GRUPO I
Texto A
Lê o texto.
(Sobre)Viver no deserto
Viver no deserto não é fácil. As temperaturas abrasadoras, a areia escaldante, a
falta de água, a difícil sobrevivência de humanos e animais são algumas das
principais dificuldades. Mas, durante séculos, vários povos têm conseguido subsistir
nestas condições como, por exemplo, estes que te apresentamos: os bosquímanos e
os berberes.
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Os bosquímanos, da África Austral
Desde há milhares de anos que são caçadores recoletores, ou seja, caçam os animais
de que se alimentam – utilizando arco e flecha, dardos e outro tipo de instrumentos que
não as armas de fogo – e recolhem o que a natureza lhes dá. São também pastores,
normalmente de cabras, cujo leite também aproveitam como alimento.
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Língua: Falam koisan ou khoisan, cuja característica mais marcante é o uso dos ‘cliques’,
fonemas específicos que produzem fazendo estalinhos com a língua ao aspirar o ar.
Habitação: As suas habitações podem ser, em alguns casos, grutas, mas também erguem
cabanas através de uma armação de ramos coberta com erva, barro e estrume de animais
ou esteiras e peles.
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Artesanato: Talham e usam vasilhas de madeira. Dominam a cestaria e também a
cerâmica.
Os bosquímanos comem o que caçam e os ensinamentos da caça são passados desde
cedo aos mais novos. As reuniões da comunidade são momentos muito importantes de
comunhão e celebração.
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Berberes, do Norte de África
Vivem no deserto do Saara. No verão, as temperaturas durante o dia podem chegar aos
55 ºC e, à noite, no inverno, podem mesmo ser negativas. Os povos berberes a tudo isto
parecem resistir. Estão desde sempre ligados ao comércio. As grandes caravanas –
primeiro transportadas por humanos, depois por burros e só muito mais tarde por camelos
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– tinham quase sempre chefes berberes. Hoje ainda é assim, embora os membros destas
tribos já se sirvam em alguns casos, por exemplo, da tecnologia GPS para se deslocarem
de um ponto ao outro do deserto.
Língua: A língua berbere tem origens africanas e asiáticas.
Habitação: Os nómadas do deserto vivem em tendas transportáveis: uma armação de
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paus que cobrem com tecidos de algodão ou de pelo de cabra tingidos de preto ou com
peles de cabra e ovelha tingidas de vermelho. Dispõem-nas em círculo, em linha ou em
duas linhas paralelas.
Artesanato: Dominam quase todas as artes tradicionais, mas a cerâmica e a cestaria são
tipicamente berberes.
35 Os camelos são os seus grandes companheiros nas viagens pelo deserto. O chá de
hortelã fortemente açucarado ajuda a hidratar e a manter a energia.
in [Link], 10-08-2015 (adaptado e consult. em 29-01-2020)
1. Para cada item (1.1. a 1.4.), seleciona a opção que completa a frase, de acordo com o sentido
do texto. Escreve o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.
1.1. Os bosquímanos e os berberes vivem no deserto
a. devido às temperaturas amenas.
b. há centenas de milhares de anos.
c. embora não haja água potável nesse local.
d. apesar das difíceis condições de vida com que se deparam.
1.2. Quanto ao modo de vida, os bosquímanos
a. dedicam-se à caça, à cestaria e à cerâmica.
b. são caçadores, pastores e pescadores.
c. vivem em tendas transportáveis.
d. comercializam chá de hortelã.
1.3. A principal característica da língua koisan é
a. a ausência de consoantes.
b. o predomínio de sons nasais.
c. a emissão de estalinhos.
d. a melodia da fala.
1.4. O povo berbere tem uma vida
a. sedentária, vivendo em tendas.
b. nómada, viajando frequentemente.
c. dominada pela tecnologia GPS.
d. sem contacto com outros povos.
2. Seleciona a opção que corresponde à única afirmação falsa, de acordo com o sentido do
texto.
A. “nestas condições” (linha 4) refere-se a “As temperaturas abrasadoras, a areia escaldante, a
falta de água, a difícil sobrevivência de humanos e animais” (linhas 1-2).
B. “estes” (linha 4) refere-se a “os bosquímanos e os berberes” (linhas 4-5).
C. “lhes” (linha 9) refere-se a “instrumentos” (linhas 8-9).
D. “nas” (linha 33) refere-se a “tendas transportáveis” (linha 31).
E. “seus” (linha 37) refere-se a “Berberes” (linha 22).
Texto B
Lê o texto seguinte.
O acampamento
Será difícil alguém compreender, olhando para mim nos dias de hoje, que também eu nasci e
cresci neste deserto. Os meus pais, e mais gente ainda, fixaram-se, por um certo tempo, numa
enorme clareira povoada por alguns animais e por algumas plantas e palmeiras a que chamam,
nos locais eleitos, oásis. Nesse oásis havia muita água. Era uma correnteza subterrânea que
5 deslizava profundamente no subsolo e que os meus pais e todos os outros homens e mulheres
desta comunidade conseguiram fazer com que vibrasse e cantasse e brilhasse sob o céu sempre
em fogo. A água. E assim rebentaram plantas e mais plantinhas rasteiras e até algumas flores, as
palmeiras explodiram em frutos; estranhos animais, alguns muito perigosos, aproximaram-se de
nós; foram nascendo novos burros, novos camelos, novas cabras, novos cães, novos humanos. E
10 ali se criou um pequeno núcleo de vida que poderia, à primeira vista, parecer que nunca mais
acabaria, que nunca mais teria um fim, que se desenvolveria e se transformaria, mas não. Estes
homens e mulheres nunca se fixaram. [...]
