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1ª Aula
Sociedade e Direito: Não há sociedade sem direito. Essa correlação está na função que o
direito exerce, que é uma função ordenadora. Desta forma, é o direito que tem como objetivo
coordenar os interesses que são decorrentes da vida em sociedade, pois, serve para
organizar a cooperação entre pessoas e principalmente para compor os conflitos.
Função do direito: Harmonizar as relações a fim de ensejar a máxima realização com o
mínimo sacrifício.
Critério utilizado pelo direito: É utilizado o critério do justo, do equitativo, analisando-se a
convicção prevalente em determinado momento e lugar. O estado fala o que é justo pelo
poder judiciário.
LIDE: conflito entre as partes.
Direito como controle social: É o entendimento de que o direito é um conjunto de
instrumentos oferecidos e disponíveis à sociedade para impor modelos culturais e solucionar
conflitos oriundos dessa imposição.
Da autotutela à jurisdição: Atualmente, no ordenamento jurídico brasileiro, se duas
pessoas possuem um conflito é necessário que o Estado – Juiz seja provocado para dizer
qual a vontade do direito para o caso concreto, porém nem sempre foi assim, nas fases
primitivas da civilização, inexistia de um estado para impor o direito acima das vontades dos
particulares. Quem pretendesse alguma coisa que fosse impedido por outrem, com sua
própria força trataria de conseguir. Nessa época os atos criminosos eram reprimidos pela
vingança privada. (lei de talião)
Traços fundantes da autotutela
* Ausência do juiz distinto das partes.
* Imposição da decisão por uma das partes à outra.
Autocomposição. (SOLUÇÃO DE CONFLITO): Além da autotutela, outra solução
possível nos tempos primitivos é a autocomposição. Destaca-se que essa modalidade
perdura até os dias atuais.
Características da autocomposição: Uma das partes em convlito, ou ambas, abrem
mão do interesse ou de parte dele.
SÃO TRES FORMAS DE AUTOCOMPOSIÇÃO: DESISTÊNCIA: Consiste na
renúncia à pretensão. SUMISSÃO: Consiste na renúncia à resistência oferecida.
TRANSAÇÃO: Consiste na concessão recíproca.
Evolução da solução dos conflitos: Passado o período da autotutela os indivíduos
foram recebendo-os males daquela modalidade de solução dos conflitos, ocasião em
que optaram por uma solução imparcial, que era realizada por árbitros. Essa
interferência era confiada aos sacerdotes, que possuíam ligações com as divindades
e garantiam soluções acertadas, de acordo com a vontade dos deuses. Mais tarde, o
estado foi se afirmando e conseguiu impor-se aos particulares mediante a invasão de
sua esfera de liberdade, ocasião em que se gradativamente a tendência foi absorver o
poder de ditar as soluções para os conflitos. Nesse período o Estado começa a ter
uma participação na solução dos conflitos, na escolha do arbitro.
2ª AULA
Exceção a autotutela: A autotutela já não se utiliza no ordenamento jurídico
brasileiro, porém, em alguns casos como exceção. Se admite essa modalidade de
solução de conflitos. EX.: Excludente de ilicitude.
A regra “nula poena sine judicio”: Existem casos que o processo é o único meio
de obter a efetivação das situações ditadas pelo direito material. A lei, nesses casos
não admite autotutela, a autocomposição, o juízo arbitral e nem mesmo a satisfação
voluntária das pretensões. Exemplo: Situações que se referem a direitos e interesses
regidos por normas de extrema indisponibilidade, como as penais. A fundamentação
dessa indisponibilidade consiste na necessidade de controle jurisdicional.
Acesso a justiça: O acesso à justiça não esta limitando apenas a mera admição do
processo, ou ainda a possibilidade de ingresso ao juízo. É necessário que o maior
número de pessoas seja admitido a demandar e ainda a defender-se. A ordem
jurídica positiva inseriu uma série de princípios e garantias que constituem o caminho
que conduz as partes à ordem jurídica. Esses princípios oferecem a observância das
regras que consubstanciam o devido processo legal.
