Propofol
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Propofol
Alerta sobre risco à saúde
Nome IUPAC 2,6-diisopropilfenol
Identificadores
Número CAS 2078-54-8
PubChem 4943
DrugBank APRD01201
Código ATC N01AX10
DCB n° 07474
Propriedades
Fórmula química C12H18O
Massa molar 178.27 g mol-1
Farmacologia
Via(s) de administração via intravenosa
Metabolismo hepático
Meia-vida biológica 30 a 60 min.
Ligação plasmática 95 a 99%
Excreção renal
C1 - Outra substância
sujeita a controle especial
(Sujeita a Receita de
Classificação legal Controle Especial em
duas vias) (BR)
Compostos relacionados
Timol (5-metil-2-
isopropil-fenol)
Fenóis relacionados
2,6-Di-terc-butil-fenol
2,4,6-tri-isopropil-fenol
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão
Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.
Propofol, também conhecido por sua marca comercial Diprivan (2,6-
diisopropilfenol), é um fármaco de ultracurta-duração da classe
dos anestésicos parenterais.[1] A injecção endovenosa de uma dose terapêutica
(1,5 - 2,5 mg/kg para indução[2]) de propofol induz a hipnose, com excitação
mínima, usualmente em menos de 40 s (o tempo de uma circulação braço-
cérebro). Como outros indutores de ação rápida, o tempo de meia-vida de
equilíbrio circulação-cérebro é aproximadamente de 1~3 minutos, dependendo
da velocidade da indução da anestesia. O mecanismo de ação proposto é
atividade agonista de receptores do tipo GABA. Sua ligação provocaria a
abertura de canais de íons cloreto levando à hiperpolarização neuronal.
Índice
1Usos médicos
2Apresentação
3Farmacologia clínica
4Efeitos colaterais
5Na cultura popular
o 5.1Morte de Michael Jackson
6Referências
7Ligações externas
Usos médicos
É usado para indução anestésica em pacientes adultos e pediátricos (com mais
de 3 anos de idade), manutenção da anestesia geral em pacientes adultos e
pediátricos (com mais de 2 meses de idade) e sedação para procedimentos
médicos. O propofol não produz analgesia, embora em certos estudos em que
se administra propofol, em comparação com anestésicos inalatórios, os
doentes reportam menos dor[3][4] Também é utilizado em medicina veterinária.
Apresentação
Propofol é insolúvel em água e não pode ser injetado per se. É preparado na
forma farmacêutica de emulsão e assim é administrado na forma parenteral .
[2]
Foi originalmente desenvolvido pelo ICI (Imperial Chemical Industries) como
ICI 35868. Entretanto, devido a reações anafiláticas, foi retirado do mercado e
reformulado, retornando para venda como uma emulsão de óleo de
soja/propofol misturado em água, em 1986 pela empresa AstraZeneca com a
marca Diprivan (abreviatura de DI-isoPRopyl IV ANesthetic). A preparação
corrente do Diprivan é 1% de propofol, 10% de óleo de soja, 1,2% de
fosfolipideo de ovo purificado (emulsionante), glicerol 2,25% como agente
ajustador da tonicidade e hidróxido de sódio para ajustar o pH. O propofol é
isotónico e o seu pH varia de 7,0 a 8,5. O Diprivan contém EDTA como agente
antimicrobiano, tendo novas preparações genéricas o metabisulfito de sodio ou
álcool benzílico como agentes microbicidas.
A emulsão de propofol aparece como um líquido opaco esbranquiçado devido à
dispersão luminosa causada pelas pequeníssimas gotículas de gordura
(~150 nm) que ela contém. Uma forma hidrosolúvel do fármaco, o fospropofol,
foi recentemente desenvolvida e testada em animais com resultados positivos,
sendo rápidamente metabolizada pela enzima fosfatase alcalina para formar
propofol. Comercializado como Lusedra, esta nova formulação poderá possuir
propriedades mais favoráveis para o uso em humanos, como ter maior
facilidade na injeção intravenosa e, talvez, causar menos frequentemente a dor
no local de injecção que frequentemente acontece na fórmula tradicional. O
Lusedra foi aprovado pela FDA dos Estados Unidos em 12 de
Dezembro de 2008.
Farmacologia clínica
As propriedades farmacodinâmicas do propofol são dependentes das
concentrações terapêuticas sanguíneas do fármaco. As concentrações "steady-
state" do Propofol são geralmente proporcionais aos ritmos de perfusão.
