TJBA - DIÁRIO DA JUSTIÇA ELETRÔNICO - Nº 3.
637 - Disponibilização: quinta-feira, 22 de agosto de 2024 Cad 2 / Página 970
AgInt na Rcl 32.939/PR, Rel. Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em 22/02/2017, DJe 02/03/2017; AgInt na Rcl
32.430/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 14/12/2016, DJe 19/12/2016; AgInt na Rcl 28.688/RJ, Rel.
Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgado em 24/08/2016, DJe 29/08/2016.
6. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl 31.637/PE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
12/12/2018, DJe 17/12/2018)
Nada obstante, ainda que a reclamação fosse cabível no caso, melhor sorte não teria a autora dada a manifesta inépcia da inicial.
Primeiro, porque embora tenha ajuizado reclamação sob o pretexto de fazer valer entendimento do STJ em precedente vinculan-
te não se ocupou de apresentar qual precedente seria esse e qual a tese vinculante teria sido ignorada.
Pelo que consta da inicial verifica-se que se trata de simples transcrição de razões de uma verdadeira contestação, o que torna
a inicial manifestamente inepta tendo em vista que ela sequer se ocupa de esclarecer a que pretensão a que se contrapõe. Ali-
ás, não há sequer demonstração de que as considerações que lá constam se relacionam ao que foi efetivamente decidido no
acórdão atacado.
Se a reclamação fosse em tese cabível, portanto, a inicial seria indeferida em razão da manifesta inexistência de causa de pedir
atrelada ao objeto deste tipo de ação, que é a invalidação/reforma de decisão proferida noutros feitos.
Esta demanda, portanto, é exemplo claro da desvirtuação do instituto da reclamação, que tem sido usado indiscriminadamente
(e muitas vezes sem qualquer coerência argumentativa) na tentativa de alcançar a revisão de decisões prolatadas em Juizado
Especial — que tem rito próprio — como sucedâneo recursal, o que tem sido feito com propósito claro de protelar ao máximo
possível a definição da controvérsia já resolvida pelo Judiciário, intenção que fica ainda mais evidente em razão do nível de
abstração da petição inicial.
A reclamação, portanto, não é e não pode ser tratada como se fosse mais um recurso à disposição da parte que perde uma dis-
puta judicial que se desenrolou perante o microssistema dos juizados especiais cíveis estaduais segundo o rito a ele aplicável.
Em razão de todo exposto, JULGO EXTINTA SEM EXAME DE MÉRITO a presente reclamação, nos termos do art. 485, IV, do
CPC.
Sem custas, nos termos do art. 153, VII, do RITJBA.
Sem honorários em razão da inocorrência da angularização da relação processual.
Destaco, oportunamente, que inadmissão manifesta ou não provimento unânime de agravo interno eventualmente interposto con-
tra esta decisão poderá ensejar aplicação de multa de 1% a 5% sobre o valor atualizado da causa (art. 1.021, §4º do CPC/2015).
Da mesma forma, alerto que a oposição de embargos declaratórios fora das hipóteses restritas de cabimento desse recurso será
compreendida como manobra protelatória e ensejará punição exemplar dentro do que permite a legislação processual para o
litigante de má-fé.
Publique-se. Intimem-se.
Salvador/BA, 20 de agosto de 2024.
Des. Mário Augusto Albiani Alves Júnior
Relator
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
Des. Edmilson Jatahy Fonseca Júnior
EMENTA
8054499-74.2023.8.05.0000 Incidente De Resolução De Demandas Repetitivas
Jurisdição: Tribunal De Justiça
Suscitante: Desembargador(a) Relator(a) Suscitante
Suscitado: Parte Suscitada Inexistente
Ementa:
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
Seção Cível de Direito Privado
________________________________________
Processo: INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS n. 8054499-74.2023.8.05.0000
Órgão Julgador: Seção Cível de Direito Privado
SUSCITANTE: DESEMBARGADOR(A) RELATOR(A) SUSCITANTE
Advogado(s):
SUSCITADO: PARTE SUSCITADA INEXISTENTE
Advogado(s):
ACORDÃO
INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. EMPRÉSTIMO. RESERVA DE
MARGEM CONSIGNADA. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. CONTRATAÇÃO NÃO RECONHECIDA PELO CONSUMI-
DOR. MULTIPLICIDADE DE AÇÕES. MESMA CONTROVÉRSIA. PRESENÇA DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE ES-
TABELECIDOS NO ART. 976, I E II, DO CPC. DIVERGÊNCIA DEMONSTRADA. QUESTÕES DE FATO. CONSTATAÇÃO. ERRO
SUBSTANCIAL. ANÁLISE À LUZ DA BOA-FÉ OBJETIVA. EVENTUAL ANULAÇÃO DOS CONTRATOS. CONSEQUÊNCIAS.
