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Rodococose: Causas e Sintomas em Equinos

Rodococose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rhodococcus equi, que afeta principalmente potros, levando a pneumonia e outras complicações. A transmissão ocorre principalmente por aerossolização e a infecção pode ser fatal, com alta taxa de mortalidade se não tratada precocemente. O tratamento envolve antimicrobianos, sendo a combinação de rifampicina e eritromicina a mais eficaz, enquanto a profilaxia se baseia em boas práticas de manejo e diagnóstico precoce.

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Rodococose: Causas e Sintomas em Equinos

Rodococose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rhodococcus equi, que afeta principalmente potros, levando a pneumonia e outras complicações. A transmissão ocorre principalmente por aerossolização e a infecção pode ser fatal, com alta taxa de mortalidade se não tratada precocemente. O tratamento envolve antimicrobianos, sendo a combinação de rifampicina e eritromicina a mais eficaz, enquanto a profilaxia se baseia em boas práticas de manejo e diagnóstico precoce.

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Rodococose

Definição

Rodococose é uma doença infeccontagiosa, piogranulomatosa, causada pela bactéria


Rhodococcus equi, carcaterizada por pneumonia, enterite, linfadenite e lesões abscedantes em
animais e humanos

Etiologia

Rhodococcus equi é reconhecido como bactéria oportunista, intracelular facultativa. Apresenta-


se em formato de cocos ou pequenos bacilos pleomórficos gram-positicos, entre 1 e 5 mm, não
esporulados, desprovidos de flagelos e fracamente acidorresistentes.
O isolamento microbiano pode ser obtido em meios convencionais, como ágar acrescido de
sangue ovino ou bovino (5%), desfibrinado, em condições de aerobiose, entre 48 e 72 horas.
Meios especiais como NANAT, CAZ-NB, TVP e TCP são recomendados ao isolamento
seletivo da bactéria em material contaminado, como solo e fezes. As colônias de R. equi em
meio de ágar-sangue são tipicamente mucoides, brilhantes, não hemolíticas, branco-
acinzentadas, com 1 a 2 mm de diâmetro em 48 horas de incubação. Após 72 horas, assumem
tonalidade salmão.

Virulência

Diferentes mecanismos conferem virulência ao microrganismo incluindo presença de cápsula,


composíção da parede bacteriana, produção de exoenzimas e presença de plasmídios. O
microrganismo é subdividido em vários sorotipos, mas a caracterização recente da
patogenicidade das linhagens está relacionada, principalmente com a presença de plasmídios. A
presença de cápsula e de ácido micólico na parede bacteriana dificulta a fagocitose por
neutrófilos e macrófagos. As enzimas difusíveis colesterol oxidase e fosfolipase C são
responsáveis pela lise de eritrócitos. A ação dessas enzimas promove a destruição de
fosfolipases da membrana dos eritrócitos e a liberação do íon ferro, importante cofator de
multiplicação bacteriana.

Epidemiologia

O primeiro registro de rodococose em animais domésticos data de 1923, na Suíça, em casos de


pneumonia piogranulomatosa em potros. A doença apresenta distribuição mundial,
predominando em países de clima tropical. O equino é a principal espécie suscetível.
Em equinos, a doença ocorre com mais frequência em potros com idade entre 2 semanas e 6
meses, principalmente entre 45 e 60 dias de idade. A alta ocorrência da doença nesse período é
atribuída ao declínio da imunidade passiva adquirida pelo colostro, assim como por certa
imaturidade do sistema imune dos potros em debelar a infecção nessa faixa etária.
R. equi tem o solo como habitat, multiplicando-se ativamente no ambiente de criação de animais
de produção, particularmente em criatórios de quinos, tendo como exigências condições
nutricionais mínimas, temperatura e umidade, obtidas comumente no solo e nas fezes de
herbívoros. Pode mutiplicar-se no solo dos criatórios, principalmente na presença de material
fecal de equinos, bovinos e pequenos ruminantes. O microrganismo é encontrado em grande
quantidade na superfície do solo. No entanto, em profundidades de 30 cm ou mais, R. equi
dificilmente é isolado.
R. equi também pode ser isolado das vias respitatórias superiores (traqueia e laringe) de potros e
equinos adultos sem sinais de pneumonia, principalmente em propriedades com solo
excessivamente contaminado e/ou nas quais a doença ocorra de maneira endêmica.
As principais fontes de infecção são os animais doentes e reservatórios, que eliminam o
microrganismo pelas fezes. Potros são considerados a principal via de contaminação ambiental e
de manutenção do microrganismo nos plantéis, eliminando linhagens virulentas pelas fezes.
A aerossolização é considerada o principal meio de transmissão da bactéria para potros. As
partículas que contêm micorganismos, suspensas em ambientes excessivamente secos, são
inaladas pelos potros. Essas partículas contaminam a água e os alimentos dos animais,
predispondo, também à infecção por via oral. A morbidade dos potros com rodococcose é
variável, podendo acometer 30% ou mais dos animais em propriedades endêmicas. A
mortalidade é extremamente elevada, alcançando 50% dos animais acometidos, principalmente
nos casos de diagnóstico e/ou instituição tardia do tratamento.