A função do estado moderno: O estado assume para si certas funções essenciais
ligadas a vida e ao desenvolvimento, pois é ele quem deve promover a plena
realização dos valores humanos.
Legislação e Jurisdição: No desempenho de sua função jurídica, o estado deve: *
Estabelecer as normas (regras) irão criar as leis que vão reger as relações; *Buscar a
realização prática daquelas normas quando houver conflito entre as pessoas.
Direito processual: É o complexo de normas e princípios que regem o método de
trabalho, ou seja, o exercício conjugado da jurisdição pelo Estado. Juiz da ação pelo
demandante e pelo demandado.
A instrumentalidade do processo: Toda atividade jurídica exercida pelo estado visa
um objetivo principal – pacificação social. O processo é um instrumento a serviço da
paz social. A instrumentalidade do processo é aquele aspecto da relação que liga o
sistema processual à ordem jurídica material.
* CAI NA PROVA* LINHAS EVOLULTIVAS: 1º sincretismo: não se tinha noção do
direito processual, pois a ação era entendida como o próprio direito material; 2º
autonomista: marcada pelas grandes construções científicas do direito processual; 3º
instrumentalista: está ligada à ideia do processo como instrumento para solução das
lides.
3ª AULA
Princípios: cada sistema processual se apoia em alguns princípios que se
estenderam a todo ordenamento. É justamente por conta do exame dos princípios
gerais que informam cada sistema que resultará qualifica-lo naquilo que tem de
particular e de comum com os demais. OBS: A doutrina fez distinção entre princípios
gerais do direito processual daquelas normas ideais que dizem respeito a melhoria do
aparelhamento processual por esse motivo é que são chamados de princípios
informadores e se dividem em:
a) Princípio lógico: busca encontrar os meios mais eficazes e rápidos para
descobrir a verdade real
b) Princípio jurídico: Igualdade no processo e justiça na seleção;
c) Princípio político: Busca o máximo de garantia social com o mínimo de
sacrifício individual de liberdade;
d) Princípio econômico: Processo acessível a todos, com vista ao seu curso e
duração;
e) Princípio da imparcialidade do Juiz: O caráter de imparcialidade é
inseparável da jurisdição. O juiz coloca-se entre as partes e acima delas, deste
modo, a imparcialidade do juiz é uma garantia de justiça às partes. Somente
através de um juiz imparcial e processo pode representar um instrumento que
não seja apenas técnico, mas ético para a solução dos conflitos;
f) Princípio da Igualdade: A igualdade perante a lei é premissa para afirmação
da igualdade perante o juiz. Da norma inscrita no art 5º CAPUT brota o
princípio da igualdade processual. As partes e os procuradores devem merecer
tratamento iguais que tenham as mesmas oportunidades de fazer valer em
juízo suas razões.
g) Princípio do contraditório e da ampla defesa: Indica a atuação de uma
garantia fundamental de justiça. Está intimamente ligado ao exercício do poder.
Realizando oitiva de uma das partes, não pode deixar de ouvir outra, só assim
se dará oportunidade de expor suas razões.
h) Princípio da ação: Indica a atribuição à parte da iniciativa de provocar o
exercício da função jurisdicional. Ação é os direitos de ativar os órgãos
jurisdicionais visando a satisfação de uma pretensão. A jurisdição é parte
inerte, precisa de provocação do interessado. A isso predomina-se princípio da
ação.
i) Princípio da disponibilidade e da indisponibilidade: Também conhecido
como poder dispositivo. Consiste na liberdade que as pessoas têm de exercer
ou não seus direitos. Em direito processual tal poder é configurado pela
possibilidade de apresentar ou não suas pretensões.
j) Princípio da livre investigação das provas: Consiste na regra de que o juiz
depende da iniciativa das partes na que diz respeito às provas, porém, não
está vinculado somente aquelas que foram apresentadas, podendo requerer a
coleta de outras.
k) Princípio do impulso oficial: Compete ao juiz, uma vez instaurada a relação
processual, mover o procedimento de fase em fase, até exaurir a função
jurisdicional.
