CÓDIGO DE TRÂNSITO
BRASILEIRO
LEI N. 9.503/1997
AULA 01
SUMÁRIO
CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO 1
SUMÁRIO
1- ASSUNTO ............................................................................................ Erro! Indicador não definido.
1.1 – TÍTULO ........................................................................................... Erro! Indicador não definido.
.................................................................................. Erro! Indicador não definido.
CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO 2
Fala concurseiro (a), espero que todos estejam muito bem. Nesta aula introdutória vamos
iniciar os estudos de Legislação de Trânsito.
Nossos estudos serão concentrados na análise do Código de Trânsito Brasileiro - CTB, de forma
didática e não sequencial, bem como analisando concomitantemente as resoluções pertinentes ao
assunto. Além disso, ao final de cada aula, serão disponibilizados uma bateria de exercícios visando a
fixação do conteúdo.
Primeiramente, é importante citar que o Código de Trânsito Brasileiro é uma LEI ORDINÁRIA,
que é considerada um ato normativo primário e contém, em regra, normais gerais e abstratas. O
conceito extraído do sítio da Câmara dos Deputados nos auxilia nesse momento:
Norma jurídica elaborada pelo Poder Legislativo
em sua atividade comum e típica, votada mediante
processo ordinário e sujeita à sanção ou ao veto
presidencial. A lei, quando acompanhada do adjetivo
'ordinária', significa que é comum, habitual. Distingue-se,
entre outras, da lei complementar, que regula dispositivo
da Constituição Federal que, por sua vez, é a 'lei básica'
ou 'lei maior'. A lei quando é complementar vem descrito
ao texto da mesma “Lei Complementar ___________ “.
Como ensinado o Código de Trânsito Brasileiro, instituído pela Lei n. 9.503/97, por ser uma
norma geral e abstrata em razão da sua natureza ordinária, é uma LEI ORDINÁRIA, e por isso no seu
descrever vem apenas: LEI 9.503/97. Você já compreende aqui que toda a lei que vem apenas no seu
descrever “LEI” é ordinária. Apenas o CTB não é suficiente para normatizar e regulamentar todas as
peculiaridades que circundam o trânsito nas vias terrestres do território brasileiro.
Por isso, visando a complementação e regulamentação desta norma, mostra-se necessário a
elaboração de atos normativos, denominados de resoluções e outros mais.
As RESOLUÇÕES são instrumentos que permitem, aos órgãos de trânsito, o estabelecimento
de normas para a aplicação das leis previstas pelo Sistema Nacional de Trânsito. Essas resoluções, junto
às diretrizes do Código de Trânsito Brasileiro, orientam os condutores sobre como proceder no
trânsito, indicando quais condutas são consideradas legais ou ilegais. Além disso, dispõem de
explanações pormenorizadas de detalhes mais específicos, tais como uso de equipamentos
obrigatórios e detalhamento de situações do trânsito a nível avançado.
O órgão responsável pela edição de resoluções é o Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN,
que é o órgão máximo normativo e consultivo do Sistema Nacional de Trânsito.
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Art. 7º, I, CTB - O Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, coordenador do Sistema e órgão máximo
normativo e consultivo.
Art. 12. Compete ao CONTRAN: Inciso I – Estabelecer as normas regulamentares referidas neste
Código e as diretrizes da Política Nacional de Trânsito.
Vamos exemplificar:
O Código de Trânsito traz a seguinte redação em seu artigo 102:
Art. 102. O veículo de carga deverá estar devidamente equipado quando transitar, de modo a evitar o
derramamento da carga sobre a via.
Parágrafo único. O CONTRAN fixará os requisitos mínimos e a forma de proteção das cargas de que
trata este artigo, de acordo com a sua natureza.
Ou seja, o Código de Trânsito traz em seu texto que o veículo de carga deve estar devidamente
equipado, de modo a evitar o derramamento de carga sobre a via, entretanto não estipula quais os
requisitos mínimos de segurança para esse fim.
Por isso, visando regulamentar tal situação, com o objetivo de aplicar a regra estabelecida pelo
Código de Trânsito Brasileiro, o CONTRAN criou a resolução n. 945/2022.
Vejamos:
RESOLUÇÃO CONTRAN Nº 945, DE 28 DE MARÇO DE 2022
Fixa os requisitos mínimos de segurança para amarração
das cargas transportadas em veículos de carga.
O CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO (CONTRAN), no uso da competência que lhe confere
o inciso I do art. 12 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito
Brasileiro (CTB), com base no que consta nos autos do processo administrativo nº
50000.033788/2021-41, resolve:
Art. 1º Esta Resolução fixa os requisitos mínimos de segurança para amarração das cargas
transportadas em veículos de carga.
