0% acharam este documento útil (0 voto)
22 visualizações14 páginas

Erro de Diagnóstico e Danos Morais

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro confirmou a sentença que condenou o Hospital Rio Laranjeiras e seus médicos a indenizar Viviane Braga Mandarini de Albuquerque em R$ 30.000,00 por danos morais, devido a erro de diagnóstico em uma lesão no polegar. A perícia concluiu que a cirurgia era imprescindível desde o início, e a falha no diagnóstico prolongou desnecessariamente o sofrimento da paciente. O recurso do médico apelante foi negado, mantendo-se a responsabilidade solidária dos réus.

Enviado por

Alfred MCgregor
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
22 visualizações14 páginas

Erro de Diagnóstico e Danos Morais

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro confirmou a sentença que condenou o Hospital Rio Laranjeiras e seus médicos a indenizar Viviane Braga Mandarini de Albuquerque em R$ 30.000,00 por danos morais, devido a erro de diagnóstico em uma lesão no polegar. A perícia concluiu que a cirurgia era imprescindível desde o início, e a falha no diagnóstico prolongou desnecessariamente o sofrimento da paciente. O recurso do médico apelante foi negado, mantendo-se a responsabilidade solidária dos réus.

Enviado por

Alfred MCgregor
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Poder Judiciário

Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 420

Vigésima Primeira Câmara Cível


APELAÇÃO CÍVEL Nº 0080823-89.2019.8.19.0001B
APELANTE: RENATO MIRANDA CORREDEIRA
APELADA 1: VIVIANE BRAGA MANDARINI DE ALBUQUERQUE
APELADO 2: HOSPITAL RIO LARANJEIRAS LTDA
APELADO 3: ADILSON DIAS DE AVELLAR

RELATOR: DES. MARCO ANTONIO IBRAHIM

Apelação Cível. Direito do Consumidor. Ação Indenizatória por danos


morais. Atendimento em hospital privado. Alegação de erro de
diagnóstico quanto à necessidade de procedimento cirúrgico para
recuperação de ligamentos do polegar direito (lesão de Stener), o que
teria prolongado desnecessariamente o quadro álgico e o afastamento
das atividades laborativas e regulares. Sentença de procedência do
pedido. Confirmação. Laudo pericial conclusivo quanto à
imprescindibilidade da intervenção cirúrgica, realizada por outro
nosocômio, em que prontamente identificada a extensão da lesão
(Grau 3). Logo, o tratamento convencional adotado e defendido pelo
recorrente seria descabido e somente prolongaria, como ocorreu, o
sofrimento da paciente, com repercussões incertas quanto à
irreversibilidade da lesão, tendo em mira que a cirurgia foi realizada
em tempo hábil e com bom resultado, segundo o laudo pericial.
Hipótese em que a obrigação de meio, invocada como tese defensiva,
milita contra o recorrente, na medida em que na medida em que o
contexto fático-probatório revela que não foram empregados os
conhecimentos e meios técnicos necessários para a obtenção de
resultado, qual seja, a pronta recuperação da paciente ou, ao menos,
alívio do quadro álgico. Daí a falha diagnóstica identificada pela
perícia. Nesse contexto, restam configurados os danos morais, cuja
verba deve ser mantida, pois alinhada aos vetores de
proporcionalidade e da razoabilidade (art. 944 do CC c/c súmula nº 343
deste TJRJ). Desprovimento do recurso.

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


1

Assinado em 06/02/2023 19:46:41


MARCO ANTONIO IBRAHIM:4330 Local: GAB. DES MARCO ANTONIO IBRAHIM
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 421

Vigésima Primeira Câmara Cível


Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível 0080823-
89.2019.8.19.0001 em que constam como apelante: RENATO MIRANDA CORREDEIRA,
apelada 1: VIVIANE BRAGA MANDARINI DE ALBUQUERQUE, apelado 2 HOSPITAL RIO
LARANJEIRAS LTDA e apelado 3 ADILSON DIAS DE AVELLAR, acordam os
Desembargadores da Vigésima Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do
Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, na
forma do voto do Desembargador Relator.

RELATÓRIO

Cuida-se, na origem, de ação indenizatória proposta por VIVIANE


BRAGA MANDARINI DE ALBUQUERQUE em face do HOSPITAL RIO LARANJEIRAS
LTDA, de RENATO MIRANDA CORREDEIRA e de ADILSON DIAS DE AVELLAR,
objetivando compensação por danos morais no valor de R$ 30.000,00, em virtude
de erro no diagnóstico de lesão mais grave em seu polegar direito.