Patogenia

Em potros, após a inalação, R. equi é ativamente fagocitado por neutrófilos e macrófagos


alveolares. A opsonização da bactéria, em associação com a resposta imune mediada por
anticorpos, a ativação da cascata do sistema complemento e a fagocitose, pode ser suficiente
para conter a infecção inicial em animais hígidos, não resultando em estado de doença. Em
contraste, a ação conjunta dos diferentes fatores de virulência da bactéria e a capacidade de
evasão do sistema imune, que inclui a presença de cápsula e ácido micólico na parede
bacteriana, a produção de enzimas citolíticas e os mecanismos de captação de ferro e plasmídios
associados à virulência, são provavelmente, os fatores que determinam a patogenicidade em
animais que evoluem para o estado clínico de rodococose.

Com o impedimento da lise da bactéria no interior do fagolisossoma em macrófagos e


neutrófilos, além da elevada quimiotaxia para neutrófilos, as lesões por R. equi caracterizam-se
pela formação de piogranulomas de difícil resolução tecidual, tendendo à cronicidade. A
estrutura dos piogranulomas é peculiar. Consiste na presença do microrganismo livre ou no
interior de fagócitos, com grande quantidade de neutrófilos, macrófagos modulados em células
epitelioides e grande quantidade de material purulento, além de outras células, como linfócitos e
plasmócitos, circundadas por cápsula fibrosa.

Clínica

Apesar de a doença tender à evolução crônica, o início dos sinais clínicos geralmente é agudo,
pois o equino é capaz de compensar as infecções nas vias respiratórias inferiores. Ademais, a
infecção pode permanecer subclínica em alguns animais. Em outros, manifesta-se
esporadicamente de modo hiperagudo, havendo morte abrupta dos animais, com sinais
respiratórios e febre. Inicialmente, os potros acometidos manifestam sinais inespecíficos que
incluem inapetência, elevação da temperatura, letargia e relutância em mamar, o que pode
dificultar o diagnóstico precoce da doença.

Manifestação pulmonar

Pneumonia é a manifestação clínica mais evidente nos equídeos. Não é comum haver secreções
nasais e tosse, embora possam se manifestar ocasionalmente com aspecto mucopurulento. Os
sinais mais comuns da afecção pulmonar são a taquipneia e a dificuldade respiratória, notadas
pelo esforço abdominal que acompanha os movimentos torácicos respiratórios. A doença
acomente animais com boa condição corporal, mas com a cronicidade dos casos os animais
tendem ao emagrecimento. Com a progressão da doença, os potros apresentam anorexia,
decúbito, intolerância ao exercício, taquicardia e cianose, evoluindo para óbito em 50% ou mais
dos casos diagnosticados e/ou tratados tardiamente.

Sinais entéricos

São menos frequentes, em geral associados aos respiratórios. Sinais de diarreia, desidratação,
inapetência, cólica, ascite, perda de condição corporal e atraso no crescimento são as principais
manifestações clínicas em potros acometidos por grave enterocolite ulcerativa por R. equi.

Artropatias

As artopatias imunomediadas são causadas pela deposição de imunocomplexos nas articulações


e ocorrem cerca de 20 a 30% dos casos de rodococose em equinos, geralmente secundárias à
infecção respiratória e, menos frequentemente por infecções entéricas.