Além das Resoluções, há também no nosso ordenamento jurídico outros documentos
administrativos ou jurídicos que são aplicados ao CTB. Outro exemplo são as DELIBERAÇÕES, que são
consideradas atos administrativos normativos emanados de órgãos colegiados, no caso, o CONTRAN.
Órgão que tem como objetivo principal sanar as dúvidas acerca da aplicação de normas do CTB.
Ressalta-se, portanto, que as deliberações devem sempre obedecer e observar ao
regulamento que está sendo deliberado, em conformidade com as normas superiores.
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Como exemplo, podemos citar a DELIBERAÇÃO CONTRAN N. 185/2020, que dispõe sobre a
ampliação e interrupção de prazos de processos e procedimentos afetos aos órgãos e entidades do
Sistema Nacional de Trânsito.
Se analisarmos o artigo 2º da deliberação acima mencionada, podemos observar a menção a resolução
que regulamenta tal procedimento.
Vejamos:
Art. 2º O prazo para que o processo de habilitação do candidato permaneça ativo no órgão ou entidade
executivo de trânsito dos Estados e do Distrito Federal, previsto no art. 2º, § 3º, da Resolução
CONTRAN nº 168, de 14 de dezembro de 2004, fica ampliado para 18 (dezoito) meses, inclusive para
os processos administrativos em trâmite.
Por fim, ainda temos as PORTARIAS, que diferente das resoluções e deliberações, são
expedidas pelo DENTRAN, que consistem em documentos de ato administrativo que contém
instruções acerca da aplicação de leis, regulamentos e autorizações.
Mas afinal, diante de tantos atos normativos, como posso identificar a hierarquia entre eles?
Pensando nisso, trouxe uma pirâmide de hierarquia entre as normas anteriormente citadas.
CF
ECTIDH
LEI ORDINÁRIA
LEI COMPLEMENTAR
LEI DELEGADA
DECRETO LEGISLATIVO
RESOLUÇÃO
DECRETOS REGULARES/REGULAMENTARES
PORTARIAS
NORMAS
INSTRUÇÕES NORMATIVAS
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Assentadas tais premissas, partindo agora para a análise do Código de Trânsito Brasileiro,
podemos afirmar que a Lei n. 9.503/97 possui aplicação em duas searas distintas do direito: a
administrativa e a penal, que são distribuídas da seguinte forma:
ADMINISTRATIVO PENAL
Art. 1º até o 290-A
e Art. 291 até o 312-B
313 até 341
→ PARTE ADMINISTRATIVA
Quando mencionamos a seara administrativa (direito administrativo), devemos ter em
mente, basicamente, as infrações de trânsito e os atos administrativos emanados pelos operadores
de trânsito.
De acordo com o entendimento da Profa. Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o direito
administrativo é o “ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas
jurídicas administrativas que integram a administração pública, a atividade jurídica não contenciosa
que exerce os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins de natureza pública”.
O ato administrativo, por sua vez, na visão do Professor Hely Lopes Meireles, é considerado
“uma manifestação unilateral de vontade da administração pública que, agindo nessa qualidade,
adquire, resguarda, transfere e modifica, extinga e declare direitos. ”
Dentro do direito de trânsito, podemos falar em ato administrativo quando ocorre a
manifestação de vontade de algum agente, órgão ou entidade que compõe o Sistema Nacional de
Trânsito, como por exemplo a elaboração de um Auto de Infração de Trânsito (AIT) ou até mesmo a
edição de uma Resolução ou Deliberação, que já estudamos anteriormente.
Pois bem...
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O artigo 161 do Código de Trânsito Brasileiro estabelece:
Art. 161. Constitui infração de trânsito a inobservância de qualquer preceito deste Código ou da
legislação complementar, e o infrator sujeita-se às penalidades e às medidas administrativas indicadas
em cada artigo deste Capítulo e às punições previstas no Capítulo XIX deste Código.
Mas afinal, quem aplica essas penalidades e as medidas administrativas mencionadas pela
legislação?
Por um lado, o agente da autoridade de trânsito é apenas responsável pela autuação, ou seja,
pela lavratura do auto de infração, não sendo responsável pela aplicação da penalidade! Essa
somente ocorrerá após findado todo o processo administrativo.
O agente da autoridade de trânsito aplica tão somente medidas administrativas inerentes a
determinadas infrações de trânsito. Em suma, o agente cria o ato administrativo que é vestido por
características do CTB e assim se torna um AIT. Esse AIT por sua vez é apenas a aplicação de um ato
administrativo por um agente da autoridade de trânsito.
E quem é o agente da autoridade de trânsito? O Anexo I do CTB nos mostra:
AGENTE DA AUTORIDADE DE TRÂNSITO - AAT – pessoa, civil ou policial militar,
credenciada pela autoridade de trânsito para o exercício das atividades de
fiscalização, operação, policiamento ostensivo de trânsito ou patrulhamento.