A demandante relatou que procurou o Hospital de Laranjeiras em


12/05/2016 após queda e fortes dores no polegar direito, ocasião em que foi
atendida pelo segundo autor [RENATO MIRANDA CORREDEIRA]. Afirmou que após
a prescrição de anti-inflamatório e a imobilização com tala, solicitando o retorno
em cinco dias. No retorno, em 17/08/2018, com intensa dor no local e com
hematoma, foi atendida pelo terceiro réu [ ADILSON DIAS DE AVELLAR], o qual
solicitou a realização de radiografia e, diante da ausência de fratura, recomendou
a manutenção da imobilização. No entanto, com muitas dores, procurou
atendimento no INTO em 31/05/2018, onde submeteu-se a procedimento
cirúrgico em 06/06/2016 para correção do problema identificado como “Lesão
de Stener”. Asseverou que caso a cirurgia demorasse mais tempo a sequela no
polegar direito seria irreversível, o que corroboraria o erro de diagnóstico, cuja

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


2
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 422

Vigésima Primeira Câmara Cível


lesão seria perceptível por simples ultrassonografia, ignorada pelos demandados.
Destaca que após diversas sessões de fisioterapia, persistem limitações de
movimento e dormência.

Contestação do segundo réu (index 108), em que, preliminarmente,


impugnou a gratuidade de justiça. No mérito, teceu esclarecimentos a respeito
da “Lesão de Stener”, esclarecendo que o protocolo de tratamento, segundo
especialista, teria duas opções: imobilização ou realização de cirurgia de
reconstrução do ligamento. Defende que, baseado na literatura médica, optou
pela primeira hipótese. Asseverou que não há nenhum indício de que o
atendimento foi prestado de forma negligente, mencionando que “não se
submete o paciente em exame de imagem em um primeiro atendimento de queda
de própria altura com relato de DOR no polegar” (fls. 111). Destacou que a
procura por atendimento no INTO reflete apenas que a demandante não mais
desejava continuar com o tratamento no Hospital de Laranjeiras, com ênfase para
o fato de que os médicos do INTO não teriam atribuído o atendimento inicial a
necessidade de realização da cirurgia. Em suma, refutou o nexo causal delineado
pela demandante.

Por seu turno, o primeiro e o segundo réu também contestaram a


demanda (index 120) sob a alegação de que não há ilícito indenizável, na medida
em que não houve falha na prestação do serviço, pois realizado exame físico
criterioso desde o primeiro atendimento, o qual adotou método conservador de
tratamento ao providenciar a imediata imobilização, evitando-se a realização
imediata de cirurgia que possui riscos. Destacaram a vasta expediência de ambos
os profissionais que atenderam a autora e que o exame de imagem (radiografia)
teria confirmado o diagnóstico, daí a recomendação de continuidade do
tratamento em curso, afastando a urgência delineada pela recorrente.
Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B
3
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 423

Vigésima Primeira Câmara Cível


Ponderaram que a autora decidiu transferir seu tratamento para o INTO e que as
intercorrências dele resultantes não lhes podem ser atribuídas. Insistem que os
profissionais daquele instituto não indicaram nenhuma falha no tratamento que
até então fora prescrito. Acentuaram a ausência de culpa do terceiro réu, o qual
teria atuado em conformidade com a boa prática profissional. Pontuaram a
aplicação da teoria da causalidade adequada e a inexistência de danos morais
indenizáveis.

Réplica (index 144), em que se realçou a gratuidade de justiça como


meio para assegurar efetivo acesso à justiça diante hipossuficiência retratada no
contracheque anexado aos autos. Enfatizou que a emergência está comprovada
exatamente em razão da realização a cirurgia em apenas três dias, pois a
realidade na rede pública não autorizaria outra compreensão. No mais, reproduz
os argumentos lançados na inicial.

Inaugurada a fase instrutória, a parte autora requereu a produção da


prova pericial (index 160), também pleiteada pelo primeiro e terceiro réus (index
185).

A decisão saneadora (index 190) determinou a produção da perícia,


cujo laudo é conclusivo no sentido de que houve falha no diagnóstico (index 301).

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


4
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 424

Vigésima Primeira Câmara Cível

Não houve impugnação ao laudo (index 329).