Efeitos indesejáveis, como a depressão cárdio-respiratória, normalmente
ocorrem com concentrações mais altas resultantes de bolos ou aumentos
rápidos do ritmo de perfusão. Um intervalo adequado (3-5 minutos) tem de ser
respeitado entre o ajustamento da dose para adquirir a noção precisa dos
efeitos clínicos. Os efeitos hemodinâmicos do propofol durante a indução
anestésica variam. Com ventilação espontânea, o maior efeito cardiovascular é
a hipotensão arterial — por vezes diminui mais que 30% — com pequenas ou
nenhumas alterações da frequência cardíaca e na ausência de diminuição
apreciável do débito cardíaco. Com ventilação assistida, mecânica ou manual,
verifica-se um aumento quer de incidência quer no grau de diminuição do
débito cardíaco. O uso concomitante de um opioide como pré-medicação pode
potenciar ainda mais o débito cardíaco e a depressão ventilatória. Se a
anestesia é continuada com uma infusão de propofol, o estímulo da intubação
oro-traqueal e da cirurgia podem levar a pressão arterial para a normalidade,
porém o débito cardíaco pode continuar deprimido. Estudos clínicos
comparativos mostraram que os efeitos hemodinâmicos do propofol durante a
indução anestésica são em geral mais marcados que os dos outros indutores
intravenosos. O propofol deprime a ventilação, dependendo de vários factores
como a pré-medicação, a dose administrada, hiperventilação e a hiperóxia. O
propofol pode diminuir a frequência respiratória, o volume corrente, o volume
minuto, o fluxo inspiratório médio e acapacidade residual funcional. Os efeitos
depressores ventilatórios podem ser resultado da diminuição
do drive inspiratório central.
A indução de anestesia com propofol é frequentemente associada com apneia
quer nos adultos quer em crianças. Em adultos que receberam propofol (2-
2.5 mg/kg), a apneia durou menos de 30 segundos em 7% dos pacientes, 30 a
60 segundos em 24% dos pacientes e mais de 60 segundos em 12% dos
pacientes. O Propofol tem efeitos a nível cerebral: diminui a perfusão cerebral,
o consumo metabólico de oxigénio cerebral e a pressão intracraniana. Aumenta
a resistência vascular cerebral. Aparentemente não afecta a reactividade
cerebrovascular às alterações do CO2 arterial. Estudos sugerem que em
pacientes com pressão intra-ocular normal o propofol diminui a pressão
intraocular até 30-50%. Esta diminuição poderá estar associada a uma
diminuição concomitante da resistência vascular sistémica. Estudos clínicos
mostraram que o propofol não causa sinais significativos de liberação de
histamina ou aumentos significativos de imunoglobulinas plasmáticas ou dos
nóveis do factor C3 do complemento. A resistência das vias aéreas depois da
intubação traqueal é menor quando o propofol é usado na indução que quando
são utilizados o tiopental ou o etomidato em altas doses. Apesar do propofol
poder afectar a produção de esteróides, apartentemente não bloqueia a
secreção de cortisol ou de aldosterona em resposta ao estímulo cirúrgico ou à
hormona adrenocorticotrópica (ACTH) na prática clínica. Embora diminuições
transitórias do cortisol plasmático tenham sido descritas, estas não foram
sustentadas. O propofol parece não ter actividade analgésica apreciável. Em
estudos com animais, demonstrou-se que o propofol não tem efeitos
significativos nos perfis de coagulação. O propofol tem propriedades
antieméticas. A anestesia com propofol resulta em menos náusea ou vómitos
que a anestesia com desflurano, isoflurano, metoexital, óxido nitroso ou
tiopental. O propofol está altamente ligado a proteínas in vivo e é metabolizado
por conjugação no fígado. A sua clearance excede o fluxo sanguíneo hepático
sugerindo uma eliminação extra-hepática adicional. O mecanismo de acção
ainda suscita dúvidas, mas está postulado que o seu efeito primário pode ser a
potenciação de receptores GABA-A e de glicina, possivelmente por atrasar o
encerramento dos canais iónicos associados. Pesquisas recentes sugerem que
o sistema endocanabinoide pode contribuir significativamente na acção
anestésica do propofol. A semi-vida de eliminação estima-se entre 2 a 24
horas. A duração do efeito clínico é muito mais curta porque o propofol é
rapidamente distribuído pelos tecidos periféricos. Quando usado para sedações
por via endovenosa, o propofol termina a sua acção em poucos minutos. O
propofol é muito versátil: pode ser usado em procedimentos curtos ou
prolongados, possui rápido início de acção e de recobro, e as suas
propriedades amnésicas fazem com que o propofol seja muito utilizado para
todo o tipo de procedimentos de sedação e anestesias gerais. Seu uso não
está tão associado às náuseas como os opiáceos.
Efeitos colaterais
Além de hipotensão (sobretudo por via de vasodilatação) e apneia transitória
após doses de indução hipnótica, um dos efeitos colaterais do propofol é dor no
local da injecção, sobretudo em veias de calibre inferior. Esta dor pode ser
reduzida com um pré-tratamento com lidocaína i.v. Um efeito mais raro e mais
grave é distonia. Movimentos mioclónicos relativamente ligeiros são comuns.
Aparentemente, o propofol é seguro em casos de porfiria e não estão descritos
casos de indução de hipertermia maligna. Há um caso relatado em que a urina
de paciente tratado com propofol tornou-se verde, havendo descoramento após
24h da interrupção do tratamento.[5]
Na cultura popular
Morte de Michael Jackson
Ver artigo principal: Morte de Michael Jackson
O propofol foi mundialmente reconhecido por ter sido indicado como principal
responsável pela morte do cantor Michael Jackson, no ano de 2009, por parada
cardíaca. Foi o último remédio aplicado por Conrad Murray, seu médico
pessoal, que posteriormente foi condenado à prisão.[6]
Propofol (INJETÁVEL) (nome genérico) (substância ativa). Informações sobre indicações, contra-
indicações, efeitos colaterais/adversos, interações medicamentosas, formas de administração e posologia.
