Potenciais Evocados Auditivos na Dislexia
Potenciais Evocados Auditivos na Dislexia
2009 Informática
Departamento de Línguas e Culturas
Secção Autónoma de Ciências da Saúde
II
Dedico este trabalho aos meus Pais pelo apoio e dedicação incondicional
III
o júri
presidente Doutor Armando José Formoso de Pinho
Professor Associado com Agregação da Universidade de Aveiro
IV
Agradecimentos Ao Prof. Doutor António Teixeira pela orientação e ajuda disponibilizada.
A todas as crianças e aos seus pais e/ou responsáveis que fizeram parte da
amostra deste estudo.
V
palavras-chave Dislexia, Potenciais Evocados Auditivos de Longa Latência (PEALL), Mismatch
Negativity (MMN).
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keywords Dyslexia, Long Latency Auditory Evoked Potential, Mismatch Negativity (MMN).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
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_________________________Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
ÍDICE
EQUADRAMETO TEÓRICO……………………………………………………………… 3
Capítulo II – AATOMO-FISIOLOGIA DO SISTEMA AUDITIVO …………………….. 4
2.1 – SISTEMA AUDITIVO PERIFÉRICO ………………………………………………………... 5
2.2 – SISTEMA AUDITIVO CENTRAL ………………………………………………………….... 9
2.2.1 – VIA AUDITIVA AFERENTE ………………………...…………………………….……………….... 9
2.2.2 – VIA AUDITIVA EFERENTE …………………………………..……………………………….......... 14
Capítulo III – O CÉREBRO ………………………………………………………………………... 16
3.1 – LOBO TEMPORAL ………………………………………………………………………....... 18
3.1.1 – CÓRTEX AUDITIVO ………………………………………..………………………….…… 22
Capítulo IV – AVALIAÇÃO AUDITIVA ………………………………………………………... 24
4.1 – AVALIAÇÃO AUDITIVA PERIFÉRICA ……………………………………….…………… 24
4.2 – AVALIAÇÃO AUDITIVA CENTRAL ………………………………………….………….. 27
Capítulo V – POTECIAIS EVOCADOS AUDITIVOS ……………………………………… 30
5.1 – POTENCIAIS EVOCADOS AUDITIVOS DO TRONCO ENCEFÁLICO ………………….. 31
5.2 – POTENCIAIS EVOCADOS AUDITIVOS DE MÉDIA LATÊNCIA ………………………... 33
5.3 – POTENCIAIS EVOCADOS AUDITIVOS DE LONGA LATÊNCIA ……………………….. 35
5.3.1 – POTENCIAIS EXÓGENOS ………………….………………...……………………………… 36
5.3.2 – POTENCIAIS ENDÓGENOS ……………..……………………..………….………………… 38
[Link] – P300 …………………………………………………………………………………….. 39
Capítulo VI– MISMATCH EGATIVITY – MM …………………………………………… 42
6.1 – PARÂMETROS DE AQUISIÇÃO ………………………………………………………….… 44
IX
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
METODOLOGIA ……………………………………………………………………...................... 60
Capítulo VIII – METODOLOGIA E AMOSTRA ……………………………………………… 61
8.1 – AMOSTRA ……………………………………………………………………………………. 61
8.1.1 – CRITÉRIOS DE INCLUSÃO ……………………………………………………………….… 64
[Link] – CRITÉRIOS DE INCLUSÃO PARA A FORMAÇÃO DO GRUPO DE DISLÉXICOS ……….. 64
[Link] – CRITÉRIOS DE INCLUSÃO PARA A FORMAÇÃO DO GRUPO DE CONTROLO ................ 64
8.2 – PROCEDIMENTOS …………………………………………………………………………... 64
8.2.1 – AVALIAÇÃO AUDITIVA PERIFÉRICA ……………………………………........................... 65
8.2.2 – AVALIAÇÃO DOS POTENCIAIS EVOCADOS AUDITIVOS ……………………………........ 66
CAPÍTULO IX – RESULTADOS …………………………………………………………………. 70
9.1 – ANÁLISE DOS RESULTADOS …………………………………………………………….... 71
9.1.1 – Questão 1 – O POTENCIAL MMN CONSEGUE SEPARAR O GRUPO DE DISLÉXICOS DO
GRUPO DE NÃO DISLÉXICOS? ………………………………………………………………......... 71
9.1.2 – Questão 2 – O MÉTODO UTILIZADO PARA A MARCAÇÃO DA CURVA DO POTENCIAL
MMN FOI SATISFATÓRIO? …………………………………………………………………..……. 74
9.1.3 – Questão 3 – EXISTE ALGUMA DIFERENÇA ESTATISTICAMENTE SIGNIFICATIVA ENTRE
O OUVIDO DIREITO E O OUVIDO ESQUERDO, RELATIVAMENTE AO POTENCIAL MMN? …….. 77
9.1.4 – Questão 4 – EXISTE ALGUMA DIFERENÇA ESTATISTICAMENTE SIGNIFICATIVA ENTRE
O GÉNERO FEMININO E O GÉNERO MASCULINO, RELATIVAMENTE AO POTENCIAL MMN? … 79
9.1.5 – Questão 5 – DENTRO DO GRUPO DE DISLÉXICOS EXISTE ALGUMA DIFERENÇA ENTRE
A AMOSTRA QUE TOMA MEDIAÇÃO E A QUE NÃO TOMA MEDICAÇÃO? ……………….……. 81
9.1.6 – Questão 6 - OS VALORES DOS POTENCIAIS EXÓGENOS (P1, N1, P2, N2) DIFEREM ENTRE
OS GRUPOS (DISLEXICOS/ NÃO DISLÉXICOS)?……..…………………………………................. 82
9.1.7 – Questão 7 - EXISTE UMA DIFERENÇA SIGNIFICATIVA NOS POTENCIAIS P300 ENTRE O
GRUPO DE DISLEXICOS E O GRUPO DE NÃO DISLÉXICOS? …………………………………….. 86
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_________________________Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
XI
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
ÍDICE DE FIGURAS
Figura 2.1 – Esquema Representativo do Ouvido (Costa, 2008)………………………………. 4
Figura 2.2 – Sistema Auditivo Periférico (BONALDI et al., 2004)……………………………. 5
Figura 2.3 – Ouvido Médio (MARTINS, 2008)……………………………………………….. 6
Figura 2.4 – Passagem do Som do Ouvido Externo à Cóclea (COSTA, 2008)………………... 7
Figura 2.5 – Órgão de Cortí (BONALDI et al., 2004)…………………………………………. 8
Figura 2.6 – Via Auditiva Aferente (PUJOL et al., 2003)…………………………………...… 11
Figura 2.7 – Localização do Córtex Auditivo Primário (MARTINS, 2007)…………………… 13
Figura 2.8 – Via Auditiva Eferente (PUJOL et al., 2003)……………………………………… 14
Figura 3.1 – Hemisférios Cerebrais (COSTA, 2008)…………………………………………... 17
Figura 3.2 – Localização do Córtex Auditivo Primário e Área de Wernicke (COSTA, 2008)… 20
Figura 3.3 – Sistemas Cerebrais Responsáveis pela Leitura (SHAYWITZ, 2008, p.83-101)…. 21
Figura 5.1 – Potenciais Evocados Auditivos de Curta (10 ms), Médias (50 ms) e Longa (600
ms) Latência (JUNQUEIRA & FRIZZO et al., 2002, p.63-83)………………………… 31
Figura 5.2 – Padrão de normalidade das latências absolutas das ondas I, III, V e dos interpcos
I-III, III-V, I-V para indivíduos acima dos 24 meses de idade (JUNQUEIRA &
FRIZZO et al., 2002, p.63-83)...………………………………………………………… 32
Figura 6.1 – Mismatch Negativity (MMN) (HALL, 2007)…………………………………….. 46
Figura 7.1 – Sistemas Compensatórios dos Indivíduos com Dislexia (SHAYWITZ, 2008,
p.83-101)………………………………………………………………………………… 55
Figura 8.1 - Exemplo da marcação das curvas dos potenciais de longa latência no Ouvido
Esquerdo………………………………………………………………………………… 69
XII
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ÍDICE DE GRÁFICOS
Gráfico 8.1 – Distribuição da variável género em relação ao grupo de controlo………………. 62
Gráfico 8.2 - Distribuição da variável idades em relação ao grupo de controlo……………….. 62
Gráfico 8.3 - Distribuição da variável género em relação ao grupo experimental……….…….. 63
Gráfico 8.4 - Distribuição da variável idades em relação ao grupo experimental……………… 63
Gráfico 9.1 – Distribuição dos valores da variável latência segundo a variável grupo
(disléxicos/ não disléxicos), para cada ouvido………………………………………….. 72
Gráfico 9.2 - Distribuição dos valores da variável amplitude segundo a variável grupo
(disléxicos/ não disléxicos), para cada ouvido………………………………………….. 72
Gráfico 9.3 – Gráfico de valores comparativos entre o ouvido direito e o ouvido esquerdo
segundo a variável latência do potencial MMN, para ambos os grupos………………... 77
Gráfico 9.4 – Gráfico de valores comparativos entre o género feminino e o género masculino
segundo a variável latência do potencial MMN, para ambos os grupos………………... 79
Gráfico 9.5 – Comparação dos valores da variável latência do potencial MMN do ouvido
direito e do ouvido esquerdo, relativamente ao grupo disléxicos que se encontrava sob
efeito da medicação e o grupo de disléxicos que não se encontrava a tomar medicação.. 81
Gráfico 9.6 – Comparação dos valores da variável latência dos potenciais exógenos (P1, N1,
P2, N2), nos diferentes grupos em estudo………………………………………………. 83
Gráfico 9.7 - Comparação dos valores da variável amplitude dos potenciais exógenos (P1,
N1, P2, N2), nos diferentes grupos em estudo………………………………………….. 84
Gráfico 9.8 – Comparação dos valores da variável latência dos potenciais P300 nos diferentes
grupos (disléxicos/ não disléxicos)…………………………………………................... 87
Gráfico 9.9 - Comparação dos valores da variável amplitude dos potenciais P300 nos
diferentes grupos (disléxicos/ não disléxicos)………………………………………….. 87
XIII
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
ÍDICE DE TABELAS
Tabela 9.1 – Teste não paramétrico de Mann-Whitney U segundo a variável latência para o
grupo disléxicos e não disléxico, para ambos os ouvidos………………………………. 73
Tabela 9.2 - Teste não paramétrico de Mann-Whitney U segundo a variável amplitude para o
grupo disléxicos e não disléxico, para ambos os ouvidos………………………………. 74
Tabela 9.3 – Variância das variáveis latência e amplitude do potencial MMN………………... 75
Tabela 9.4 - Variância das variáveis latência e amplitude do componente P1…………………. 75
Tabela 9.5 - Variância das variáveis latência e amplitude do componente N1………………… 76
Tabela 9.6 - Variância das variáveis latência e amplitude do componente P2………………… 76
Tabela 9.7 - Variância das variáveis latência e amplitude do componente N2………………… 76
Tabela 9.8 – Comparação dos valores da variável latência do potencial MMN entre o ouvido
direito e o ouvido esquerdo, para ambos os grupos……………………………………... 78
Tabela 9.9 - Comparação dos valores da variável latência do potencial MMN entre o ouvido
direito e o ouvido esquerdo, relativamente à variável género…………………………... 80
Tabela 9.10 - Comparação dos valores da variável latência do potencial MMN do ouvido
direito e do ouvido esquerdo, relativamente ao grupo disléxicos que tomou medicação
e o grupo de disléxicos que não tomou medicação……………………………………… 82
Tabela 9.11 - Comparação dos grupos em estudo (disléxicos/ não disléxicos) para os valores
da variável latência dos potenciais exógenos relativamente ao ouvido direito…………. 84
Tabela 9.12 - Comparação dos grupos em estudo (disléxicos/ não disléxicos) para os valores
da variável amplitude dos potenciais exógenos relativamente ao ouvido direito……….. 85
Tabela 9.13 – Comparação dos grupos (disléxicos/ não dislexicos) para os valores da variável
latência dos potenciais exógenos relativamente ao ouvido Esquerdo…………………... 85
Tabela 9.14 - Comparação dos grupos em estudo (disléxicos/ não disléxicos) para os valores
da variável amplitude dos potenciais exógenos relativamente ao ouvido Esquerdo……. 85
Tabela 9.15 – Teste não paramétrico de Mann-Whitney U segundo a variável latência e
amplitude do potencial P300 para os dois grupos em estudo…………………………… 88
XIV
_________________________Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
LISTA DE ABREVIATURAS
ABR Auditory Brainstem Response
ASHA American Speech-Language Hearing Association
BIAP Bureau International d’Audiophonologie
CCE Células Ciliadas Externas
CCI Células Ciliadas Internas
dB Decibel
dB HL Decibel nível de audição (Hearing Level)
dB SL Decibel nível de sensação (Sensation Level)
dB SPL Decibel sound pressure level
Hz Hertz
ITE Intervalo inter-estímulo
MMN Mismatch Negativity
ms Milissegundo
OD Ouvido direito
OE Ouvido esquerdo
OEA Otoemissões acústicas
PA Processamento Auditivo
PEA Potenciais Evocados Auditivos
PEALL Potenciais Evocados Auditivos de Longa Latência
PEAML Potenciais Evocados Auditivos de Média Latência
PEATE Potenciais Evocados Auditivos do Tronco Encefálico
PET Tomografia por Emissão de Positrões
RMf Ressonância Magnética functional
SAC Sistema Auditivo Central
SAP Sistema Auditivo Periférico
SNC Sistema Nervoso Central
SPECT Tomografia Computorizada por Emissão de Fotão Único
SRT Limiar de reconhecimento da fala
% Percentagem
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Capítulo I - I TRODUÇÃO
1.1 MOTIVAÇÃO
Todos os animais comunicam, mas apenas o Ser Humano tem a capacidade de falar, ler e
escrever. A leitura e a escrita exigem um processo linguístico anatómico e neuropsicológico
mais complexo. A dificuldade de aprendizagem para a leitura e escrita é denominada de
dislexia do desenvolvimento, que pode também coexistir com dificuldades na linguagem oral,
calculo, atenção, memoria e integração perceptivo-motora (SAUER, 2005).