Sobreveio a prolação da sentença de procedência do pedido,


condenando os demandados, solidariamente, ao pagamento de R$ 30.000,00 a
título de indenização por danos morais. Confira-se (index 358):

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


5
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 425

Vigésima Primeira Câmara Cível


Inconformado, o segundo réu [RENATO MIRANDA CORREDEIRA]
interpôs o presente apelo (index 381), em que retoma as teses defensivas
consignadas em sua peça de defesa. Enfatiza que sua obrigação seria de meio e
que atuou dentro dos padrões protocolares para tratamento conservador da
lesão. Requer, essencialmente, a reforma da sentença, sob a alegação de que em
confronto com o conjunto fático-probatório, e, subsidiariamente, a redução do
valor da indenização.

As contrarrazões prestigiam a sentença e realçam que, em resposta


aos quesitos 4 e 5, o perito esclareceu que as lesões descritas nos autos seriam
tratáveis apenas por cirurgia. Defende a preservação do valor arbitrado com base
no argumento de que teve o sofrimento desnecessariamente prolongado (index
237).

É o relatório.

VOTO

Satisfeitos os pressupostos intrínsecos e extrínsecos de


admissibilidade, este recurso deve ser conhecido.

A celeuma instalada nos autos resume-se em estabelecer se há


confirmação do nexo causal descrito pela demandante, que se reputa vítima de
erro de diagnóstico no tratamento de lesão de Stener no polegar direito,
caracterizadora de dano capaz de justificar a responsabilização por danos morais
no patamar de R$ 30.000,00, diante do desnecessário prolongamento do estado
álgico e do afastamento de suas atividades laborativas.

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


6
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 426

Vigésima Primeira Câmara Cível


Extrai-se dos autos que a causa de pedir está associada à imperícia na
avaliação da melhor estratégia terapêutica para tratamento da lesão inicialmente
caracterizada pelo inchaço, fortes dores e hematomas no polegar direito, após
queda da própria altura, característica de “Lesão de Stener”, a qual não foi
identificada de pronto em duas consultas realizadas com profissionais vinculados
ao Hospital Rio Laranjeiras, mas apenas em terceiro momento ao procurar o
INTO, onde realizada cirurgia três dias após a primeira consulta para recuperação
imediata dos ligamentos.

Vale lembrar que a responsabilidade civil do médico é subjetiva,


exigindo, para a sua caracterização, a prova de conduta negligente, imprudente
ou imperita, da qual resultou dano, quando atua de forma autônoma e sem
relação de emprego com clínica ou hospital (art. 14, §4º do CDC). Do contrário, a
responsabilidade será objetiva da pessoa jurídica, por vício do serviço. Há, ainda,
a terceira via, em que o profissional médico possui responsabilidade solidária com
o estabelecimento onde atua eventualmente, sem vínculo empregatício,
hipótese em que o hospital responde por culpa in eligendo ou vigilando (arts. 932
e 933 do CC).

No caso, não constam dos autos informações explícitas a respeito do


vínculo de emprego do recorrente com o Hospital Rio Laranjeiras. De todo modo,
os autos evidenciam a imperícia do profissional e a culpa in vigilando do Hospital,
apta a atrair a confirmação da sentença quanto à solidariedade dos demandados
pelos danos morais experimentados pela demandante.

Também é digno de registro que a apreciação do erro de diagnóstico


deve ser cautelosa, com tônica especial quando os métodos científicos são

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


7
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 427

Vigésima Primeira Câmara Cível


discutíveis ou sujeitos a dúvidas, pois nesses casos o erro profissional não pode
ser considerado imperícia, imprudência ou negligência.

Daí a extrema relevância do laudo pericial para solução da


controvérsia (index 301), o qual é categórico quanto à falha no pronto diagnóstico
da lesão ou sua extensão, destacando que o tratamento seria exclusivamente
cirúrgico diante do completo rompimento dos ligamentos (grau 3).

Logo, não há divergência quanto aos métodos científicos, sequer seria


cabível a abordagem conservadora defendida pelo recorrente, sendo certo que,
segundo o laudo, não consta dos boletins de primeiro atendimento sequer a
realização de inspeções estática e dinâmica. Do que se conclui a ausência de
interesse na investigação mais apurada da dor descrita pela demandante.
Confira-se:

(...)

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


8
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 428

Vigésima Primeira Câmara Cível

(...)