Diagnóstico

Achados clínico-epidemiológicos

Maior ocorrência em animais entre 45 e 60 dias de idade. Em haras endêmicos, a ocorrência de


pneumonia pela bactéria supera as demais causas de distúrbios respiratórios. É comum haver
histórico de problemas de manejo e higiene do ambiente, com destaque para a insuficiente
ingestão de colostro, excesso de poeira e fezes no ambiente, além da superpopulação e
aglomeração de animais de diferentes idades e categorias.
Clinicamente, os potros infectados podem se distinguir dos demais com base em idade, presença
de febre, escassez de descarga nasal e sons pulmonares anormais à auscultação.

Cultivo e identificação microbiológica

O exame microbiológico é o método mais prático e fidedigno no diagnóstico de rotina da


rodococose. A coleta de material por meio de swabs nasais não é indicada, visto que a bactéria
pode ser isolada da cavidade nasal e da traqueia em equinos assintomáticos.

Lavados traqueobrônquicos são considerados o principal espéciem clínico para o isolamento de


R. equi de potros com pneumonia.

A presença de cocos ou cocobacilos pleomórficos, gram-positivos, nos aspirados é sugestiva de


infecção por R. equi. É prudente, contudo, confirmar o diagnóstico pelo isolamento microbiano
do organismo, que se caracteriza por colônias mucóides, brilhantes, não hemolíticas, com 48 a
72 horas em meio de ágar-sangue ovino ou bovino.

Exames hematológicos

Exames hematológicos de potros revelam leucocitose por neutrofilia e, ocasionalmente,


monocitose. A elevação dos níveis de fibrinogênio em potros até os 6 meses de idade é a
alteração hematológica mais consistente nas infecções por R. equi. O monitoramento da
concentação total de células brancas é útil para a detecção precoce de potros infectados em
propriedades com alta prevalência de pneumonia por R. equi.

Diagnóstico por imagem


A radiografia torácica é útil para detectar infecções respiratórias em potros. A ultrassonografia
torácica é útil para avaliar a extensão das lesões pulmonares, apresentando boa concordância
com a radiografia convencional.

Exames sorológicos

Até o momento, a utilidade dos testes sorol[ogicos reside mais na capacidade de monitorar a
exposição dos criatórios do que para o diagnóstico individual de animais infectados.

Métodos moleculares

Embora o isolamento bacteriano permaneça como o método de maior aplicabilidade no


diagnóstico laboratorial de rotina, o uso combinado, nos últimos anos, de técnicas
immunoblotting, anticorpos monoclonais e reação em cadeia da polimerase possibilitou o
avanço significativo do diagnóstico, bem como estudos epidemiológicos e de virulência do
microgranismo.
A utilização da PCR para detecção de linhagens virulentas de R. equi em material obtido de
lavados bronquiais garante o diagnóstico rápido e preciso da pneumonia em potros.

Diagnóstico diferencial

Outras doenças infecciosas respiratórias de equinos, que incluem agentes como Streptococcus
equi, influenzavírus equino, herpesvírus equino 1 e 4, além do vírus da arterite viral equina.

Achados anatomopatológicos

As lesões a necropsia são observadas, comumente, em pulmões, intestinos e linfonodos. Em


equinos, a lesões pulmonares predominam nos lobos cranioventrais. Nos pulmões de potros,
constatam-se graus variáveis de edema, congestão, atelectasia, pneumonia e consolidação, além
da linfadenite mediastínica. Apesar disso, a formação de microabscessos ou de grandes lesões
abscedantes é o achado mais frequente em rodococose equina.

Exame histopatológico

O achado histopatológico predominante nas infecções por R. equi em animais e humanos é a


formação de piogranulomas (contendo focos de necrose) e abscessos (contendo o
microrganismo) no interior do citoplasma de fagócitos, particularmente em macrófagos
alveolares.

Tratamento

O tratamento da rodococose fundamenta-se na administração de antimicrobianos aliada à terapia


de suporte. Os antimicrobianos lipofílicos são preferíveis para o tratamento, pois alcançam altas
concentrações no interior celular e no foco piogênico.

