Apontamentos de Organização e Gestão Empresarial
10ª Classe
UNIDADE I – ORGANIZAÇÃO DE EMPRESAS FINANCEIRAS
Conceito de organização
O homem é por natureza um ser gregário. A sua realização plena, depende em grande
parte da sua associação com os seus semelhantes. É por este motivo que nascem as
organizações.
Organização: é uma combinação de esforços individuais, somados a recursos, com
a finalidade de realizar propósitos coletivos. As organizações existem para fazer face aos
objetivos que individualmente as pessoas não alcançariam.
1.2. Tipos de organizações
As organizações são criadas para prover produtos e serviços, e podem ser de dois tipos:
organizações económicas ou organizações sociais.
a) Organizações económicas: aquelas que têm caráter específico de empresa e com
fins lucrativos. Estas assumem riscos, e são dirigidas por uma filosofia de negócios.
b) Organizações sociais: são as voltadas às ações comuns ou de utilidade pública,
fundamentam-se na aceitação dos valores e das normas sociais, sem fins lucrativos.
1.3. Empresas financeiras e Instituições financeiras
O termo instituição tem diferentes usos e pode significar organização.
Instituição financeira é uma organização cuja finalidade é otimizar a alocação
de capitais financeiros próprios e/ou de terceiros… (bancos centrais, bancos comerciais,
companhias de seguros, casas de câmbios, etc.).
Uma empresa financeira é genericamente uma instituição financeira com a
particularidade de esta existir para o lucro financeiro.
1.3.1. Empresas financeiras
São as que se dedicam ao negócio de lidar com transações financeiras e monetárias,
como depósitos, empréstimos, investimentos e câmbio (bancos comerciais, companhias de
seguros, casas de câmbios, etc.).
1.3.2. Empresas não financeiras
São as que têm por objeto a produção e/ou comercialização de bens e/ou serviços não
financeiros. Elas podem exercer qualquer atividade (agrícola, comercial, industrial,
serviços…) exceto as relativas às finanças e aos seguros.
1.3.3. Diferença de empresas financeiras e não financeiras
A diferença entre umas e outras reside primordialmente no objeto social. As
empresas financeiras intermedeiam e facilitam a canalização dos recursos financeiros de e
para as empresas não financeiras e outros agentes.
II – AMBIENTE DAS ORGANIZAÇÕES
2.1. A Empresa e o Meio Envolvente
A sobrevivência de qualquer empresa depende, em primeiro lugar, da sua capacidade
de interação com o meio envolvente. A permanente evolução dos mercados e das indústrias
gera múltiplas oportunidades e ameaças potenciais a que as empresas têm de saber dar
resposta.
Em termos genéricos, o meio envolvente de uma empresa é o contexto em que ela
existe e realiza a sua atividade e que, de algum modo, influencia a forma como se comporta
e desenvolve.
2.2. Caracterização do Meio Envolvente
O meio envolvente das empresas pode ser de dois tipos: meio envolvente contextual
– comum a todas as organizações, e meio envolvente transacional – específico para cada
indústria.
2.2.1. Meio Envolvente Contextual
Contexto comum a todas as organizações, é aquele que condiciona a longo prazo, as
atividades da empresa. Este pode ser divido em quatro partes:
1. Contexto económico: determina as trocas de bens e serviço, dinheiro e informação na
sociedade. As principais variáveis são: nível do PIB, taxa de inflação, taxa de juros,
taxa de câmbio, taxa de desemprego, etc.
2. Contexto sociocultural: reflete os valores, costumes e tradições da sociedade. As
principais variáveis são: estilo de vida, valores sociais, taxa de natalidade, faixa etária,
etc.
3. Contexto político-legal: condiciona a alocação de poder e providencia o
enquadramento legal da sociedade. Suas variáveis são: estabilidade politica,
estabilidade económica, enquadramento legal, legislação laboral, etc.
4. Contexto tecnológico: traduz o progresso técnico da sociedade. É composta pelas
seguintes variáveis: proteção de patentes, inovação tecnológica, inovação de
processos, etc.
2.2.3. Meio Envolvente Transacional
É o contexto específico para cada indústria (área específica de negócio), é constituído
pelos elementos que interagem diretamente com a empresa, sendo os principais os seguintes:
1. Clientes: consumidores atuais e potenciais dos bens e serviços oferecidos pela
indústria. Em conjunto constituem a procura. (Devem ser agrupados em segmentos
de mercados)
2. Concorrentes: competidores atuais e potenciais, bem como produtos substitutos, que
satisfazem as mesmas necessidades do mercado. Em conjunto constituem a oferta.
