1.
Introdução
A Linguística africana tem como objectivo, iniciar o estudante ao estudo
científico das línguas faladas no continente africano (África negra) com
enfâse nas línguas bantu.
As línguas africanas são reconhecidas no decorrer da chegada dos
Europeus em África no Século XV. Em 1441, Nuno Tristão e Antão
Gonçalves chegam a uma região próxima do Senegal. Em 1482, Diogo Cão
reconhece o rio Kongo e o reino do Kongo. Seguiu-se a escola dos
Interpretes africanos em Lisboa. Constitui-se assim a geografia linguística a
partir dos contactos de portugueses com as diferentes regiões da África. A
gramatização e a instrumentação das línguas africanas, teve início no
Século XVI.
Alguns documentos escritos em línguas Africanas surgem com os primeiros
trabalhos dos Missionários, ajudando as comunidades na evangelização dos
povos africanos. (A catequese de Marcos Iorge (1624), a gramática de
Brusciotto da Vetralla (1650) e o vocabulário trilingue Latim-Espanhol-
Kikongo de Boaventura da Sardegna (1648) são os primeiros trabalhos no
quadro das línguas faladas a Sul do Sahara. A gramática considera-se a
mais antiga das línguas Africanas. É a primeira a mencionar o fenómeno
das classes nominais nas línguas bantu, e que o autor dá o nome de (inicio
de palavra).
Uma nova descrição das línguas africanas teve início no Seculo XIX
influenciada pelo comparativismo histórico. Em 1854, aparece o Polyglota
africano Sigmund Koelle, obra considerada como pioneira da classificação
das línguas africanas. Em 1869 Willem Bleek, estudou as línguas africanas
da Africa Austral. Na sua obra (Comparative Grammar of South African
1
Languages) propôs a denominação Bantu (ba-ntu) prefixo plural (pessoas)
para as línguas com prefixos.
Em 1899- Carl Meinhof identificou o proto-bantu, língua hipotética que
teria dado origem as actuais línguas bantu.
Malcon Guthrie 1948 com as suas obras (The classification of Bantu
Languages e Comparative Bantu: an introdution to the comparative
linguistics and prehistory of the bantu languages (1967), constitui uma
referência por ser o primeiro a ter proposto a sua classificação.
Línguas africanas
Costuma-se chamar de línguas africanas, às línguas cuja família
linguística é originária de África.
Conhecem-se mais de 1000 línguas, que estão actualmente divididas nas
seguintes quatro famílias de línguas:
línguas afro-asiáticas
línguas khoisan
línguas nigero-congolesas
línguas nilo-saarianas
Línguas não-africanas faladas na África
Os grupos acima são as famílias de línguas originárias de África. No
entanto, existem várias línguas que pertencem a famílias de línguas não-
africanas, como o malgaxe que é uma língua austronésia e o africâner (que
se pode considerar uma língua "nativa") que pertence à família das línguas
indo-europeias, assim como o são, no léxico, a maioria das línguas crioulas
de África.
2
Para além disso, a maior parte dos países africanos adoptou como, pelo
menos uma das suas línguas oficiais, uma língua europeia - o português, e
ex-colónias portuguesas, o francês, o espanhol nas espanholas e o inglês
nas inglesas - e, neste momento, estas línguas são faladas pela população
urbana desses países e, em geral, por todas as pessoas com uma
escolaridade significativa. A língua alemã e a língua italiana são ainda
faladas por minorias respectivamente, na Namíbia e Camarões, que foram
colónias alemãs, e na Somália, da qual uma parte foi colónia italiana.
As línguas oficiais na África
-Afrikaans
-Árabe
-Inglês
-Francês
-Português
-Espanhol
-Swahili
-outras línguas africanas
Além das antigas línguas coloniais do Inglês, Francês, Português, e
Espanhol, apenas algumas línguas são oficiais a nível nacional.
Estas são:
Árabe, na Argélia, Comores, Chade, Djibouti, Egito, Eritreia, Líbia,
Mauritânia, Marrocos, Somália, Sudão, e Tunísia;
Chichewa no Malawi;
Amárica na Etiópia;
Somali na Somália;
Tigrinya na Eritreia (tecnicamente, uma língua de trabalho);
Kinyarwanda no Ruanda e intimamente relacionado ao Kirundi em
Burundi;
Sango na CAR;
3
Swazi na Suazilândia e África do Sul;
Malagasy no Madagáscar;
Crioulo de Seychelles;
Shona no Zimbabwe;
Afrikaans, Ndebele, Xhosa, Zulu, Pedi, Sotho, Tswana, Swazi,
Venda, e Tsonga na África do Sul, o único país multilingue com
estatuto oficial difundido, para as línguas indígenas, além de Inglês.
Resumo
afar • amárico • árabe • beja • berbere • hadia •
Afro-Asiática hausa • oromo • saho • somali • tigré • tigrínia
acholi • alur • ateso • dinka • fur • kanuri • langu •
Nilo-Saariana lendu • lugbara • luo • maasai • masalit • nuer • songai
abron • anyin • bambara • bangala • baoulé • bemba •
cinianja • comorano • cuanhamo • dagbani • dan •
day • diola • diúla • duala • edo • ewe • fang • fante •
fon • fula • gogo • gusii • haya • igbo • kikamba •
kikuyu • kirundi • kituba • kivunjo • kongo • lingala •
lozi • luganda • luhya • lunda • lusoga • macua •
mandinka • mandinga • masaba • mende • mooré •
Níger-Congo
ndebele • ndebele do norte • ndonga • oshiwambo •
quicongo • quimbundo • quiniaruanda • rukiga •
runyankole • serer • soto do norte • soto do sul •
soninquê • suaíli • suázi • susu • temne • tiv • tonga •
tshiluba • tsonga • tswana • tumbuka • twi •
umbundo • venda • uolofe • yao • xona • xosa •
iorubá • zande • zulu
Khoi-San hadza • nama • naro • kxoe • sandawe • ǃxóõ
Austronésica malgaxe
africânder • alemão • espanhol • francês • inglês •
Indo-europeia
português
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1.1.Línguas Bantu e Surgimento da Expressão bantu
Os Bantu constituem grupo linguístico localizado principalmente na África
subsariana e que engloba cerca de 400 subgrupos étnicos diferentes. A
unidade desse grupo, contudo, aparece de maneira mais clara no âmbito
linguístico, uma vez que essas centenas de grupos e subgrupos têm, como
língua materna, uma língua da família bantU.
O significado primário do termo “bantu”
Bantu é a forma plural da palavra e significa pessoa/homem, composta
de classificativo plural (ba) e do tema substantival (ntu).
O alemão Wilheim Bleek 1851 através do estudo comparativo das línguas
Herero, Sotho, Tswana e Shosa, à familia das línguas Bantu no trabalho
intitulado “De nominarum generibus linguarum Africae Australis” (Dos
Géneros dos nomes das línguas da África Austral), Tese de Doutoramento
na Universidade de Bonn, tendo mostrado as particularidade comuns
existente.
Em 1869 deu esta família o nome de “Bantu” na primeira parte da sua
Gramática comparada “A comparative grammar of South African
Languages”.
Resumidamente “Bantu” designa todas as línguas faladas no Sul dos
Camarões até a África do Sul, que têm semelhanças fonéticas,
morfológicas, semânticas e lexicais.
Não é uma forma constante, existem algumas variações do prefixo ou do
tema substantival.
Ex:
Herero--------------------omu-ndu pessoa
Ganda---------------------omu-ntu pessoa
Kwena--------------------mu-thu pessoa
Umbundu----------------omu-nu pessoa
Nyanja--------------------mu-nhu pessoa
O significado Secundário
“Bantu” é o conjunto de populações da Africa Sul-Equatorial com
excepção dos Hotentotes e Bosquímanos que falam da mesma família mas
pertencentes a tipos étnicos diversos.
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Versões dessa palavra ocorrem em todas as línguas Bantu.
