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Movimentos Populacionais e Estrutura Demográfica

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Movimentos populacionais

O deslocamento de pessoas entre países, regiões e cidades é um fenômeno antigo, amplo


e complexo, envolve as mais variadas classes sociais e culturas. Os motivos que levam a tais
deslocamentos são diversos e apresentam consequências positivas e negativas, dependendo das
condições e dos contextos socioeconômicos, culturais e ambientais em que ocorrem.
Existem causas religiosas, naturais, político-ideológicas, psicológicas, além dos conflitos
bélicos, entre outras, associadas a esses movimentos populacionais. O que se verifica ao longo
da História é que predominam os fatores de ordem econômica. Nas áreas de repulsão
populacional, muitas vezes observam-se crescente desemprego, subemprego e baixos salários;
já nas áreas de atração populacional, vislumbram-se melhores perspectivas de trabalho e salário
e, portanto, melhores condições de vida. É o caso da emigração em direção aos países-membros
da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com destaque para os
Estados Unidos, Canadá, Japão, alguns países da Europa ocidental e Austrália.
Os movimentos populacionais são geralmente classificados em:
• voluntário – quando o movimento é livre;
• forçado – como nos casos de escravidão e de perseguição religiosa, étnica ou política;
• controlado – quando o Estado controla numérica ou ideologicamente a entrada e/ou saída de
migrantes.
Qualquer deslocamento de pessoas acarreta consequências demográficas, como o
aumento no número de habitantes nas áreas de atração e a diminuição nas de repulsão. Há ainda
as influências em relação à língua, à religião, à culinária, à arquitetura, às artes e tradições em
geral, que costumam ser positivas, pois os movimentos migratórios promovem a troca e o
enriquecimento cultural por causa dos diferentes valores em contato.
Em 2015, segundo dados da ONU, cerca de 244 milhões de pessoas residiam fora de seu
país de origem, o que superava o total da população brasileira daquele ano (204 milhões) e
equivalia a cerca de 3% da população mundial, percentual que duplicou desde 1970.
A maioria dos migrantes internacionais tem origem nos países de renda média (157 milhões
em 2015) e a maior parte deles passa a viver em países de renda elevada. Segundo o International
Migration Report 2015, a Europa é a maior receptora de imigrantes (76 milhões), seguida pela
Ásia (75 milhões) e pela América do Norte (54 milhões). Por países, como veremos, o que mais
recebe imigrantes são os Estados Unidos (47 milhões).
Em muitos casos, os emigrantes são responsáveis por importante ingresso de capital em
seus países de origem. Em 2014, eles repatriaram cerca de US$ 436 bilhões, com a intenção de
ajudar suas famílias ou de ter poupança que lhes permitisse regressar no futuro; por outro lado,
os países de onde saem os emigrantes enfrentam a perda de trabalhadores, muitos deles
qualificados, que poderiam contribuir para o crescimento econômico e para a melhoria das
condições de vida da população local.
No fim de 2014, havia no mundo 59,5 milhões de pessoas deslocadas de seu lugar de
origem por perseguição e 38,2 milhões refugiadas em seu próprio país de origem. Os países que
mais originaram refugiados no ano de 2014 foram a Síria (3,9 milhões), o Afeganistão (2,6 milhões)
e a Somália (1,1 milhão).
Segundo o Estatuto do Refugiado, elaborado durante uma convenção da ONU realizada
em 1951, “Um refugiado ou uma refugiada é toda pessoa que, por causa de fundados temores de
perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou
opinião política, encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não
pode ou não quer regressar ao mesmo”.
Adaptado de: LA AGENCIA DE LA ONU PARA LOS REFUGIADOS (ACNUR).
Tendencias globales: desplazamiento forzado en 2014.
Disponível em: Acesso em: 11 mar. 2016.

