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Fundamentos da Didática na Educação

O documento apresenta a obra 'Letras: didática' de Roberto José da Silva, que discute os fundamentos e a evolução histórica da Didática no contexto educacional brasileiro. A ementa abrange temas como organização do trabalho pedagógico, planejamento e avaliação do ensino-aprendizagem, buscando uma reflexão crítica sobre a relação entre ensino e aprendizagem. A obra é estruturada em quatro capítulos, enfatizando a Didática como ciência e arte do ensino, e propõe uma abordagem interativa mediada pela tecnologia educacional.

Enviado por

Renata
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Fundamentos da Didática na Educação

O documento apresenta a obra 'Letras: didática' de Roberto José da Silva, que discute os fundamentos e a evolução histórica da Didática no contexto educacional brasileiro. A ementa abrange temas como organização do trabalho pedagógico, planejamento e avaliação do ensino-aprendizagem, buscando uma reflexão crítica sobre a relação entre ensino e aprendizagem. A obra é estruturada em quatro capítulos, enfatizando a Didática como ciência e arte do ensino, e propõe uma abordagem interativa mediada pela tecnologia educacional.

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Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)

Núcleo de Educação à Distância - Universidade de Pernambuco - Recife

Silva, Roberto José da

S586l Letras: didática / Roberto José da Silva. - Recife: UPE/NEAD, 2010.

44 p. il.

ISBN

1. Didática - Fundamentos. 2. Pedagogia de educação. 3. Avaliação de


ensino - Brasil. I. Universidade de Pernambuco - UPE. II. Título.

CDU 37.026
UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO - UPE
Reitor
Prof. Carlos Fernando de Araújo Calado
Vice-Reitor
Prof. Reginaldo Inojosa Carneiro Campello
Pró-Reitor Administrativo
Prof. José Thomaz Medeiros Correia
Pró-Reitor de Planejamento
Prof. Béda Barkokébas Jr.
Pró-Reitor de Graduação
Profa. Izabel Cristina de Avelar Silva
Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Viviane Colares S. de Andrade Amorim
Pró-Reitor de Extensão e Cultura
Prof. Álvaro Antônio Cabral Vieira de Melo

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Coordenador Geral
Prof. Renato Medeiros de Moraes
Coordenador Adjunto
Prof. Walmir Soares da Silva Júnior
Assessora da Coordenação Geral
Profa. Waldete Arantes
Coordenação de Curso
Profa. Silvania Núbia Chagas
Coordenação Pedagógica
Profa. Maria Vitória Ribas de Oliveira Lima
Profa. Patrícia Lídia do Couto Soares Lopes
Coordenação de Revisão Gramatical
Profa. Angela Maria Borges Cavalcanti
.Profa. Eveline Mendes Costa Lopes
Administração do Ambiente
José Alexandro Viana Fonseca
Coordenação de Design e Produção
Prof. Marcos Leite
Equipe de design
Anita Sousa
Gabriela Castro
Rodrigo Sotero
Coordenação de Suporte
Afonso Bione
Prof. Jáuvaro Carneiro Leão

EDIÇÃO 2010
Impresso no Brasil - Tiragem 150 exemplares
Av. Agamenon Magalhães, s/n - Santo Amaro
Recife - Pernambuco - CEP: 50103-010
Fone: (81) 3183.3691 - Fax: (81) 3183.3664
5

Didática
Prof. Ms. Roberto José da Silva
Carga Horária | 60 horas

Ementa
Didática – concepção, histórico, fundamentos; organização do trabalho pedagó-
gico na escola básica; tendências pedagógicas da educação brasileira; planejamen-
to e avaliação do ensino – aprendizagem; abordagens interativas mediadas pela
tecnologia educacional.

Objetivo Geral
Refletir criticamente a Didática como relação ensino-aprendizagem no processo
educacional, considerando seus fundamentos históricos e sócio-filosóficos.

O Componente Curricular Didática


A Didática está dimensionada neste texto em quatro capítulos que, embora orga-
nizados em temas, buscam manter sua interdependência. Pretende-se fundamen-
tar as temáticas numa perspectiva crítico-reflexiva, tendo um enfoque sobre a
Didática como a ciência e a arte do ensino. Cada capítulo, de forma sistemática,
direciona questões pertinentes à dinâmica da educação no âmbito da unidade
teoria-prática do processo ensino-aprendizagem.
Capítulo 1
Capítulo 1 7

Os Fundamentos e a
Evolução Histórica
da Didática
Prof. Ms. Roberto José da Silva
Carga Horária | 15 horas

Objetivos Específicos
• Compreender a Ciência Didática no processo evolutivo sócio-filosófico edu-
cacional;

• Refletir, criticamente, sobre os fundamentos da Didática;

• Identificar as categorias epistemológicas na evolução histórica da Didática.

A Didática na Vida do Estudante


Este é um convite para uma reflexão entre os colegas, tutores e professores sobre
a educação e o ensino, com a especificidade na dinâmica da ciência e da arte
de ensinar. Uma questão singular no dinamismo do processo educacional que
merece uma atenção por parte do educador diz respeito à maneira de conceber o
trabalho pedagógico na docência.

No âmbito educacional, como em outras áreas do conhecimento, a unidade en-


tre a reflexão-ação-reflexão merece uma atenção mais acurada no processo forma-
tivo do trabalhador. No mundo moderno, percebe-se a dificuldade em pensar,
de forma concatenada, o fenômeno educacional e suas dimensões e variantes no
processo do ensino-aprendizagem.

Pensemos um pouco na importância que tem a Didática na construção do ho-


mem, se considerarmos a arte da arte sendo a de educar o homem, esse Ser mais
complexo e versátil da natureza.

Ainda, será que a arte de ensinar requer muito mais do que


simplesmente instruir?

Vamos ao nosso estudo!


Vamos caminhar nesta viagem no tempo, trazendo algumas questões fundantes
para o hoje, para os nossos fóruns!

Introdução
Um profissional de educação, ao refletir sobre a sua prática no ambiente de
trabalho, referencia-se, geralmente, em teorias de consenso da sua categoria, na
8 Capítulo 1

cultura e no cotidiano da escola, na complexidade educar. Nessa linha de pensamento, retratam-se os


da docência, sendo, muitas vezes, seu foco na di- aspectos filosóficos (o que deve ser, para onde vai)
mensão didática de suas situações de ensino. Essa e científicos (biologia, psicologia e sociologia).
visão reflexiva, entretanto, necessita estar funda-
mentada na trajetória sócio-filosófica da profissão Nas palavras de Piletti (1991), Didática é “uma
docente e da Didática. disciplina técnica, que tem como objeto específico
a técnica de ensino (direção técnica da aprendiza-
Neste capítulo, inicia-se um estudo sobre os funda- gem)”. A Didática, para este autor, portanto, estu-
mentos e a evolução histórica da Didática, configu- da a técnica de ensino em todos os seus aspectos
rando dimensões para uma compreensão do fenô- práticos e operacionais, referindo-se à amplitude e
meno educacional, com especificidade a ciência e ao sentido da palavra, sem se restringir à simples
a arte do ensino. acumulação de informações técnicas no processo
de ensino-aprendizagem.
Na relação ensino e aprendizagem em Didática,
chama-se a atenção para a importância e a neces- Para este autor, a Didática é a técnica de estimular,
sidade de se superar um perspectivismo linear e dirigir e encaminhar, no decurso da aprendizagem,
perceber as múltiplas relações postas na contem- a formação do homem. Na formação do Ser Hu-
poraneidade, a partir das determinações histórico- mano, não se pode ‘achar’ que a utilização de abor-
sociais. dagem ‘mecânica’ de uma simples técnica alcance
os fundamentos sobre o ideal da educação e da for-
mação do homem. Na reflexão sobre a concepção
1. Didática e Didáticas da vida, da existência humana na sua completude,
a Pedagogia exerce esse papel no momento em que
Tratar sobre a dimensão didática do ensino apren- compartilha com a filosofia uma reflexão sistemá-
dizagem remete à problemática de uma outra tica. Então, a Didática nesse sentido, pode ser defi-
questão que podemos denominar de “didáticas”. nida como a ciência e a arte do ensino.
Para uma compreensão dessas categorias: didática
e didáticas, faz-se necessária uma reflexão sobre a E o que se entende por ensino?
dimensão epistemológica, já que, no âmbito do Eis a grande questão.
conhecimento humano, se percebem modos de
conhecer. O filósofo Gregório de Nazianzo, na sua obra Ora-
tio II apologética, 16 (MIGNE, PG, XXXV, 425)
É no senso comum que a palavra ‘didáticas’ apre- afirma: “a arte das artes está em formar o homem, o
senta-se no sentido de acumular informações e mais versátil e mais complexo de todos os animais”.
técnicas sobre o processo de ensino-aprendizagem.
Saliente-se que para um estudo da ‘Didática’ pro- Gregório de Nazianzo, sua vida nos é conhecida
priamente dita, é fundamental o giro em torno de por meio de um longo poema autobiográfico. Nas-
uma reflexão mais profunda sobre diversos aspec- ceu em 329 ou 330, na quinta de Arianzo, perto de
tos que compõem a pedagogia. Nazianzo. Em suas homilias, Gregório surge como
um mestre hábil e vigoroso da palavra.
A palavra pedagogia vem do grego (pais, paidós =
criança; agein = conduzir; logos = tratado, ciência).
Fonte: costa_hs.[Link]/images/Pregando..jpg

O grande teólo-
Uma reflexão sobre a Didática merece um olhar go e doutor da
de cunho filosófico e científico no âmbito da Peda- Igreja mostrou
gogia, pois não podemos separar abruptamente os o sentido que
aspectos fundamentais da pedagogia, da didática e respeita a sua
da filosofia. posição filosó-
Assim: O que é Didática? fica no âmbito
da educação e
Para esse movimento, é de suma importância fa- da didática - a
zer uma incursão sobre os aspectos da Pedagogia agudeza da arte
como reflexão metódica sobre a educação. Peda- em formar o
gogia como a ciência da educação e da arte de homem.
Capítulo 1 9

A partir das questões apresentadas, já se percebe der, sob o crivo da cientificidade, a melhor forma
que a Didática, conforme as palavras do filósofo de ‘conduzir’ o processo de ensino-aprendizagem.
Comênius, é
A partir do que foi dito, pode-se dimensionar que
“ensinar a arte das artes é, portanto, tarefa árdua que re- a Didática é um dos principais ramos de estudos
quer o juízo atento não de um só homem, mas de muitos, no âmbito da Pedagogia. Numa perspectiva crítico-
porque ninguém pode ser tão atilado que não lhe escapem reflexiva, na maioria das vezes, a Didática é um en-
muitas coisas”. foque sobre a investigação dos fundamentos, con-
dições e modos de realização do que se entende
Nesse enfoque, o filósofo sutilmente já imprimiu a por mediação e ensino.
dimensão e diferenciação dessas categorias: didáti-
cas e didática. atividade | Como você percebeu as conside-
rações sobre Didáticas e Didática?
O senso comum consiste em uma série de crenças
admitidas por um determinado grupo social. No Pesquise na Web essas considerações no âm-
que diz respeito à Didática, é pensá-la de uma for- bito de outras ‘ciências’, por exemplo: Psicolo-
ma assistemática. O modo de conhecer do senso gia, Filosofia, Sociologia. Será que Filosofia é
comum é natural, espontâneo. Muitas das concep- o mesmo que Filosofias? Psicologia é o mesmo
ções do senso comum estão presentes nos ditados que Psicologias? E assim por diante.
populares, por exemplo: Deus ajuda quem cedo ma-
druga; Querer é poder. Você observou e registrou algumas ideias.
Leve-as para o nosso fórum. Socialize alguns
Fonte: [Link]/2009/11/

links da sua pesquisa em nosso fórum.

Até o momento, vimos algumas explicações sobre


as categorias: Didática e Didáticas. Agora vamos
abordar sobre uma compreensão histórica da Di-
dática para se ter uma ideia mais consistente sobre
a ciência Didática.

SAIBA MAIS!
Didática e elemen-
educ..

Sobre o conceito de
acessar
tos da ação didática
ntr ore [Link].
O conhecimento filosófico perpassa pelo senso crí- [Link]
br/t...
tico. É um tipo de especulação: radical, rigorosa e édia livre.
Wikipédia, a enciclop
de conjunto. É uma ‘ciência’ das causas primeiras,
é um conhecimento do conhecimento. A Didática
no seu sentido filosófico é uma arte de ensinar,
uma Tecné, da ideia à ação. 2. Uma Compreensão Histórica da
Didática
No conhecimento
científico, faz-se pre- Nas palavras de Haidt (2006, p.14),
sente a sistematização
e experimentação. A “Da Antiguidade até o início do século XIX, predominou,
Didática, nesse sen- na prática escolar, uma aprendizagem de tipo passivo e re-
Fonte:[Link]

petitivo. Aprender era quase exclusivamente memorizar.


tido, estuda a técnica
Nesse tipo de aprendizagem, a compreensão desempenha-
de ensino em todos
va um papel muito reduzido”.
os seus aspectos práti-
cos e operacionais. A
Saliente-se que a arte de ensinar, sob o crivo do
Didática enfoca a di-
pensamento filosófico, levava em consideração os
mensão experiencial,
aspectos especulativos (sobre o Ser, a Psyché, a di-
buscando compreen-
10 Capítulo 1

mensão perceptiva). Essa atitude do mestre profes- guidade interferindo, de certa forma, na estrutura
sor e da passividade do educando se configurava metodológica. Conforme explicita Haidt,
como um padrão de ensino e de aprendizagem.
“Embora esse ensino de caráter verbal, baseado na repeti-
A arte de ensinar na Antiguidade preconizava a re- ção de fórmulas já prontas, tenha predominado nas práti-
petição de exercícios graduados, ou seja, cada vez cas escolares por muito tempo, vários foram os filósofos e
educadores que exortaram os mestres, ao longo dos sécu-
mais difíceis. O mestre e o discípulo tinham posi-
los, a darem mais ênfase à compreensão do que à memo-
ção definida na condução do processo do aprendi-
rização”.
zado. Ensinava-se a ler e a escrever da mesma forma
que se ensinava um ofício manual ou a tocar um
Na Antiguidade, pode-se apontar a figura ímpar de
instrumento musical.
Sócrates (século V a.C.), o pedagogo do Ocidente.
Seus ensinamentos seguiam a métrica do diálogo.
Fonte: [Link]/.../OSenhorestendeamo.
Para o filósofo, ninguém pode aprender ou ensinar
nada a ninguém. Para esse filósofo, a civilização
escolar, em toda a sua amplidão, surge-nos como
uma gigantesca mistificação. Nas entrelinhas de
seu ensinamento ficava implícita a questão singu-
lar: o melhor mestre não é aquele que se impõe,
que se afirma como dominador do espaço mental,
mas, ao contrário, o que se torna aluno de seu alu-
no, aquele que se esforça para acordar uma cons-
ciência adormecida de si mesma e de guiar seu de-
jpg

senvolvimento no sentido que melhor lhe convém.


Como enfatiza Haidt (2006, p.14-15),
No diálogo de Platão, ‘Apologia de Sócrates’ ob-
“O estudo dos textos literários, da gramática, da História, serva-se o grande exemplo que foi o mestre para os
da Geografia, dos teoremas e das ciências físicas e bioló-
seus discípulos. Nas palavras de Gudsdorf,
gicas caracterizou-se, durante séculos, pela recitação de
cor”. Isso não tira o mérito das incursões e investigações
“Sócrates, que se apaga diante de seu aluno, não é um mes-
dos grandes sistemas filosóficos, como vamos perceber ao
tre menor que aquele que se impõe e reina por prestígios
longo do texto. O que se observa é que nesta forma de
fáceis... Sabe-se que o Sócrates platônico buscava demons-
‘conduzir’ o ensino, a dimensão compreensiva do que se
trar a inutilidade do mestre apenas para confirmar a dou-
falava ou se escrevia ficavam à margem. Em consequência,
trina da reminiscência”.
o discípulo reproduzia as respostas do mestre, seguindo
passo a passo todo ensinamento sem um posicionamen-
to crítico. Essa forma de conduzir o processo de ensino “O ensino não introduz nada de novo no espírito; somente
lembra bem o método catequético, originário da cultura desperta conhecimentos que aí já se achavam depositados
grega Katechein, que significa ‘fazer eco’. Conforme expli- desde os tempos imemoriais dos começos míticos, quando
a alma, antes de vir ao mundo, contemplou as ideias nas
cita Haidt (2006, p. 15) “Este método era usado por todas
as disciplinas e consistia na apresentação, pelo professor, quais se resumem todas as verdades essenciais”.
de perguntas acompanhadas de suas respostas já prontas”.
Fonte: [Link]/

De uma forma
geral, pode-se
Fonte: [Link]/portal/

perceber, em al-
guns momentos,
o método cate-
wp-content/u...

quético, quan-
do o professor
explica, e o edu-
cando segue seu
ensinamento. É Não se esqueçam de que o método socrático foi
o ensino das dis- denominado de ironia e tem dois momentos: refu-
ciplinas na Anti- tação e a maiêutica.
Capítulo 1 11

Na história da Educação, o filósofo Platão (427- aulas, palestras, ensinar ao ar livre, caminhando
347 a. C) deixou-nos um legado de ideias no cam- enquanto lia e dava preleções, passeando ao redor
po educacional, com especificidade o seu método do jardim no templo de Apolo Licio. Daí o nome
da dialética. Saliente-se que a Dialética representa de Liceu dado à Escola do filósofo de Estagira.
uma forma de conduzir bem o ‘discípulo’ a sair do
mundo sensível (dóxa) para o mundo das ideias O filósofo, no que tange à Didática, via, na esco-
(episteme). O pensador fundou a academia – pri- la, o caminho para a vida pública e o exercício da
meira universidade no Ocidente. Seguindo os Ética. Seu método de ensino calcava-se numa pers-
princípios da filosofia socrática, o pensamento de pectiva realista em que o saber racional e reflexivo
Platão direciona-se sobre a teoria das ideias. Na di- se interpenetravam. O Estagirita retratou, de for-
dática de Platão, no seu projeto pedagógico, impri- ma magistral, o conceito de cidadania. Nas suas
miu um modelo disciplinar que ainda hoje serve preleções, assentava que a perfeição do cidadão
como referência para o estudo na ciência educa- define-se a partir da qualidade da sociedade à qual
cional, com especificidade na ‘arte de ensinar’ – a ele pertence. Quem quiser formar homens perfei-
didática. tos, deve formar cidadãos perfeitos. Quem quiser
formar estes, deve
Na Academia de Platão, os discípulos seguiam os formar um Estado

Fonte: [Link]/.../liceu/images/
ensinamentos do seu mestre. A arte de ensinar na perfeito. Observe-
Academia priorizava, de início, a Ginástica, pas- se que, na leitura
sando pelas matemáticas, chegando à música e as- do filósofo, a edu-
tronomia, idealizando um projeto pedagógico no cação, o ensino e
âmbito da dialética. Os preceitos filosóficos e pe- a aprendizagem
dagógicos de Platão eram conduzir bem o projeto devem atender a
da razão. Na República, livro VII, o filósofo apre- dimensão do ho-

[Link]
sentou, de forma singular, a sua teoria das ideias mem na sua inte-
– representada na Alegoria da Caverna. gralidade.

Nessa trajetória histórica da Didática, o modelo


Fonte: [Link]/.../academia/images/

educacional do filósofo-teólogo Santo Agostinho,


o bispo de Hipona, merece uma atenção singu-
lar. A grandeza das obras “Confissões, Cidade de
Deus, Soliloquium, De Doctrina Chistiana e De
Magistro” constitui um manancial para a com-
preensão do homem, sua vontade e o verdadeiro
conhecimento de si mesmo. Como bem explicita
Agostinho: Não se aprende pelas palavras que re-
[Link]

percutem exteriormente. O homem deve buscar


na sua interioridade a beleza e o sentido de sua
existência; se o bem vem de Deus, o mal se origi-
Na Antiguidade, do mundo grego, seguindo os en- na da ausência do bem e só pode ser atribuído ao
sinamentos do seu mestre Platão, o pensador Aris- homem, por conduzir erroneamente as próprias
tóteles (384-332 a. C) imprimiu o seu método da vontades.
Lógica na forma de conduzir sua arte de ensinar.
A matriz da filosofia de Aristóteles representou na No processo de ensino e aprendizagem, o pensa-
Antiguidade o modelo realista. Com sua filosofia dor chamava a atenção para que o discípulo con-
realista, o pensador soube imprimir uma leitura sultasse o seu mestre interior, pois é na serenidade
do mundo centrado em bases metafísicas. As aulas e conquista da paz que se pode aprender o senti-
no Liceu eram ministradas de forma sistemática. do profundo das coisas. Para Agostinho, um ver-
O filósofo arquitetou todo um sistema de ensino dadeiro projeto de Educação deve basear-se nos
na forma de conduzir as diversas disciplinas: éti- princípios mais profundos da natureza humana:
ca, política, retórica, lógica, física, metafísica..etc. vontade, razão, fé, amor... Nessa linha de pensa-
A escola de Aristóteles foi denominada de Escola mento, a dimensão Didática – a arte de conduzir
peripatética devido ao costume do filósofo de dar o ensino - perfila o olhar de que o mestre é aquele
12 Capítulo 1

que ensina o caminho a partir de conceitos-chave, de ensinar tudo a todos, escrita em tcheco, em
despertando, no discípulo, a alegria e o amor que 1629-1632, traduzida para o latim em 1640 e só
faz brotar a curiosidade para conhecer as coisas. publicada em 1657. Nessa linha de pensamento,
o filósofo imprimiu o princípio fundamental da
Segundo o bispo de Hipona, o conhecimento educação: formar o homem com vistas à vida es-
do mundo adquirido através dos sentidos estaria piritual como também em face da vida temporal e
cheio de erros, mas que a razão poderia levar ao civil. Como bem enfatiza em sua obra: ‘O homem
entendimento e sustentava que, em última análise, é a mais excelente das criaturas, o fim está além da
seria necessário transcender a razão pela fé. vida terrena, que não passa de preparação para a
vida eterna’.
O filósofo padronizou sua filosofia educacional
pela tradição platônica. Seguindo os ditames da fé, Para Comênius, a natureza humana apresenta três
a configuração dos ensinamentos de Santo Agosti- graus de desenvolvimento progressivo: a vida vege-
nho, e seguindo o princípio de que a educação pode tativa, a vida animal e a vida intelectual, correspon-
ser concebida como consistindo não apenas da dentes a três épocas diferentes da existência: seio
dialética mas materno, na terra e no céu. O homem deve adqui-
também da rir três coisas: ciência, moral e sentimento religio-
Fonte: [Link]/.../2009/11/santo-

técnica de so. Delas tem o germe, mas a educação é necessária


meditação para desenvolvê-lo.
para trazer
para fora a A Didática Magna é uma obra de referência para
verdade já todos os que buscam compreender o sentido mais
possuída pela profundo do humanismo na educação, ressaltan-
[Link]

alma. (OZ- do que ‘não se deve, pois, excluir ninguém dos


MON, 2004, benefícios da educação e da instrução’; a arte de
p.47). ensinar nada mais exige que judiciosa disposição
do tempo, das coisas e do método. Comênius foi
No campo do ensino, o filósofo chamou atenção um educador, que revolucionou o modelo de edu-
para o diálogo entre o mestre e o discípulo. O discí- cação da época e que continua a despertar um inte-
pulo, nessa jornada à interioridade da alma, desper- resse por todos que buscam compreender a melhor
ta para a busca do conhecimento de si mesmo, sem forma de conduzir o ensino para todos. Conduziu
o esquecimento do modelo ético do supremo cria- seu método de ensino com o princípio de que não
dor, Deus, sendo este fruto do ‘verdadeiro’ ensino’. existe mau aluno, o que deve existir, sim, são boas
A análise agostiniana abre uma brecha na dinâmi- bibliotecas, bons professores e bons métodos.
ca do processo ensino-aprendizagem, prefigurando
um novo formato de conduzir o bem à dimensão Na Didática Magna,
Fonte: [Link]/.../s400/come-

