Realidades Arqueológicas: Mundo Rural
através da fonte de isidoro de sevilha
bispo de sevilha
próximo de recáredo
descreve o seu tempo, através do livro (7 aliás) “etimologia”. descreve casas
urbanas e rurais, medicina, etc.
3 tipos de habitat:
vicus:
estrutura de povoamento com certa organização urbanística, mas sem
estruturas de defesa
isidoro diz que 1 das caract. é terem arruamentos regularizados
dimensão pode variar
desempenhavam papel de cabeça administrativa de um território rural e
onde se pratica o comércio local
alguns vici são em x mometno sedes de ceca sueva e visigoda
castellum ou castrum:
pequeno aglomerado populacional possuidor de um forte sistema
defensivo que pode ser, ao mesmo tempo, natural e artificial
provável que no reinado visigodo alguns exerciam função dupla
o espaço habitacional de comunidade rural
o espaço defensivo, integrado ou não numa linha de fronteira (ex.:
fonteira bética e na área do país basco)
pagus
pequena aglomeração de casas com caráter rural
não existe separação entre aglomerado e campos de cultivo
habitações deveriam ser com materiais pobres (maioria perecível)
há fundações novas
posições novas de sítios tipo castrum, mas que não são castrum. importante
saber distinguir
há imensos castrum na zona do Vouga
espaços da elite local. com falta de poder romano, ganham mais poder indivíduos assim.
apostam nos castrum como forma de mostrar o seu poder - vêm tudo e são vistos
as transformações nas villae
villae:
é uma propriedade, constituída por parte cultivada ou construída
dentro das áreas construídas: casa senhorial (pode ter ou não ter esta) - pars
urbana; pars rustica e pars frutuaria - zonas de lagares, agrárias, para animais;
zona para escravos; espaço para villicus (capataz ou caseiro - quem gere a
propriedade, um funcionário); eiras para secar cereais e horrea para os guardar;
espaço para guardar produção agrícola
no séc. IV, vai haver uma concentração fundiária. pessoas deixam de investir nas
cidades, e investem nas suas casas rurais, engrandecendo-as, porque é lá que moram
agora.
este engrandecimento verifica-se através de uma arquitetura de luxo: importações
mármore, etc.
processo de transformação destas villae não se percebe bem, porque as escavações
destruíram os níveis todos para chegar ao que era bonito (séc. IV).
a mudança também se apercebe pelo abandono de importantes elementos de luxo e
novos usos, através da mudança de mentalidades trazida pelo cristianismo. certo?
fenómenos de transformação das villae tardo antigas
1. espaços domésticos - transformados em espaços de produção (habitação e
receção)
principalmente em áreas comuns: salas, impluvium, peristilo, etc.
também podem ser de arrumação
no fundo, passar de habitacional para produtivo
2. ocupação de um espaço da villa por uma construção de espaço religioso
(Mausoléu e igreja)
principalmente priscilianos evoluem nestas ocupações
3. transformação da villa em espaços monásticos (total ou parcial)
por vezes, toda a família entra nestes espaços monásticos
mulheres e homens existem no mesmo espaço, mas separados. nesta fase é assim
muitas vezes
4. abandono de parte da villa e ocupada por uma necrópole
mausoléu da família - para albergar inumações cristãs
outros casos nada a ver com família
5. abandono da villa como espaço habitacional e económico e a sua utilização com
habitat precário e/ou provisório
6. há uma teoria de que uma villa se teria transformado numa povoação medieval
(vila ou aldeia). villas que agregaram o seu povoamento para gerar este povoado
medieval. contudo, não faz sentido porque há um diácono temporal muito grande. nem
sequer há conhecimento deste tipo
já não se data com tanta perícia, como por exemplo nos romanos, que têm TS e ânforas.
