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Cisalhamento e Hipermineralização Odontológica

O documento aborda as propriedades dos materiais odontológicos, classificando-as em físicas, mecânicas, químicas, biológicas, estéticas e diversas. Discute conceitos fundamentais como tensão, força, deformação, e suas implicações na resistência e comportamento dos materiais sob diferentes condições. Além disso, explora propriedades específicas como elasticidade, dureza, ductilidade, e suas aplicações na odontologia.
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Cisalhamento e Hipermineralização Odontológica

O documento aborda as propriedades dos materiais odontológicos, classificando-as em físicas, mecânicas, químicas, biológicas, estéticas e diversas. Discute conceitos fundamentais como tensão, força, deformação, e suas implicações na resistência e comportamento dos materiais sob diferentes condições. Além disso, explora propriedades específicas como elasticidade, dureza, ductilidade, e suas aplicações na odontologia.
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BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

PROPRIEDADE DOS MATERIAIS todo o material possui baixa resistência a esse tipo de
ODONTOLÓGICOS tensão; força perpendicular a área de interesse, porém com
direções opostas.
As propriedades dos materiais odontológicos podem ser
classificadas em propriedades físicas, propriedades
mecânicas, propriedades químicas, propriedades biológicas,
propriedades estéticas e propriedades diversas.

CORPO EM REPOUSO

Equilíbrio entre as forças internas; não existe a interferências


de forças externas; Equilíbrio dinâmico;

FORÇA

Tende a tirar o corpo de seu estado de inercia; Grandeza


física EXTERNA ao objeto; ex: Força aplicada a uma
restauração durante a mastigação; Produz dois efeitos: Tirar
o corpo de seu estado de inércia ou causar mudança em
dimensão e formato; COMPRESSÃO
A força é caracterizada por uma direção, sentido e
magnitude; Se as cargas forem aplicadas de modo a tenderem comprimir
o corpo, as cargas serão chamadas de compressão, e as
F=MXA tensões induzidas pelas mesmas serão chamadas de tensões
de compressão; tendem a aproximar os átomos; força
TENSÃO perpendicular a área de interesse que promove a
aproximação dos átomos;
As partículas constituintes de um corpo reagem à ação de
uma força externa, por uma reação que é chamada tensão;
Resposta interna do objeto à força aplicada por unidade
área; resistência que um material manifesta perante a força
aplicada a ele; Tensão é a força interna que se opõe à força
externa, também chamada de carga (REAÇÃO); intensidade
da força interna, ou componente de força, que atua sobre
um plano determinado;

T=FXA

FRATURA

Não é resultante da força aplicada em um objeto, mais sim


da tensão nele gerada; Ex: Uma folha de papel pode ser
facilmente rasgada por uma força x, porém uma resma de
papel com a mesma força x não é facilmente rasgada (o que
difere nessa situação foi a área total);
CISALHAMENTO
TIPOS DE TENSÃO
Se as cargas forem aplicadas de modo a provocar uma torção
Podem ser classificadas em 4 tipos; Tração, compressão, da substância, como é o caso das forças aplicadas em um
cisalhamento e tensões complexas corpo em sentido contrário e em direções diversas, ter-se-á
a indução de tensões de torção, comumente chamadas de
TRAÇÃO tensões de cisalhamento; o sentido da tensão gerada tende
a fazer os átomos escorregarem entre os planos;
Se as cargas forem axiais (no sentido do longo eixo) e
aplicadas nos extremos do corpo, numa mesma direção,
porém em sentidos divergentes, tendendo a distender o
corpo, as cargas serão ditas de tração e as tensões induzidas
no corpo chamadas de tensões de tração; ou seja, o sentido
das tensões geradas tende a afastar os átomos; em geral,
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

deformações residuais da estrutura, ou que se verificam


após cessar a ação da força externa que as produziu.

TENSÕES COMPLEXAS
LIMITE DE PROPORCIONALIDADE
Na realidade, as tensões de tração, de compressão e de
cisalhamento apresentam-se geralmente em conjunto, sob a É a tensão máxima até a qual a tensão e
forma de tensões complexas, como é o caso das próteses deformação são proporcionais. Tensão máxima
fixas, quando em função na mastigação; é a presença de
todas as tensões ao mesmo tempo;
(LIMITE) que o objeto resiste antes do limite
elástico. Encontra-se uma constante; Lei de Hook -
TENSÕES EM RELAÇÃO AO TEMPO > As tensões aplicadas em um corpo causam
deformações proporcionais até o limite de
TENSÃO CONTINGENTE – Liberadas imediatamente após a proporcionalidade (LP);
remoção da força aplicada;
TENSÃO RESIDUAL – Não se libera imediatamente após a
Segundo a Lei de Hooke, as tensões são
remoção da força; é necessário algum tempo para que essa diretamente proporcionais às deformações
tensão seja liberada; em alguns casos jamais ocorre durante as deformações elásticas. Então, quando
se aplica uma carga a um material, este deverá
DEFORMAÇÃO – GRANDEZA ADIMENSIONAL apresentar uma deformação proporcional à carga.
Alteração na forma e/ou dimensão do objeto resultante de
Porém, há um momento em que a carga atinge um
uma força aplicada; Deformação de um corpo é a alteração nível em que a deformação deixará de ser
de suas dimensões, por unidade de dimensão (dimensão proporcional para ser progressivamente maior.
total). As cargas são inicialmente insuficientes, em Isso ocorre quando é atingido o limite de
magnitude, para provocar proporcionalidade do material.
deformações do corpo. Com o aumento na magnitude dessa
carga, haverá o aparecimento de deformações, o que indica
O limite de proporcionalidade pode ser definido,
que a reação interna foi superada. então, como a maior tensão capaz de ser
Tensão e deformação não são propriedades independentes suportada por uma estrutura até a qual as tensões
ou não-relacionadas, mas estão intimamente ligadas e sejam proporcionais às deformações respectivas.
podem ser vistas como um exemplo de causa e efeito.

DEFORMAÇÃO ELÁSTICA

Quando desaparecem pela remoção das forças que a


produziu, o que deixa implícito o retorno do corpo às
dimensões existentes antes da aplicação da carga, bem
como o restabelecimento das distâncias que havia entre os
átomos. O objeto retorna às suas dimensões originais assim
que a força é removida; está sempre presente, sendo a
primeira forma de deformação quando um objeto é
submetido a uma força.

DEFORMAÇÃO PLÁSTICA/PERMANENTE

Objeto não retorna as suas dimensões originais quando a


força é removida; uma deformação permanente estará LIMITE DE ELASTICIDADE
presente. Só ocorre depois da deformação elástica; São as
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

Tensão máxima que um material pode resistir MÓDULO DE ELASTICIDADE


(suportar) antes da deformação
plástica/permanente – Flexibilidade máxima: Quanto maior for o módulo de elasticidade de um
Deformação elástica máxima que um material material, menor é a sua elasticidade. Determina a
suporta; rigidez de um material. Quando maior o módulo
As deformações, até determinado ponto são de elasticidade, mais rígido; quanto mais rígido,
elásticas, isto é, recupera suas dimensões maior será a força aplicada para que se deforme
originais. Verifica-se, porém, que ultrapassada elasticamente.
uma tensão determinada, a recuperação não será Quanto menor for a deformação para uma
total, ou seja, a elasticidade não é completa e o determinada tensão, maior será o valor do módulo
material apresenta deformações plásticas ou de elasticidade, ou seja, é mais rígido e necessita
permanentes. Esta tensão máxima, além da qual a de uma força maior para que haja a deformação;
recuperação do material não é total, advindo à Quando você tem um baixo módulo de
deformação permanente, determina o limite de elasticidade, isso é uma característica de um
elasticidade, podendo ser definido como a tensão material flexível, ou seja, uma tensão aplicada
máxima capaz de ser suportada por uma produziu uma grande deformação. Já quando se
substância de modo que, removida a carga, o tem um módulo de elasticidade alto, temos um
material retorne às suas dimensões originais. material rígido, pois uma tensão aplicada produziu
uma pequena deformação.
LIMITE DE PROPOCIONALIDADE = LIMITE DE
ELASTICIDADE
Até agora, a discussão prendeu-se às forças
mecânicas que eram aplicadas de forma
constante e por um período arbitrário e longo
(forças estáticas). Nos dentes, durante a
mastigação, não é este o tipo de força atuante.
Assim, ela perdura por alguns momentos e é
criada devido ao movimento da mandíbula sobre
a maxila (forças dinâmicas). Quando da ação de
tensões dinâmicas, propriedades outras são ainda
exigidas da estrutura em questão.