Segundo Pestun (2002), para existir uma leitura com compreensão adequada é necessário
que o sistema nervoso periférico e central estejam íntegros, bem como a atenção selectiva e
sustentada, discriminação e percepção auditiva, memoria a curto e longo prazo e consciência
fonologia (JORGE, 2006).
Para Katz (1999), crianças com distúrbios de aprendizagem podem ter distúrbios
neuroauditivos, envolvendo o sistema nervoso central, estando a audição periférica dentro da
normalidade. Estes distúrbios podem ser analisados e quantificados através da avaliação do
processamento auditivo e de exames electrofisiológicos (KATZ & WILDE, 1999, p.146-498).
Neste trabalho optou-se por estudar o potencial auditivo de longa latência: Mismatch
Negativity (MMN), por se tratar de um potencial promissor que permite avaliar várias
patologias, incluindo os distúrbios de aprendizagem, mais especificamente a dislexia. Contudo
para que este exame passe para o quotidiano do audiologista será ainda necessário estudar de
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
forma detalhada as suas limitações e vantagens. Este estudo pretende contribuir para que o
MMN possa ser aplicado num futuro próximo como uma medida objectiva da função auditiva
central.
O facto de até à data não existir em Portugal nenhum estudo com os potenciais MMN
relacionados com dificuldades de aprendizagem, motivou ainda mais a sua realização.
1.2 OBJECTIVOS
Este trabalho tem como principal objectivo verificar se o potencial Mismatch Negativity
(MMN) permite detectar alterações num grupo de crianças com dislexia, comparativamente
com um grupo de controlo.
Para uma melhor compreensão optamos por dividir este trabalho em duas partes: o
enquadramento teórico e a metodologia, sendo cada parte constituída por vários capítulos.
O enquadramento teórico é constituído por seis capítulos, onde são abordados os seguintes
temas: Anatomo-fisiologia do Sistema Auditivo Periférico e Central, dando maior ênfase à
parte central; O Cérebro, onde abordamos o lobo temporal e o córtex auditivo; Avaliação do
Sistema Auditivo Periférico e Central, onde se descreve os potenciais evocados auditivos de
curta, média e longa latência; Mismatch #egativity (MMN), onde abordamos de forma mais
detalhada, por se tratar do potencial mais importante para este estudo e por fim fazemos
referencia à Dislexia, por ser a patologia utilizada neste estudo.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
E QUADRAME TO TEÓRICO
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O ouvido permite que o Ser Humano discrimine cerca de 400.000 sons. Este órgão
consiste num complexo mecanismo que responde à vibração mecânica das ondas sonoras,
transforma-as em estímulos eléctricos e transmite essa informação ao cérebro, através do
nervo auditivo, permitindo assim a sua interpretação (BONALDI et al., 2004, p. 3-6; COSTA,
2008).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O sistema auditivo periférico (SAP) é composto pelo ouvido externo, ouvido médio,
ouvido interno e nervo auditivo, localizando-se maioritariamente no osso temporal (MUSIEK
& BARAN, 2007, p.1-37).
O ouvido externo é composto pelo pavilhão auricular e pelo canal auditivo externo. A
função do ouvido externo é proteger a membrana timpânica contra danos mecânicos e
promover a captação, localização e o encaminhamento da onda sonora para o ouvido médio
(PENHA, 1998, p.13-31; BONALDI et al., 2004, p.17-24).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
A energia sonora é captada pelo pavilhão auricular, conduzida pelo canal auditivo externo
até à membrana timpânica. Esta ao receber as ondas sonoras começa a vibrar, propagando a
vibração à cadeia ossicular, constituída pelo martelo, bigorna e pelo estribo, que por sua vez
transmite à janela oval (ouvido interno) (COSTA, 2008).
1 - Trompa de Eustáquio
2 - Membrana Timpânica
3 - Martelo
4 - Bigorna
5 - Estribo
O ouvido interno ou labirinto é constituído por duas partes, uma posterior responsável pelo
equilíbrio, que se designa por vestíbulo e uma parte anterior, a cóclea, responsável pela
audição. (COSTA, 2008; HUNGRIA, 2000, p.299-310; MUNHOZ et al., 2000, p.19-43).
A cóclea encontra-se enrolada como uma concha em caracol, sendo constituída por três
rampas. A rampa vestibular, que vai desde a janela oval até ao vértice da cóclea, a rampa
timpânica, que vai desde o vértice da cóclea até a janela redonda. Ambas as rampas contêm no
seu interior perilinfa, líquido rico em sódio (Na+) e comunicam entre elas no vértice da cóclea
por um pequeno orifício designado por helicotrema. A rampa média ou canal coclear encontra-
se separado das rampas vestibular e timpânica, através de duas importantes membranas, a
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
membrana vestibular (ou de Reissner) e a membrana basilar (MARTINS, 2007; MUSIEK &
BARAN, 2007, p.1-37).
(COSTA, 2008)
O canal coclear contém no seu interior um líquido designado por endolinfa rico em
potássio (K+), onde se encontra uma formação altamente diferenciada, órgão de cortí.
O órgão de cortí situa-se sobre a membrana basilar e é constituído pela membrana tectória,
por uma fileira de células ciliadas internas (CCI) e por várias fileiras de células ciliadas
externas (CCE), que contêm esteriocílios (MARTINS, 2007; MUNHOZ et al., 2000, p.19-43;
RUAH, 2002, p.11-30).
É no órgão de cortí que ocorre a transformação das ondas sonoras em impulsos eléctricos.
Esta transformação acontece porque as ondas sonoras ao serem transmitidas à cadeia ossicular,
produzem uma onda líquida que se propaga ao longo da cóclea e faz vibrar a membrana tectória
e a membrana basilar. Esta última promove a deflexão mecânica dos esteriocílios das CCE,
originando a sua consequente despolarização (MARTINS, 2008; MUNHOZ et al., 2000, p.19-
43). A este nível desencadeia-se um potencial de acção que é transmitido às fibras do nervo
coclear e posteriormente aos centros auditivos superiores (SCHIP, 1983, p.24-53).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
A maioria das fibras do nervo coclear está associada às CCI, estando uma minoria
associada às CCE. Segundo Spoendlin (1972/ 1973), 90% a 95% das fibras aferentes realiza
uma grande sinapse com CCI, enquanto 5 a 10% realiza pequenas sinapses com numerosas
CCE (AQUINO& ARAUJO, 2002, p.17-31; BONALDI et al., 1997, p.19-25; HUNGRIA,
2000, p.311-318).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O Sistema Auditivo Central (SAC) é constituído pelos núcleos cocleares, complexo olivar
superior e lemnisco lateral que se localizam no bolbo raquidiano, colículo inferior que se
localiza no mesencéfalo, corpo geniculado que se localiza no tálamo, subcórtex auditivo,
córtex e vias inter-hemisféricas (incluindo o corpo caloso) (MARTINS, 2008; MUSIEK &
BARAN, 2007, p.1-37).
O SAC divide-se em duas vias: a via auditiva aferente e a via auditiva eferente. As fibras
aferentes são as que conduzem a informação do órgão de cortí para o sistema nervoso central,
as fibras eferentes trazem a informação do sistema nervoso central para a cóclea (AQUINO&
ARAUJO, 2002, p.17-31; BONALDI et al., 2004, p.53-64; COSTA, 2008; HUNGRIA, 2000,
p.311-318; MARTINS, 2007).
A via auditiva aferente (ascendente) envia informações dos receptores auditivos (órgão de
cortí) ao córtex cerebral. Esta via possui representação bilateral com predomínio contralateral
no córtex e apresenta uma organização tonotópica (codificação de sons complexos), que se
mantém da cóclea ao córtex cerebral (BONALDI et al., 2004, p.53-64).
Nesta via auditiva destaca-se algumas estruturas fundamentais para a propagação central
da informação sonora, tais como: núcleos cocleares, complexo olivar superior, lemnisco
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
lateral, coliculo inferior, corpo geniculado medial e córtex auditivo (BONALDI et al., 2004,
p.53-64).
ÚCLEOS COCLEARES
O primeiro centro integrador da via auditiva aferente localiza-se nos núcleos cocleares.
Através dos registros electrofisiológicos verificou-se que nesses núcleos existem locais com
padrões de respostas bioelétricas correspondentes a frequências específicas: regiões ventral,
rostal e lateral, para as frequências graves, e regiões dorsal, caudal e medial, para as
frequências agudas (AQUINO& ARAUJO, 2002, p.17-31; BONALDI et al., 2004, p.53-64;
MARTINS, 2008).
Os axónios emitidos pelos núcleos cocleares têm dois destinos possíveis, a maioria das
fibras cruza para o lado oposto, em direcção ao complexo olivar superior contralateral. No
entanto, algumas fibras não cruzam para o lado oposto, dirigindo-se para o complexo olivar
superior ipsilateral. A existência destas duas vias permite dar suporte à capacidade para
detectar a origem do som (AQUINO& ARAUJO, 2002, p.17-31; COSTA, 2008).
O complexo olivar superior é composto por vários núcleos que recebem fibras nervosas de
forma contralateral, no entanto, existem algumas fibras que o fazem de forma ipsilateral. Esta
estrutura está envolvida na codificação de sons complexos e no mecanismo de localização da
fonte sonora de frequências graves e agudas. As frequências graves produzem uma diferença
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
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que só respondem a sons modulados em frequência enquanto que outros respondem a sons de
durações específicas (BONALDI et al., 2004, p.53-64; MARTINS, 2007; MARTINS, 2008).
COLÍCULO I FERIOR
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CÓRTEX AUDITIVO
É no córtex auditivo que termina a via auditiva aferente e começa a via auditiva eferente.
Nesta estrutura, a mensagem é reconhecida, memorizada e possivelmente integrada numa
resposta motora, pois foi sendo descodificada pelos núcleos inferiores (MARTINS, 2008;
PUJOL, 2003).
Esta área será abordada de forma mais detalhada no Capítulo III, por ser a área de mais
interesse para este estudo.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
A via auditiva eferente dirige-se para o corpo geniculado medial, continuando o seu
percurso de forma semelhante à da via auditiva aferente mas em sentido oposto. Esta via entra
no canal auditivo interno pelo nervo vestibular e termina na cóclea, mais propriamente nas
células ciliadas externas (MUSIEK & BARAN, 2007, p.1- 37; RUAH, 2002, p.11-30).
A via auditiva eferente divide-se por dois segmentos, segmento rostral, que envolve o
córtex auditivo, as áreas de associação secundárias, o corpo geniculado medial, o colículo
inferior e o lemnisco lateral; e o segmento caudal, que envolve o complexo olivar superior,
núcleos cocleares, nervo auditivo, terminando nas células ciliadas da cóclea (MARTINS,
2007; MUSIEK & BARAN, 2007, p.1- 37).
