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Guia de Inclusão para Pessoas com Deficiência

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bruna
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Convivendo

com pessoas
com deficiência
Um guia para facilitar suas relações no trabalho e na vida.
Índice
3 Introdução
4 Contextualizando
5 Definição de deficiência
6 Legislação
7 Observando as diferenças
8 Panorama da deficiência no Brasil
8 Como as pessoas adquirem uma deficiência?
10 Reabilitado
10 Conhecendo as deficiências e orientações de relacionamento
11 Deficiência física
15 Deficiência visual
19 Deficiência auditiva
23 Deficiência intelectual
27 Deficiência múltipla
28 O papel do líder na inclusão do profissional com deficiência
29 Direitos e obrigações
30 Seleção
31 Aprimore seus conhecimentos
33 Glossário
Introdução
É com satisfação que anunciamos o início
do INCLUI – Programa de Inclusão Social!
Nosso objetivo é incluir, desenvolver e reter profissionais com deficiência,
integrando-os à sociedade através do trabalho.

Para promover a inclusão, acessibilidade, integração, comunicação e


acompanhamento desses profissionais e, também, a conscientização das
lideranças e dos colaboradores, pessoas com deficiência já estão atuando
em todos os setores da empresa.

O Programa INCLUI visa aumentar a colaboração e a sinergia entre


as equipes e consolidar ainda mais as relações de trabalho, transfor-
mando o ambiente corporativo em um lugar de oportunidades e de
valorização da DIVERSIDADE!

Para nós, da Viação Cometa, o respeito às diferenças deve ser um compro-


misso de todos, seja na relação entre os colaboradores, seja na relação com
nossos clientes!

Contamos com o apoio de todos vocês no fortalecimento da inclusão


de profissionais com deficiência no ambiente de trabalho!

3
Contextualizando
Os termos portador de deficiência, portador de necessidades especiais
(PNE) e pessoa portadora de deficiência (PPD) não são os mais adequados.
No lugar deles, devemos usar

Pessoa(s) com Deficiência,


ou sua abreviação: PcD.
Essa nova denominação é fruto de movimentos mundiais de pessoas com
deficiência, incluindo os do Brasil, que convencionaram a forma como
preferem ser chamados.

O termo "pessoas com deficiência" faz parte do texto da Convenção sobre


os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada pela Assembléia Geral
da ONU em 2006 e ratificado no Brasil em julho de 2008.

A sigla PcD é invariável. Por exemplo: a PcD, as PcD, da PcD, das PcD.
Devemos, porém, evitar o uso de siglas para nos referirmos a seres
humanos. Também ao desdobrar a sigla, tenha cuidado com o plural: o
correto é pessoas com deficiência e não pessoas com deficiências, a não ser
que elas tenham, de fato, múltipla deficiência.

Podemos usar também os seguintes termos: pessoa "que tem deficiência"


ou "que nasceu com deficiência".

Ter deficiência não é o mesmo que estar doente, nem sinônimo de ineficiência.

4
Definição
de deficiência
Pessoa com deficiência é toda pessoa com
perda ou anormalidade de uma estrutura ou
função psicológica, fisiológica ou anatômica
que gere incapacidade para o desempenho
das atividades.

(Artigo 1 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência)

5
Legislação
O paradigma da inclusão começou na década de 80 e com o tempo foi
evoluindo. Atualmente é considerado um movimento mundial, sendo
claramente progressivo em termos de mudanças educacionais e sociais.

A Lei de Cotas existe em vários países, como: Portugal, Espanha, França,


Itália, Alemanha, Áustria, Bélgica, Holanda, Irlanda, Reino Unido,
Argentina, Colômbia, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Panamá, Peru,
Uruguai, Venezuela, Estados Unidos, Japão e China.

Cada país tem suas regras para esta Lei.

A cota é calculada de acordo com o número geral de empregados que a


empresa tem em seu quadro, conforme estabelece o art. 93 da lei 8.213 de 1991

100 a 200 funcionários: 2% do efetivo

201 a 500: 3% do efetivo

501 a 1000: 4% do efetivo

1001 em diante: 5% do efetivo

6
Observando
as diferenças
No nosso dia a dia não percebemos a diversidade entre nossos colaboradores
e colegas de trabalho. Mas elas existem! Apesar de sabermos que todos são
diferentes uns dos outros, muitas vezes não nos damos conta disso...
É muito fácil não notar as diferenças sutis e, na maioria das vezes, é difícil
passar por cima das mais aparentes. Por isso, conviver com as pessoas com
alguma limitação física, intelectual ou sensorial parece complicado.

