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Apelação Cível: Erro Médico e Indenização

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Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro


Décima Câmara de Direito Privado (Antiga Primeira Câmara Cível)

Apelação Cível nº 0002386-12.2008.8.19.0036

(12)435
Apelante: Gina Maria Ludgerio Iracema

Apelados: 1) Adriano Zaquine

2) Laboratório de Anatomia Patológica WAFA Ltda.

Relator: Desembargador Camilo Ribeiro Rulière.

ACÓRDÃO

Ação Indenizatória. Alegação de erro médico.


Exame de imagem. Ausência de rastreio do
diagnóstico de síndrome de Down. Prova pericial
produzida nos autos, conclusiva. Não ocorrência de
falha no atendimento médico prestado. Sentença de
improcedência que se mantém. Desprovimento da
Apelação.

Relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível, originários do


Juízo de Direito da 1ª Vara Cível da Comarca de Nilópolis, em que é apelante Gina
Maria Ludgerio Iracema e são apelados Adriano Zaquine e outro.

Acordam os Desembargadores que compõem a Primeira Câmara


Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade de seus
votos, em negar provimento à Apelação, nos termos do Acórdão.

Trata-se de Recurso de Apelação, em fls. 262/265 (indexador 310),


interposto por Gina Maria Ludgerio Iracema, alvejando a Sentença de fls. 256/9
(indexador 303), que, em Ação Indenizatória ajuizada em face de Laboratório de
Anatomia Patológica WAFA Ltda. e Adriano Zaquine, julgou improcedente a

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03/05/2023 15:15:35
CAMILO RIBEIRO RULIERE:8874 Local: GAB. DES CAMILO RIBEIRO RULIERE
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pretensão autoral, condenando a parte autora ao pagamento das despesas


processuais e honorários advocatícios fixados em 10% do valor da condenação
(como consta na Sentença), observada a gratuidade de justiça.

A apelante pugna pela reforma da Sentença, alegando, em síntese, que


houve falha na prestação de serviço médico.

Contrarrazões nos indexadores 315 e 322.

Relatados, decido:

Narra a autora que, após ter quatro filhos, engravidou do quinto no


ano de 2004, vindo a nascer uma menina em 08/03/2005.

Afirma que, com 12 semanas de gestação, a pedido do médico,


segundo réu, realizou exames de imagem (ultrassonografia) no estabelecimento do
1º demandado, cujo resultado apontou "gestação tópica compatível com 12
semanas de evolução" e transluscência nucal 2.0 mm, o que aponta para a
normalidade do feto.

Alega que, posteriormente, já com 27/8 semanas de gestação, retornou


ao laboratório para novo exame, cujo resultado também apontou para um feto
normal.

Sustenta que a gestação prosseguiu normalmente e no parto foi


surpreendida com a notícia de que a criança era portadora de síndrome de Down.

Afirma que os réus foram negligentes, pois os exames deveriam ter


sido feitos com a cautela para uma gestação de mulher com 40 anos de idade.

Alega que a descoberta precoce da condição prepararia a família para


o tratamento adequado, além de questões psicológicas.

Requer a condenação da parte ré ao pagamento de indenização por


danos morais.

A hipótese se amolda aos conceitos de consumidor e fornecedor


previstos nos artigos 2º e 3º da Lei 8.078/90, aplicando-se ainda, para os

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profissionais médicos, as disposições do artigo 14, parágrafo 4º do referido


Código.

“Art. 14. O fornecedor de serviços responde,


independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores
por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem
como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos (...)

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais


liberais será apurada mediante a verificação de
culpa.”

Com o objetivo de apurar a culpa do profissional que atendeu a autora


e analisar o atendimento médico prestado pelo laboratório, o juízo de origem
determinou a realização de prova pericial, cujo laudo pericial concluiu (fls. 401/7,
indexador 440).

“Nos últimos anos, os recursos propedêuticos vêm


permitindo um maior índice diagnóstico durante o
pré-natal, o que não permite qualquer tipo de
intervenção. Porém, como vimos através da
literatura médica apresentada, estes métodos
diagnósticos apresentam margem de erro e,
portanto, entendemos que a falta de diagnóstico
durante a gravidez não significa falha no
atendimento médico prestado à autora.”

Ficou evidenciado, tanto pela defesa apresentada pelos réus, quanto


pela prova pericial, que os exames de imagem possuem margem de erro e,
portanto, estão sujeitos a certo percentual de falha no rastreio. A prova foi
realizada por perito de confiança do Juízo e elaborada de forma técnica e
equidistante dos interesses das partes deste processo.

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Desse modo, caberia à Autora a prova do fato constitutivo de seu


direito, a teor da regra insculpida no artigo 333, inciso I do Código de Processo
Civil de 1973, vigente quando proposta a demanda, correspondente ao artigo 373,
inciso I do Diploma de 2.015, notadamente por se tratar de responsabilidade
subjetiva do médico, em que o elemento culpa (imprudência, imperícia ou
negligência) necessita ser demonstrado, e objetiva do Laboratório, ônus do qual a
demandante não logrou se desincumbir.

Destarte, em razão da manutenção da improcedência do pedido, deve-


se majorar os honorários sucumbenciais, ora arbitrados em 2% sobre o valor
atribuído à causa, na forma do artigo 85, parágrafo 11º do Código de Processo
Civil, observando-se a gratuidade de justiça.

Assim, nega-se provimento à Apelação, na forma do Acórdão.

Rio de Janeiro, 27 de abril de 2023.

Desembargador CAMILO RIBEIRO RULIÈRE


Relator

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