Esta via tem como função controlar a situação mecânica da cóclea, ou seja, está envolvida
na diminuição do potencial de acção do nervo auditivo, reduzindo a actividade nervosa através
da diminuição da amplitude dos movimentos da membrana tectória; na protecção contra a
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acção lesiva que a exposição a sons de alta intensidade pode provocar nas células ciliadas e no
aumento da sensibilidade à fonte sonora na presença de ruído competitivo (AQUINO &
ARAUJO, 2002, p.17-31; BONALDI et al., 2004, p.53-64; MARTINS, 2008).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Franz Gall, anatomista Alemão, foi o primeiro a propor que o cérebro não é uma massa
uniforme, e que várias habilidades mentais podem ser localizadas em diferentes partes
(SHAYWITZ, 2008, p.83-101).
O cérebro é constituído por duas partes idênticas designadas por hemisfério direito e por
hemisfério esquerdo. A parte da frente do cérebro é referida como a anterior (próximo da
testa) e a parte de trás (do ouvido para trás), é denominada por posterior. A superfície externa
do cérebro é conhecida como córtex (BLAKEMORE & FRITH, 2009, p.11-33; SHAYWITZ,
2008, p.83-101).
O cérebro é a máquina que permite que ocorram todas as formas de aprendizagem. Os sons
relacionados com a linguagem são processados nos dois hemisférios cerebrais, mas de forma
diversa (COSTA, 2008; FIORI, 2006, p.179-195).
Na maioria das pessoas as áreas que estão relacionadas com a fala apresentam-se maiores
no hemisfério esquerdo, uma vez que este hemisfério é predominante para a linguagem verbal
e escrita, pensamento lógico, cálculo e funções simbólicas. O hemisfério direito é responsável
pela organização das percepções espaciais, pensamento concreto e formação de imaginação e
criatividade (BLAKEMORE & FRITH, 2009, p.37-59; MARTINS, 2008; NOBRE, 2004).
Os dois hemisférios estão ligados entre si por uma banda de tecido constituída pelos
axónios das células nervosas que se designa por corpo caloso, esta banda tem a função de
transportar mensagens de um hemisfério para o outro (NOBRE, 2004; SHAYWITZ, 2008,
p.83-101).
O corpo caloso contém fibras auditivas que servem para conectar as partes auditivas dos
dois hemisférios. Estudos recentes demonstraram que as fibras auditivas intra-hemisféricas
estão localizadas na metade posterior do corpo caloso, uma lesão nesta área impede a
interacção dos dois hemisférios. (AQUINO& ARAUJO, 2002, p.17-31; GONÇALVES, 2002,
p.112-120; BARAN & MUSIEK, 2001, p.371-409).
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A maioria das pessoas com alterações no hemisfério esquerdo não são capazes de produzir
linguagem, contudo podem continuar a ser analíticas. Uma pequena minoria (7%) apresenta a
linguagem alojada no hemisfério direito, nestes casos essas pessoas continuam a ter a
capacidade de falar (BLAKEMORE & FRITH, 2009, p.85-103).
Cada hemisfério está dividido em quatro lobos: frontal, parietal, temporal e occipital
(COSTA, 2008; SHAYWITZ, 2008, p.83-101).
A TERIOR POSTERIOR
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
para a produção da fala, para o processamento semântico e sintáctico (PEREIRA et al., 2003,
p.107-116; VIEIRA, 2007; ZEMLIN, 2000, p.345-384).
Este lobo é responsável por planear acções, seleccionar e inibir respostas, controlar
emoções e tomadas de decisão (BLAKEMORE & FRITH, 2009, p. 36-59; ZEMLIN, 2000,
p.345-384).
O lobo frontal pode ser dividido em três partes, em que a primeira parte pré-frontal é a
mais importante no Ser Humano pois recebe aferências de quase todo o córtex parietal e do
córtex temporal, de certas estruturas do córtex occipital, mas também de numerosas estruturas
subcorticais (tálamo, gânglios da base, cerebelo, hipocampo, amígdala e tronco cerebral)
(FIORI, 2006, p.25-56).
O lobo parietal está relacionado com a localização dos objectos no espaço e no tempo, com
a matemática, em particular, na representação da magnitude (BLAKEMORE & FRITH, 2009,
p.36-59). Esta área apresenta o giro angular, que é especialmente importante para a
compreensão da linguagem escrita. Se ocorrer uma lesão no giro angular esquerdo, perde-se a
capacidade de ler e de escrever, mesmo que o indivíduo retenha a capacidade de falar e de
compreender a fala (ZEMLIN, 2000, p.345-384).
O córtex parietal inferior esquerdo está envolvido com a integração de processos auditivos
motores (VIEIRA, 2007).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Esta área participa na análise dos elementos da comunicação que estão constituídos em
palavras, ou seja, toda aquela informação que é passível de ser representada também em
código escrito. Quando ocorre uma lesão na área de Wernicke, preservando o córtex auditivo
primário, vai haver uma dificuldade de interpretar o significado do som ouvido, apesar da
capacidade de ouvir ou diferenciar os sons sonoros se encontrarem normais (COSTA, 2008;
MARTINS, 2007).
Galaburda et al. (2001) aborda a relação entre crianças com problemas de linguagem,
incluindo dislexia e dificuldade no processamento auditivo. Este autor refere a importância de
integridade do lobo temporal, inclusive porque uma alteração sugere interferir e alterar a
anatomia do tálamo, evidenciando o papel central do lobo temporal no processamento auditivo
(VIEIRA, 2007).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Segundo Bakker (1992) todos os lobos estão envolvidos na actividade complexa que é a
leitura, sobretudo as áreas temporal, occipital e parietal (BAKKER, 1992, p.159-170).
Para [Link], recentes estudos com ressonância magnética funcional (RMf) verificaram
que os processos léxico-semânticos envolvem um número de regiões no hemisfério
dominante, localizados nos lobos temporal, parietal e regiões pré-frontal (PEREIRA, et al.,
2003, p.107-116).
Estudos realizados por Shaywitz et al., em 1998 verificaram que a maior parte da área
cerebral dedicada à leitura situa-se na zona posterior e é constituído por dois percursos
diferentes que asseguram a leitura das palavras. Um percurso encontra-se na região
parietotemporal e outro encontra-se na região occipitotemporal (ponto de convergência entre o
lobo occipital e o temporal). Estes dois percursos desempenham diferentes papéis na leitura,
os indivíduos que estão a começar a ler têm de, em primeiro lugar, analisar a palavra; os que já
lêem de forma proficiente identificam instantaneamente cada palavra (SHAYWITZ, 2008,
p.83-101).
Figura 3.3 – Sistemas Cerebrais Responsáveis pela Leitura (SHAYWITZ, 2008, p.83-101)
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
A região parietotemporal funciona para quem está a começar a ler, sendo lento e analítico.
A sua função parece corresponder aos estágios iniciais da aprendizagem da leitura. A região
occipitotemporal é a via expresso para a leitura, sendo usada por quem já lê de forma
proficiente. Esta área está ligada à forma da palavra, ou seja, basta ver a palavra escrita para,
de imediato toda a informação relevante acerca da mesma ser activada. Existe ainda uma
terceira via para a leitura, está localizada na área de broca, na parte anterior do cérebro, esta
via ajuda também na lenta análise da palavra (ver figura 3.3). Há, portanto, três percursos
neurais associados à leitura: dois lentos e analíticos, o parietotemporal e frontal, usados
essencialmente por aqueles que estão a aprender a ler, e uma via rápida, a occipitotemporal, de
que dependem os indivíduos já experientes e proficientes na área da leitura (SHAYWITZ,
2008, p.83-101).
Segundo Musiek & Reeves (1990) a área de Heschel é ligeiramente maior no hemisfério
esquerdo (AQUINO& ARAUJO, 2002, p.17-31).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O tálamo e o córtex auditivo primário são estruturas que estão envolvidas com funções
cerebrais de discriminação, integração e atenção auditiva. Através da utilização de testes
electrofisiológicos auditivos, mais precisamente os potenciais MMN é possível captar e
registar a actividade cerebral, com precisão de milissegundos, sem necessitar da colaboração
do paciente, sendo por isso considerado actualmente um exame objectivo na avaliação dos
mecanismos centrais envolvidos na percepção da fala (BONALDI et al., 1997, p.19-25;
JUNQUEIRA & FRIZZO et al., 2002, p.63-86).
Os caminhos do sistema auditivo transmitem informação sobre sons para todas as partes de
ambos os hemisférios, por meio de enormes projecções contralaterais e ipsilaterais (VIEIRA,
2007)
Quando ocorre lesões unilaterais no córtex auditivo verifica-se um défice apenas em
tarefas dicóticas ou de localização no lado contralateral à lesão, mas se as lesões forem
bilaterais verifica-se um défice bem acentuado, normalmente associado a défices graves de
linguagem (AQUINO& ARAUJO, 2002, p.17-31).
O córtex auditivo não é a estação final da informação auditiva, pois as fibras são
projectadas para outras regiões do córtex auditivo e regiões corticais associadas, onde a
informação é integrada juntamente com outras informações sensoriais. Existem muitas
conexões entre o córtex auditivo primário dos dois lados (VIEIRA, 2007).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Existem situações como é o caso da dislexia, que embora audição periférica se encontre
normal, os centros auditivos localizados nos hemisférios cerebrais apresentam disfunções.
Nestas situações a avaliação auditiva central é fundamental (CARVALLO, 1997, p.27-36).
A avaliação do sistema auditivo periférico normalmente engloba diversos testes, tais como
o audiograma tonal, audiograma vocal, impedância acústica e otoemissões acústicas. De
seguida iremos de forma sucinta descrever cada um deles.
AUDIOGRAMA TO AL SIMPLES
O audiograma tonal tem como principal objectivo determinar o limiar auditivo mínimo,
quer por via aérea quer por via óssea, ou seja, são determinados os níveis de intensidade
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
sonora mínima detectável nas frequências de: 125, 250, 500, 1000, 2000, 4000 e 8000 Hz,
para a via aérea e 250, 500, 1000, 2000 e 4000 Hz para a via óssea. O audiograma tonal
permite-nos obter informação quanto ao grau e ao tipo de hipoacúsia, cuja classificação é
recomendada pelo BIAP (Bureau International d ̀Audiophonologie) (BIAP, 2005).
Este exame exige a colaboração do indivíduo, tornando-se por isso difícil a sua execução
em crianças em idade pré-escolar (REIS, et al., 2002, p.123-138; BORGES, 2005;
PORTMANN, 1993, p.23-38).
AUDIOGRAMA VOCAL
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
OTOEMISSÕES ACÚSTICAS
Otoemissões acústicas (OEA) são sons que podem ser detectados no canal auditivo externo
e têm origem nas vibrações produzidas no interior da cóclea pelas células ciliadas externas. As
OEA são captadas através de uma pequena sonda introduzida no canal auditivo externo,
permitindo a avaliação não invasiva. Quando presentes sugerem mecanismos fisiológicos
normais no ouvido interno, gerados após apresentação de estímulos acústicos. (ESCADA et
al., 2002, p.209-234; MASSARO, 2002, p.41-61).
Segundo Kemp (1986) as OEA encontram-se presentes quando os limiares tonais estão
acima de 30 dB (MASSARO, 2002, p.41-61).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Existe vários tipos de “testes especiais”que permitem avaliar/ identificar lesões e/ou
disfunções ao longo do sistema auditivo central, tais como: testes de processamento auditivo
temporal, testes dicóticos, testes monoaurais de baixa redundância e testes de interacção
binaural. Estes testes permitem avaliar a atenção selectiva, memória auditiva, figura-fundo,
fecho auditivo, associação auditiva, separação binaural, localização da fonte sonora e
discriminação auditiva (ALVAREZ, 2000, p.103-119; JORGE, 2006; MARTINS, 2008).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
TESTES DICÓTICOS
Segundo Kimura (1961) através dos testes dicóticos é possível avaliar a assimetria
perceptual, que está intimamente relacionada à assimetria estrutural do cérebro (FELIPPE,
2002, p.102-110).
Vários estudos realizados com testes dicóticos em crianças com distúrbio de aprendizagem
demonstraram resultados alterados no ouvido esquerdo em comparação com o grupo controlo,
enquanto que os resultados do ouvido direito se encontravam normais (BARAN & MUSIEK,
2001, p.371-409).
Estes testes são de sensibilidade moderada na identificação de lesões centrais, uma vez que
também podem ser afectados por lesões periféricas (MARTINS, 2008).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O sistema nervoso está em constante actividade, gerando potenciais eléctricos que são
conduzidos até à superfície do corpo, onde são detectados e registados através de eléctrodos
(CARVALLO, 1997, p.27-36).