Você verá que as pessoas com deficiência


são "diferentes", como todos nós somos
uns dos outros, e que é essa diversidade que
nos torna únicos.

7
Panorama da
deficiência no Brasil
Segundo a última pesquisa feita pelo IBGE em 2010, existem 45.623.910
milhões de pessoas que possuem algum tipo de deficiência no Brasil, o que
corresponde a 23,9% da população.

Deficiência Visual: 58,3%= 35.791.488

Deficiência Física: 21,6% = 13.273.969

Deficiência Auditiva: 15,8% = 9.722.163

Deficiência Intelectual: 4,3% = 2.617.025

Como as pessoas
adquirem uma
deficiência?
Uma deficiência pode ser congênita
ou adquirida.
Suas causas são muito diversas, podendo ser desde erros médicos, acidentes
de trânsito, violência urbana, até falta de informações durante a gestação,

8
que levam as mães ao uso de substâncias indevidas e que podem gerar uma
imperfeição no bebê.

Deficiências congênitas são aquelas adquiridas antes do nascimento ou


mesmo posterior a tal, no primeiro mês de vida, seja qual for a sua causa, como
por exemplo: cegos de nascença, deficientes intelectuais, deficiência física
como encurtamento de pernas ou nanismo, etc.

Deficiências adquiridas ocorrem após o nascimento e podem acometer


o sujeito em diferentes etapas da vida, sendo consequentes a causas não-
traumáticas, como acidente vascular encefálico, tumores, processos
degenerativos, dentre outras e, também causas
traumáticas, como acidentes de trânsito,
agressões por armas de fogo,
quedas, mergulhos etc.
24%
Arma de fogo
46%
Acidente de trânsito 30%
Outros

9
Reabilitado
Entende-se por reabilitada a pessoa que passou por processo orientado a
possibilitar que adquira, a partir da identificação de suas potencialidades
laborativas, o nível suficiente de desenvolvimento profissional para reingresso
no mercado de trabalho e participação na vida comunitária (Decreto
nº 3.298/99, art. 31).

A reabilitação torna a pessoa novamente capaz de desempenhar suas funções


ou outras diferentes das que exercia, se estas forem adequadas e compatíveis
com a sua limitação.

Conhecendo
as deficiências
e orientações
de relacionamento
Grande parte das pessoas acham que uma pessoa com deficiência se restringe
apenas ao usuário de cadeira de rodas. Ao contrário do senso comum, as
deficiências são as seguintes:

10
Deficiência física
Engloba vários tipos de limitações motoras, como paraplegia, tetraplegia,
paralisia cerebral, amputação e muitos outros.

Quais são os tipos de deficiências físicas?


Pessoas que utilizam cadeiras de rodas, muletas, bengalas, andadores
ou pessoas que apresentam membros com deformidades (congênitas
ou adquiridas), pessoas amputadas, anões e pessoas com sequelas
de paralisia cerebral.

As pessoas com deficiência física são simbolizadas pela


cadeira de rodas, que é o símbolo internacional do acesso.

Termo adequado Termo inadequado

DEFICIENTE FÍSICO Aleijado

MULETANTE Chumbado

CADEIRANTE Inválido

11
Como agir diante de uma pessoa
com deficiência física?
Cadeira de rodas, muletas e bengalas são parte do corpo de seus usuários.
Por isso, nunca se apoie ou mova nenhum deles sem a permissão de seu dono.

Não pendure bolsas ou casacos nem apoie seus pés na cadeira de rodas,
pois ela é de uso próprio da pessoa que a utiliza.

Ao conversar com um cadeirante, procure se sentar na mesma altura.


É desconfortável conversar com uma pessoa olhando para cima.

Evite segurar o braço de uma pessoa que use muletas. Ao invés de ajudar,
você pode provocar uma queda.

Para dar apoio a uma pessoa em cadeira de rodas a descer uma escada
ou mesmo uma rampa íngreme, pergunte sempre como deve proceder,
porque há pessoas que preferem descer ou subir de frente ou de costas,
para sua segurança.