do conhecimento. Ou seja, o filósofo sinalizou um encontra-se o senti-


novo olhar sobre a Didática – a arte de ensinar. do mais profundo
A partir do pensamento agostiniano, o direciona- do saber humanís-
mento do ensino em todo percurso da Idade Mé- tico. O pensador
dia segue o princípio doutrinário: não se aprende aborda as questões
pelas palavras, que repercutem exteriormente, mas, singulares na boa
pela verdade, que ensina interiormente. condução do espíri-
[Link]

to humano, na bus-
Para uma compreensão histórica da Didática, Co- ca do saber e forma-
mênius representa uma revolução na forma de ção da dignidade humana.
conduzir a arte de ensinar. O filósofo tcheco com-
bateu o sistema medieval, preconizou uma edu- O filósofo-educador tentou, durante toda sua vida,
cação ético-estética na forma de conduzir a vida construir um projeto para a correlação e o progres-
do educando. Pode-se afirmar que Comênius é o so da ciência, que, de uma forma ampla, designou
primeiro pedagogo dos tempos modernos. Tam- pelo curioso nome de Pansophia, isto é, ‘Sabedoria
bém foi considerado o pai da Didática moderna: Universal’. Esse projeto refere-se àquela expressão
A Didática Magna ou Tratado da Arte Universal anterior: a arte de ensinar tudo a todos. O ideal
Capítulo 1 13

que inspirou o amável bispo em todos os seus es- Dessa forma, o filósofo costura a seguinte linha de
forços foi a nobre visão de educar cada criança, de abordagem no seu método, trilhando uma linha-
tal forma que esta pudesse participar, até a pleni- gem ético-estética. Diz-nos o filósofo:
tude de suas capacidades, de todo o conhecimento
e da vida social. A Didática Magna de Comênius Quatro condições para o jovem que deseje descor-
fundamenta toda uma arquitetura na forma de tinar as partes mais profundas das ciências:
conduzir o ensino, uma educação fundada na na-
tureza da criança e de acordo com seu desenvolvi- a. Que o olho da mente seja puro;
mento, orientada, por outro lado, para o conheci- b. Que os objetos estejam próximos;
mento das coisas com vistas à sua utilização, eis a c. Que a atenção seja viva;
educação de Comênius e sua Didática. d. Que, com o devido método, todas as coisas se-
jam oferecidas à observação interligada: então
Esse projeto de Comênius vingou na fundamenta- será possível apreender tudo com segurança e
ção da Didática, no profundo sentido prático da rapidez.
educação, não se afastando dos fins teológicos e
religiosos da formação humana. Como bem enfa- Enfoca ainda o filósofo sobre o método para ensi-
tizou o educador: no das artes que deve compreender três requisitos
básicos:
‘o fim último do homem é sua felicidade eterna em Deus’.
a. Modelo ou ideia, que é uma forma externa
De suma importância, para reflexão e direciona- que o artista olha e procura reproduzir;
mento na prática pedagógica, são os princípios b. Matéria, que é aquilo a que deve ser dada a
apresentados pelo educador. Princípios que me- nova forma;
recem um olhar crítico-reflexivo daquele que en- c. Instrumentos com que se realiza a obra.
vereda na prática do trabalho docente. Eis alguns
princípios defendidos por Comênius na sua obra Enfatiza o pensador que o ensino da arte (uma vez
Didática Magna em suas ideias sobre o método e a fornecidos os instrumentos, a matéria e o modelo)
organização do ensino. requer:
Ao ensinar um assunto, o professor deve:
a. O uso correto desses;
1. Apresentar o objeto ou ideia diretamente, b. Orientação prudente;
fazendo demonstração, pois o aluno aprende c. O exercício frequente.
por meio dos sentidos, principalmente vendo
e tocando; Nessa abordagem Pansóphica, o educador retrata
que, no método de ensino da moral, ‘o mais im-
2. Mostrar a utilidade específica do conhecimen- portante é que a arte de infundir a verdadeira mo-
to transmitido e a sua aplicação na vida diária; ralidade e a piedade seja estabelecida com correção
e introduzida nas escolas, para que estas realmente
3. Fazer referência à natureza e origem dos fenô- sejam, como se diz, oficinas de homens. Devem ser
menos estudados, isto é, às suas causas; ensinadas as virtudes principais, chamadas de car-
deais, que são: a PRUDÊNCIA, a TEMPERAN-
4. Explicar primeiramente os princípios gerais e ÇA, a FORTALEZA e a JUSTIÇA, para que não
só depois os detalhes; se construa um edifício que não tenha fundações
e cujas partes, por não estarem bem fixadas, assen-
5. Passar para o assunto ou tópico seguinte do tem mal sobre as bases. Sobre o Método para in-
conteúdo, apenas quando o aluno tiver com- fundir a piedade, devemos trilhar que ela é dada a
preendido o anterior. nós pelo céu por obra e virtude do Espírito Santo
que, no entanto, age ordinariamente, por meios
Saliente-se que, no seu método, o filósofo funda- comuns e elege como ministros os pais, os precep-
mentava a observação como categoria básica no tores e os ministros da igreja, que plantam e irri-
modo de ensinar as ciências, as artes, as línguas gam, com cuidado e atenção, os renovos do Paraíso
e a moral. Nas palavras do educador, a observa- (I Cor II, 8); por isso, é justo que eles entendam a
ção interna dessas coisas exige olhos, objeto e luz. razão de seus deveres.
14 Capítulo 1

Para o filósofo-educador Comênius, deve-se reali- de experiências selecionadas e graduadas, necessá-


zar uma racionalização de todas as ações educati- rias ao exercício dessas capacidades.
vas, seguindo uma teoria didática até as questões
do cotidiano da sala de aula. Ainda hoje merece a Na sua obra sobre

Fonte: [Link]/.../
consideração de qualquer educador esse filósofo, educação, o pensador
como referência para uma compreensão sistemáti- suíço prega o retorno
ca da prática escolar, que deveria imitar os proces- à natureza e o respei-
sos da natureza. Nas entrelinhas de sua Didática, to ao desenvolvimen-

image/[Link]
Comênius já apontava a importância da organiza- to físico e cognitivo
ção do tempo e do currículo na melhor forma de da criança. É marcan-
conduzir o ensino. te a sentença do filó-
sofo: nada de revolu-
Nesse percurso histórico da Didática, não pode- ção no estado sem, antes, revolução na educação.
mos esquecer expoentes da magnitude de Jean-
Jacques Rousseau, o filósofo que direcionou sua Conforme os dizeres de Larroyo (1974, p. 518):
obra sobre a educação da criança. Este preconizou ‘Quatro grandes princípios psicológicos informam
que a instrução das crianças é um ofício, em que é a doutrina pedagógica de Rousseau’.
necessário saber perder tempo, a fim de ganhá-lo.
Lembra-se, aqui, que Rousseau foi considerado o a. A natureza fixou as etapas necessárias do de-
pai da pedagogia da vocação. senvolvimento corporal e anímico do educan-
do. Disse Rousseau: ‘Observai a natureza e
Por que tal denominação para o segui o caminho que vos traçar’;
filósofo-educador?
Devido ao mérito de haver realizado, em maté- b. O exercício das funções, numa etapa da vida,
ria de pedagogia, uma ‘revolução copernicana’, afirma e prepara o advento e eclosão das fun-
anterior e comparável à operada mais tarde por ções posteriores. ‘Ouvem-se lamentações sobre
Imannuel Kant no domínio da Filosofia. o estado da infância e não se percebe que a
raça teria perecido, se não houvesse começado
Outro expoente no campo da Didática foi Hein- pela criança’;
rich Pestalozzi (1746-1827) seguindo as ‘pisadas’
dos naturalistas, em especial a de Rousseau. A viga c. A ação natural é aquela que tende a satisfazer
mestra das ideias de Pestalozzi, segundo Haidt: o interesse (ou a necessidade) do momento. ‘O
interesse presente: eis o grande móvel, o único
“era que o ser humano nascia bom e que o caráter de um que conduz de maneira segura e longe’;
homem era formado pelo ambiente que o rodeia”.
d. Cada indivíduo difere, mais ou menos, em re-
A educação era o ponto fulcral das ideias do pen- lação às caracterísiticas físicas e psíquicas dos
sador, uma educação na sua integralidade. Numa demais indivíduos. ‘Cada homem tem sua
perspectiva revolucionária, nas palavras de Haidt, forma própria, segundo a qual necessita ser
orientado, e, para o êxito dos cuidados que se
“o filósofo pregava a educação das massas e proclamava lhe dispensem, importa muito que se faça de
que toda criança deveria ter acesso à educação escolar, por determinada maneira e não, de outra’.
mais pobre que fosse seu meio social e mesmo que suas
condições fossem limitadas”.
Rousseau foi o primeiro a traçar, de forma siste-
mática, no seu livro “Emílio ou Da Educação”,
Na concepção de Pes- uma abordagem didática para cada fase da vida do
Fonte:[Link]/images/

talozzi, o principal ser humano. Conforme os princípios enunciados


objetivo da educação acima, o filósofo imprimiu algumas características
era favorecer o de- próprias de cada idade e seus respectivos deveres.
senvolvimento físico,
foto_pestalozzi.jpg

intelectual e moral da No livro 1, o filósofo fala da ‘idade de natureza’ –


criança e do jovem, o bebê (infans). A idade infantil, a das sensações
por meio da vivência puramente afetivas, do prazer e da dor, quando a
Capítulo 1 15

criança não sente senão sua pobreza e fraqueza e “Segundo Rousseau, Emílio está na terceira fase da infân-
não dispõe, senão, da queixa e dos prantos. Como cia, antes da adolescência. É chegada a hora de preparar
diz Rousseau (1995, p. 7): Emílio para o mundo do trabalho”. Rousseau aponta os
seguintes tipos de educação: intelectual – da necessidade à
utilidade e educação manual e social – contra os preconcei-
“É a ti que me dirijo, terna e previdente mãe, que soubeste
tos. Na idade da força, o enfoque educacional recai agora
afastar-te da estrada principal e proteger o arbusto nascente
do choque das opiniões humanas! Cultiva, rega a jovem sobre o mundo do trabalho.
planta antes que ela morra; um dia, seus frutos serão tuas
delícias. Forma desde cedo um cercado ao redor da alma
de teu filho; outra pessoa pode marcar o seu traçado, mas

Fonte: [Link]/
apenas tu podes colocar a cerca.”

img/5/9/2/3/9/MTS2_bi..
Fonte:[Link]/crian-
ccedila-na-natureza-t...

O livro III trata sobre ‘A idade de força” – de 12 a


15 anos. Idade intermediária entre infância e ado-
A primeira idade é a das necessidades, a ama é a lescência, que é a da passagem da sensação para
mãe, e o verdadeiro preceptor é o pai. Na idade a idéia, chegando à aquisição da razão intelectual.
infantil, o mundo da afetividade e das sensações Como enfatiza Streck (2004, p. 45):
tem importância ímpar para a educação familiar.
“A idade da adolescência, de 15 a 20 anos, durante a qual,
“Rousseau não vê ‘para acabar o homem, não resta mais que fazer um ser
razão para se educar terno e sensível, isto é, aperfeiçoar a razão pelo sentimen-
uma criança para um to’, ‘segundo nascimento’ do homem que vai viver para o
Fonte: [Link]/.../[Link]

futuro incerto. É uma sexo, depois de ter vivido para a espécie, conhece a dor das
lástima que tantas paixões, a cisão de sua socialidade e de sua humanidade e
pessoas morram sem deverá aplicar-se a reencontrar e restaurar no coração a or-
terem saboreado a dem da natureza, graças aos progressos do entendimento,
vida. A infância não é que servem para regular aquelas mesmas paixões; a idade,
um lugar de passagem enfim, do casamento, e da suprema prova, em que se arris-
para outros estágios ca a soçobrar,
mais desenvolvidos, ao tempo do
mas precisa ser consi- acesso à ma-
Fonte: [Link]/img/

derada como uma eta- turidade, essa


pa com valor próprio” liberdade inte-
rior, condição
da verdadeira
Rousseau comenta sobre a Idade da Natureza no
felicidade, cuja
Emílio. conquista é o
historia/022-r...

termo final de
No livro II, o educador aponta ‘A idade de nature- toda a evolução
za’ – de 2 a 12 anos, idade da puerícia, durante a mental”.
qual o ser não será nem homem nem animal, mas
criança com maneiras de ver, de pensar, de sentir, No livro IV, o filósofo direciona sobre “a idade de
que lhe são peculiares. Aí, vamos encontrar uma razão e das paixões” – de 15 a 20 anos. Conforme
educação da sensibilidade, uma educação moral, ainda Streck (2004, p. 49):
uma educação intelectual – partir do interesse sen-
sível, educação do corpo – exercício físicos e uma “É o novo cidadão, o indivíduo com autonomia e com ca-
educação sensorial – o tato. Como enfatiza Streck pacidade para enfrentar os desafios do novo mundo que
(2004, p. 42): se aproxima”.
16 Capítulo 1

Segundo Rousseau, ocorre nessa fase a Educação 1. Apresentava o conhecimento começando por
do ser moral – educação sexual; Educação religio- seus elementos mais simples e concretos, de
sa; retomada da educação moral. forma a estimular a compreensão;

No livro V, o educador enfatiza “A idade de sabe- 2. Utilizava o processo de observação ou percep-


doria e do casamento” – de 20 a 25 anos. É a últi- ção pelos sentidos, denominado, por ele de
ma etapa da educação de Emílio e está presente a intuição;
formação do cidadão.
3. Fixava o conhecimento por meio de uma sé-

Fonte: [Link]/philolog/fri_chalk.jpg
Para a forma- rie progressiva de exercícios graduados, que se
ção integral do baseavam mais na observação do que no mero
cidadão, Rous- estudo de palavras.
seau enunciou
a idade de sa- Observa-se que o pensador, na sua didática, enfo-
bedoria. Surge cou a dimensão sistemática na forma de conduzir
para Rousseau a o ensino. Sinalizou como base para o completo
companheira de desenvolvimento mental da criança categorias sin-
Emílio, a Sofia. gulares – a educação deveria respeitar o desenvolvi-
mento infantil. Salientem-se, ainda, os princípios
Viu-se, anterior- educacionais formulados por Pestalozzi, que po-
mente, que o dem ser assim resumidos:
método natural
tem uma importância singular na dinâmica edu- 1. A relação entre o mestre e o discípulo deve ter
cacional. Não esquecendo que o pensador já sina- como base o amor e o respeito mútuo;
lizava uma questão Didática na forma de conduzir
bem a educação. Saliente-se que Rousseau, no seu 2. O professor deve respeitar a individualidade
tratado sobre a Educação, afirma que não devemos do aluno;
forçar uma educação antes do tempo. Noutras pa-
lavras, o primeiro mestre deve ser a natureza que 3. A finalidade da instrução escolar deve basear-
vem a formar a criança de hoje no homem de ama- se no fim mais elevado da educação, que é o
nhã. Acrescenta o filósofo: de favorecer o desenvolvimento físico, mental
e moral do educando;
“é com a experiência que vamos formando nosso mundo
interior”, ainda, “a experiência é um mestre que imprime e 4. O objetivo do ensino não é a exposição dog-
força aos poucos a nossa existência”. mática e a memorização mecânica, mas, sim, o
desenvolvimento das capacidades intelectuais
Tornemos o homem, pois, feliz em todas as idades, do jovem;
isso quer dizer, também, que a cada idade cumpre
dar as virtudes próprias. Cada idade tem sua virtu- 5. A instrução escolar deve auxiliar o desenvolvi-
de e sua felicidade particulares; cumpre considerar mento orgânico por meio da atividade, isto é,
essas fatias de vida que a natureza distinguiu por da ação tanto física como mental;
meio da vida humana. A cada uma corresponde
certo equilíbrio entre as faculdades e os desejos, 6. A aprendizagem escolar deve corresponder
que corresponde à sabedoria humana ou ao cami- não apenas à aquisição de conhecimentos,
nho da verdadeira felicidade. mas principalmente ao desenvolvimento de
habilidades e ao domínio de técnicas;
A doutrina pedagógica de Pestalozzi, como já se
frisou, defende a doutrina dos naturalistas, em es- 7. O método de instrução deve ter por base a
pecial a de Rousseau. Nessa linhagem rousseriana, observação ou percepção sensorial (que Pes-
o método pestalozziano, como foi posteriormente talozzi chamava de intuição) e começar pelos
chamado, tinha as seguintes características, segun- elementos mais simples;
do Haidt (2006, p. 18-19):
8. O ensino de ver, seguir a ordem psicológica,
Capítulo 1 17

ou seja, respeitar o desenvolvimento infantil. xão entre a teoria filosófica e a prática educacional
e lidarmos com a prática separada da teoria.
Atividade |
A partir da leitura do tópico sobre ‘uma com- Observa-se que, na reflexão filosófica, pode-se
preensão histórica da didática’, faça uma pes- compreender a dinâmica existencial do humano.
quisa na Web, no âmbito da história da edu- Foram os filósofos gregos os primeiros a iniciar
cação de outros pensadores que contribuíram esse ‘projeto da razão’. Um projeto fundante, que
para a fundamentação da ciência Didática. vai perpetuar-se durante toda história do pensa-
Pense em suas ideias sobre os princípios em mento ocidental. A cultura grega é considerada
que se baseia a relação ensino – aprendizagem. o berço da Filosofia. Nas palavras de José Salgado
Leve sua pesquisa com os links do Youtube e Martins (1969, p. 5):
de textos acadêmicos para o nosso fórum com
suas observações. O anseio de conhecer, inerente à natureza do homem, con-
duziu ao pensamento filosófico, que é a forma mais nobre
e profunda do pensamento humano assim como o senso
Até o momento, vimos algumas considerações so-
da beleza levou à Arte, o senso moral, à Ética, opera-se,
bre uma compreensão histórica da Didática. Agora
além do primeiro impulso racional ou emocional, o traba-
vamos abordar sobre a Didática e outras ciências, lho reflexivo do homem, a elaboração intelectual e pacien-
para se ter uma ideia e uma conceituação mais evi- te do conhecimento (sic).
dente sobre a ciência Didática.

SAIBA MAIS!

Fonte: [Link]/
Histórica da Didá-
Sobre a Compreensão
nas obras de Mon-
tica faça uma leitura
taigne:
ças e Pedantismo;
Como educar as Crian
Magna’ e J.J. Rousse-
Comênius ‘Didática
ucação.
au o Emílio ou Da Ed
m víd eos no [Link]
Consulte també O saber filosófico é um saber do saber, é um co-
.
– vídeos relacionados
nhecimento do conhecimento. Filosofia não é ma-
téria de conhecimento como as demais ciências.
3. Didática e Outras Ciências Filosofar é o ato de refletir sobre as coisas para
conhecê-la e não, um mito, uma crença.
Será que as ciências têm muito a contribuir para
uma compreensão de um estudo mais consisten- O saber filosófico nasceu entre os gregos, porque
te sobre a Didática? foram eles que, por uma inclinação natural do
espírito e dentro de um complexo histórico-sócio-
Vamos ver as contribuições das ciências Filosofia, cultural, produziram o que se chamou de o ‘mila-
História, Sociologia e Psicologia para a Didática. gre grego’. Junto a esse saber filosófico, a dimensão
estética conduziu aqueles primeiros povos a perce-
Os Fundamentos Filosóficos da Educação têm berem o mundo de forma harmônica. A reflexão
muito a contribuir para uma conceituação da ciên- filosófica é o movimento do intelecto, inventarian-
cia Didática. Nas palavras de Ozmon (2004, p. 15): do o mundo e os valores existentes, criticando a
realidade existencial e buscando reconstruir uma
Assim como a prática da educação desenvolveu- nova ordem na convivência social.
se, as teorias
da educação Nos dizeres de Severino, é preciso:
seguiram o
“buscar o sentido mais profundo do próprio sujeito da
mesmo cami-
Educação, ou seja, de construir a imagem do homem em
nho; todavia
sua situação de sujeito/educando. Como tal, torna-se uma
tornou-se antropologia filosófica, buscando integrar as contribuições
fácil não ver- das ciências humanas” (1994, p. 37).
mos a cone-
18 Capítulo 1

do conhecimento. Nossas visões sobre aprendi-


zado e sobre o que se deveria saber relacionam-
se diretamente com esse ramo da filosofia.

Fonte: [Link]
• A lógica, como disciplina filosófica, ajuda os es-
tudantes a comunicarem-se e a pensarem mais
claramente.

Fonte: [Link].
Muitos filóso-
fos, como Aris-
tóteles, acredi-

com/.../[Link]
Então, o que se observa é a importância desse saber tam que a lógica
no âmbito da Didática. Do ponto de vista da edu- é a base de todo
cação e ensino, a filosofia tem importância ímpar. pensamento fi-
Pode-se dizer que a filosofia da educação é simples- losófico.
mente a aplicação de ideias filosóficas a problemas
educacionais, entretanto, a prática da educação • Metafísica é o
ramo da filosofia

Fonte: [Link]/.../avatar/
pode levar a um refinamento das ideias filosóficas.
que lida com a
Para uma compreensão mais efetiva no âmbito da essência da reali-
Didática, faz-se necessário um olhar mais refinado dade. Ela faz per-
sobre os ramos da filosofia. Como bem observa guntas como: O
Ozmon (2004, p. 16-17): que é real?; Qual
é o significado da

[Link]
“Em essência, filosofia da educação é a aplicação de prin- palavra mudan-
cípios fundamentais da filosofia à teoria e ao trabalho em ça?
educação.
• A axiolo-

Fonte: [Link]/.../4altars/5agos
Muitos grandes filósofos têm escrito sobre educa- gia estuda
ção, como Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino, os julga-
Locke, Rousseau, Kant, Nietsche, Dewey. Tradicio- mentos, a
nalmente, considera-se que a filosofia se compõe certeza ou
de quatro ramos principais: metafísica, epistemo- o erro, a

tin/[Link]
logia, lógica e axiologia. Essas divisões da filosofia bondade
relacionam-se muito diretamente com a educação. e os prin-
cípios de
Saliente-se que falar em Didática, faz-se necessário conduta.
e imprescindível o docente conhecer esses quatro O que devemos fazer? O que são valores? Tam-
ramos da filosofia. Uma didática centrada no estu- bém lida com estética.
do da situação instrucional, isto é, do processo de
ensino e aprendizagem, enfatiza a relação profes- Para uma compreensão mais efetiva da Didática,
sor-aluno. Um estudo determinante para sistema- como uma seção ou ramo específico da Pedagogia,
tização da Didática conceitua-se Didática como a ciência e a arte da
precisa efetivamen- educação.
te da compreensão
desses princípios: Não podemos esquecer que todo sistema de edu-
cação está baseado numa concepção de homem
Fonte: [Link]

• A epistemo- e de mundo. Assim, a Didática na orientação do


logia deve ser ensino, faz-se necessário um conhecimento mais
de grande in- efetivo do saber filosófico. Como enfatiza Haidt
teresse para o (2006, p. 13):
professor, por-
que lida com “A Filosofia, sendo a reflexão sistemática sobre a vida,
a transmissão exerce influência direta e está em estreita conexão com
Capítulo 1 19

a Pedagogia, que é a reflexão sistemática sobre o ideal da a seu respeito, sua cultura e sua evolução. Seria
educação e da formação humana” grande ilusão imaginar que a cada problema his-
tórico corresponde um tipo único de documentos,
Outra ciência de fundamental importância no especializado nesta função.
âmbito da Didática é a História. O movimento da
História possibilita uma compreensão mais abran- Uma tarefa árdua para o historiador é a de com-
gente das principais questões ligadas à Didática. preender o movimento do próprio homem em seu
Desde a Antiguidade, com a educação grega; pas- mundo, que pode ser sujeito ou participante deste
sando pela educação em Roma e no Renascimen- mundo. Como bem explicita Bloch (1997, p. 163):
to, os aspectos do ensino-aprendizagem sempre
estiveram presentes na forma de conduzir bem o “Para fazer uma ciência, serão sempre necessárias duas coi-
processo educacional. sas: uma matéria, mas também um homem”.