RESILIÊNCIA

Energia necessária para provocar uma deformação


elástica; encontra-se dentro do limite elástico; o
material absorve energia até o limite elástico;
Resiliência é a quantidade de energia absorvida
por uma estrutura quando sofre a ação de tensões
FLEXIBILIDADE não superiores ao seu limite de proporcionalidade.
A resiliência está intimamente ligada ao impacto;
É a propriedade apresentada por determinadas
substâncias, de ser possível de grandes
deformações elásticas, com tensões de magnitude
relativamente pequena.

LIMITE DE RUPTURA

Tensão máxima onde ocorre a fratura;


BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

Capacidade de um material em se transformar em


um fio. Deformação permanente de máxima
tração. Propriedade que apresentam certas
substâncias de resistir a grandes deformações
plásticas, quando sob tensões de tração.
Substância dúctil é, pois, aquela capaz de sofrer
deformações permanentes, relativamente,
grandes, quando sob tensões de tração, sem
fraturar-se (fios).

MALEABILIDADE

Capacidade de um material em se transformar em


chapa; por sua vez, é a propriedade de certos
corpos resistirem a grandes deformações, quando
sob a ação de tensões de compressão, sem que
ocorra ruptura. Substância maleável é, pois,
aquela capaz de apresentar grandes deformações
permanentes, sob tensões de compressão, sem
fraturar-se.
RESISTÊNCIA
DUREZA
Resistência é a Energia máxima necessária para
fraturar uma estrutura. Ela pode ser chamada de Capacidade do material em resistir a penetração;
resistência: à tração, à compressão ou ao riscado com a ponta de um material; quanto maior
cisalhamento, dependendo do tipo predominante a dureza, maior o limite de proporcionalidade;
de tensão envolvida. Uma outra denominação é a pode ser interpretada como a resistência à
Tenacidade, ou seja, a propriedade de ser difícil de deformação permanente, ou a resistência à
quebrar. penetração, a resistência ao corte ou a ser riscado,
ou ainda resistência ao desgaste. A grande maioria
TENSÃO DE RUPTURA está baseada na capacidade do material de resistir
à penetração de uma ponta com carga específica.
Muito próxima do limite de proporcionalidade; Quanto maior a penetração da ponta, menor a
materiais de alta resistência – cerâmica. dureza; quanto menor a penetração, maior a
dureza.
FRAGILIDADE
REOLOGIA
Propriedade que o material tem de fraturar com
nenhuma ou pequenas deformações plásticas – Estudo do escoamento dos materiais;
material friável; oposto da resistência; assim, por
exemplo, o vidro é friável à temperatura VISCOSIDADE
ambiente, já que ele não se dobra
apreciavelmente sem fraturar-se. Em outras Resistência de um líquido ao movimento de
palavras, um material frágil tende a se fraturar escoamento; inversamente proporcional a fluidez;
próximo ao seu limite de proporcionalidade. As um material de pouca viscosidade requer somente
substâncias frágeis deformam-se pouco antes que uma pequena pressão para produzir um alto
ocorra a fratura. escoamento, enquanto um material mais viscoso
requer uma pressão maior para produzir um
DUCTIBILIDADE pequeno escoamento. Um fluido altamente
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

viscoso escoa vagarosamente devido à sua alta propriedade usualmente chamada de cor;
viscosidade. Este conceito é familiar para qualquer sensação induzida pela luz com diferentes
pessoa que compara as propriedades do comprimidos de onda; assim como as formas
escoamento da água com aquelas do melaço. físicas apresentam 3 dimensões (comprimento,
largura e profundidade), quantitativamente, a cor
TIXOTROPIA é descrita em função de 3 atributos
tridimensionais específicos e que são
A viscosidade da maioria dos líquidos diminui definidos como Matiz, Luminosidade e Saturação;
rapidamente com o aumento da temperatura. Ela
também está na dependência de deformações MATIZ
prévias do líquido e, neste caso, eles são
conhecidos como tixotrópicos; (lembrar da pasta Cor dominante do objeto – nome da cor em si. Ele
de dente) está na dependência do comprimento de onda
Escoamento depende de uma deformação prévia dominante. É uma sensação. Para que a cor exista,
um observador (vivo ou mecânico) deve perceber
PROPRIEDADES TÉRMICAS esta sensação.

COEFICIENTE DE EXPANSÃO TÉRMICO LINEAR CROMA

É a medida da alteração do tamanho, em linha, de Força do matiz, o quanto a matiz é intensa; grau
um material ao se contrair ou se dilatar quando de saturação ou de intensidade de uma
variamos a sua temperatura; determinada cor; grau de concentração de um
matiz em particular e é chamado de saturação ou
CONDUTIVIDADE TÉRMICA croma. Por exemplo: se em
um copo com água for adicionado uma gota de
Velocidade que a energia térmica atravessa um substância de cor verde, esta água apresentará
material; a condutibilidade térmica é uma uma leve aparência verde. Conforme sucessivas
medida termofísica de quanto calor é transferido gotas vão sendo adicionadas, o matiz não varia, se
através de um material através da condução. todas as gotas procedem da mesma fonte de
corante, o meio torna-se progressivamente
CONDUTIBILIDADE ELÉTRICA saturado, isto é, o croma aumenta. Quanto maior
for a saturação, mais pura e intensa é a cor. A
Velocidade que uma corrente elétrica atravessa saturação não existe isoladamente, ela está
um material; sempre associada ao matiz e à luminosidade.

GALVANISMO BUCAL VALOR

Saliva -> Solução eletrolítica; íons carregados em É a luminosidade de uma cor (claridade ou escuro);
solução; Criação de correntes elétricas as cores podem ser divididas em tonalidades
intraoralmente, causando efeitos colaterais para o claras ou escuras. Esta claridade, que pode ser
paciente; alguns materiais formam ligas metálicas medida independentemente do matiz, é chamada
que quando em contato com a saliva formam de luminosidade. é uma propriedade acromática
corrente. – com ausência de qualquer matiz – e pode ser
simplesmente definida como brancura ou
PROPRIEDADES ÓPTICAS negrume.
OBJETOS OPACOS (OPACIDADE)
COR
É a propriedade que previne a passagem de luz,
A combinação de intensidade de comprimentos de por exemplo, quando um objeto reflete a
onda presentes no feixe de luz determina a totalidade das cores do espectro, contida em uma
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

fonte de luz branca, na mesma intensidade que a colocado atrás do material não pode ser visto
recebida, este claramente.
objeto aparecerá branco. Se todas as cores forem
absorvidas igualmente, o objeto aparecerá preto. TRANSPARÊNCIA

TRANSLUCIDEZ Permite a passagem da luz com pouca ou


nenhuma distorção, favorecendo a visualização
É a propriedade que permite a passagem da luz através do material.
com alguma distorção, de maneira que um objeto

