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Inclusão de Alunos Cegos na Educação

O documento discute a inclusão de alunos com deficiências visuais, destacando que a cegueira não altera as capacidades de aprendizagem, mas requer um ambiente escolar inclusivo para superar preconceitos. A psicologia de Vygotsky é utilizada para entender o desenvolvimento das crianças cegas, enfatizando a importância das interações sociais e da linguagem na compensação das limitações. Além disso, o texto aborda a construção da identidade dessas crianças, que é influenciada pelas relações sociais e pela forma como são tratadas na sociedade.
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Inclusão de Alunos Cegos na Educação

O documento discute a inclusão de alunos com deficiências visuais, destacando que a cegueira não altera as capacidades de aprendizagem, mas requer um ambiente escolar inclusivo para superar preconceitos. A psicologia de Vygotsky é utilizada para entender o desenvolvimento das crianças cegas, enfatizando a importância das interações sociais e da linguagem na compensação das limitações. Além disso, o texto aborda a construção da identidade dessas crianças, que é influenciada pelas relações sociais e pela forma como são tratadas na sociedade.
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VT ÉTICA PROFISSIONAL, INCLUSÃO E DIVERSIDADE HUMANA

Aluno (a): Mykaella Alves Carvalho


Matrícula: 600920500

A PESSOA CEGA E A INCLUSÃO: UM OLHAR A PARTIR DA PSICOLOGIA


HISTÓRICO-CULTURAL

1. O processo de inclusão de alunos com diferenças visuais parte de qual premissa?

Uma diferença visual, por si só, não altera as capacidades de aprendizagem da criança ou
suas habilidades de interação com o ambiente e outras pessoas. Assim como qualquer
outra criança, ela precisa de oportunidades e de convívio com seus pares para aprender a
se relacionar com o mundo. O desenvolvimento emocional e a compreensão de si mesma
ocorrem no contexto cultural em que está inserida.

2. Como a escola pode auxiliar na superação dos preconceitos, estigmas e mitos


sobre os alunos com dificuldades visuais? De onde surge os processos superiores
do pensamento infantil?

No ambiente escolar, preconceitos, estigmas e mitos podem ser superados se todos os


envolvidos — professores, alunos, funcionários e pais — discutirem e analisarem essas
questões. A perda parcial ou total da visão altera a maneira como a pessoa cega ou com
baixa visão percebe a realidade, pois ela acessa informações de forma diferente das
pessoas que enxergam.

Segundo Vigotski, o pensamento infantil se desenvolve por meio da interação com o


ambiente social. No caso de crianças cegas, as dificuldades visuais podem estimular o
desenvolvimento de outras formas de funcionamento, baseadas nas relações sociais,
necessidades e vontade. Essas novas formas podem promover crescimento pessoal. A
escola, assim, é um espaço importante de aprendizagem para crianças cegas ou com baixa
visão, desde que a educação se volte para a inclusão plena, evitando a ideia de
inferioridade.

3. Qual foi o primeiro método criado para o acesso à linguagem escrita? Como se
ensinava a ler na escola para cego de Paris? Como era o sistema de Louis Braille
para leitura e escrita de cegos.

O primeiro método criado para o acesso à linguagem escrita para cegos utilizava letras em
relevo feitas de metal ou papel, mas esses métodos permitiam apenas a leitura de
pequenos textos, sem possibilidade de escrita. Na escola para cegos de Paris, fundada por
Valentin Haüy em 1784, os alunos aprendiam a ler com letras impressas em papel grosso,
que deixavam as letras em relevo.

Louis Braille, que estudou nessa escola, desenvolveu um sistema de escrita e leitura com
pontos em relevo, o sistema Braille, que revolucionou a educação de pessoas cegas,
permitindo tanto a leitura quanto a escrita de forma eficiente.
4. No Brasil, quando e onde iniciou o atendimento às pessoas com diferenças
visuais?

No Brasil, o atendimento às pessoas com diferenças visuais iniciou-se com a fundação do


Imperial Instituto de Meninos Cegos, na cidade do Rio de Janeiro, em 1854, pelo Imperador
D. Pedro II. José Álvares de Azevedo, jovem brasileiro que estudou no Instituto Real dos
Jovens Cegos, em Paris, foi o responsável por trazer ao país a idéia e a iniciativa da
primeira criação de uma escola para o atendimento de pessoas cegas (Bueno, 1999).

5. Ao se tratar da educação da pessoa com diferenças visuais, como a falta de visão é


percebida?

Na educação de pessoas com deficiência visual, a ausência de visão é frequentemente


vista inicialmente como uma fragilidade, despertando curiosidade, pena, surpresa e até
admiração. Isso leva à percepção de que essas pessoas são dependentes, necessitando de
orientação, proteção e apoio.. De forma semelhante, os professores que recebem alunos
cegos ou com baixa visão em sala de aula, na sua maioria, têm apenas informações
teóricas sobre a questão e não conhecem as potencialidades e possibilidades deste aluno.
Há uma tendência cultural da pessoa vidente considerar este indivíduo como limitado, e,
consequentemente, incapaz ou deficiente.

6. Sobre os pontos de vista dominantes sobre a psicologia do cego, quais são as três
etapas, historicamente, considerada por Vygotsky? Caracterize-as.