R. equi é sensível a diversos antimicrobianos in vitro, mas a viabilidade intracelular do patógeno


e a indução de reação piogranulomatosa reduzem a eficácia in vitro da maioria dos
antimicrobianos convencionais. Em geral, o microgranismo é sensível in vitro a rifampicina, a
macrolídeos e aminoglicosídeos. Entretanto, R. equi é comumente refratário ao tratamento
antimicrobiano in vivo. O sucesso dos protocolos de tratamento são muito variáveis entre as
diferentes espécies domésticas
Equinos

A combinação de rifampicina e eritromicina é considerada de eleição no tratamento da


rodococose em potros desde a década de 1980. O uso combinado desses fármacos produz efeito
sinérgico, com excelente penetração em macrófagos e neutrófilos, mostrando taxas de cura que
variam de 60 a 90% dos casos. O tratamento deve ser mantido por 4 a 8 semanas e tem custo
relativamente elevado.

Profilaxia e controle

O controle e a profilaxia da rodococose em potros fundamentam-se em medidas gerais (que


incluem adequação do manejo e das condicões do ambiente dos criatórios) e em procedimentos
específicos, como diagnóstico precoce, uso de plasma hiperimune e imunoprofilaxia vacinal
(resultados variáveis).

Garrotilho

Definição

Garrotilho é uma doença infectocontagiosa, caracterizada por linfadenite e infecção do trato


respiratório superior em equídeos, causada pela bactéria Streptococcus equi.

Etiologia

Estreptococos são bactérias da família Streptococcaceae, gram-positivas, em forma de cocos


dispostos em cadeias, que se dividem em apenas um plano. São anaeróbios facultativos, imóveis
e negativos para catalase. O garrotilho é causado por S. equi subesp equi. Produzem colônias de
0,5 a 1 mm de diâmetro, caracterizadas por beta-hemólise e tonalidade dourada ou cor de mel,
após 18 a 24 horas de cultivo em ágar acrescido de sangue ovino ou bovino (5%) em condições
de aerobiose a 37ªC.
Os fatores de virulência de S. equi incluem a presença de cápsula de ácido hialurônico,
hialuronidase, estreptolisina, estreptoquinase S, proteínas receptoras para a região Fc de
imunoglobulinas da classe IgG, peptidioglicano, proteína M antifagocitária, hemolisinas e
leucotoxinas.

Epidemiologia

O garrotilho figura entre as doenças mais frequentes na criação de equídeos em todo o mundo.
Equinos, muares e asininos são suscetíveis. Os prejuízos relacionados com a doença nos
criatórios são atribuídos à interrupção do trabalho de animais destinados a transporte ou tração,
à queda na performance em treinamentos, bem como a gastos com medicamentos, honorários
veterinários, impacto estético negativo, além de morte ocasional de animais.
A doença acomete equídeos entre 1 e 5 anos, com predomínio em animais com cerca de 1 ano
de idade, o que coincide com a faixa etária de desmame dos potros. A morbidade é
extremamente variável, podendo acometer 10 a 30% dos animais do plantel, chegando a 100%
em surtos. A mortalidade ocorre em até 10% não tratados e/ou com diagnóstico tardio e entre 1
e 2% dos casos.
As fontes de infecção do garrotilho são os próprios equídeos doentes ou portadores que
eliminam a bactéria pelo trato respiratório superior. A transmisão pode ocorrer de maneira direta
e indireta. A transmissão direta ocorre pelo contato entre os animais, após a inalação de
aerossóis que contenham o microrganismo eliminado pelos equídeos infectados. Por via
indireta, as secreções nasais e o conteúdo de linfonodos e abscessos contaminam água, ração,
pasto, fômites e utensílios de maneira geral ou mesmo roupas e sapatos dos tratadores e
médicos-veterinarios. Animais portadores constituem fontes de infecção potenciais para o
plantel e dificultam as ações de controle e profilaxia nos criatórios endêmicos.

Patogenia

Após o ingresso no equídeo suscetível, por via oral ou nasal, a bactéria adere às células das
mucosas nasal e bucal, e em seguida se multiplica. A proteína M possibilita a aderência da
bactéria às células dos epitélios nasal, oral e faríngeo, das tonsilas e dos linfonodos, além de
apresentar efeito antifagocitário. A proteína M é o principal mecanismo bacteriano de evasão do
sistema imune, dificultando a fagocitose por neutrófilos e macrófagos.