Os potenciais evocados auditivos (PEA) avaliam a actividade neuroelétrica da via auditiva,
que vai desde o nervo auditivo até o córtex cerebral, em resposta a um estímulo acústico. Essa
resposta eletrofisiológica é captada através da actividade bioelétrica a partir dos eléctrodos
colocados na superfície da pele e/ou do couro cabeludo, após a apresentação de um estimulo
acústico. As ondas que se formam apresentam as mudanças de voltagem do nervo auditivo, do
tronco encefálico e do córtex cerebral. Estas respostas passam por um processo de filtragem e
amplificação, permitindo assim a sua apresentação em forma de ondas. (DURRANT &
FERRARO, 2001; JUNQUEIRA & FRIZZO et al., 2002, p.63-86).
Os PEA podem durar entre poucos milissegundos (ms) até várias centenas de
milissegundos, dependendo do nível do sistema nervoso no qual a resposta é gerada e da
natureza do estímulo. Estes potenciais são classificados segundo a sua latência, ou seja, o
intervalo de tempo entre a apresentação do estímulo e a resposta originada. Os PEA de curta
latência, também denominados de potenciais evocados auditivos de tronco encefálico ocorrem
nos primeiros 10 ms, têm origem no nervo auditivo e nas vias auditivas do tronco cerebral. Os
PEA de média latência, ocorrem entre os 10 e os 80 ms, tem origem em áreas primárias do
córtex auditivo. Por ultimo os PEA tardio ou de longa latência, ocorrem entre os 80 e os 600
ms têm origem na área primária e secundaria do córtex auditivo (DURRANT & FERRARO,
2001; JUNQUEIRA & FRIZZO et al., 2002: p.63- 83).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Figura 5.1 – Potenciais Evocados Auditivos de Curta (10 ms), Média (50 ms) e Longa (600 ms)
Latência (JUNQUEIRA & FRIZZO et al., 2002, p.63-83)
Através dos PEA podemos estudar a audição periférica do indivíduo, avaliar a integridade
das vias auditivas centrais, analisar a sua maturação durante o processo de desenvolvimento e
disfunções causadas por doenças. As alterações do desenvolvimento observadas nos PEA
podem estar relacionadas não só com os elementos anatómicos e funcionais, mas também com
padrões organizacionais que ocorrem com o comportamento e a aprendizagem (JUNQUEIRA
& FRIZZO et al., 2002, p.63- 86).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Os PEATE são gerados pela a activação sequencial das fibras nervosas ao longo da via
auditiva, a sua captação reflecte tanto a sensibilidade da audição periférica como a integridade
neurológica das vias auditivas (oitavo nervo e tronco cerebral). Para investigar a integridade
do tronco cerebral utiliza-se apenas uma intensidade, geralmente de 80dB (JUNQUEIRA &
FRIZZO, 2002, p.63-86).
Actualmente a classificação mais utilizada dos geradores das ondas que compõem este
potencial é a de Möller, Jannetta, Bennett & Möller (1981), em que:
- onda I – porção distal do nervo auditivo;
- onda II – porção proximal, junto ao tronco encefálico;
- onda III – núcleos cocleares;
- onda IV – complexo olivar superior;
- onda V – lemnisco lateral, próximo à entrada do colículo inferior. (MATAS, 2001,
p.57-69; MØLLER, 2006, p.151-180).
Na interpretação das respostas do PEATE, deve-se ter em conta os valores absolutos das
latências das ondas I, III e V, os intervalos interpicos I-III, I-V e III-V, a diferença interaural
das latências da onda V e a razão de proporção da amplitude das ondas I e V (REIS et al.,
2002, p.179-191; JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002, p.63-86).
Latência (ms) 1,5 a 1,9 3,5 a 4,1 5,0 a 5,9 2,14 1,89 4,02
Figura 5.2 – Padrão de normalidade das latências absolutas das ondas I, III, V e dos interpicos I-III,
III-V, I-V para indivíduos acima dos 24 meses de idade (JUNQUEIRA &FRIZZO, 2002, p.63-86)
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Segundo Musiek (1989) estes potenciais tem pouco valor clínico na definição das
disfunções das áreas talâmica, subcortical ou cortical, apresentando na maior parte das vezes
valores normais em crianças com distúrbios de processamento auditivo (JUNQUEIRA &
FRIZZO, 2002, p.63-86).
Nos potenciais evocados auditivos de média latência (PEAML) as ondas são provocadas
durante a passagem do estímulo pelas vias auditivas compreendidas entre o colículo inferior e
o córtex auditivo no lobo temporal (MUNHOZ, 2000, p.221-230).
Segundo Kraus, Kileny & McGee (1994), as estruturas que estão envolvidas na formação
do PEAML são: a via auditiva tálamocortical, a formação reticular mesencefálica e o colículo
inferior (CARVALLO, 1997, p.27 -36).
Estes potenciais são descritos como uma série de ondas que decorrem entre os 10 e os 80
ms, após a estimulação acústica. As ondas mais frequentemente analisadas são, Na, Pa, Nb e
Pb, por serem as mais estáveis e de maior amplitude. Goldstein (1967) adoptou esta
classificação para designar a polaridade (“P” para voltagem positiva, “N” para voltagem
negativa e “a” para o primeiro elemento dos componentes positivos ou negativos)
(JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002, p.63-86; MØLLER, 2006, p.151-180; REIS et al., 2002,
p.192-205).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Nestes potenciais existe uma variação inter-individual muito grande da latência das
respostas. As comparações intra-individuais devem ser valorizadas para o diagnóstico clínico
(MUNHOZ, 2000, p.221-230).
Nos PEAML existem numerosos factores influentes no resultado, tais como a idade, o
estado de consciência, a cadência do estímulo, a filtragem utilizada, a colocação dos
eléctrodos, entre outros (REIS et al., 2002, p.192-205).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Estes potenciais foram observados pela primeira vez por Pauline Davis, em 1939 e podem
ser divididos em potenciais exógenos e endógenos. Os potenciais exógenos são influenciados
pelas características físicas do estímulo (intensidade, frequência e duração), os componentes
estudados são: P1, N1, P2, N2. Os potenciais endógenos são influenciados por eventos
internos relacionados à função cognitiva do indivíduo, os componentes estudados são: P300 e
Mismatch Negativity (MMN). Os potenciais endógenos e exógenos ocorrem simultaneamente
em determinado período de tempo passíveis de serem captados e analisados (JUNQUEIRA &
FRIZZO et al., 2002, p.63- 86; MOREIRA, 2008; MUNHOZ et al., 2000. p.231-242).
De seguida iremos abordar cada PEALL e os critérios utilizados para a sua identificação e
marcação, sendo o potencial MMN abordado no próximo capítulo, por se tratar do potencial
mais importante para este estudo.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Apesar das controvérsias, vários autores sugerem que estes potenciais têm origem
principalmente nas áreas do córtex auditivo primário (lobo temporal superior), córtex auditivo
secundário e sistema límbico (JUNQUEIRA & FRIZZO et al. 2002, p.63- 86; MUSIEK &
LEE, 2001. p.239-267).
Nos potenciais exógenos, ocorre uma resposta a uma sequência de estímulos acústicos,
formando o complexo P1-N1-P2-N2, (“N” para voltagens negativas e “P” para voltagens
positivas), a maioria destes componentes ocorrem entre os 55 e os 250 ms (REIS et al. 2002,
p.192-205; MUNHOZ et al. 2000, p.231-242;).
Estes potenciais não dependem de características internas do indivíduo, sendo desta forma,
influenciados pelas características de estimulação, tais como a intensidade, frequência, tipo de
estímulo (click, fonemas, etc.), intervalo interestímulo (IIE) e pelas características de captação
da resposta como, por exemplo, o posicionamento dos eléctrodos. (JUNQUEIRA & FRIZZO
et al., 2002, p.63- 86; MUSIEK & LEE, 2001, p.239-267; VENTURA, 2008).
Apesar de serem respostas exógenas, vários autores sugerem que estes potenciais são
influenciados pelo estado de sono e pela sedação, podendo ocasionar uma atenuação da
amplitude e uma menor reprodutibilidade (VENTURA, 2008).
O N1 é o primeiro pico negativo após P1, a sua latência encontra-se entre 80 e 110 ms e
representa o córtex auditivo supratemporal. Relativamente ao P2, é uma resposta positiva de
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
grande amplitude que ocorre após o componente N1, a sua latência encontra-se entre 150 e
200 ms e representa o cortéx auditivo laterofrontal (MUNHOZ et al., 2000, p.231-242;
MUSIEK & LEE, 2001, p.239-267).
Segundo Hall (1992) as ondas N1 e P2 são influenciadas pelo grau de atenção ao estímulo.
Se o indivíduo ignorar o estímulo verifica-se diminuição da amplitude ou mesmo um atraso na
latência das ondas. O N1 e P2 são maiores quando o individuo encontra-se atento ao estímulo
ou procura escutar mudanças acústicas, este efeito é mais evidente na amplitude de N1.
(MUNHOZ et al., 2000, p.231-242; MUSIEK & LEE, 2001, p.239-267).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Segundo Leppanen & Lyytinen (1997) crianças com distúrbio de linguagem e de leitura,
como é o caso das crianças com dislexia, apresentam um aumento das latências nos
componentes N1 e P2, comparativamente com o grupo de controlo, indicando um défice na
sincronização geral. Relativamente a N1 verificou-se também uma diminuição da amplitude, o
que pode estar relacionado a factores de atenção ou de sintonia do sistema sensorial auditivo
(JUNQUEIRA & FRIZZO et al., 2002, p.63- 86).
Estes potenciais podem ser utilizados para avaliar a maturação da função auditiva cortical,
a qual pode ser adequadamente quantificada em termos das mudanças na latência, amplitude e
topografia do componente, podem também auxiliar na avaliação de pacientes com
envolvimento periférico severo e disfunção auditiva mais alta, ou até mesmo na avaliação de
pacientes com implantes cocleares (MUSIEK & LEE, 2001, p.239-267).
Nestes potenciais quando se verifica uma ausência de ondas ou um aumento das latências
sugere-se que estamos perante uma disfunção auditiva central (MUSIEK & LEE, 2001, p.239-
267).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
[Link] P300
O P300 foi descrito pela primeira vez em 1965 por Sutton et al. Este potencial é uma
resposta objectiva, que depende da atenção e da discriminação das diferenças de estímulos
(MUSIEK & LEE, 2001, p.239-267).
Segundo Smith et al. (1990), o P300 reflecte a actividade de áreas como o córtex frontal, o
centro-parietal, sendo o hipocampo o seu principal gerador (JUNQUEIRA & FRIZZO et al.,
2002, p.63- 86; MUNHOZ et al, 2000, p.231-242).
O P300 apresenta dois componentes, o P3a de menor latência, máximo na região frontal e
o P3b máximo na região parietal. O P3a está particularmente relacionado com a orientação
automática da atenção para um novo estímulo (estímulo raro) e o P3b está relacionado com o
processo de atenção consciente, acentuando-se na detecção do estímulo alvo. Normalmente
39
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
quando o P300 é captado com eléctrodos de superfície, estes dois componentes somam-se
aparecendo um só pico (BRAYNER, 2003).
Este potencial pode ser provocado por estímulos visuais, auditivos ou somatosensoriais,
contudo os estímulos acústicos são os mais utilizados, podendo estes serem tonais ou vocais
(JUNQUEIRA & FRIZZO et al., 2002, p.63- 86; KRAUS &MCGEE, 1999, p.403- 420).
Neste potencial a latência aumenta quando o estímulo raro é mais difícil de ser
discriminado, indicando que o P300 pode fazer parte de uma série de potenciais evocados que
reflectem uma sequência funcional de eventos neurais causados pela discriminação do evento
raro (MUNHOZ et al., 2000, p.231-242; REIS et al., 2002, p.192-205).
Holcomb et al. (1985), estudou crianças com défice de atenção com e sem hiperactividade
e crianças com dislexia, através do potencial P300 e verificou um prolongamento significativo
das latências e uma redução das amplitudes nos três grupo em estudo (BRAYNER, 2003).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Jirsa e Clontz (1990), Diniz (1996) e Aquino et al. (1999) verificaram um atraso na
latência do P300 quando estudavam crianças com alterações do processamento auditivo
central (CARVALLO, 1997, p.27-36; JUNQUEIRA & FRIZZO et al., 2002, p.63- 86;
MUSIEK & LEE, 2001, p.239-267).
Erez & Pratt (1992) compararam um grupo de crianças disléxicas com um grupo de
crianças sem dificuldades de aprendizagem (grupo de controlo) através do potencial P300
utilizando o estímulo tonal e vocal. O grupo de disléxicos apresentou um tempo de reacção
mais longo quando foi apresentado o estímulo tonal e uma diminuição da amplitude
comparativamente com o grupo de controlo (FELIPPE, 2002, p.102-110).