Para se ter uma ideia da importância dos estudos Então, o que se percebe é que no conhecimento da
históricos como determinantes na tarefa didática, história do homem da antiguidade aos nossos dias,
salienta-se o processo educacional quanto à forma- compreender a prática escolar nesse movimento
ção e à carreira profissional, à cultura e ao cotidia- tem um significado ímpar.
no escolar e da vida, à organização dos sistemas
de ensino, ao que e como se ensina, a quem em Para configurar melhor essa questão, as palavras de
espaço e tempo de conhecimento aplicado à vida e Mário Alghiero Manacorda (1996, p. 6-7) enfoca:
ao trabalho. Estas e outras são categorias fundan-
tes para um estudo evolutivo mais efetivo do que “Por isso mesmo, também os aspectos cotidianos, técnicos e
se entende por educação, por conseguinte de Di- materiais dos processos da instrução (o lugar, os instrumen-
dática. A educação e seu dinamismo retratam todo tos, a organização e a própria relação pedagógica), pelo fato
arcabouço do processo dialético de cada período de estarem ligados ao desenvolvimento produtivo, social
e político, assumem maior relevância. A própria didática,
histórico.
enfim, liberta-se de sua mesquinha especificidade e se con-
figura como
Segundo Marc Bloch (1997, p.25): um reflexo das
relações sociais
“História é pesquisa, logo, escolha. O seu objetivo não é o mais gerais so-
passado: ‘Mesmo a ideia de que o passado, mesmo nessa bre a relação

Fonte: [Link]
qualidade, possa ser objeto de ciência, é absurda’. O seu específica adul-
objetivo é o homem, ou melhor, os homens, e mais preci- to-adolescente,
samente, os homens no tempo. O tempo é o meio e a maté- que se realiza
ria concreta da história: Realidade concreta e viva, rendida dentro do limi-
à irreversibilidade do seu ímpeto, o tempo da história, [...] tado e técnico
é mesmo o plasma onde se banham os fenômenos e como lugar que é a
o lugar da sua inteligibilidade”. escola”.
Fonte: [Link]/.../2009/06/

Compreender a ciência História possibilita uma


leitura da história da Didática que está ligada ao
aparecimento do ensino – no decorrer do desenvol-
vimento da sociedade, da produção e das ciências
– como atividade planejada e intencional dedicada
à instrução. No discorrer sobre a História, pode-se
perceber melhor a dinâmica do trajeto da ciência
[Link]

Didática. Como enfatiza Libânio (1990, p. 57):

“Desde os primeiros tempos, existem indícios de formas


A ciência História tem muito a contribuir com a elementares de instrução e aprendizagem. Sabemos, por
formação do homem. Saliente-se que é quase in- exemplo, que, nas comunidades primitivas, os jovens
finita a diversidade dos testemunhos históricos. passam por um ritual de iniciação para ingressarem nas
Tudo quanto o homem diz ou escreve, tudo quan- atividades do mundo adulto. Pode-se considerar esta uma
to fabrica, tudo em que toca, pode e deve informar forma de ação pedagógica, embora aí não esteja presente o
20 Capítulo 1

“didático” como forma estruturada de ensino”. da pessoa total’. O comportamento, portanto, é aplicado
para designar uma ampla escala de atividades.
Nessa linha de pensamento, o que se observa é
que, no movimento da história, a ação pedagógi-
ca faz-se presente. Ainda nas palavras de Libânio
(1990, p. 57):

“Na chamada Antiguidade Clássica (gregos e romanos) e


no período medieval, também se desenvolvem formas de
ação pedagógica, em escolas, mosteiros, igrejas, universida-

Fonte: [Link]
des. Entretanto, até meados do século XVII não podemos
falar de Didática como teoria do ensino, que sistematize o
pensamento didático e o estudo científico das formas de
ensinar”.

A ciência do comportamento tem importância ím-


Fonte: [Link].

par na compreensão do processo da ciência didáti-


ca. Categorias fundantes, como: desenvolvimento
humano em seus aspectos físico, intelectual, afeti-
vo bem como de um conhecimento maior sobre
as diferenças individuais, as necessidades infantis,
com/2008

o mecanismo da motivação e da aprendizagem e


a importância dos fatores ambientais e sociais na
No entanto, outra ciência contribui para a Di- vida do ser humano.
dática com elementos sobre a dimensão do com-
portamento face o objeto do conhecimento pelo As contribuições das principais teorias psicológicas
educando, a Psicologia. De acordo com a origem possibilitam uma leitura mais consistente sobre o
grega da palavra, Psicologia significa o estudo ou processo de ensino aprendizagem. Nomes, como
discurso (logos) acerca da alma ou espírito (psi- os de Skinner, Freud, Piaget, Vygotsky, Wallon,
que). Numa perspectiva filosófica, a Psicologia é o Jung, continuam a influenciar nossa forma de con-
estudo da alma. Nas palavras de Braghirolli (2001, ceber a educação em geral, e o ensino, em parti-
p. 23): cular, devem respeitar as diferenças individuais e
os estágios do desenvolvimento humano em seus
“A breve visão histórica da Psicologia mostrou que este sig- aspectos físico, cognitivo, afetivo e social. Pode-se
nificado foi se alterando no decorrer do tempo e que, hoje, afirmar que a compreensão dos processos básicos
é uma tarefa difícil formular um conceito razoavelmente do comportamento, como percepção, motivação,
amplo para abranger todas as posições em Psicologia”. emoção, aprendizagem, são princípios basilares
para um estudo mais efetivo no processo didático.
Salienta-se que as diversas concepções para o estu-
do do comportamento humano possibilitam uma Vejamos alguns conceitos dos processos básicos do
leitura mais consistente e significativa do homem e comportamento e suas implicações no âmbito da
sua existencialidade. Independente das várias con- didática:
cepções sobre o estudo do comportamento huma-
no, existe unanimidade entre os psicólogos numa O estado psicológico
definição do que se compreende por psicologia. A de quem percebe é um
Fonte: [Link]

psicologia é o estudo científico do comportamento fator determinante da


humano. Segundo Braghirolli (2001, p. 23): percepção, seus motivos,
emoções expectativas fa-
Como colocam muito bem Telford e Sawrey, ‘o comporta- zem com que perceba,
mento inclui muito mais do que movimentos flagrantes, preferencialmente, cer-
como os que fazemos ao andar de um lado para o outro. tos estímulos do meio.
Inclui atividades muito sutis, como perceber, pensar, con-
Uma melhor forma de conduzir o ensino é a de
ceber e sentir. A Psicologia se ocupa de todas as atividades
Capítulo 1 21

saber como o outro percebe o seu mundo. Na manifestação das emoções, há três indicadores
que são utilizados para identificar as emoções:
A percepção supõe as sensações acompanhadas
dos significados que lhes atribuímos como resul- a. Relatos verbais;
tado da nossa experiência anterior. Na percepção, b. Observação do comportamento;
nós relacionamos os dados sensoriais com nossas c. Indicadores fisiológicos.
experiências anteriores, o que lhes confere signi-
ficado (mecanismo de interpretação de informa- Nas palavras de Braghirolli,
ções). De suma importância para o processo do
ensino-aprendizagem é o conhecimento dos deter- “a maioria dos estudiosos admite dois aspectos em toda
minantes da percepção que podem ser classifica- emoção: a experiência individual, interna e a expressão
dos em: a) mecanismos do percebedor, ou seja, os comportamental, externa”.
órgãos receptores, os nervos condutores e o cére-
bro; b) as características do estímulo e c) o estado

Fonte: [Link]-
psicológico de quem percebe.

A motivação caracteriza-se pela energia relativa-

[Link]/2008/12..
mente forte despendida e por estar dirigida para
um objetivo ou meta. Saliente-se que, na motiva-
ção, como explicita Braghirolli (2001, p. 90), faz-se
presente um “motivo uma condição interna relati-
vamente duradoura que leva o indivíduo ou que o
predispõe a persistir num comportamento orienta-
do para um objetivo, possibilitando a transforma- Outra categoria importantíssima no estudo do
ção ou a permanência da situação”. comportamento humano diz respeito à Aprendi-
zagem. Nas palavras de Braghirolli (2001, p. 117):
A motivação consiste em apresentar a alguém estímulos e
incentivos que lhe favoreçam determinado tipo de condu- “A aprendizagem é um dos temas mais estudados pela Psi-
ta. Em sentido didático, consiste em oferecer ao aluno os cologia. A razão deste interesse em investigar o processo
estímulos e incentivos apropriados para tornar a aprendi- de aprender é clara: praticamente todo o comportamento
zagem mais eficaz. (PILETTI, 1991, p. 233). humano é aprendido”
A emoção retrata os complexos estados de excita-
Saliente-se que, ao estudar o tema da aprendiza-
Fonte: [Link].

gem, vamos nos deparar com um problema: a ques-


tão da sua definição.
com/2009/11/motiva...

Ainda nas palavras de Braghirolli, ‘para conceituar


aprendizagem, portanto, é preciso referir-se às suas
consequências sobre a conduta. A aprendizagem
promove uma modificação no comportamento.
Quando alguém aprende alguma coisa, seu com-
portamento fica alterado em algum aspecto, mes-
ção de que participa o organismo todo. Conforme mo que a mudança não se evidencie imediatamen-
as palavras de Braghirolli (2001, p. 108): te’. Isso vem justificar a importância na forma de
“O termo emoção é usado também para significar os sen-
conduzir o processo de ensino-aprendizagem. Uma
timentos e os estados afetivos em geral, mas alguns autores boa didática possibilita um aprendizado mais con-
preferem atribuir significados diferentes aos termos emo- sistente.
ção e sentimento”.
Os tipos de aprendizagem e suas implicações no
De suma importância, no âmbito do processo en- ensino e na ação didática serão considerados no
sino-aprendizagem, é o conhecimento dos estados Terceiro Capítulo do nosso trabalho. Saliente-se
emocionais e sentimentais que formam a afetivi- que o estudo sobre a aprendizagem no âmbito da
dade. educação tem importância fundamental.
22 Capítulo 1

Nas palavras de Braghirolli,

‘a maioria dos

Fonte: Fonte: [Link].d3estudio.


estudiosos esta-
belece dois crité-
rios para ajudar
a discriminar
as mudanças de
comportamento
promovidas pela
aprendizagem da-

Fonte: [Link]/.../sociologia/[Link]
quelas que não o

[Link]/wp-co...
são: deverão ser
(a) relativamente
duradoura e (b)
devidas a alguma
experiência ou treino anterior’.

Outra ciência que tem um peso imenso sobre a


ciência da didática é a Sociologia. Nas palavras de
Evaldo Vieira (1996, p. 27):

‘A Sociologia dedica-se a analisar os seres em seus vínculos


de interdependência e, assim, em suas relações sociais, se-
jam eles pertencentes à vida vegetal, animal ou humana’.

Um olhar sobre a dinâmica da sociologia aplicada SAIBA MAIS!


a e Sociolo-
da Psicologia, Filosofi
à educação nas palavras de Aranha (1996, p. 149) Sobre a importância es metodo-
ática e suas implicaçõ
gia no âmbito da Did
‘privilegia a atitude descritiva e volta-se para o exame dos lógicas.
atch?v=_
elementos reais, tais como a análise da inserção da escola [Link]/w
em determinado campo da realidade, os instrumentos uti- h t t p : / / w w w. y
e=related
lizados, o caráter das instituições escolares, a herança social CGu08gXTC4&Featur
ocmWXPA&Fe
.com/watch?v=YpC
(tradições, ideias, técnicas etc. )’. [Link]
ature=related
Daí a clássica definição dada por Émile Durkheim KOM4Qo
.com/watch?v=g5ECF
[Link]
3FFgI
“A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre .com/watch?v=5YBJ9H
[Link]
as gerações que não se encontram ainda preparadas para a
TbwNQ&Fea
.com/watch?=TdpKcg
vida social”. [Link]
ture=related
Então, percebe-se que o estudo da Sociologia como
uma das Ciências Sociais, igualmente pode contar
TARES
com conhecimento gerado em meio a dificulda- TEXTOS COMPLEMEN
da Didática
des, dúvidas e problemas. Para uma interpretação nto sobre a Ciência
Para um aprofundame a tem áti ca nos livros
mais consistente da dinâmica do processo de ensi- ecíficos sobre
pesquisar textos esp
no-aprendizagem, a ciência sociológica tem papel e Links relacionados
preponderante. b?t=020
[Link]/amb_a.ph
htt://[Link]
dagogia-e -
Para Durkheim, [Link]/trabalhos3/pe
htt://BR .monografia l
e-didatica.sh7m
didática/pedagogia-
‘a educação satisfaz, antes de tudo, as necessidades sociais e
salta aos olhos que toda educação consiste num esforço con- Livro para consulta: Passos Alen-
Suas Relações/ Ilma
tínuo para impor à criança maneiras de ver, de sentir e de Didática: O Ensino e SP: Pa pir us , 1996, - (co-
Campinas,
castro Veiga (org.) – dagógico).
agir às quais a criança não teria espontaneamente chegado’. rmação e Trabalho Pe
leção Magistério: Fo
Capítulo 1 23

Atividade | As ciências estão subsidiando a Didática, ao mesmo tempo em que estabelecem relações
entre si. Ao decidir por uma situação de ensino, define-se que homem se deseja formar, que relação
entre o que se ensina, a quem, como e com o que se ensina são interdependentes na dimensão didá-
tica da escolha do professor. Em que esses elementos interferem no projeto de ser professor, com os
saberes necessários a sua profissão, numa época e espaço contextual do exercício docente.

Pesquise um teórico que estude a Didática no cotidiano da educação escolar. Selecione artigos de inte-
resse e links de entrevistas. Enriqueça nosso fórum com suas contribuições de estudo. Vamos formar
um grupo de estudo com a temática de nosso fórum.

Estaremos juntos no debate. Vamos lá!

RESUMO

Vimos, ao longo do capítulo, os Fundamentos e a Evolução Histórica da Didática. Uma


questão fundamental para compreensão do fenômeno educacional é perceber o dinamis-
mo nas diversas esferas do movimento do processo ensino-aprendizagem.

Num olhar crítico-reflexivo sobre a didática -‘arte de ensinar’ - observou-se que não se deve
moldar num formato único esse estudo no plano educacional. A vertente do trabalho didáti-
co acontece na dinâmica pedagógica, num perspectivismo não-linear proporcionando, as-
sim, uma brecha na forma de conduzir assertivamente a ciência educacional. Nesse trilhar
sobre os fundamentos históricos da didática, percebeu-se a singularidade da importância
que o educador deve ter com a ciência da didática. Para sinalizar melhor numa prática
consistente o seu trabalho pedagógico, faz-se necessário conhecer algumas vertentes no
direcionamento nas diversas etapas e olhares nesse trajeto da dimensão histórico-dialético
da didática. Deixar à margem essa sistemática é descaracterizar um enfoque efetivo do que
se entende por didática, sendo uma disciplina técnica e que tem como objeto específico a
técnica de ensino (direção técnica da aprendizagem), requer um olhar crítico-reflexivo no
desdobramento dos fundamentos históricos.

REFERÊNCIAS PILETTI, Claudino. Didática Geral. São Paulo:


Ática, 1991.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da
Educação. São Paulo: Moderna, 1996. MARTINS, José Salgado. Preparação à Filoso-
fia. Porto Alegre: Editora Globo, 1969.
BRAGHIROLLI, Elaine Maria. Psicologia Geral.
Porto Alegre: Vozes, 2001. STRECK, R. Danilo (Org.). Paulo Freire: Ética,
Utopia e Educação. Rio de Janeiro: Vozes,
VIEIRA, Evaldo. Sociologia da Educação. São 2001.
Paulo: FTD, 1996.
HAIDT, Regina Célia Cazau. Curso de Didática
Geral. São Paulo: Ática, 2006.
GLOSSÁRIO
LIBÂNIO, José Carlos. Didática. São Paulo:
Cortez, 1990. Alegoria da caverna – representa a dimensão que tem o
poder do conhecimento na vida humana. O filósofo Pla-
OZMON, A. Howard; CRAVER, M. Samuel. tão explicitou, de forma magistral, no seu sistema filosó-
Fundamentos Filosóficos da Educação. São fico – idealismo. Na alegoria da caverna, Platão retratou
prisioneiros acorrentados em um mundo de escuridão,
Paulo: Artmed, 2004.
24 Capítulo 1

vendo apenas sombras distantes na parede de uma ca- de uma preocupação com o mundo material para uma
verna que entende como sendo a realidade. O mito da preocupação com o mundo das ideias.
caverna representa, de forma metafórica, a dimensão e
importância da dialética como método no pensamento Psyché – de uma maneira geral, pode-se definir como
idealista de Platão. Alma. Na psicologia, a palavra psyché retrata como a ci-
ência da alma ou do espírito.
Apologia - Diálogo de Platão, que retrata a história da
condenação, defesa e morte de Sócrates. Reminiscência – mito da reminiscência, narra o conto se-
guinte: As almas humanas, antes de viverem neste mundo
Aristóteles – nasceu em 385 a. C. em Estagira; em 367, e de se alojarem cada uma delas num corpo de homem,
vai estudar em Atenas, tornando-se um dos mais brilhan- viveram em outro mundo, viveram no mundo onde não há
tes discípulos de Platão. homens, nem coisas sólidas, nem cores, nem odores, nem
nada que passe e mude, nem nada que flua no tempo e
Comênius – Jan Amos Seges Comênius (1592-1670), filó- no espaço. Viveram num mundo de puras essências inte-
sofo e educador de um estilo próprio, nasceu na Morávia, lectuais, no mundo das ideias.
foi talvez o pedagogo mais significativo do século XVII.
Sua obra a Didática Magna continua sendo referência na Santo Agostinho – filho de Patricius e Monnica. Nasceu
educação. em 13 de novembro de 354, em Tagasta e morreu em 28
de agosto de 430, em Hipona. Pode-se afirmar que Santo
Dialética – primitivamente, arte do diálogo e da discus- Agostinho sistematizou a doutrina cristã. Sua vida é excep-
são. Habilidade para discutir por meio de perguntas e cionalmente conhecida para um homem da Antiguidade,
respostas. Arte de dividir as coisas em gênero e em es- graças as suas Confissões, as suas numerosas obras, à
pécies. Tendo a Dialética, segundo Platão, como efeito revisão que fez delas no fim da vida, a sua correspondên-
remontar de conceitos em conceitos, de proposições em cia e aos sermões bem como à biografia escrita pouco
proposições, até os conceitos mais gerais e os primeiros depois de sua morte.
princípios que têm para ele valor ontológico.
Sócrates – filósofo grego do século IV a. C. Considera-
Dóxa – na filosofia de Platão, Dóxa significa opinião. O do o divisor de água entre o estudo da filosofia antes e
conhecimento presente no mundo imanente. depois. Quando se afirma os filósofos Pré-socráticos são
os filósofos antes de Sócrates e Pós-Socráticos depois de
Episteme – na filosofia de Platão, Episteme significa a di- Sócrates. Precursor do método filosófico conhecido como
mensão transcendente; no mundo das ideias, encontra-se maiêutica ou ironia.
a epistéme = ciência, verdade.

Epistemologia – a palavra inglesa epistemology é fre-


quentemente utilizada (contrariamente à etimologia) para
designar o que chamamos ‘teoria do conhecimento’ ou
‘gnosiologia’. Esta palavra designa a filosofia das ciên-
cias, mas com um sentido mais preciso.

Estagira – cidade onde nasceu o filósofo Aristóteles, ci-


dade de língua grega da Macedônia, motivo pelo qual é
chamado, por vezes, de estagirita.

Hipona – A mediterrânea Hipona Régia (hoje Anaba, na


Argélia), uma cidade importante no mundo romano. Falar
de Hipona é lembrar o filósofo-teólogo Santo Agostinho,
o Bispo de Hipona, que enfocou, em suas ideias, a dimen-
são da razão e as paixões.

Maiêutica – método filosófico utilizado pelo filósofo Só-


crates no exercício do filosofar. A Maiêutica significa par-
tejar a dimensão espiritual ou as ideias.

Platão – filósofo grego (427-347 a.C), que foi inicial-


mente um discípulo de Sócrates e permaneceu um ardente
admirador deste durante toda sua vida. Platão via a dialé-
tica como um veículo para auxiliar as pessoas a mudarem
2
Capítulo 2 25

Didática e Tendências
Pedagógicas da
Educação Brasileira
Prof. Ms. Roberto José da Silva
Carga Horária | 15 horas

Objetivos Específicos
• Compreender, no âmbito da Ciência Didática, a importância das tendências
pedagógicas da educação brasileira;

• Refletir, criticamente, sobre a tendência liberal e progressista na dinâmica


didática e no processo do ensino- aprendizagem;

• Identificar as categorias epistemológicas na evolução histórica das tendências


pedagógicas.

Introdução
Neste capítulo, inicia-se um estudo sobre as tendências pedagógicas da educação
brasileira e sua evolução histórica, configurando com especificidade as tendên-
cias de cunho liberal e progressistas. De suma importância, o enfoque sobre as
tendências pedagógicas, uma vez que, a partir desses conceitos, pode-se compre-
ender melhor o fenômeno educacional, com especificidade a ciência da didática
no âmbito do processo de ensino-aprendizagem.

1. Tendências Pedagógicas na Prática Educacional


Tem valor singular o conhecimento das Tendências Pedagógicas para uma refle-
xão mais consistente da prática educacional. O educador precisa estar atento à
dimensão sócio-histórico-político-cultural e suas implicações na prática educa-
cional para situar melhor o objeto de seu estudo. Conhecer esse dinamismo no
âmbito da educação e da prática pedagógica tem valor imenso para uma leitura
mais percuciente do processo histórico da Didática e de sua ligação com o apare-
cimento do ensino.

As palavras de Libânio (1994, p. 64) retratam que

“Nos últimos anos, diversos estudos têm sido dedicados à história da Didática no Brasil, suas
relações com as tendências pedagógicas e à investigação do seu campo de conhecimentos”.