exemplos - casos-estudo:
villa de torre lauder (barcelona)
villa fortunatus (huesca)
casa clássica em peristilo
transformação de uma parte da casa em igreja
construção de 3 naves
com sepulturas, que surgem numa 2ª fase
na 3ª fase, constrói-se uma ábside
villa de são cucufate (vidigueira)
teve uma evolução
nunca chega a ser terminada. sofre imensas alterações tho
no séc. III, era de peristilo. depois, evolui para de fachada ( villa de torres: com
uma fachada e 2 torres, com passadiços que unem estas 2 torres)
no séc. IV, surge um pequeno templo dentro da propriedade. pensa-se que será
pagão, mas não se tem a certeza. contudo, em torno deste edifício, há imensas
inumações (pressupõe-se que da família que lá viveria). provavelmente terá sido
uma igreja antes de ser um possível templo pagão
tem pinturas medievais
não há dados arqueológicos desde ???
considera-se um villa de torres: com uma fachada e 2 torres, com passadiços que
unem estas 2 torres
pars frutuaria, piscina para alimentar …?
S. Miguel de Odrinhas (Sintra)
tem villa romana
tem necrópole medieval (provável séc. XIII-XIV para a frente)
escavação antiga
Villa de Milreu (faro)
villa de peristilo que ocupa o que é um espaço entre a faixa litoral e a serra
decorada com mosaicos de caráter marítimo: peixes, lulas, polvos, atum,
caranguejo, etc.
escavação antiga
difícil perceber passagem de villa para periodo medieval
tem um templo. pensou-se ser para neptuno (por causa representações
marítimas). na zona circundante deste, tem alterações, com construção de
mausoléu, batistério, etc. - ligação com o cristianismo, e não com neptuno, por
a maioria dos cristãos serem pescadores, é também uma possibilidade
villa do monte da cegonha (vidigueira)
escavação antiga
construção de basílica dentro da villa: ábside, altar-mor, sepultura
villa de bruñuel (jaén)
basílica sobrepõe-se claramente à villa romana: tem 2 ábsides
possível separação entre homens e mulheres (como no priscilianismo), pela
existência de 2 ábsides
villa de la dehesa de la cocosa (badajoz)
villa de grande dimensão e rica
mausoléu construído sobre a casa: só tem 1 sepultura no seu interior
conhecem-se construções várias na domus: transformação espaços de prestígio
da casa em espaços de produção, zonas de sepultura, etc.
villa é abandonada e desloca-se para um espaço para outro tipo de construções
torre de palma (monforte)
uma das villa mais escavadas em portugal
2 mosaicos importantes: cavalos e painel de musas. levou a que a villa fosse
interpretada como criadora de cavalos de qualidade para jogos e afins
enorme área
villa grande com vários edifícios: termas; lagares; armazéns; áreas de escravos;
domus; etc.
há a construção de uma basílica com batistério. não há sobreposição desta em
cima da casa. neste caso, foi construída dentro da propriedade, mas fora. é de
grandes dimensões. nota: batistério está sempre fora do edifício religioso, com
estruturas à volta para as pessoas se despirem e vestirem uma túnica para ser
batizados, pois só podem entrar em espaço sagrado se forem batizados
grande centro de cristianização no norte do alentejo, parece
villa satigny (genebra)
primeira fase, igreja toda em madeira (séc. V e VI). depois vai sendo petrificada.
até se tornar uma igreja medieval totalmente~
villa da abicada (portimão)
peristilos com algo à volta?
por vezes, os sinais da cristianização são mais ténues.
o 1º exemplo é visto num ladrilho - ladrilho de aceuchal (badajoz)
na quinta das longas (elvas), no centro do espaço há um crismal.
estes novos núcleos desmantelavam as domus romanas. reaproveitavam os seus
materiais para diversas funções. o mármore, por exemplo, era desmantelado e queimado
num forno de cal, para que, após a sua queima, seja aproveitado para, por exemplo,
caiar casas para isolação térmica, etc.