PROTEÇÃO DO COMPLEXO DENTINA-POLPA

✓ Esmalte: 96% - Matriz Inorgânica (composição


mineral); sua espessura varia de acordo com o tipo
de dente e da superfície (cúspide e cervical) e
determina a cor, já que o esmalte é translúcido e
reflete a cor da dentina, amarelada. É um tecido
cristalino birrefringente. A hidroxiapatita se
apresenta em cristalitos largos, empacotados em
prismas hexagonais. O arranjo molecular é um OH
central, com 4 Ca em volta, que são por sua vez
A polpa origina-se da papila dental, que passa a ser chamada rodeados por 6 fosfatos. Esses fosfatos são
de polpa a medida que a dentina é formada. Após o início da rodeados por mais 6 Ca. Essa estrutura se repete e
formação da dentina, os ameloblastos começam a formar os cristais são separados por espaços.
esmalte. Num dente formado, o tecido envolvido por Tecido altamente duro; possui resistência abrasiva;
dentina é polpa e na região apical, a área envolvida por Alto modulo de elasticidade (Quanto maior
cemento é considerada parte do periápice. módulo de elasticidade, menor é sua elasticidade,
Dentina é a extensão fisiológica e anatômica da polpa. É a determina a rigidez do material)
fase mineralizada do complexo dentinopulpar e ambas são Matriz Orgânica (4%) e água (2%); a matriz
embriológica e funcionalmente duas fases de um mesmo orgânica é composta por proteínas variadas
tecido. Se chama complexo dentinopulpar porque são (amelogeninas, não amelogeninas e enzimas) e
originados das mesmas células, tem a mesma origem. lipídios durante a amelogênese. Depois são
A dentina e a polpa dentária são dois tecidos intimamente reabsorvidas, restando principalmente as
relacionados. A dentina aloja em seu interior um tecido proteínas não-amelogeninas e os lipídios são
conjuntivo não mineralizado – a polpa dentária – com o qual muito poucos (1%). Elas formam uma Bainha
tem muitas características em comum referentes a origem, Prismática entre bastão e interbastão, próximo à
relação topográfica e função. junção amelo-dentinária.
A constituição orgânica e mineral da dentina é semelhante à Estrutura - Sua unidade básica estrutural é o
do tecido ósseo. Em razão de sua estrutura tubular, a prisma. Divido em cabeça/bastão (o esmalte
dentina é um tecido que tem certa resiliência ou prismático) e o corpo/interbastão (o esmalte
“elasticidade” e, por isso, desempenha importante papel na interprismático). No bastão os cristais são
sustentação do esmalte, amortecendo um pouco as forças paralelos ao longo eixo, e no interbastão, os
de mastigação e reduzindo, desse modo, a possibilidade de cristalitos desviam 40-60o, aumentando a
fraturas. A dentina apresenta cor branco-amarelada, que é porosidade da região e permitindo a presença de
parcialmente observada desde o exterior em razão da uma maior camada orgânica, sendo mais fácil de
translucidez do esmalte. ser desmineralizado.
A polpa dentária é um tecido conjuntivo altamente ✓ Dentina: A dentina é a principal responsável pela
especializado, ricamente inervado e vascularizado e é cor do dente. Tecido mineralizado presente na
responsável pela vitalidade dental. Ela é composta de 75% coroa e na raiz. É Composta de mineral (70% em
de água e matéria orgânica e 25% de matéria inorgânica. A peso, 50% em volume), matriz orgânica (20% em
polpa é o tecido conjuntivo que ocupa a parte central do peso, 30% em volume) e água (10% em peso, 20%
dente, cuja função principal é manter a vitalidade da em volume). Tecido duro (mais que osso e cemento,
dentina, e consequentemente do dente. A polpa e a dentina menos que esmalte), porém elástico (evita
formam um único complexo, pois estão intimamente fraturas), consistido de pequenos túbulos paralelos
relacionados morfo e fisiologicamente. em uma matriz, que dão ao tecido força de tensão,
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

flexão, compressão, permeabilidade e amortecendo um pouco as forças de mastigação e


sensibilidade. Produzida durante toda a vida, com reduzindo, desse modo, a possibilidade de fraturas
cor amarelada. Não se renova para a manutenção A dentina é dividida em pré-dentina (matriz orgânica não
da homeostasia de Ca. mineralizada próxima à polpa), dentina do manto (camada
de dentina mais externa) e dentina circumpulpar
SENSIBILIDADE REGIÃO CERVICAL (peritubular e intertubular). Os túbulos dentinários são
recobertos pela dentina peritubular e estes pela dentina
Região cervical – menor espessura (2,5 mm nas cúspides) de intertubular.
esmalte nessa região, maior proximidade com a dentina e A dentina também é um tecido sensível, formado não
com a polpa – há uma espessura semelhante nessa região somente na odontogênese (dentina primária) como durante
nos pacientes; Maior proximidade com a parte vascularizada toda a vida do indivíduo (dentina secundária e terciária).
e inervada; ✓ Dentina primária: É a dentina original, normal e
O fato de o cemento ser mole e mais fino na região cervical regular, a maior parte formada antes da irrupção do
significa que é facilmente removível por abrasão quando dente Primária é a primeira que se forma. Nós
ocorre a recessão gengival e conseqüente exposição da consideramos que é toda aquela formada até o
superfície radicular. dente irromper. É fisiológica
O estímulo tem que atravessar todo o esmalte para chegar à ✓ Dentina secundária: Formada em resposta a
polpa e dentina. Os estímulos têm que ser feitos na cervical estímulos de baixa intensidade, decorrentes da
por que é mais rápido. Na cervical tem menos esmalte por função fisiológica normal. Apresenta túbulos mais
ser mais rápido, mais eficiente estritos e tortuosos. Sua formação reduz o volume
da câmara pulpar e condutos radiculares. Há uma
JUNÇÃO AMELO DENTINÁRIO mudança brusca de direção dos túbulos na
transição entre dentina primária e secundária.
Espículas: ligam o esmalte à dentina, prevalecendo em (Desde que o dente irrompeu ele recebe estímulos
regiões de maior impacto. São formadas na odontogênese, normais e acaba sendo produzida essa dentina;
compostas de colágeno ou restos de odontoblastos mortos secundaria formada durante a vida, em uma
que se infiltraram entre os ameloblastos -vieram da dentina. velocidade menor. Ela é responsável por reduzir o
Tufos de esmalte: ricos em conteúdo orgânico, menos tamanho da polpa durante a vida. É fisiológica)
mineralizado, formado pelo esmalte, seguindo a sua ✓ Dentina terciária: Formada em resposta a irritações
estrutura (mesma direção). Estão presentes no pulpares mais intensas (cárie, preparo cavitário,
interprismático, associados à bainha. erosão, abrasão, materiais...). Apresenta túbulos
São considerados como falhas, mas também podem mais irregulares, tortuosos e reduzidos em número
funcionar como ancoragem entre dentina e ou até ausentes (É uma dentina com menos túbulos
esmalte. e por isso os estímulos demoram mais pra chegar
Lamelas: são defeitos lineares, áreas menos mineralizadas, na polpa). Localizada exclusivamente em regiões
formadas devido à incompleta maturação de grupos de subjacentes à agressão. É uma dentina de defesa do
prisma (que conteriam proteínas do esmalte) durante a organismo quando fazemos uma proteção pulpar
odontogênese. Vem da junção e alcança a superfície, sendo direta é esta dentina que eu estou estimulando a
única no dente. Se permitirem o contato com saliva e placa ser formada é sempre uma nova dentina que se
bacteriana são chamadas de fendas, causando dor, cárie etc. forma frente a um estímulo.
Dentina terciária Reacional ou reparadora:
CEMENTO: REPARATIVA (Produzida por odontoblastos novos
O cemento é um tecido calcificado, sem vascularização e – diferenciação de células tronco presentes no
inervação que cobre as raízes dos dentes, ligando dentina
tecido pulpar) (ponte de dentina); REACIONAL
radicular (dente) ao ligamento periodontal (tecido de
suporte). As fibras periodontais podem penetrar mais (produzida pelos odontoblastos originais);
superficialmente ou profundamente, dependendo da ✓ Dentina esclerótica: Formada em resposta a
espessura do cemento. O cemento é formado durante toda estímulos de baixa intensidade (cárie crônica,
a vida do dente, permitindo a nova reinserção de fibras do proteção pulpar indireta); apresenta-se
ligamento periodontal. O cemento tem uma espessura que hipermineralizada, com redução na luz dos túbulos
varia de acordo com o nível da raiz. É espesso no ápice e no Aspecto clínico: escurecida, brilhante e
espaço inter-radicular (50-200 µm) e fino na região cervical. mineralizada esteticamente é uma dentina feia,
uma dentina escura. Mas não vamos removê-la
DENTINA: Tem uma redução da luz dos túbulos e isso é bom;
Serve como proteção, impedindo que estímulos e
As alterações pulpares iniciam-se a partir de estímulos da agressões cheguem a polpa; O esclerosamento
dentina, e uma série de características da dentina devem ser dentinario é uma hipermineralizacao dentro dos
consideradas. túbulos dentinários onde essa dentina tem uma luz
Em razão de sua estrutura tubular, a dentina é um tecido que de túbulo muito reduzida. É uma dentina boa
tem certa resiliência ou “elasticidade” e, por isso, porque ela pode impedir que estímulos e agressões
desempenha importante papel na sustentação do esmalte, cheguem a polpa; Reacional: Dentina esclerosada
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