Ande na mesma velocidade que a pessoa com deficiência física, pois ela
pode se mover mais lentamente que você.

Quando estiver conduzindo um cadeirante e parar para falar com alguém,


procure virar a cadeira para que a pessoa participe da conversa.

12
Lembre-se:
Antes de ajudar, pergunte à pessoa com deficiência:

Precisa de ajuda? Como posso ajudar?


Não se constranja em usar palavras como "correr" e "andar".
As pessoas com deficiência física usam naturalmente estes termos.

Como devo me referir


aos deficientes físicos?
Pessoa com deficiência física.

Mitos e verdades
Deficientes físicos... Verdade Mito

Precisam de ajuda para ir ao banheiro

Não praticam esportes ou atividades físicas

Correm mais perigo em caso de incêndio

Precisam sempre de um acompanhante

Têm a mesma capacidade intelectual


das outras pessoas

13
É inadequado empurrar a cadeira de rodas
sem o conhecimento e o consentimento da
pessoa com deficiência.

14
Deficiência visual
A pessoa com deficiência visual é aquela que apresenta uma
redução ou ausência total da visão, podendo ser de dois tipos:
baixa visão em diversos níveis e cegueira.

Termo adequado Termo inadequado

CEGO Portador de deficiência visual

DEFICIENTE VISUAL Ceguinho

Como agir diante de uma pessoa


com deficiência visual?
Ao dirigir-se a uma pessoa cega, cumprimente-a tocando levemente nas mãos
e identifique-se de imediato para que esta saiba com quem vai falar.

Avise quando se afastar, para evitar que a pessoa cega fique falando sozinha.

Durante a conversa, não é necessário falar mais alto, a menos que ela o solicite.

Utilize com naturalidade termos como “"cego", "ver" e "olhar". Os cegos também
os utilizam.

Quando for guiar alguém com deficiência visual, dobre o braço e ofereça o
cotovelo para que ela o segure e possa seguir você. Não a agarre nem puxe pelo
braço ou pela bengala.

15
Para ajudar a pessoa cega a sentar-se, guie-a até a cadeira e coloque a mão dela
sobre o encosto, informando se a cadeira tem braço ou não.

Caso seja necessário que a pessoa cega assine algum documento que não
esteja em Braille, leia o conteúdo em voz alta e dê uma régua para que ela
possa fazer sua assinatura.

Narre o trajeto avisando sobre degraus e outros obstáculos que estejam na frente.
Ao explicar a direção, indique distância e pontos de referência com clareza:
tantos metros à direita, à esquerda. Evite termos como "por aqui" e "por ali".

IMPORTANTE:
Se a pessoa cega utiliza o cão-guia, não faça carinho no cachorro para não
distraí-lo e prejudicar o deficiente visual.

As pessoas devem saber que o animal é treinado para assumir comportamento


adequado, sendo permitido seu acesso a qualquer ambiente que a pessoa
frequente, inclusive seu local de trabalho.

Como devo me referir


aos deficientes visuais?
Pessoa com deficiência visual.

16
Mitos e verdades
Deficientes visuais... Verdade Mito

Precisam de ajuda para se locomover, comer


e ir ao banheiro

Só conseguem trabalhar
com teclados em Braille

São muito independentes

Têm uma percepção mais aguçada para


identificar vozes

São mais ágeis

17
Quando estiver falando com uma pessoa cega,
dirija-se a ela, e não a seu acompanhante.

18
Deficiência auditiva
O deficiente auditivo tem dificuldade em ouvir ou entender
mensagens sonoras. Em outras palavras podemos dizer
que é a redução ou ausência da capacidade de ouvir
determinados sons em diferentes graus de intensidade.

O surdo é aquele que, além da perda auditiva, possui uma identidade, uma
cultura e uma língua própria: a língua brasileira de sinais (libras).

A pessoa com deficiência auditiva apresenta redução ou ausência da


capacidade de ouvir determinados sons em diferentes graus de intensidade,
podendo ser uma perda auditiva leve, moderada, severa ou profunda.
Comunica-se oralmente em português e alguns fazem leitura labial e/ou
utilizam aparelho auditivo.