REFERÊNCIA
DIPRIVAN (AstraZeneca); DIPRIVAN PFS (AstraZeneca)
GENÉRICO
Apresentações assinaladas com G
SIMILAR
PROFOLEN (Blausiegel); PROPOVAN (Cristália)
USO INJETÁVEL
Injetável (emulsão) na concentração 10 mg/mL
DIPRIVAN; DIPRIVAN PFS; G
Injetável (emulsão) na concentração 20 mg/mL
DIPRIVAN; DIPRIVAN PFS; G
Armazenagem Antes de Aberto
Temperatura entre 2 – 25ºC
Proteção à luz: sim, necessária.
Aparência da solução: branca aquosa (emulsão).
O QUE É
O Propofol é um anestésico de curta duração; hipnótico [alquilfenol].
PARA QUE SERVE
Indução da anestesia geral; manutenção da anestesia geral.
COMO AGE
O mecanismo do Propofol não bem compreendido. É um hipnótico de ação curta.
COMO SE USA
Uso Injetável
• Agitar antes de usar.
• As doses devem ser individualizadas, de acordo com a idade e a condição do paciente.
Via Intravenosa Direta
Propofol (emulsão) 10 mg/mL
DILUIÇÃO: não é necessário diluir.
Propofol (emulsão) 20 mg/mL
DILUIÇÃO: não é necessário diluir.
Infusão Intravenosa
Propofol (emulsão) 10 mg/mL
DILUIÇÃO
Diluente: Glicose 5%.
Volume: a concentração final não pode ser menor que 2 mg/mL para preservar a emulsão.
Estabilidade após diluição com Glicose 5%: temperatura ambiente (15-30°C): 6 horas.
TEMPO DE INFUSÃO: adultos: 0,1-0,2 mg/kg/minuto.
Propofol (emulsão) 20 mg/mL
DILUIÇÃO
Diluente: Glicose 5%.
Volume: a concentração final não pode ser menor que 2 mg/mL para preservar a emulsão.
Estabilidade após diluição com Glicose 5%: temperatura ambiente (15-30°C): 6 horas.
TEMPO DE INFUSÃO: adultos: 0,1-0,2 mg/kg/minuto.
CUIDADOS ESPECIAIS
Risco na Gravidez
Classe B: Não há estudos adequados em mulheres (em experimentos animais não foram demonstrados
riscos).
Amamentação
O Propofol é excretado no leite; não amamentar.
Não Usar o Produto
Anestesia obstétrica; crianças; hipersensibilidade ao produto; pressão intracraniana aumentada ou
circulação cerebral prejudicada.
Avaliar Riscos X Benefícios
Debilitados; desordens circulatórias; desordens do metabolismo lipídico (pancreatite,
hiperlipoproteinemia, hiperlipidemia diabética); diminuição do volume do sangue; idosos; insuficiência cardíaca;
diminuição da função do fígado; diminuição da função renal; histórico de convulsão (pode ocorrer convulsão);
insuficiência respiratória.
Reações Mais Comuns (ocorrem em pelo menos 10% dos pacientes)
CARDIOVASCULAR: pressão baixa.
SISTEMA NERVOSO CENTRAL: movimentos corporais.
REAÇÕES LOCAIS: dor; queimação no local da injeção; sensação de agulhadas.
RESPIRATÓRIO: apneia (com duração de mais de 30 segundos); acidose respiratória durante a retirada
do medicamento.
ENDÓCRINO/METABÓLICO: aumento de triglicérides no sangue.
Atenção ao Utilizar Outros Produtos
O Propofol:
• pode ter os efeitos depressores do sistema nervoso central aumentados por: álcool; outros
medicamentos depressores do sistema nervoso central.
OUTRAS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
• Considerar a administração intravenosa de um agente anticolinérgico, antes da indução ou durante a
manutenção da anestesia, especialmente em situações em que haja probabilidade de predominância
do tônus vagal ou quando o produto for associado a outros agentes que potencialmente possam
causar bradicardia.
• Se o paciente estiver recebendo lipídios por via intravenosa, concomitante com o Propofol, sua
quantidade deverá ser reduzida, uma vez que este anestésico contém 0,1 g de lipídio por 1 mL.
• O desempenho do paciente para tarefas que exijam atenção ficará comprometido durante algum
tempo após a anestesia geral ou sedação.
• Deve-se corrigir a depleção de fluidos antes da administração de Propofol.
• A velocidade de infusão deve ser reduzida e a o nível de sedação avaliado diariamente em pacientes
recebendo Propofol por longos períodos.
• As doses de Propofol podem variar amplamente entre pacientes e pode ser necessário reduzi-las ou
aumentá-las ao longo do tempo.