Exemplo:
Bantu em Kikongo;
Batu em Lingala;
Bato em Duala;
Abanto em Gusii;
Andũ em Kikuyu;
Abantu em Zulu, Kitara e Ganda;
Vanhu em Shona;
Batho em Sesotho;
Vandu em alguns dialetos Luhya;
Mbaityo em Tiv;
Vhathu na Venda.
[Link]ão Bantu
Os bantu são provavelmente originários dos Camarões e do sudeste da
Nigéria. Por volta de 2000 a.C., começaram a expandir seu território na
floresta equatorial da África central. Mais tarde, por volta do ano 1000,
ocorreu uma segunda fase de expansão mais rápida, para o leste, e
finalmente uma terceira fase, em direção ao sul do continente, quando os
bantos se miscigenaram. Os bantu se misturaram então aos grupos
autóctones e constituíram novas sociedades.
A antropologia refere-se à expansão bantu como um movimento de
povos que ao longo de três milénios terá espalhado as línguas bantu em
praticamente toda a África subsaariana.
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Com a definição do termo "bantu" em 1862, o Dr. Wilhelm Bleek avançou
a hipótese do enorme número de línguas com características comuns terem
tido origem numa única língua.
Existem duas teorias básicas sobre a origem dos bantu: a primeira, de
Joseph Greenberg (1963), indicava que um grupo de línguas do sueste da
Nigéria era o mais próximo das restantes línguas bantu e ele propôs que
uma dessas línguas se teria espalhado para sul e leste, ao longo de centenas
de anos.
Malcolm Guthrie analisou várias línguas bantu e concluiu que as mais
estereotípicas eram as da Zâmbia e sul da actual República Democrática do
Congo, propondo teoria alternativa de ser esta região a originária dos bantu.
Esta teoria é apoiada por fontes norte-africanas e do Médio Oriente que não
falam da existência de bantu a norte de Moçambique antes do ano 1000.
Os bantu teriam tido origem na região dos rios Benue-Cross, no sueste
da Nigéria e teriam emigrado primeiro para a região onde se encontra hoje
a Zâmbia.
1.3.Línguas Bantu e População
Ainda podemos dizer que a grande maioria dos habitantes que
formam a população de Angola, são de origem Bantu. No entanto, outra
considerável parte é formada por misturas que começaram muito cedo:
primeiramente. Entre os diversos grupos que migraram para o território e
depois com Europeus (na grande maioria Portugueses) durante a
colonização.
Existem ainda algumas minorias que não são Bantu, como os
Bochimane e um considerável número de Europeus. Há 3000 ou talvez
4000 anos atrás, os Bantu sairam da selva equatorial (a região que é hoje
ocupada pelos Camarões e pela Nigéria) e dividiram-se em dois
movimentos diferentes: para o Sul e para Este criando a maior migração
jamais vista na Àfrica.
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A migração continuou até ao século XIX. A selva equatorial era
uma área de passagem impossível. Só o machado ou o cutelo, a rápida e
nutritiva produção de banana e o inhame possibilitaram uma façanha que
durou séculos.
O excelente nível de nutrição deu lugar a uma invulgar explosão
demográfica. A exuberância da selva equatorial, os rios e lagos das grandes
savanas, tão bons para a agricultura e a descoberta do ferro - um mineral
muito comum na África - deram força à grande aventura. Caminhando
sempre em direcção ao Sul. Estes vigorosos, armados, organizados e jovens
povos, venceram e fizeram escravos os indefesos pigmeus e os Bochimane.
Assim, não podemos falar de uma raça Bantu, mas sim de povo
Bantu, isto significa uma comunidade cultural com uma civilização comum
e linguagens similares.
Depois de muitos séculos de movimentações, cruzamentos, guerras e
doenças, os grupos Bantu mantiveram as raízes da sua origem comum.
Hipóteses
Dentre os grupos linguísticos dessa grande família congo-
saariana, as línguas bantu apresentam um parentesco genético tão
notável que pode ser encarado como um fenómeno relativamente
recente. Não só linguistas como também historiadores e arqueólogos
empenharam-se em elucidar a 'génese dos Bantu'. Mas as hipóteses
diferem.
Outros, como Sir H. Johnston, acreditam que os Bantu vieram
diretamente da região centro-africana, através da floresta do Zaire. Por fim,
alguns estudiosos, de acordo com a teoria do linguista M. Guthrie, que
situa o núcleo linguístico protótipo dos Bantu entre os Luba e Bemba no
Alto Zaire, apontam essa região como seu lugar de origem.
Avançando ainda mais, chega-se a apresentar os povos de língua
bantu como uma unidade cultural e biológica, esquecendo-se que o termo
bantu é apenas uma referência linguística.
De fato, os povos Bantu diferem grandemente do ponto de vista
antropológico: cor da pele, altura, dimensão corporal, etc. Assim, os bantu
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das florestas têm características somáticas diferentes dos Bantu que vivem
na savana.
Também há grandes variações no tipo de actividade económica e na
organização social. Alguns grupos Bantu são matrilineares, outros,
patrilineares; uns usam máscaras e mantêm sociedades secretas, outros não
têm nada semelhante.
O denominador comum é a estrutura linguística baseada em
classes nominais, tendo sempre os índices dessas classes uma expressão
fonética similar fundada num sistema verbal único.
a) Distribuição geográfica
Os bosquímanos e hotentotes eram nômades caçadores-coletores e
pastores, os bantu eram agricultores sedentários e já conheciam o uso do
ferro. Esses avanços lhes permitiram colonizar um amplo território, ao
longo de aproximadamente quatro mil anos, forçando o recuo dos povos
nômades. No entanto, os bantu absorveram alguns fenômenos linguísticos
típicos das línguas khoisans, como o Clique.
1.4.Línguas bantu e seu estatuto
Durante o período colonial, o uso das línguas indígenas estava
praticamente circunscrito ao ensino do catolicismo. Conf: o Decreto nº 77
de Norton de Matos.
Contudo, a língua portuguesa não conseguiu fixar-se em todo o
território devido à limitada utilização que as populações africanas dela
faziam, principalmente nas zonas rurais, permanecendo as línguas
indígenas, relativamente intactas.
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II. CLASSIFICAÇÃO
Tipos de classificação
As línguas estão organizadas em grupos ou famílias, com base em
alguns critérios que podem ser: racial, geográfico, genealógico, etc.
a) Classificação geográfica agrupa as línguas segundo a região
onde são faladas, sem uma análise linguística profunda. Esta
análise em alguns casos pode determinar a origem comum das
línguas.
1.Línguas indo-europeias
Itálicas: latim, românicas (português, francês, espanhol,
romeno…etc.
Germânicas: alemão, inglês, neerlandês, afrikans, etc. …
2.Línguas afro-asiáticas
Semita: babilónico, árabe, hebreu, tigre, amárico….
Egipciano: copte.
Berbere: tuareg, libiano, berbere…
Cuchita: beja, bogo, janjero…
Chadica…
3. Línguas da Mesopotâmia: elamite…
4. Línguas mediterrâneas: basco, línguas ibéricas…
5. Línguas eurasianas: japonês, coreano, turco…
6. Línguas da África Central e austral, e tantas outras.
b) Classificação genealógica
A classificação genealógica baseia-se num princípio de que as
línguas teriam origem numa só língua. Para tal é preciso comparar a
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forma e o significado dos morfemas lexicais e gramaticais para
determinar a relação genealógica.
-Classificação Microcósmica
Nessa classificação utiliza-se o método comparativo para estabelecer
famílias linguísticas (Ex: línguas bantu). A partir das formas
reconstruidas propõem-se as regras de correspondências.
Ex:
Umbundu zulu proto-bantu
Três -tatu---------thathu-----------*tatu*
Enviar -tuma--------tuma-----------*tuma*
-Classificação Macrocósmica
Essa classificação baseia-se na comparação morfo-semântica de
elementos lexicais e gramaticais não dando regras de correspondência.