Isso demarca muito bem a importância que tem o estudo sistemático das tendên-
cias pedagógicas ao longo do processo histórico da educação brasileira. Saliente-
26 Capítulo 2

se ainda que, para uma compreensão da ciência uma concepção da sociedade como um conjunto
didática, se faz necessário enveredar sobre os aspec- de seres humanos que vivem e sobrevivem num
tos da dialética entre Educação e Sociedade. Na todo orgânico e harmonioso. À educação cabe a
palavras de Luckesi (1990, p. 37) explicita que recuperação dessa harmonia perdida. Segundo
esses preceitos, é preciso pela educação, ‘amar a
“Se a educação está eivada de sentido, de conceitos, valores sociedade’.
e finalidades que a norteiam, acreditamos que a primeira
pergunta a ser feita é a que se refere ao próprio sentido e Nas palavras de Luckesi (1990, p, 38),
valor da educação na e para a sociedade”.
“A educação nesse sentido, tem por significado e finalida-
Então, falar de didática é preciso adentrar um de a adaptação do indivíduo à sociedade. Deve reforçar os
pouco sobre alguns conceitos das três tendências laços sociais, promover a coesão social e garantir a integra-
filosófico-políticas para compreender a Educação ção de todos os indivíduos no corpo social”.
num processo mais amplo. No âmbito da Educa-
ção e sociedade, vamos encontrar três tendências Em linhas gerais, observa-se que esse modelo ide-
que demarcam toda uma abordagem sobre as prin- ológico de conceber o processo educacional reper-
cipais tendências pedagógicas na prática escolar. cutiu ao longo de todo trajeto histórico na forma
Por que compreender essas tendências e que sig- de conduzir o ensino-aprendizagem. E a didática
nificância têm para um estudo da didática? É isso não estava separada desse processo, e isso se perce-
que vamos perceber ao longo do texto. be desde os enciclopedistas da Revolução France-
sa (pedagogia tradicional) e os pedagogos do final
Como já sinalizamos acima, falar da prática educa- do século passado (pedagogia nova). O educador
cional é compreender todo dinamismo no campo Dermeval Saviani dá a essa tendência a denomi-
sócio-político e suas implicações na forma de con- nação de ‘teoria não crítica da educação’. Isso fica
duzir o processo de ensino-aprendizagem. Segundo evidente na forma de desconsiderar a contextuali-
Luckesi (1990, p. 37): zação crítica da educação dentro da sociedade da
qual faz parte.
“três grupos de entendimento do sentido da educação na
sociedade podem ser expressos, respectivamente, pelos Na concepção da educação como reprodução da
conceitos seguintes: educação como redenção; educação sociedade, salienta que a educação faz, integral-
como reprodução e educação como um meio de transfor-
mente, parte da sociedade e a reproduz. Noutras
mação da sociedade.
palavras, nesse modelo, ela faz uso da ‘crítica’, po-
rém reproduz o modelo ideológico da sociedade.
Essa tríade tem valor ímpar para uma compreen- Nas palavras de Aranha (1996, p. 188),
são sistemática das principais tendências pedagó-
gicas brasileiras. “Nas décadas de 60 e 70, diversos teóricos franceses pas-
sam a considerar essa visão da escola ingênua demais e, por
Eis as três tendências filosófico-políticas para com- diversos caminhos, chegam à mesma conclusão: em vez de
preender a Educação e a Ciência da Didática: democratizar, a escola reproduz as diferenças sociais, per-
petua o status quo e, por isso, é uma instituição altamente
Um exemplo típico dessa concepção de educa- discriminadora e repressiva”.
ção como redentora da sociedade está na obra
do pensador Saliente-se que, nessa abordagem da educação
Comênio. como reprodução da sociedade, vamos encontrar
Fonte: [Link]/.../s320/pai_filho.gif

A educação teóricos de renome no campo do pensamento


seria, assim, educacional que influenciaram nossa forma de
uma instância conceber a dinâmica do processo de ensino-apren-
para o seu or- dizagem e de como direcionar melhor o uso da
denamento e didática. Eis alguns expoentes no âmbito da edu-
equilíbrio per- cação: Boudieu e Passeron – a teoria da violência
manentes. O simbólica; Althusser: a teoria da escola como apa-
enfoque dessa relho ideológico de Estado; Baudelot e Establet: a
tendência é teoria da escola dualista.
Capítulo 2 27

Nas palavras de Luckesi, cação tem papel ativo na sociedade nem recusam reconhe-
cer os seus condicionantes histórico-sociais. Ao contrário,
“educação como reprodução da sociedade aborda a educa- consideram a possibilidade de agir a partir dos próprios
ção como uma instância dentro da sociedade e exclusiva- condicionantes históricos”.
mente ao seu serviço. Não a redime de suas mazelas, mas
a reproduz no seu modelo vigente, perpetuando-a, se for Nas palavras de Dermeval Saviani,
possível” (1990, p. 41).
‘Uma teoria do tipo acima enunciado se impõe a tare-
fa de superar tanto o poder ilusório (que caracteriza as
teorias não-críticas) como a impotência (decorrente das
teorias crítico-reprodutivistas), colocando nas mãos dos
educadores uma arma de luta, capaz de permitir-lhe o
exercício de um poder real, ainda que limitado’.

Fonte: [Link]/.../sustentabi-
Fonte: [Link]/blog/fotos/126720post_foto.jpg

[Link]
A partir do exposto, percebe-se que a tendên-
cia da Educação como transformação da so-
ciedade poderá ser denominada de ‘crítica’,
como bem explicita Luckesi (1990, p. 49)

“Assim ela pode ser uma instância social, entre outras,


na luta pela transformação da sociedade, na perspectiva
de sua democratização efetiva e concreta, atingindo os
aspectos não só políticos mas também sociais e econô-
Como já sinalizamos acima, Dermeval Saviani de- micos.”
nomina essa tendência de ‘teoria crítico-reproduti-
vista’ da educação. Então, de importância singular Nessa abordagem, a instância dialética faz-se pre-
para uma leitura crítico-reflexiva da didática é uma sente, abre-se um novo perspectivismo na prática
compreensão dessa tendência filosófico-política educacional, o processo da educação perpassa ago-
no âmbito da sociedade. O educador precisa estar ra por um novo paradigma não mais de forma uni-
atento para essas questões, uma vez que sua forma direcional, linear. Novos caminhos configuram-se
de conceber o processo de ensino-aprendizagem no âmbito da sociedade e, de forma particular, nos
não pode descaracterizar um olhar macro sobre o procedimentos da prática pedagógica, com especi-
perspectivismo educacional. ficidade na dimensão didática.

Outra tendência marcante no âmbito da educação Então, a partir dessas tendências filosófico-políti-
diz respeito à Educação como transformação da cas, percebe-se a importância que elas preconiza-
sociedade. Nessa terceira abordagem, tem-se por ram no contexto epistemológico das diversas peda-
perspectiva compreender a educação como media- gogias e suas práticas cotidianas. Segundo Luckesi
ção de um projeto social. Nos dizeres de Luckesi (1990, p. 51),
(1990, p. 49):
“A nós, tendo compreendido essas tendências, cabe, filo-
“Os teóricos da terceira tendência nem negam que a edu- soficamente (criticamente), descobrir qual a tendência que
orientará o nosso trabalho. O que não podemos é ficar
28 Capítulo 2

sem nenhuma delas, pois, como dissemos, quando não 2. Pedagogia Progressista
pensamos, somos pensados e dirigidos por outros”.
2.1 Libertadora
2.2 Libertária
Tendências Pedagógicas na 2.3 Crítico-social dos conteúdos
Prática Escolar
O termo ‘progressista’, emprestado de Snyders, é
Do que vimos anteriormente, podemos afirmar usado aqui para designar as tendências que, par-
tindo de uma análise crítica das realidades sociais,
que a perspectiva redentora se traduz pelas peda- sustentam implicitamente as finalidades sociopolí-
gogias liberais e a perspectiva transformadora pelas ticas da educação (LUCKESI, p. 63).
pedagogias progressistas. Segundo Luckesi:

“Essa discussão tem uma importância prática da maior

Fonte: [Link].
relevância, pois permite a cada professor situar-se teorica-
mente sobre suas opções, articulando-se e autodefinindo-
se” (1990, p. 53).

com/2008/09/
Fonte: [Link].
br/.../[Link]

SAIBA MAIS!
dagógic as na Prática Educa-
Sobre Tendências Pe
cional, consultan do :
vNBLKY
.com/watch?v=otP7
[Link]
Vamos tratar, de forma sucinta, os dois grupos das 1azqS5t
.com/watch?v=7hm
tendências pedagógicas brasileiras, conforme o [Link]
quadro abaixo: M&Feature=related.
HWS1h
.com/watch?v=VQL
1. Pedagogia Liberal [Link]
d
bWY&Feature=relate
1.1 Tradicional Brasil:
ue da Pedagogia no
1.2 Renovada progressivista Livro sobre um enfoq
1.3 Renovada não-diretiva história e teoria.
1.4 Tecnicista erme-
sil: história e teoria/D
A Pedagogia no Bra tor es As so cia dos,
s, SP: Au
A doutrina liberal apareceu como justificação do val Saviani. – Campina
mória da Educação)
sistema capitalista que, ao defender a predomi- 2008. – (Coleção Me
nância da liberdade e dos interesses individuais da
sociedade, estabeleceu uma forma de organização
social ba-
Fonte: [Link]/img/revistas/ea/v21n61/a17img02.

seada na
proprieda- 2. Pedagogia Liberal
de privada
dos meios Na tendência liberal ou Pedagogia Liberal, observa-
de produ- se um enfoque na preparação dos indivíduos para
ção, tam-
bém de- o desempenho de papéis sociais. Saliente-se que o
nominada termo liberal não tem o sentido de ‘avançado’, ‘de-
sociedade mocrático’. Conforme os dizeres de Luckesi (1990,
de classes p. 54)
(LUCKESI,
p. 54).
“A doutrina liberal apareceu como justificação do sistema
Caricatura de
Rui Barbosa, capitalista que, ao defender a predominância da liberdade
1917. e dos interesses individuais da sociedade, estabeleceu uma
gif
Capítulo 2 29

forma de organização social baseada na propriedade priva- Eis algumas características da Escola Tradicional e
da dos meios de produção”. seu direcionamento Didático:

Isso fica evidente na forma de conduzir todo um a. o ensino humanístico, de cultura geral, no
trajeto no âmbito da educação. O enfoque da pe- qual o aluno é educado para atingir uma meta;
dagogia liberal ainda faz parte do projeto e da prá-
tica da educação brasileira. Historicamente, a edu- b. o mestre detém o saber e a autoridade; essa
cação liberal inicia-se com a pedagogia tradicional, relação é vertical, a passividade do aluno, re-
passando pela pedagogia renovada (escola nova) e, duzido a simples receptor da tradição cultural;
nesse trajeto, chegando na dinâmica da prática tec-
nicista da educação. c. a predominância da palavra do professor, das
regras impostas, do cultivo exlusivamente inte-
Nas palavras de Aranha (1996, p. 138), ele diz: lectual;

“A valorização do homem e da sua capacidade de autono- d. o conteúdo visa à aquisição de noções, dando-
mia e de conhecimento racional foram expressos nos ide- se ênfase ao esforço intelectual de assimilação
ais iluministas, reveladores de um otimismo em relação à
dos conhecimentos;
possibilidade da razão humana de transformar o mundo”.

e. valorização da aula expositiva, centrada no


No âmbito da pedagogia liberal, vamos encontrar professor, com destaque para situações em sala
a Escola Tradicional. Como bem explicita Luckesi de aula;
(1990, P. 55)
f. a avaliação valoriza os aspectos cognitivos.
“Na tendência tradicional, a pedagogia liberal se caracteri-
za por acentuar o ensino humanístico, de cultura geral, no
qual o aluno é educado para atingir, pelo próprio esforço, Em síntese:
sua plena realização como pessoa”.
Nos procedimentos didáticos, não tem nenhuma
Observa-se nesse lema que a prática educativa es- relação com o cotidiano do aluno e muito menos
tava voltada para o direcionamento em que o mes- com as realidades sociais. O papel da escola é o de
tre é quem detém o saber e a autoridade, dirige preparar o aluno (intelectual e moral) para assumir
o processo de aprendizagem, noutras palavras, é o sua posição na sociedade. Os conteúdos de ensino
exemplo a ser seguido. são os conhecimentos e valores sociais acumulados
pelas gerações adultas e repassados ao aluno como
Não é por sadismo que a escola tradicional exige verdades; por meio da exposição verbal da matéria
silêncio e imobilidade, que faz colocar os alunos e demonstração, o mestre prepara o aluno para o
em filas e que concede tanta importância ao apren- desenvolvimento de suas potencialidades. Como
dizado das regras, inclusive ortográficas e gramati- já sinalizamos: no relacionamento professor-aluno,
cais. É porque se apoia sobre uma pedagogia da predomina a autoridade do professor, que exige
disciplina, da antinatureza. É, mais profundamen- atitude receptiva dos alunos; a transferência da
te ainda, porque considera a natureza da criança aprendizagem depende do treino; na avaliação, dá-
originalmente corrompida. (Bernad Charlot). se por verificações em diversas modalidades.

Ressaltem-se as observações de Aranha (1996, p.


162):
Fonte: [Link]/.../
s400/escola_estadual.jpg

“O século XX nasce sob o impacto das idéias escolano-


vistas, mas a educação tradicional continua existindo em
grande parte das escolas, convivendo com diversas outras
tendências”.

Na Escola Renovada Progressista, a viga mestra


desse enfoque continua a explicitar um ensino que
valorize a autoeducação (o aluno como sujeito do
30 Capítulo 2

conhecimento). Nas palavras de Aranha (1996, p. Eis algumas características da Tendência liberal
167), pontua bem essa questão: renovada progressista e seu direcionamento Didá-
tico:
“A pedagogia da existência se volta para a problemática do
indivíduo único, diferenciado, que vive e interage em um a. a finalidade da escola é a de adequar as ne-
mundo dinâmico, daí o caráter psicológico da pedagogia cessidades individuais ao meio social e, para
da existência, segundo a qual a criança é o sujeito da edu-
isso, ela deve se organizar de forma a retratar, o
cação, ocupando o centro do processo (pedocentrismo)”.
quanto possível, a vida. Os preceitos da filoso-
fia de Dewey fazem-se presentes: diferentemen-
Saliente-se que a tendência liberal renovada apre- te da escola tradicional, no entanto, Dewey
senta-se, entre nós, em duas versões distintas: a re- não reserva à escola o destino de simples trans-
novada progressivista, ou pragmatista e a renovada missora da experiência da humanidade, mas
não-diretiva. realça também o papel ativo do aluno;
Como estamos observando, no âmbito da Escola b. na escola renovada, o aluno é o centro do pro-
Renovada Progressista, citando ainda Aranha: cesso, existindo uma preocupação muito gran-
de com a natureza psicológica da criança;
“a criança não mais é considerada ‘inacabada’, uma minia-
c. as noções gerais não seriam transmitidas pelo
tura do adulto, um adulto incompleto e por isso precisa
ser atendida segundo as especificidades de sua natureza
professor, pois a abstração deve resultar da ex-
infantil”.
periência do próprio aluno. Nas palavras de
Luckesi (1996, p. 58), “À escola cabe suprir as
Saliente-se que, nesse enfoque, os antecedentes experiências que permitam ao aluno educar-
do ideário escolanovista já estavam presentes nas se num processo ativo de construção e recons-
obras de Comênius, Rousseau, Pestalozzi e Froe- trução do objeto, numa interação entre estru-
bel. Não esquecendo a importância da corrente turas cognitivas do indivíduo e estruturas do
do pragmatismo, com especificidade o enfoque de ambiente”;
Dewey sobre a educação e a Didática. Para Dewey,
a vida, experiência e aprendizagem não se separam, d. na escola nova, tem-se por princípio o ‘apren-
por isso cabe à escola promover por meio da edu- der fazendo’; a escola não está voltada apenas
cação a retomada contínua dos conteúdos vitais. para o intelecto – deve priorizar também, no
processo do ensino-aprendizagem, as catego-
Obtém-se interesse, exatamente, não se pensando rias: sentimentos, emoções e ação.
e não se buscando conscientemente consegui-lo;
mas, ao invés disso, promovendo as condições que e. o conhecimento resulta da ação a partir dos
o produzem. Se descobrirmos as necessidades e as interesses e necessidades; os conteúdos de
forças vivas da criança, e se lhe pudermos dar um ensino são estabelecidos em função de experi-
ambiente constituído de materiais, aparelhos e re- ências que o sujeito vivencia frente a desafios
cursos – físicos, sociais e intelectuais – para dirigir cognitivos e situações problemáticas;
a operação adequada daqueles impulsos e forças,
não temos que pensar em interesse. Ele surgirá f. a avaliação é compreendida como um processo
naturalmente. Porque então a mente se encontra válido para o próprio aluno, não para o profes-
com aquilo de que carece para vir a ser o que deve. sor. Noutras palavras, o enfoque no processo
(J. Dewey). avaliativo considera a dinâmica dos aspectos
psicológicos, toda dimensão comportamental
Fonte: [Link]/.../uploads/2009/08/

Escreva na do sujeito no processo de ensino-aprendiza-


lousa a
palavra
Roubaram
o giz
gem;
ÉTICA! professora!
g. como bem explicita Luckesi, “A motivação de-
pende da força de estimulação do problema
e das disposições internas e interesses do alu-
no”. Nas palavras de Libâneo, reforça-se bem
[Link]

essa questão “Esse entendimento da Didática


tem muitos aspectos positivos, principalmente
Capítulo 2 31

quando baseia a atividade escolar na atividade tica volta-se para o desenvolvimento das rela-
mental dos alunos, no estudo e na pesquisa, ções e a comunicação torna secundária a trans-
visando à formação de um pensamento autô- missão de conteúdos. De certa forma, essa
nomo.” tendência tenta facilitar aos alunos os meios
de buscarem por si mesmos os conhecimentos
Outra tendência que segue os princípios da Peda- que, no entanto, são dispensáveis.
gogia Liberal está representada na tendência reno-
vada não-diretiva. Uma tendência orientada para c. no relacionamento professor-aluno e os méto-
os objetivos de autorrealização (desenvolvimento dos utilizados, observa-se, na pedagogia não-di-
pessoa) e para as relações interpessoais, na formu- retiva, uma educação centrada no aluno, prio-
lação do psicólogo norte-americano Carl Rogers. rizando formar a personalidade do educando
Esse direcionamento sobre as categorias compor- por meio da vivência de experiências significa-
tamentais abre um novo modelo de abordagem no tivas que lhe permitam desenvolver caracterís-
processo do ensino-aprendizagem. Agora, com o ticas inerentes à sua natureza. E, nessa linha,
não-diretivismo, o espontaneísmo do outro, a di- os métodos visam facilitar a aprendizagem dos
mensão empática são categorias favoráveis a uma alunos, configurando técnicas de sensibiliza-
mudança dentro do indivíduo, isto é, a uma ade- ção nas quais os sentimentos de cada um pos-
quação pessoal às solicitações do ambiente. sam ser vivenciados, sem conflitos.

Rogers sustentava que o organismo humano – as- d. observa-se que a ênfase sobre os aspectos moti-
sim como todos os outros, incluindo o das plan- vacionais sinaliza sobre o desejo de adequação
tas – possui uma tendência à atualização, que tem pessoal na busca da autorrealização.
como fim a autonomia. Na teoria rogeriana, essa é
a única força motriz dos seres vivos. Noutras pala- No âmbito da doutrina liberal, saliente-se o enfo-
vras: no enfoque da linhagem psicológica rogeria- que da tendência liberal tecnicista, nas palavras de
na – o não-diretivismo tem como tarefa na relação Libânio (1994, p. 64) que enfatiza que
professor-aluno, em que o primeiro (o professor)
abre o caminho para que o aluno aprenda o que “embora seja considerada como uma tendência pedagó-
quiser. gica, inclui-se, em certo sentido, na Pedagogia Renovada.
Desenvolveu-se no Brasil, na década de 50, à sombra do
progressivismo, ganhando, nos anos 60, autonomia, quan-
Fonte: [Link]/_T-PpU8yEu-

do se constitui especificamente como tendência, inspirada


na teoria behaviorista da aprendizagem”.

A organização escolar tem um papel preponderante


no processo de aquisição de habilidades, atitudes e
CQ/SK3o6mqZilI/AA...

conhecimentos específicos, úteis e necessários para


que os indivíduos se integrem na máquina do siste-
ma social global. Nas palavras de Luckesi,

“a subordinação da educação à sociedade, tendo como fun-


ção a preparação de recursos humanos”.
Nessa linha de pensamento, eis algumas caracterís-
ticas da Tendência liberal renovada não-diretiva e
seu direcionamento Didático:

a. enfatiza o papel da escola na formação de


atitudes. Como bem explicita Luckesi, ‘razão
pela qual deve estar mais preocupada com os
Fonte: [Link]

problemas psicológicos do que com os pedagó-


gicos ou sociais’;

b. outra característica fundante diz respeito aos


conteúdos de ensino; o cerne dessa problemá-
32 Capítulo 2

Eis algumas características da Tendência Liberal “apareceu como justificação do sistema capitalista que, ao
Tecnicista e seu direcionamento didático: defender a predominância da liberdade e dos interesses
individuais da sociedade, estabeleceu uma forma de orga-
nização social baseada na propriedade privada dos meios
a. o essencial não é o conteúdo da realidade,
de produção, também denominada sociedade de classes”.
mas, as técnicas (forma) de descoberta e aplica-
ção;

b. no que tange aos conteúdos de ensino, obser- SAIBA MAIS!


eral consultar os links
va-se uma ênfase sobre as informações, princí- Sobre a Pedagogia Lib
gogia_li-
pios científicos, leis etc.. Nessa linha de pensa- /site/ged0611/peda
[Link]
mento, a sinalização na tecnologia é evidente.
beral
Conforme explicita Luckesi, “a tecnologia edu- DdkdCo
.com/watch?v+9weER
cacional é a aplicação sistemática de princípios [Link]
s Poetas Mortos
científicos comportamentais e tecnológicos a O filme Sociedade do
problemas educacionais, em função de resul- sor
tados efetivos, utilizando uma metodologia e O carismático profes
ing lês Joh n Ke atin
de
abordagem sistêmica abrangente”; (ROBIN WILLIANS) ch
e-
lec ion ar em um
ga para
ra
c. no relacionamento professor-aluno, observa-se Tradicional colégio pa
mé tod os
que o professor desempenha a incumbência de rapazes. Com
co nv en cio na is,
pouco
ser um elo de ligação entre a verdade científica ns for ma a rot ina
ele tra
e o aluno. Noutras palavras: há uma predomi- a a
da Escola e despert
lite rat ura
nância nos cursos de formação de professores paixão pela
s alu no s. Ch eio
o uso de manuais didáticos de cunho tecni- em seu
hu mo r e sa be do ria,
cista, de caráter meramente instrumental – o de
ra-
Keating inspira os
professor administra e executa todo um plane- pazes a seg uir em seu s
jamento para atingir objetivos; os e viv ere m int en -
sonh
d. aprender é uma questão de modificação do samente.
desempenho; isso retrata muito bem o foco
dos livros didáticos em uso nas instituições de
ensino que são elaborados com base na tecno-
logia do instrucionismo; 3. Pedagogia Progressista
e. saliente-se que o método utilizado nessa ten- Nessa abordagem, observa-se uma análise crítica
dência retrata a transmissão dos conhecimen- das realidades sociopolíticas no âmbito da educa-
tos com base no paradigma taylorista, que ção, evidenciando uma linha de pensamento em
supõe a divisão de tarefas entre os diversos téc- que configura um perspectivismo não-linea. Nas
nicos de ensino que estão incumbidos do pla- palavras de Luckesi (1994, p. 63),
nejamento racional do trabalho educacional.
Como bem explicita Aranha (1996, p. 175) “O termo progressista, emprestado de Snyders, é usado
“São valorizados os meios didáticos da avança- aqui para designar as tendências que, partindo de uma
análise crítica das realidades sociais... daí ser ela um ins-
da tecnologia educacional, como a utilização
trumento de luta dos professores ao lado de outras práticas
de filmes, slides, máquinas de ensinar, telen-
sociais”.
sino (ensino a distância), módulos de ensino,
computadores etc.”
Fica bem configurada essa analítica nas palavras do
educador Georges Snyders:
Então, o que se observa é que o enfoque da Pe-
dagogia Liberal e suas diversas modalidades no
A escola só pode triunfar junto dos alunos do povo e fazê-
processo de ensino-aprendizagem, num perspecti- los triunfar, se for capaz de comunicar uma alegria atual
vismo linear, evidenciando no ideário pedagógico àquilo que lhes ensina: o prazer de sentir a emoção de um
de muitos professores, não esquecendo que, no poema, seja ele composto por um escritor ou por eles, de
âmbito da doutrina liberal, como explicita Luckesi desenvolver um raciocínio coerente, de construir e de com-
(1994, p. 54) preender os mecanismos, o sentimento de ter uma visão
Capítulo 2 33

mais segura dos próprios problemas. Os alunos do povo Na tendência libertadora, a atividade escolar é
pedem que a escola lhes fale deles mesmos e do seu tem- centrada na discussão de temas sociais e políticos;
po, do seu mundo e das suas lutas – o que implica uma poder-se-ia falar de um ensino centrado na realida-
conexão direta entre o movimento social e o que se passa
de social, em que educador e educando analisam
na escola: desse modo, vai-se muito longe na exigência de
transformação.”
problemas e realidades do meio sócio-econômico e
cultura. Como já enfocamos o exemplo máximo de
As tendências de cunho progressista são também Paulo Freire sobre os temas geradores para serem
denominadas teorias críticas da educação. Essa al- usados na fase de pós-alfabetização... as palavras ge-
cunha de crítica do modelo educacional porque radoras são instrumentos que, durante o trabalho
focaliza sua abordagem sobre os diversos aspectos de alfabetização, conduzem os debates que cada
que compõem a matriz social e ver a escola como o uma delas sugere à compreensão de mundo.
local de socialização do conhecimento elaborado.
Ou seja, tem como finalidade precípua em formu- Nas palavras de Luckesi (1994, p. 65),
lar propostas e desenvolver estudos no sentido de
“Os métodos de ensino como ato de conhecimento o pro-
tornar possível uma escola articulada com os inte- cesso de alfabetização de adultos demanda, entre educa-
resses concretos do povo. Conforme os dizeres de dores e educandos, uma relação de autêntico diálogo... O
Luckesi (1994, p. 64), professor é um animador que, por princípio, deve ‘descer’
ao nível dos alunos, adaptando-se às suas características e
“A pedagogia progressista tem-se manifestado em três ten- ao desenvolvimento próprio de cada grupo”.
dências: a libertadora, mais conhecida como pedagogia de
Paulo Freire; a libertária, que reúne os defensores da au-
togestão pedagógica e a crítico-social dos conteúdos que,
diferentemente das anteriores, acentua a primazia dos con-

Fonte: [Link]/f/Method_Paulo_
teúdos no seu confronto com as realidades sociais”.