Nesse contexto, embora não sejam cabíveis elocubrações a respeito


de eventual agravamento pela demora no diagnóstico do grau da lesão e da

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


9
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 429

Vigésima Primeira Câmara Cível


realização da cirurgia, pois, segundo o laudo, fato é que a prova é contundente
em expor o erro no pronto diagnóstico e o desnecessário prolongamento do
estado de angústia e incerteza da demandante quanto à real dimensão de seu
problema, cujas dores não cessavam mesmo com o uso de medicamentos e
imobilização, exatamente porque não seriam os meios adequados para o
tratamento da doença.

Argumenta-se que haveria obrigação de meio, em vez de obrigação de


resultado. Nada obstante, houve falha exatamente no cumprimento da primeira,
na medida em que o contexto fático-probatório revela que não foram
empregados os conhecimentos e meios técnicos necessários para a obtenção de
resultado, qual seja, a pronta recuperação da paciente ou, ao menos, alívio do
quadro álgico. Daí a falha diagnóstica identificada pela perícia.

Não há elementos capazes de alterar a conclusão de que o recorrente


agiu com imperícia ao dispensar os exames físicos e de imagem capazes de
dimensionar com maior precisão o trauma sofrido pela autora, a qual teria que
se submeter a procedimento cirúrgico desde o princípio, porquanto se tratava de
lesão completa dos ligamentos da articulação da base do polegar (Grau 3), os
quais são se recuperariam senão por intervenção cirúrgica, imediatamente
identificada pelos profissionais do INTO que a operaram três dias com a urgência
que a situação requeria e dentro das limitações peculiares à rede pública.

Vale frisar que não admite a alegação de abandono do tratamento pela


paciente como hipótese capaz de justificar o rompimento do nexo causal, diante
de legítimo perecimento da confiança quanto à obtenção de diagnóstico
conclusivo e satisfatório, os quais não foram alcançados em duas oportunidades

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


10
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 430

Vigésima Primeira Câmara Cível


pregressas em que se queixava de fortes dores e do incessante inchaço, não
atenuados com o uso da medicação prescrita.

Dessa forma, confirma-se o nexo causal entre a imperícia médica na


realização do diagnóstico correto da doença e o prolongado sofrimento a que a
recorrente foi exposta, o que evidencia a configuração de danos morais
indenizáveis.

Nesse mesmo sentido:

PROCESSUAL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM


RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA DECORRENTE DE ERRO MÉDICO
EM PROCEDIMENTO OCORRIDO NO HOSPITAL DE BASE DO GAMA/DF.
CONFORME CONSTOU DO ACÓRDÃO RECORRIDO, A DEMORA NO
DIAGNÓSTICO, A INDEFINIÇÃO DO CORRETO PROCEDIMENTO A SER
ADOTADO E A TARDIA REALIZAÇÃO CIRÚRGICA CARACTERIZAM A DESÍDIA
NO ATENDIMENTO E, PORTANTO, EVIDENCIAM OS DANOS MORAIS
SOFRIDOS PELO AUTOR E A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.
PREMISSAS DO ARESTO IMPASSÍVEIS DE REEXAME NESTA VIA RECURSAL
ESPECIAL. A ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO LÓGICA
CARACTERIZA INOVAÇÃO RECURSAL, NÃO PODENDO SER CONHECIDA DADA
A AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. AGRAVO INTERNO DO DISTRITO
FEDERAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. Segundo o aresto recorrido, a responsabilidade administrativa é evidente
no caso em que se constatou conduta negligente e desidiosa no tratamento
médico, evidenciando os danos morais sofridos pelo autor e a
responsabilidade civil do Estado.
2. A alteração das conclusões do acórdão, com base nas provas constantes
nos autos, implicaria o revolvimento do conteúdo fático-probatório da
demanda, o que se mostra inviável em sede de Recurso Especial, nos termos
da Súmula 7/STJ.
3. A tese de ocorrência da preclusão lógica não pode ser conhecida, haja vista
tratar de tema não prequestionado pela Corte de origem (Súm. 282/STF).
4. Agravo Interno do DISTRITO FEDERAL a que se nega provimento.
(AgInt no AREsp n. 1.053.027/DF, relator Ministro Napoleão Nunes Maia
Filho, Primeira Turma, julgado em 10/12/2018, DJe de 19/12/2018.)