-Classificação Tipológica
As línguas são agrupadas a partir de aspectos de morfologia, sintaxe,
fonética e fonologia. Analisam-se os elementos do sistema fonológico; o
sistema verbal; os géneros; a estrutura da frase, da palavra ou da sílaba; o
sistema de negação ou da interrogação, etc.
-Classificação genética
É o processo pelo qual línguas distintas são agrupadas em família, a partir
de critérios que podem ser tipológicos, tendo em conta os traços fonéticos,
fonológicos e gramaticais. Nesta classificação dá-se a hipótese de que as
línguas tenham surgido a partir de uma única ou de uma língua mãe.
11
-Classificação de Westerman
Distinguia a família das línguas Sudaneses Orientais que corresponde ao
Nilo-Saariano de Greenberg e a família das Línguas Sudaneses Ocidentais
que corresponde ao Niger-Kongo de Greenberg.
Westermann (1927) fez um estudo detalhado do sudanês Ocidental e de sua
relação com as línguas bantu que observou através de uma comparação
entre um grande número de raízes proto-sudanesas que tinha reconstruido e
as reconstruções proto-bantu de Meinhof (1899) e de Bourquin (1923).
Línguas khoisans
Línguas dos negros
a) Sudanesas
b) As línguas bantu
Línguas Nilóticas
Línguas camitos semíticas
-Classificação de Joseph Greenberg
Joseph Greenberg (1963) classifica as línguas africanas em 4 grandes
famílias: Níger-Kongo, Nilo-Saariano, Afro-asiático e Koisan. Ele em
algumas das suas ideias orienta-se numa classificação proposta por
Westermann (1911) que distinguia um conjunto de línguas ditas sudaneses
Ocidentais e outro de línguas sudaneses orientais.
Família Congo-cordofoniano
a) Nigero-Conguesa
Ex: wolof, ulani, etc;
[Link]é: malinke, busa, bambara, etc
[Link]: senofu, mosi,etc
[Link]: yoruba, bassa, ewe, etc.
[Link]: zande, gbaya, etc.
[Link]é-Conguesa: os bantu, yako, no Norte e Oeste da Nigéria,
Camarões até Africa do Sul.
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b) Cordofaniana
tegali, talodi, katha, etc. ---Sudão
Família Nilo-sariana
songhai, mali, -----------------------Burkina Faso.
Sariana: kunari, kanembu, ------- Norte do Chade.
Maban: runga, maba, ------------ Chade, Oeste do Sudão e outras.
Família afro-asiática
Semitica: Arabe, Amarico, Tigre..
Egipto antigo: Copte, egipciano, -------- Egipto, Parte do Sudao;
Berbere: bebere, libiano, tuareg, etc. ----Marrocos, Argelia, Tunisia,
Libia, Mauritania e outros.
Cuchita: beja,-------------------------------Etiopia, Djibuti.
Awiya, Kemant, Galla, Somaliano, Janjero, wolano, - Somália.
Família khoisan
Khoisan da Africa do Sul
Do Norte ------------------------Namíbia e Angola.
Do Centro ----------------------África do Sul, Botswana.
Sul -------------------------------África do Sul.
Sandawe------------------------Tanzânia.
Hatsa ---------------------------Tanzânia.
O lugar do bantu
Segundo a classificação de Greenberg (1963), o Bantu é uma das sete
subdivisões de (Bantuídeo) Tiv, Ndoro, Betare, Mambila, bateu, Bantu e
Jarawa, um dos 6 ramos da Sub-familia Congo-Cordofaniana.
Um conjunto de línguas faladas numa extensão que corresponde os
seguintes países: Camarões, Republica Centro Africana, Gabão, S. Tomé e
Príncipe, Guiné Equatorial, Congo-Brazzavile, Congo Kinshasa, Uganda,
Ruanda, Burundi, Kenya, Tanzânia, Angola, Zâmbia, Malawi, Zimbabwe,
Moçambique, Botswana, Swazilândia, Lesotho, Namíbia e África do Sul.
13
Noção de classe nominal
As línguas bantu têm classes nominais a exemplo de outras línguas. Os
substantivos estão agrupados em várias classes (ou géneros) caracterizados
por classificativos diferentes, afixados ao radical nominal.
As línguas de classificação nominal possuem, paralelamente um
sistema dos afixos de classes ou um sistema de anafóricos.
Esses anafóricos, nas línguas bantu, muitas vezes aparecem sendo singular
e plural.
Consideram-se anafóricos os morfemas pelos quais o substantivo faz
os seus acordos relativos de classes.
Para ser considerada Bantu deve apresentar algumas características tais
como:
-Critérios principais
a) A existência de prefixos como marca de classes;
b) Esquema de acordos prefixais;
c) O número de classes entre 10 e 21, algumas associadas em pares para
exprimir o número; outras isoladas apresentando um prefixo singular
ou plural;
d) Correspondências fonéticas relacionadas as raízes de uma língua
hipotética comum (o bantu comum); o vocabulário de toda língua
bantu deve estar ligado a um catálogo de raízes comuns hipotéticas.
-Critérios secundários
Apresentação das palavras por aglutinação a partir de um conjunto de
radicais.
a) Os radicais têm a estrutura -CVC- (consoante-vogal-consoante)
b) Os verbos são formados por adjunção ao radical de um sufixo
gramatical.
Ex: lya -li -a
c) Os temas nominais são formados por adjunção ao radical de um
sufixo lexical.
d) Entre o radical e o prefixo pode entrar uma extensão tendo a
estrutura –VC-, V-;
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Ex:
-tunga
-tung-is-a
Critério fonológico
Sistema vocálico
i u
e o
a
-Quadro fonético e fonológico. (anexo)
Alfabeto Fonético Internacional. (anexo)
Segundo Carl Meinhonf, os classificativos das classes em Proto-
bantu: Apresentou um catálogo de três mil raízes hipotéticas.
Classe Singular Plural
1 mu- Ba-
2 mu- (mu-) mi-, (mi-)
3 li- ma-
4 ki- bi-, (bi-)
5 ni- lini-
6 lu- lini-, (tu-)
7 ka- tu-, (bu-)
8 bu- -(mi-,) (ma-)
9 ku-,(i-) -
10 pa- -
11 mu- -
12 pi- tu-
13 gu- -
Classificação de GUTHRIE
-Utiliza um método que ele chama de prático e que funciona da seguinte
forma: escolhe uma língua específica de uma zona;
-Constitui grupos linguísticos com base nessas línguas e com base em
critérios (lexicais, gramaticais, fonológicos, fonéticos e tonais);
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-Ele reúne esses grupos linguísticos em agrupamentos regionais maiores,
denominados zonas.
As zonas linguísticas
Distinguiu ao todo 16 zonas, 78 grupos linguísticos e 650 línguas bantu
(além dos dialectos contidos nessas línguas).
Essas zonas são agrupadas em 5 áreas maiores, ou sejam, (a) área do
Noroeste (NW) com 3 zonas: A, B, C; (b) área do Sudoeste (SW) com 3
zonas: H, K, R; (c) área do Centro (Ce) com as 4 zonas: D, L, M, N; a área
do Nordeste (NE) com 4 zonas: J, E, F, e G; e a área Sudeste (SE) com as
duas zonas P e S.