No âmbito da Pedagogia Progressista, vamos en-


contrar a tendência libertadora. Conforme as pa-
lavras de Libânio (1994, p. 69)

“A Pedagogia Libertadora não tem uma proposta explícita


de Didática, e muitos dos seus seguidores, entendendo que
toda didática resumir-se-ia ao seu caráter tecnicista, instru-
mental, meramente prescritivo, até recusam admitir o pa-
pel dessa disciplina na formação dos professores”.

Saliente-se que o grande precursor da tendência li-


bertadora na educação foi o pensador Paulo Freire.
O pensamento filosófico de Paulo Freire tem uma Eis algumas características da tendência progressis-
característica singular. O filósofo soube imprimir ta libertadora e seu direcionamento didático:
uma leitura crítico-reflexiva da realidade existencial
do homem no seu mundo sócio-político-cultural. a. empregada com muito êxito, em vários setores
O método Paulo Freire de alfabetização de adultos dos movimentos sociais, como sindicatos, as-
alcançou reper- sociações de bairro,
cussão nacional e comunidades religio-
Fonte: [Link]/2008/10/

internacional na R sas;
LIAR E ALIZ
época. A questão AVA AR

singular desse mé- IZA


R b. o trabalho esco-
AN
todo é o resgate OR
G INVES
TIGAR lar não se assenta,
da realidade so- priorit ariamente,
cial que se vive e a nos conteúdos de
da palavra escrita ensino; outras práti-
que a retraduz. R cas, entretanto, estão
NCIA DETEC
ENU TAR presentes em ques-
[Link]
34 Capítulo 2

tões da realidade social; Então, o que se percebe, nesse enfoque, é uma


resistência à autoridade, ou mais exatamente um
c. o resgate do universo vocabular da localidade autoritarismo da escola hierarquizada, magistro-
fica visível no pensamento de Paulo Freire (re- cêntrica, esclerosada em modelos, impregnada de
presentante máximo dessa tendência), uma lei- dogmas e regras, identificada de forma pejorativa a
tura crítica e o chamamento para que os pro- uma ‘escola-quartel’.
fessores não ‘achem’ que ensinar é transferir
conhecimentos; Conforme as palavras de Aranha (1996, pp. 183-
184), ele diz:
d. orientação pedagógico-didática especificamen-
te escolar, compatível com a idade, o desenvol- “Quando falamos de instituição, entendemos, de imedia-
vimento mental e as características de aprendi- to, as formas sociais enquanto assumem uma organização
zagem das crianças e dos jovens; duradoura, como a escola, o casamento, a família, o direito
e assim por diante. No entanto, esse sentido está muito
distante daquele que evidentemente interessaria a um pe-
e. no âmbito da aprendizagem, a codificação-
dagogo autiautoritário.O termo instituição também pode
decodificação e problematização da situação ser entendido a partir do caráter dinâmico de qualquer
– com ênfase na forma de conduzir, esse mé- agrupamento humano, cujo conjunto de forças se oferece
todo (Paulo Freire) ocorre por meio das ideias à análise”.
de um diálogo entre educador e educando, no
qual há sempre partes de cada um no outro, Como vimos, essa análise e crítica sobre o mode-
ou seja, nesse diálogo, existe o espaço de res- lo institucional foram a matriz e a preocupação da
peito que permite ao outro apresentar-se de tendência da pedagogia libertária.
forma autêntica (o vivido e o pensado).
Para se ter uma ideia dessa abordagem no âmbi-
Outra tendência marcante na ‘Pedagogia Progres- to do processo educacional e da prática didática,
sista’ é a Progressista libertária. Nas palavras de Lu- Michel Lobrot, um dos mais significativos repre-
ckesi (1994, p. 67), ele nos diz sentantes da pedagogia institucional, citado por
Aranha, enfatiza o princípio da autogestão:
“A Pedagogia libertária espera que a escola exerça uma
transformação na personalidade dos alunos num sentido
“o princípio consiste em confiar aos alunos tudo o que
libertário e autogestionário”. é possível lhes confiar, isto é, não a elaboração dos pro-
gramas ou a decisão dos exames, que não dependem nem
Saliente-se que, do ponto de vista didático, essa do docente nem de seus alunos, mas o conjunto da vida,
tendência sinaliza uma ‘leitura num sentido ex- das atividades e da organização do trabalho dentro desse
pressamente político’. Noutras palavras: num pers- âmbito”.
pectivismo não-linear dinamiza, no sistema edu-
cacional, o despertar para uma análise crítica da Conforme as palavras de Aranha (1996, p. 184) no
realidade institucional, uma autogestão na forma seu texto sobre as repercussões e críticas:
de conduzir bem o trabalho pedagógico.
“Os movimentos libertários, muitas vezes, têm di-
A Pedagogia libertária, ficuldade em manter viva sua atuação pelo próprio
na sua modalidade espírito que emana de suas idéias, ou seja, contrários
a toda burocracia, recusando o instituído, negando
mais conhecida entre
Fonte: [Link]/.../s400/[Link]

a delegação de poder a representantes, geralmente


nós, a ‘pedagogia insti-
não têm como manter viva a organização... As idéias
tucional’, pretende ser anarquistas permeavam as denúncias do afastamen-
uma forma de resistên- to do homem comum dos centros de decisão, e as
cia contra a burocra- maiores reinvidicações vinham acompanhadas das
cia como instrumento palavras-chave: autonomia, diálogo e autogestão”.
da ação dominadora
do Estado, que tudo Sem entrar no mérito da questão, o que
controla (professores, se observa na Pedagogia libertária é uma
programas, provas etc), forma de resistência contra a burocracia
retirando a autonomia. como instrumento da ação dominadora do
Capítulo 2 35

Estado. Não esquecendo que todo aparato do Esta- Crítico-social dos conteúdos. Enfatiza essa ten-
do reproduz, na sua dinâmica e encaminhamento, dência no âmbito do processo do ensino apren-
todo um trabalho pedagógico em que a Didática dizagem, com especificidade no direcionamento
e seu objeto (direção técnica da aprendizagem) re- didático, a difusão de conteúdos é a tarefa primor-
produzem enfaticamente. dial. Conteúdos que estejam em conexão com a
realidade vivida pelos educandos em sua ‘prática
Eis algumas características da Tendência Progres- concreta’, sua existencialidade. Uma questão sin-
sista Libertária e seu direcionamento didático: gular nesse enfoque retrata a importância da garan-
tia a todos um bom ensino, isto é, a apropriação
a. Nos conteúdos de ensino, as matérias são colo- dos conteúdos escolares básicos que tenham resso-
cadas à disposição do aluno, mas não são exigi- nância na vida dos alunos.
das. O que importa nesse enfoque, conforme
observações de Luckesi (1994, p. 67) “são os Como explicita Libâneo (1990, p. 70)
conteúdos que resultam de necessidades e in-
teresses manifestos pelo grupo e que não são, “Para a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos, a escola
necessária nem indispensavelmente, as maté- pública cumpre a sua função social e política, asseguran-
rias de estudo”; do a difusão dos conhecimentos sistematizados a todos,
com condição para a efetiva participação do povo nas lutas
sociais. Não considera suficiente colocar como conteúdo
b. Como já salientamos, a dinâmica central da
escolar a problemática social cotidiana, pois somente com
Tendência Libertária é o enfoque sobre o mé- o domínio dos conhecimentos, habilidades e capacidades
todo de ensino em que, na vivência grupal, na mentais podem os alunos organizar, interpretar e reelabo-
forma de autogestão, na própria instituição, rar as suas experiências de vida em função dos interesses
os educandos buscam suas próprias iniciativas de classe”.
sem qualquer forma de poder. Como bem en-
fatiza Luckesi, “colocar nas mãos dos alunos Nessa analítica, percebe-se que a educação é uma
tudo o que for possível: o conjunto da vida, forma de mediação no seio da prática social global,
as atividades e a organização do trabalho no ou seja, num perspectivismo dialético, a relação
interior da escola (menos a elaboração dos professor-
programas e a decisão dos exames que não de- aluno se

Fonte: [Link]/files/ZIHZcGulKo-
pendem nem dos docentes nem dos alunos)”; estabelece
numa vi-
c. Outra característica fundante da tendência li- são sinté-
bertária diz respeito à relação professor-aluno. tica, mais

hQyeYOwKfYgzfw9l..
Ao professor cabe a função de ‘conselheiro’ e, organizada
outras vezes, de instrutor-monitor à disposição e unificada
do grupo. Cabe ao aluno, de certa forma, fazer no proces-
uso da liberdade de decisão diante das situa- so educa-
ções-problemas. Conforme as observações de cional.
Luckesi “Em nenhum momento, esses papéis
do professor se confundem com o de ‘mode- A dimensão progressista crítico-social dos conte-
lo’, pois a Pedagogia libertária recusa qualquer údos estabelece e atribui grande importância aos
forma de poder ou autoridade”; aspectos didáticos, cujo objeto de estudo é o pro-
cesso de ensino nas suas relações e ligações com a
d. A ênfase na aprendizagem informal é o dire- aprendizagem. O ato de ensinar e aprender forma
cionamento da tendência libertária, indo de uma unidade, mas cada uma tem a sua especifici-
encontro a toda forma de repressão. Nessa dade. Como enfatiza Luckesi (1994, p. 70)
linha de pensamento, os aspectos motivacio-
nais giram em torno dos interesses dentro da “a atuação da escola consiste na preparação do aluno para
própria vivência do grupo, despertando suas o mundo adulto e suas contradições, fornecendo-lhe um
aspirações e necessidades. instrumental, por meio da aquisição de conteúdos e da
socialização, para uma participação organizada e ativa na
Outra abordagem na linhagem da Pedagogia Pro- democratização da sociedade”.
gressista faz-se presente na Tendência Progressista
36 Capítulo 2

Enfatize-se que o ponto fulcral dessa abordagem na seguida, a consciência dessa prática no sentido
dinâmica do processo educacional é a democrati- de referi-la aos termos do conteúdo proposto,
zação dos projetos políticos pedagógicos, ou seja, na forma de um confronto entre a experiência
prioriza uma leitura histórico-dialética no processo e a explicação do professor. Vale dizer: vai-se
formativo do cidadão. da ação à compreensão e da compreensão à
ação até a síntese, o que não é outra coisa se-
Vale ressaltar ainda as palavras de Libâneo (1994, não a unidade entre a teoria e a prática”.
p. 70) sobre os fundamentos da didática,
d. Por fim, no âmbito da didática, a relação pro-
“A Didática tem como objetivo a direção do processo de fessor-aluno dá-se de forma dialética, as trocas
ensinar, tendo em vista as finalidades sócio-políticas e pe- experienciais têm um peso singular, uma vez
dagógicas e as condições e meios formativos; tal direção, que os conteúdos produzidos em sala de aula
entretanto, converge para promover a auto-atividade dos
são frutos de uma contextualização histórico-
alunos, a aprendizagem”.
cultural e vivenciados na prática dialógica.
Como sinaliza Luckesi (1994, p. 72) “Apren-
Noutras palavras, o paradigma da Tendência Crí- der, dentro da visão da pedagogia dos conte-
tico-Social dos conteúdos visa superar o dualismo údos, é desenvolver a capacidade de processar
das abordagens da Pedagogia Tradicional e da Es- informações e lidar com os estímulos do am-
colanovismo. biente, organizando os dados disponíveis da
experiência”. Não esquecendo que o desenho
Eis algumas características da tendência crítico-so- básico dessa abordagem sinaliza, numa arti-
cial dos conteúdos e seu direcionamento didático: culação do político e do pedagógico, aquele
como extensão deste, ou seja, a educação está
a. Postula para o ensino a tarefa de propiciar aos a serviço de uma possível transformação das
alunos o desenvolvimento de suas capacidades relações de produção dentro do sistema capita-
e habilidades intelectuais mediante a transmis- lista.
são e assimilação ativa dos conteúdos. Como
bem enfatiza Luckesi (1994, p. 70), “nessa
abordagem os conteúdos culturais universais
que se constituíram em domínios de conhe-
cimento relativamente autônomos, incorpora-
dos pela humanidade, mas permanentemente SAIBA MAIS!
reavaliados face às realidades sociais”;
gressista
Sobre a Pedagogia Pro
.htm
b. Sobre a aquisição dos conhecimentos, enfati- com./arteducesp174
[Link]
za Libâneo (1994, p. 70) “Os conhecimentos
atch?v=7n2mw9iF5S
teóricos e práticos da didática medeiam os vín- [Link]
m /
culos entre o pedagógico e a docência; fazem a . y o u t u b e . c o
h t t p : / / w w w
ligação entre o ‘para quê’ (opções político-pe- 4
watch?v=YzVRDCgVS
dagógicas) e o ‘como’ da ação educativa escolar
(a prática docente)”;
REA
LIA R LIZA
R
c. Outro ponto importante diz respeito aos méto- AVA
dos de ensino, os métodos se subordinam aos NI
ZA
R
A
conteúdos, privilegia-se a aquisição do saber, ORG INVESTI
GAR

de um saber vinculado às realidades sociais.


Não se enfatiza um saber artificial nem um
saber espontâneo, o direcionamento é dado
AR
sobre a prática vivida pelos educandos com ENU
NCI DETECTAR

os conteúdos vivenciados pelo educador, não


10/[Link]
desconsiderando um processo dialógico. Ain- .[Link]/2008/
Fonte: [Link]
da nas palavras de Luckesi “uma aula começa
pela constatação da prática real, havendo, em
Capítulo 2 37

Atividade | A partir dos diversos enfoques REFERÊNCIAS


sobre as Tendências Pedagógicas e suas ra-
mificações na prática educacional, pesquise ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da
os principais pontos Didáticos em algumas Educação. São Paulo: Moderna, 1996.
dessas práticas. Leve seus registros ao nosso
fórum, para juntos dialogarmos sobre os di- LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educa-
versos ‘olhares’ e perspectivismo na prática ção. São Paulo: Cortez, 1994.
educacional.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo:
Cortez, 1994.

TARES
TEXTOS COMPLEMEN GLOSSÁRIO
gressista os livros:
Sobre a Pedagogia Pro Autonomia – faculdade de se governar por si mesmo. Li-
berdade ou independência moral ou intelectual. Proprie-
dagogia Progressista
GEORGE, Snyders. Pe dade por meio da qual o homem pretende poder escolher
Almedina, 1974. as leis que regem sua conduta.
ca
gogia Histórico-Críti
ARANHA, Lúcia. Peda Alcunha – apelido geralmente depreciativo que se põe a
em educação
O otimismo dialético
C- SP. alguém e por meio do qual fica sendo conhecido, tirado
Editora PU
de alguma particularidade física ou moral.

Dialética – o uso de Platão é, sem dúvida, a origem do


uso da palavra Dialética num sentido favorável, mas nele
próprio ela aplica-se, sobretudo, à verdadeira distinção
dos gêneros e das espécies, à verdadeira explicação das
coisas através das Ideias.
RESUMO
Dewey – filósofo americano nascido na Nova Inglaterra.
O pragmatismo de Dewey enfoca que a verdade consi-
Vimos, ao longo do capítulo, algumas derada como equivalente de útil, de prático e de eficaz.
reflexões e observações sobre Didática
e Tendências Pedagógicas da Educação Humanístico – concernente ao humanismo ou aos huma-
Brasileira. Numa visão esquemática, nistas. Pessoa versada no estudo de humanidades.
observou-se a importância dessas ten-
dências e seus fundamentos para uma Liberal – é partidário do liberalismo ou que nele se funda:
compreensão na dinâmica didática. político liberal; doutrina liberal. Que tem ideias ou opini-
Ficou evidenciado que direcionar uma ões avançadas, amplas, tolerantes, livres.
leitura crítico-reflexiva sobre o fenôme-
no educacional, com especificidade so- Magistrocêntrica – o centro é o professor.
bre a didática, é condição ímpar trilhar
uma analítica sobre os diversos ‘olhares’ Mazelas – doença, enfermidade, moléstia. Defeito moral;
dessas tendências e suas implicações no mancha na reputação.
processo de ensino-aprendizagem. Dei-
xar à margem uma abordagem sobre o Paradigma – modelo, padrão; modelo ou tipo de conju-
enfoque ideológico dessas tendências e gação ou declinação gramatical.
suas nuances, perde-se muito o senti-
do e o valor no dinamismo dialético do Pedocentrismo – o centro da atenção é a criança.
projeto educacional.
Progressivista – respeitante ao progresso. Favorável ao
progresso. Diz-se de quem, não pertencendo a um parti-
do socialista ou comunista, aceita e/ou apoia, no entanto,
os princípios socialistas ou marxistas.
38 Capítulo 2

Pragmatista – pragmático. Que é partidário do pragma-


tismo.

Pragmatismo – doutrina de Charles S. Peicer, segundo a


qual a verdade é uma relação inteiramente imanente à
experiência humana; o conhecimento é um instrumento
a serviço da atividade, e o pensamento tem um caráter
essencialmente teleológico.

Personalidade – caráter ou qualidade do que é pessoal.


Organização constituída de todas as características cogni-
tivas, afetivas, volitivas e físicas de um indivíduo.

Precípua – principal, essencial.

Sadismo – prazer com o sofrimento alheio.

Tríade – conjunto de três pessoas ou três coisas; trindade.


3
Capítulo 3 39

Planejamento, o Ensino
e a Aprendizagem na
Ação Didática
Prof. Ms. Roberto José da Silva
Carga Horária | 15 horas

Objetivos Específicos
• Compreender, no âmbito da Ciência Didática, a importância do planeja-
mento de ensino na ação didática;

• Refletir, criticamente, sobre o planejamento de ensino e o processo de ensino;

• Identificar, no âmbito da aprendizagem, as teorias sócio-psicológicas.

Introdução
Neste capítulo, será enfocado um estudo sobre o planejamento, o ensino e a
aprendizagem na ação didática. De suma importância, as categorias para uma
compreensão mais consistente do processo educacional. Pensar o planejamento
de ensino é questão singular na prática pedagógica. Para uma ação efetiva do ato
educativo, o conhecimento do dinamismo do processo de ensino é um meio
fundamental do progresso intelectual e moral. O processo de ensino não abrange
somente a assimilação de conhecimentos mas também inclui outras tarefas que
diretamente sinalizam no processo da aprendizagem. Na ação didática, configura
todas essas categorias como fundantes para um melhor esclarecimento da dinâ-
mica educacional.

1. O Planejamento de Ensino na Ação Didática


Não podemos desconectar o planejamento de ensino de um processo mais am-
plo no plano educativo. Com efeito, o planejar o ensino e a avaliação são ativi-
dades que merecem um olhar crítico-reflexivo. Trilhar nesse dinamismo requer
e supõe o conhecimento da dinâmica interna do processo de ensino e um efeti-
vo conhecimento no âmbito da aprendizagem. De uma forma breve e sucinta,
pode-se afirmar que o planejamento escolar, segundo Libâneo (1994, p. 221) ,

“é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua
organização e coordenação em face dos objetivos propostos quanto a sua revisão e adequação
no decorrer do processo de ensino”.

Saliente-se que, num sentido mais amplo, o planejamento expressa uma concep-
ção de educação num perspectivismo não-linear, refletindo sobre a dimensão
40 Capítulo 3

antropológica, epistemológica e axiológica. Nou- etc. pretendido fosse tratado, segundo a importância e a
tras palavras, não podemos pensar o planejamento necessidade de planejar as ações institucionais. A elabora-
apartando um olhar crítico sobre a educação do ção de planos e projetos passou a ser compreendida como
um meio capaz de conduzir as instituições sociais no ca-
homem adequada a um mundo e a uma sociedade.
minho do crescimento e do progresso visados pelo Estado
burguês emergente”.
Olga Teixeira Damis, no texto sobre ‘Planejamento
Escolar: expressão técnico-política de sociedade’,
Então, trilhar sobre o sentido de planejar faz-se ne-
declara:
cessário estender sua conceituação num perspec-
“O planejamento escolar tornou-se, assim, a expressão
tivismo mais abrangente que engloba: o político,
das condições, das necessidades e dos interesses predo- econômico, social, cultural etc. Nessa contextuali-
minantes na sociedade por meio da forma de organizar o zação, é que se pode pensar a concepção de plane-
processo educativo, de definir os objetivos, as estratégias jamento educacional.
e a avaliação. Segundo essa abordagem, a importância e a
necessidade de planejar, além de significar a organização É nessa linha de pensamento que podemos concei-
racional dos meios para a escola garantir a reprodução, a tuar planejamento nos seguintes termos: conforme
manutenção e a produtividade do sistema, significam, ain- as palavras de Olga Teixeira (1996, p. 178),
da, uma forma de compreender, criticamente, a adequação
da educação do homem ao modelo de progresso e de de- “planejar significa definir objetivos, me-
senvolvimento alcançados hoje pela sociedade capitalista”. tas, prazos, selecionar recursos etc. E foi
esta a concepção que enfatizou a utili-
zação de metodologias específicas sobre
Conhecimentos técnicas de planejamento e de forma-
ção de profissionais especializados para
planejar a educação, seja no âmbito do
Estado, seja no da escola, seja no da sala
Fonte: [Link]/pub/EaD/AvaliacaoComoMotiv...

Atitudes
de aula”.
Estado atual Estabelecer
do aluno objetivos Motoras Conforme as palavras de Libâneo
(1994, p. 222) , quando afirma
que,

Conteúdos e mensagens “o planejamento é um processo de ra-


cionalização, organização e coordenação
Realimentação Experiências da ação docente, articulando a atividade
vividas escolar e a problemática do contexto so-
cial. A escola, os professores e os alunos
Atividades de são integrantes da dinâmica das relações
Ensino-Apredizagem
sociais; tudo o que acontece no meio
escolar está atravessado por influências
econômicas, políticas e culturais que
Refletir o planejamento de ensino é condição basi- caracterizam a sociedade de classes. Isso significa que os
lar para direcionar uma analítica sobre os diversos elementos do planejamento escolar – objetivos, conteúdos,
métodos – estão recheados de implicações sociais e têm
momentos históricos da sociedade. No caso espe-
um significado
cífico da sociedade brasileira, um estudo sobre os genuinamente
Fonte: [Link]/.../s320/planeja-

projetos e planos que implementaram os nossos político”


modelos educacionais estão diretamente atrelados
à crescente interferência do Estado e seus mecanis-
mos ideológicos.

Ainda, segundo as palavras de Olga Teixeira


[Link]

“Com esta crescente interferência do Estado na economia


do país, foram colocadas as condições necessárias para que
o desenvolvimento social, econômico, político, educativo
Capítulo 3 41

Não podemos esquecer que o ato de planejar per- formar uma atitude crítico-reflexiva. Fazer uso do
passa por um processo mais amplo. Planejamento é, hoje, não só uma necessidade em
todo o contexto existencial mas em todos os cam-
PLANEJAMENTO É UMA ATIVIDADE pos da atividade humana. No mundo hodierno,
DE REFLEXÃO ACERCA DAS NOSSAS na complexidade das relações humanas, compre-
OPÇÕES E AÇÕES ender o sentido e a importância do ato de planejar
é condição singular. Conforme as palavras de Pilet-
No planejamento de ensino, observam-se algumas ti (1991, p. 61), enfatiza-se que
categorias fundantes:
“No processo de planejamento, procuramos responder às
Conceito e Importância ou seguintes perguntas: O que pretendo alcançar? Em quanto
tempo, pretendo alcançar? Como posso alcançar isso que
Valor do Planejamento pretendo? O que fazer e como fazer? Quais os recursos ne-
cessários? O que e como analisar a situação a fim de verifi-
Num texto de Paulo Freire, deixa-se antever de cer- car se o que pretendo foi alcançado? Se qualquer atividade
ta forma o que é planejamento e qual sua impor- exige planejamento, a educação não foge dessa exigência.
tância e valor. Na área da educação, temos os seguintes tipos de planeja-
mento: Planejamento educacional; Planejamento de currí-
culo; Plane-
“Tinha chovido muito toda noite. Havia
jamento de
enormes poças de água nas partes mais

Fonte: [Link].
baixas do terreno. Em certos lugares, a ter- ensino”
ra, de tão molhada, tinha virado lama. Às
vezes, os pés apenas escorregavam nela,
às vezes, mais do que escorregar, os pés
se atolavam na lama até acima dos tor-
nozelos. Era difícil andar. Pedro e Antônio

com/2009/05/pla..
estavam a transportar, numa camioneta,
cestos cheios de cacau, para o sítio onde
deveriam secar.