Termo adequado Termo inadequado

PESSOA SURDA Surdo-mudo

SURDO Mudinho

DEFICIENTE AUDITIVO

19
Como agir diante de uma pessoa
com deficiência auditiva?
Procure falar pausadamente, mantendo contato visual, pois, se desviar o olhar,
ela poderá entender que a conversa acabou.

Fale articuladamente, movimentando bem os lábios, evitando colocar objetos


ou a própria mão na boca, para não atrapalhar a leitura labial.

Enquanto estiver conversando, mantenha contato visual.

Evite ficar contra a luz. A pessoa precisa ver sua expressão facial para entender.

Lembre-se:
Pessoas surdas se comunicam de maneira essencialmente visual e pela
língua de sinais.

Para iniciar uma conversa com uma pessoa surda, acene ou toque
levemente em seu ombro ou braço. Quando o surdo estiver acompanhado
de intérprete, fale diretamente com a pessoa surda, não com o intérprete.

Se necessário, e você não souber a língua de sinais, comunique-se por meio


da escrita ou de mímicas e gestos que possam indicar o que você quer dizer.

As expressões faciais são super importantes ao conversar com um surdo,


pois eles não podem ouvir o tom da sua voz, tendo dificuldade para
identificar os seus sentimentos.

20
Como devo me referir
aos deficientes auditivos?
Pessoa com deficiência auditiva.

Mitos e verdades
Deficientes auditivos... Verdade Mito

São todos capazes de fazer leitura labial

São todos mudos

Em alguns casos, usando o aparelho,


conseguem se comunicar normalmente

São muito nervosos

Possuem uma concentração diferenciada

21
Fale com a pessoa surda num tom de voz normal,
a não ser que ela peça para você falar mais alto.

22
Deficiência intelectual
Deficiente intelectual é toda a pessoa que apresenta um desenvolvimento
intelectual abaixo da média ou, pela definição da lei de cotas, limitações
significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adapta-
tivo que aparecem nas habilidades conceituais, sociais e práticas antes dos
18 anos de idade.

As pessoas com deficiência intelectual são as pessoas com síndrome de Down


ou com alguma das outras 72 síndromes. Também apresentam o coeficiente
de inteligência abaixo da média da população, nomeados pela Organização
Mundial da Saúde como pessoas com retardo mental.

A pessoa com deficiência intelectual convive normalmente com várias


pessoas e costuma circular pela cidade, sozinha ou acompanhada.

Termo adequado Termo inadequado

PESSOA COM Débil mental

DEFICIÊNCIA Mongoloide

INTELECTUAL Retardado

23
Como agir diante de uma pessoa
com deficiência intelectual?
A pessoa com deficiência intelectual, até há poucos anos conhecida como
"deficiência mental" e mais antigamente chamada de "excepcional", deve ser
tratada com respeito e dignidade, assim como qualquer cidadão.

Trate-as com naturalidade e respeito.

Não trate como criança ou de forma infantilizada.

Use linguagem simples.

Certifique-se de que a pessoa entendeu a sua mensagem.

Lembre-se:
Não tenha receio de orientar uma pessoa com deficiência intelectual quando
perceber que ela está em uma situação duvidosa ou inadequada.

Converse normalmente, apresentando-se e despedindo-se dela como faria


com qualquer pessoa.

Dê informações simples, objetivas e diretas, acompanhando-a, se for o caso,


para sua orientação.

Seja paciente e respeite as características individuais de cada um.

24
Não reforce ou incentive atitudes e falas infantis, elogios desnecessários no
diminutivo, como se conversasse com uma criança (lindinho, fofinho, etc.).
Se a pessoa com deficiência for criança, trate-a como criança; se for adolescente,
trate-a como adolescente; se adulta, trate-a como adulta.

IMPORTANTE:
Não subestime a inteligência te uma pessoa com deficiência intelectual. Ela
tem um tempo diferenciado de aprendizagem, mas pode adquirir muitas
habilidades e conhecimentos. Ofereça informações em linguagem objetiva,
com sentenças curtas e simples.

A pessoa com deficiência intelectual compreende normalmente a sua


realidade. Valorize seu potencial e não supervalorize suas dificuldades.

Como devo me referir


aos deficientes intelectuais?
Pessoa com deficiência intelectual.