novos edifícios
valdebacar (badajoz) - basílica. ver como se escreve corretamente o nome
casa herrera (mérida) - uma das villa mais bem conhecidas, com uma basílica de
dupla ábside, sepulturas de exceção e sem. há ruínas de casa de pedra, com
pouca qualidade, ao seu redor
dá-se a transformação do campo.
novos tipos de povoamento e de novas realidades, com a progressiva
cristianização do campo e de novos tipos de estruturas
exemplo: artigo “habitats camponeses no alto mondego nos séculos ix e
x: um ensaio de etnoarqueologia”
investigação sobre a estrutura do povoamento, a organização da paisagem e as relações
sociais das populações que viviam no curso superior do mondego, entre sécs. V e XI.
destaque 3 sítios arq:
séc.s IX e X
estruturas de caráter doméstico
construídas com materiais perecíveis
No período cronológico aqui tratado o alto Mondego foi espaço de fronteira entre o
mundo cristão do Norte e os muçulmanos do Sul. Este espaço está integrado nos
avanços e recuos desta mesma fronteira entre as presúrias do tempo de Afonso III e a
conquista de Fernando, o Magno
S. Gens Soida Penedo dos Mouros
Cronologia séc. IX e X séc. IX e X séc. IX e X
Povoados atual freguesia de c. 1000m altitude. no esporão da freguesia da Arcozelo da
Fornotelheiro (Celorico da serra, que divide a guarda e serra (gouveia)
beira) Celorico da beira. atual freguesia da
Rapa aproveita grande tor
área com vale mondego + granítico, que serviu de
desenvolvimento e solos tem controlo visual de uma ampla apoio a uma superestrutura
mais espessos região construída em madeira e
que domina todo o espaço
sem posição destacada no povoado tem planta irregular, do povoado que, por sua
terreno: sem condições de estrutura defensiva que o delimita. vez, se encontra delimitado
defesa área interna com declive, oq o torna pela muralha
pouco propício à instalação de
povoado com planta ovalada unidades domésticas. único sítio posição do sítio permite
e com estrutura defensiva. intervencionado sem sepulcros controlo visual de parte do
associado a uma necrópole rupestres vale. contudo, nao é
de sepulturas na rocha (+50) possível afirmar que se
trata de um local que
domina a paisagem, já que
a área controlada é
relativamente reduzida
Estruturas lareira que teve 2 momentos 2 lareiras semelhantes a tipologias não se escavaram lareiras
domésticas de utilização: de S. Gens. implementadas junto semelhantes às descritas
aos paramentos internos da muralha anteriormente
1ª fase - seria circular provável que lareiras
e possuía, pelo solução de implantação existissem na área
menos, em parte, um difere pela contiguidade aplanada delimitada pela
empedrado com a própria muralha, que muralha, que hoje se
2ª fase - forma terá funcionado com uma encontra totalmente
ovalada. identificada das paredes da unidade erodida e com o granito de
aquando do desmonte doméstica base exposto
do derrube da base ambas estruturas de pedras conservação deste local só
pétrea da muralha. de média e pequena ocorre junto ao tor central,
associada a esta, um dimensão não aparelhada. no abrigo natural e junto
buraco de poste lareira do setor II assente no dos panos de muralha, os
quadrangular substrato rochoso quais estão muito mal
escavado no granito conservados, chegando a
com função que o piso de circulação associado a possuir apenas 1 ou 2
parece associada à estas lareiras seria o próprio fiadas de pedra
lareira. área em volta afloramento granítico. garantia identificados níveis
sem estruturas uma maior facilidade na medievais com anormal
negativas ou limpeza e manutenção do piso e concentração de fitólitos,
positivas que tornava mais eficaz o que poderão estar
indicassem a forma escoamento das águas pluviais relacionados com uma área
ou a dimensão desta que pudessem entrar nas de curral, identificado no