reacional - Nesse caso removemos a dentina mineralizada e tem aparência característica de dentina
amolecida (infectada) e deixamos a dentina interglobular.
esclerosada. Se ela não afeta a estética nós temos
que deixar essa dentina e cobrir com material de TÚBULOS DENTINÁRIOS:
forramento. Tem uma reação da polpa que
promoveu um esclerosamento da dentina já Na região próxima a junção amelo-dentinária não há
existente e tem uma diminuição da polpa pela prolongamento do odontoblasto, apenas fluído dentinário.
produção de uma nova dentina, a dentina terciária Os túbulos dentinários apresentam 2,5 µm em diâmetro
próximo a polpa e menos de 1 µm perifericamente. Os
ZONAS DE ALTERAÇÕES DENTINÁRIAS: túbulos compõem 22% da área da dentina próxima à polpa
e 2,5% da área da dentina próxima à junção amelo-
Transição entre o processo da lesão e a capacidade defensiva dentinária. Os túbulos contêm longos processos das células
do complexo dentinopulpar. Pode ser dividida em camada odontoblásticas, responsáveis pela formação do tecido,
superficial (infectada, com muitos MO) ou profunda (afetada assim como um pequeno volume de fluído extracelular.
e passível de remineralização); temos que conseguir Portanto, a dentina é um tecido permeável, dependendo do
diferenciar uma dentina da outra para procurar remover a tamanho e padrão dos túbulos
dentina amolecida, a dentina infectada e deixar a afetada. A O estímulo colocado mais profundamente vai ser mais bem
diferença de uma para outra clinicamente é muito difícil, e o percebido. A dentina mais úmida é a próxima a polpa, é mais
parâmetro é quando encontramos resistência ao corte (em permeável, tem mais fluido tissular e, portanto, os estímulos
instrumentos manuais e baixa rotação) da dentina. Sendo a chegam mais rápido.
dentina profunda muito mais resistente ao corte Estes dados são importantes porque os canalículos são as
As duas tem semelhanças clínicas mas tem diferenças regiões mais permeáveis da dentina, por onde há
morfológicas, bioquímicas e microbiológicas penetração de substâncias lesivas e transmissão de impulsos
O primeiro lugar que vamos remover é nas paredes dolorosos. Portanto deve-se considerar que a dentina
circundantes, porque se eu tiver uma exposição próxima a polpa é mais permeável, e que em dente “jovem”
pulpar eu já tenho uma condição muito pequena de MO a dentina é mais permeável e mais delgada.
As paredes circundantes precisam estar limpas O líquido que permeia a dentina, em particular os canalículos
são chamados de fluído dentinário. Provavelmente este
DENTINAS TUBULARES: líquido pouco se movimenta. A composição é semelhante ao
líquido extracelular, com baixo teor de K, alto em Na,
✓ PERITUBULAR: É a que fica na periferia do túbulo, saturado em Ca e PO, contendo proteínas plasmáticas.
reveste internamente os túbulos Quando a polpa se inflama, mais líquido é pressionado para
✓ INTERTUBULAR: É a que fica entre os túbulos o interior dos canalículos, inclusive fibrinogênio. Na dentina
cariada o canalículo fica exposto, e a dentina sendo
permeável permite o deslocamento de líquido da polpa para
a superfície. O deslocamento de líquido seria o responsável
pela geração de dor, mediada pelos odontoblastos ou
diretamente pelas fibras nervosas.

VARIAÇÕES REGIONAIS NA ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO DA


DENTINA (COROA E RAIZ)
Na coroa, a primeira camada formada é conhecida como
manto da dentina (mais externa e próxima a junção amelo-
dentinária). Já na raiz, há duas zonas externas
morfologicamente conhecidas: camada hialina e camada
granular (de Tomes).
A pré-dentina é uma camada de dentina comum para as duas POLPA:
regiões, sendo interna e não mineralizada, onde novas A polpa, por sua vez, é um tecido conjuntivo não
camadas de dentina são depositadas durante a vida do mineralizado rodeado inteiramente pela dentina. A polpa se
dente. Nesta camada há uma zona de calcificação onde os comunica com o ligamento periodontal, outro tecido
minerais são depositados. Entre o manto da dentina (coroa) conjuntivo, pelo forame apical e pelas foraminas acessórias.
/ camada hialina e granular (raiz) e a pré-dentina há uma Algumas alterações, como a inflamação (pulpite) e a dor, são
grande camada de dentina circumpulpar (peritubular e singulares na polpa dentária, se comparadas às dos outros
intertubular). A parte externa da dentina circumpulpar, tecidos conjuntivos, em razão de as paredes hígidas de
abaixo do manto da dentina, é geralmente incompletamente dentina impossibilitarem sua expansão.
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

A polpa dentária consiste de tecido conjuntivo frouxo que é não há mais irrigação sanguínea, não há mais resposta
confinado dentro da câmara pulpar e canais radiculares. A imunológica, assim as bactérias não são opsonizadas, e
polpa contém células que estão envolvidas com a conseguem sobreviver e proliferar dentro da polpa – (onde
odontogênese e funções nutricionais, sensoriais e defensivas há necrose, há bactéria).
que permitem a preservação da vitalidade durante Agora, o processo inflamatório aumenta ainda mais, as áreas
homeostasia e durante o reparo após injúria. necróticas aumentam, de modo irreversível, de modo muito
O sistema vascular é grandemente afetado com a idade. rápido. A necrose caminha em direção ao ápice.
Ocorre calcificação dos vasos, especialmente daqueles da
porção radicular. Em dentes de pessoas idosas, persistem Proteção indireta:
somente os vasos de grande calibre e assim mesmo A polpa ainda não está exposta. Aplicação de bases
apresentando calcificações em suas paredes. Ocorrendo protetoras nas paredes cavitarias. O melhor material de
diminuição do volume pulpar com a idade, os vasos ficam proteção que existe é a dentina
localizados na porção central, enquanto os vasos periféricos Finalidades:
quase que desaparecem. As arteríolas começam a • Proteger o complexo dentino-pulpar
apresentar hiperplasia da íntima, com diminuição da luz do • Inibir o processo carioso
vaso, semelhante a arteroesclerose. O processo de • Manter a vitalidade: reduzir microinfiltração e estimular
calcificação inicia-se pala adventícia, chegando até a íntima. formação de dentina.
A célula mais predominante na polpa é o fibroblasto, mas a
polpa também contém odontoblasto, células sanguíneas, Proteção direta
pericitos, células de Schwann, células endoteliais, células Aplicação de um agente protetor diretamente sobre o tecido
mesenquimais indiferenciadas, células envolvidas na pulpar. Manter a polpa viva e
resposta antiinflamatória e imune (linfócitos, macrófagos, formando dentina reparadora. Usada quando houver
mastócitos, células processadoras de antígenos tipo II e exposição pulpar
células plasmáticas). Finalidades:
✓ Indutiva: induzir a diferenciação do epitélio oral em • Manter a vitalidade
lâmina própria • Proteger de irritações posteriores
✓ Formativa: produzir dentina traves dos • Estimular a formação de dentina
odontoblastos • Vai formar dentina seja durante a
formação dos dentes ou ao longo da vida RESPOSTA REPARATIVA PULPAR
✓ Nutritiva: através dos prolongamentos Sensitiva:
pelo suprimento nervoso- através da dor • A função
sensitiva é importante para proteção do próprio
dente Protetora: respostas inflamatórias

A PROTEÇÃO PULPAR PODE SER DIRETA OU INDIRETA

Carie -> pulpite -> aguda -> crônica -> necrose

INFLAMAÇÃO PULPAR INDIRETA


Há contaminação por bactérias nos túbulos, assim estas ao
produzirem antígenos ou produtos metabólicos tóxicos
atingem indiretamente o tecido pulpar, estimulando o
processo inflamatório.
Além disso há a proliferação e aproximação dessas bactérias
à polpa, produzindo cada vez mais toxinas. Excesso de
respostas inflamatórias, degradam a polpa, pois é um tecido
confinado, havendo acúmulo de mediadores e sem lugar pra Células tronco vão migrar para área de exposição pulpar – Se
expansão, assim é mais comum a inflamação pulpar diferenciam em odontoblast-like (Expressão marcadores
caminhar para necrose do que para a cura com reparo ligados a mineralização); secretam matriz dentinária;
tecidual (gerando áreas de necrose). Todas as bactérias que
atingem a polpa são marcadas para morrer (opsonização).
Bactérias no tecido vivo da polpa diretamente, são mortas,
ou seja, elas atingem indiretamente a polpa através de suas
toxinas.