Vigotski identificou três etapas históricas dominantes sobre a psicologia do cego:

1. Etapa Mística: Predominante na Antiguidade, Idade Média e parte da História Moderna,


via a cegueira como uma grande infelicidade e fraqueza, mas também acreditava que
desenvolvia forças místicas, como uma "visão espiritual" que substitui a visão física.

2. Etapa Biológica: Surgiu no século XVIII, onde a cegueira passou a ser vista de forma
mais científica. A ideia de um "sexto sentido" ou compensação natural ganhou destaque,
embora Vigotski criticasse essa visão como ingênua.

3. Etapa Científica ou Sociopsicológica: Iniciada com a psicologia social, especialmente com


Adler, essa fase vê a cegueira como uma condição que leva à compensação
sociopsicológica, onde a inclusão social e o desenvolvimento da personalidade são
fundamentais, sem a necessidade de um "sexto sentido".

7. Qual é a regra fundamental que Vygotsky define para a psicologia dos cegos? E,
qual é a força motriz fundamental da compensação da cegueira?

Vigotski define que a regra fundamental para a psicologia dos cegos é entender o indivíduo
como um todo, não apenas somando características isoladas, mas compreendendo como
essas particularidades se relacionam e fazem parte de um objetivo integral na vida do cego.
A força motriz fundamental da compensação da cegueira é a linguagem, que permite uma
comunicação completa e adequada, superando as limitações espaciais causadas pela falta
de visão.

8. Todas as deficiências afetam antes as relações sociais das crianças e não suas
interações diretas com o ambiente. O que essa afirmação, de acordo com o texto,
quer dizer?

Qualquer defeito, seja a cegueira, a surdez ou a deficiência mental inata, influi, sobretudo,
nas relações com as pessoas. Inclusive na família, à criança diferente é dado um
tratamento exclusivo, inabitual, distinto do que se dá aos outros, e isto não ocorre somente
nas famílias em que esta criança é uma carga pesada e um castigo, mas também quando é
rodeado de um amor duplicado ou uma atenção superprotetora que o separa dos demais.
Isto evidencia as confissões reflexivas dos próprios cegos e surdos, como a observação
cotidiana, muito simples, da vida das crianças com defeitos e os dados da análise científica
e psicológica . O fundamental, afirma Vigotski, era tratar e compreender as deficiências
como consequências sociais e não como um fato estritamente biológico. .

9. Qual é o impulso para o desenvolvimento da criança com deficiência, de acordo


com Vygotsky?
Para Vigotski, o impulso para o desenvolvimento é o mesmo para todas as crianças,
independentemente de terem alguma deficiência ou não. As forças que impulsionam o
desenvolvimento são dinâmicas e buscam superar estados de insegurança ou inferioridade
causados por limitações físicas ou mentais. No entanto, o desenvolvimento ocorre de
maneira particular em crianças com deficiência.

Ou seja, as leis que regem o desenvolvimento são iguais, mas se expressam de formas
diferentes em cada caso. Por isso, é importante observar tanto as regras gerais do
desenvolvimento infantil quanto às características específicas de cada criança com
deficiência, considerando suas funções elementares (como reflexos) e funções psicológicas
superiores (como pensamento e linguagem).

10. Qual a relação das funções elementares e psicológicas superiores e a deficiência?

Vygotsky explica que as funções elementares (como reflexos e sensações básicas) são
diretamente impactadas pela deficiência e são mais difíceis de mudar. Já as funções
psicológicas superiores (como pensamento e linguagem) são mais influenciadas pelo
ambiente social e podem ser desenvolvidas, mesmo em pessoas com deficiência. Ou seja,
a deficiência afeta de forma primária as funções elementares, mas as funções superiores
podem ser trabalhadas e compensadas através das interações sociais

11. O que Vygotsky quer dizer com o conceito de compensação social e sua relação
com o desenvolvimento psíquico das pessoas com diferenças visuais.

Vigotski usa o conceito de compensação social para explicar que, nas pessoas com
deficiência visual, a própria limitação pode gerar estímulos para o desenvolvimento de
outras habilidades. No entanto, ele afirma que essa compensação não é biológica ou
natural, mas ocorre por meio das relações sociais.
12. Como a criança cega ou com baixa visão constrói a sua identidade?

A personalidade das crianças com baixa visão ou cegas é formada principalmente pelas
relações sociais que elas estabelecem, especialmente na família, escola e comunidade. Em
uma sociedade onde a visão é central para conhecer e perceber o mundo, essas crianças
podem internalizar sua deficiência de maneiras diferentes: como uma limitação negativa ou
como uma característica que pode ser superada com estratégias e habilidades alternativas.

O processo de compensação ocorre conforme a criança enfrenta desafios para superar


suas limitações, buscando adaptar-se ao mundo ao seu redor. No entanto, quando as
relações ao seu redor se focam apenas nas impossibilidades e não oferecem oportunidades
para o desenvolvimento de funções psicológicas superiores, essas crianças podem
enfrentar complicações, como isolamento social ou comportamentos ritualísticos.

Vigotski destaca que a personalidade das crianças cegas ou com baixa visão é
profundamente influenciada por sua percepção do mundo, que depende de meios não
visuais. Esse processo reorganiza suas forças internas, e a maneira como são tratadas e
educadas desempenha um papel crucial no desenvolvimento de sua personalidade.

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