A resposta do P300 encontra-se alterada quando se verifica uma latência aumentada e uma
amplitude reduzida. Quando o P300 se encontra ausente é sugestivo de uma disfunção no mais
alto patamar do sistema nervoso auditivo (REIS et al., 2002, p.192-205).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O MMN foi citado pela primeira vez por Näätänen, Gaillard & Mäntysalo, em 1979, com a
intenção de avaliar aspectos centrais do processamento e da discriminação auditiva
independentemente da influência da atenção ao estímulo auditivo (MUNHOZ et al., 2000,
p.231-242.).
De acordo com Näätänen (2000) este potencial é gerado a partir de um “conflito” entre a
representação activa neural desenvolvida pelo estímulo frequente na memória e a entrada
sensorial de um estímulo raro, ou seja, o sistema auditivo encontra-se habituado a ouvir um
estímulo frequente, fazendo com que menos neurónios desencadeiem sinapses em resposta a
esse estímulo, com o aparecimento de um estímulo raro vai ocorrer mais sinapses, gerando
uma onda de maior amplitude. O MMN obtém-se subtraindo o estímulo raro do frequente. O
estímulo raro aparece aleatoriamente, num total de 15 a 20 % de apresentações (JUNQUEIRA
& FRIZZO, 2002, p.63- 86; MOREIRA, 2008).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O facto do MMN ser uma resposta automática que não é influenciada significativamente
pela atenção, tem sido nos últimos anos um dos potenciais mais frequentemente utilizado na
avaliação da memória sensorial auditiva, na discriminação em crianças pequenas e em idade
escolar, na avaliação clínica dos distúrbios de processamento auditivo central e na plasticidade
neural do sistema auditivo. Este potencial também é útil nas situações em que a comunicação
está comprometida (adultos com demência ou em estado de coma), ou nos quais a
discriminação auditiva está sob investigação (crianças com distúrbio de linguagem ou
aprendizagem, como é o caso das crianças com dislexia) (HALL, 2007, p.548-580;
MUSIEK& LEE, 2001, p.239-267; JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002, p.63- 86; SANTOS,
2006).
Aplicações clínicas deste potencial mostram que, através do treino auditivo é possível
estimular a plasticidade neuronal, melhorando a habilidade de descriminação da fala
(MOREIRA, 2008). Neste sentido, investigadores têm utilizado o MMN para avaliar as
mudanças neurofisiológicas do sistema nervoso auditivo central, observando que após o treino
auditivo a magnitude das respostas neurofisiológicas aumenta, assim como a ocorrência de
uma melhora na discriminação e percepção auditiva (MOREIRA, 2008; LEITE, 2006).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O MMN pode ser evocado por um estímulo auditivo tonal, em que os sons diferem pouco
em frequência, intensidade ou duração (1000Hz para o estímulo padrão e 2000Hz para o
estímulo desviante) ou pode ser evocado por um estímulo vocal, em que os sons da fala são
sintetizados para controlar os aspectos acústicos que provocam a resposta neurofisiológica
(variações do fonema /da/ ou a utilização do fonema /ta/ ou /ga/ para o estímulo padrão e o
fonema /da/ o estimulo desviante). O estímulo vocal é mais apropriado para a investigação de
distúrbios da fala e/ou linguagem, pois possibilita a avaliação das funções auditivas superiores
por meio de vários paradigmas psicofísicos, permitindo a obtenção de respostas
comportamentais e electrofisiológicas (HALL, 2007, p.548-580; MOREIRA, 2008).
As duas principais variáveis que podem ser manipuladas para avaliar a habilidade de
discriminação são o intervalo inter-estímulo e a probabilidade de ocorrência do estímulo
desviante.
A variação no intervalo inter-estímulo (IIE), durante a aquisição do potencial MMN,
permite analisar a discriminação e a memória sensorial auditiva. Se o IIE for de longa duração
avalia-se a memória sensorial auditiva, se o IIE for de curta duração, avalia-se a discriminação
auditiva. A memória sensorial auditiva varia de acordo com o processo de maturação, alguns
autores referem o seu valor clínico no estudo da percepção da fala, já que esta depende de uma
resposta neuronal para mudanças de estímulo auditivo.
Nas situações em que a discriminação auditiva está a ser investigada, como é o caso de
crianças de risco, crianças com distúrbios de linguagem ou de aprendizagem como é o caso
das crianças disléxicas, recomenda-se a utilização do estímulo da fala no paradigma oddball
(JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002, p.63- 86; KRAUS &MCGEE, 1999, p.403- 420).
44
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Nos potenciais MMN os eléctrodos activos são colocados na linha média da cabeça, frente
(Fz) e vértex (Cz) com o objectivo de facilitar a distinção das ondas. Os eléctrodos de
referência são colocados no lóbulo ou mastóide do ouvido esquerdo (A1) e no lóbulo ou
mastóide do ouvido direito (A2). Assim como nos outros potencias a pele deve ser
previamente limpa (pasta abrasiva), a impedância não deve ultrapassar 5 Kohms, e é
recomendado que se espere aproximadamente 5 minutos até que a impedância estabilize para
iniciar a aquisição. Normalmente para este potencial utiliza-se uma janela de análise até 500
ms, os filtros passa-banda mais utilizados são os 0.5-30 Hz, 1-50 Hz ou 1-100 Hz.
(JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002, p.63-86).
No registo do potencial MMN, o paciente deve estar sentado numa cadeira reclinável, de
forma confortável mantendo-se relaxado e o mais quieto possível. O paciente é avisado que irá
ouvir alguns sons, mas que não será necessário estar atento a eles, para este efeito muitos
autores optam por colocar o paciente a assistir a um filme de vídeo ou a ler um livro
(dependendo da idade do paciente) durante a aquisição, com o objectivo de distrair a sua
atenção e ao mesmo tempo manter o paciente desperto (JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002, p.63-
86; KRAUS &MCGEE, 1999, p.403- 420).
Como foi referido anteriormente, nos potenciais evocados auditivos de longa latência
existe uma maior dificuldade na marcação e identificação das curvas, existindo uma gama de
45
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
valores para a latência e amplitude. Segundo Musiek & Lee (2001) a latência indica o tempo
de processamento cerebral, sendo assim, quanto menor a latência, melhor o prognóstico do
aspecto funcional (MOREIRA, 2008).
Na literatura não existe um valor único para a latência do MMN. Segundo Kraus & McGee
(1994) o potencial MMN ocorre entre os 150 e os 275 milissegundos após a detecção do
estímulo raro, para Hall (2007) o valor pode ocorrer entre os 100 e os 300 ms e para Picton et
al. (2000) o MMN ocorre após a resposta P2 entre os 100 e os 200 ms. A latência do MMN
deve ser marcada no ponto de negatividade máxima, ou seja, no ponto de máxima amplitude, e
a amplitude deve ser marcada do pico da onda até a linha de base pré-estímulo (CARVALLO,
1997, p.27-36; HALL, 2007, p.548-580; JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002, p.63-86;
MOREIRA, 2008).
46
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Alguns estudos levaram a concluir que uma grande diferença entre os estímulos (raro/
frequente) fazia com que os neurónios activados no córtex auditivo não fossem os mesmos
para o estímulo raro e para o estímulo frequente, recomendando o uso de pequenas diferenças
entre os estímulos (SANTOS, 2006).
Alterações em relação aos valores de latência e/ou amplitude têm sido frequentemente
relatadas em crianças com dificuldade de aprendizagem, especialmente para a leitura
(ROGGIA & COLARES, 2008; MARUTHY, 2007).
Kraus et al. em 1993 observaram um robusto MMN, quando utilizaram o estímulo da fala
(variações do fonema /da/) em crianças dos 7 aos 11 anos, o que levou a sugerir a utilização
este potencial na avaliação da função auditiva central e na investigação dos défices de
percepção auditiva em alguns problemas de aprendizagem (JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002,
p.63- 86).
Mais tarde estes mesmos investigadores estudaram 91 crianças com dificuldades de
aprendizagem e submeteram-nas a um teste comportamental para diferenciar pares de
estímulos com as sílabas /da/-/ga/ e /ba/-/wa/, e a um teste electrofisiológico (MMN),
utilizando também os mesmos pares de estímulos. Neste estudo observou-se alterações tanto
do teste comportamental como na resposta do potencial MMN, demonstrando mais uma vez
que a dificuldade de discriminação auditiva presente em crianças com problemas de
aprendizagem ocorre devido a um défice na via auditiva central (LEITE, 2006).
47
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Ponton & Don em 1995 e mais tarde Kileny & Zwolan em 1997 sugeriram que o potencial
MMN pode ser útil para avaliar a discriminação dos padrões de estimulação eléctrica
produzidos pelo implante coclear (BROSSI, 2007).
Kraus et al. em 1995 e mais tarde Tremblay et al. (1998) verificaram que o MMN reflectia
mudanças relacionadas ao treino auditivo no processamento auditivo central da fala, sugerindo
que este potencial poderia servir como um instrumento de avaliação de eficácia das estratégias
de reabilitação usadas para melhorar a percepção da fala (JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002,
p.63- 86; MOREIA, 2008).
Leppänen & Lyytinen em 1997 verificaram alterações do MMN em crianças com distúrbio
de linguagem, sugerindo que tais alterações reflectem diferenças nas funções de memória
sensorial a curto prazo (BROSSI, 2007).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
problema dos disléxicos está relacionado com o processamento temporal dos sons da fala
(FELIPPE, 2002, p.102-110).
Num estudo realizado por Schochat, Scheuer & Andrade (2002) em crianças com terapia
medicamentosa de metilfenidato verificou-se amplitudes maiores no exame de MMN do que
as crianças sem medicação, mas relativamente à latência não se verificou qualquer alteração
(VIEIRA, 2007).
Sittiprapaporn et al. em 2003, concluíram que as respostas do MMN são maiores quando
provocado por sons da fala da língua nativa; no córtex auditivo esquerdo existe uma maior
contribuição para a fala e que o MMN reflecte a presença da memória de longo prazo no
processo de reconhecimento das palavras (BROSSI, 2007).
Zeftawi (2004) relatou que a via auditiva primária e não-primária contribuem para a
formação do MMN. Neste estudo foram encontradas diferenças estatisticamente significativas
entre contrastes de duração e espectro-temporais por latência e duração, tal facto foi atribuído
às diferenças acústicas e às diferenças fisiológicas entre as vias auditivas. Sugerindo que o
MMN pode ser usado em análises intensivas de pacientes com neuropatia auditiva, afasia, e
pode também diferenciar lesões corticais e subcorticais que afectam o processamento auditivo
(BROSSI, 2007).
Molholm et al. em 2005 relataram que os geradores neurais do sistema auditivo detectam
mudanças que variam em função das características dos estímulos obtidos. O MMN indica não
só que ocorreu uma mudança, mas também a natureza da mudança. Este estudo sustenta um
modelo do MMN no qual a memória sensorial é característica específica das regularidades
acústicas do ambiente (BROSSI, 2007).
49
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Alguns estudos referem que o género tem influência sobre a latência de MMN. Segundo
Aaltonen et al. (1994) utilizando estímulos complexos, a latência do MMN é
significativamente mais longa nas mulheres do que nos homens (MUSIEK& LEE, 2001,
p.239-267).
Brossi et al. em 2007 verificou uma diferença estatisticamente significativa na latência do
potencial MMN entre os géneros, mas ao contrário do estudo anterior, o género feminino
apresentou uma latência menor comparativamente o género masculino. Contudo comparando
a variável amplitude com os lados direito e esquerdo (género feminino e masculino), não se
verificou diferenças estatísticas significativas (BROSSI, 2007).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Segundo Tallal (2003) cerca de 10 a 20% das crianças em idade escolar são afectadas por
alguma dificuldade de aprendizagem (VIEIRA, 2007).
A dislexia é um fenómeno que tem centralizado as atenções no contexto educacional, sendo
nos países em desenvolvimento o maior distúrbio de aprendizagem, com uma percentagem de
8 a 10% (MASSI, 2007; VIEIRA, 2007).
A palavra dislexia surge da união de 2 vocábulos: “Dis”, que significa distúrbios; “Lexia”,
que do latim significa leitura e do grego significa linguagem. Visto desta maneira podemos
definir de uma forma simplista dislexia como uma dificuldade na leitura e na escrita (SAUER,
2005).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O primeiro caso de distúrbio de leitura foi apresentado em 1986 por Dr.W. Pringle
Morgan, que descrever no Bristish Medical Journal um caso de uma rapaz de 14 anos com
inteligência adequada, porém com grande dificuldade para a leitura. Para definir este caso Dr.
Morgan baseou-se em trabalhos de Hinshelwood, utilizando pela primeira vez o termo de
cegueira verbal congénita, pois para ele tratava-se de uma condição gerada por um défice
neurológico, levando a uma dificuldade na memória visual das letras e das palavras (SAUER,
2005; SHAYWITZ, 2008, p.23-34).