(Deve-se estudar as capacidades, objetivos, estratégias e pressupostos dos
concorrentes)
3. Fornecedores: agentes económicos que prestam serviços ou vendem produtos à
indústria.
4. Comunidade: organizações, indivíduos e fatores que partilham recursos e têm
interesses direta ou indiretamente relacionados com o mercado ou a indústria.
(instituições financeiras, acionistas, Estado)
2.3. Ambiente Interno das Organizações (pontos fortes, pontos fracos e competências
centrais)
A análise do Ambiente Interno consiste na definição dos pontos fortes, dos pontos fracos
e das competências centrais da organização.
Um ponto forte é um recurso ou atividade da empresa que contribui para satisfazer as
necessidades dos clientes melhor que a concorrência. Ex.: o nível de infraestruturas da
UNITEL.
Inversamente, um ponto fraco é um recurso ou atividade da empresa que não contribui
como desejado para satisfazer as necessidades dos clientes ou contribui menos que a
concorrência. Ex.: a baixa qualidade de sinal da MOVICEL.
As competências centrais não são mais do que os pontos fortes que distinguem uma
empresa das demais (concorrentes). Estas proporcionam muito valor aos clientes, são
difíceis de imitar e permitem o acesso a novos mercados.
III – EMPRESA (Visão Sistémica)
3.1. A Evolução Histórica Da Empresa
Sabe-se que o primeiro núcleo económico do homem é a família. Nos tempos antigos, a
família trocava bens e alimentos para atender às suas necessidades: as mulheres cuidavam da
casa e procediam a recoleção de frutos e os homens caçavam, pescavam e contruíam
ferramentas.
Quando as necessidades do núcleo da família eram atendidas, o excedente de alimentos
ou ferramentas eram trocadas com outras famílias nas cidades ou aldeias. Esse movimento
de pessoas e produtos deu lugar ao comércio.
Os Primeiros Comerciantes
As origens da empresa remontam aos fenícios, que são considerados os primeiros
comerciantes. Eles eram grandes estrategistas no campo comercial. Tendo-se estabelecido
nas margens do Mar Mediterrâneo para facilitar o transporte de mercadorias, são também os
primeiros marinheiros e navegadores conhecidos.
Depois dos fenícios, outro grupo importante de comerciantes foram os arameus. Ao
contrário dos anteriores, os arameus costumavam transportar mercadorias por terra.
Formalização da Empresa
O Estado Romano é visto como a primeira organização constituída com as
características da empresa atual. Neste, o município era visto como uma pessoa jurídica
independente, capaz de possuir ativos e contrair obrigações com as pessoas singulares que o
constituíam.
No ano de 215 A.C. surgiu os societates publicanorum. Tida como a primeira
organização empresarial formal, sua principal função era arrecadar impostos para o Estado,
mas também participava de concursos públicos para contratos de construção. Pode-se dizer
então que as societates publicanorum foram o primeiro tesouro público conhecido.
Expansão Transnacional Da Empresa
A primeira empresa multinacional do mundo foi a Companhia Holandesa das Índias
Orientais. Fundada em 1602, foi também a primeira a tornar público o valor de seus ativos
e, por quase 200 anos, foi a maior empresa comercial do mundo.
O seu sucesso deveu-se à grande capital da Holanda (Amsterdão), assumindo o controlo
do comércio de espécies finas e, posteriormente, obtendo o monopólio da noz-moscada e
cravo-da-índia. A Companhia mobilizou cerca de 70.000 toneladas de mercadorias e suas
ações foram avaliadas em quase 8 milhões de dólares.
3.1.1. Algumas Fases Da Evolução Da Empresa E Suas Características.
1. Fase Artesanal - Da antiguidade até 1780;
Nesta, o regime de produção era limitado a artesãos;
Mão-de-obra intensiva e não qualificada;
O comércio era à base da permuta (troca de diferentes bens).
2. Fase da Industrialização (Revolução industrial - 1780 – 1860);
Esta fase, começa com o desenvolvimento por James Watt, em 1760, da máquina a vapor
que, por sua vez, vai desencadear outros avanços tecnológicos como: máquina de fiar, tear,
locomotivas, máquinas-ferramentas, etc.;
Dá-se o uso do carvão como nova fonte de energia e o ferro;
A empresa assume um papel relevante no desenvolvimento da sociedade;
Assiste-se a um grande êxodo rural.