PREDEFINIÇÃO. NECESSIDADE. DETERMINAÇÃO DE SUSPENSÃO DOS PROCESSOS EM TRAMITAÇÃO. CABIMENTO
DO INCIDENTE.
Analisando os documentos que instruem o presente feito, especialmente os julgados indicados como paradigmas, percebe-se,
conforme alegado pela suscitante, a existência de divergência atual acerca das ações que versam sobre a legalidade dos con-
tratos de cartão de crédito consignado e reserva de margem consignada.
TJBA - DIÁRIO DA JUSTIÇA ELETRÔNICO - Nº 3.637 - Disponibilização: quinta-feira, 22 de agosto de 2024 Cad 2 / Página 971
Enquanto no empréstimo consignado há uma quantidade predeterminada de parcelas, de maneira que o tomador tem condições
de saber quando a dívida terminará, no cartão de crédito consignado inexiste prazo para conclusão, permitindo-se que a cobran-
ça perdure indefinidamente caso a fatura não seja integralmente quitada, com acréscimo das altas taxas de juros e encargos
próprios dos cartões de crédito.
As consequências da contratação de uma modalidade pela outra, quando o consumidor não sabe ou não lhe foi suficientemente
explicada a diferença, tem ensejado o ajuizamento de múltiplas ações sobre a temática, sendo recomendável que entre elas haja
coerência, permitindo que casos semelhantes tenham respostas semelhantes.
Não obstante haja questões de fato que perpassem pela análise do direito repetidamente pelejado, tratam-se de questões que
irrigam a própria atividade judicante, que não labora com questões exclusivamente teóricas.
A discussão em torno da configuração do erro substancial cinge-se à observância da boa-fé objetiva pelos contratantes.
É possível firmar um entendimento abstrato e vinculante, estabelecendo parâmetros objetivos para que o Juiz analise uma
situação concreta e seja capaz de aferir se o contrato deve ou não ser anulado, tendo em vista as condições das partes, as cir-
cunstâncias da contratação e o próprio instrumento contratual, que deverá ser bastante claro quanto ao serviço que está sendo
adquirido e se este foi efetivamente usufruído pelo consumidor.
Uma vez anulado o contrato, em assim sendo, natural que as consequências também já estejam pré-definidas, conformando o
desiderato de uniformização da jurisprudência e de promoção da segurança jurídica e da isonomia.
A questão referente à legalidade contratação de cartão de crédito consignado com a retenção do benefício previdenciário por
meio da reserva da RMC, é matéria de mérito do incidente e com ele será analisada.
Existe, portanto, a efetiva repetição de processos que contêm controvérsia sobre esta mesma questão de direito, com risco de
ofensa à isonomia e à segurança jurídica, tendo sido indicado especificamente um grande numerário de precedentes que ilus-
tram a dissonância que tem ocorrido sobre a matéria.
Da leitura de tudo o quanto exposto, verifica-se a proliferante divergência em relação ao tema proposto pela suscitante, o que
configura situação autorizadora da instauração do presente incidente de resolução de demandas repetitivas.
A suspensão processual de que trata o art. 982, I, do CPC, deverá alcançar os processos pendentes que já tiverem encerrada a
fase instrutória, com vistas a preservar a duração razoável do processo.
Desta forma, restou caracterizado o requisito da multiplicidade de ações neste Tribunal sobre o tema, capaz de instaurar o pre-
sente incidente.
Vistos, relatados e discutidos estes autos do Incidente de Resolução de Demanda Repetitiva nº 8054499-74.2023.8.05.0000,
figurando como Suscitante a Exma. Desa. REGINA HELENA SANTOS E SILVA.
ACORDAM os Desembargadores integrantes das Seções Cíveis de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia,
por maioria, em ADMITIR o incidente nos termos do Voto do Relator.
Sala de Sessões Cíveis Reunidas do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, aos 15 dias do mês de agosto do ano de
2024.
Des.(a) Presidente
Desembargador Jatahy Júnior
Relator Designado
Procurador(a) de Justiça
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SEÇÕES CÍVEIS REUNIDAS
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
Des. Edson Ruy Bahiense Guimarães Cíveis Reunidas
DECISÃO
8045541-65.2024.8.05.0000 Reclamação
Jurisdição: Tribunal De Justiça
Reclamante: Mercante Dist De Materials Elet De Construcao Ltda
Advogado: Matheus Assis Santos Gois (OAB:BA44761-A)
Reclamado: Quinta Turma Recursal Do Tribunal De Justiça Do Estado Da Bahia
Interessado: Marcos Rogerio De Novaes Cardoso
Interessado: M Cardoso Representacoes Ltda
Decisão: