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Infecção Hospitalar e Indenização Civil

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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 903.258 - RS (2006/0184808-0)

RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI


RECORRENTE : FABRÍCIO KICHALOWSKY DE OLIVEIRA
ADVOGADOS : ANNA MARIA DA TRINDADE DOS REIS
FRANCISCO A FRESINA NETO
RECORRENTE : HOSPITAL MOINHOS DE VENTO
ADVOGADO : MARIA LUIZA AHRENDS E OUTRO(S)
RECORRIDO : OS MESMOS
INTERES. : MANOEL PITREZ FILHO
ADVOGADO : ROGÉRIO SPERB BECKER E OUTRO(S)
INTERES. : LABORATÓRIO WEINMANN LTDA
ADVOGADO : HEITOR DA GAMA AHRENDS E OUTRO(S)
EMENTA

RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. INFECÇÃO HOSPITALAR.


SEQÜELAS IRREVERSÍVEIS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. CULPA CONTRATUAL.
SÚMULA 7. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. DANO MORAL. REVISÃO DO VALOR.
JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. DATA DO
ARBITRAMENTO. REDUÇÃO DA CAPACIDADE PARA O TRABALHO. PENSÃO
MENSAL DEVIDA.
1. Não cabe, em recurso especial, rever a análise da prova para afastar a conclusão
do acórdão recorrido de que a infecção de que padeceu o autor teve como causa a
internação hospitalar (Súmula 7).
2. Em se tratando de infecção hospitalar, há responsabilidade contratual do hospital
relativamente à incolumidade do paciente e "essa responsabilidade somente pode
ser excluída quando a causa da moléstia possa ser atribuída a evento especifico e
determinado" (REsp 116.372/MG, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO
TEIXEIRA, QUARTA TURMA, DJ 2.2.1998).
3. "Não cabe a denunciação quando se pretende, pura e simplesmente, transferir
responsabilidades pelo evento danoso, não sendo a denunciação obrigatória nos
casos do inciso III do art. 70 do Código de Processo Civil, na linha da jurisprudência
da Corte" (REsp 302.205/RJ, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES
DIREITO, TERCEIRA TURMA, DJ 4.2.2002).
4. Admite a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, excepcionalmente, em
recurso especial, reexaminar o valor fixado a título de indenização por danos
morais, quando ínfimo ou exagerado. Hipótese, todavia, em que o valor foi
estabelecido na instância ordinária, atendendo às circunstâncias de fato da causa,
de forma condizente com os princípios da proporcionalidade e razoabilidade.
5. É devido o pensionamento vitalício pela diminuição da capacidade laborativa
decorrente das seqüelas irreversíveis, mesmo estando a vítima, em tese, capacitada
para exercer alguma atividade laboral, pois a experiência comum revela que o
portador de limitações físicas tem maior dificuldade de acesso ao mercado de
trabalho, além da necessidade de despender maior sacrifício no desempenho do
trabalho.
6. A correção monetária deve incidir a partir da fixação de valor definitivo para a
indenização do dano moral. Enunciado 362 da Súmula do STJ.
7. No caso de responsabilidade contratual, os juros de mora incidentes sobre a
indenização por danos materiais, mesmo ilíquida, fluem a partir da citação.
Documento: 15300538 - EMENTA / ACORDÃO - Site certificado - DJe: 17/11/2011 Página 1 de 2
Superior Tribunal de Justiça
8. A indenização por dano moral puro (prejuízo, por definição, extrapatrimonial)
somente passa a ter expressão em dinheiro a partir da decisão judicial que a
arbitrou. O pedido do autor é considerado, pela jurisprudência do STJ, mera
estimativa, que não lhe acarretará ônus de sucumbência, caso o valor da
indenização seja bastante inferior ao pedido (Súmula 326). Assim, a ausência de
seu pagamento desde a data do ilícito não pode ser considerada como omissão
imputável ao devedor, para o efeito de tê-lo em mora, pois, mesmo que o quisesse,
não teria como satisfazer obrigação decorrente de dano moral, sem base de cálculo,
não traduzida em dinheiro por sentença judicial, arbitramento ou acordo (CC/1916,
art. 1064). Os juros moratórios devem, pois, fluir, no caso de indenização por dano
moral, assim como a correção monetária, a partir da data do julgamento em que foi
arbitrada a indenização, tendo presente o magistrado, no momento da mensuração
do valor, também o período, maior ou menor, decorrido desde o fato causador do
sofrimento infligido ao autor e as consequências, em seu estado emocional, desta
demora.
9. Recurso especial do réu conhecido, em parte, e nela não provido. Recurso
especial do autor conhecido e parcialmente provido.

ACÓRDÃO

A Turma, por maioria, conheceu em parte e, nesta parte, negou


provimento ao recurso especial do Hospital Moinhos de Vento, e conheceu e deu
parcial provimento ao recurso especial de Fabrício Kichalowsky de Oliveira, nos
termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Votou vencido parcialmente o Sr. Ministro
Luis Felipe Salomão, que divergia em relação ao termo inicial da fixação dos juros.
Os Srs. Ministros Antonio Carlos Ferreira, João Otávio de Noronha e
Raul Araújo votaram com a Sra. Ministra Relatora.
Brasília (DF), 21 de junho de 2011 (Data do Julgamento)

MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI


Relatora

Documento: 15300538 - EMENTA / ACORDÃO - Site certificado - DJe: 17/11/2011 Página 2 de 2

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