As zonas são subdivididas em grupos que contém línguas individuais:
Zona A 9 grupos: Camarões, Guiné Equatorial, Gabão, Congo-
Brazzaville;
Zona B 8 grupos: Gabão, Congo-Brazzaville, Congo-Kinshasa;
Zona C 9 grupos: Congo Brazzaville, Congo Kinshasa;
Zona D 6 grupos: Congo-Kinshasa;
Zona E 7 grupos: Quénia, Tanzânia;
Zona F 3 grupos: Tanzânia;
Zona G 6 grupos: Tanzânia, Quénia, Somália, Cômoros;
Zona H 4 grupos: Congo-Brazzaville, Congo-Kinshasa, Angola;
Zona J 6 grupos: Congo-Kinshasa, Ruanda, Burundi, Uganda, Quénia,
Tanzânia;
Zona K 5 grupos: Congo-Kinshasa, Angola, Zâmbia, Namíbia;
Zona L 6 grupos: Congo-Kinshasa, Zâmbia, Zimbabwe, Tanzânia;
Zona M 6 grupos: Congo-Kinshasa, Zâmbia, Zimbabwe, Tanzânia;
Zona N 4 grupos: Zâmbia, Botsuana, Moçambique, Maláui, Tanzânia;
Zona P 3 grupos: Tanzânia, Moçambique, Maláui;
Zona R 4 grupos: Angola, Namíbia, Botsuana;
Zona S 6 grupos: Zimbabwe, Botsuana, Moçambique, África do Sul,
Suazilândia, Lesoto.
Segundo a classificação de Guthrie (1971), rectificada por Yvonne
Bastin (1978), as línguas Bantu de Angola pertencem a três zonas: H, K, e
R. As línguas da zona H ocupam a parte Noroeste e Centro-oeste e
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compreende as línguas Kikongo e Kimbundu; a zona K cobre toda a parte
Leste e é representada pelas Linguas Cokwe, Luvale, Ngangela, Gciriku,
Mbukushu; a zona R estende-se a toda a parte Centro-este, e sudeste e
reúne as línguas Umbundu, Oshikwanyama, Olunyaneka-Nkhumbi,
Oshiherero (okuvale).
Ex:
H 10 – Kikongo Congo Brazzaville, RDC. Angola
H 20 – Kimbundu Angola
K 10 – Cokwe-Lucazi R.D.C, Angola
R 10 – Umbundu Angola
R 20 – Ndonga (Ambo) Angola, Namíbia
R 30 – Herero Angola, Namíbia
Classificação de THEOPHILE Obenga
Classificar as línguas equivale na verdade à classificação das
diferenças étnicas bantu, visto que estas são designadas pelo termo que
serve para designar os falares. O interesse de uma operação é evidente,
chega-se a uma cartografia étnica mais ou menos completa do mundo
Bantu.
Os cientistas do “Internacional African Institute” de Londres muito
fizeram para a classificação das línguas Bantu. O grande antropólogo
americano George Peter MURDOCK cujas suas aulas de antropologia
social na Universidade de Pittsburgh (USA), Teophile Obenga frequentou,
classificou também os bantu na sua pertinente obra “Africa, its peoples and
their culture history”, New-York, Mc graw-Hill Cº, 1959, pp.271-313, 342-
391.
Bantu do noroeste (Bubi, Duala, Lundi, Tsogo, Myene, etc.
Bantu do Equador ( Ngala,Pande, Maka, Lega, Bira, etc.
Bantu Mongo-Tetela (Mongo, Ngandu, Lalia, Mbole, etc.
Bantu do centro (grupo Kongo, Kimbundu, Kasai, Kwango, etc.
Bantu da costa nordeste (grupo Shambaa-zigula, Nyaka-Taita, etc.
Bantu do Kenya (Kikuyu, Sonjo, Rusha, Chaga, Kamba, etc.
17
Bantu de interlacustres (Ganda, Rundi, Nyoro, Hororo, etc.
Bantu da Tanzânia (grupo Rift, Nyamwezi, Rukwa, Rufili,
Nyasa, etc.
Bantu do médio Zambeze (lunde, mpukusshu,totela, etc.
Bantu do sudoeste (kwanyama, herero, mbundu, nyaneka, etc.
Bantu shona (Tavara, Zezeru, Kalanga, Ndau, etc.
Bantu thonga (Ronga, Tsonga, Chopi, etc.
Línguas Bantu de Angola
A maioria da população angolana é bantu; a cultura dominante deve ser
a cultura da maioria; logo, a cultura angolana deve ser bantu - ou, pelo
menos, orientar-se pelos traços definidores da cultura bantu.
Em primeiro lugar não há “a cultura bantu” mas sim culturas e nações
de línguas bantu; em segundo lugar nunca foi definida essa 'cultura bantu' -
muito menos pelos nativistas.
Línguas de Angola
O português é a língua oficial de Angola, mas o país conta com sete
línguas africanas reconhecidas como línguas nacionais — o Côkwe
(pronuncia-se tchocué), o Kikongo, o Kimbundu, o Umbundu, o Nganguela
(Ngangela), o Ukwanyama e Olunyaneka - e inúmeros dialectos.
18
Os grupos étnicos e as suas línguas
Mapa étnico de Angola em 1970
Como em qualquer país africano, a população de Angola é no
essencial, constituída pelos povos africanos residentes no seu espaço. A
implantação geográfica destes povos, hoje designados como etnias, no fim
da era colonial depreende-se do mapa constante desta página; apesar das
vicissitudes das décadas pós-coloniais, esta distribuição espacial continua
na essencial inalterada. Convém reter que, em termos globais, a
esmagadora maioria dos angolanos – da ordem 87% – é de origem bantu.
Existem ainda pequenos grupos de khoisan.
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O maior grupo étnico bantu de Angola é o dos Ovimbundu que se
concentra no centro-sul do país, ou seja, no Planalto Central e algumas
áreas adjacentes, especialmente na faixa litoral a Oeste do Planalto Central.
Os Ovimbundu constituem hoje um pouco mais da terça parte da
população, e a sua língua, o Umbundu, é por conseguinte a segunda língua
mais falada em Angola (a seguir ao português) com 5,9 milhões de falantes
(22,96 por cento da população) segundo o censo da população angolana
realizado pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola em 2014.
Em termos de importância numérica, o segundo grupo são os Ambundu
que representam cerca da quarta parte da população. A sua língua, o
Kimbundu, é falada por 7,82% da população, maioritariamente na zona
centro-norte, no eixo Luanda-Malanje e no Kwanza-Sul.
O Kimbundu é uma língua com grande relevância, por ser a língua
tradicional da capital, hoje provavelmente com mais de 5 milhões de
habitantes. O kimbundu legou muitas palavras à língua portuguesa e
importou desta, também, muitos vocábulos.
No norte, nas províncias do (Uíge, do Zaire) e parte do Kwanza-
Norte, concentra-se a maior número dos Bakongo que representam hoje
pouco mais de 10% da população. A sua língua Kikongo (ou kikoongo) era
a do antigo Reino do Kongo e tem diversos dialectos (tal como também as
tem o Umbundu e Kimbundu).
Deste modo, também o kikongo, está hoje de algum modo presente em
boa parte de Angola, com 8,24% de falantes. [4]
Os Côkwe estão presentes numa boa parte do leste de Angola, desde
a Lunda Norte ao Moxico e mesmo ao Bié. Enquanto mais a norte
constituem, juntamente com os lunda, a população exclusiva, a sua
presença mais a sul e cada vez mais dispersa e se mistura com a dos
pequenos povos da região, habitualmente designados pelo termo Gangela.
20
A língua Côkwe falada por 6,54% da população tem vindo a sobrepor ao
lunda, mas aparentemente não às línguas de outros povos. [4]
Os povos designados como Gangela - Lwena, Luvale, Mbunda,
Lwimbi, Kangala, Ambwila, Lutchaz, Kamachi, etc. A que frequentemente
se designa como "língua ngangela”.
Um outro conjunto de povos é, desde os tempos coloniais,
classificado como Nyaneka-Khumbi.
Os Ovambo são um grande grupo étnico existente principalmente
na Namíbia, mas em parte significativa também na província do Cunene,
no sul de Angola. A sua língua é o Oshivambo, a língua africana mais
importante da Namíbia.
Em Angola esta língua é geralmente falada na forma dos dialectos
próprios dos diferentes subgrupos. O subgrupo de maior destaque é aqui o
dos Kwanyama (também escrito "cuanhama"), mas há ainda os Kwamatu,
os Kafima, os Evale e os Ndombondola.