52
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
utilizar aspectos de prosódia, incluindo ritmos e entoação. Nesse sentido, pode-se supor que
um distúrbio dessa habilidade interfere em quadros sintomáticos que envolvem a linguagem
(BOTURA, 2005).
Para que o processo de leitura e escrita ocorra de forma normal é necessário que a
integridade do sistema nervoso periférico e central, bem como um conjunto de habilidades
cognitivas seja processado em diversas áreas corticais e subcorticais (SAUER, 2005).
Os processos cognitivos envolvidos na leitura e escrita estão relacionados ao
processamento fonológico, memória fonológica e vocabulário receptivo auditivo e atenção
selectiva (VIEIRA, 2007).
Actualmente a consciência fonológica, a memória auditiva e o acesso ao léxico mental são
também considerados extremamente importantes para a aquisição da leitura e da escrita. A
expressão acesso ao léxico mental refere-se à habilidade de ter acesso fácil e rápido à
informação fonológica na memória de longa prazo (SAUER, 2005).
Alguns autores defendem que aprender a ler depende de habilidades fonológicas. Neste
sentido, crianças disléxicas apresentam maior dificuldade de consciência fonológica, memória
verbal de curto prazo e nomeação automatizada rápida (VIEIRA, 2007).
Segundo Castler & Coltthear (1993) existe pelos menos duas variedades de dislexia do
desenvolvimento que podem ser identificadas: Dislexia Fonológica, que apresenta dificuldades
na leitura de palavras não familiares, mas uma habilidade relativamente melhor na leitura de
palavras irregulares; e a Dislexia de Superfície, que é relativamente pior na leitura de palavras
irregulares (SAUER, 2005).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Purdy et al. (2001) comentaram que tradicionalmente o processamento auditivo tem sido
investigado por meio de testes comportamentais de percepção da fala ou de discriminação
auditiva. Ressaltaram ainda que a habilidade de compreender a fala depende de um
processamento complexo do sinal neural na via auditiva, e devido a isto vários estudos
sugerem a utilização dos PEA cognitivos, por serem exames objectivos e não invasivos, na
investigação do processamento auditivo e da plasticidade neural da função auditiva (LEITE,
2006).
A partir dos anos 80 do século passado, o interesse para identificar todo o circuito neural
responsável pela leitura, levou a que um grupo de cientistas estudasse cérebros de disléxicos
falecidos e verificaram que as diferenças estavam relacionadas com estruturas associadas à
linguagem, no lado esquerdo do cérebro. Actualmente, os estudos com neuroimagem
funcional proporcionam aos pesquisadores maior entendimento sobre a organização e o
funcionamento cerebral. A Tomografia por Emissão de Positrões (PET), a Tomografia
Computorizada por Emissão de Fotão Único (SPECT) e os estudos com a Ressonância
Magnética funcional (RMf) permitem observar a função cerebral enquanto o indivíduo lê,
escreve, fala e pensa. Contudo a RMf é a tecnologia mais utilizada pelos neurocientistas na
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
visualização do funcionamento interno do cérebro humano, uma vez que o seu método não é
invasivo (CAPELLINI, 2005; SHAYWITZ, 2008, p.83-101).
Após a identificação dos percursos neurais em bons leitores foi possível começar a estudar
os percursos em indivíduos disléxicos, onde se verificou que estes últimos, quando lêem usam
circuitos cerebrais diferentes dos que são usados pelos bons leitores, ou seja, quando os
leitores proficientes lêem, activam fortemente a região posterior do cérebro e menos a região
anterior, nos indivíduos disléxicos, ocorre o contrário, quando lêem apresentam uma falha
neste sistema, dá-se uma insuficiente activação dos percursos neurais da região posterior do
cérebro e uma crescente activação da região anterior do cérebro (ver figura 7.1) (CAPELLINI,
2005; SHAYWITZ, 2008, p.83-101).
Figura 7.1 – Sistemas Compensatórios dos Indivíduos com Dislexia (SHAYWITZ, 2008; p.83-
101).
55
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Estudos também têm revelado que os disléxicos apresentam neurónios mais pequenos na
região do tálamo, contudo ainda não se sabe exactamente como relacionar o tamanho à função.
Sugerindo uma alteração da regulação precisa do tempo que é requerida para a transmissão
eficiente da informação (BLAKEMORE & FRITH, 2009, p.272-280)
Shaywitz et al. em 2003 apresentou um estudo que teve como objectivo avaliar
directamente os efeitos de intervenções específicas no campo da leitura nos sistemas neurais
responsáveis pela mesma. As imagens obtidas após um ano de intervenção mostraram que as
vias auxiliares do lado direito estavam menos marcadas e registava-se um desenvolvimento
dos sistemas neurais situados no lado esquerdo do cérebro. Com este estudo verificou-se uma
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Esta descoberta é uma forte prova de que a intervenção precoce baseada num programa de
leitura eficaz conduz ao desenvolvimento de sistemas de leitura automáticos, permitindo que
as crianças que têm dificuldades de leitura se possam tornar proficientes nesse domínio.
Tallal em 1980, verificou que crianças disléxicas têm maior dificuldade na aprendizagem
por via auditiva do que crianças sem dificuldade em leitura, sugerindo que os disléxicos
sofrem de uma incapacidade primária no processamento auditivo temporal e não conseguem
organizar e integrar estímulos apresentados em velocidade aumentada, embora consigam em
velocidade mais lenta (SAUER, 2005).
A memória auditiva de curto prazo é outra habilidade importante para a aquisição de uma
leitura e escrita proficiente. Vários estudos têm verificado défices na memória auditiva a curto
prazo em indivíduos com problemas de leitura e escrita, sugerindo que um défice no
processamento temporal é a causa das dificuldades em todos os aspectos linguísticos do
processamento da informação (FELIPPE, 2002, p.102-110).
Siegel (1988, 1992) comparou um grupo de indivíduos sem queixas escolares com
indivíduos disléxicos e observou uma menor capacidade de memória de curto prazo no grupo
de disléxicos, sugerindo que a dificuldade na memória auditiva a curto prazo pode gerar
dificuldades na compreensão da leitura, na expressão oral e na escrita (SAUER, 2005).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Segundo Cardoso- Martins (1995), Treiman et al. (1998) e Capellini & Ciasca (2000), os
indivíduos com dislexia apresentam uma alteração da consciência fonológica e da memória
sensorial auditiva. Para estes autores a consciência fonológica é fundamental para uma boa
aquisição da leitura e da escrita (FELIPPE, 2002, p.102-110).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
METODOLOGIA
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
A recolha de dados foi realizada durante os meses de Novembro e Dezembro de 2008, nas
instalações do Serviço de ORL, do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/ Espinho, EPE,
após o parecer favorável da Comissão de Ética e do Presidente do Conselho de Administração
do referido Hospital (Anexo 2).
Todos os Pais e/ou Responsáveis das crianças envolvidas neste estudo assinaram o termo
de Consentimento Livre e Informado previamente à realização dos exames (Anexo 4).
8.1 AMOSTRA
A amostra desde estudo é constituída por 28 crianças entre os oito e os treze anos de idade,
sendo13 do sexo feminino e 15 do sexo masculino.
De seguida enviou-se aos Pais e/ou Responsáveis uma carta informativa do estudo, na qual
era solicitada a sua colaboração juntamente com a da criança (Anexo 3).
61
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Através dos gráficos 8.1 e 8.2 é possível analisar de forma mais detalhada o grupo de
controlo, que é composto por 12 indivíduos sendo 7 do género feminino e 5 indivíduos do
género masculino, com idades compreendidas entre os 8 e os 13 anos.
62
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Nos gráficos 8.3 e 8.4 é possível analisar de forma detalhada o grupo experimental, que é
composto por 16 indivíduos sendo 6 do género feminino e 10 indivíduos do género masculino,
com idades compreendidas entre os 8 e os 13 anos.
63
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Crianças com idade entre os oito e os treze anos, de ambos os sexos, diagnosticadas com
dislexia, através da consulta de desenvolvimento do hospital onde se realizou a recolha da
amostra. A faixa etária baseou-se em estudos similares anteriores (BRAYNER, 2003;
BORGES, 2005; LEITE, 2006; SAUER, 2005).
O grupo controlo foi seleccionado de acordo com idade e o sexo do grupo experimental,
sendo apenas seleccionadas crianças com bom aproveitamento escolar, com ausência de
queixas relacionadas com o atraso na aquisição de linguagem oral, sem dificuldades na leitura,
na escrita e na fala. Dados adquiridos com base nas respostas ao questionário informativo
(Anexo 5).
A avaliação do sistema auditivo encontrava-se dentro dos limites da normalidade.
Os pais e/ou responsáveis foram informados sobre o objectivo deste estudo, de todos os
exames a serem realizados, da ausência de riscos para a saúde e da confidencialidade dos
resultados adquiridos por cada criança.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Este esclarecimento foi realizado oralmente e também por escrito, através do Termo de
Consentimento Livre e Informado, aprovado previamente pela Comissão de Ética e pelo
Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/
Espinho, EPE (Anexo 2), o qual foi assinado pelo responsável após a explicação e leitura.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
A avaliação dos PEA foi realizada sempre pelo mesmo examinador (autor deste estudo),
sendo os exames efectuados todos no mesmo dia (para cada criança), com o equipamento
marca Interacoustics, modelo Eclipse – EPA 4V e com auscultadores de inserção.
Para a obtenção dos PEA, cada indivíduo foi posicionado de forma confortável numa
cadeira, com orientação para se manter relaxado e o mais quieto possível, a assistir a um filme
de vídeo, adequado para a idade. O filme foi apresentado sem som, com o objectivo de distrair
a criança, de forma que esta, não estivesse atenta ao estímulo sonoro que lhe era colocado.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
O primeiro potencial a ser realizado foi o potencial de curta latência (PEATE), estes
potenciais reflectem a actividade electrofisiológica do sistema auditivo até ao nível do tronco
cerebral, em resposta a uma estimulação acústica (JUNQUEIRA & FRIZZO, 2002, p.63-86).
Após estes procedimentos, todas as crianças com a avaliação auditiva periférica e com os
potenciais evocados de curta latência (PEATE) dentro da normalidade foram incluídas neste
estudo.
Neste estudo os PEALL com maior importância foi o MMN, a pesquisa dos potenciais
exógenos (P1, N1, P2, N2) assim como a pesquisa do P300, tiveram apenas como objectivo
servir de referência na marcação/ localização da curva do potencial MMN.
Visto que todos os PEALL foram pesquisados ao mesmo tempo para cada criança, optou-
se por manter desde o inicio as orientações que segundo a literatura são as mais correctas para
pesquisar a curva do potencial MMN, ou seja, a amostra continuou a assistir o filme (sem
som) de forma confortável numa cadeira, tentando estar abstraída ao estímulo e o mais
sossegada possível.
67
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Nos PEALL, os estímulos utilizados foram o tone burst, a 1000 Hz para o estímulo
frequente e o tone burst a 2000 Hz para o estímulo raro, de polaridade alternada. O estímulo
foi apresentado a um ouvido de cada vez a uma intensidade de 80 dB HL, com uma velocidade
de apresentação de 0.7 estímulo por segundo, sendo no total de 100 estímulos. Dentro esses
100 estímulos apresentados, 15 a 20% referem-se ao estímulo raro, que foi apresentado de
forma aleatória, técnica conhecida como paradigma auditivo “oddball”. Utilizou-se o filtro 33
Hz para passa baixo e 0.83 Hz para o filtro passa alto. A janela de registo utilizada foi 480 ms.
O potencial MMN foi identificado como o maior pico negativo ocorrido após o
aparecimento da onda P2. A amplitude e a latência foram calculadas no traçado resultante da
subtracção do estímulo raro com o estímulo frequente.
A marcação dos potenciais exógenos e do P300 foi registada no traçado do estímulo raro.
Considerou-se o componente P1 como a primeira deflexão positiva, o componente N1 a
primeira deflexão negativa após P1, o componente P2 como o pico positivo após N1 e o
componente N2 como o pico negativo após P2.
Relativamente ao P300 foi identificado como o maior pico positivo após o complexo N1-
P1-N2-P2.
A figura seguinte mostra um exemplo da marcação das curvas dos potenciais de longa
latência, relativamente à amostra em estudo.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Figura 8.1 – Exemplo da marcação das curvas dos potenciais de longa latência no Ouvido
Esquerdo.
Este exame foi repetido três vezes em cada amostra, com o objectivo de assegurar a
confiabilidade dos dados. Contudo devido ao tamanho reduzido da amostra optou-se por
considerar a média geral de todos os exames realizados para análise estatística final.