Em certa altura, perceberam que a camio-


neta não atravessaria o atoleiro que ti-
nham pela frente. Pararam, desceram da Características e Importância de um
camioneta, olharam o atoleiro, que era Bom Planejamento
um problema para eles. Atravessaram a
pé uns dois metros de lama, defendidos
pelas suas botas de cano longo. Sentiram Um bom planejamento requer alguns direciona-
a espessura do lamaçal. Pensaram. Discu- mentos na forma de conduzir, refletir e decidir
tiram como resolver o problema. Depois, quais as melhores alternativas de ação possíveis.
com a ajuda de algumas pedras e de ga-
Noutras palavras: de importância singular para o
lhos secos de árvore, deram ao terreno a
consistência mínima para que as rodas da educador, é saber traçar algumas linhas de alter-
camioneta passassem sem atolar. nativas diante do cenário situacional e buscar o
melhor direcionamento no ato de agir. O planeja-
Pedro e Antonio estudaram. Procuraram mento é, hoje, uma necessidade em todos os cam-
compreender o problema que tinham de
resolver e, em seguida, encontraram uma pos da atividade humana. Vale salientar, no cam-
resposta precisa. Não se estuda, apenas, po pedagógico, as palavras de Piletti (1991, p. 61):
nas escolas. Pedro e Antônio estudaram
enquanto trabalhavam. “Estudar é assumir “No processo de planejamento, procuramos responder às
uma atitude séria e curiosa diante de um seguintes perguntas:
problema”

(Leite, L. C.I. “Encontro com Paulo Freire”. Revista


• O que pretendo alcançar?
Educação e Sociedade. São Paulo, Cortez e Moraes • Em quanto tempo, pretendo alcançar?
(3): 68-9 maio 1979.) • Como posso alcançar isso que pretendo?
• O que fazer e como fazer?
• Quais os recursos necessários?
Tomando como base o texto do pensador Paulo • O que e como analisar a situação, a fim de verificar se
Freire, percebe-se que Planejar é fazer uso da acui- o que pretendo foi alcançado?”
dade, estudar com afinco. Diante de uma situação,
42 Capítulo 3

Então, diante dessas perguntas, precisamos para A palavra currículo vem do latim – curriculum –
um bom planejamento escolar dinamizar algumas significa percurso, carreira, curso, ato de correr.
categorias: Aplicando o termo no âmbito da educação, vamos
encontrar variações ao longo do processo históri-
• O planejamento deve ser elaborado em função co. Sem entrar num estudo mais pormenorizado,
das necessidades e das realidades apresentadas pode-se afirmar que, no Planejamento Curricular,
pelos alunos; deve-se considerar a soma de experiências vividas
• O ato de planejar deve ser flexível; pelos alunos – é o planejamento dessas experiên-
• O planejamento deve ser feito em linguagem cias. Conforme Piletti,
clara, concisa, para ser acessível ao aluno;
• O ato de planejar deve ser elaborado em ín- “o problema central do planejamento curricular é formu-
tima correlação com os elementos matéria e lar objetivos educacionais a partir daqueles expressos nos
aluno. guias cur-
riculares
Fonte: [Link]/.../ oficiais.

Fonte: [Link]
img_planejamento.jpg

Tipos de Planejamento na Área da Educação:


No Planejamento de Ensino, observa-se uma es-
• Planejamento educacional
pecificação do planejamento curricular. Ainda nos
• Planejamento de currículo
dizeres de Piletti sobre esse tipo de planejamento,
• Planejamento de ensino
“Consiste em traduzir, em termos mais concretos e opera-
O planejamento de ensino é desdobrável em três cionais, o que o professor fará na sala de aula para conduzir
tipos: os alunos a alcançarem os objetivos educacionais propos-
tos”.
• Plano de Curso
• Plano de Unidade Plano de Ensino Fonte: [Link]/.../

• Plano de Aula Anual


[Link]

Não pode-
Sucintamente, podemos explicitar os referidos pla- mos esque-
nejamentos: cer que,
no âmbito
No planejamento educacional, faz-se presente a do Planeja-
tomada de decisões sobre o processo educacional mento de ensino, fazem-se presentes algumas cate-
no âmbito do desenvolvimento geral do país. Nas gorias ou etapas: Conhecimento da realidade; ela-
palavras de Piletti (1991, p. 62), define-se que boração do Plano; Execução do Plano; Avaliação e
Aperfeiçoamento do Plano.
“a elaboração desse tipo de planejamento requer a propo-
sição de objetivo a longo prazo que defina uma política da
Conforme observações acima, o planejamento, de
educação”.
uma forma geral, no âmbito da educação, perpassa
Fonte: [Link]/.../

por esses três estágios. Agora, podemos especificar


imagens/planejamento_.jpg

com maiores detalhes o Planejamento de Ensino:

a. Plano de Curso;
b. Plano de Unidade e
c. Plano de Aula.
Capítulo 3 43

Romanda Gonçalves (1970, p. 173) afirma: a. flexibilidade e não ser padronizável;


b. adequação ao nível médio de maturidade dos
“É a organização da matéria série, em função dos objetivos alunos;
do ensino a serem atingidos nessa série em cada ano leti- c. uma questão singular diz respeito à atualização
vo”. constante dos pontos do plano.

Fonte: [Link]/.../
Planejamento
Retratando, mais uma vez, as palavras de Roman-
de
da:

s320/[Link]

Fonte: [Link]/.../
Curso

plano%20de%[Link]
Note-se que, no Plano de Curso, o professor orga-
niza melhor o seu trabalho pedagógico, melhor a ri-
gidez dos programas oficiais e, de certa forma, pos-
sibilita uma melhor orientação da aprendizagem. “As vantagens do plano é que atende aos objetivos gerais
Além da distribuição da matéria de forma ordenada da unidade e ressalta os objetivos específicos da própria
e a determinação prévia dos assuntos que precisam aula”.
e exigem revisão, melhorando, assim, um trabalho
mais consistente na avaliação do educando. Então, o que se observa na ação didática é todo um
planejamento para bem encaminhar o direciona-
No Plano de Unidade, nas palavras de Romanda mento no processo de ensino-aprendizagem. Feitas
Gonçalves (1970, p. 176), fundamenta que as considerações sobre o âmbito do planejamento
escolar, agora é o momento de conhecer sistemati-
“é a previsão dos assuntos afins que deverão constituir, de camente o Processo de Ensino.
modo compreensivo e significativo, as unidades, para que
os objetivos sejam atingidos”.
Fonte: [Link]/.../[Link]

Pode-se afir-
mar que, nes-
sa modalida- SAIBA MAIS!
de, sinaliza o
to de Ensino ver ví-
grupamento Sobre o Planejamen
s relevantes da Di-
deo que retrata ponto
dos assun- jam en to Escolar.
dática e do Plane
tos afins, do
[Link]/
programa, [Link]
4B O&Feature=fvw
sob um título watch?v=7XKWgidh
m o t i v a d o r, .com/watch?v=PnRU
[Link]
configurando yList&P=BI59E73D
fyHHNY&Feature=pla
uma função O86&inde=0
das categorias dos objetivos imediatos do ensino.

Ainda, nas palavras de Romanda,

“No Plano de Aula, o professor direciona um projeto das


ideias educativas, selecionadas que mestre e alunos devem
realizar conjugadamente, versando sobre a matéria de en-
sino, em vista de objetivos próprios durante o período que Atividade | Pesquise sobre os diversos ti-
denominamos aula”. pos de planejamento no âmbito educacional.
Qual a questão central do planejamento e sua
Não se deve esquecer de que, num Plano de Aula, importância para um bom trabalho do educa-
algumas categorias devem constar para que seja um dor? Leve seus registros para o nosso fórum.
bom plano:
44 Capítulo 3

2. O Processo de Ensino Nessas palavras, configura muito bem a dimensão


e importância que devem retratar a temática do
O ensino é o objeto da didática. Como atividade ensino. Lógico que não precisa descaracterizar al-
orientadora, tem por objetivo dar resposta a uma gumas das vertentes básicas do que se entende por
necessidade: ensinar. Vale ressaltar as observações Processo de Ensino:
de Amélia Domingues de Castro (1998, p. 15) so-
bre o objeto da Didática, quando explicita: a. As características do processo de ensino;
b. Processos didáticos básicos: ensino e aprendi-
“A primeira peculiaridade do processo de ensinar, pois se- zagem;
ria sua intencionalidade, ou seja, pretender ajudar alguém c. Estrutura, componentes e dinâmicas do pro-
a aprender. Não corresponde a uma certeza, mas, a um cesso de ensino
esforço. E se refere sempre a quem recebe a comunicação
didática. Numa relação interpessoal direta ou em procedi-
mentos de transmissão a distância, haverá, forçosamente,
alguém a quem se quer ensinar alguma coisa”.

Nessas palavras, percebe-se a ênfase que merece

Fonte: [Link]
acompanhar o processo de ensino a transmissão/
assimilação. De suma importância o conhecimen-
to na prática docente, o que caracteriza efetivamen-
te a atividade de ensino.

Conforme as palavras de Libâneo (1994, p. 77) so-


bre o Processo de Ensino na Escola:
Como a própria expressão declara: processo de en-
“Nele se combinam objetivos, conteúdos, métodos e for- sino. Não se deve pensar o ensino como simples
mas de organização do ensino, tendo em vista a assimila- transmissão da matéria aos alunos, realização de
ção ativa, por parte dos alunos, de conhecimentos, habili-
exercícios repetitivos, memorização de definições
dades e hábitos e o desenvolvimento de suas capacidades
e fórmulas. O ato de ensinar vai além desse mode-
cognoscitivas”.
lo mecanicista. Conforme as palavras de Libâneo
(1994, p. 78),
O ensino não é o direcionamento de um projeto
unidirecional, ou seja, não está presente somente “O ensino deve ser mais do que isso. Compreende ações
na figura do professor. Vale ressaltar a dimensão conjuntas do professor e dos alunos pelas quais estes são
dialógica desse processo ainda nas palavras de Li- estimulados a assimilar, consciente e ativamente, os conte-
bâneo údos e os métodos, de assimilá-los com suas forças intelec-
tuais próprias bem como aplicá-los, de forma independente
“As relações entre professor, aluno e matéria não são es- e criativa, nas várias situações escolares e na vida prática”.
táticas, mas dinâmicas; por isso, falamos da atividade de
ensino como um processo coordenado de ações docentes... Pensar o processo de ensino é levar em considera-
A condução desse processo, como qualquer atividade hu-
ção:
mana, requer uma estruturação dos vários momentos de
desenvolvimento da aula ou unidade didática”.
a. a dimensão dialógica entre professor e aluno;
b. a conexão entre ensino e aprendizagem: “Não
Não esquecendo os ensinamentos de Georges Gu-
há ensino, se não há aprendizagem”;
dsdorf na sua obra: Professores para quê? (1987, p.
c. o conhecimento do fenômeno sobre o qual o
8-9), o pensador explicita magistralmente que
ensino atua, que é a aprendizagem (para haver
ensino e aprendizagem é preciso: uma comu-
“o ensino é sempre mais do que o ensino. O ato peda-
gógico, em cada situação particular, ultrapassa os limites nhão de propósitos e identificação de objeti-
dessa situação para pôr em causa a existência pessoal no vos entre o mestre e o aluno;
seu conjunto... A palavra do mestre é uma palavra mágica: d. o conhecimento do fenômeno do ensino para
um espírito desperta ao apelo de um outro espírito; pela que haja um constante equilíbrio entre o alu-
graça do encontro, uma vida foi mudada”. no, a matéria, os objetivos do ensino e as téc-
nicas de ensino.
Capítulo 3 45

Conforme as palavras de Libâneo (1994, p. 79-80): “A condução do processo de ensino requer uma compre-
ensão clara e segura do processo de aprendizagem: em que
• O ensino é um processo, ou seja, caracteriza-se pelo consiste, como as pessoas aprendem, quais as condições
desenvolvimento e transformação progressiva das externas e internas que o influenciam. Em sentido geral,
capacidades intelectuais dos alunos em direção ao qualquer atividade humana praticada no ambiente em que
domínio dos conhecimentos e habilidades e sua apli- vivemos pode levar a uma aprendizagem. Desde que nas-
cação; cemos, estamos aprendendo e continuamos aprendendo
a vida toda.”
• O processo de ensino visa alcançar determinados re-
sultados em termos de domínio de conhecimentos,
habilidades, hábitos, atitudes, convicções e de desen-
volvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos;

Fonte: [Link]
• O ensino tem como função principal assegurar o pro-
cesso de transmissão e assimilação dos conteúdos do
saber escolar e, através desse processo, o desenvolvi-
mento das capacidades cognitivas dos alunos;

• O ensino tem um caráter bilateral em virtude de que


combina a atividade do professor (ensinar) com a ati-
No âmbito da ciência do comportamento, vamos
vidade do aluno (aprender). Como explicita Manoel
Oriosvaldo (1998, p. 155), no seu texto: A atividade
encontrar três sistemas teóricos da aprendizagem:
de Ensino como Ação Formadora. Afirma: “Fazer da Comportamentalismo, Cognitivismo e Huma-
sala de aula o lugar de aprendizagem natural do su- nismo. Esse tópico será considerado no próximo
jeito é estabelecer como objetivo da escola a criação ponto do capítulo. Na teoria Behaviorista ou com-
de um ambiente onde se partilha e constrói significa- portamentalista, “aprender é estabelecer uma ca-
dos”. deia de condicionamentos”. Aprender é adquirir
hábitos. Na teoria cognitivista, de um modo geral,
No que diz respeito aos Processos didáticos bási- “aprender é discernir a situação total estimulado-
cos: ensino e aprendizagem encontram-se numa ra”. Já na teoria humanista, o enfoque recai sobre
unidade dialética; são duas facetas de um mesmo a pessoa na sua totalidade, aprender é um processo
processo. Ensinar inexiste sem aprender e vice- que abrange o ser humano na sua totalidade.
versa e foi aprendendo socialmente que, historica-
mente, mulheres e homens descobriram que era O ensino nas palavras de Libâneo (1994, p. 89)
possível ensinar. Conforme as palavras de Paulo significa:
Freire (2007, p. 22-23):
“um meio fundamental do progresso intelectual dos alu-
“ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possi- nos.... O processo de ensino não somente a abrange a
bilidades para a sua produção ou a sua construção... quem assimilação de conhecimentos mas também inclui outras
forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado for- tarefas. Para assegurar a assimilação ativa, o professor deve
ma-se e forma ao ser formado. É nesse sentido que ensinar antecipar os objetivos de ensino, explicar a matéria, puxar
não é transferir conhecimento, conteúdos nem formar é dos alunos conhecimentos que já dominam, estimulá-los
ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma no desejo de conhecer a matéria nova”. Nessa definição,
a um corpo indeciso e acomodado”. deixa-se antever uma efetiva significação no âmbito dos
processos didáticos básicos. Ainda nas palavras de Libâ-
Saliente-se que, para compreender corretamente a neo, “o ensino, assim, é uma combinação adequada entre
a condução do processo de ensino pelo professor e a assi-
dinâmica desse processo, é necessário analisar se-
milação ativa como atividade autônoma e independente
paradamente cada um dos seus componentes. Isso
do aluno”.
não desvirtua a importância e dinâmica do que se
entende no sentido mais amplo desses processos
Salientem-se ainda três funções inseparáveis do
didáticos básicos. Comecemos por Aprendizagem
ensino:
e depois o Ensino.
• Organizar os conteúdos para a sua transmis-
Conforme as palavras de Libâneo (1994, p. 81),
são, de forma que os alunos possam ter uma
enfatiza-se que
relação subjetiva com eles;
46 Capítulo 3

• Ajudar os alunos a conhecerem as suas pos- Abaixo, alguns princípios do educador para uma
sibilidades de aprender, orientar suas dificul- compreensão do processo de ensino:
dades, indicar métodos de estudo e atividades
que os levem a aprender de forma autônoma e
independente;

Fonte: [Link]
• Dirigir e controlar a atividade docente para os
objetivos da aprendizagem.

Na Estrutura, componentes e dinâmicas do proces-


so de ensino, faz-se presente toda uma organização
no processo didático. Conforme observa Libâneo
(1994, p. 92):
• Ensinar exige rigorosidade metódica
“O processo didático se explicita pela ação recíproca de • Ensinar exige humildade, tolerância e luta em
três componentes – os conteúdos, o ensino e a aprendi- defesa dos direitos dos educadores
zagem – que operam em referência a objetivos que expres- • Ensinar exige pesquisa
sam determinadas exigências sociopolíticas e pedagógicas • Ensinar exige apreensão da realidade
e sob um conjunto de condições de uma situação didática
• Ensinar exige respeito aos saberes dos educan-
concreta (fatores sociais circundantes, organização escolar,
recursos materiais e didáticos, nível socioeconômico dos
dos
alunos, seu nível de preparo e de desenvolvimento mental, • Ensinar exige alegria e esperança
relações professor-aluno etc.” • Ensinar exige criticidade
• Ensinar exige a convicção de que a mudança é
Saliente-se que, nessa dinâmica, o professor tem possível
um papel preponderante no direcionamento da- • Ensinar exige estética e ética
quilo que se entende por: planejar, dirigir, organi- • Ensinar exige curiosidade
zar, controlar e avaliar a relação e dimensão cogni- • Ensinar exige a corporificação das palavras
tiva entre o aluno e a matéria de estudo. pelo exemplo

O pensador Paulo Freire, de forma magistral, no


seu livro Pedagogia da Autonomia – saberes neces-
sários à prática educativa, enfatiza que
Fonte: [Link]

• Não há docência sem discência;

• Ensinar não é transferir conhecimento;


• Ensinar exige segurança, competência profis-
• Ensinar é uma especificidade humana.
sional e generosidade
• Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejei-
Não podemos esquecer esses preceitos como fun-
ção a qualquer forma de discriminação
dantes no âmbito da didática para uma prática
• Ensinar exige comprometimento
educativa consistente. O pensador abriu uma
• Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática
brecha para um novo olhar sobre a Didática e o
• Ensinar exige compreender que a educação é
processo de ensino, eis as palavras do mestre Paulo
uma forma de intervenção no mundo
Freire (2007, p. 21)
• Ensinar exige o reconhecimento e a assunção
“Devo deixar claro que, embora seja meu interesse central
da identidade cultural
considerar neste texto saberes que me parecem indispensá- • Ensinar exige liberdade e autoridade
veis à prática docente de educadoras ou educadores críti- • Ensinar exige consciência do inacabamento
cos, progressistas, alguns deles são igualmente necessários Ensinar exige tomada consciente de decisões
a educadores conservadores. São saberes demandados pela • Ensinar exige o reconhecimento de ser condi-
prática educativa em si mesma, qualquer que seja a opção cionado
política do educador ou educadora”. • Ensinar exige saber escutar
Capítulo 3 47

• Ensinar exige respeito à autonomia do ser do “Como se efetua a aprendizagem? Que fatores determinam
educando o que iremos aprender e com que rapidez aprenderemos?
• Ensinar exige reconhecer que a educação é ide- Há inumeráveis pessoas em situações em que seria útil ter
respostas a estas perguntas. Imediatamente pensamos nos
ológica
estudantes que procuram melhores métodos de estudo, em
• Ensinar exige bom senso professores que necessitam melhorar as técnicas de minis-
• Ensinar exige disponibilidade para o diálogo trar aulas.”
• ENSINAR EXIGE QUERER BEM AOS
EDUCANDOS

Fonte: [Link]
SAIBA MAIS!
Ensino ver vídeo
Sobre o Processo de
vídeoplay?doc
[Link]
1#
id=295022974247675838

Atividades |
Reflita sobre os sentidos de ENSINAR na 3.1 Definição
concepção do pensador Paulo Freire e leve
suas impressões para o nosso fórum. Em suma, aprendizagem é definida como toda
mudança relativamente permanente no potencial
de comportamento, que resulta da experiência,
3. Aprendizagem: Teorias mas não é causada por cansaço, maturação, dro-
gas, lesões ou doença. No sentido estrito, claro, a
Sócio-Psicológicas aprendizagem não é definida pelas mudanças reais
ou potenciais no comportamento. Em vez disso, a
O que é aprendizagem?
aprendizagem é o que acontece ao organismo (hu-
Eis a grande indagação. Qual a relação que
mano ou não humano) como resultado da experi-
existe entre ensino-aprendizagem?
ência. Com essa definição, pode-se ter uma ideia
Um bom ensino ajuda uma boa aprendizagem?
da importância do sentido que tem a aprendiza-
Mas, o que é aprendizagem afinal?
gem para o processo educativo. Principalmente, na
prática pedagógica, quando o professor faz uso de
São perguntas que fazem parte do nosso ‘cotidia-
algumas técnicas para um melhor desempenho do
no’ na prática escolar. Sabe-se que a aprendizagem
seu alunado. Conforme as palavras de Lefrançois
é um fenômeno, um processo bastante complexo
(2008, p. 7) diz o pesquisador:
– isso não resta dúvida. No âmbito das Ciências
Humanas, a Psicologia Educacional exige um estu- “O comportamento é algo complicado; há toda sorte de
do mais aprimorado sobre essa questão – APREN- fatores determinando o que você faz. A tarefa principal dos
DIZAGEM. psicólogos da aprendizagem é a de entender o comporta-
mento e a mudança comportamental”.
Os sistemas teóricos de interpretação da aprendi-
zagem desenvolveram-se juntamente com o estudo Sem entrar nos detalhes dessa complexidade do
experimental da aprendizagem; para compreender que se entende por aprendizagem, saliente-se que,
um, é necessário compreender o outro. Embora o para a realização do processo de aprendizagem, se
estudo experimental da aprendizagem, em grande depende de três elementos principais, conforme
medida, se tenha desenvolvido a partir de proble- observação de Nelson Piletti:
mas cotidianos, sobretudo problemas de educação,
logo passou a envolver-se com questões teóricas e 1. Situação estimuladora;
com experimentos relativos ao manejo destas. Nas 2. Pessoa que aprende;
palavras de Hill (1981, p. 2), 3. Resposta.
48 Capítulo 3

3.2 Etapas no Processo de Aprendizagem 3.3 Tipos de Aprendizagem

As principais etapas do processo de aprendizagem Dentre os principais tipos de aprendizagem, des-


estão relacionadas diretamente com o ato educati- tacam-se:
vo, com especificidade a dimensão didática.
Motora ou motriz – consiste na aprendizagem de
• Motivação – sem motivação, não há aprendi- hábitos que incluem desde simples habilidades
zagem; motoras;
• .Objetivo – o comportamento é sempre inten-
cional; Afetiva ou emocional – diz respeito aos sentimen-
• .Preparação ou prontidão – vale o ditado: tos e emoções;
“Não adianta ensinar a criança a andar, antes
que suas pernas estejam prontas”. Nessa etapa, Cognitiva – abrange a aquisição de informações e
podemos configurar alguns fatores (fatores fi- conhecimentos.
siológicos, experiências anteriores, fatores psi-
cológicos);
• .Obstáculo – se não houvesse obstáculos, bar-
reiras, não haveria aprendizagem – dentre os
principais obstáculos: social, psicológico, físi-
co;
LEARNINIG BY DISCOVERY
• .Respostas – o indivíduo vai agir de acordo
LEARNINIG BY SEEING SAMPLES
com sua interpretação da situação;
• .Reforço – se deu certo, o comportamento po- LEARNINIG BY BEING TOLD

derá voltar a repetir aquela ação; LEARNINIG BY BEING


PROGARMMED
• .Generalização – o indivíduo dá a mesma res-

Fonte [Link]
posta que levou ao êxito diante de situações
semelhantes.
Fonte [Link].