Poucas horas após a infecção da cavidade oronasal, o microrganismo é levado para os


linfonodos regionais (retrofaríngeo e submandibulares), nos quais se multiplica no meio
extracelular, atraindo neutrófilos para o local. Essa fase do processo inflamatório é caracterizada
pela tentativa de fagocitose da bactéria pelos neutrófilos. A ação conjunta da cápsula e da
proteína M impede a fagocitose pelos neutrófilos e destruição da bactéria.

A presença do microrganismo nos linfonodos regionais determina quimiotaxia de neutrófilos,


aumento da permeabilidade vascular local, edema e formação de abscessos com acúmulo d
egrande coleção purulenta que pode ser eliminada em alguns animais após a abscedação dos
linfonodos, principalmente os submandibulares e retrofaríngeos. Processo similar ocorre na
região da nasofaringe, levando à secreção nasal purulenta.

Clínica

O garrotilho é a doença infecciosa mais comum do trato respiratório superior de equídeos,


particularmente em animais recém-desmamados ou com cerca de 1 ano. O período de incubação
é variável entre 1 e 3 semanas. Classicamente, os principais sinais clínicos da doença são início
abrupto de febre, inapetência e tosse, bem como dificuldade respiratória e de deglutição.
O sinal clínico que caracteriza a doença é o enfartamento de linfonodos na região da cabeça do
animal, em virtude da instalação do processo inflamatório local que determina obstrução do
fluxo linfático, edema e intumescimento dos linfonodos. As lesões em linfonodos podem ser uni
ou bilaterais.
As descargas nasais e de material purulento dos linfonodos ocorrem poucos dias após o início
do pico febril nos animais, variando entre 3 e 14 dias pós-infecção. A secreção dos linfonodos é
espessa, apresenta coloração amarelada e contém grande quantidade de bactérias viáveis que
contaminam pasto, água, comedouros e utensílios usados no manejo dos animais. A
linfadenopatia é acompanhada por faringite e laringite.
A tosse não é um sinal clínico comum de garrotilho. Em animais que apresentam essa
manifestação clínica, a tosse é mais frequente e produtiva à medida que a doença se agrava. O
curso clínico da doença perdura 2 a 4 semanas, com recuperação espontânea da maioria dos
animais, com ou sem supuração dos abscessos. Nos casos graves ou crônicos, os animais podem
permanecer com sinais clínicos até 3 meses. Em animais convalescentes, as descargas nasais
cessam 3 a 7 semanas após a fase aguda. A mortalidade não supera, habitualmente 10% do total
de casos e está diretamente relacionada com as complicações clínicas da doença.
As principais complicações clínicas do garrotilho são representadas por disseminação sistêmica
do microrganismo dos linfonodos para diferentes órgãos, empiema da bolsa gutural, reação
imunomediada (púrpura hemorrágica), além de miosites, agalaxia e formação de condroides.
Estima-se que 10% dos animais infectados apresentem algum tipo de complicação da
manifestação linfonodal da doença. Os casos complicados tendem a cronicidade e à evolução
fatal.

Diagnóstico

Achados clínico-epidemiológicos

Classicamente, os criatórios apresentam histórico de animais doentes 1 a 2 semanas após a


introdução de novos equídeos ou após a reintrodução de animais do próprio plantel. A doença
clínica ocorre predominantemente em potros na fase de desmame, manifestada por sinais de
febre, inapetência ou anorexia, enfartamento de linfonodos cervicais e secreções nasais
purulentas.

Exames hematológicos

Leucocitose por neutrofilia e aumento do fibrinogênio. Hiperproteinemia é observada nos casos


crônicos.

Cultivo e identificação microbiológica

O exame microbiológico é considerado o principal método de rotina para o diagnóstico da


doença, em virtude da praticidade, do resultado acurado e do custo acessível. O isolamendo de
S. equi é obtido de material purulento coletado de linfonodos, secreções nasais e bolsa gutural,
de lavados nasais ou de órgãos após a necropsia (pulmões, fígados, rins, linfonodos
mesentéricos e mediastínicos).
Em meio de ágar acrescido de sangue ovino ou bovino apresentam colônias beta-hemolíticas,
mucoides, de 0,5 a 1 mm de diâmetro, a partir de 14 horas em condições de aerobiose a 37ºC. À
microscopia, observam-se cocos arranjados em cadeias, gram positivos.