69
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Capítulo IX - RESULTADOS
Por uma questão de facilitar a análise dos resultados optou-se por colocar uma lista de
questões para a qual se pretende ter resposta:
Questão 5 – Dentro do grupo de disléxicos existe alguma diferença entre a amostra que
toma medicação e a amostra que não toma?
Questão 6 – Os valores dos potenciais exógenos (P1, N1, P2, N2) diferem entre os grupos
(disléxicos/ não disléxicos)?
Questão 7 – Existe alguma diferença significativa nos potenciais P300 entre o grupo de
disléxicos e o grupo de não disléxicos?
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
GRUPO DE ÃO DISLÉXICOS ?
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Gráfico 9.1 – Distribuição dos valores da variável latência segundo a variável grupo (disléxicos e não
disléxicos), para cada ouvido.
Através do gráfico 9.1 pode-se observar que o valor médio da latência do potencial MMN
é diferente entre os dois grupos, sendo maior para o grupo disléxicos tanto no ouvido direito
como no ouvido esquerdo.
Verifica-se também que existe alguma sobreposição entre os intervalos de confiança,
sendo mais notório no ouvido direito.
72
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Tabela 9.1 – Teste não paramétrico de Mann-Whitney U segundo a variável Latência para o grupo
disléxico e não disléxico, para ambos os ouvidos.
Gráfico 9.2 – Distribuição dos valores da variável amplitude segundo a variável grupo (disléxicos e
não disléxicos), para cada ouvido.
73
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Z -,013 -,709
Tabela 9.2 – Teste não paramétrico de Mann-Whitney U segundo a variável Amplitude para o grupo
disléxico e não disléxico, para ambos os ouvidos.
Após a análise estatística das variáveis latência e amplitude do potencial MMN, verificou-
se que este potencial permite separar o grupo disléxico do grupo não disléxico apenas com a
variável latência.
Nesta questão optou-se por estudar apenas os potenciais exógenos, uma vez que neste
estudo a marcação do potencial MMN registou-se no maior pico negativo ocorrido após o
74
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Embora não seja possível uma resposta definitiva a esta questão, com os dados recolhidos,
considera-se o método de marcação satisfatório se as variâncias do potencial MMN (latência e
amplitude) forem similares às variâncias obtidas nas marcações dos componentes P1, N1, P2,
N2. Essas variâncias também não devem apresentar uma variação significativa com os grupos
(disléxicos/ não disléxicos) e com os ouvidos (direito/ esquerdo).
MM Latência Amplitude
Ouvido Direito Ouvido Esquerdo Ouvido Direito Ouvido Esquerdo
P1 Latência Amplitude
Ouvido Direito Ouvido esquerdo Ouvido Direito Ouvido esquerdo
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
1 Latência Amplitude
Ouvido Direito Ouvido Esquerdo Ouvido Direito Ouvido Esquerdo
P2 Latência Amplitude
Ouvido Direito Ouvido Esquerdo Ouvido Direito Ouvido Esquerdo
2 Latência Amplitude
Ouvido Direito Ouvido Esquerdo Ouvido Direito Ouvido
Esquerdo
ão Disléxico 671 971 3,6 12,41
Através da análise das tabelas anteriores podemos observar que os valores obtidos para as
variâncias das amplitudes do potencial MMN (máximo de 17,2) não são superiores aos valores
verificados em N2, apesar de serem superiores aos valores obtidos para P1, N1 e P2.
No que se refere às variâncias das latências observa-se que o máximo do valor obtido na
curva do potencial MMN (máximo de 925), encontra-se dentro dos valores obtidos para as
curvas de P2 e N2. Com esta análise verifica-se que em termo de comparação, estes
componentes (P2 e N2), apresentam valores de latência médios próximos do potencial MMN.
76
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Nesta questão iremos abordar unicamente a variável latência devido ao resultado obtido na
primeira questão, onde se verificou que apenas a variável latência do potencial MMN permite
separar o grupo disléxicos do grupo de não disléxicos.
Procedeu-se então à soma dos resultados obtidos para o ouvido direito e para o ouvido
esquerdo relativamente à variável latência, nos diferentes grupos (disléxicos/ não disléxicos),
sendo o intervalo de confiança a 95% representado no seguinte gráfico:
Gráfico 9.3 – Gráfico de valores comparativos entre o ouvido direito e o ouvido esquerdo segundo a
variável latência do potencial MMN, para ambos os grupos (disléxicos/ não disléxicos).
77
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Através do gráfico 9.3 pode-se observar que a diferença do valor médio da latência do
potencial MMN, não são significativas entre o ouvido direito e o ouvido esquerdo, para cada
grupo (disléxico/ não disléxico).
Tabela 9.8 – Comparação dos valores da variável latência do potencial MMN entre o ouvido direito e o
ouvido esquerdo, para ambos os grupos.
Através da tabela 9.8 verifica-se que não existe uma diferença estatisticamente
significativa entre o ouvido direito e o ouvido esquerdo (p>0,05), relativamente à variável
latência do potencial MMN, para o grupo de disléxicos e para o grupo de não disléxicos. Logo
pode-se rejeitar a hipótese Ho, ou seja, não existe uma diferença estatisticamente significativa
entre o ouvido direito e o ouvido esquerdo, nos dois grupos em estudo.
Estes resultados tem por base a não separação da variável género (esta variável será
objecto de estudo na secção seguinte).
78
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Nesta questão iremos novamente apenas estudar a variável latência devido ao resultado
obtido na primeira questão, onde se verificou que esta variável permite separar o grupo
disléxicos do grupo não disléxicos.
Esta questão é bastante pertinente, uma vez que estudos recentes comprovaram que os
padrões de activação cerebral diferem entre o género masculino e o género feminino.
Após a soma dos resultados obtidos para o género feminino (0) e para o género masculino
(1) relativamente à variável latência, nos diferentes grupos (disléxicos/ não disléxicos), tendo
como intervalo de confiança 95% apresentou-se o seguinte gráfico:
Gráfico 9.4 – Gráfico de valores comparativos entre o género feminino e o género masculino segundo a
variável latência do potencial MMN, para ambos os grupos (disléxicos/ não disléxicos).
79
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Através do gráfico 9.4 observa-se uma diferença no valor médio da variável latência do
potencial MMN no grupo de disléxicos, apenas para o ouvido direito, comparando o género
feminino com o género masculino.
b
Test Statistics
Z -,049 -,391
Z -2,993 -1,300
Asymp. Sig. (2-tailed) ,003 ,193
a
Exact Sig. [2*(1-tailed Sig.)] ,201
Tabela 9.9 - Comparação dos valores da variável latência do potencial MMN entre o ouvido direito e o
ouvido esquerdo, relativamente à variável género.
Através da tabela 9.9 verifica-se que existe uma diferença estatisticamente significativa
(p<0,05) na variável latência do potencial MMN, relativamente à variável género, apenas no
ouvido direito do grupo de disléxicos.
Logo pode-se rejeitar a hipótese H1, ou seja, existe uma diferença estatisticamente
significativa comparando o género feminino e com género masculino, contudo apenas para o
ouvido direito do grupo de disléxicos.
80
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Gráfico 9.5 - Comparação dos valores da variável latência do potencial MMN do ouvido direito e do
ouvido esquerdo, relativamente ao grupo disléxicos que se encontrava sob efeito da medicação e o
grupo de disléxicos que não se encontrava a tomar medicação.
81
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Z -,404 -,822
Tabela 9.10 - Comparação dos valores da variável latência do potencial MMN do ouvido direito e do
ouvido esquerdo, relativamente ao grupo disléxicos que tomou medicação e o grupo de disléxicos que
não tomou medicação.
Através da tabela 9.10 verifica-se que não existe uma diferença estatisticamente
significativa (p>0,05) entre o grupo de disléxicos que toma medicação e o grupo de disléxicos
que não toma medicação, tanto para o ouvido direito como para o ouvido esquerdo. Neste
sentido pode-se rejeitar a Ho, ou seja, a medicação que uma percentagem da amostra do grupo
experimental se encontrava a tomar não altera a latência do potencial MMN.
9.1.6 QUESTÃO 6 – OS VALORES DOS POTE CIAIS EXÓGE OS (P1, 1,P2, 2) DIFEREM E TRE
Como já foi referido anteriormente neste estudo a pesquisa dos potenciais exógenos,
tiveram como principal objectivo ajudar na identificação da curva do potencial MMN.
82
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Uma vez pesquisado estes potenciais, achou-se interessante também investigar se os dois
grupos em estudo (disléxicos e não disléxicos) seriam separáveis com os potenciais exógenos.
H: Os valores dos potenciais exógenos (P1,N1,P2,N2) não diferem entre os dois
grupos (disléxicos/ não disléxicos).
Procedeu-se então à soma dos resultados da variável latência e da variável amplitude para
os diferentes grupos (disléxicos e não disléxicos), sendo o intervalo de confiança a 95%
representado nos seguintes gráficos:
Gráfico 9.6 - Comparação dos valores da variável latência dos potenciais exógenos (P1, N1, P2, N2),
nos diferentes grupos (disléxicos/ não disléxicos)
83
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Gráfico 9.7 – Comparação dos valores da variável amplitudes dos potenciais exógenos (P1, N1, P2,
N2), nos diferentes grupos (disléxicos/ não disléxicos)
Da análise dos gráficos 9.6 e 9.7, verifica-se que apenas o valor da variável amplitude do
componente N1 apresenta diferenças significativas entre o grupo de disléxicos e o grupo de
não disléxicos.
84
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Test Statisticsa
Test Statisticsa
Tabela 9.14 – Comparação dos grupos em estudo (disléxicos/ não disléxicos) para os valores da
variável amplitude dos potenciais exógenos relativamente ao ouvido Esquerdo.
85
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Através das tabelas anteriores é possível verificar que existe uma diferença
estatisticamente significativa (p<0,05) no componente N1 em ambos os ouvidos, apenas para a
variável amplitude. Nos componentes P2 e N2 verificou-se também uma diferença
estatisticamente significativa, contudo apenas na variável latência para o ouvido esquerdo.
Neste sentido pode-se rejeitar a H1, uma vez que neste estudo os valores dos potenciais
exógenos, mais precisamente do componente N1 diferem entre o grupo de disléxicos e o grupo
de não disléxicos.
9.1.7 QUESTÃO 7 – EXISTE UMA DIFERE ÇA SIG IFICATIVA OS POTE CIAIS P300 E TRE O
O P300 foi pesquisado com o mesmo procedimento do potencial MMN e com o mesmo
objectivo dos potenciais exógenos, ou seja, apenas ajudar na marcação/ localização do
potencial MMN.
Após se ter verificado a presença dos potenciais P300, achou-se interessante investigar se
os dois grupos em estudo (disléxicos e não disléxicos) seriam separáveis com estes potenciais.
H: Os valores do potencial P300 não diferem entre os dois grupos (disléxicos/ não
disléxicos).
Procedeu-se então à soma dos resultados da variável latência e da variável amplitude para
os diferentes grupos (disléxicos e não disléxicos), sendo o intervalo de confiança a 95%
representado nos seguintes gráficos:
86
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Gráfico 9.8 - Comparação dos valores da variável latência do potencial P300 nos diferentes grupos
(disléxicos/ não disléxicos).
Gráfico 9.9 - Comparação dos valores da variável amplitude do potencial P300 nos diferentes grupos
(disléxicos/ não disléxicos).
Pela avaliação dos gráficos anteriores, podemos verificar que não existe diferenças
significativas entre o grupo de disléxicos e o grupo de não disléxicos, relativamente ao valor
da variável latência e da variável amplitude do potencial P300.
87
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Test Statisticsa
Tabela 9.15 – Teste não paramétrico de Mann-Whitney U segundo a variável latência e amplitude
do potencial P300 para os dois grupos em estudo.
Com esta observação rejeita-se a hipótese Ho, ou seja, o potencial P300 pesquisado com o
mesmo procedimento do potencial MMN, não permite separar o grupo de disléxicos do grupo
de não disléxicos.
88
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
9.2 DICUSSÃO
Após a análise estatística dos resultados pode-se concluir que neste estudo o potencial
MMN permite separar o grupo disléxicos do grupo de não disléxicos. Esta separação foi
possível apenas pela variável latência, pois na variável amplitude não se observou diferenças
significativas entre os dois grupos estudados.
Estes resultados estão de acordo com os estudos realizados por Hugdall et al. (1998),
Lachmann et al. (2005) onde verificaram alterações do potencial MMN (aumento da latência)
em crianças disléxicas, utilizando estímulos tonais e estímulos vocais e por Kujala et al.