No sudoeste de Angola existem pequenos povos aparentados aos
Herero, principalmente os Vakuvale ("Mucubais"), os Himba e os Dimba.
Finalmente existem no sul de Angola grupos como os khoisan, povos
distintos dos povos bantu e com as suas línguas específicas.
Promoção das línguas nacionais (línguas de Angola)
Com a independência do país, algumas dessas línguas adquirem o
estatuto de línguas nacionais, coexistindo com a língua portuguesa como
veículos de comunicação e expressão, teoricamente em pé de igualdade.
Com vista à valorização, utilização e promoção das línguas locais, o
Instituto de Línguas Nacionais de Angola (ILN) fixou normas ortográficas
dos idiomas Côkwe, Kikongo, Kimbundu, Mbunda, Oshikwanyama e
21
Umbundu, estudando os aspectos fonéticos, fonológicos, morfossintácticos,
lexicais e semânticos.
Apesar de ser um processo impositivo, a adopção do português como
língua de comunicação corrente em Angola propiciou também a veiculação
de ideias de emancipação
As interferências linguísticas resultantes do contacto do português com
as línguas nacionais, a criação de novas palavras e expressões forjadas pelo
génio inventivo popular, bem como certos desvios à norma padrão de
Portugal, imprimem-lhe uma nova força, vinculando-a e adaptando-a cada
vez mais à realidade angolana.
A língua literária em Angola distinguiu-se sempre pela presença das
línguas locais, expressamente em diálogos ou interferindo fortemente nas
estruturas do português. (ver anexo 1)
Fonologia
A fonologia é o estudo dos fonemas considerados do ponto de vista da sua
função linguística. É uma ciência que visa estabelecer na massa dos sons de
uma dada língua, o numero preciso se sons com valor distintivo, chamado
fonemas, cuja existência real é determinada pela sua oposição mútua e
pelas relações que mantem no interior de cada língua.
Fonologia e ortografia
Resolução Nº3/87 que aprova a título experimental o Alfabeto das Línguas
de Angola, Kimbundu, Umbundu, Kikongo, Cokwe, Bunda e Kwanyama.
22
Sistema fonológico
-Consoantes
Zona H:
Kikongo
Oclusivas /p, b, t, d, k, (c) /
Fricativas /f,v, s, z, (h) /
Lateral /l/
Nasais /m, n, ny /
Prenasalizadas / mp, mb, mf, mv, nt, nd, ns, nz, nk,
ng /
Semi-vogais / w, y /
Kimbundu
Oclusivas /p, ph, b, bh, t, th, d, k /
Fricativas /f, v, s, z, x, j, h /
Lateral /l/
Nasais / m, n, ny /
Prenasalizadas / mb, mv, nd, ng, nj /
Semi-vogais / w, y /
Zona K: Cokwe
Oclusivas / p, ph, t, th, k, kh, c /
Fricativas / f, v, s, z, h, j, x /
Lateral /l/
Nasais / m, n, ny /
Prenasalizadas / mb, nd /
Semi-vogais / w, y /
23
-Ngangela
Oclusivas / p, t, c, k /
Fricativas / (f), v, s, z, (x), (j), h /
Lateral /l/
Nasais / m, n, ny /
Prenasalizadas / mb, nd, ng, nts, ndj, mph, nth, nkh
/
Semi-vogais / w, y /
Zona R: Oshikwanyama
Oclusivas / p, b, t, d, k /
Fricativas / f, v, x, (sh) /
Lateral /l/
Nasais / m, n, ny /
Prenasalizadas / mb, nd, ndj, ng /
Semi-vogais / w, y /
Umbundu
Oclusivas / p, t, c, k /
Fricativas / f, v, s, h /
Lateral /l/
Nasais / m, n, ny /
Prenasalizadas / mb, nd, ndj, ng, ñg /
Semi-vogais / w, y /
24
a) Vogais
Kimbundu
P.A. Anteriores Centrais Posteriores
G. A.
1º i u
2º e o
3º a
Cokwe, Kikongo, Ngangela, Oshikwanyama
P. A. Anteriores Centrais Posteriores
G. A. Breves Longas Breves Longas Breves Longas
1º i ii U uu
2º e ee O oo
3º a aa
Umbundu
P. A. Anteriores Centrais Posteriores
G. A. Breves Nasais Breves Nasais Breves Nasais
1º i ĩ U ũ
2º e ē O õ
3º a ã
Pares minimais
Ex: Kikongo
(vogais e consoantes)
Báákà/ bâka (rasgar); Kóókò/kôko (braço);
aa/a
yéla/yééla (estar errado/estar doente);
25
e/ee
túti/núni (nuvem/pássaro);
t/n
péka/téka (peneirar/vender)
p/t
tádi/sádi (pedra/ variedade de pico)
t/s
dúka/lúka (injuriar/vomitar).
d/l
Kimbundu
pháta/bhata ( dúvida/aldeia ou área)
ph/bh
kúbuta/kubhuta (ser baixo/cortar o cabelo)
b/bh
kúbwa/kúvwa (tombar/possuir)
b/v
Kámba/ngámba (amigo/escravo)
k/ng
kúkúta/kúfúta (atar/pagar).
k/f
Alguns aspectos morfossintácticos
a) Morfologia
É a ciência da formação das palavras; o estudo das suas flexões e
desinências. Estuda a formação das palavras pela mesma via de derivação,
composição, modificações e das desinências que sofrem os temas para se
tornarem substantivos, formas relativas de classes, adjectivos, verbos,
conjugações, preposições, interjeições, etc.
26
b) Sintaxe
Estuda as regras de combinação das palavras em estruturas mais
complexas como sintagmas, frases ou mesmo analisa a ordem da
combinação dos constituintes da frase: os sintagmas (verbal, nominal,
adjectival, etc.)
Classificadores
Segundo o Dicionário de Linguística (1978/2006: 482), prefixo é um
morfema de classe de afixos que figuram no início de uma unidade lexical,
posição na qual ele precede imediatamente, seja um segundo sufixo o
elemento radical ou lexema.
Segundo NTONDO (2006:30) o Prefixo Substantival tem como
característica associar-se ao lexema de tipo substantival para formar um
substantivo que será inserido na classe a que pertence o prefixo.
Os Substantivos biclasses apresentam os prefixos no singular e fazem
o seu plural por substituição ou por adição.
Emparelhamento por substituição
Classes Himba Tradução
1 /2 omulumentu/ovalumentu homem (ns)
3 /4 omukunda/ omikunda aldeia (s)
5/6 edhimo/omadhimo barriga (s)
7/8 ocinyo/ovinyo boca (s)
9/10 ondjevo/odhondjevo bochecha (s)
9/8 oingomone/ovingomone Amendoins
12/13 okavoko /otuvoko braço(s) pequeno (s)
12/14ª okatemo/outemo enxada pequena (s)
15/6 okuvoko/omavoko braço (s)
27
Emparelhamento por adição
Classes Himba Tradução
11/6+11 olukupo/omalukupo casamento (s)
14/6+14 outa/omauta arma (s)
15/8+15 okulya/ovikulya alimento (s)
15/6+15 okulu/omakulu perna (s)
Esquema de emparelhamento
O emparelhamento irregular apresenta prefixos no singular ou plural
que não fazem o acordo correspondente na mesma classe. Geralmente
fazem o plural numa classe diferente da de origem.
Estes prefixos apresentam o sistema combinado singular e plural
Ex:
Classes/Singular Classes/Plural
[Link]- [Link]-
1a. ø- [Link]-
[Link]- [Link]-
5. e- [Link]-
7. oci- [Link]-
9.0ø- [Link]-
11. olu-
12. oka- [Link]-
14. ou- [Link]-
15. oku-
28
Substantivos monoclasses
Dentro da classificação temos a destacar os substantivos que na sua
estrutura apresentam um único prefixo que pode ser plural ou singular.
Ex: menya, meva, ovava, maji, ulela, ongundi, mafuta, etc.