Sorodiagnóstico

Na prática, o sorodiagnóstico tem sido utilizado para determinar a resposta sérica de animais
vacinados, animais em fase crônica ou com púrpura hemorrágica. Apesar da praticidade do tetse
de ELISA, os métodos sorológicos têm sido úteis em situações específicas no diagnóstico da
doença.

Métodos moleculares

Nos últimos anos, a técnica de PCR tem mostrado resutlados promissores no diagnóstico do
garrotioho. A associação da PCR e do cultivo microbiológico é o procedimento mais eficaz para
o diagnóstico atual da doença.

Achados anatomopatológicos

Os achados mais frequentes são pneumonia purulenta a necrótica, pleurite, hepatite, nefrite,
linfadenite, artrite e miocardite. Comprometimento encefálico e ósseo é incomum. Nos casos
disseminados, exames histopatológicos revelam intenso processo inflamatório, com evidente
infiltração de polimorfonucleares, debris celulares e material purulento contendo o
microrganismo.

Diagnóstico diferencial

Em potros até 6 meses é preconizado para rodococose e influenza equina. Em animais adultos,
devem ser diferenciadas doenças como arterite viral equina, herpesvírus equino (tipo 1 e 4) e
mormo.

Tratamento

A abordagem terapêutica em casos de garrotilho depende dos sinais clínicos e do estágio ou da


gravidade da doença. Na prática, a doença tem curso benigno na maioria dos equídeos. Além
disso, a alocação dos animais em ambiente isolado, com disponibilidade de alimento de boa
qualidade, fácil acesso à água e possibilidade de descanso, em geral, é suficiente para a
recuperação dos animais.
Apesar da boa eficácia dos antimicrobianos no tratamento do garrotilho, o uso desses fármacos
é indicado somente a equídeos com infecção recente e em animais com linfonodos abscedados.
Assim, a abordagem do tratamento será diferenciada em animais com infecção inicial, em
animais com linfadenopatia e em casos de surtos.
A penicilina é, historicamente, o antimicrobiano de escolha para o tratamento do garrotilho.

Profilaxia e controle

O controle e a profilaxia do garrotilho iniciam-se pela investigação detalhada dos prováveis


fatores predisponentes ou de risco da doença em criatórios.
As principais estratégias de controle e profilaxia do garrotilho em criatórios consistem em
controle do fluxo de equídeos, cuidados sanitários na aquisição de animais doentes, cuidados na
formação de lotes de animais no pós desmame, higiene e desinfecção de instalações e utensílios
de manejo dos animais, exames clínicos e laboratoriais periódicos nos equídeos do plantel e
adoção de profilaxia vacinal em propriedades endêmicas.
O monitoramento da ingestão de colostro pelos potros, nas primeiras horas de vida, é
fundamental para a otimização da imunidade passiva nos animais recém-nascidos. Na presença
de manifestações clínicas compatíveis com o garrotilho, todos os animais do plantel devem ser
submetidos a exame clínico minucioso, com ênfase à palpação de linfonodos e ao exame do
trato respiratório. Clinicamente, os animais devem ser monitorados quanto à elevação de
temperatura e à ocorrência de linfadenopatia, inapetência e secreções nasais.
Recomenda-se também, a realização de exames subsidiários, que incluem hemograma e
leucograma completos bem como o cultivo microbiano de secreções dos linfonodos e das vias
respiratórias superiores.
Equídeos com diagnóstico confirmado devem ser submetidos a tratamento e monitorados
clinicamente até a remissão completa das manifestações clínicas. No período do tratamento,
devem permanecer isolados em piquetes ou em baias, separados dos animais sadios.
Apesar da baixa mortalidade do garrotilho e da boa imunidade desenvolvida pelos animais
naturalmente infectados, a vacinação tem sido recomendada à profilaxia da doença em
propriedades endêmicas, com grande número de casos crônicos, com alta rotatividade de
animais e/ou em criatórios de equídeos de raças de elite. No entanto, é objeto de discussão a
eficiência massal da vacina.

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