INFLAMAÇÃO PULPAR DIRETA


Entretanto, quando aparecem áreas de necrose, há a
possibilidade de acúmulo de bactérias, assim nesse
momento, haverá a proliferação dessas bactérias agora
dentro da polpa. Ou seja, nessas áreas de necrose, em que
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

Também podem ser utilizados como materiais restauradores


provisórios, ou seja, fecham uma cavidade provisoriamente
até que esta possa ser restaurada definitivamente através de
uma restauração direta ou por uma restauração indireta
(uma prótese).

PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS DO CIMENTO

✓ Ser plástico no momento de inserção, tornando-se


sólido depois;
✓ Propiciar bom tempo de presa e trabalho;
✓ Possibilitar o melhor selamento possível do canal;
✓ Não sofrer contrações nem ser permeável;
✓ Possuir bom escoamento, boa viscosidade e
CLASSIFICAÇÃO DE BLACK aderência;
✓ Possuir pH próximo ao neutro ou alcalino;
CLASSE I – Face oclusal de pré-molares e molares; ✓ Ser radiopaco, passível de esterilização e fácil
CLASSE II – Face oclusal e faces proximais (mesial e distal); remoção;
CLASSE III – Faces proximais (mesial e distal) dos incisivos e ✓ Não manchar as estruturas dentárias
caninos, sem remoção do ângulo incisal;
CLASSE IV – Faces proximais (mesial e distal) dos incisivos e PROPRIEDADES BIOLÓGICAS IDEAIS DO CIMENTO
caninos com remoção do ângulo incisal;
CLASSE V – Terço gengival; Face vestibular e lingual; ✓ Boa tolerância tecidual (Biocompatibilidade) e ter
ação antimicrobiana temporária;
✓ Ser reabsorvida no periápice quando extravasado
e não desencadear resposta imune;
✓ Estimular ou não interferir na deposição de tecido
mineralizado em nível foramidal;
✓ Não ser mutagênico ou carcinogênico (problema
no formaldeído).

CLASSES DE MATERIAIS PROTETORES

Selantes e/ou vedadores cavitários: Vai só obliterar os


túbulos: adesivo e verniz.
Forradores (menos de 0,5mm): Cimento Hidróxido de cálcio
Bases protetoras (de 0,5 a 2mm): Cimento de óxido de
zinco e eugenol, Cimento de ionômero de vidro, Cimento
de fosfato de zinco
Bases cavitárias (de 1 a 3 mm): Técnica sanduíche (serve
como forramento e reconstrução geométrica) - CIV
restaurador.

FORRAMENTO

Aplicação de uma camada fina do cimento;


Protege o complexo dentinho-pulpar contra agentes
químicos;
Bioatividade - estimula o tecido em prol a sua recuperação;
CIMENTOS ODONTOLÓGICO
Antimicrobiano – reduzir a quantidade de bactérias;
Próximo ou em contato com a polpa (capeamento pulpar
Materiais para proteção do complexo dentina-polpa;
direto e indireto);
Substância utilizada para unir duas superfícies que toma
presa a partir de um estado viscoso passando para um
BASE
estado sólido (De forma mais genérica); Protetores do
complexo dentina-pulpar (base ou forramento);
Utiliza uma camada espessa;
Restaurador; Cimentação (fixação);
Proteção contra agressões térmicas e químicas;
Agentes cimentantes, ou seja, materiais utilizados para fixar
Suporte para material restaurador;
uma peça protética que esteja substituindo uma parte do
Proteção mecânica
+órgão dental perdida por uma lesão de cárie ou mesmo em
consequência de um trauma.
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

Muitas vezes essas estratégias (forramento e base) são


utilizadas em conjunto INDICAÇÕES – VERNIZ CAVITÁRIO

✓ Usá-lo como selante em cavidades que serão


restauradas definitivamente com amálgama
odontológico;
✓ Usá-lo como protetor sobre linhas de cimentação
ou ainda fazer dele um protetor para restaurações
de ionômero de vidro aplicando-o sobre esse
cimento.
✓ Abaixo da amalgama (vedante)
✓ Acima do CIV (Selante)
REQUISITOS
MECANISMO DE AÇÃO VERNIZ CAVITÁRIO
✓ Promover um bom isolamento térmico e elétrico;
✓ Mecanismo de ação
✓ Ser bactericida e/ou bacteriostático;
✓ Reduz a permeabilidade dos túbulos dentinários
✓ Ter adesão às estruturas dentais;
✓ Funciona como um selador ou vedador
✓ Estimular a neo-formação dentinária (dentina
terciária);
✓ Ser biologicamente compatível;
FORRADORES – HIDRÓXIDO DE CÁLCIO – IMPEDE A TROCA
✓ Possuir resistência mecânica;
DE TEMPERATURA – Capacidade de liberar hidroxilas para
✓ Inibir o manchamento dental;
o meio
✓ Promover um eficiente vedamento evitando a
infiltração de bactérias;
Nos falamos que é biocompatíveis mas na verdade ele causa
✓ Ser insolúvel aos fluídos bucais.
uma agressão a polpa, tem uma necrose por coagulação
superficial da polpa. Isso faz com que tenha um estímulo
VERNIZ CAVITÁRIO CONVENCIONAL
para o reparo da polpa;
Conjunto de resinas naturais ou sintéticas dissolvidas em um
solvente orgânico que pode ser a acetona, o éter ou
clorofórmio. São comercializados em um frasco de vidro
âmbar.

PROPRIEDADES VERNIZ CAVITÁRIO

Material líquido com a capacidade de selar ou vedar a


superfície da cavidade presente no órgão dental, obliterando
túbulos dentinários e protegendo o complexo dentina-polpa
de possíveis agressões advindas, inclusive, dos materiais
restauradores definitivos. Possui baixa resistência mecânica,
por isso não se deve formar uma camada muito espessa de
verniz.

MANIPULAÇÃO VERNIZ CAVITÁRIO

O verniz pode e deve ser aplicado nas paredes de uma


cavidade com o auxílio de um pincel aplicador ou uma
bolinha de algodão, justamente por ser líquido. Após a Estimula a formação de dentina esclerosada, reparadora,
aplicação na cavidade, recomenda-se aplicar um leve jato de assemelha-se aos produtos à base de
ar com o objetivo de promover a evaporação do solvente, hidróxido de cálcio.
uma segunda aplicação se faz necessária com o intuito de Os principais constituintes deste cimento são o próprio
cobrir possíveis imperfeições da primeira aplicação, mesmo hidróxido de cálcio que reage com partículas de óxido de
assim devemos criar uma fina película de resina sobre as zinco. O cimento é comercializado sob a forma de duas
paredes cavitárias. pastas, uma pasta base e outra catalisadora. Também existe
à disposição do dentista o pó de hidróxido de cálcio PA (pró-
✓ Aplicação análise) que neste caso, deverá ser dissolvido em uma
✓ Duas camadas finas de verniz solução anestésica, soro fisiológico ou em água destilada
✓ Jato de ar para a produção de uma suspensão.
✓ Evaporação do solvente
✓ Película de 5-25um
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

