Álvaro de Campos
Fase 1 – Poeta Decadentista
Inadaptação, tédio, evasão e apatia
Visão pessimista do mundo, que provoca ânsia por novas sensações
Desilusão de viver Necessidade de fuga à monotonia
OPIÁRIO
“(...) Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.
Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os próprios gozos gânglios do meu mal (...)”.
Fase 2 – Poeta Sensacionista/Futurista
Euforia que vem de sentir tudo, levando a um excesso de emoções
Experiência e expressão excessiva das sensações (sadismo e
masoquismo)
Elogio da civilização industrial e do progresso intercalado com
momentos disfóricos (nostalgia da infância, frustração por não ser
universal)
“Eu” poético tem atitude mais chocante e provocatória. Adota a
imagem de um novo homem, isento de sensibilidade, amoral,
dominador e livre
o Estilo irregular, torrencial e cheio de recursos expressivos
ODE TRIUNFAL
Futurismo que encontra beleza nos aspetos modernistas e sensacionistas
(referência aos meios de transporte e às “lâmpadas elétricas”), mas tem
frustração por não ser universal
“(…) Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!(...)
Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!”
Fase 3 – Poeta Intimista/Abúlico
Angústia existencial, nostalgia da infância, melancolia, solidão, frustração
Tédio e cansaço da vida Refúgio nas recordações/sonho
Incapacidade para realizar os feitos pretendidos leva a um
pessimismo regularmente presente
o Dor de pensar – não quer pensar, mas sabe que o faz
Nostalgia da Infância – memória da infância, um tempo
irremediavelmente perdido, contrastado com o presente infeliz
Angústia existencial – questiona o sentido da vida
Inadaptação – rejeita as noções da sociedade materialista partilhadas
por todos, vivendo à margem da sociedade e sentindo-se
incompreendido.
TABACARIA
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(…) Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente
certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos
nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de
nada.(...)”.