Vale salientar as observações de Nelson Piletti


(1997, p. 37-38), quando enfatiza que

“Aprendemos muitas coisas na vida, umas diferentes das


outras: ter medo de cobra, dançar, decorar uma poesia, dis-
tinguir árvore de capim, saber o que é liberdade, saber que
um substantivo pode ser comum ou próprio, cultivar rosas.
Essas diferentes formas de aprendizagem exigem condições
diferentes para ocorrer”.
com

Salientem-se as palavras de Claudino Piletti: Então, não podemos descaracterizar a importância


dos tipos de aprendizagem e suas diferentes for-
“Através de uma variedade de recursos, métodos e proce- mas, não forma de conduzir o trabalho didático.
dimentos, o professor pode criar uma situação favorável à
aprendizagem”. Antes de abordarmos as principais teorias sócio-
psicológicas e sua importância para o trabalho di-
O professor deve: dático, ressaltem-se as diferentes formas de apren-
dizagem, segundo o educador Nelson Piletti:
• .Conhecer os interesses atuais dos alunos para
mantê-los ou orientá-los; • Aprendizagem de sinais – esse tipo de apren-
• .Buscar uma motivação suficientemente vital, dizagem compreende o condicionamento res-
forte e duradoura para conseguir do aluno pondente, porque se refere à aprendizagem de
uma atividade interessante e alcançar o objeti- comportamentos involuntários.
vo da aprendizagem. Na vida diária, as pessoas aprendem várias
Capítulo 3 49

coisas por esse mecanismo, sem que estejam


conscientes do que estão aprendendo.

Fonte [Link].

[Link]
• Aprendizagem de discriminação – discrimi-
• Estímulo-resposta – nesse caso, a aprendiza- nar consiste em dar respostas diferentes a estí-
gem consiste em associar uma resposta a um mulos semelhantes.
determinado estímulo: o aluno levanta, quan-

Fonte [Link].
do o professor manda, o cão dá a pata, quan-
do o dono pede, o filho fica quieto, quando a
mãe pede.
Fonte [Link].

com
• Aprendizagem de conceitos – o indivíduo
aprende a dar uma resposta comum a estímu-
los diferentes em vários aspectos.
com

Fonte [Link]
• Cadeias motoras – nenhum comportamento
existe isoladamente. Em alguns casos, para
que tais cadeias sejam aprendidas, é necessário
que se sucedam uma à outra, sempre na mes-
ma ordem, e que sejam repetidas muitas vezes.
Fonte [Link]

• Solução de problemas – Essa é a forma supe-


rior de aprendizagem, pois permite à pessoa
enfrentar
suas dificul-
dades, solu-
cionar seus
Fonte [Link]

problemas
• Cadeias verbais – a memorização torna-se mediante a
mais eficiente, quando associamos as palavras, aplicação de
formando cadeias. Um elo comum aos vários princípios
termos de uma cadeia pode facilitar a memori- conhecidos.
zação.
50 Capítulo 3

• Aprendizagem de princípios – princípio é • Com relação ao professor: o processo, a sua


uma cadeia de dois ou mais conceitos. Para personalidade, o seu sentimento com relação
aprender um princípio, é necessário ter apren- à disciplina e aos alunos, a empatia, a satisfa-
dido previamente os conceitos que o formam. ção ou não com a sua profissão, os métodos e
as técnicas que usa;

Fonte [Link]
• Com relação ao aluno, são importantes: o seu
grau de inteligência, o estado emocional, a
saúde, a alimentação, o interesse pelo assunto
e sua relação com o professor;

• .Ambiente físico – é claro que, quando nos in-


teressa, podemos aprender em qualquer lugar.
Mas, se o ambiente físico da escola é agradável,
amplo, arejado, bonito, a aprendizagem é bas-
Teorias Sócio-Psicológicas tante favorecida;

A aprendizagem no âmbito da didática é um fenô- • O material é importante – quanto mais inte-


meno singular. No campo comportamental, vamos ressante, mais prende a atenção do aluno;
encontrar diversas abordagens na forma de com-
preender os princípios que regem a dinâmica do • A motivação, a percepção, a maturação e a in-
aprender. Dentre os principais sistemas teóricos da teligência são fatores relevantes no processo da
aprendizagem, destacam-se: Comportamentalismo aprendizagem.
ou Behaviorismo; Cognitivismo e Humanismo.
Não podemos pensar um estudo sobre essa temá- As Teorias do Desenvolvimento Cognitivo
tica, fragmentando um olhar numa única abor- e suas Implicações na Prática Pedagógica
dagem teórica. Um estudo sobre a aprendizagem
requer um ‘olhar holístico’ dos diversos sistemas Jean Piaget – direcionou sua abordagem no cam-
teóricos. No caso específico do enfoque sócio-psi- po da aprendizagem numa posição interacionista
cológico da aprendizagem, são recorrentes os tra- a respeito da inteligência. O principal interesse de
balhos de grandes pensadores: Piaget, Vygotsky e Piaget é mostrar como o comportamento vai evo-
Wallon. Lógico que outros nomes poderiam com- luindo desde os primeiros anos de vida. Em linhas
por a lista de nossa temática, mas vamos sinalizar gerais, Piaget esquematiza o desenvolvimento inte-
esses teóricos e suas ideias sobre o estudo do com- lectual nos seguintes estágios: sensório motor (0 a
portamento e suas implicações na dinâmica do tra- 2 anos); pré-operacional (2 a 6 anos); de operações
balho docente, com ênfase na dimensão didática. concretas (7 a 11 anos); de operações formais (12
anos em diante). Saliente-se que no enfoque do
Como explicita Lefrançois (2008, p. 9): pensador para que se possa elaborar uma tese inte-
racionista da formação da mente, é necessário: 1.
“A função mais importante de uma teoria é simplificar e
O estudo da contribuição do sujeito em suas adap-
organizar as observações e oferecer uma base para previ-
sões. A utilidade de uma teoria na psicologia depende mui-
tações ao meio ambiente e 2. O estudo da função
to do quanto ela é capaz de prever. Assim, uma teoria que do meio na organização da razão e das condutas
tenta explicar como os humanos aprendem por meio da do sujeito.
experiência deve fornecer uma base sólida para prever os
efeitos mais prováveis das diferentes experiências”. Como explicita LeFrançois (2008, p. 262):

Feitas essas considerações, vamos elencar algumas “O trabalho de Piaget sugere várias abordagens e princí-
ideias dos principais teóricos da aprendizagem pios educacionais muito específicos. Por exemplo, parte
diretamente da teoria de que nos estágios iniciais, a intera-
que dinamizaram numa matriz sócio-psicológica.
ção com os objetos concretos é essencial para ampliar o co-
Observe que vários fatores interferem na aprendi- nhecimento e desenvolver as compreensões e capacidades
zagem: facilitando ou dificultando. Conforme as subjacentes ao pensamento. Consequentemente, oferecer
palavras de Teles (1975, p. 182): oportunidades para as atividades tanto mentais quanto
Capítulo 3 51

físicas é uma implica- História, os homens, governados por leis sociais, desenvol-

Fonte: [Link].
ção educacional básica veram características mentais superiores. Milhares de anos
da teoria de Piaget. de história social produziram mais a esse respeito do que
As quatro forças que milhares de ano de evolução biológica. As conquistas do
moldam o desenvolvi- desenvolvimento social foram gradualmente acumuladas e
mento humano: Equi- transmitidas de geração em geração. Assim se consolida-
libração, Maturação, ram e se tornaram um patrimônio da humanidade”.
Experiência ativa e In-
teração social”.
Saliente-se que, no âmbito da prática educacional,

com
com especificidade, no campo da didática, o pen-
As ideias de Jean Piaget têm importância ímpar samento de Vygotsky tem importância singular.
para um trabalho mais consistente no campo da Uma olhadela sobre o papel da linguagem – o fun-
didática. Conhecendo os principais estágios do de- cionamento mental superior, ou pensamento, se
senvolvimento humano e seu dinamismo, abre-se torna possível pela linguagem – insiste o pensador.
um novo olhar sobre a prática pedagógica. Uma A dimensão da linguagem com ênfase sobre as ori-
prática atrelada à pesquisa e à reflexão, possibili- gens sociais do pensamento é o ponto fulcral na
tando ao aluno a aquisição de um método de estu- singularidade do pensamento vygotskyano.
do que lhe será útil por toda a vida. Como salienta
Cória-Sabini (1998, p. 146): É de importância perceber esse dinamismo da prá-
tica educacional, conforme as palavras de Lefran-
“Piaget questiona uma prática pedagógica tradicional, para
çois (1998, p. 268), quando enfatiza que
ele aprender é conquistar, por si mesmo, o saber, com a
realização de pesquisas e a partir do esforço espontâneo”.
“por força da interação social, a criança progride ao longo
de três estágios no desenvolvimento da fala (o primeiro es-
Vygotsky – como muitas outras teorias cognitivas, tágio, fala social (também chamado de fala externa); a fala
a teoria cultural/cognitiva de Vygotsky pode ser ex- egocêntrica, que surge entre os 3 e os 7 anos, é uma espécie
plicitada em três temas sobrepostos: a importância de ponte entre a fala pública, externa, a fala do primeiro
da cultura, o papel da linguagem e a relação entre estágio, e a fala mais privada, mais interna, fala do terceiro
educador e educando. Observe-se que a impor- estágio; o estágio final, a fala interior, refere-se ao falar para
tância da cultura na teoria de Vygotsky é realçada si mesmo”.
pela distinção que ele faz entre funções mentais
elementares e funções mentais superiores. As fun- No âmbito da didática, não podemos esquecer o
ções elementares são nossas tendências e compor- enfoque sobre a Zona de Desenvolvimento Proxi-
tamentos naturais, não aprendidos, evidentes na mal.
capacidade do recém-nascido de sugar, balbuciar e
chorar. Segundo Lefrançois (1998, p. 267): Qual a importância dessa categoria para o
trabalho do educador e seu método de ensino?
“Durante o desenvolvimento, e principalmente por causa
da interação social – ou seja, da interação com a cultura -, Muito da popularidade atual da estrutura teórica
as funções mentais elementares se transformam em fun- de Vygotsky diz respeito à sua descrição da relação
ções mentais superiores. As funções mentais superiores in- entre aprendiz e professor – ou entre pais e criança.
cluem todas as atividades que consideramos pensamento, O professor aprende com a criança e sobre ela da
como a resolução de problemas e a imaginação”. mesma forma que a criança aprende por causa das
ações do professor. Essa relação é mais bem resumi-
Nas palavras de Cória- da pela no-
Sabini (1998, p. 150): ção de
Vygotsky
Fonte: [Link]

“Para Vygotsky, o desen-


da zona de
volvimento mental é o
desenvolvi-
processo de assimilação ou
Fonte: [Link]

‘apropriação’ da experiên-
mento pro-
cia acumulada pela huma- ximal.
nidade no decurso da his-
tória social. No decurso da
52 Capítulo 3

Ainda nas palavras de Lefrançois (2008, p. 268): cio-psicológica categoriza que, diferentemente dos
métodos tradicionais (que priorizam a inteligên-
“A tarefa do professor e dos pais, explicou Vygotsky, é cui- cia e o desempenho em sala de aula), a proposta
dar para que as crianças participem de atividades relativas walloniana põe a dimensão intelectiva no interior
a essa zona – atividades que, por definição, não se apresen- da cultura mais humanizada. Saliente-se que os
tem tão fáceis a ponto de as crianças conseguirem realizá-
elementos, como afetividade, emoções, movimen-
las corretamente sem esforço, nem tão difíceis que, mesmo
to e espaço físico, se encontram num mesmo pla-
com ajuda, não consigam realizá-las”.
no epistemológico. Pode-se afirmar que, diante de
um mundo de dicotomias, desenvolvido a partir
Eis aí uma lição importantíssima para uma re-
de uma visão mecanicista e reducionista, o enfo-
flexão e um ‘novo olhar’ sobre a metodologia de
que de Wallon ressalta a necessidade de se alcançar
trabalho na prática pedagógica. Um repensar a
um equilíbrio em dicotomias, tais como intelecto/
didática no trabalho acadêmico. O pensador de
emoção, eu/outro, corpo/mente etc. A meta de
forma magistral afirma: À medida que a sociedade
sua proposta na prática pedagógica e no direcio-
se torna mais complexa – isso é válido para a nossa
namento do ensino aprendizagem é a de ajudar os
sociedade atual – a linguagem fica mais sofisticada.
estudantes para que aprendam a manejar essas di-
cotomias a partir de uma ótica equilibrada – aqui-
Henri Wallon – considerado um educador inte-
lo que podemos expressar como educação integral
gral pela sua proeza em desenvolver um modelo
do homem.
na prática educacional que deva proporcionar uma
formação integral (intelectual, afetiva e social) às
crianças. Wallon enfatizou que o indivíduo é so-
cial não como resultado de circunstâncias exter- SAIBA MAIS!
nas, mas, em virtude de uma necessidade interna.
ren-
Retratou, em suas obras, esse olhar ‘holístico’ so- cio-Psicológicas na Ap
Sobre as Teorias Só
bre o homem; configurou, em suas ideias, pouco dizagem ver
estimulado pelos modelos tradicionais de ensino, [Link]/watch
?v=_
a importância da vida afetiva, do movimento e de h t t p : / / w w w. y o u
related
CGv08gTC48&feature=
uma leitura crítico-reflexiva do eu e o outro.
vHfg
.com/watch?v=J1IcSa
[Link]
No âmbito da afetividade, o &feature=related
Fonte: [Link]-

pensador direciona que as


manifestações fisiológicas
em uma criança revelam
TARES
traços importantes de cará- TEXTOS COMPLEMEN
ter e personalidade. Nou-
Educação
tras palavras, a emoção tem DIDÁTICA: Contexto
[Link]

uma configuração impor- Jaime Cordeiro


tantíssima para compreen- Ed. Contexto
são do ser humano na sua integralidade, é o lado s . g o o g l e .
h t t p : / / b o o k
d=mwgq6v_
emocional que ajuda o ser humano a se conhecer. com/books?i
O movimento propicia uma organização dos espa- bwC&pq=PA97&dg=
ços para se manifestarem. No enfoque do pensa-
dor, a motricidade, portanto, tem caráter pedagó-
gico tanto pela qualidade do gesto e do movimento
quanto por sua representação. A outra categoria Atividade | A partir da leitura do texto sobre
singular na matriz do pensamento de Wallon diz aprendizagem: teorias sócio-psicológicas, pes-
respeito ao Eu e ao Outro – a construção do eu quise sobre os tipos de aprendizagem e suas
depende essencialmente do outro. implicações na prática educacional e apresente
suas reflexões para o nosso fórum. Qual a im-
As reflexões de Henri Wallon abrem uma brecha portância desses pensadores e suas ideias revo-
na forma de conduzir o trabalho pedagógico, com lucionárias para um trabalho mais aguçado no
especificidade, no âmbito da didática; a teoria só- campo da didática? Discuta com seus pares e
leve suas impressões para o nosso fórum.
Capítulo 3 53

PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. São


Paulo: Ática, 1997.
RESUMO
ROMANDA, Gonçalves. Didática Geral. São
Vimos, ao longo do capítulo, algumas Paulo: Freitas Bastos S.A, 1970.
considerações fundamentais para uma
compreensão mais efetiva da Didática. TELES, Maria Luíza Silveira. Psicodinâmica do
Em linhas gerais, percebeu-se a im-
Desenvolvimento Humano – uma introdução
portância do Planejamento no direcio-
namento das ações educativas. Nessa à psicologia da educação. Petrópolis: Vozes,
linha de pensamento, viu-se que o en- 2001.
sino e a aprendizagem caminham num
mesmo dialogar. Ou seja, no âmbito da VEIGA, Ilma P. Alencastro. Didática: o ensino e
ação didática, o ensinar e o aprender suas relações. São Paulo: Papirus, 1996.
fazem parte de um mesmo projeto – um
projeto dialético. Na dinamicidade do
processo de ensino, observou-se que os
objetivos, conteúdos, métodos e formas
de organização de ensino estão num GLOSSÁRIO
mesmo dialogar. Acrescente-se ain-
da que, no desenvolvimento da ques- Apartando – separar, desunir. Pôr de parte; separar. Au-
tão sobre o ensinar, o enfoque sobre a sentar-se.
aprendizagem tem um papel prepon-
derante. Isso ficou evidente na sinali- Axiologia – estudo dos valores. Diz respeito ao estudo no
zação das correntes sócio-psicológicas âmbito da filosofia sobre os valores.
da aprendizagem quando se retrataram
alguns pensadores da estirpe de Piaget, Behaviorismo – Escola de Psicologia, que enfoca a impor-
Vygotsky e Wallon. tância do estudo do comportamento humano e animal.
Uma linha de abordagem também chamada de compor-
tamentalismo por direcionar um estudo mais objetivo e
experimenta na ciência do comportamento.

Cognitivismo – relativo à cognição. Ato de conhecer, de


REFERÊNCIAS assimilar e organizar percepções, experiências, informa-
ções, formando e desenvolvendo comportamentos e ca-
pacidades.
CASTRO, Amélia Domingues. Ensinar a Ensi-
nar. São Paulo: Pioneira, 1998. Empatia – o poder de identificar-se mentalmente com uma
pessoa e, dessa forma, poder compreendê-la. No âmbito
CÓRIA-SABINI, Maria Aparecida. Psicologia do da empatia, ocorre esse identificar-se com o outro, sem
perder a própria individualidade.
Desenvolvimento. São Paulo: Ática, 1998.
Holístico – relativo ou próprio de holismo. Que dá prefe-
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São rência ao todo ou a um sistema completo e não, à análi-
Paulo: 2007. se, à separação das respectivas partes componentes.

LEFRANÇOIS, Guy R. Teorias da Aprendiza- Hodierno – dos dias de hoje; atual.


gem. São Paulo: Learning, 2008.
Olhadela – olhada. Ação de olhar rapidamente.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo:
1990. Personalidade – caráter ou qualidade do que é pessoal.
O que determina a individualidade duma pessoa moral; o
que a distingue de outra.
HILL, Winfred F. Aprendizagem. Rio de Janeiro:
Guanabara, 1981.

PILETTI, Claudino. Didática Geral. São Paulo:


Ática, 1991.
4
Capítulo 4 55

Didática na Crise
Paradigmática
Prof. Ms. Roberto José da Silva
Carga Horária | 15 horas

Objetivos Específicos
• Compreender, no âmbito da Ciência Didática, o paradigma emergente;

• Compreender, no âmbito da Ciência Didática, o paradigma emergente;

• Identificar, no âmbito da ciência didática, o paradigma dialético e as novas


dimensões de ensino.

Introdução
Neste capítulo, serão abordadas, no âmbito da ciência didática, algumas cate-
gorias sobre o paradigma emergente. Num perspectivismo da era do conheci-
mento, faz-se necessário um direcionamento sobre a dimensão e configuração
da didática no âmbito da sociedade digital, configurando a importância desse
novo professor, com novas funções e novas metáforas. Para uma ação efetiva do
ato educativo, um conhecimento dessas categorias tem importância ímpar na
compreensão do processo ensino aprendizado e um melhor esclarecimento da
dinâmica educacional.

1. O Termo Paradigma e a Didática


Para uma compreensão da dinâmica educacional num perspectivismo não linear,
de suma importância, é necessário perceber as modificações que estão ocorrendo
no âmbito da sociedade. Dinamizar uma discussão sobre a Didática é necessário
para se ter uma reflexão crítica sobre os ‘diversos olhares’ dessa sociedade em
transformação. Uma questão pujante é situar-se nesse contexto (nesse dinamismo
do mundo social) que vem vivenciando grandes mudanças desde o pós-guerra.

Sem entrar no miolo da questão, o que se observa é uma aceleração vertiginosa


nos diversos campos do conhecimento humano.

O que tudo isso tem a ver com o termo Paradigma?

Como um conceito de paradigma influencia nessa percepção do


ser humano na forma de conduzir o seu saber?

São questões fundantes para o educador. Questões que, na sua essência, têm um
56 Capítulo 4

significado para um novo professor e suas novas as palavras de Rosemeire Carvalho sobre ‘a meta-
funções e novas metáforas. morfose da sala de aula para o ciberespaço’ (2005,
p.57):
Nas palavras de Rosana Pereira Lopes, no livro or-
ganizado por Hugo Assmann (2005, p. 33), ele diz: “O avanço das tecnologias de comunicação nos coloca no-
vas dimensões da realidade, como as competências intelec-
“Alguns desafios que considero importantes ao professor tuais, afetivas e éticas, e faz-se necessária a criação de elos
nesta reconfiguração, são eles: ressignificar as palavras, que favoreçam a transição da visão unidimensional para o
aprender e ensinar; reconhecer o ser humano como um olhar multidimensional do espaço escolar, enquanto espa-
coletivo auto-organizado; valorizar os sentimentos, as emo- ço amplo e favorecedor de ambientes de aprendizagem”.
ções e o inconsciente, compreender o ser indivíduo como
parte integrante de um sistema complexo; reconhecer a
técnica como parceira indissociável”.

Fonte: [Link]
Vivemos hoje um momento de mudança de para-
digma. Então, para o educador é condição ímpar
rever sua postura, refletir, criticamente, sobre essas
transformações que estão ligadas à maneira por
meio da qual experimentamos o tempo e o espaço.
O educador Marcelo Araújo Franco, no seu livro
‘Ensaio sobre as tecnologias digitais da inteligên-
cia’, reforça muito bem esse processo de mudança,
quando afirma: Nessa transição conceitual, na forma de conduzir
o processo de ensino aprendizagem sobre novos
“Forma-se uma nova era que o momento presente é mais moldes de perceber no tempo e no espaço, o mul-
importante. Um mundo difícil para aqueles cuja formação tidimensional é um grande avanço no dinamismo
sempre privilegiou a aquisição de informações e experiên-
histórico da educação e do espaço escolar. No seu
cias do passado em detrimento do que é atual e pontual.
Quando as pessoas têm dificuldades para memorizar, ma-
livro ‘Informática educativa: dimensão e proprie-
nipular e armazenar a enorme quantidade de informações dade pedagógica’ (1993), Moraes, M. C. enfatiza
imprescindíveis ao seu dia-a-dia, quão complicado fica que
esperar que elas guardem, no seu cérebro, os registros do
passado”. “Pensar na formação do professor para exercitar uma ade-
quada pedagogia dos meios, uma pedagogia para a moder-
nidade, é pensar no amanhã, numa perspectiva contempo-
Eis questões que merecem uma reconsideração
rânea e própria de desenvolvimento numa educação capaz
por parte do educador que lida no seu dia a dia
de manejar e de produzir conhecimento, fator principal
no trajeto da ‘arte de ensinar’. Realmente é pre- das mudanças que se impõem nesta antevéspera do Sécu-
ciso ser um ‘esteta’ para conduzir bem sua tarefa lo 21. E, dessa forma, seremos contemporâneos do futuro,
num mundo em transformação. Esse novo esteta construtores da ciência e participantes da reconstrução do
é aquele que, diante de tecnologias de comunica- mundo”.
ção (TIC), das redes digitais, da interface e do hi-
perlink, possa rever sua forma de direcionar sua Saliente-se que todas essas questões e discussões
abordagem metodológica diante dessas rupturas fazem parte diretamente do que se entende por
no ensinar, aprender e viver. Paradigma. Nas palavras do grande pensador Tho-
Estamos diante de um novo mas Kuhn, na sua brilhante obra: A Estrutura
paradigma educativo? das Revoluções Científicas, mostra-nos todo um
desdobramento crítico sobre a compreensão do
Um paradigma é um conjunto de regras que defi- que seja um Paradigma. Seguindo Kuhn, pode-se
ne qual deve ser o comportamento e a maneira de afirmar que um paradigma não pode resolver os
resolver problemas dentro de alguns limites defini- problemas que surgem; a necessidade de uma mu-
dos para que possa se obter êxito. Um paradigma dança vai aumentando. A vida de um paradigma
condiciona nossa ‘visão do mundo’, a perspectiva vivencia três fases, que vão desde uma etapa inicial
com a qual abordamos os temas e nos relaciona- de incorporação lenta, uma fase intermediária de
mos com o exterior. Pensemos um pouco sobre ritmo rápido e produtivo e uma fase de declínio,
Capítulo 4 57

quando começa a deixar de ser útil. Mudando o paradigma, mudam-se as regras, e, mudando-se as regras,
mudam-se todas as outras coisas. Eis uma verdade que precisa ser incorporada na forma de pensar, sentir
e agir, no campo epistemológico da didática.