(2006) onde o potencial MMN se encontrou alterado para estímulos tonais diferindo quanto à
frequência (ROGGIA & COLARES, 2008; SAUER, 2005).
Segundo Kraus & McGree (1996) o valor da latência do potencial MMN ocorre
normalmente entre os 150 e os 275 milissegundos após a detecção do estímulo raro, segundo
Hall (2007), este ocorre entre 100 e os 300 ms e segundo Picton et al. (2000) o potencial
MMN ocorre após a resposta P2 entre os 100 e 200 ms (BROSSI, 2007; JUNQUEIRA &
FRIZZO, 2002, p. 63- 83; MOREIRA, 2008).
No nosso estudo a latência do potencial MMN foi identificada como o maior pico negativo
ocorrido no período de tempo entre 112 a 277 ms, após o aparecimento da onda P2. A
amplitude e a latência do MMN foram calculadas no traçado resultante da subtracção do
estimulo raro com o estimulo frequente, encontrando-se dentro da gama de valores de estudos
semelhantes.
Schulte-Kornek et al. em 1998 e mais tarde Sittiprapaporn et al. em 2003, verificaram que
o potencial MMN apresenta-se mais robusto quando provocado por estímulos da fala, sendo o
estímulo mais indicado para estudar distúrbios de linguagem. Este dado não foi verificado no
nosso estudo, uma vez que devido à limitação do equipamento, não foi possível utilizar o
estímulo vocal, sendo o tone burst o estímulo utilizado (estímulo frequente – 1000Hz;
estímulo raro – 2000Hz).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Carrl (2005) e mais tarde Brossi (2007) realizam estudos em sujeitos normais onde
observaram a presença do potencial MMN utilizando os mesmos estímulos tonais deste estudo
(BROSSI, 2007).
Segundo a literatura, na pesquisa do potencial P300 é necessário que o sujeito esteja atento
ao estímulo raro, caso contrário este potencial pode estar ausente ou surgir com alterações
tanto na sua latência como na sua amplitude.
Neste estudo verificou-se que o P300 esteve presente em toda a amostra, contudo não se
estudou as possíveis alterações relativamente ao procedimento utilizado para a sua pesquisa.
Na literatura consultada verificou-se que alguns estudos referem que o género tem
influência na latência do potencial MMN.
90
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Neste estudo verificou-se uma diferença significativa entre os géneros na variável latência
do potencial MMN, relativamente ao grupo de disléxicos, apenas no ouvido direito. Estes
dados estão de acordo com um estudo realizado por Brossi et al. (2007), onde verificou um
aumento da latência para o género masculino (BROSSI, 2007).
O facto de ser apenas no ouvido direito pode ser justificado pelo cérebro dos disléxicos
apresentar uma menor actividade do lobo temporal esquerdo e por consequência uma
diminuição da vantagem do ouvido direito (SAUER, 2005).
Segundo Kraus e McGress (1994) o potencial MMN está presente desde muito cedo e
alcança os seus valores máximos no início da fase escolar. Neste estudo a amostra encontra-se
com idade entre os oito e os treze anos, segundo estes autores é a idade onde o potencial
MMN atinge o seu valor ideal para análise (BROSSI, 2007). Roggia et al. (2008) estudou oito
sujeitos com distúrbios do processamento auditivo central com uma faixa etária entre os 9 e os
13 anos, Lachmann et al. (2005) estudou crianças disléxicas entre os 8 e os 11 anos cuja o
tamanho da amostra foi precisamente igual à amostra deste estudo.
Com estes dados podemos verificar que a idade e o tamanho da amostra em estudo 28
elementos, sendo 12 do grupo de controlo e 16 do grupo de Disléxicos é semelhante aos
estudos referidos anteriormente.
Através do questionário informativo, que teve como objectivo a obtenção de alguns dados
pessoais, necessários ao estudo, verificou-se que alguns elementos do grupo de disléxicos
estavam a ser medicados para a hiperactividade e défice de atenção, neste sentido achou-se
importante verificar se a medicação em questão, altera a latência do potencial MMN.
Neste estudo não se verificou diferenças significativas nas latências dos elementos da
amostra que estavam sob medicação, este dado está de acordo com o estudo realizado por
Schochat, Scheuer & Andrade (2002) onde também não verificaram diferenças na latência do
potencial em estudo, contudo relativamente à variável amplitude estes verificaram que esta se
encontrava alterada (VIEIRA, 2009).
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Neste trabalho optou-se por não estudar a amplitude do potencial MMN devido aos
resultados encontrados na primeira questão, concentrando as nossas análises apenas na
variável latência, sugerindo a sua análise estatística em trabalhos futuros.
De acordo com a literatura e com os resultados obtidos neste estudo, consideramos que
antes do potencial MMN passar para a prática clínica é necessário existir mais estudos, com
amostras de maiores dimensões e em diferentes idades, a fim de se estabelecer condições
técnicas propicias para maior homogeneidade dos resultados.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Capítulo X CO CLUSÃO
O facto de até à data não existir em Portugal nenhum estudo relacionado com os potenciais
evocados auditivos de longa latência, mais precisamente o Mismatch Negativity (MMN),
associados a uma patologia, motivou ainda mais a realização deste trabalho.
A primeira fase deste projecto incidiu sobre uma recolha bibliográfica dos vários estudos
realizados com o potencial MMN, na área de audiologia.
O problema maior que tivemos que enfrentar na realização deste estudo foi a aquisição de
um equipamento com o programa do potencial Mismatch Negativity instalado. Após varias
tentativas foi possível adquirir o equipamento, contudo um pouco limitado uma vez que não
permitiu instalar sons vocais.
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diagnosticadas com dislexia com idades compreendidas entre os oito e os treze anos, de ambos
os géneros.
Após a obtenção da listagem do grupo experimental, enviou-se aos Pais e/ou Responsáveis
uma carta informativa do estudo, na qual era solicitada a sua colaboração juntamente com a da
criança.
Todos os interessados deslocaram-se ao hospital onde se realizaram os exames
relacionados com este estudo após os Pais e/ou Responsáveis de todas as crianças envolvidas
assinarem o termo de Consentimento Livre e Informado.
Após a realização deste trabalho temos como principal resultado a constatação de que o
potencial Mismatch Negativity (MMN) consegue separar o grupo de disléxicos do grupo de
não disléxicos apenas através da variável latência, pois na variável amplitude não se observou
diferenças significativas entre os dois grupos estudados.
Verificou-se também que o componente N1 consegue separar os grupos em estudo através
da variável amplitude.
Como resultados importantes deste estudo há ainda a evidenciar que:
- Se verificou diferenças significativas na variável latência do potencial MMN entre os
géneros apenas para o ouvido direito do grupo de disléxicos;
- Não se verificou diferenças significativas no grupo de disléxicos relativamente à variável
latência do MMN para os elementos que estavam a ser medicados para a hiperactividade/
défice de atenção.
- Utilizando a mesma metodologia do potencial MMN, verificou-se diferenças
significativas entre o grupo de disléxicos e o grupo de não disléxicos nos potenciais exógenos
nos componentes P2 e N2, relativamente à variável latência, apenas para o ouvido esquerdo.
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Um outro resultado também importante está relacionado com o método adoptado para a
marcação do potencial MMN, como foi referido anteriormente não existe um método
específico, o que dificulta a sua homogeneidade. Neste estudo verificou-se após o tratamento
estatístico que não existe motivos para pôr em causa o método adoptado para a marcação do
potencial MMN.
Após a conclusão deste trabalho que foi, a nosso ver, um passo importante para incentivar
a utilização destes potenciais em Portugal na área de investigação no sentido de no futuro
próximo se tornar numa ferramenta objectiva e complementar para o diagnóstico e prognóstico
da avaliação do processamento auditivo (central).
Sabemos que para estes potenciais passarem para a prática clínica será essencial que
ocorram mais pesquisas, nomeadamente:
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
107
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
A EXOS
108
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Exmo. Sr.
Presidente do Conselho de Administração
do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/ Espinho, EPE
Eu, Maria Inês Cardoso Araújo, Técnica de Audiologia a exercer funções neste
hospital, com o nº mecanográfico 5008, venho por este meio solicitar a Vª Exª autorização
para recolha de dados necessários para a realização de um trabalho de investigação “Potenciais
Evocados em Dificuldades de Aprendizagem” que se insere no âmbito do Mestrado em
Ciências da Fala e da Audição a decorrer na Universidade de Aveiro, sob a coordenação do
Prof. Dr. António Teixeira.
109
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Nos últimos anos vários estudos sugerem a utilização de Potencias evocados auditivos
cognitivos em crianças com distúrbio fonológico, pois estes podem servir para uma melhor
avaliação do diagnóstico e seguimento na eficácia das estratégias de reabilitação.
A dislexia é o distúrbio de maior incidência nas escolas. Pesquisas realizadas em vários
países revelaram que entre 05% a 17% da população mundial é disléxica.
Ao contrário do que se pensava, a dislexia não é o resultado de desatenção,
desmotivação ou baixa inteligência, é sim uma condição hereditária com alterações genéticas,
apresentando ainda alterações no padrão neurológico. Por todos estes factores é que a dislexia
deve ser diagnosticada o mais precoce possível por uma equipa multidisciplinar especializada,
permitindo assim um encaminhamento mais adequado a cada caso.
110
_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Cabe informar que todos os exames incluídos neste estudo não provocam gastos
acrescidos para o hospital, sendo todos realizados fora do horário de trabalho de forma a não
prejudicar o normal funcionamento do hospital.
Esta autorização pressupõe que durante todo o processo de investigação será respeitada
a confidencialidade dos dados eticamente imposta, resumindo-se o seu manuseamento apenas
ao tratamento estatístico, interpretação e análise dos dados.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
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Eu, Maria Inês Cardoso Araújo, Audiologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de
Gaia/ Espinho, EPE, pretendo realizar um trabalho de investigação que tem como objectivo
diagnosticar precocemente a dislexia, assim como avaliar a eficácia das estratégias de
reabilitação usadas para melhorar a percepção da fala.
A dislexia é um distúrbio de maior incidência nas escolas. Pesquisas realizadas em
vários países revelaram que entre 5% a 17% da população mundial é dislexica.
As crianças com dislexia têm dificuldades na aquisição da leitura, e consequentemente
na escrita, prejudicando o desempenho escolar, social e profissional. Quando identificada
precocemente é possível através de estratégias de reabilitação dar ao disléxico condições para
lidar com estas dificuldades, minimizando as suas consequências.
Nos últimos anos vários estudos sugerem a utilização de um exame que se designa por
Potenciais da Negatividade ou Mismatch Negativity (MMN). Estes Potenciais permitem
analisar a discriminação e a memória sensorial auditiva, sendo um exame não invasivo,
indolor e que não necessita de uma resposta comportamental por parte da criança.
Para atingir os meus propósitos em parceria com a consulta de desenvolvimento (Dra.
Susana Aires Pereira), gostaria de contar com a sua colaboração, permitindo a participação do
seu filho (filha) no referido estudo.
Inicialmente pretendo através do audiograma tonal, audiograma vocal e da impedância
verificar se a audição se encontra dentro da normalidade. Caso não exista nenhuma alteração
realiza-se de seguida os potenciais da negatividade.
É de salientar que nenhum dos exames envolvidos neste estudo provoca dor, ou
qualquer risco para a criança. Todos os resultados encontrados estarão à disposição do
responsável.
As crianças que se encontram a tomar medição não têm necessidade de a suspender.
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_________________________ Potenciais Evocados Auditivos De Longa Latência na Dislexia
Caso aceite colaborar neste estudo, agendaria a sua vinda ao Centro Hospitalar Vila
Nova de Gaia, Serviço de Otorrinolaringologia (Monte da Virgem) no dia ___ do presente
mês, às ___________.
Na impossibilidade de vir na data marcada, deixo o meu contacto pessoal (………….)
para que possamos agendar nova data.
Desde já agradeço e coloco-me à disposição para qualquer esclarecimento.
____________________________
(Inês Araújo)
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Este estudo tem como objectivo a elaboração de uma tese para a conclusão do
Mestrado em Ciências da Fala e da Audição a decorrer na Universidade de Aveiro.
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Esta autorização pressupõe que durante todo o processo de investigação será respeitada
a confidencialidade dos dados eticamente imposta, resumindo-se o seu manuseamento apenas
ao tratamento estatístico, interpretação e análise dos dados.
______________________________ __________________________
Nome do Pai/ Mãe ou Responsável Assinatura do Pesquisador
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Questionário Informativo
ome:_________________________________________________________________
Idade: ___________Data de ascimento____/____/______
Ano de escolaridade: _______________________________
5- Destro Canhoto
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