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


11
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 431

Vigésima Primeira Câmara Cível


Quanto ao valor da indenização por danos morais, tenho que a verba
arbitrada em R$ 30.000,00 mil atende aos atende aos princípios da razoabilidade
e da proporcionalidade, tendo em conta as circunstâncias do caso, a gravidade
do dano, o tempo de afastamento das atividades laborativas, preponderando em
nível de orientação central a ideia de sancionamento que exsurge da doutrina das
punitive damages, observados os arts. 844 e 944 do CC, sem perder de vista a
finalidade essencial de compensação pelo injusto efetivamente sofrido.

A propósito:

0032104-23.2017.8.19.0203 - APELAÇÃO
Des(a). LUCIA HELENA DO PASSO - Julgamento: 29/09/2022 - VIGÉSIMA
SÉTIMA CÂMARA CÍVEL

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AUTORA, CRIANÇA COM


CERCA DE 4 MESES DE IDADE, QUE APRESENTA QUADRO INFECCIOSO E
BUSCA ATENDIMENTO MÉDICO JUNTO AO HOSPITAL RÉU. QUADRO
INFECCIOSO NÃO SOLUCIONADO. RETORNO AO ATENDIMENTO POR
QUATRO VEZES, EM UM PERÍODO DE CERCA DE 15 DIAS, SEM SOLUÇÃO.
AUTORA QUE BUSCOU ATENDIMENTO EM OUTRO HOSPITAL, ONDE FOI
INDICADA CIRURGIA REPARADORA DE URGÊNCIA. AUTORA QUE ALEGA A
EXISTÊNCIA DE ERRO DE DIAGNÓSTICO DOS PRIMEIROS ATENDIMENTOS.
SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO DA AUTORA QUE PRETENDE A
MAJORAÇÃO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. FALHA NA PRESTAÇÃO
DE SERVIÇO CONFIGURADA. LAUDO PERICIAL QUE ATESTA A FALHA DO
ATENDIMENTO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS EM RAZÃO DA FALHA DE
DIAGNÓSTICO. VALOR DA INDENIZAÇÃO QUE MERECE MAJORAÇÃO EM
OBSERVÂNCIA À RAZOABILIDADE, À PROPORCIONALIDADE E AOS
PARÂMETROS ADOTADOS POR ESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA EM CASOS
SIMILARES [R$ 10.000,00]. RECURSO CONHECIDO A QUE SE DÁ PARCIAL
PROVIMENTO.

0251656-19.2014.8.19.0001 - APELAÇÃO
Des(a). MARIA CELESTE PINTO DE CASTRO JATAHY - Julgamento: 14/06/2022
- VIGÉSIMA PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL

Apelação Cível. Direito do Consumidor. Plano de Saúde. Ação de Obrigação


de Fazer c/c Indenização por Danos Materiais e Morais. Autora alega
negativa da operadora do plano de saúde ao pedido de reembolso de
despesas médicas/cirúrgicas, bem como de custeio da reconstrução da
mama esquerda. Sustenta erro no diagnóstico pelo laboratório (segundo
Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B
12
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 432