Liberam íons hidroxila e cálcio; A liberação de hidroxilas Esse material não apresenta reação de presa, sendo
alcaliniza o meio (aumenta o pH entra o material e o tecido misturado apenas com o objetivo de formação de uma pasta
pulpar ou dentina remanescente (fina)). As bactérias para facilitar a inserção;
cariogênicas são acidófilas, ou seja, produzem ácidos e
gostam de viver em ambientes ácidos. Logo um material PROPRIEDADES HIDRÓXIDO DE CÁLCIO
capaz de alcalinizar o local onde essas bactérias estão
colonizando é detentor de um efeito antimicrobiano; Essa pH bastante alcalino (12) (formado por uma base); ativa a
alcalinização causa uma ligeira necrose do tecido pulpar fosfatase alcalina, promovendo a vedação do tecido vivo do
(efeito caústico), essa pequena faixa de tecido necrótico que ambiente externo.
está em contato com o material para capeamento contribui Íons Ca – Ativa a ATPase cálcio depende e formação de
para selar e vedar essa região (favorece a reparação); calcita (CaCo3)
O cálcio liberado por esses materiais vai induzir a - Estimula uma resposta de defesa do organismo e estimula
diferenciação de células pulpares em odontoblast-like e a formação de tecidos novos.
começa a produzir matriz dentinária, além de também Base forte que cumpre interação com proteínas em
secretar mediadores de mineralização; um excesso de cálcio decomposição, mata bactérias e não é fatalmente agressivo.
no meio, juntamente com o fosfato presente no fluido Ele estimula uma resposta de defesa do organismo e
pulpar pode facilitar a precipitação de hidroxiapatita para estimula a formação de tecidos novos. Suas funções são:
remineralizar essa dentina; estimular a mineralização, antiexsudativa, antibacteriana,
São materiais Bioativos, ou seja, promovem uma resposta do neutralizador de pH ácido, dissolução de tecido necrótico.
organismo (únicos); O pH alcalino ativa a fosfatase alcalina, promovendo a
vedação do tecido vivo do ambiente externo; efeito
FORMAS DE APRESENTAÇÃO DO HIDRÓXDO DE CÁLCIO antimicrobiano, neutralização do PLS, dissolução do tecido
necrótico, função de preenchimento de pasta (diminui o
Hidróxido de cálcio P.A (puro) (pró-análise); espaço para os fluidos entrarem no espaço pulpar);
Duas pastas; remineralizarão dos túbulos dentinarios e estímulo de
Uma pasta (foto ativável); formação de dentina reacional
Mais bioativo; A dentina terciária recém produzida após a estimulação do
tecido pulpar pelo cimento de hidróxido de cálcio consegue
DUAS PASTAS – REAÇÃO DE PRESA É UMA REAÇÃO ÁCIDO- obliterar a câmara pulpar impedindo que os agentes
BASE) agressores (físicos, químicos ou biológicos) possam atingir a
polpa dental. Além disso, por ser um material altamente
BASE (Ester Glicol Salicilato) + CATALISADOR (hidróxido de alcalino, este cimento possui uma importante atividade
cálcio); Quantidades iguais das duas pastas (toma presa antibacteriana, contribuindo com a eliminação dos
rápido); Quando entram em contato formam um sal microorganismos causadores das lesões da cárie dental.
chamado disalicilato de cálcio (matriz – algo que envolve os
outros materiais – vai envolver as partículas de hidróxido de MANIPULAÇÃO HIDRÓXIDO DE CÁLCIO:
cálcio que não foram consumidas durante a reação);
1. Deve-se dispensar porções iguais em volume da
UMA PASTA pasta base e da pasta catalisadora.
2. Com auxílio da espátula n° 50 devemos misturar as
Hidróxido de cálcio misturado com resina fotoativável duas pastas até obtermos uma mistura com cor
(dispensa a espatulação, e o material só toma presa pela luz homogênea e brilhante.
azul) 3. Utilizando o aplicador de hidróxido de cálcio,
devemos tocar na superfície do material e, em
TEMPO DE TRABALHO X TEMPO DE PRESA seguida aplicá-lo sobre a parede pulpar, na região
mais profunda da cavidade em uma fina camada.
Trabalho – Tempo que o dentista tem desde o início da Este é um cuidado muito importante, pois como o
manipulação do material até a inserção do material na material possui baixa resistência mecânica, jamais
cavidade; deverá ser aplicado em uma camada muito espessa
PRESA – A partir do momento em que o material começa a que poderá fraturar quando as forças mastigatórias
ser manipulado a reação de presa se inicia; O término da incidirem sobre o dente.
reação é chamado de tempo de presa. O tempo de trabalho
está contido no tempo de presa. Começa a contar a partir do INDICAÇÕES
momento que os reagentes entram em contato
Forramento - Quando a cavidade for profunda, uma fina
HIDRÓXIDO DE CÁLCIO PRÓ-ANÁLISE película deve ser aplicada na região de maior profundidade
do assoalho da cavidade, evitando inclusive, que as paredes
Apresentado na forma de um pó, contendo apenas hidróxido laterais da cavidade fiquem impregnadas com o cimento.
de cálcio. Esse pó deve ser manipulado com soro fisiológico, Capeamento pulpar: Criar condições favoráveis para a
ou anestésico e aplicado no local da exposição; recuperação do tecido conjuntivo pulpar; evitar irritações
adicionais (bacterianas); Os materiais utilizados podem
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

estimular a formação de dentina terciária (reacional ou ser protegido (cimento de ionômero de vidro – base
reparativa) cavitária);
Capeamento pulpar indireto - Se a cavidade for bastante
profunda, ou seja, muito próxima da câmara pulpar, você HIDRÓXIDO DE ZINCO-EUGENOL
deverá mais uma vez aplicar uma fina película sobre o
assoalho da cavidade. Isto quer dizer que embora seja uma O cimento de óxido de zinco e eugenol é constituído por um
cavidade bastante profunda ainda não houve a exposição pó formado principalmente por partículas de óxido de zinco
pulpar, ou seja, a polpa está ainda totalmente contida dentro e um líquido constituído especialmente por eugenol (ácido
da câmara pulpar. Enxerga a polpa por transparência. fenólico);
Dentina Terciária REACIONAL (PRODUZIDA PELOS Eugenol não pode ser colocado muito próximo a polpa, pois
ODONTOBLASTOS ORIGINAIS); agride a polpa;
Capeamento pulpar direto – Quando há exposição pulpar; Não pode colocar abaixo de resina composta (dificulta a
quando ao preparar a cavidade removendo dela todo o presa); nem provisoriamente;
tecido atingido pela cárie ou em consequência de um Os cimentos de OZE possuem propriedades que os permitem
trauma, houver uma pequena exposição do tecido pulpar, ser indicados como agentes de proteção do complexo
você deverá realizar o capeamento pulpar direto, ou seja, dentina-polpa e, nesta condição, são indicados como bases
uma fina película de cimento de hidróxido de cálcio deverá cavitárias e/ou materiais restauradores provisórios.
ser aplicada no assoalho da cavidade e sobre a polpa A reação de presa deste cimento é uma reação do tipo ácido-
exposta. base onde partículas de óxido de zinco reagem, inicialmente,
Estimula a produção de dentina terciária REPARATIVA com moléculas de água, produzindo um composto
(Produzida por odontoblastos novos – diferenciação de intermediário, o hidróxido de zinco.
células tronco presentes no tecido pulpar) (ponte de
dentina) Reação de presa – Reação autocatalítica

Óxido de zinco + água = Hidróxido de zinco


Hidróxido de zinco + Eugenol = Eugenolato de Zinco e Água

CONDIÇÕES:

✓ Paciente deve ser jovem (dentes permanentes


jovens possuem o ápice incompleto, o final da
apificação só ocorre quando o dente já esta Após a presa percebe-se que uma parte do óxido de zinco
erupcionado; quando o ápice está incompleto o não reage com a água. Essas partículas que não reagiram
tratamento endodôntico fica difícil, o dentista não ficam aprisionadas na matriz do sal formado – Eugenolato de
consegue um bom selamento do canal radicular); zinco.
✓ Tempo da exposição traumática (houve chance de Reação ácido-base (ter água como meio de reação);
contaminação da polpa?); (hidróxido de zindo (base) que reage com o eugenol (ácido);
✓ Tamanho da área exposta; O eugenolato de zinco quando em contato com os fluídos
✓ Sangramento abundante? Polpa já estava dentinarios reverte a reação em hidróxido de zinco e
inflamada; eugenol. Esse eugenol pode ser permeado aos túbulos
✓ Exposição pulpar deve ter sido pequena e acidental; dentinarios, gerando a sensação de sedação da polpa.
✓ Cavidade está totalmente isolada sem ter havido
qualquer contaminação do campo operatório com CARACTERÍSTICAS HIDRÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL
saliva.
✓ Não colocar resina por cima; ✓ pH após a reação tende a NEUTRO (Em torno de 7);
✓ Ótimo selamento dos túbulos dentinarios e um
DESVANTAGENS – SEMPRE COLOCAR UMA BASE ACIMA ótimo selamento marginal;
PARA PROTEGE-LO ✓ Ação sedativa (característica desse cimento) –
quando o eugenol está em baixas concentrações;
✓ Baixa resistência mecânica (Anódina)
✓ Altamente solúvel ✓ Contraindicação para contato direto com a polpa
✓ Não tem boa adesão ao dente dentária ou apresentar eugenol em altas
✓ A função é produzir dentina – colocar onde não tem concentrações; pode ser utilizado em combinação
dentina; o material toma presa rápido (fica com um material forrador que vai proteger a região
craquelado, baixa resistência mecânica) Ele precisa de polpa exposta;
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

