EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS GEÓLOGOS, pessoa jurídica de direito privado, entidade
âmbito nacional, inscrita no CNPJ sob o n° (...), com se à rua (...), devidamente representado
por seu diretor (...), vem, por meio de sua advogada, conforme procuração anexa, com
escritório localizado no endereço (...), com fundamento no art. 102, I, a da CF e na Lei n°
9868/99, propor
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE COM MEDIDA
CAUTELAR
Em razão da inconstitucionalidade da Emenda à Constituição Estadual nº 5/2018, conforme
fatos e fundamentos a seguir expostos.
I. DOS FATOS
Considerando o crescimento da exploração de diamantes no território do Estado Alfa,
fez com que os riscos ao meio ambiente também se elevassem, por esse fato o estado
instigou a população local, o que fez com que um grupo de deputados estaduais
proporem uma emenda à constituição estadual, tendo requisitos formais a serem
cumpridos e limites da extração, armazenamento e no transporte de cargos, esta emenda
foi sancionada pelo governador do estado.
Ocorre que, a proposta de Emenda afetou os interesses da Associação Nacional dos
Geólogos, com o risco de desempregos dos seus associados, isso em razão dos severos
requisitos estabelecidos para a exploração de diamantes, ressaltando que há décadas a
referida Associação luta pelos direitos da categoria.
II. DOS DIREITOS
II.I. Da legitimidade ativa
Associação Nacional dos Geólogos, considerando o art. 103, IX, da CRFB/88, c/c o art. 1º
da Lei nº 9.868/99, tem total legitimidade para propor a presente ação, sendo entidade de
classe de âmbito nacional. Nesse sentido, necessário se faz mencionar o entendimento do
ilustre José Antonio Dias Toffoli que preconiza, in verbis:
Já os legitimados ativos não universais (especiais) teriam, no ajuizamento da ADI, que
demonstrar o interesse específico de agir, ou seja, pertinência temática. Segundo o
Pretório Excelso, são legitimados não universais para ajuizar ADI: Governador dos
Estados e do Distrito Federal, Mesa das Assembleias legislativas estaduais e distrital e
confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
TOFFOLI, José et al. 3. Considerações sobre as ações do controle concentrado abstrato
no Brasil: ADI, ADC, ADO e ADPF In: TOFFOLI, José et al. Controle Concentrado
de Constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal - Ed. 2023. Editora Sobredireito.
2023.
A pertinência temática é exigida aos legitimados especiais como as entidades de classe de
âmbito nacional e, no caso a Associação Nacional dos Geólogos, ela é comprovada por
meio do vínculo entre o objeto da ação.
[Link]. Do cabimento
O ajuizamento da presente ADI está fundado no art. 102, I, a, CRFB/88 c/c o art. 103, IX,
CRFB/88, e art. 1º e 2º da Lei nº 9868/99, portanto, conforme previsto a presente ação
compete diretamente ao Supremo Tribunal Federal.
[Link]. Dos fundamentos
Diante do alegado, vale ressaltar que é a União, de acordo com o art. 22, XI, XII, CF/88
que obtém a competência privativa para legislar sobre jazidas, minas, outros recursos
minerais, mineração e transportes. Desse modo, não cabe ao Estado legislar sobre esses
assuntos, por meio de Emenda Constitucional Estadual nº 5/2018 na qual foi o referido ato,
violando a competência privativa da União. Nesse sentido, segue jurisprudência:
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONSTITUCIONAL E
AMBIENTAL. FEDERALISMO E RESPEITO ÀS REGRAS DE DISTRIBUIÇÃO
DE COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. LEI 3.213/2013 DO ESTADO DE
RONDÔNIA. MINERAÇÃO E GARIMPAGEM. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA
PRIVATIVA DA UNIÃO (ART. 22, XII, DA CF). LICENCIAMENTO
AMBIENTAL. COMPETÊNCIA CONCORRENTE. PRIMAZIA DA UNIÃO PARA
FIXAR NORMAS GERAIS (ART. 24, VI, VII E VII, § 1º, 30, I E II, E 225, § 1º, IV,
DA CF). EXERCÍCIO DO PODER DE POLÍCIA AMBIENTAL. SEPARAÇÃO DOS
PODERES (ART. 2º DA CF). RESERVA DE ADMINISTRAÇÃO (ART. 2º, 61, § 1º,
II, “E”, 84, II E VI, “A”, DA CF). COBRANÇA DE TAXA PELO EXERCÍCIO DO
PODER DE POLÍCIA (ART. 145, II, DA CF), POR MEIO DE LEI DE INICIATIVA
DO LEGISLATIVO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE INICIATIVA
RESERVADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PARCIAL PROCEDÊNCIA. 1.