Exemplos:
- Civil: Guarda Municipal, Agente de Trânsito de Secretaria ou DETRAN;
- Policial Militar, Policial Rodoviário Militar;
- Policial Rodoviário Federal.
Sobre a atuação do agente da autoridade de trânsito é importante mencionar:
A lavratura do Auto de Infração de Trânsito (AIT) pelo Agente da Autoridade do Trânsito - AAT
quando constatada uma infração é um ATO VINCULADO, ou seja, não há margem de
discricionariedade por parte do agente. Resumindo, o AAT não pode optar por aplicar o AIT ou não! É
um dever dele aplicar o AIT!
Por outro lado, agora sim respondendo à pergunta anterior, o responsável pela aplicação de
penalidades, além de também aplicar medidas administrativas, é a Autoridade de Trânsito.
O Anexo I do CTB define autoridade de trânsito nas seguintes palavras:
AUTORIDADE DE TRÂNSITO - AT: dirigente máximo de órgão ou entidade executivo integrante do
Sistema Nacional de Trânsito ou pessoa por ele expressamente credenciada.
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Vamos assim simplificar as coisas para
vocês! Um exemplo de autoridade de
trânsito é o nosso amigo: “FRED”. Atual
diretor do DENATRAN/SENATRAN.
Para melhor exemplificar quem é responsável pela aplicação de penalidades e medidas
administrativas, segue o seguinte quadro comparativo:
CAPÍTULO XVII
DAS MEDIDAS DAS MEDIDAS ADMINISTRATIVAS – M.A.
ADMINISTRATIVAS
Art. 269. A autoridade de trânsito ou seus agentes, na esfera das
As M.A. podem ser competências estabelecidas neste Código e dentro de sua circunscrição,
aplicadas pela deverá adotar as seguintes medidas administrativas:
AUTORIDADE DE
TRÂNSITO-AT e pelo I - retenção do veículo;
AGENTE DA II - remoção do veículo;
AUTORIDADE DE III - recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação;
TRÂNSITO-AAT. IV - recolhimento da Permissão para Dirigir;
V - recolhimento do Certificado de Registro;
VI - recolhimento do Certificado de Licenciamento Anual;
VII - (VETADO)
VIII - transbordo do excesso de carga;
IX - realização de teste de dosagem de alcoolemia ou perícia de substância
entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica;
X - recolhimento de animais que se encontrem soltos nas vias e na faixa de
domínio das vias de circulação, restituindo-os aos seus proprietários, após
o pagamento de multas e encargos devidos.
XI - realização de exames de aptidão física, mental, de legislação, de prática
de primeiros socorros e de direção veicular. (Incluído pela Lei nº 9.602, de
1998)
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CAPÍTULO XVI
DAS PENALIDADES
Art. 256. A autoridade de trânsito, na esfera das competências
estabelecidas neste Código e dentro de sua circunscrição, deverá aplicar, às
DAS PENALIDADES infrações nele previstas, as seguintes penalidades:
As PENALIDADES I - advertência por escrito;
são aplicadas pela
AUTORIDADE DE II - multa;
TRÂNSITO-AT
apenas. III - suspensão do direito de dirigir;
IV - (Revogado pela Lei nº 13.281, de 2016) (Vigência)
V - cassação da Carteira Nacional de Habilitação;
VI - cassação da Permissão para Dirigir;
VII - frequência obrigatória em curso de reciclagem.
→PARTE PENAL
Já na seara penal estamos diante dos famosos crimes de trânsito (que serão estudados
posteriormente), que além de estabelecer os tipos penais incriminadores, também dispõe acerca de
definições gerais destinadas à aplicação criminal da norma, sempre em observância ao Código Penal.
Segundo o art. 1° da Lei de Introdução do Código Penal (decreto-lei n. 2.848, de 7-12-1940):
“Considera-se crime a infração penal a que a lei
comina pena de reclusão ou de detenção, quer
isoladamente, quer alternativamente ou
cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a
infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de
prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou
cumulativamente.”
No conceito literal do grande professor EUGENIO RAÚL ZAFFARONI:
“O crime - não obstante seja integrado pela ação humana dotada de tipicidade,
antijuridicidade e culpabilidade”. Nesse caso o crime que é a lesão a algum bem jurídico tutelado tem
condão no nosso CTB em hipóteses específicas de crimes que são considerados de trânsito. Material
que iremos estudar no futuro.
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Chegamos ao fim da nossa primeira aula, querido (a) aluno (a). Nas próximas aulas iremos
continuar estudando o Código de Trânsito Brasileiro, entretanto, o entendimento somente acontecerá
depois de devidamente estudados esses conceitos introdutórios trazidos na primeira aula.