANO E
DA EXISTÊNCIA DE NEXO CAUSAL ENTRE O
DANO SOFRIDO E A ATIVIDADE ESTATAL
DESENVOLVIDA, O QUE NÃO OCORREU NA
ESPÉCIE. ALEGAÇÃO DE ATENDIMENTO MÉDICO
INADEQUADO RECEBIDO NO PAM DE SÃO JOÃO
DE MERITI QUE NÃO RESTOU COMPROVADA.
INEXISTÊNCIA DE SEQUELAS OU AGRAVAMENTO

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AUGUSTO ALVES MOREIRA JUNIOR:16593 Assinado em 26/02/2018 17:28:59


Local: GAB. DES. AUGUSTO ALVES MOREIRA JUNIOR
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Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro


8ª CÂMARA CÍVEL

DO QUADRO CLÍNICO DO MENOR EM


DECORRÊNCIA DA SUPOSTA ATUAÇÃO
EQUIVOCADA DO MÉDICO, QUE AFASTAM A TESE
DA OCORRÊNCIA DE DANO MORAL NO CASO
CONCRETO. PROLONGAMENTO DO USO DO
GESSO POR MAIS 30 (TRINTA) DIAS, ALÉM DO
PERÍODO INCIALMENTE FIXADO PARA
IMOBILIZAÇÃO DO MEMBRO AFETADO NO
ACIDENTE, QUE NÃO LEVA À CONCLUSÃO ÓBVIA
DE QUE O AUTOR RECEBEU UM SERVIÇO
MÉDICO DEFICIENTE NA UNIDADE DE PRIMEIRO
ATENDIMENTO. DESCUMPRIMENTO DO ÔNUS DE
PROVAR O ALEGADO, NOS TERMOS DO ARTIGO
333, INCISO I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
DE 1973, VIGENTE À ÉPOCA DA PROLAÇÃO DO
DECISUM VERGASTADO. PRECEDENTES
JURISPRUDENCIAIS DESTA EGRÉGIA CORTE DE
JUSTIÇA ESTADUAL. SENTENÇA CORRETA QUE
MERECE, PORTANTO, SER MANTIDA. RECURSO
DA PRIMEIRA APELANTE NÃO CONHECIDO.
RECURSO DO SEGUNDO APELANTE
DESPROVIDO.

Vistos, relatados e discutidos os autos desta Apelação Cível


n° 0011136-70.2013.8.19.0054 em que são apelantes SILVANA BRAZ
SILVA DOS SANTOS e ABRAÃO ISRAEL SILVA DOS SANTOS e
apelado MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DE MERITI.

ACORDAM os Desembargadores que compõem a Oitava


Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, POR
UNANIMIDADE, EM NÃO CONHECER DO PRIMEIRO RECURSO E DE
NEGAR PROVIMENTO AO SEGUNDO RECURSO, nos termos do voto
do Desembargador Relator.

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Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro


8ª CÂMARA CÍVEL

RELATÓRIO

Trata-se de ação proposta por Abraão Israel Silva dos


Santos, representado por sua mãe, Silvana Braz Silva dos Santos, em
face do Município de São João de Meriti, perante o Juízo de Direito da
3ª Vara Cível daquela Comarca.

Adoto, na forma regimental, o relatório da sentença proferida


a fls. 91/94 ([Link] 000091), nos seguintes termos:

“Trata-se de ação de responsabilidade civil, por via da qual


pretende o Autor, ABRAÃO ISRAEL SILVA DOS SANTOS
devidamente representado por sua genitora SILVANA BRAZ
SILVA DOS SANTOS, compelir o Réu, MUNICIPIO DE SÃO
JOÃO DE MERITI, a indenizá-lo por danos morais. Relata que,
no dia 07/02/2013, estava jogando bola na quadra de esportes
de seu bairro e fraturou o pé e tornozelo direitos, sendo
imediatamente socorrido por seus familiares, levado para ao
PAM-Meriti para receber o devido atendimento. Após longa
espera, foi atendido no Posto de Saúde administrado pelo Réu
pelo Doutor André L. M. Lima, que ao examiná-lo, receitou um
remédio, colocou uma tala em seu pé direito e o dispensou
sem sequer realizar exame radiológico, apesar de permanecer
com fortes dores. Informa que ao chegar a sua residência,
tomou o remédio prescrito e, permaneceu em repouso.
Contudo, como ainda sentia muitas dores foi levado por sua
genitora a outro hospital. Aduz ter sido atendido no hospital
Municipal Souza Aguiar, sendo levado imediatamente para
realizar exame radiológico, sendo constatada fratura no pé,
tornozelo e próximo ao joelho, todos do lado direito, tendo
imobilizado a perna com gesso, sendo também aplicada
injeção para dor, o que aliviou seu sofrimento. Salienta que o
médico que o atendeu na cidade do Rio de Janeiro, advertiu
sua genitora do risco por não procurar rapidamente o serviço
de emergência do hospital de sua cidade, advertindo que
poderia ficar com outros problemas de saúde. Ressalta ter
permanecido com o gesso por 30 dias, mas , ao retornar para