Substantivos biclasses
Na maior parte dos casos os substantivos biclasses apresentam dois
prefixos, singular e plural numa combinação de classes.
Ex: muxi /mixi; dyesu /mesu
Substantivos Desclassificados
Desclassificados são substantivos que semanticamente designam
seres humanos mas morfologicamente levam prefixos de outras classes no
singular, não tendo relação com a classe dos seres humanos. Fazem parte
deste alguns nomes de parentesco.
A desclassificação aparece ao nível de emparelhamento e também
em acordos sintácticos.
Ex: Kimbundu phange /jiphange irmão (s)
Umbundu manji /vamanji irmão (s)
Cokwe pwo /mapwo mulher (es)
Kikongo???
Os acompanhantes (Referentes)
O substantivo muitas vezes é acompanhado de algumas unidades as
quais formam um sintagma que pode ser genitival ou epitético. Vamos
examinar as diferentes combinações de substantivos com esses
acompanhantes.
29
Pronomes
Segundo GASPAR, (2008: 221) pronomes são palavras que substituem ou
remetem para um nome, adjectivos, grupo ou frase já introduzidos na frase,
evitando a repetição.
Elocutivo Ame Etu
Alocutivo Ove Ene
Delocutivo Eye Ovo
Adjectivos
Himba Tradução
+nene. grande.
+nunu Pequeno
Relativamente ao Proto-bantu, MEEUSSEN (1967:104) sublinha
que os adjectivos têm um radical que se associa ao prefixo nominal, com o
qual tem uma relação sintáctica. O mesmo caso é repertoriado por P.
ALEXANDRE (1967: 53), em Swahili onde o PI, embora regendo os
acordos dos acompanhantes adjectivais, apresenta prefixos idênticos aos
dos adjectivos.
Estrutura
PA. + [Link].
Substan.+A + (PA.) + Lex.
Adj.)
Ex:
a. Omuntu omunene
│# omu- +ntu ≠ omu- +nene #│
30
Pn1 Rds PA1 RdAdj
/Omundu omunene/
‟Pessoa grande.”
b. Ocipuka ociwa
│# oci- +puka ≠ oci- +wa # │
Pn7 Rds PA7 RdAdj
/Ocipuka ociwa/
‟Coisa boa.”
Quantificadores
São determinantes que indicam a quantidade através da qual um
substantivo é definido (todo, dois, algum e um são quantificadores).
Os quantificadores em Himba confundem-se, e em alguns casos
jogam o papel de adjectivos e noutros, o de advérbios.
Ex:
Ovalumentu vaimbile kumo avehe. Os homens cantaram todos em
conjunto.
Ex:
Ye una ouvela umo omunene. Ele tem uma doença grave.
Possessivos
Os possessivos são palavras que indicam a posse, isto é, dão a
conhecer a pessoa ou pessoas gramaticais a quem pertencem os objectos de
que se fala.
31
Por sua vez tem a função de adjectivos possessivos ou
determinativos quando estão juntos a substantivos a que se referem.
Empregam-se também com os demonstrativos ou indefinidos.
A primeira pessoa, de mim, meu, traduz-se pelo concordante ao
tema, seguido de andje; a segunda do singular traduz oye, antecedido do
concordante também; a terceira pessoa do singular distingue o e.
Estrutura
Pd+a+pronome
Cone.+ pronome
Ex:
Onganda yandje onene
│# ON- nganda ≠ i-a- ≠ andje ≠ ON+ nene #│
PI9 Rds Con9+pp (Pd9) Poss.9 Pd9 RdAdj.
“A minha casa é grande.”
a) Plural
Ex:
Esambo lyetu litulitha omitima
│# e- sambo ≠ li-a- etu ≠ li- tulith-a ≠ omi- tima #│
PI5 Rds Con5 Poss1 Ips Rdv Fv. PI4 Rds
“A nossa oração acalma os corações.”
Numerais
Numerais cardinais e ordinais são considerados adjectivos e
pertencem à classe dos determinantes.
32
Numerais Acordáveis
a) Omuntu umo
│# omu- ntu ≠ u- mo #│
PI1 Rds Pd1 RdNum.
Homem um.
“Um homem”
b) Ovakupwa avali
│# ova- kupwa ≠ a- vali #│
PI2 Rds Pd2 RdNum.
Esposas duas
“Duas esposas”
Conectivo
Conexão existe entre pronomes e advérbios relativos, conjunções
coordenativas e preposições.
DUBOIS e outros (1978/2006:139), definem o conectivo como um
operador susceptível de fazer de duas frases de base uma só frase
transformada.
Segundo NTONDO (2006:101), o conectivo é um morfema utilizado
nos sintagmas nominais que permitem ligar dois substantivos ou um
substantivo e um adjectivo numa relação de determinante.
Demonstrativos
Os demonstrativos indicam o lugar que ocupam as pessoas, os
animais ou coisas com relação a quem fala ou escuta, ou indicam uma
relação de identidade.
33
Os demonstrativos quando estão junto a substantivos a que se
referem jogam o papel de adjectivos demonstrativos ou determinativos.
a) Tipo I (Pd+V)/ Pd.I
Ex:
- Omulumentu ngu
│# omu- lumentu ≠ ngu #│
PI1 Rds [Link].I
Homem este
‟Este homem”
b) Tipo II
O demonstrativo do tipo II (esse) tem semelhança ao do tipo I (este).
Ex:
- Engu omudhantu
│# engu ≠ omu- dhantu # │
Pd1/[Link] PI1 Rds
‟Esse jovem”
c) Tipo III
Os demonstrativos do tipo III (aquele/a) aparecem aglutinados
possuindo um prefixo dependente primário e uma forma invariável (-nya/-
na).
Ex:
- Omupoṱi ngunya
│# Omu- poṱi ≠ ngu-nya #│
PI1 Rds Pd1/[Link]
34
Cego aquele
“Aquele cego”
Interrogativos
São palavras que servem para perguntar.
Por exemplo em algumas línguas como Umbundu, estes não se
diferem dos relativos, com excepção de cujo que não se usa na
interrogação.
Variáveis
ciñgami? (quanto/a; quantos/quantas)
Cipi? ce? (qual /quais)
Invariáveis
nye? (que?)
Helye? (quem?)
O Verbo
Relativamente a isso, em línguas bantu, a estrutura dos verbos não
apresenta essa variação final. Na sua maioria os verbos no infinitivo
terminam em (a).
Segundo NTONDO (2006: 109), o verbo distingue-se do substantivo
e dos seus acompanhantes por uma flexão particular de que estes são
desprovidos. O radical verbal é como os acompanhantes do substantivo,
compatível com todas as classes. O morfema, controlado pelo substantivo
em função de sujeito, pertence a uma classe determinada.
O verbo possui um prefixo primário chamado, prefixo verbal que, na
conjugação, é substituído pelo Índice Pronominal do Sujeito (Ips), um
Radical verbal e uma final.
35
Em Himba, tentamos distinguir duas formas verbais: a de estrutura
simples e a de estrutura complexa. Trabalhamos apenas com a forma
simples sobretudo nas construções relativas. Eis o motivo para um exame
da estrutura verbal.
Estrutura do Verbo
Os morfemas apresentam oito posições tal como encontramos em
MEEUSSEN (1967).
1. Pré-inicial
2. Inicial ou Índice Pronominal do sujeito.
3. Formativo
4. Índice pronominal reflexivo ou reciproco
5. Radical verbal: simples ou complexo
6. Extensão
7. Final
8. Pós-final
Algumas dessas posições nem sempre são ocupadas.
Pré-Inicial
O morfema /ha-/ aparece nos verbos indicando a negação e
precedendo o índice pronominal de sujeito. Em alguns casos assume duas
funções (índice e negação).
Exemplo: nº 44
a. Imperativo:
Hamukokolola ocipundi
│# ha- mu- kok- ulul- a ≠ oci- pundi #│
Neg Ips Alpl Rdv Ext Fv PI7 Rds
Imp
“Não arrastem a cadeira.”