25
A pessoa com deficiência intelectual neces-
sita de orientações claras, em linguagem
simples e direta.

26
Deficiência múltipla
Deficiente múltipla é a associação de duas ou mais deficiências. As dicas de
como agir diante da deficiência são as mesmas mencionadas anteriormente.
Na dúvida, procure ajudar de acordo com a deficiência mais evidente.

Lembre-se:
As chaves para qualquer bom relacionamento são a naturalidade, o respeito,
o bom senso e a educação.

27
O Papel do líder
na inclusão
do profissional
com deficiência
Cada gestor tem o papel de assegurar o desenvolvimento da empresa e de ad-
ministrar o negócio (área de atuação), e para isso deve saber motivar a equipe
e torná-la participativa nas atividades. Saber lidar com a diversidade também
é uma responsabilidade do gestor.

É importante ter em mente que todas as pessoas são iguais, independente de


terem ou não uma deficiência e, consequentemente, devemos tratá-las com
igualdade, valorizando a diversidade.

É responsabilidade do gestor garantir a inclusão das PcD na equipe. É impor-


tante que todos estejam preparados para lidar com as deficiências. Se em sua
equipe ainda não há pessoas com deficiência é seu papel promover o diálogo
e o acesso às informações necessárias e dicas de relacionamento para que as
pessoas trabalhem em equipe.

28
Direitos e obrigações
Os direitos e obrigações das pessoas com deficiência são iguais aos de
qualquer outra pessoa:

A PcD deve participar de feiras, eventos, treinamentos e reuniões junto à


equipe, exatamente como os demais colaboradores.

Não se pode rotular uma pessoa com deficiência e discriminá-la.

Para demitir um profissional com deficiência, deve-se seguir os mesmos


critérios e procedimentos adotados pela empresa em relação aos outros
colaboradores.

A avaliação de desempenho de um colaborador com deficiência deve ser feita


de acordo com a ferramenta utilizada pela empresa.

Toda PcD deve chegar na empresa no horário que está acordado em seu con-
trato de trabalho, assim como os demais colaboradores.

Não se pode exigir de uma PcD atividades que a deficiência dela não comporte.

Metas devem ser estabelecidas para um profissional com deficiência, assim


como para a equipe.

As pessoas com deficiência devem entregar seus resultados e cumprir com


suas responsabilidades, da mesma maneira que as demais pessoas da equipe.

29
Seleção
Um fator importante é assegurar que a pessoa que irá entrevistar uma pessoa
com deficiência esteja preparada para lidar com ela.

Outro fator importante é que o entrevistador deve conhecer as peculiaridades


da deficiência do candidato, para não fazer exigências que não sejam adequa-
das, exigindo um perfil que pode não comportar na função.

Seguem exemplos de perguntas que você pode incluir na entrevista de uma


pessoa com deficiência:

Você é independente para as atividades da vida diária (ir ao banheiro


sozinho, subir e descer escadas, comer sozinho)?

Qual é a causa da sua deficiência (congênita ou adquirida)?”

Qual meio de transporte você utilizará para vir trabalhar? Se for transporte
público, você é independente?

Quais seriam as adaptações tecnológicas necessárias para você poder tra-


balhar na empresa?

Quais são suas limitações?

30
Aprimore seus
conhecimentos
Aprimore seu conhecimento sobre o tema. Quanto mais familiarizado você
estiver, melhor para você, sua equipe e seus profissionais com deficiência.

Livros:
• CONVERSANDO SOBRE DEFICIÊNCIAS
Jenny Bryan - Ed. Moderna

• INCLUSÃO. CONSTRUINDO UMA SOCIEDADE PARA TODOS


Romeu Kazumi – Ed. WVA

• A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA:


CONTRIBUIÇÕES PARA UMA REFLEXÃO SOBRE O TEMA
Maria Teresa Eglér Mantoan – Ed. MEMNON

• UM OUTRO OLHAR
Luiz Gustavo Lamac Assunção e Terezinha Sette Ed. Gente

Filmes:
• Vermelho como o céu

• Intocáveis

• Meu nome é Rádio

• Taare Zameen Par – Every Child is Special


(Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial)

31
Sites:
• [Link]

• [Link]

• [Link]