4ª AULA
l) Princípio da persuasão racional do juiz: Este princípio regula a apreciação e
a avaliação das provas existentes nos autos, indicando que o juiz deve formar
livremente sua convicção. OBS: Essa liberdade da convicção, porém não
equivale à sua formação arbitrária, pois o convencimento deve sempre ser
motivado. ART. 93, IX C.F.
m) Princípio da lealdade processual: As partes não podem faltar com a verdade
no processo. É justamente por conta deste princípio que se impõe deveres de
moralidade e proibidade a todos que participam do processo. Parte, juiz,
auxiliares da justiça, advogados e membros do mp.
n) Princípio do duplo grau de jurisdição: Indica a possibilidade de reversão por
vis recursal das causas já julgadas pelo juiz de primeiro grau garante assim,
um novo julgamento, por parte do órgão e jurisdição.
* Quem decide o processo é o juiz e ele pode pedir uma perícia, testemunha.
Carta precatória: Intimação de uma testemunha que vive fora da comarca.
Carta Rogatória: Intimação de uma testemunha que vive fora do país.
Acesso à justiça: O direito de ação foi ampliado pela CF/88, que determina ART. 5º
XXXV “A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de
direito”.
As garantias do devido processo legal: É o conjunto de garantias constitucionais
que de um fato asseguram às partes o exercício de suas faculdades e poderes, e do
outro, são indispensáveis ao correto exercício da jurisdição. OBS: Não servem apenas
como garantias aos interesses das partes, mas configuram aos interesses de mais
nada de proteção do processo.
Lei processual: Objeto e natureza
Normas materiais: As que disciplinam imediatamente a cooperação entre pessoas e
conflitos de interesses conflitantes deve prevalecer.
Normas instrumentais: Contribuem para a solução dos conflitos apenas de forma
indireta, mediante a disciplina da criação e atuação das regras de jurisdição destinada
a regulá-los diretamente.
Objeto da norma processual: É a disciplina do modo processual de resolver os
conflitos. Visa disciplinar o poder jurisdicional.
Classificação das normas processuais: Se classificam em:
a) Norma de organização judiciaria: Tratam da criação e estrutura dos órgãos
judiciários e seus auxiliares.
b) Normas processuais em sentido estrito: Cuidam do processo e atribuem
poderes e deveres processuais.
c) Normas Procedimentais: Dizem respeito apenas aos “modus operandi” ou
“modus procedendi” dos atos processuais que compõe o processo.
FONTES DA NORMA PROCESSUAL:
Fonte formal: Os meios de produção ou expressão da norma jurídica. São eles: Leis,
usos e costumes e negócio jurídico.
Fonte abstrata: Abrange em primeiro lugar as disposições constitucionais que criam e
organizam os tribunais e competências.
5ª AULA
Eficácia da lei processual no tempo e no espaço: Toda norma jurídica tem eficácia
no espaço e no tempo, ou seja, aplica-se apenas dentro de todo território e durante um
certo período de tempo. Essas limitações também se aplicam as normas processuais.
Eficácia da norma processual no espaço: Aplica-se o princípio da territorialidade. O
princípio que regula a eficácia espacial das normas processuais é o da territorialidade,
que impõe sempre a lei daquela localidade, daquele foro, isso porque a atividade
jurisdicional é manifestação do poder soberano do Estado, motivo pelo qual não pode
ser regulada por leis estrangeiras.
Eficácia da normal processual no tempo: No que diz respeito as normas processuais
no tempo, essas utilizam as regras que compõe o direito processual intertemporal. A)
vocatio legis; B) As leis processuais novas não incidem em processos fundos, pois
estão protegidos pela segurança da coisa julgada.