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Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro


8ª CÂMARA CÍVEL

tirá-lo, o médico que o atendeu colocou novamente o gesso


alegando que seu tornozelo e pé precisavam ficar imobilizados
por mais trinta dias e que tudo derivava do mau atendimento
recebido na emergência do Hospital Municipal. Requereu a
inversão do ônus da prova em razão do desequilíbrio entre o
Autor e o Réu. No mérito, a condenação do Município de São
João de Meriti a reparar o dano moral causado ao Autor com o
pagamento de indenização no valor de R$40.000,00. A exordial
encontra-se instruída com os documentos de fls. 18 usque 38,
dentre os quais o receituário acostado à fls. 34 e prontuário de
fls. 36. Regularmente citado o Município apresentou
contestação de fls. 45/57, pugnando pela improcedência do
pedido uma vez que não ocorreu nenhum dano ao Autor,
sustentando que todos os procedimentos cabíveis foram
adotados pela equipe médica do Posto de Atendimento
Médico- PAM, não havendo caracterização de negligencia
médica. Insurge-se contra o pedido de inversão do ônus da
prova. Réplica ás fls.59/66. Alegações finais da Autora e do
Réu, respectivamente, ás fls. 76/77 e 79/80. Parecer do
Ministério Público anexado à fls. 87/90, opinando pelo
acolhimento da pretensão autoral, entendendo estarem
configurados os requisitos para configuração do direito
pleiteado, a saber, conduta, resultado danoso e nexo de
causalidade. TUDO VISTO E EXAMINADO, decido: ...”

A referida sentença tem o seguinte dispositivo:

“... Isto posto e por tudo o mais que dos autos consta, JULGO
IMPROCEDENTE o pedido, deixando de condenar o Autor nos
ônus da sucumbência em razão do benefício da gratuidade de
justiça a ele concedido.”

Recursos de apelação a fls. 55/104 ([Link] 000095)


interposto por Silvana Braz Silva dos Santos e, a fls. 145/154 ([Link]
000145), esse interposto por Abraão Israel Silva dos Santos, de mesmo
teor, oportunidade em que os apelantes sustentaram que devidamente
comprovado o evento danoso relatado nos autos. Aduziram não parecer
razoável que, se um paciente chega a um posto médico alegando fortes
dores no membro inferior direito, estando o mesmo inchado, não tenha
desconfiado o médico que o atendeu, que houvesse a possibilidade de
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8ª CÂMARA CÍVEL

haver uma fratura ou outra lesão grave, deixando, portanto, de requerer


uma radiografia da região afetada. Alegaram que as dores e os
sofrimentos experimentados pelo autor teriam cessado com mais
rapidez, caso fossem realizados os exames de praxe e dado o correto
atendimento médico. Pediram o provimento dos recursos, para o fim de
se condenar o Município réu no pagamento de verba indenizatória dos
danos morais, em quantia justa e razoável.

Contrarrazões recursais a fls. 106/113 ([Link] 000106).

Parecer da Procuradoria de Justiça a fls. 124/127 ([Link]


000124), no sentido da regularização da legitimidade recursal, nos
termos do disposto no artigo 932, parágrafo único do Código de
Processo Civil e, caso superada a questão atinente à admissibilidade
recursal, opinou pelo desprovimento do recurso.

É o relatório.

VOTO

Versa a questão dos autos acerca da provável


responsabilidade civil por erro médico da municipalidade demandada,
em razão de suposto diagnóstico equivocado realizado no PAM daquela
localidade.

De início, não conheço do apelo interposto por Silvana Braz


Silva dos Santos, mãe do menor e sua representante nestes autos,
tendo em vista que a mesma não integra o polo ativo da presente
demanda, mas, sim, seu filho, Abraão Israel Silva dos Santos, o qual
supostamente sofreu o dano relatado na exordial e, em razão disso,
pediu a responsabilização da municipalidade ré por danos morais.