✓ Ação antibacteriana; INDICAÇÃO OZE III


Altas doses de eugenol aplicado sobre a polpa pode ser
tóxico; Baixas doses acaba apresentando um efeito como também possui as partículas de reforço, além do EBA
terapêutico; (ácido etoxibenzóico), podem ser indicados para a confecção
Em geral, possuem bom vedamento marginal, característica de bases cavitárias, restaurações provisórias de longa
importante para prevenir a ocorrência de microinfiltração na duração e cimentação permanente. Ainda são atualmente
interface dente/restauração. São bons isolantes térmico e utilizados para a realização de retro-obturações
elétrico, possuem baixa resistência mecânica, com exceção endodônticas.
dos OZE tipo ll e lll, baixa solubilidade aos fluidos bucais,
possuem ação antibacteriana em função da presença do CONTRAINDICAÇÃO:
eugenol, um óleo essencial com características
antimicrobianas, anódinas ou analgésicas e anti- ✓ Não pode ser utilizado como base para resina
inflamatórias. No entanto, não podem ter contato direto composta; O eugenol quando em contato com a
com o tecido pulpar exposto, pois o eugenol pode causar matriz resinosa de um polímero, impede ou
irritabilidade à polpa. interfere na sua reação de polimerização,
diminuindo o grau de conversão deste polímero e,
INDICAÇÕES desta forma, comprometendo suas propriedades
mecânicas.
Restaurações de curta duração ✓ Eugenol agride a polpa – Não utilizar em grandes
concentrações ou quando há exposição pulpar
OZE COMUM (usar de forma direta);

✓ Facilidade de manipulação e uso; CIMENTO DE IONÔMERO DE VIDRO


✓ Fácil remoção – Restauração provisória;
✓ Baixa resistência mecânica; Um material utilizado para cimentação de peças protéticas
✓ Incompatível com resina (caçador de radicais livres (substituição de estruturas perdidas do dente – lembrar de
das resinas, prejudicando a polimerização – tanto viscosidade (resistência) cimento com menos viscosidade
adesivo, quanto resina composta e resinas (mais fluído);
acrílicas); Trata-se de um material cuja presa ocorre a partir de uma
✓ Restauração de curta duração reação ácido-base.
É um material que possui a maior parte de propriedades
OZE – MELHORADO desejadas para um material restaurador, pois consegue se
aderir à estrutura dental quimicamente, apresenta estética
O pó de óxido de zinco é feito a partir de partículas mais finas favorável e possui algumas propriedades físicas e mecânicas
e partículas tratadas com ácido carboxílico (torna a partícula semelhantes ao esmalte e à dentina, além de liberar flúor.
mais reativa – acelera a reação);
Adição de partículas como polímeros (PMMA) e alumina – ETAPAS DA CIMENTAÇÃO
Confere um aumento da resistência mecânica (adicionado
até 20%); ✓ Aplicação de cimento
Uma parte do eugenol pode ser substituído pelo ácido ✓ Assentamento da peça
etoxicobenzóico; aumenta a relação pó/líquido (material ✓ Remoção do excesso de cimento
mais resistente); (OZE TIPO III)
Ácido acético – Acelerador da reação (OZE TIPO II) HISTÓRICO
Logo, assim que iniciamos a mistura do pó ao líquido do OZE
tipo ll, inicia-se também a reação de presa, pois moléculas Este cimento foi desenvolvido a partir de dois outros
de água necessárias à reação já estão sendo fornecidas na cimentos muito utilizados antigamente na odontologia que
composição do material. foram seus precursores: são eles o cimento de silicato que
tinha como principal característica a presença de flúor na sua
INDICAÇÃO OZE I composição e o cimento de policarboxilato de zinco que pela
presença do ácido poliacrílico apresentava adesividade aos
Como possui as menores propriedades mecânicas é indicado tecidos dentais.
para a confecção de restaurações provisórias de curta
duração ou para cimentação provisória; ✓ Cimento de policarboxilato de zinco (Adesividade
do dente, utilizado para cimentação, mas teve
INDICAÇÃO OZE II problemas de instabilidade do líquido e não fez
sucesso comercial)
Possui partículas de resina que reforçam o material, dessa ✓ Cimento de silicato (presença de flúor e baixa
maneira, são indicados para a confecção de bases cavitarias, alteração dimensional – flúor (“tampam os
restaurações provisórias de longa duração e cimentação buracos”; Adequação do meio); como desvantagem
permanente. (Alumina e PMMA) – ácido e solúvel);
Cimento fosfato
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

CONCEITO

flúor (AlF3, CaF2, NaF, AlPO4) com o líquido (ácido) formado


especialmente pelo ácido poliacrílico e outros ácidos
(tartárico, itacônico, maleico, tricarboxílico);
Ácido reage com a superfície externa das partículas (O ácido
poliacrílico sofre ionização pela presença de água na
composição do material e libera íons H+ que atacam as
partículas do pó);
Adesividade – adesão química a estrutura dentária – Cálcio
Ion hidroxila bate na camada externa do pó (cálcio,
dos sais de flúor reagem com a cadeia carboxílica do ácido
alumínio e flúor) causa liberação;
policrílico. Reage também com o cálcio presente na dentina;
Vão para fazer aquosa (forma como se fosse um gel);
(CIV Tem que estar com brilho);
Algumas partículas ficam aprisionadas (dão mais resistência
Ação anticariogência – Liberação de flúor;
a CIV) (“duas camadas”);
Através de uma matriz de hidrogel, ou seja, na fase aquosa
✓ Possui fluoretos em sua composição que são
do material, esses íons se deslocam em direção às cadeias do
quebrados e liberados; Bomba de flúor (lembrar da
ácido poliacrílico que também ionizadas possuem, neste
escovação, água); pode ficar na boca do paciente;
momento, radicais aniônicos (COO-) disponíveis para fazer
✓ Estes íons podem se depositar sobre a superfície
uma ligação química));
dos tecidos dentais desmineralizadas pela lesão de
O primeiro íon que se desloca e alcança as cadeias do ácido
cárie que originou a cavidade.
poliacrílico são os íons Ca2+;
✓ A deposição de íons F- permite a ocorrência da
Em seguida, os íons Al3+ é que alcançam as cadeias do ácido
remineralização dos tecidos pela formação da
poliacrílico fazendo três ligações químicas cruzadas entre as
apatita fluoretada ainda mais resistente às
cadeias e aumentando ainda mais a consistência do material
variações de pH.
que irá atingir a partir de então e em até 24 horas sua presa
✓ Liberação inicial e contínua de flúor: redução de
final;
cáries e restaurações mais duráveis; liberação de
Existem radicais (COO-) do ácido poliacrílico livres e ávidos
flúor na boca do paciente; fica por bastante tempo
por se ligar aos íons Ca2+ provenientes das partículas de pó;
na boca do paciente;
Quando inserimos o CIV ainda com brilho, e esta é uma
✓ Excelente adesão à dentina: reduz risco de
condição indispensável, radicais aniônicos (COO-) do ácido
infiltração e sensibilidade pós-operatória;
poliacrílico estão disponíveis para se ligarem também ao
✓ Líquido no ionômero de vido – ácido; reage com o
Ca2+ presente no esmalte e na dentina;
vidro e forma o material a ser colado na boca do
Passa a formar ligações químicas com as paredes da
paciente;
cavidade o que confere a adesividade deste material ao
dente. O brilho do material nos permite ter a certeza de que
REAÇÃO QUÍMICA ÁCIDO-BASE:
existe número suficiente de radicais do ácido poliacrílico
disponíveis para fazer ligação química com o cálcio do dente.
A perda do brilho indica que esses radicais já estão ligados
ao Ca2+ proveniente das partículas de pó e, portanto, não
mais poderão se ligar ao Ca2+ dos cristais de hidroxiapatita.
Chega uma hora que para de reagir; a massa precisa do cálcio
A reação de presa inicia-se a partir da mistura do pó – dentina aberta, tem cálcio no dente do paciente; a massa
formado por partículas de vidro (sílica e alumina) e sais de faz uma ligação química com o cálcio presente no dente.
Como identificar a hora: enquanto a massa apresenta brilho
– ainda “gruda” no dente.
Aglutina – massa com brilho – une com o cálcio do dente –
se demora muito pega o cálcio da própria mistura e não une
mais com o cálcio do próprio dente.
Perda do brilho ocorre 4 minutos após a aglutinação; sem
cadeias disponíveis para ligações, agiu com os íons das
partículas do pó. Que horas coloca a proteção? Colocar a
proteção após os 4 minutos, quando perde o brilho (sem
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