Vigésima Primeira Câmara Cível


réu), o que teria provocado a recusa, pelo plano de saúde ao pedido de
autorização para a cirurgia, sendo enquadrado como procedimento eletivo.
Tutela de urgência deferida para determinar à ré UNIMED RIO que autorize
a cobertura do procedimento cirúrgico agendado para o dia 22/04/2015,
conforme indicado pelos médicos que assistem à requerente. Sentença de
improcedência. Recurso de apelação interposto pela parte autora. 1.
Preliminar de nulidade do julgado por suposta ausência de fundamentação
que se afasta. Sentença que contém todas as razões e fundamentos de
convicção do magistrado para o resultado do julgamento. 2. Inversão do ônus
da prova que não se opera de forma automática, não sendo a hipótese de
inversão ope legis, eis que cabe ao magistrado a ponderação sobre o
preenchimento de requisitos legais no caso concreto. Art. 6º, VIII, do CDC. 3.
Ausência de responsabilidade do laboratório (2º réu) em relação à
descoberta do carcinoma na mama esquerda somente com a biópsia pós-
cirurgia. Laudo pericial atesta que não há evidência de erro no diagnóstico
apresentado pelo laboratório. Biópsia prévia realizada no laboratório que
apresenta diagnóstico de adenose mamária na mama esquerda, em
06/11/2013, sendo negativa para malignidade e confirmada por
imunohistoquímica, no mesmo laboratório. 4. Autora que, ao receber o
diagnóstico de carcinoma na mama direita, decide pela retirada de ambas as
mamas, sendo a esquerda retirada por prevenção, de acordo com a indicação
do seu médico. Realizada mastectomia bilateral com linfadenectomia axilar
seletiva com reconstrução bilateral imediata com expansor, em 18/12/2013.
5. Pedido de autorização relacionado à retirada da mama esquerda, com a
sua reconstrução (1ª etapa), que foi negado pelo plano de saúde, na fase pré-
operatória, em razão da ausência de diagnóstico de câncer. 6. Resultado da
biópsia posterior à cirurgia que atesta a presença do carcinoma na mama
esquerda. 7. Ainda que ausente diagnóstico da malignidade, no pré-
operatório, tal circunstância foi verificada no momento posterior ao
procedimento, o que caracteriza o dever de ressarcimento, pela parte ré, das
despesas relacionadas à cirurgia de retirada da mama esquerda e de sua
reconstrução (1ª etapa), observada, todavia, a tabela utilizada pelo plano de
saúde. Valores a serem apurados na fase de liquidação de sentença. 8.
Cobertura da segunda etapa da reconstrução mamária que deve ser
providenciada pela operadora do plano de saúde. Confirmação da decisão de
tutela de urgência que se impõe. 9. Dano moral configurado. Negativa ao
pedido de reconstrução da mama (2ª etapa), posterior ao diagnóstico de
carcinoma na mama esquerda, que se mostra abusiva. Dever de indenizar da
operadora do plano de saúde. 10. Verba indenizatória que deve ser fixada
em R$ 10.000,00 (dez mil reais), eis que adequada às especificidades do caso,
observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. PARCIAL
PROVIMENTO AO RECURSO.

0408717-06.2015.8.19.0001 - APELAÇÃO
Des(a). REGINA LUCIA PASSOS - Julgamento: 02/02/2022 - VIGÉSIMA
QUARTA CÂMARA CÍVEL

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


13
Poder Judiciário
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 433

Vigésima Primeira Câmara Cível


Apelação Cível. Ação Indenizatória. Relação de Consumo. Direito à Saúde.
Paciente diabético. Atendimento em nosocômio. Alegação de erro de
diagnóstico. Sentença de procedência parcial. Reforma em parte.
Responsabilidade objetiva do hospital quanto aos serviços prestados, a teor
do art. 14 do CDC. Paciente diabético e hipertenso com dor intensa nos pés
e isquemia. Preposto do réu que diagnosticou quadro de "gota".
Permanência do quadro álgico. Retorno a outro nosocômio três dias após,
quando houve o diagnóstico correto e indicação para cirurgia de amputação.
Prova pericial que confirmou o erro do primeiro diagnóstico. Contudo, não
indicou a piora no quadro ou a perda de chance de cura. Porém, houve
postergação no quadro de dores e início de tratamento correto. Danos
morais configurados. Verba majorada para R$10.000,00 (dez mil reais).
Observância dos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade
Majoração dos honorários advocatícios, na forma do art.85, §11, do CPC.
Jurisprudência e precedentes citados: 0005662-79.2015.8.19.0206 -
APELAÇÃO. Des(a). ANTONIO CARLOS ARRABIDA PAES - Julgamento:
21/10/2021 - PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL; 0004627-71.2008; .8.19.0031 -
APELAÇÃO. Des(a). HELENO RIBEIRO PEREIRA NUNES - Julgamento:
06/07/2021 - QUINTA CÂMARA CÍVEL; 0104338-47.2016.8.19.0038 -
APELAÇÃO. Des(a). ALVARO HENRIQUE TEIXEIRA DE ALMEIDA - Julgamento:
17/03/2021 - VIGÉSIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL. DESPROVIMENTO DO
RECURSO. PROVIMENTO DO RECURSO ADESIVO.

Dessa maneira, não há justificativa para sua redução diante dos


percalços já narrados e do teor da súmula 343 deste TJRJ ao preconizar que “A
verba indenizatória do dano moral somente será modificada se não atendidos
pela sentença os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade na fixação do
valor da condenação.”

À conta de tais fundamentos, hei por bem votar no sentido de negar


provimento ao recurso, elevando-se os honorários sucumbenciais, na forma do
art. 85, §11 do CPC, em 3% sobre a mesma base de cálculo adotada pela sentença.

Rio de Janeiro, 02 de fevereiro de 2023.

DES. MARCO ANTONIO IBRAHIM


Relator
B

Apelação Cível nº 0080823-89.2019.8.19.0001 - B


14

Você também pode gostar