Nas palavras da professora Kenski (2007, 46), ela ACHAMOS QUE VOCÊ PASSA TEMPO DEMAIS
BATENDO PAPO NA INTERNET...
enfatiza que
naum eh verdade >:-(

Fonte: [Link]
“Vivemos em um novo momento tecnológico, em que as
redes digitais – tornadas possíveis graças ao aumento da ve-
locidade de acesso e à ampliação da largura da banda de
transmissão de dados, voz, imagens etc. – e, principalmente,
a Internet exerce um papel social fundamental na movimen-
tação das relações financeiras, culturais e de conhecimentos.
Em relação à educação, as redes de comunicação trazem no-
vas e diferenciadas possibilidades para que as pessoas pos-
sam se relacionar com os conhecimentos e aprender.”

Então, diante das vertiginosas evoluções e crises no campo do conhecimento, decorrentes de uma série de
mudanças, em termos conceituais, nas estruturas paradigmáticas, é compreensivo também que, no âmbito
da educação, essas transformações ocorram. Com especificidade na esteira da didática, é preciso atentar
para outro dinamismo – não mais linear -; a mudança veio para ficar, o que se observa não é o fim do
professor-artesão e, por extensão, o da profissão docente. Apesar das dificuldades inerentes à profissão,
o que antever é que novas funções estruturais da ação docente precisam ser ativadas. Um pequeno texto
introdutório da professora Kenski (2007, p. 11) dá-nos uma ideia dessa simbiose entre o termo Paradigma
e Didática.

Educação e Tecnologias: o novo ritmo da informação

Ligo meu computador e já acesso a Internet. Entro no endereço da minha universidade, no


mundo virtual. Uma tela se abre diante dos meus olhos. Identifico-me, utilizando minha web-
cam e minha senha de acesso. No mesmo instante, sou transportada para o ambiente tridimen-
sional interativo em que estudo. Uma tela me pergunta qual será a identidade que irei utilizar.
Escolho o nome, o sexo e a figura que irá me representar na tela, o meu avatar. Comando os
seus ângulos de visão, suas emoções e a forma como vou fazer o controle de suas ações, por
comandos de voz, pelo mouse ou pelo teclado. Encarnada na figura que me representa no
mundo virtual, passo pela avenida principal e subo as escadas para entrar no laboratório de
projetos. Deixo para trás os sons dos carros e o barulho dos pássaros virtuais.

Dentro do ambiente, ouço as vozes das outras alunas que fazem parte de meu grupo de traba-
lho (Cinthya, do Canadá, Vichy, da França, Mayte, da Venezuela e Shzlan, da Filandia) e que
me cumprimentam. Converso com elas sobre o que temos de fazer hoje. Logo chegam Lioness,
o professor dinamarquês, e Marita, a assistente espanhola. Convencionamos usar o inglês
operacional da rede, já padronizado e com múltiplas formas de expressão (oral, escrita, gráfica
etc.), para atender a todos da equipe, principalmente Vichy, que não escuta.

A nossa atividade nesse momento é terminar a construção do espaço virtual para apresentação
de nossas pesquisas sobre ‘educação e tecnologias’. Trabalhamos em colaboração na definição
do layout e no dimensionamento das peças que vamos utilizar. Debatemos e experimentamos a
reutilização de modelos anteriores, já disponíveis. Com o uso de programas específicos, apro-
veitamos alguns desses materiais e nos distribuímos para criar as peças que faltam no novo
ambiente. Definimos que faremos um grande jardim em que as pesquisas serão apresentadas
em painéis imersivos. As pessoas poderão caminhar pelo jardim e escolher como interagir
com cada uma das apresentações. Cada painel convidará gentilmente as pessoas para imergir
no tema tratado. Dentro do painel, uma grande rede, distribuída em camadas hipertextuais,
levará o convidado para diversos tipos de apresentações e interações (sons, vídeos, estruturas
técnicas, blogs, espaços de bate-papo com a presença do autor do trabalho, fóruns de deba-
58 Capítulo 4

tes, atalhos para tetos mais densos e literaturas mais leves, muitas animações e jogos, muitos
jogos). Trabalhamos duro, trocamos ideias e nos dividimos em duplas para montar os painéis e
todo o espaço a nossa volta. Comandando os nossos avatares, podemos correr, pular, voar, car-
regar painéis e expressar nossas emoções. Interagimos em tempo real e criamos rapidamente
os últimos detalhes do espaço das apresentações. Terminamos o projeto em pouco tempo e já
podemos convidar todos os que tiverem acesso ao mundo virtual para visitar nossas instalações
e interagir com nossos projetos.

Idealizamos um caminho amplo e agradável em meio a um jardim, cheio de plantas, flores


e canto de pássaros. Se o visitante quiser olhar em outra direção, irá encontrar o mar com o
movimento e o barulho das ondas quebrando na areia da praia. Passeando por esse jardim,
os visitantes poderão ver, em outdoors, as apresentações tridimensionais de nossos projetos.
Poderão penetrar em cada projeto – casa, fábrica, escritório, museu e biblioteca -, vivenciar
suas instalações e as respostas oferecidas em cada um deles aos novos desafios que o tema
‘educação e tecnologia’ está apresentando. Terão acesso também a todas as referências teóri-
cas utilizadas para elaboração de cada estudo. Poderão conversar com os autores em salas de
bate-papo que constam da programação do evento virtual. Será possível também debater as
propostas nos fóruns especialmente criados em cada apresentação. Poderão interagir com as
propostas e alterá-las como lhes convier. Essas alterações serão salvas como novas opções e
servirão para o aprofundamento dos estudos realizados. A ideia é a de que todos, professores,
alunos e visitantes, explorem novos conceitos e novas propostas de aprendizagem. Baseados
na interação permanente, na comunicação e na ação, todos aprofundam seus conhecimentos
de forma criativa e agradável.

Antes que imaginem que tudo o que descrevi é ficção científica, é bom saber que experiências
como essa e outras mais incríveis ainda ocorrem diariamente nos espaços educacionais existen-
tes nos mundos virtuais. São aulas que podem ser realizadas na Lua, em Marte, em laboratórios
de medicina, veterinária ou educação. Disciplinas em que os alunos exploram os ambientes do
fundo do mar ou de regiões de difícil acesso, como um deserto ou o Everest. Tudo isso sem sair
da frente da telinha do computador.

2. Perspectivas das Novas


SAIBA MAIS!
Tecnologias na Didática
r vídeos
Sobre Paradigmas ve
As novas tecnologias abrem perspectivas na práti-
.com/watch?v=A
[Link] ca pedagógica. O papel do professor na Sociedade
tur e= related
yjFypN3WqE&fea digital precisa afinar com outro ritmo na forma de
.com/watch?v=Z conduzir a leitura e seu trabalho acadêmico. Ou
[Link]
re= related seja, as novas tecnologias da informação e da co-
2PPqvD5eoU&featu
municação, segundo ASSMANN (2005, P. 18):
.com/watch?v=a
[Link]
re= related
H4YUKouhNs&featu “já não são meros instrumentos no sentido técnico tradi-
. y o u t u b e . cional, mas feixes de propriedades ativas. Isso significa que
h t t p : / / w w w
v = b K I i 9 g - as tecnologias da informação e da comunicação se trans-
c o m / w a t c h ?
ate d formaram em elemento constituinte (e até instituinte) das
s1P4&feature=rel
nossas formas de ver e organizar o mundo”.

Atividade | E no ‘mundo da educação’ o professor precisa


Tomando como base a leitura do texto, faça acompanhar essas novas funções estruturantes (das
uma reflexão sobre o espaço virtual criado tecnologias didáticas) para viabilizar novas formas
pela Internet – Ciberespaço. Com seus pares, de ação, no sentido de garantir uma melhor res-
retrate algumas observações sobre os novos posta na aprendizagem do educando.
paradigmas e as novas didáticas e o papel do
professor nessa nova modalidade. Leve suas Nesse novo ritmo da informação, o professor preci-
impressões para o nosso fórum. sa estar atento aos novos espaços, aos novos meios
Capítulo 4 59

de comunicação, (mídias, derivado do inglês, mass muitas de suas ações durante toda a sua vida. Mas,
media ou, em português, meios de comunicação ao longo do processo civilizatório, fazem-se presen-
de massa) que ampliam o acesso a notícias e in- tes outros meios na forma de exprimir o ato de
formações para todas as pessoas. As tecnologias comunicar.
também servem para informar e comunicar, nas
palavras de Kenski (2007, p. 27): A linguagem escrita configura nova matriz no te-
cido da comunicação, representando, em linhas
“A necessidade de expressar sentimentos e opiniões e de gerais, uma necessidade de compreensão do que
registrar experiências e direitos nos acompanha desde tem- está sendo comunicado graficamente. Ainda nas
pos remotos. Para viabilizar a comunicação entre os seus palavras de Kenski (2007, p. 29):
semelhantes, o homem criou um tipo especial de tecno-
logia, a ‘tecnologia de inteligência’ como é chamada por
“A criação e o uso da escrita como tecnologia de comuni-
alguns autores. A base da tecnologia de inteligência é ima-
cação surgem quando os homens deixam de ser nômades
terial, ou seja, ela não existe como máquina, mas, como
e passam a ocupar, de forma mais permanente, um deter-
linguagem”.
minado espaço, onde praticam a agricultura... A partir da
escrita, dá-se a autonomia da informação. Já não há neces-
Até chegar a esse desenho das novas tecnologias sidade da presença física do autor ou do narrador, para que
na didática, observe-se que o ser humano no seu o fato seja comunicado”.
trabalho laboral, no dinamismo de sua linguagem
passou por várias etapas ao longo da história. Eis
alguns momentos:

Nas palavras de Kenski (2007, p. 28):

“A mais antiga forma de expressão, a linguagem oral, é uma


construção particular de cada agrupamento humano. A
oralidade primária requeria a presença e a proximidade en-

Fonte: [Link]
tre os interlocutores. Incorporada aos sistemas corporais, a
linguagem falada limitava o homem ao espaço do seu gru-
po, onde ele circulava e se comunicava... A sociedade oral,
de todos os tempos, aposta na memorização, na repetição
e na continuidade.

Ocorre um salto qualitativo no ato comunicativo.


Isso permite no espaço escolar utilizar-se de uma
ferramenta para a ampliação da memória e para a
comunicação.
Fonte: [Link]

Esse novo ‘retrato’ no âmbito da linguagem re-


presenta um avanço singular na compreensão dos
fatos da vida cotidiana. Saliente-se que, como tec-
nologia de informação e comunicação, como bem
expressa Kenski (2007, p. 31)

“Como tecnologia auxiliar ao pensamento, possibilita ao


Observa-se que, nessa forma de comunicação, faz- homem a exposição de suas ideias, deixando-o mais livre
se presente a dimensão da ‘memória educativa’. para ampliar sua capacidade de reflexão e apreensão da
Ou seja, no âmbito da memória educativa, é talvez realidade”.
o principal papel do professor em todos os tempos.
Na memória educativa, incluem-se os mais diver- Outro tipo de linguagem que retrata o papel do
sos objetivos da ação docente. Não resta dúvida professor como agente da memória na sociedade
da importância dessa tipologia (linguagem oral) digital compreende, URGENTE TEXTO IN-
na forma de conduzir todo um projeto de convi- COMPLETO
vênci;, ocorre uma ‘aura’ ou estilo que vai permear
60 Capítulo 4

Sobre essa terceira linguagem na perspectiva das de meios que possam viabilizar no campo da didá-
novas tecnologias didáticas, articula-se com as tec- tica, o que se entende por (re-configurar as formas
nologias eletrônicas de informação e comunicação. como lemos e acessamos as informações) e as trans-
Como bem explicita Kenski (2007, p. 31): mitimos ao educando.

“A linguagem digital é simples, baseada em códigos biná- Para um bom uso das novas tecnologias na didáti-
rios por meio dos quais é possível informar, comunicar, ca, é preciso algumas categorias:
interagir e aprender. É uma linguagem de síntese, que en-
globa aspectos da oralidade e da escrita em novos contex-
1. O conhecimento do professor desses mecanis-
tos. A tecnologia digital rompe com as formas narrativas
mos para o melhor uso pedagógico da tecnolo-
circulares e repetidas da oralidade e com o encaminhamen-
to contínuo e sequencial da escrita e se apresenta com um
gia, seja ela nova ou velha;
fenômeno descontínuo, fragmentado e, ao mesmo tempo,
dinâmico, aberto e veloz”. 2. Adequação da tecnologia ao conteúdo que vai
ser ensinado e aos propósi-
tos do ensino;

3. Não superdimensionar o
papel dos computadores na
ação educativa.

Nas palavras de Kenski


(2007, p. 66) enfatiza que

“As TICs e o ciberespaço, como


um novo espaço pedagógico, ofe-
recem grandes possibilidades e
desafios para a atividade cogniti-
va, afetiva e social dos alunos e
Fonte: [Link]

dos professores de todos os níveis


de ensino, do jardim-de-infância
à universidade. Para que isso se
concretize, é preciso olhá-los de
uma nova perspectiva”.

Nesse dinamismo, no plano histórico, a linguagem


Fonte: [Link]

como forma mais expressiva do humano vai con-


figurando novos direcionamentos na imensa rede
de meios de comunicação. Então, quando se fala
em Didática dentro dessa nova lógica, não se pode
pensar em ordem linear. Ou seja, a linguagem digi-
tal expressa uma imensa e complexa rede de meios
de comunicação – a base da linguagem digital são
os hipertextos, sequenciais em camadas de docu-
mentos interligados, que funcionam como páginas
sem numeração e trazem informações variadas so-
bre determinado assunto. Nesse processo de educar para o inovar, é preciso
uma mudança significativa no ato de planejar e de
O que se observa nessa nova confluência das tec- conceber as dinâmicas de aprendizagem. Fazer uso
nologias, com especificidade a linguagem digital, de uma reflexão crítica na forma de conduzir bem
é o criar uma nova cultura e uma outra realidade o trabalho pedagógico.
informacional. Quando falamos outra cultura, si-
nalizamos um repensar, no processo educacional, Com muita pertinência à questão, nas palavras de
Capítulo 4 61

Kenski (2007, p. 67), citando o professor João Pe- Entenda-se que essas novas metáforas retratam que
dro da Ponte: a busca de um novo paradigma é questão emer-
gente.
A sociedade e as tecnologias não seguem um rumo de-
terminista. O rumo depende muito dos seres humanos e,
sobretudo, da sua capacidade de discernimento coletivo. ÉTICA
Consciência
O problema com que nos defrontamos não é o simples do-
mínio instrumental da técnica para continuarmos a fazer
as mesmas coisas com os mesmos propósitos e objetivos,
apenas de uma forma um pouco diferente.

Não é tornar a escola mais eficaz para alcançar os objetivos PRAGMÁTICA EPISTÉMICA
do passado. O problema é levar a escola a contribuir para Ação Ciência
uma nova forma de humanidade, em que a tecnologia este-
ja fortemente presente e faça parte do cotidiano, sem que
isso signifique submissão à tecnologia.
A sociedade do Conhecimento surge no século XX
junto com a Revolução Tecnológica, conforme os
dizeres de Behrens (2008, p. 20), quando afirma
SAIBA MAIS! que
Didática ver Ví-
Sobre Tecnologias na “O avanço da Produção Agrícola e da Era Industrial foca-
deo liza-se na superação da reprodução para a produção do co-
.com/watch?v=F nhecimento. A Revolução Tecnológica aliada à Sociedade
[Link]
re=related
dXwNMqFhGO&featu
do Conhecimento provocou um grande encontro da era
Oral, Escrita e Digital. Essa triangulação vem se formando
. y o u t u b e .
h t t p : / / w w w e tem como base o capital humano ou intelectual. Para tan-
v = F o X 5 O _
c o m / w a t c h ? to, a sociedade precisa proporcionar processos de aprendi-
d
ZORQ&feature=relate zagem que envolva a criação e a busca de desenvolvimento
de talentos nos seres humanos”.
[Link]/
h t t p : / / w w w. y o
ture=fvw
watch?v=OZ2VnWfea
Nas novas dimensões de ensino, não devemos
separar a dimensão ética da pragmática e esta da
epistêmica. Ou seja, o campo pragmático, sendo
Atividade | Reflita sobre o texto acima e res- a execução das tarefas de forma sistemática com
ponda: é possível fazer uso das novas tecnolo- resultados efetivos, não deve desatrelar-se do ce-
gias no âmbito da didática? Leve sua resposta nário epistemológico da atualidade; é necessária
para o nosso fórum. uma nova relação pedagógica, mais reflexiva, que
considere a multiculturalidade, a complexidade
fenomenológica da realidade e a diversidade dos
sujeitos. Nessa nova ordem epistêmica, faz-se ne-
3. Os Paradigmas e as Novas cessário pensar o viés da consciência ética. Como
Dimensões de Ensino bem explicita Edgar Morin (2004, p. 43):

Nos tempos hodiernos, o que se observa ainda é o “Uma ética da complexidade distancia-se das simplifica-
continuísmo de uma prática pedagógica atrelada ções do homo sapiens e inscreve-se no contexto do univer-
à margem do avanço tecnológico. Nas palavras de so, em especial, da vida”.
Rosemeire, Carvalho (2005, p. 56) enfatiza muito
bem que Nas palavras da pesquisadora Marilda Aparecida
Behrens (2003, p. 90), sobre o paradigma do en-
“Vivemos uma época que importa repensar o fazer peda- sino:
gógico, encontrar um outro sentido, discutir os padrões
de pensamentos predeterminados e substituí-los por novas “Com a sociedade da informação, o conhecimento ficou
metáforas”. disponível na rede informatizada, nas redes de comunica-
62 Capítulo 4

ção televisadas. Portanto o acesso ao conhecimento não seguindo programas educativos a distância, utilizando-se
está mais localizado numa única instituição, mas, sim, em dos correios eletrônicos, participando de conferências ele-
toda a aldeia global... O desafio que se impõe nessa socie- trônicas desterritorializadas, nas quais interagem com os
dade é o de como acessar a informação recebida, como melhores pesquisadores de cada área do conhecimento”.
interpretá-la e, acima de tudo, como produzir novas infor-
mações com criatividade, ética e visão global”.

SAIBA MAIS!

es de ensino
Sobre novas dimensõ
Fonte: [Link]
[Link]/
h t t p : / / w w w. y o
Vk TH 9X hq
watch?v=XYX
[Link]/ojs-2.2/
[Link]
nh os lin guestica/arti-
[Link]/cami
cle/ViewFile/893/715

Esse é o grande desafio que perpassa o campo do


ensino - com especificidade a dimensão didática.
Algumas funções são emblemáticas para a constru-
ção de um ‘novo saber’ na prática do educador:

1. O professor, agente de memória na sociedade


digital. Como bem explicita Kenski (2001, p. TARE S
99): TEXTOS COMPLEMEN
“No universo de informações apresentadas pelos media
Paradigma na Educa-
e equipamentos eletrônicos de última geração, o papel Sobre a temática do
do professor é recuperar a origem e a memória do saber, ção, ver filmes:
de estabelecer uma certa ordem e direcionamento para a
O Sorriso de Mona Lis
as práticas, os conhecimentos, as vivências e os posicio- d_o- sorriso_de-mo-
[Link]
namentos apreendidos nos mais variados ambientes e
na_lisa_dublado/
equipamentos: dos livros aos computadores, redes e am-
bientes virtuais”. O Nome da Rosa .
emprefilmes
[Link] du bla do .
_da_rosa_
2. O professor, agente de valores na sociedade com/2008/12/o_nome
html
digital. Ainda, nas palavras de Kenski (2001,
p. 102), retrata que Ponto de Mutação .
[Link]
“O professor de todos os níveis de ensino não pode mais [Link] tao leg en da -
_de_mu
se postar diante do conhecimento com ‘aquele que sabe’, com/2008/06/ponto
[Link] ml
mas, sim, como ‘aquele que pesquisa’... Além disso, nos
ambientes virtuais de aprendizagem, o professor dedica- Preciosa -
[Link]/preciosa_legen
se a um processo intensivo de interação com cada um [Link]
dos alunos (o que é impossível nos ambientes presen- dada_2010/
ciais) e o estimula a comunicar-se (principalmente por
escrito). Tem condições para ouvir e responder às suas
perguntas e orientar suas dúvidas”.

3. O professor, agente criador e estimulador de


inovações. Como bem enfatiza Kesnki no seu
texto ‘sobre o papel do professor na sociedade
digital’ (2001, p. 104):
“Com os recursos das redes, os estudantes podem usu-
fruir formas híbridas de ensino (presenciais e a distância),
Capítulo 4 63

TARES Atividades | Pesquise com seus pares sobre


TEXTOS COMPLEMEN os paradigmas e suas implicações nas novas
ca
Livros sobre a temáti dimensões de ensino. Leve suas observações
para o nosso fórum.

RESUMO
Vimos, ao longo do capítulo, algumas
reflexões em torno da problemática: Di-
dática na Crise Paradigmática. No mun-
do contemporâneo, pensar a dimensão
da ciência da didática faz-se necessá-
rio recorrer ao conhecimento da nova
tecnologia. Num perspectivismo não-
as e a Educação linear, observou-se a importância e di-
A Crise dos Paradigm
ia. Ed . Cortez, 1994. mensão que têm o tema Paradigma na
BRANDÃO, Za
nova ordem do campo educacional. Fi-
cou evidenciado que a perspectiva das
novas tecnologias na didática abre um
novo dinamismo na forma de elucidar
o movimento da ação didática e suas
diversas configurações nas dimensões
de ensino.

na Transição
REFERÊNCIAS
Educação a Distância
Parad igm áti ca
arã es Ol ive ira , Ed. Papirus ASSMANN, Hugo. Redes Digitais e Metamorfo-
Elsa Guim
se do Aprender. Petrópolis: Vozes, 2005.

BEHRENS, Marilda Aparecida. O paradigma


emergente e a Prática Pedagógica. Curitiba:
Champagnat, 2003.

_______________________. Paradigma da
complexidade – metodologia de projetos, con-
tratos didáticos e portfólio. Petrópolis: Vozes,
2008.

CASTRO, Amélia Domingues. Ensinar a Ensi-


nar. São Paulo: Pioneira, 1998.

FRANCO, Marcelo Araújo. Ensaio sobre as


luções Científicas
A Estrutura das Revo tecnologias digitais da inteligência. Campinas:
KUHN, Thomas S.
Papirus, 1997.
Ed. Perspectivas
64 Capítulo 2

KENSKI, Vani Moreira. Educação e Tecnologia –


novo ritmo da informação. Campinas: Papirus,
2007.
KUHN, Thomas S. A Estrutura das Revoluções
Científicas. São Paulo: Perspectiva, 1994.

MORIN, Edgar. Religando Fronteiras. Passo


Fundo: UPF Editora, 2004.

GLOSSÁRIO
Epistêmico – estudo crítico dos princípios, hipóteses e re-
sultados das ciências já constituídas; teoria da ciência.

Fenomenologia – corrente filosófica iniciada pelo filósofo


Edmund Husserl. Sentido gera: estudo descritivo de um
conjunto de fenômenos, tal como eles se manifestam no
tempo ou no espaço, por oposição quer às leis abstratas
e fias destes fenômenos, quer à realidade transcendente
de que seria a manifestação.

Hodierno – dos dias de hoje; atual.

Pragmática – conjunto de fórmulas para as cerimônias da


corte ou da igreja.

Multiculturalidade – pode-se pensar nas expressividades


diversas no âmbito da Cultura. Um enfoque multicultural
categoriza toda forma de expressão de um povo.

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