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Microesplenia em Cães: Diagnóstico Ultrassonográfico

O levantamento realizado no Hospital Veterinário 'Vicente Borelli' entre 2005 e 2008 identificou as principais afecções diagnosticadas por ultrassonografia abdominal em cães e gatos, destacando o útero (22%), fígado (10%) e rins (10%) como os órgãos mais afetados. As afecções uterinas incluíram mucometra e piometra, enquanto hepatomegalia e nefropatia foram as principais condições hepáticas e renais, respectivamente. O estudo enfatiza a importância da ultrassonografia como um método diagnóstico não invasivo e eficaz para a avaliação de doenças abdominais em pequenos animais.

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Microesplenia em Cães: Diagnóstico Ultrassonográfico

O levantamento realizado no Hospital Veterinário 'Vicente Borelli' entre 2005 e 2008 identificou as principais afecções diagnosticadas por ultrassonografia abdominal em cães e gatos, destacando o útero (22%), fígado (10%) e rins (10%) como os órgãos mais afetados. As afecções uterinas incluíram mucometra e piometra, enquanto hepatomegalia e nefropatia foram as principais condições hepáticas e renais, respectivamente. O estudo enfatiza a importância da ultrassonografia como um método diagnóstico não invasivo e eficaz para a avaliação de doenças abdominais em pequenos animais.

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LEVANTAMENTO DAS PRINCIPAIS AFECÇÕES DIAGNOSTICADAS

ATRAVÉS DA ULTRASSONOGRAFIA ABDOMINAL NO HOSPITAL


VETERINÁRIO “VICENTE BORELLI” - UNIFEOB
1 2
RENATA FENUCHI DOS SANTOS ZAKIMI , PÂMELA DINIZ GARCIA JEFFERSON DOUGLAS
3
SOARES ALVES
1
Aluna do 3ºano de Medicina Veterinária - Unifeob, São João da Boa Vista - SP.
2
Residente da área de Diagnóstico por Imagem do HOVET – Unifeob, São João da Boa Vista - SP.
3
Docente da Disciplina Clínica Médica I - Unifeob, São João da Boa Vista - SP.

RESUMO

Foi realizado um levantamento da incidência das principais afecções diagnosticadas através da


ultrassonografia abdominal, no período de Janeiro de 2005 a Junho de 2008, no Hospital
Veterinário “Vicente Borelli” – UNIFEOB; com o intuito de se avaliar quais as principais
alterações encontradas em cães e gatos através da ultrassonografia abdominal.

PALAVRAS-CHAVE: diagnóstico por imagem, ultrassonografia abdominal, cão, gato.

INTRODUÇÃO

Métodos de diagnóstico por imagem como a ultrassonografia e o exame radiográfico,


permite um estudo criterioso de órgãos abdominais que dificilmente são avaliados durante o
exame físico, ou seja, na palpação abdominal (NELSON e COUTO, 2001).
A ultrassonografia abdominal é amplamente empregada na avaliação da arquitetura do
parênquima tecidual, mensuração, característica morfológica e a ecogenicidade dos órgãos
(NYLAND e MATTON, 2004), sendo assim, um meio de diagnóstico por imagem em tempo real
utilizada rotineiramente nas clínicas de pequenos animais. A ultrassonografia é um meio de
diagnóstico não invasivo e seguro, que proporciona informações importantes sobre a
arquitetura dos órgãos examinados (BILLER e HAIDER, 1998). O entendimento básico da
física do ultra-som é importante para ajudar a esclarecer algumas limitações e artefatos
encontrados durante a realização do exame (THRALL, 2002).
Nos pequenos animais domésticos, estruturas como fígado, vesícula biliar, rins,
vesícula urinária, próstata e o baço possuem características ultrassonográficas individuais.
Uma alteração deste padrão normal pode ser detectada com as técnicas de varredura,
entretanto, o ultra-som não é método específico para diferenciar possíveis lesões como as
neoplasias, processos infecciosos e inflamatórios como o abscesso e um granuloma;
hematomas e hiperplasias (FEENEY et al., 1988).
Uma das mais freqüentes indicações do exame ultrassonográfico é para avaliação do
sistema genital feminino, seja nos casos de processo inflamatório (piometra) e também na
detecção de uma gestação precocemente (VALENTIM, 2006).

MATERIAIS E MÉTODOS

Foi realizado um levantamento de dados referentes aos exames ultrassonográficos


abdominais do setor de imagens do Hospital Veterinário “Vicente Borelli” – UNIFEOB, no
período de janeiro de 2005 a junho de 2008.