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8ª CÂMARA CÍVEL

Passando à análise do recurso do autor, temos que o mesmo


narrou na inicial que, após sofrer acidente enquanto jogava bola, buscou
o atendimento médico com fortes dores no pé e no tornozelo, estando
ambos inchados. Afirmou que o médico que o assistiu naquela
oportunidade não requereu qualquer exame, mas apenas colocou uma
tala em seu pé e o dispensou.

Acrescentou que, na mesma data, à noite, não suportando o


incômodo, procurou atendimento em outra unidade hospitalar, agora no
Hospital Municipal Souza Aguiar, onde, realizada uma radiografia, foram
detectadas fraturas no pé, no tornozelo e outra próxima ao joelho,
sendo, em seguida, realizada a correta imobilização do membro afetado
e aplicada uma injeção para aliviar a dor.

Ressaltou o apelante que, a princípio, o mesmo deveria


permanecer com o gesso durante 30 (tinta) dias mas, ao retornar ao
hospital, foi observado pela equipe médica que necessários mais 30
(trinta) dias para a correção do problema, isso em decorrência do mau
atendimento recebido no PAM de São João de Meriti.

Por tais razões pediu a condenação do Município


demandado no pagamento de indenização por danos morais.

Ocorre que, como bem salientado pelo douto Juízo prolator


do decisum vergastado, inexistem nos autos provas do alegado.

O tema ora trazido a debate está ligado à responsabilidade


civil do Estado sobre a qual incidem as normas da Constituição Federal,
notadamente o artigo 37, §6º, que destaca a responsabilidade objetiva
mediante aferição de seus elementos constitutivos: o fato administrativo,
o dano e o nexo de causalidade entre ambos.

Na teoria do risco administrativo basta a comprovação de


que o dano foi resultante da atuação estatal, ou seja, da prova da
relação de causa e efeito entre a ação ou omissão e o evento danoso.
Neste caso, segundo a Constituição da República, há responsabilidade
das pessoas jurídicas de direito público pelos danos causados pelos
seus agentes a terceiros. Com efeito, é preciso salientar que não cabe

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8ª CÂMARA CÍVEL

qualquer discussão a respeito de existência do elemento subjetivo, dolo


ou culpa, para a caracterização da responsabilidade objetiva do ente
estatal.

Neste sentido, é o entendimento do Excelso Supremo


Tribunal Federal:

A teoria do risco administrativo, consagrada em sucessivos


documentos constitucionais brasileiros desde a Carta Política
de 1946, confere fundamento doutrinário à responsabilidade
civil objetiva do Poder Público pelos danos a que os agentes
públicos houverem dado causa, por ação ou por omissão. Essa
concepção teórica, que informa o princípio constitucional da
responsabilidade civil objetiva do Poder Público, faz emergir,
da mera ocorrência de ato lesivo causado à vítima pelo Estado,
o dever de indenizá-la pelo dano pessoal e/ou patrimonial
sofrido, independentemente de caracterização de culpa dos
agentes estatais ou de demonstração de falta do serviço
público. Os elementos que compõem a estrutura e delineiam o
perfil da responsabilidade civil objetiva do Poder Público
compreendem (a) a alteridade do dano, (b) a causalidade
material entre o eventus damni e o comportamento positivo
(ação) ou negativo (omissão) do agente público, (c) a
oficialidade da atividade causal e lesiva, imputável a agente do
Poder Público, que tenha, nessa condição funcional, incidido
em conduta comissiva ou omissiva, independentemente da
licitude, ou não, do comportamento funcional (RTJ 140/636) e
(d) a ausência de causa excludente da responsabilidade estatal
(RTJ 55/503 – RTJ 71/99 – RTJ 91/377 – RTJ 99/1155 – RTJ
131/417)."(RE 109.615, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 02/08/96).
(grifo nosso)

Compulsando os documentos adunados pelo demandante,


verifica-se que consta apenas um receituário médico a fl. 34 ([Link]
000034), com a mesma data do alegado evento danoso narrado na
inicial (07/02/2013) e um protocolo de atendimento no setor da Pediatria
nesse mesmo dia, a fl. 35 ([Link] 000035).

