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Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro
10ª Câmara de Direito Privado (Antiga Primeira Câmara Cível)
Embargos de Declaração na Apelação Cível nº 0002386-12.2008.8.19.0036
(12)475-A
Embargante: Gina Maria Ludgerio Iracema
Relator: Des. Camilo Ribeiro Rulière
ACÓRDÃO
Embargos de Declaração em Apelação. Matérias
apreciadas e decididas pelo Aresto embargado, de
forma coerente e fundamentada. Inocorrência de
vícios a sanar. Desprovimento dos declaratórios.
Relatados e discutidos estes autos de Embargos de Declaração em
Apelação Cível em que é embargante Gina Maria Ludgerio Iracema.
Acordam os Desembargadores que compõem a 10ª Câmara de Direito
Privado do Tribunal de Justiça, por unanimidade de seus votos, em negar
provimento aos Embargos de Declaração.
Trata-se de Embargos de Declaração em Apelação Cível opostos por
Gina Maria Ludgerio Iracema (indexador 353), alvejando o Aresto lançado no
indexador 339, que negou provimento à Apelação interposta pelo embargante.
A embargante alega que o Acórdão incorreu em omissão, tendo em
vista a ausência de pronunciamento a respeito das provas e argumentos constantes
nos autos, aptos a demonstrar a falha na prestação de serviço pelos réus.
Pugna pela reforma do Acórdão.
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Assinado em 10/08/2023 19:16:37
CAMILO RIBEIRO RULIERE:8874 Local: GAB. DES CAMILO RIBEIRO RULIERE
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Embargos de Declaração na Apelação Cível nº 0002386-12.2008.8.19.0036
Relatados, decido:
Nos precisos termos do artigo 1.022 do Código de Processo Civil,
cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial, para esclarecer
obscuridade ou eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre o
qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; ou, ainda, para corrigir
erro material.
O recurso deve ser desprovido. Na realidade, não existe omissão a
sanar, posto que o Acórdão recorrido apreciou, coerente e fundamentadamente,
todas as matérias relevantes ao deslinde da causa, enfrentando fundamentadamente
a questão da alegada falha na prestação de serviços conforme transcrição a seguir:
“(...)
Ficou evidenciado, tanto pela defesa apresentada pelos
réus, quanto pela prova pericial, que os exames de
imagem possuem margem de erro e, portanto, estão
sujeitos a certo percentual de falha no rastreio. A prova
foi realizada por perito de confiança do Juízo e
elaborada de forma técnica e equidistante dos interesses
das partes deste processo.
Desse modo, caberia à Autora a prova do fato
constitutivo de seu direito, a teor da regra insculpida no
artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil,
notadamente por se tratar de responsabilidade subjetiva
do médico, em que o elemento culpa (imprudência,
imperícia ou negligência) necessita ser demonstrado,
ônus este do qual, todavia, a demandante não logrou se
desincumbir.
(...).”
Logo, o que se verifica é que a embargante pretende rediscutir as suas
teses em sede de embargos de declaração, o que é contrário ao objetivo de tal
espécie recursal, inexistindo qualquer omissão, obscuridade ou contradição interna
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no Acórdão impugnado, que causasse desarmonia entre a fundamentação e as
conclusões da própria decisão, capaz de respaldar o acolhimento dos aclaratórios.
Por fim, não há exigência legal no sentido de o julgado dissecar,
artigo por artigo, as normas legais mencionadas pelas partes, razão pela qual não
há que se falar em omissão quanto aos artigos indicados nas razões dos embargos.
Com efeito, consoante entendimento das Cortes Superiores, o
prequestionamento explícito é desnecessário quando a matéria de fundo tiver sido
devidamente apreciada pelo julgador, o qual não está obrigado a examinar todos os
dispositivos legais invocados quando proferir decisões coerentemente
fundamentadas.
O recurso não se presta à finalidade infringente.
Assim, nega-se provimento aos Embargos de Declaração.
Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2023.
Desembargador CAMILO RIBEIRO RULIÈRE
Relator
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