32
Glossário
Acessibilidade: Costuma ser associada apenas a Braile ou Braille: Sistema de leitura por meio do
questões físicas e arquitetônicas, mas expressa um tato que reproduz o alfabeto em caracteres impres-
conjunto de dimensões diversas, complementa- sos em relevo no papel. Utilizado por pessoas cegas,
res e indispensáveis para que haja efetiva inclusão. principalmente por aquelas que nasceram cegas ou
Existem seis tipos de acessibilidade: atitudinal, ficaram cegas na infância, o braile foi inventado pelo
arquitetônica, comunicacional, instrumental, meto- francês Louis Braille em 1829.
dológica e programática.
Cadeira de Rodas Motorizada: É equipada com
Acessibilidade Arquitetônica: sem barreiras am- um motor. Não usar "cadeira de rodas elétrica",
bientais físicas nas residências, nos edifícios, nos só se for para executar o cadeirante eletrocutado.
espaços urbanos, nos equipamentos urbanos, nos
meios de transporte individual ou coletivo. Cego(a): Pessoa cuja acuidade visual é igual ou
menor que 0.05 no seu melhor olho, mesmo com a
Acessibilidade Comunicacional: sem barreiras na melhor correção óptica.
comunicação interpessoal (face a face, língua de
sinais), escrita (jornal, revista, livro, carta, apostila, Deficiência: A deficiência é uma situação resultan-
etc., incluindo textos em braile, uso do computador te da interação entre um ser humano que tem uma
portátil), e virtual (acessibilidade digital). determinada limitação e o ambiente em que vive ou
está naquele instante. Deficiência é a terminologia
Acessibilidade Metodológica: sem barreiras nos genérica para englobar toda e qualquer deficiência,
métodos e técnicas de estudo (escolar), de traba- definida por seis categorias: sensorial (relacionada
lho (profissional), de ação comunitária (social, aos sentidos - audição e visão); física (relacionada
cultural, artística etc.), de educação dos filhos aos movimentos, não importa a origem e a gravi-
(familiar). dade da lesão); intelectual (relacionada ao funcio-
namento das atividades cerebrais que se expressam
Acessibilidade Instrumental: sem barreiras nos na chamada inteligência), múltipla (mais de um
instrumentos, utensílios e ferramentas de estudo tipo de deficiência na mesma pessoa) e psicossocial
(escolar), de trabalho (profissional), de lazer e recrea- (transtorno psiquiátrico).
ção (comunitária, turística, esportiva, etc.).
Deficiência Auditiva: Em um contexto formal, a
Acessibilidade Programática: sem barreiras invi- expressão "pessoas com deficiência auditiva" fará
síveis embutidas em políticas públicas (leis, decre- referência ao grupo de pessoas que não ouvem, par-
tos, portarias etc.), normas e regulamentos (institu- cial ou totalmente, sem especificar os graus da per-
cionais, empresariais etc.). da auditiva. Em situações informais e coloquiais,
principalmente no caso do português falado, é
Acessibilidade Atitudinal: sem preconceitos, possível utilizar expressões como "pessoas surdas",
estigmas, estereótipos e discriminações nas pessoas "com surdez", "com perda parcial de audição (baixa
em geral. audição)", "comunidade surda", entre outras. Ge-
ralmente, pessoas com perda parcial da audição
Ajudas Técnicas: também chamadas tecnologias referem-se a si mesmas com tendo uma deficiência
assistivas. São equipamentos, produtos ou siste- auditiva. Já as que têm perda total da audição prefe-
mas capazes de contribuir para o pleno desenvol- rem ser chamadas de surdas.
vimento das pessoas com deficiência. Proporcio-
nam equiparação de oportunidades, autonomia e Deficiência Física: Não é uma expressão genéri-
qualidade de vida por meio de acesso a processos e ca para deficiência e, portanto, tem sido utiliza-
bens já utilizados pela comunidade. Ex.: cadeira de da indevidamente pela mídia como aquela que
rodas, próteses, etc. engloba todos os tipos de deficiência. Refere-se
apenas a limitações relacionadas aos aspectos fí-

33
sico e motor, como ausência de membros, parali- grau de miopia. Não é correto dizer que "todos
sias, entre outras causas. nós somos temos deficiência".

