...
REPUBLICA DE ANGOLA
TRIBUNAL CONSTITUCIONAL
l a Camara
[Link] Noo 417/2017
PROCESSO Noo 448-A/2015
Recurso Ordimmo de Inconstitucionalidade
Em nome do povo, acordam, em Sessao, os Juizes Conselheiros da
Primeira Camara do Tribunal Constitucional:
I RELATORIO
0
Agostinho Canguari Caculo interp6s recurso ordinaria de
inconstitucionalidade, do Ac6rdao que 0 condenou a 4 an os de prisao maior,
prolatado pela 1. a Seq:ao da Sala dos Crimes Comuns do Tribunal Provincial
de Luanda, nos termos da alinea b) do artigo 36. 0 da Lei n.o 3/08, de 17 de
Junho - Lei do Processo Constitucional (LPC).
Para fundamentar 0 recurso, 0 Recorrente alegou essencialmente 0 seguinte:
1. N a qualidade de mandatario comercial do armador Wei Zau de
nacionalidade chinesa recolheu entre os meses de Junho e Julho
de 2013 das maos de determinadas pessoas 0 valor de USD
190.000,00 e 0 entregou ao armador Wei Zau para 0 pagamento
de pescado.
2. Uma das pessoas de quem recebeu 0 dinheiro, que atende pelo
nome de Paulo Jorge Policarpo, como nao recebia 0 pescado pago
1
ao Recorrente, impaciente, no dia 20 de Agosto de 2013, levou-o
sob custodia, sem mandado de captura, ao Comando de Divisao
do Sambizanga, onde foi preso e posterionnente enviado ao
Tribunal Provincial de Luanda, junto da 1. a Secc;ao da Sala dos
Crimes Comuns. Na sequencia disso foi condenado na pena de
prisao por crime de abuso de confianc;a, previsto e punivel pelo
artigo 453.° e 421.°, n.o 5 do Codigo Penal.
3. A acc;ao criminosa de que 0 Recorrente foi condenado ocorreu
nos meses de Junho e Julho de 2013 e a sua detenc;ao ocorreu no
dia 20 de Agosto do mesmo ano, portanto, fora de flagrante
delito.
4. 0 Recorrente foi arbitrariamente preso sem que se tenha seguido
os fonnalismos legais exigiveis na lei ordinaria, Lei n.o 18-A/92,
de 17 de Julho, facto alegado no Tribunal mediante acc;ao de
incidente de inconstitucionalidade, nos tennos da alinea a) do
artigo 63 .° e n.o 2 do artigo 64.°, ambos da Constituic;ao da
Republica de Angola (CRA), que detennina que a detenc;ao ou
prisao fora do flagrante delito so e autorizada pela exibic;ao do
mandado de captura emitido pela entidade competente, das
indicadas no artigo 12.° da Lei n .o 18-A/92 de 12 de Julho,
infelizmente, indeferida pelo Tribunal.
5. Face a esta violac;ao e ao sistema da fiscalizac;ao da constituic;ao
em Angola que e 0 modelo misto, cabia ao Tribunal Provincial a
apreciac;ao do merito ou nao da sua inconstitucionalidade.
o Recorrente tennina pedindo ao Tribunal Constitucional que declare
irregular e ilegal a sua prisao, nos tennos do n.o 1 do artigo 291.° enos 1 e 4
do artigo 292.°, ambos do Codigo Penal, e, consequentemente, a
anulabilidade do acto por vicio de inconstitucionalidade.
o processo foi a vista do Ministerio Publico.
Colhidos os vistos legais, cumpre, agora, apreciar para decidir.
II. COMPETENCIA DO TRIBUNAL
o presente recurso foi interposto nos tennos da aline a b) do art. 36.° da Lei
n.o 3/08, (LPC) .
o Recorrente impetrou urn recurso
ordinario de inconstitucionalidade, que
tern por objecto a nonna, mas nao suscitou a inconstitucionalidade de
J
2
qualquer norma aplicada no Ac6rdao de que recorre, pelo que a sua
pretensao tern fundamento de recurs 0 extraordinario de
inconstitucionalidade.
Alias, 0 caso concreto tratava da sua deten~ao fora do flagrante delito e sem
mandado de captura, materia que cai no ambito do recurso extraordimirio de
inconstitucionalidade, previsto na alinea a) do artigo 49.° da Lei n.O 3/08, de
17 de Junho (LPC).
Enquanto decorria a tramitac;:ao do recurso interposto junto deste Tribunal, 0
Recorrente beneficiou do indulto (fls 187 dos autos), previsto no artigo 1.0 do
Decreto Presidencial n.o 173115, de 15 de Setembro, por ter cumprido
metade da pena.
Accionados os mecanismos legais da tramita~ao para a sua liberta~ao,
constatou-se que os autos nao se encontravam no Tribunal" a quo" , mas neste
Tribunal a aguardar decisao do recurso entao interposto .
o Tribunal Constitucional procedeu a baixa dos autos (fls. 167v.) e findas as
formalidades legais no Tribunal "a quo" , este devolveu-o a esta instancia para
proferir decisao .
A incompetencia do tribunal em razao da hierarquia por nao se ter cumprido
o previo esgotamento da cadeia recurs6ria exigivel por lei (conforme a
altera~ao introduzida ao paragrafo (mico do artigo 49.° da Lei n.O 3/08, de
17 de Junho, pela Lei n.O25/10, de 3 de Dezembro), associada a liberta~ao
do Recorrente tomou inutil a aprecia~ao da presente lide.
DECIDINDO
Nestes tennos,
Tudo visto e ponderado acordam em Sessao da Primeira Camara os Juizes
<f~nselheiros do ~ribunal ConstituQonal, em ; o~,.- . :",o'-~ OJ. 1-
~ctc r .J...1'\....CA) l-,-,,- ~e /v\...cL.. .
0 " d!- ~~- .I . c IS
\ /
h k G. "lAA;Ji ~ "?)-,,, ./ " ~.0t.- T
'L "'-:7 ~
_~_-------~ /~G
------
----------
3
Sem custas, nos termos do regime geral do C6digo das Custas J udiciais e
artigo 15 .0 da Lei n.o 3/08, de 17 de Junho.
Notifique .
Tribunal Constitucional em Luanda, aos 13 de Janeiro de 2017.
OS ruizES CONSELHEmOS
Dra. Luzia Bebiana de Almei
Dra. Guilhermina Prata _ _~~...+JI,;~WLlOoL.L~""::---l_---':"..------,-l---
Dra. Maria da Imacu1ada L. C.
Dr. Raul Carlos Vasques Araujo ~= tf
Dr. Simao de Sousa Victor _c:::::::",.
_ _c:::: ~
--'!..............J-....3...:..~=-=~_ _ _ _ _ _ _ _ __