3. Fase de Desenvolvimento Industrial (Segunda e terceira revolução industrial - 1860
– 1914);
Nesta, o ferro é substituído pelo aço e o vapor pela eletricidade e derivados de petróleo;
Desenvolve-se o motor de combustão interna e elétrico;
Dá-se o desenvolvimento do transporte e das comunicações;
O Capitalismo Industrial dá lugar ao Capitalismo Financeiro;
Surgem os navios sofisticados e de grande porte;
Grandes redes ferroviárias e autoestradas.
4. Fase Moderna (Conhecida como pós-guerra - 1945 – 1980);
Desenvolvimento científico e tecnológico das empresas;
Nítida separação entre países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em desenvolvimento.
Plástico, alumínio, fibras sintéticas;
Relação direta (empresa, consumo e publicidade).
5. Fase da Incerteza (Após 1980 até os dias de hoje);
Crescente aparecimento de empresas multinacionais, nacionais de grande porte, médio e
pequeno.
Automação e computação.
Incerteza e imprevisibilidade em relação o futuro;
Ambiente externo complexo;
3.2. FINALIDADES DA EMPRESA (ECONÓMICAS E SOCIAIS)
3.2.1. Conceito Geral de Empresa
Vimos que as organizações podem ser de dois tipos: económicas ou sociais. A empresa é
rigorosamente uma organização económica.
Empresa: é uma organização onde se realiza a combinação técnica de fatores produtivos
(recursos naturais, capital e trabalho) para produção de bens (materiais/imateriais) com vista
à obtenção do lucro máximo.
As principais características de revolução da empresa são o progresso técnico, o espírito
de iniciativa (empreendedorismo) e a qualidade do pessoal. Assim, a empresa é constituída
por:
Uma componente social (onde as pessoas se socializam)
Um conjunto de meios (humanos, técnicos e financeiros)
Um sistema de relações (relações formais entre as pessoas e meios)
Um centro de decisão (por meio da gestão)
3.2.2. Finalidades Económicas da Empresa
A finalidade económica da empresa é a produção. A produção é a atividade económica
que transforma as matérias em produto final. As matérias podem ser de dois tipos:
Matérias primas: aquelas que são incorporadas no produto final. Ex.: o trigo, na padaria.
Matérias subsidiárias: são as que sem serem incorporadas no produto final concorrem
direta ou indiretamente para a sua produção. Ex.: a energia elétrica.
3.2.3. Finalidades Sociais da Empresa
Além de objetivos económicos, as empresas têm também objetivos sociais que consistem
na atribuição de um salário condigno ao trabalhador, realização profissional do trabalhador e
proporcionar atividades de lazer através de festas sociais, campos de férias, bibliotecas,
infantários, creches e clubes desportivos.
3.3. CRIAÇÃO DE EMPRESA
A criação de uma empresa é um processo que percorre várias etapas. Começa com a ideia,
passa pela análise da viabilidade, pela tramitação processual e culmina com a materialização.
3.3.1. Ideia de Criação de Empresa
A ideia de criação de uma empresa consiste na concepção de um novo negócio ou projeto
com o objetivo de oferecer um produto ou serviço ao mercado, com o intuito de gerar lucro.
Essa ideia pode vir de diversas fontes, como a identificação de uma necessidade não
satisfeita, a solução de um problema comum, a criação de um produto inovador, etc. Uma
vez concebida e estruturada para a sua materialização, pode ser sintetizada em três
componentes importantes da estratégia de uma empresa: visão, missão e valores. Estes
componentes ajudam a orientar sua direção e a tomar decisões mais informadas.
Visão
A visão de uma empresa traduz, de uma forma abrangente, um conjunto de intenções e
aspirações para o futuro. A visão deve servir de inspiração para todos os seus membros.
Ex.: Visão da Apple Computers, Inc: “Mudar o mundo, através da tecnologia.”.
Missão
A explicitação da visão dá geralmente origem à missão da empresa.
A missão consiste numa declaração escrita que traduz as ideias e orientações globais da
empresa. A missão reflete a razão de ser da empresa, qual o seu propósito e o que faz.
Ex.: Missão da Google: “Organizar as informações do mundo todo e torná-las acessíveis e
úteis em caráter universal”.
Valores
Os Valores de uma empresa são os princípios e crenças que orientam as ações da mesma.
Eles são os padrões éticos e morais que a empresa segue e que ajudam a estabelecer sua
cultura e identidade.
Ex.: Valores do BFA: Inovação, Transparência e Proximidade.