capacidade de mais ligações) (presa final ainda não ocorreu,


porém, as uniões já foram feitas). O grupo carboxila do ácido poliacrílico é o responsável pela
ligação do CIV com o dente; A constituição final é um
aglomerado de partículas que não reagiram envolvidas por
gel de sílica em uma matriz amorfa de polissais de Ca e Al;

CARACTERÍSTICAS

✓ Altamente adesivo (comparado com óxido de zinco


eugenol), porém quando comparado com resinas
compostas apresenta baixa adesão.
✓ Bactericida;
✓ Liberação de flúor alta;
✓ Biocompatibilidade – Por causa da ligação com o
cálcio (compatível com o tecido vivo)
✓ Coeficiente de expansão térmico linear semelhante
ao do dente – se comporta como uma dentina
BENEFÍCIOS
(características próximas – material ótimo para
base de restaurações);
Bastante resistência mecânica – pode ser um restaurador
provisório e depois uma base; Depois de 24 horas após sua
DESVANTAGENS
presa final. Quando comparada com as outras, pois em
comparação com a resina composta é pouco resistente;
Estética insatisfatória – Viscosidade alta (impossibilita uma
boa modelagem) depois de 4 minutos fica opaco (perde o
PORQUE PROTEGER CIV COM VERNIZ
brilho);
Infiltração marginal baixa – escurece margens cavitarias;
Impermeabilizar a superfície do CIV, protegendo-o e
evitando a perda de íons (Ca2+, Al3+) necessários à reação
SISTEMA DE CIV
final de presa.
Caso a proteção não seja realizada moléculas de água
Tempo de presa alto
podem penetrar para o interior da matriz de hidrogel e
Tempo de presa baixo
provocar a hidrólise das ligações cruzadas, afastando as
cadeias do ácido poliacrílico e diminuindo as propriedades
INDICAÇÃO
mecânicas do material.
O alumínio pode demorar até 24 horas para fazer união com
✓ Cimentação;
o resto da massa (presa final); não pode entrar em contato
✓ Restauração;
com a água até tomar presa. Verniz fica sobre o CIV;
✓ Base ou forramento.
SINÉRESE – Evaporação, perda de água para o meio externo,
APLICAÇÃO CLÍNICA
interrompe a reação de presa produzindo trincas no interior
do material;
✓ Cimentação de prótese, pinos, banda;
EMBEBIÇÃO - Absorve água da saliva (precisa ser protegido,
✓ Restaurações provisórias
demora até 24 horas para tomar presa); altera a quantidade
✓ Restaurações definitiva – Paciente com risco de
e produz um material de baixa dureza
cárie, adequação do meio, classe V, tratamento
restaurador atraumático (ART – (Instrumentos
REAÇÃO DE PRESA:
cortantes manuais));
✓ Base.
DISSOLUÇÃO – O ácido reage com a camada superficial do
vidro, ocorrendo uma reação ácido base, produzindo sal e
MANIPULAÇÃO CIV
água, liberando íons Al, Ca, Na e F, só permanecendo um gel
de sílica;
Para que a mistura possa ser feita de forma eficiente o
GELAÇÃO – O Ca reage com os grupos carboxílicos (ácido
cirurgião-dentista deve proporcionar uma medida do pó
poliacrílico) formando ligações cruzadas. Fase crítica, não
com o dosador fornecido pelo fabricante e uma gota do
podendo perder água para o meio externo. E não pode
líquido em um bloco de papel. A mistura deve ser realizada
ocorrer contaminação com saliva ou umidade externa
com a utilização de uma espátula plástica. O pó pode ser
comprometendo a cor do material, tornando-o opaco e
dividido em duas porções e a manipulação é feita por
enfraquecendo o material;
aglutinação do pó em grandes porções ao líquido com
ENDURECIMENTO – Presa (4 minutos perde o brilho e para
movimentos leves e delicados, por cerca de 60 segundos, até
encerrar de 30 minutos a 24 horas para que os íons de Al
a obtenção da consistência desejada para cada indicação do
forneçam a resistência final;
material, ou seja, restauração, forramento ou base e/ou
cimentação. Vale lembrar, que a inserção do material na
OBSERVAÇÃO
cavidade deve ser feita quando este ainda apresenta brilho.
BIOMATERIAS (ROSSI) XLI

CIV-RM: um avanço muito importante nos cimentos de


INDICAÇÕES ionômero de vidro foi a adição de resina (monômero hema)
no líquido, produzindo os cimentos de ionômero de vidro
CLASSIFICAÇÃO PELA INDICAÇÃO resino-modificados (CIVRM) este material manteve as boas
propriedades do cimento de ionômero de vidro
Tipo I convencionais como: a liberação de íons flúor e a adesão aos
Indicação: Cimentação tecidos dentais. E melhorou outras como: a estética, a
Partículas 20micrometros (são as menores partículas, e diminuição do longo tempo de presa, a possibilidade de fazer
quanto menor a partícula, mais fluido é o acabamento e o polimento imediato, a resistência à
esse cimento e melhor o seu escoamento) hidrólise ou ao dessecamento, ou seja, resistência à perda
Sufixos C, Cem ou Chem (sinérese) ou ganho (embebição) de água e a resistência
o cimento de ionômero de vidro para cimentação é indicado mecânica que em alguns casos chegou a ter seus valores
como agente cimentante definitivo para diversos tipos de dobrados.
próteses (coroas protéticas, pinos intra-radiculares e bandas
ortodônticas). Este cimento possui essa indicação
justamente por possuir fluidez suficiente para formar uma
espessura de película entre o dente e a prótese sem
interferir no assentamento da peça e preenchendo as
irregularidades existentes entre as duas superfícies de
contato da cimentação (superfície do órgão dental
preparado e da peça protética a ser cimentada).

Tipo II
Indicação: restauradores
Partículas: 45 micrômetros (quanto maiores mais resistentes
e rígidos físico e mecanicamente)
Sufixo: Fill, Fil ou R
O cimento de ionômero de vidro restaurador é obtido sob a
consistência de uma massa cremosa e brilhante e, por esse
motivo, é indicado como material restaurador provisório de
longa duração em função de suas propriedades. Entretanto,
também pode ser usado como material restaurador
definitivo em algumas situações clínicas específicas. Suas
propriedades mecânicas e estéticas o permitem ter essa
indicação. Em pacientes odontopediátricos, o CIV é bastante
indicado devido à sua técnica facilitada quando comparada
à técnica indicada para confecção de uma restauração em
resina composta ou mesmo o amálgama odontológico.
Também pode ser indicado como restaurador definitivo e
provisório em pacientes com alto índice de cárie que serão
submetidos ao ART (tratamento restaurador atraumático)
ou para restauração de cavidades classe V em pacientes de
qualquer idade.

Tipo III
Indicação: forramento
Partículas: 25-35 micrômetros (partículas intermediárias,
esse cimento não precisa escoar tanto e
não precisa ser tão resistente, por conta da sua indicação)
Sufixos: bond, lin, F
O cimento de ionômero de vidro forrador é mais indicado
para a realização de bases cavitárias em cavidades profundas
ou bastante profundas. No entanto, alguns autores ainda
assim preconizam seu uso como materiais forradores.

Tipo IV
Ele pode ser utilizado para as três indicações
Eles são fotopolimerizaveis
São cimentos modificados por resinas e tem monômeros que
precisam ser transformados em Polímeros;

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