Compete privativamente à União legislar sobre jazidas, minas, outros recursos minerais
e metalurgia (CF/1988, art. 22, XII), em razão do que incorre em inconstitucionalidade
a norma estadual que, a pretexto de regulamentar o licenciamento ambiental, impede o
exercício de atividade garimpeira por pessoas físicas. 2. A diretriz fixada pelo
constituinte, de favorecimento da organização da atividade garimpeira em cooperativas
(art. 174, § 3º, da CF), não permite o extremo de limitar a prática de garimpagem apenas
aos associados a essas entidades, sob pena de violação à garantia constitucional da
liberdade de iniciativa e de livre associação (art. 1º, IV, art. 5º, XX, e art. 170, parágrafo
único, da CF). 3. A competência legislativa concorrente cria o denominado
“condomínio legislativo” entre a União e os Estados-Membros, cabendo à primeira a
edição de normas gerais sobre as matérias elencadas no art. 24 da Constituição Federal;
e aos segundos o exercício da competência complementar — quando já existente norma
geral a disciplinar determinada matéria (CF, art. 24, § 2º) — e da competência
legislativa plena (supletiva) — quando inexistente norma federal a estabelecer
normatização de caráter geral (CF, art. 24, § 3º). 4. O licenciamento para exploração
de atividade potencialmente danosa, como é o caso da lavra de recursos minerais,
insere-se no Poder de Polícia Ambiental, cujo exercício é atividade administrativa de
competência do Poder Executivo e, portanto, submetida à reserva de administração (art.
61, § 1º, II, e, c/c art. 84, II e VI, “a”, da CF). 5. A definição do valor cobrado a título
de taxa pelo exercício do poder de polícia (art. 145, II, da CF) pode ser estabelecida em
sede legislativa, por iniciativa concorrente dos Poderes Executivo e Legislativo, pois
não há falar em iniciativa reservada em matéria tributária (ARE 743480, Rel. Min.
GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado sob o rito da repercussão geral, DJe de
19/11/2013). 6. Medida Cautelar confirmada e Ação Direta julgada parcialmente
procedente.
Ademais, não cabe ao governador estadual sancionar a emenda em questão, apenas propor,
tal fato confronta diretamente o art. 60, I da CF/88.
III. DA MEDIDA CAUTELAR
A medida cautelar está prevista no art. 102, I, p da CRFB/88 c/c com os arts. 10 a 12 da Lei nº
9868/99 e deve ser tomada por esse Tribunal pelos fatos e argumentos jurídicos expostos.
O “fumus boni iuris” justifica-se com a total inconstitucionalidade da Emenda Constitucional
Estadual, a patente inconstitucionalidade demonstrada nos fundamentos, usurpando
competência sobre a presente dificuldade em se manter a exploração de diamantes.
O “periculum in mora” está assentado na iminência do temor do risco de desemprego dos
associados naquela região onde se concentra essas explorações de diamantes.
IV. DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer a Vossa Excelência:
a) A concessão da medida cautelar, diante exposto no art. 10 da Lei nº 9868/98, suspendendo
os efeitos do decreto até a decisão final, que julgará procedente o pedido e decretará a
inconstitucionalidade da norma impugnada;
b) A notificação do governador e Assembleia legislativa do Estado Alfa para prestar
informações, conforme art. 6° da Lei 9868/99;
c) A intimação da AGU e PGE para manifestação;
d) Seja julgado procedente o pedido para declarar inconstitucionalidade da Emenda
Constitucional Estadual nº 5/2018.
Nestes termos,
Pede-se deferimento.
Local/ Data
Advogado – OAB.