Deficiência Intelectual: Antigamente chamada de Educação Inclusiva: Expressão banalizada nos


deficiência mental, a deficiência intelectual não é últimos anos e equivocadamente associada apenas
uma doença, é um sintoma. Por exemplo, no caso à simples presença de estudantes com deficiência
da síndrome de Down, o funcionamento do cére- nas escolas comuns. Refere-se a um contemporâ-
bro, especialmente no aspecto cognitivo, é modifi- neo conceito de educação. A educação é disponível
cado pela presença de um material genético extra. para toda criança e adolescente, não importa de que
Hoje é inadequado classificar a deficiência intelec- modo se locomova, ande, pense, leia ou não leia, a
tual em leve, moderada, severa e profunda, níveis despeito de sua origem, religião, temperamento,
criados pela OMS em 1968 e alterados em 1992. Isso condição humana.
porque a deficiência intelectual de uma pessoa não
pode ser qualificada isoladamente, mas, sim, em Escola Regular / Escola Especial: Para se referir às
função dos apoios que recebe para seu total funcio- escolas que não são especiais, o ideal é usar "escola
namento social, profissional ou estudantil. regular" ou "escola comum" e, no caso das turmas,
"classe regular" ou "classe comum".
Deficiência Múltipla: É o caso de pessoas que
têm uma ou mais deficiências: física + intelectual Especial: Na maioria das vezes, usar a palavra "es-
+ auditiva + visual. pecial" para se referir a pessoas com deficiência é
uma armadilha. Na perspectiva dos direitos huma-
Deficiência Psicossocial: Também chamada defi- nos todas as pessoas são especiais, tenham deficiên-
ciência psiquiátrica ou deficiência por saúde men- cia ou não. Além disso, nesse contexto, especial co-
tal. Na deficiência psicossocial, há sofrimento psí- nota um eufenismo (que palavra é essa? Não seria
quico associado a quadros de depressão, síndrome eufemismo?) para deficiência.
do pânico, esquizofrenia, transtornos de persona-
lidade, autismo, etc. Inclusão: Não é o mesmo que "inclusão social".
"Inclusão" se refere a qualquer condição huma-
Deficiência Sensorial: Deficiências visual e au- na e, portanto, quando está acompanhado de um
ditiva. O aconselhável é retratá-las dessa forma: adjetivo (no caso, social) há o risco de seu sentido
"pessoas cegas" (deficiência visual total) ou "surdas" ser reduzido. Muitos projetos sociais que afirmam
(deficiência auditiva total); "pessoas com deficiên- trabalhar com inclusão social não aceitam em suas
cia visual" (ou "com baixa visão") ou "auditiva" (há comunidades crianças e adolescentes com defi-
resíduo auditivo) ou "pessoas que têm deficiência ciência, por exemplo.
visual" ou "auditiva". Os substantivos "cegueira" e
"surdez" podem ser usados. Integração x Inclusão: Esses termos têm significa-
dos diferentes para o movimento das PcD. Exem-
Deficiência Visual: Cegueira, na qual a acuida- plos: Inclusão significa inserção total e incondi-
de visual é igual ou menor que 0,05 no melhor cional (crianças com deficiência não precisam "se
olho, com a melhor correção óptica; baixa visão, preparar" para ir à escola regular); na integração, a
que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no inserção é parcial e condicional (crianças "se pre-
melhor olho, com a melhor correção óptica; os param" em escolas ou classes especiais para estar
casos nos quais a soma da medida do campo vi- em escolas ou classes regulares); na inclusão, a so-
sual em ambos os olhos for igual ou menor que ciedade se adapta para atender às necessidades das
60º; ou a ocorrência simultânea de quaisquer pessoas com deficiência e, com isso, se torna mais
das condições anteriores. atenta às necessidades de TODOS; na integração,
as pessoas com deficiência se adaptam às necessi-
Deficiente: A palavra deficiente não deve ser usa- dades dos modelos que já existem na sociedade, que
da como substantivo ("os(as) deficientes jogam faz apenas ajustes; a inclusão, defende o direito de
bola"), mas pode ser usada como adjetivo. Essa TODAS as pessoas, com e sem deficiência.
preocupação é compreendida mais claramente
se substituirmos "deficiente" por outros substan- Intérprete da Libras: Profissional capacitado e/ou
tivos, como gordo, magro, louro, careca etc. A pa- habilitado em processos de interpretação da língua
lavra "deficiente" não deve ser usada para desig- brasileira de sinais, que deve ter titulação, certifica-
nar o que não é deficiência, como um altíssimo ção e registro profissional para atuar.