Em seguida, a fl. 36 ([Link] 000036), há registro de outro


atendimento médico, no dia seguinte (08/03/2013), constando do

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8ª CÂMARA CÍVEL

relatório da história sumária, a existência de um possível trauma de tíbia


esquerda, oportunidade em que o médico solicitou avaliação, nada mais.

Instada a parte autora a se manifestar em provas, a mesma


informou não ter mais provas a produzir, conforme se vê a fl. 70 ([Link]
000070).

Posteriormente, em alegações finais, essas juntadas a fls.


76/77 ([Link] 000076-000077), o demandante voltou a insistir que “...
juntados aos autos as radiografias/comprovantes de atendimento e a
comprovação do lapso temporal que ficou com o devido atendimento em
razão de negligência/imprudência da ré”(sic).

Todavia, dos autos nada consta para amparar as alegações


recursais.

Entendo pela correção do julgado porque, a meu ver, o autor


não se desincumbiu do ônus que lhe cabia, na forma do artigo 333,
inciso I, do Código de Processo Civil de 1973, Estatuto Processual
vigente à época da prolação da sentença.

A juntada de mero registro de atendimento médico no dia do


suposto acidente e na data subsequente não é o suficiente para
demonstrar a efetiva ocorrência do dano e tampouco do alegado erro de
diagnóstico.

Ainda que no atendimento médico realizado no dia seguinte


ao fato narrado na inicial conste a solicitação de avaliação sobre
possível trauma na perna do apelante, não se pode afirmar com
segurança que o problema não tenha sido observado no dia anterior
pelo médico que o atendeu.

Registre-se que as radiografias não vieram aos autos, não


havendo tampouco comprovação do efetivo dano e tampouco do lapso
de tempo em que o autor supostamente permaneceu com o membro
afetado imobilizado.

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8ª CÂMARA CÍVEL

Atente-se, outrossim, considerando que verdadeiramente


tenha ocorrido o trauma, o prolongamento do uso do gesso por mais 30
(trinta) dias, além do período incialmente fixado para imobilização do
membro acidentado, não leva à conclusão óbvia de que o autor recebeu
um serviço médico deficiente na unidade de primeiro atendimento,
sendo certo que, a necessidade de maior ou menor tempo de
imobilização, em tais casos, depende da gravidade da lesão, do repouso
do paciente e da demora que cada organismo leva para se recuperar.

Diante disso, constata-se que o demandante, ora apelante,


deixou de demonstrar até mesmo as fraturas que alega ter sofrido no
acidente enquanto jogava bola.

Nesse contexto, não logrou êxito o recorrente em comprovar


o fato constitutivo do seu direito, razão pela qual não há como se
imputar responsabilidade pelo suposto evento danoso à municipalidade
ré, não tendo esse Órgão Julgador, outros elementos que possam levar
à procedência do pedido autoral.

Dessa forma, é de rigor que a sentença de improcedência


seja mantida.

Neste sentido, se orienta a jurisprudência deste Egrégio


Tribunal de Justiça Estadual, conforme se verifica dos precedentes
abaixo colacionados:

0045878-81.2012.8.19.0014 - APELAÇÃO. Des (a). MAURÍCIO


CALDAS LOPES - Julgamento: 07/05/2015 - DÉCIMA OITAVA
CÂMARA CÍVEL. Indenizatória por danos morais. Serviço
Público Municipal. Atendimento a paciente, vítima de acidente
de trânsito. Erro de diagnóstico. Responsabilidade civil objetiva
do Município. Sentença de improcedência, à míngua de
comprovação pelo autor dos fatos constitutivos do seu direito -
art. 333, I do CPC. Apelação. Embora se tratasse,
inegavelmente, de responsabilidade objetiva, não há no
processo prova alguma da "dor" que o autor afirma haver
suportado, etiologicamente vinculado ao erro de diagnóstico
que atribui ao poder público, e que se constituiria no dano
moral pelo qual pretende se ver indenizado. Assim, embora o

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Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro


8ª CÂMARA CÍVEL

equívoco o diagnóstico, se não há dano provado, muito menos


haveria nexo causal. Recurso a que se nega seguimento.