Também eu brinquei com os cães, com as cabras, com as crias de camelo; também eu subi às
dunas e por elas me deixei escorregar numa alegria infantil, guiado sempre pelo sonho de subir
15 mais alto; também senti e sinto as assombrações da sede; naveguei nas ondas de areia; deixei-
me esvoaçar e sobrevoei, vezes sem conta, o meu acampamento e parecia que tudo e todos
tinham um sentido a cumprir, um estado de sentimentos inquietantes, mas nunca inquietos.
Quantas vezes ali fiquei, despido, sem as minhas roupagens, apenas para sentir o vento da noite;
quantas vezes segui com o olhar aquelas silhuetas escuras e rápidas que eram os homens a
20 andar ou mesmo a correr; quantas vezes ouvi e adormeci ao som de músicas desalinhadas
tocadas nos instrumentos que a natureza ali produzia […].
Neste acampamento que descrevo, e onde nasci, aprendi tudo o que sei hoje. Aprendi a viver
com o Sol e a Lua, aprendi a viver e a perceber que dependo, unicamente, da natureza. Talvez
isto seja estranho para quem lê esta descrição do meu início de vida, mas esta é a verdade. É que
25 uma pessoa que nasça no deserto não é a mesma pessoa, ainda que seja a mesma, que nasce
numa cidade ou no campo ou nas praias ou no Norte ou no Sul. Podia ser, mas não é! Quero eu
dizer que, dependendo do local onde se nasce, a pessoa se forma, se desenvolve e se desenha
na vida. O deserto é diferente? Sim, para mim foi muito diferente.
Cristina Carvalho, Quatro Cantos do Mundo, Ed. Planeta Manuscrito, 2014 (págs. 54-57, com supressões)
1. No primeiro parágrafo, o narrador recorda um período da sua vida em que ele e a sua
comunidade se fixaram temporariamente num oásis.
1.1. Identifica as principais etapas desse período, desde a chegada ao local até ao seu
abandono.
2. No segundo parágrafo, o narrador recorda duas brincadeiras de infância.
2.1. Refere-as, identificando o sentimento que elas lhe provocavam.
3. Aquela comunidade conseguiu que a água “vibrasse e cantasse e brilhasse sob o céu sempre
em fogo.” (linha 7)
3.1. Explica o sentido da expressão sublinhada.
3.2. Identifica, exemplificando, dois recursos expressivos presentes neste excerto.
4. De entre as opções abaixo apresentadas, seleciona todas as que permitem afirmar que o
narrador é uma das personagens da história que narra.
a. “mim” (linha 1) c. “nós” (linha 9) e. “sinto” (linha 16)
b. “fixaram-se” (linha 2) d. “brinquei” (linha 14) f. “nasça” (linha 27)
5. Transcreve das linhas 19 a 23 (“Quantas vezes […] ali produzia.”) uma palavra que demonstre
que o narrador é do sexo masculino.
GRUPO II
1. Associa a cada frase (coluna A) o tipo de sujeito nela presente (coluna B).
Coluna A Coluna B
a. Eu, os meus pais e o resto da comunidade acampámos num oásis.
1. Sujeito simples
b. Dizem bem da vida no deserto.
2. Sujeito composto
c. Vivi naquele local durante algum tempo.
3. Sujeito subentendido
d. Descobriu-se água naquele oásis.
4. Sujeito indeterminado
e. Chegaram todos durante a tarde.
2. Transforma as frases simples em frases complexas, com as conjunções indicadas. Faz as
alterações necessárias para evitares repetições.
a. Conjunção coordenativa copulativa
Os viajantes chegaram à clareira. Os viajantes acamparam na clareira.
b. Conjunção coordenativa conclusiva
Na clareira havia água. A comunidade fixou-se na clareira.
c. Conjunção coordenativa disjuntiva
Os viajantes fixavam-se num local. Os viajantes continuavam a viagem.
3. Identifica de forma completa os verbos sublinhados na seguinte frase passiva:
A clareira era povoada por alguns animais e plantas.
4. Escolhe as alíneas que completam corretamente as afirmações de 4.1. a 4.3.
4.1. Na frase “estranhos animais, alguns muito perigosos, aproximaram-se de nós” (linha 9),
a expressão sublinhada desempenha a função sintática de
a. complemento oblíquo.
b. sujeito.
c. predicativo do sujeito.
d. modificador do nome.
4.2. A única frase complexa é
a. Os seus pais e o resto da comunidade fixaram-se numa enorme clareira.
b. No local onde havia água, já tinham rebentado flores e arbustos.
c. Aproximaram-se da clareira animais estranhos e assustadores.
d. A infância no deserto tem sido recordada muitas vezes pelo narrador.
4.3. A frase “Esta é a verdade.” está corretamente apresentada em discurso direto em
a. O narrador afirmou que aquela era a verdade.
b. De acordo com o narrador, aquela era a verdade.
c. – Esta é a verdade? – indagou o narrador.
d. O narrador assegurou: “Esta é a verdade.”
GRUPO III
No final do texto B, o narrador diz:
“Neste acampamento que descrevo, e onde nasci, aprendi tudo o que sei hoje.
Aprendi a viver com o Sol e a Lua, aprendi a viver e a perceber que dependo,
unicamente, da natureza.” (linhas 24-26)
Coloca-te na pele do narrador. Imagina uma das situações que te fizeram aprender a viver com
a Natureza e relata-a, num texto narrativo.
O teu texto deve:
• ser constituído por três partes (introdução, desenvolvimento e conclusão);
• ser redigido na primeira pessoa;
• conter um mínimo de 160 e um máximo de 240 palavras.