RESULTADOS

Nos 1.116 exames analisados foram diagnosticadas afecções nos seguintes órgãos:

Órgãos Acometimento
Útero 22%
Fígado 10%
Rins 10%
Baço 08%
Vesícula Urinária 07%
Próstata 05%
Órgãos Acometimento
Ovários 02%
Testículos 02%
Vesícula Biliar 01%
Estômago 01%
Intestino 01%
Uretra 0,05%
Ureter 0,05%
Pâncreas 0,05%
Pênis 0,05%
Outros 06%
Sem alterações 25%

Dos 22% das afecções uterinas foram: 52% Mucometra/Hemometra/Piometra; 29%


diagnóstico de gestação; 06% morte fetal; 05% discreto aumento de volume uterino 04%
Hiperplasia Endometrial Cística; 01% distocia fetal; 01% granuloma de coto; 01% piometra
de coto; involução uterina 01%.
Dos 10% das afecções hepáticas foram: 38% hepatomegalia; 32% hepatopatia; 15%
neoplasia difusas; 07% nódulo; 04% massa; 02% microhepatia; 01% cirrose; 01% cisto.
Dos 10% das afecções renais foram: 50% nefropatia; 38% litíase renal; 04% cisto renal;
03% hidronefrose; 02% neoplasia; 01% nódulo; 01% rim policístico; 01% cisto peri-renal.
Dos 08% das afecções esplênicas foram: 58% esplenomegalia; 22% nódulo; 12%
neoplasia; 07% massa; 01% microesplenia.
Dos 07% das afecções da vesícula urinária foram: 53,3% litíase vesical/ microcálculos;
28,7% cistite; 12,3% neoplasia; 5,7% sedimento.
Dos 05% das afecções prostáticas foram: 44% prostatomegalia; 24% Hiperplasia
Prostática Benigna; 14% cisto; 13% prostatite; 03% neoplasia; 01% nódulo; 01% cisto
paraprostático.
Dos 02% das afecções ovarianas foram: 80% cisto; 12% neoplasia; 08% ovário
remanescente.
Dos 02% das afecções testiculares foram: 30% degeneração; 26% testículo ectópico;
08% aumento de volume testicular; 08% neoplasia; 08% nódulo testicular; 08% orquite;
08% cisto; 04% criptorquidismo.
Nos demais órgãos as principais afecções foram: litíase em vesícula biliar; gastrite;
enterite; corpo estranho; pancreatite; dilatação uretral; hidroureter; neoplasia peniana;
linfoadenomegalia
Nos 06% do item outros as principais afecções foram: efusão peritoneal; massa
abdominal; hérnias (inguinal/ perineal).

REVISAO DE LITERATURA

ÚTERO

O útero anatomicamente é dividido em colo, um corpo e dois cornos. Os cornos


encontram-se inteiramente dentro do abdômen, e o corpo situa-se parcialmente no
abdômen e na pelve. O útero esta relacionado dorsalmente com o cólon descendente e os
ureteres e, ventralmente com a vesícula urinaria e o intestino delgado (KEALY e
McALLISTER, 2005). A parede é dividida em 3 camadas: mucosa, muscular e a serosa,
sendo identificada ultrassonograficamente como uma estrutura sólida, homogênea e
relativamente hipoecóica (NYLAND e MATTON, 2004).

PRINCIPAIS AFECÇÕES: MUCOMETRA/HEMOMETRA/PIOMETRA

Os achados ultrassonograficos que incluem aumento dos cornos uterinos, podem


apresentar conteúdo luminal que são homogêneos e anecoicos com forte reforço acústico
distal; ou também heterogêneo e hiperecóico, nesse caso, quando submetido a uma
pressão sobre o órgão, observa-se uma movimentação do conteúdo luminal, caracterizado
pelo padrão de turbilhão lento. A parede uterina apresenta uma imagem que varia de fina e
regular a espessa e irregular (NYLAND e MATTON, 2004).
FÍGADO

A avaliação ultrassonográfica inicia com o posicionamento do transdutor na região


subxifoide, direcionando o feixe sonoro crânio-dorsalmente. Sua varredura é realizada
movimentando-se o feixe em arco, da esquerda para direita por todo o parênquima
hepático. O fígado é limitado cranialmente pelo diafragma, ventralmente pela gordura
falciforme, à direita pelo rim direito, centralmente pelo estômago e à esquerda pelo baço
(NYLAND e MATTON, 2004).
O tecido hepático é levemente granular, com ecotextura e ecogenicidade caracteristica.
Os vasos portais são identificados por suas paredes hiperecóicas brilhantes, porém nos
vasos hepáticos não identificamos suas paredes, apenas seu lúmen; que são visibilizados
como túbulos anecóicos lineares e circulares distribuidos por todo parênquima. As artérias
hepáticas e os ductos biliares geralmente não são visibilizados (KEALY e McALLISTER,
2005).