Estrutura da população
A estrutura da população mundial deve ser analisada considerando-se seus diversos
aspectos. A distribuição por sexo, número, idade, ocupação, renda, educação, saúde e outros
indicadores que expressam os aspectos quantitativos e qualitativos da organização social são
importantes para ações de planejamento de investimentos, tanto governamental quanto privado.
Para fins didáticos, vamos dividir o estudo da estrutura da população em quatro categorias,
que nos mostram informações sobre demografia, atividade econômica e qualidade de vida.
• número, sexo e faixa etária dos habitantes: esses dados, obtidos pelo censo demográfico, são
expressos por um gráfico chamado pirâmide etária;
• distribuição da população economicamente ativa (PEA) nos setores de atividades econômicas
(primárias, secundárias e terciárias);
• distribuição da renda e do consumo;
• crescimento econômico e desenvolvimento social.
Pirâmide etária A pirâmide etária, ou pirâmide de idades, é um gráfico que mostra o número
de habitantes (em números absolutos ou relativos) e sua distribuição por sexo e idade. Pode
retratar dados da população mundial, de um país, estado ou município. Sua simples visualização
permite inferir informações referentes à natalidade e à expectativa de vida da população. Observe
o esquema a seguir.
Até a década de 1960, era possível classificar o nível de desenvolvimento de um país
observando-se apenas sua pirâmide etária. Os países em desenvolvimento – com poucas
exceções, como a Argentina e o Uruguai – apresentavam altas taxas de natalidade e baixa
expectativa de vida, caracterizando uma pirâmide com aspecto triangular. No entanto, com o
intenso processo de urbanização e melhores resultados do planejamento familiar, muitos países
em desenvolvimento – como o Brasil – passaram a apresentar alta redução das taxas de
natalidade e significativo aumento na esperança de vida.
Desse modo, não se pode mais caracterizar as condições de desenvolvimento de um país
apenas pela análise de sua pirâmide etária. Essa classificação exige um estudo mais complexo,
que considere vários indicadores sociais e econômicos, como vem sendo feito pela ONU desde
1990, com o Índice de Desenvolvimento Humanos.
Ao observar uma pirâmide etária, é necessário considerar, ainda, a história da população
recenseada, para conhecer a causa de alguma configuração incomum no gráfico. Veja o exemplo
na pirâmide da Rússia a seguir. Esse país, durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945),
sofreu muitas baixas de jovens com idade aproximada de vinte anos. Ademais, sua natalidade foi
pequena nesse período. É possível observar tudo isso na irregularidade das barras da pirâmide
etária e, sobretudo, na diferença entre o número de homens e de mulheres.
População economicamente ativa
As atividades secundárias (industriais e de construção civil) e terciárias (comércio, serviços
e administração pública) tradicionalmente são classificadas como urbanas e as atividades
primárias (agrícolas, garimpo, pesca artesanal), como rurais.
A modernização da produção agrícola, dos sistemas de transporte e de telecomunicação,
verificada atualmente em diversas regiões, favoreceu a industrialização e a oferta de serviços no
campo.
Nas agroindústrias, as atividades secundárias (operação e manutenção das máquinas) e
terciárias (informática, marketing, etc., muitas vezes realizadas em escritórios localizados nas
cidades) têm empregado maior número de pessoas do que as primárias (preparo do solo, plantio
e colheita).
Também o setor industrial passou por muitas transformações ao longo das últimas décadas.
Até o fim dos anos 1970 e começo dos 1980, a maioria dos funcionários das indústrias trabalhava
na linha de montagem, operando e cuidando da manutenção das máquinas, embalando produtos
e realizando diversas outras atividades mecânicas e repetitivas.
Atualmente, nas indústrias de alta tecnologia, a linha de montagem tem elevados índices
de robotização e informatização e, por isso, utilizam um número reduzido de trabalhadores.
Já as atividades administrativas, jurídicas, de publicidade, vendas, alimentação, segurança,
limpeza e várias outras empregam um número crescente de mão de obra. Assim, a maioria dos
empregados das indústrias de alta tecnologia está, na realidade, prestando serviços.
Em razão da crescente inter-relação das atividades econômicas, as estatísticas que
mostram a distribuição da PEA nos três setores da economia (primário, secundário e terciário),
ainda muito utilizadas, já não dão conta de analisar a complexidade da realidade atual.
Considerando essas mudanças, muitos institutos de pesquisa que coletam dados em escala
mundial agrupam as atividades econômicas em três setores: agropecuária, indústria e serviços.

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