unidade habitacional. habitações. igual em s. Gens e abrigo natural existente
com fragmentos penedouro dos mouros cerâmicas de uso comum
cerâmicos (potes, jarros), semelhantes
as cabanas seriam de pequena às identificadas nas casas
dimensão e tinham parede definida de Soida e s. Gens;
pela própria muralha. lareira estaria elementos de moagem e
no fundo da cabana e junto à cossoiros
muralha, para não comprometer a
estrutura
Ocupação realizaram-se mais duas várias sondagens nas plataformas
Choupanas:
Os autores referem que na Beira Alta existiam vários núcleos de construções de
cobertura cónica em materiais perecíveis que se distribuíam particularmente nas
regiões de Viseu, Satão e ao longo do Mondego. As construções de cobertura
cónica podiam ter paredes baixas de pedra, mas existiam exemplares totalmente
feitos em materiais perecíveis, denominadas de choupanas. + p.217
As descrições das choupanas beirãs e da choça alto-alentejana tecem a
imagem de cabanas de planta circular que não recorrem à escavação de buracos
de poste ou de fundos rebaixados, ou mesmo de caboucos em pedra. A
estrutura destas cabanas assentava diretamente no solo de terra ou no granito.
No centro da cabana estaria a lareira, assente diretamente no solo, por vezes
estruturada com pedras, que iluminaria e aqueceria o ambiente interior, para
além de ser o espaço de confeção alimentar. Perto desta estariam os utensílios de
cozinha, que podiam estar assentes em poial ou colocados sobre o solo. As
cabanas não dispunham de divisões internas e a sua dimensão média permitiria
albergar uma família nuclear. Da descrição consegue-se também entender que
estas estruturas poderiam durar muitos anos; alguns dos exemplares escritos
tinham já cerca de 20 anos, pelo que é expectável que as mesmas durassem pelo
menos uma geração, podendo ser renovadas ou reparadas de forma
relativamente expedita.
Cabanas:
Referidas no ponto anterior
As cabanas documentadas etnograficamente mostram que existem na região
soluções arquitetónicas tradicionais eventualmente semelhantes às
construídas na Alta Idade Média. Aproximar-se-ão certamente das soluções
adoptadas em S. Gens. Todavia, as estruturas habitacionais identificadas na
Soida seriam algo diferentes, pois aí aproveitariam o paramento como uma das
paredes da habitação.
Na Beira Alta e Beira Baixa são ainda elencadas outro tipo de estruturas
construídas em materiais perecíveis e sem recurso a buracos de poste. Trata-se
de uma categoria de construções diferentes daquelas anteriormente descritas,
pois são consideradas “abrigos móveis de pastores”:
a maioria de pequena dimensão, mas por vezes com tamanhos
consideráveis que podem atingir os 6 m de comprimento
albergariam o pastor e a sua mulher, que o acompanha na transumância
constituídas por esteiras abauladas dispostas de forma a desenhar abrigo
ovalado. Construções como estas foram documentadas na Beira Baixa,
em particular na zona raiana do Tejo internacional
constituídas por dois choços semi-cónicos, dispostos frente a frente, e
por cinco esteiras que preenchiam o espaço entre os choços formando
uma cobertura de duas águas que também abrangia a entrada do abrigo.
As juntas entre as diversas peças que constituem o abrigo são tapadas
com palha para um melhor isolamento.
No Alto Mondego, foi possível reconhecer este tipo de estruturas arqueológicas
porque estavam inseridas em povoados delimitados e mais facilmente
reconhecíveis em prospeção. Todavia, a perenidade destas casas torna-as
praticamente indetetáveis quando se localizam em espaços abertos ou quando
estão isoladas.
A invisibilidade deste registo arqueológico particular é ainda mais limitadora e
impede a construção de imagem mais aproximada ao mundo rural alto-medieval,
pois impossibilita, nomeadamente, documentar e caracterizar um eventual
povoamento mais disperso.