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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO DE JANEIRO
TERCEIRA CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO
Embargos de Declaração na Apelação Cível nº 0000178-
54.2007.8.19.0080
Embargante: Estado do Rio de Janeiro
Procurador do Estado: Doutor Ricardo Lima Almeida
Embargados: Liana da Rocha Pereira Gandra, Julianna Pereira
Gandra, João José Gandra Júnior
Advogado: Doutor Gezimar Ribeiro Soares
Relator: Desembargador Nagib Slaibi
ACÓRDÃO
Direito da Responsabilidade Civil. Morte do marido e pai dos
autores. Conduta omissiva dos médicos do nosocômio estadual.
Sentença de procedência. Recurso do Estado pugnando pela
reforma para julgar improcedentes os pedidos. Recurso adesivo
dos autores pretendendo a majoração do valor arbitrado a título
de indenização pelos danos morais suportados. Desprovimento de
ambos.
A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito
público é objetiva, fundada no risco administrativo, como prevê o
art. 37, § 6º, da Constituição da República.
Quando se tratar de ato omissivo, é necessário que o Estado
haja incorrido em ilicitude, por não ter agido para impedir o dano
ou por haver sido insuficiente neste mister, em razão de
comportamento inferior ao padrão legal exigível. (Celso Antônio
Bandeira de Mello, in Curso de Direito Administrativo, São Paulo:
Malheiros, 2002, p. 855).
Dano moral configurado, revela-se condizente com as
circunstâncias do fato, sobretudo, com a capacidade econômica
das partes e com a extensão do dano, além de guardar
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equivalência com os valores fixados em julgados análogos, a
quantia fixada em sentença de R$ 100.000,00 (cem mil reais),
que se mantem.
Precedentes citados: 0197915-25.2018.8.19.0001 -
APELAÇÃO. Des(a). MURILO ANDRÉ KIELING CARDONA PEREIRA
- Julgamento: 16/11/2021 - VIGÉSIMA TERCEIRA CÂMARA
CÍVEL; 0324898-79.2012.8.19.0001 - APELAÇÃO. Des(a). JOSÉ
ACIR LESSA GIORDANI - Julgamento: 20/08/2019 - DÉCIMA
SEGUNDA CÂMARA CÍVEL.
Desprovimento de ambos os recursos.
Embargos de declaração. Alegação de omissão quanto ao
índice a ser aplicado aos juros de mora, ante o julgamento do RE
870.947.
Acolhimento dos embargos.
A C O R D A M os Desembargadores da Terceira Câmara
de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por
unanimidade, em acolher os embargos de declaração, nos
termos do voto do Relator.
Vieram os presentes embargos declaratórios contra o acórdão
de fls. 1.125/1.141 alegando omissão quanto ao pedido de aplicação
do que restou definido no RE 870.947 aos juros de mora.
Contrarrazões à fl. 1.156.
É o relatório.
Recurso conhecido, uma vez presentes os requisitos de
admissibilidade.
Assiste razão ao embargante, considerando que o Supremo
Tribunal Federal, no julgamento do Tema 810, RE 870.947/SE,
considerou que quanto às condenações oriundas de relação jurídica
não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de
remuneração da caderneta de poupança é constitucional,
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permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei
nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº 11.960/09.
Portanto, merece acolhimento os embargos de declaração para
determinar a aplicação dos juros moratórios nos termos definidos
pelo STF no RE 870.947.
Neste sentido:
Direito Previdenciário. Revisão de benefício. Condenação do
Rioprevidência a revisar a pensão recebido pelo agravado no
correspondente a 100% do que o ex-servidor receberia, se vivo
estivesse. Cumprimento de sentença.
Decisão agravada que, após o trânsito em julgado da sentença,
alterou, de ofício, a data de incidência dos juros moratórios e
determinou, a pedido, a observância do precedente fixado pelo STF
no julgamento do RE 870.947, submetido a repercussão geral, a
despeito de ter determinado a aplicação do IPCA-e durante todo o
período.
Decisão contraditória e ¿ultra petita¿, que também viola a coisa
julgada, devendo ser corrigida.
Ainda que a superveniência de lei que altere o regime de
atualização do crédito exequendo possa ser aplicada à execução em
curso, por força do princípio ¿tempus regit actum¿, sendo este,
inclusive, o fundamento utilizado pelo magistrado de origem para
determinar a aplicação dos índices definidos pelo STF, no RE
870.947/SE, o mesmo fundamento não se aplicada à decisão que
determinou a alteração do termo inicial dos juros, modificada de
maneira imotivada e sem qualquer pedido, devendo ser reformada
para seguir o estabelecido na sentença.
Provimento do recurso para determinar que os juros sejam
computados a partir da citação, como determinado na sentença e a
correção monetária calculada na forma determinada no julgamento
do RE nº 870.947/SE, aplicando-se os seguintes índices: até
29/06/2009, com base na UFIR-RJ; a partir de 30/06/2009, pela
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TR; e a partir de 25/03/2015 (data da modulação dos efeitos da
decisão contida na ADI nº 4357/DF), pelo IPCA-e.
(0052656-60.2022.8.19.0000 - AGRAVO DE INSTRUMENTO.
Des(a). NAGIB SLAIBI FILHO - Julgamento: 10/10/2022 - SEXTA
CÂMARA CÍVEL)
Assim, ante todo o exposto, voto pelo acolhimento dos
embargos de declaração para determinar a aplicação dos juros
moratórios nos termos definidos pelo STF no RE 870.947.
Rio de Janeiro, 31 de maio de 2023.
Nagib Slaibi – Relator.
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