34
Libras: Sigla para a expressão "Língua Brasileira de Problema Mental: Expressão que não deve ser uti-
Sinais". Não é correto usar "linguagem de sinais" lizada por se referir genérica e preconceituosamen-
nem "Linguagem Brasileira de Sinais". te a situações diversas, sem que se consiga identifi-
cá-las. Se a expressão "problema mental" se refere
Libras Tátil: É a Libras realizada na palma de uma a doenças relacionadas a algum tipo de sofrimento
das mãos de pessoas surdocegas por um profissio- psíquico, o correto é utilizar transtorno mental. Se a
nal identificado como guia-intérprete. expressão "problema mental" estiver relacionada ao
funcionamento do intelecto, deverá ser substituída
Normalidade: No âmbito das reflexões sobre di- por deficiência intelectual, referindo-se nesse caso
versidade e diferenças humanas não cabe a expres- a alterações no funcionamento cognitivo da pessoa.
são "normalidade". Prefira usar "pessoa sem defi-
ciência" e não "pessoa normal". Pela mesma razão, Síndrome Genética: É pejorativo. Melhor usar
não usar expressões como defeituoso, incapacitado "alteração genética"; "condição genética"; "situação
e inválido para se referir a alguém com deficiência. genética". Evitar o uso das expressões anomalia
genética e doença genética.
Paralisia Cerebral: É uma condição que resulta
da ausência de oxigenação em partes do cérebro Surdo (a): Expressão correta quando se refere a
que controlam as funções motoras. Isso acontece alguém que tem perda total de audição. No caso,
geralmente durante a gestação ou no momento o mais adequado é dizer pessoa surda ou indiví-
do parto. A paralisia cerebral é uma deficiência duo surdo. Nunca utilizar a expressão surdo(a)
motora que se manifesta de diversas formas, po- -mudo(a). Uma pessoa surda é capaz de falar
dendo interferir mais ou menos nos movimentos e/ou se expressar.
e no equilíbrio da pessoa.
Tadoma: Um dos recursos utilizados por pessoas
Pessoa com Deficiência: O mais adequado é utili- surdocegas e seus guias intérpretes para se comu-
zar sempre um substantivo seguido da preposição nicar. Ao recorrer ao tadoma, a pessoa surdocega
com mais o adjetivo referente àquela situação espe- coloca sua mão no rosto do guia-intérprete,
cífica. Exemplos: aluno com síndrome de Down; com o polegar tocando suavemente o lábio infe-
professora com surdez; cidadã com deficiência. rior e os outros dedos pressionando levemente
Outras opções são as expressões "que tem" ou "que as cordas vocais.
nasceu com". Exemplos: pessoas com deficiência;
ator que nasceu com síndrome de Down; menina Transtorno Mental: Terminologia indicada para
que tem uma deficiência auditiva. situações associadas a doenças mentais, em pes-
soas que podem ou não ter uma deficiência in-
Portador de Deficiência: A palavra portador não telectual. São pacientes com sofrimento psíquico
deve ser usada porque: 1) Pessoas não carregam suas associado a quadros de depressão, síndrome de
deficiências nas costas, necessariamente, como um pânico, esquizofrenia etc.
fardo e, de vez em quando, descansam delas para
obter a garantia de algum direito ou de um simples Visão Subnormal: Termo inadequado. O certo é
desejo, como conseguir um trabalho melhor remu- baixa visão. A rigor, diferencia-se entre deficiên-
nerado, por exemplo; 2) Não se utilizam expressões cia visual parcial (baixa visão) e cegueira (quando
como 'portador de olhos azuis', porque se alguém a deficiência visual é total).
nasce com olhos azuis é impossível dissociarmos a
cor de seus olhos de sua constituição de pessoa.

Portador do Vírus HIV / da Aids: Assim como


portador de deficiência, essa é uma expressão ina-
dequada que a mídia insiste em utilizar. No caso do
HIV/Aids, para evitar uma conotação preconcei-
tuosa, aconselha-se usar "pessoa vivendo com HIV"
ou "soropositiva" ou ainda "pessoa vivendo com
Aids", já que estar infectado pelo vírus HIV não sig-
nifica necessariamente ter a doença Aids.

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Ilustrações de Ariel Fajtlowicz

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