PRINCIPAL AFECÇÃO: HEPATOMEGALIA

A hepatomegalia pode resultar de uma insuficiência cardíaca (congestão); Síndrome de


Cushing (hiperadrenocorticismo); Diabetes Mellitus; neoplasias; processo inflamatório;
formação de abscesso ou cisto; hiperplasia; doenças infiltrativas, como lipidose ou
amiloidose(KEALY e McALLISTER, 2005). Pode-se suspeitar de hepatomegalia quando
ocorrer aumento da distância entre o diafragma e o estômago, aumento na extensão do
fígado ventral ao estômago ou ventral ao rim direito e arredondamento das margens do
fígado (NYLAND e MATTON, 2004).

RINS

Os rins possuem formato de feijão, localizam-se na região retroperitoneal no abdômen


cranial. A forma, o tamanho e a arquitetura renais podem ser avaliados através do exame
ultrassonográfico. A ecotextura da região cortical é levemente granular e hipoecóica. A
junção cortiço-medular é definida pela presença de áreas hiperecóicas brilhantes, que
representam os vasos arqueados. A região medular apresenta-se anecoica e dividida em
segmentos pelos divertículos e pelos vasos. A pelve renal é hiperecóica devido à presença
de gordura e tecido fibroso (KEALY e McALLISTER, 2005).

PRINCIPAL AFECÇÃO: NEFROPATIAS

As nefropatias geralmente são diagnosticadas com auxilio de sinais clínicos e exame


laboratorial, uma vez que o exame ultrasonográfico consegue avaliar as estruturas
conforme o seu tamanho e sua arquitetura (KEALY e McALLISTER, 2005).

BAÇO

O baço está situado no abdômen cranial esquerdo, apresenta um triangular em seção


transversal e relaciona-se com a curvatura maior do estômago e o rim esquerdo; na sua
porção média, relaciona-se com o cólon descendente; ventralmente com o intestino
delgado. O baço apresenta ecotextura densa, homogênea, sendo mais ecogênico que o
fígado e a região da córtex renal (KEALY e McALLISTER, 2005). A cápsula esplênica é
visibilizada como uma linha hiperecóica ao exame ultrassonográfico, quando o feixe a
incide perperdicularmente (NYLAND e MATTON, 2004).

PRINCIPAL AFECÇÃO: ESPLENOMEGALIA

A alteração comumente diagnosticada no exame ultrassonográfico é o aumento do


volume esplênico (esplenomegalia). Dependendo do grau deste aumento, ele pode ser
visibilizado em diferentes quadrantes da cavidade abdominal (PARTINGTON e BILLER,
1996).
As causas de esplenomegalia são: neoplasias, hipertensão portal, hiperplasia, animais
com anemia, processos infecciosos, doenças mieloproliferativas, toxemia, hematoma,
formação de abscesso, utilização de determinados tranqüilizantes e torção esplênica
(KEALY e McALLISTER, 2005).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através deste levantamento foi observado que as principais afecções diagnosticadas


através do exame ultrassonográfico foram: útero com 22% dos casos; fígado com 10%; rins
com 10% e o baço com 8%.
Concluímos a importância da ultrassonografia abdominal como exame complementar
para um diagnóstico rápido, eficiente e não invasivo nas afecções encontradas
rotineiramente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BILLER, D. S.; HAIDER, P. R. Técnicas radiográficas e ultra-sonográficas. In: BIRCHARD,


S. J.; SHERDING, R. G. Manual Saunders Clínica de Pequenos Animais. São Paulo:
Roca, 1998. cap. 4.

FEENEY, D. A.; JOHNSTON, G. R.; WALTER, P. A. Ultra-sonografia diagnóstica:


princípios, aplicações e disponibilidade. In: KIRK, R. W. Atualização terapêutica
Veterinária: pequenos animais. São Paulo: Manole, 1988. p. 11-14.

KEALY, J. K.; McALLISTER, H. Radiologia e ultra-sonografia do cão e do gato. Barueri,


SP: Manole, 2005.

NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina interna de Pequenos animais. [Link]. Rio de


Janeiro:Guanabara Koogan, 2001.
NYLAND, R. W.; MATTON, J. S. Ultra-som diagnóstico em pequenos animais. [Link].
São Paulo: Rocca, 2004.

PARTINGTON, B. P.; BILLER, D. S. Spleen. In: GREEN, R. W. Small Animal ultrasound.


[Link]. Philadelphia, Lippincott- Raven, 1996. p. 131-148.

THRALL, D. E. Textbook of Veterinary Diagnostic radiology. [Link]., 2002.

VALENTIM, F. M. Tudo pela vida. Anuário Cães 2006. São Paulo, 2006. p.38.

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