36
[Link]:
Ame hili ombolo
│# ame ≠ hi- l- i ≠ oø- mbolo #│
Elsg PI/Neg Rdv fv PI9 Rds
“Eu não como o pão.”
Inicial ou Índice Pronominal do Sujeito
a) Participantes
Quadro nº 12
Singular Plural
Elocutivo
ndji- tu-
Alocutivo u- mu-
Em Himba, a inicial é representada pelo índice pronominal do
sujeito, presente em todas as classes. Verifica-se a ausência do índice em
verbos que são conjugados no imperfeito. Aparece como inicial
acompanhado de formativo que, por sua vez, tem também a função de
indicador do tempo.
c. Morfemas de classes
Quadro nº 13
Classe Prefixos nominais Ips
1. omu- u- Singular
2. ova- va- Plural
3. omu- u-
4. omi- vi-
5. e- li-
6. oma- a-
7. oci- ci-
8. ovi- vi-
37
9. on- i-
10. odh- dh-
11. olu- lu-
12. oka- ka-
14. ou- u-
15. oku- ku-
16. opa- pa-
17. oku- ku-
18. omu- mu-
Formativo
É um morfema que sucede o índice pronominal do sujeito. Aparece
tanto na forma positiva como na negativa. Varia consoante o substantivo e
a classe a que pertence.
Morfemas Formativos
Quadro nº 14
Himba
Presente -ø-
Preterito perfeito -a-
Futuro -ka-
a. Formativo: –Ø-
Exemplo: nº 45
a. Ndjiina ovihaelo vya tate.
│# ndji- ø- in- a ≠ ovi- haelo ≠ vi-a tate #│
Ips For Rdv Fv PI8 Rds Pd8 Rds
Con8
‟Tenho as almofadas do pai.”
38
c. Formativo: -ka-
Exemplo: nº 47
Tukalanda ovingomone k’omukunda
│# tu- ka- land- a ≠ ovi- ngomone ≠ ku- omu- kunda #│
Ips Pós-ini Rdv Fv PI8 Rds Loc17 PI3 Rds
Fut
‟Compraremos os amendoins no bairro.”
Índice Pronominal Objecto/ Reflexivo/ Recíproco
O índice é o elemento que fornece uma indicação ou ligação
imediata entre um signo e a realidade ou o substantivo e o verbo. Esses
morfemas excluem-se mutuamente aparecendo em função do contexto e
nem sempre aparecem na forma verbal.
Índice Pronominal De Objecto (IpO)
O índice pronominal objecto em himba aparece antes do radical e
depois da final verbal. Existe nos participantes e nas classes.
Exemplo:
1-Classe
Mbalanda odhovo mbali popalasa. Comprei duas espingardas no
mercado.
Mba-vi-landa popalasa. Comprei-as no mercado.
Mbatungwa onganda kukalemba Construiu uma casa no
Kalemba
Mbayitungwa kukalemba Construiu-a no Kalemba
39
2-Participante
Exemplo:
Ye wemupa-wo. Ela ofereceu-lho.
Maliya wapa Njwau omukanda. A Maria ofereceu um livro ao João.
Wendjiwupa ocikumba Tirou-me a mulher
Índice Pronominal Reflexivo/Recíproco (Ipref/Rec)
O Himba possui um morfema (li-) que precede o radical verbal com
a função de reflexivo e/ou recíproco.
Exemplo:
a) ovindele vyelitwa kumo no os brancos partilham-se a áfrica.
afilika.
b) ye welipa omwenyo ela deu à luz, uma menina.
omukadona.
c) ame ndjilikoha kese tango. eu lavo-me todos os dias.
d) utha okulipula nawa deve perguntar-se antes de tomar
muthiimbu decisões.
hoyatokola.
Radical Verbal
É o elemento que transporta a informação lexical. Os radicais, na
variante Himba, são repartidos em simples, quando possuem uma vogal e
complexos, quando possuem mais de uma vogal. Assim, começamos por
apresentar os radicais simples:
a) Radicais simples, reconhecidos pela presença ou não de uma vogal.
Na sua maioria apresentam a estrutura +CVC-, +CSVC-, +VC-,+CV-,+CC-
, +S-, +C-.
40
Quadro nº 15
CVC- +hol- Amar
CSVC- +nyang- Apanhar
VC- +imb- Cantar
CV- +li- Comer
S- +w- Cair
S- +y- Ir
CC- +th- Cavar
C- +t- Morrer
a. Radicais complexos, reconhecidos pela presença de mais de uma
vogal.
São radicais possíveis de serem analisados e que, por sua vez, apresentam
extensões.
Quadro nº 16
+patulul- Abrir
+dhamuk- Correr
+nanunun- Esticar
+longok- Aprender
+thathat- Acariciar
+imun- Acordar
+thimbun- Sentir
Extensões (Sufixos Derivativos E Alargamento)
Segundo NTONDO (2006:116), os sufixos de derivação são
morfemas com carácter produtivo que permitem exprimir diversas relações
sintácticas. Eles podem afectar todos os radicais e têm papel
morfossintáctico e semântico.
Em Himba encontramos alguns verbos com alargamento e outros
com sufixos de derivação.
41
a. Sufixos Derivativos que mudam o sentido do verbo:
- Aplicativo il-
Okulanda comprar
│ ≠ Oku- land- il- a≠│ comprar para
Pv15 Rdv Ext Fv
‟Okulandela”
- Causativo ith-
Oku-land-a: comprar
│ ≠ Oku- land- ith- a ≠│ vender
Pv15 Rdv Ext Fv
‟Okulandetha”
- Inversivo ul-
Oku-th-a cavar
│ ≠ Oku- th- ul- a ≠│ inflamar
Pv15 Rdv Ext Fv
‟okuthula”
- Reversivo uk-
Oku-long-a ensinar
│ ≠ Oku- long- uk- a ≠│ aprender
Pv15 Rdv Ext Fv
‟Okulongoka.”
- Repetitivo ul-ul-
Oku-nan-a puxar
│ ≠ Oku- nan- ulul- a ≠│ esticar
Pv15 Rdv Ext Fv
‟Okunanununa”
A variante Himba apresenta uma complexidade quanto aos sufixos
de derivação. As extensões não têm forma canónica por essa razão, não foi
possível apresentar vários exemplos.
42
b. Alargamento
O alargamento surge quando o radical, por si só, não tem sentido e a
junção com uma extensão que pode ser homomórfica ou heteromórfica ao
sufixo derivativo atribui ao conjunto um sentido: (oku-tambul-a: receber).
Exemplo:
-kwat- prender, tomar
-tambul- receber
-sonek- escrever
São alargamentos homomórficos aos sufixos derivativos –ul-, -ik- e –at-.
Final
Segundo NTONDO (2006:121) a final é, com o radical, um morfema
que concede ao verbo a sua identidade. Em Himba identificamos o
seguinte:
Quadro nº 17
Afirmativa Negativa
-a -i, -e
Presente -e -i
-i
-a -a
Passado -ile -e
-i -ile
-a -o
Futuro -i -a
43
Presente, situa o enunciado num instante da produção da fala;
Afirmativa
Ex:
Ovanadholayo vataendha ounungo wokuheel-a ovatumini.
‟Os jornalistas bajulam os poderosos.”
Ndjihol-e ootate nameme.
‟Amo o meu pai e a minha mãe.”
Negativa
Ex:
Hind-e ovimbisi ovindholodhi
“Não gosto de gatos pretos:”
Ohima kailiw-a.
“O cágado não é comestível.”
O passado, situa o enunciado num momento anterior ao presente.
Afirmativa
Ex:
Ombepo yaet-a ombuma oningi.
‟ O vento levantou muita poeira.”
Ye Wakut-ile nawa oombwa.
‟ Ela tinha amarrado bem o cão.”
Negativa
Hidhanen-e m’eheke.
“Não brinquei na areia”.