0011938-09.2008.8.19.0001 - APELAÇÃO. Des (a). MARCOS


BENTO DE SOUZA - Julgamento: 27/07/2010 - DÉCIMA
SEGUNDA CÂMARA CÍVEL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE
RESPONSABILIDADE CIVIL. ALEGAÇÃO DE MÁ
PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS HOSPITALARES E ERRO DE
DIAGNÓSTICO. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA DO
PEDIDO AUTORAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA NÃO
CONFIGURADA. LAUDO PERICIAL MÉDICO CONCLUSIVO
ACERCA DO CORRETO DIAGNÓSTICO E
PROCEDIMENTOS ADOTADOS POR AMBOS OS RÉUS NAS
PRIMEIRAS 24 HORAS DE INTERNAÇÃO. PROVA
TESTEMUNHAL NO MESMO SENTIDO. PACIENTE QUE
OPTOU TRANSFERIR-SE PARA UM TERCEIRO
NOSOCÔMIO, NO QUAL, DA MESMA FORMA COMO NOS
DOIS PRIMEIROS HOSPITAIS, FOI DIAGNOSTICADO
QUADRO DE ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL, SENDO
CONFIRMADO O ANEURISMA, DE FORMA EFETIVA, DOZE
DIAS APÓS A DATA DA INTERNAÇÃO DA AUTORA NESTE
ÚLTIMO ESTABELECIMENTO, ATRAVÉS DE UM EXAME DE
ARTERIOGRAFIA CEREBRAL. AUSÊNCIA DE FALHA NA
CONDUTA TÉCNICA ADOTADA PELOS RÉUS, AFASTANDO,
VIA DE CONSEQUÊNCIA, SEU DEVER DE INDENIZAR.
DESPROVIMENTO DO RECURSO.1. Pretensão que se
destina à condenação dos réus ao pagamento de indenização
por danos materiais e morais, sob alegação de erro de
diagnóstico e má prestação dos serviços oferecidos pelos
réus.2. Impugnação ao laudo pericial, sob alegação de que foi
elaborado por profissional cuja especialização técnica não
restou demonstrada nos autos, que merece ser rejeitada, tendo
em conta que tal alegação foi extemporânea. Tendo sido o
perito do Juízo nomeado em 17 de julho de 2008 e as partes
devidamente intimadas da referida decisão em 22 de julho de
2008, não pode a demandante, decorridos um ano e meio da
nomeação do expert para o encargo, pretender a nomeação de
outro profissional arguindo ausência de especialidade. 3.
Responsabilidade objetiva, para a qual basta a demonstração
do fato, do dano e do nexo causal, independentemente da
existência de culpa e que somente pode ser afastada em razão
de fato exclusivo da vítima ou de terceiros, ou, ainda, pela
inexistência de defeito na prestação do serviço.4. Prova

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Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro


8ª CÂMARA CÍVEL

testemunhal e laudo pericial médico aptos a demonstrar que a


responsabilidade dos réus se encontra elidida pela inexistência
do alegado erro de diagnóstico de seus prepostos, bem como
de falha na prestação de seus serviços, ressaltando-se que o
Hospital Geral de Bonsucesso, assim como os dois réus
diagnosticaram, inicialmente, um quadro de Acidente Vascular
Cerebral - AVC.5. Os procedimentos médicos adotados tanto
pela Casa de Saúde Santa Terezinha quanto pelo Hospital
Mayer se mostraram adequados ao quadro clínico da paciente,
ou seja, com acompanhamento médico, pelo menos nas
primeiras 24 horas, internação em CTI e tratamento clínico com
medicamentos. 6. Parte autora que, juntamente com seus
familiares, optou em pagar todas as despesas de internação no
segundo réu e se transferir para o Hospital Geral de
Bonsucesso na manhã do dia 02/01/2007, tendo este hospital
prosseguido com tratamento da paciente, confirmando, de
forma efetiva, após doze dias de internação a existência de um
aneurisma cerebral.7. Não se pode precisar, com base em
meras suposições, quais procedimentos teriam sido adotados
pelo primeiro e segundo réus caso a autora tivesse
permanecido naqueles estabelecimentos, entretanto, com base
nas provas produzidas nos autos não se vislumbra a presença
dos elementos configuradores da responsabilidade civil objetiva
dos réus, consistentes na falha no atendimento médico e no
erro de diagnóstico por parte de seus prepostos, não havendo,
dessa forma, que se cogitar do seu dever de indenizar. 8.
Manutenção do julgado recorrido.

Ante o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO SE


CONHECER DO RECURSO DA PRIMEIRA APELANTE E DE SE
NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DO SEGUNDO APELANTE.

Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 2018.

AUGUSTO ALVES MOREIRA JUNIOR


Desembargador Relator

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