Kukut-ile ocimbwa momuti.
“Não amarraste o cão na árvore.”
44
O futuro, situa o enunciado num momento posterior ao instante
presente depois do agora.
A afirmativa
Ex:
Mekakomb-a ondjuvo napano.
‟ Vou varrer a casa agora.”
Omuhona methik-i naluni?
‟ Quando chegará o chefe?”
A negativa
Himekomb-o p’opalasa.
“Não vou varrer no mercado.”
Kumocipandul-a ocitopa.
“Não vais gostar do pano.”
Pós-Final
É marcado pelo morfema «eṋi» que é o alocutivo plural e pelo
morfema locativo «po», sobretudo nas frases imperativas.
O Himba em alguns casos apresenta duas pós-finais, - eṋi, -ndje-, -
po, –ko.
-eṋi, sufixo pronominal, alocutivo plural e final imperativo;
-ndje-, elocutivo singular e índice sufixado;
-po, –ko podem representar o locativo e o demonstrativo do tipo1.
45
a) Hontolole-ṋi-po lewe enene. ‟Movam aquela pedra grande.”
b) Tiuleṋi kokumbinda. ‟Furem o lado esquerdo da
parede.”
c) Ntetela-ndje-ko ocintuli ‟Corta-me um pedaço de carne.”
conyama.
46
Bibliografia
GASPAR, Maria B. Carreira, (2008), Língua Portuguesa, Edição: Instituto
Superior João Paulo II (ISUP), Luanda, Angola.
GUTHRIE, Malcom, (1971), Classification of the Bantu languages,
London, Oxford University Press;
MFUWA, Ndonga, (1995), La systematique grammatical du kisikongo,
Thèse de Doctorat, Université René Descartes, ParisV;
NTONDO, Zavoni, (1991), Elements de Description du kwanyama (R21),
langue bantoue d’Angola, Memoire de DEA;
FERNANDES, João & Ntondo, Zavoni,(2002), Angola: Povos e Linguas,
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48
Anexo
1.
Línguas de Angola
Oficial Português
Nacionais Côkwe · Kikongo · Kimbundu · Umbundu…
Bolo · Diriku · Holu · Khwe · Kilari · Kisikongo · Kung-
Ekoka · Kwadi · Kwangali · Lucazi · Luimbi · Lunda · Luvale
Nativas
· Luyana · Maligo · Mashi · Mbangala · Mbukushu · Mbunda
· Mbwela · Ndombe · Ndonga · Ngandyera · Nkangala ·
Nkumbi · Nyaneka · Nyemba · Nyengo · !O!ung · Oshiwambo
· Ruund · Sama · Songo · Yaka · Yauma · Yombe · Zemba
[Côkwe] Minungo, Ulanda, Ukhongo · [Holu] Yeci · [Khwe]
Buma-Kxoe · [Kikongo] Kongo do Sul, Kongo do Sudoeste,
Kongo do Oeste (Ibinda, Fiote, Fioti), Ndingi, Mboka, Kisikongo,
Kizombo, Kindibu, Kimanyanga, Kiwoyo de Cabinda, Kiyombe de
Cabinda · [Kimbundu] Njinga (Ginga, Jinga), Mbamba
(Kimbamba, Bambeiro), Mbaka (Ambaquista), Ngola ·
[Português] · [Kwadi] Zorotua (Vasorontu) · [Kwangali]
Dialectos
Sambyu (Shisambyu, Sambiu, Sambio) · [Lucazi] Ngangela ·
[Luyana] Kwandi, Mbowe (Esimbowe), Mdundulu (Ndundulu,
Imilangu), Mishulundu · [Mashi] Kwandu do Norte, Kwandu do
Sul · [Mbangala] Mbangala, Yongo · [Ngandyera] Kwambi ·
[Nkumbi] Nkumbi-mulondo · [Nyaneka] Humbe, Mwila
(Olumuila, Muila, Huila), Ngambwe (Olungambwe), Handa,
Cipungu, Cilenge · [Oshiwambo] Oshikwanyama, Kwambi,
Mbadja · [Umbundu] Mbalundu · [Yaka] Ngoongo · [Yombe]
Mbala (Mumbala), Vungunya (Kivungunya, Yombe Classico)
[Link]
49
Cokwe
[Link] pessoa
[Link] pessoas
[Link] árvore
[Link] árvores
[Link] homem
[Link] homens
[Link] cadeira
[Link] cadeiras
[Link] coelho
[Link] coelhos
[Link] rio (ngiji)
[Link] animal
[Link] animais
14. usoko/uta família (asoko)/mata (armas)
[Link] flecha/ makunga
Morfemas locativos
16. Há-
[Link]-
[Link]-
Kikongo
[Link] muntu
[Link] pessoas
[Link] árvore
4. nti árvores
[Link] olho
6. meso olhos
7. ki…
50
8. i…
[Link] porco
10. zingulu porcos
[Link]…
[Link]….
[Link]
[Link]….
19. fyoti pouco
Kimbundu
1. mutu pessoa
2. atu pessoas
3. muxi árvore
4. mixi árvores
5. diyala homem
6. mayala homens
7. kinama perna
8. inama pernas
9. ngombe boi
10. jingombe bois
11. lukwaku braço
[Link] carninha
[Link] carninhas
[Link] noite
[Link] escrever
Umbundu
1. omunu pessoas
2. omanu pessoas
3. uti árvore
4. oviti árvores
51
5. elonga, epya prato, lavra
6. alonga, ovapya pratos, lavras
7. ocimunu ladrão
8. ovimunu ladrões
9. osanji galinha
10. olosanji galinhas
11. olunyihi abelha
12. okahondyo banana pequena
[Link] bananas pequenas
[Link] noite
[Link]ã/okulu escrever/perna
[Link]ção dos verbos
Kikongo
Afirmativa
Presente passado futuro
mono: mudya ngina ndidi se idya
ngeye: udya ngina didi se udya
yandi: dya ngina didi se kadya
yeto: tudya ngina tudidi se tudya
yeno: ludya ngina ludidi se ludya
awu: adya ngina adidi se adya
Forma negativa
Presente passado futuro
ka idiko ka ndidi ko ka ididi ko
ka udi ko ka didi ko ka udidi ko
ka kadi ko ka didi ko ka didi ko
ka tudi ko ka tudidi ko ka tudidi ko
52
k aludi ko ka ludidi ko ka ludidi ko
ka badi ko ka badidi ko ka badidi ko
Cokwe
afirmativa
Presente negativa Passado Futuro
yami: ngunalyi cicikulya
yena: wunalyi wucikulya
yiye: kanalyi kecikulya
yetwe: tunalyi tucikulya
yenwe: nunalyi nucikulya
ayo: kaanalyi keecikulya
verbo: falar
ngunahanjika cahanjikile
wunahanjika kuwahanjikile
kanahanjika kahanjikile
tunahanjika kutwahanjikile
nunahanjika kunwahanjikile
kaanahanjika kaahanjikile
Kimbundu
Afirmativa
Presente Passado Futuro
Eme: ngidya ngadi ngondodya
Eye: udya wadi wandodya
Mwene: udya wadi wandodya
Etu: tudya twadi twandodya
Enu: mudya mwadi mwandodya
Ene: adya adi andodya
53
Negativa
ki ngidya ki ngadi ki ngondodya
Ki udya ki wadi ki wandodya
Ki udya ki wadi ki wandodya
Ki tudya ki twadi ki twandodya
Ki mudya ki mwadi ki mwandodya
Ki adya ki adi ki andodya
Umbundu
Afirmativa
ame: ndilya ndalya ndikalya
ove: olya walya okalya
eye: olya walya okalya
etu: tulya twalya tukalya
ene: vuli v’wali vukali
ovo: valya valya vakalya
Negativa
sili salile sikalya
kuli kwalile kukalya
kali kalile kakalya
katuli katwalile katukalya
kavuli kawalili kavukalya
kavali kavalile kavakalya
54