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Padrões de Relato ESG para PME Exportadoras

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Handbook

Programa ESG para PME Exportadoras:


Sensibilização e Capacitação
Desenvolvimento e Produção:

Instituto de Conhecimento da Abreu Advogados

Prof. Dr. Lucila de Almeida

Colaboração:

Dr. José Eduardo Martins

Eng. João Pedro Matos Fernandes

Instituição de Promoção:

AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

1
Módulo 3 – Como reportar? Os vários ESG Reporting Standards

Material escrito:

Porque é que as normas e padrões dos relatórios de sustentabilidade existem?

Os relatórios de sustentabilidade são a principal forma de como empresas comunicam publicamente


os seus impactos, riscos e oportunidades quanto aos temas do ESG a grupos interessados, como
investidores, colaboradores e clientes, para que cada um possa tomar decisões informadas.

Ao contrário da contabilidade financeira tradicional, os relatórios de sustentabilidade não funcionam


ainda com a mesma transparência, consistência e interoperabilidade. Atualmente, existem mais de
600 normas diferentes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade, iniciativas do sector,
enquadramentos e diretrizes em todo o mundo. Essa diversidade de normas e padrões podem tornar
a elaboração de relatórios de sustentabilidade um processo complexo, de investigação intensiva,
repetitiva e custosa, sobretudo para empresas exportadoras.

Para aumentar o processo de transparência, consistência e interoperabilidade entre os relatórios de


sustentabilidade em todo o mundo, houve então a necessidade da elaboração e amadurecimento de
normas e padrões de divulgação de sustentabilidade reconhecidos internacionalmente. Isso permite
que os grupos interessados no relatório de sustentabilidade, como os investidores, compreendam os
requisitos de divulgação e comparem as informações entre empresas. Por essa razão, é comum que
empresas, na introdução dos seus relatórios, informem qual a norma padrão de sustentabilidade estão
a adotar, o que implica - como veremos em breve – o qual amplo é a analise de materialidade da
empresa.

Quais são os padrões de relato de sustentabilidade reconhecidos internacionalmente?

Atualmente, existem cerca de 10 a 15 normas de relato da sustentabilidade estabelecidas


internacionalmente. Embora a sua importância relativa dependa do local onde a sua organização
exerce a sua atividade (ou está cotada na bolsa), todos os profissionais da área da sustentabilidade
devem ter conhecimento das seguintes normas, conhecidas mais pelas suas siglas: TCDF, CDP, SASB,
IFRS/ISSB, GRI e ESRS.

Primeiro, TFCD - Task Force on Climate-related Financial Disclosure – e CDP – carbon disclosure project,
são exemplos de normas internacionais com enfoque na parte Ambiental do ESG. No CDP, as empresas
divulgam informações preenchendo um ou todos os três questionários do CDP sobre alterações
climáticas, florestas e segurança da água, incluindo um quarto módulo opcional de comunicação da
cadeia de abastecimento. Já o TCFD orienta as empresas na divulgação dos riscos financeiros
relacionados com o clima aos investidores, mutuantes, seguradoras e outras partes interessadas. Em
2024, a TCFD está a ser integrada nas normas do ISSB.
Segundo, o SASB - Sustainability Accounting Standards Board - desenvolve e fornece normas de relato
de sustentabilidade específicas do sector que acompanham e são mais importantes do ponto de vista
financeiro para os investidores. Em 2021, o SASB fundiu-se com o IIRC (International Integrated

2
Reporting Council) para criar a Value Reporting Foundation. Mais recentemente assim como o TCFD, o
SASB e está a proceder à integração nas novas normas de relato da sustentabilidade do ISSB.

Terceiro, o IFRS - International Financial Standards - foi criado em 2022 pelo Conselho Internacional de
Normas de Sustentabilidade (ISSB) para servir como um formato global para relatórios de
sustentabilidade e clima que atenda às necessidades de CFOs e investidores. Os primeiros padrões
IFRS S1 e S2 foram lançados em junho de 2023. Embora mais recentes, dado o papel de influência das
IFRS nos relatórios financeiros, estas normas deverão ajudar a ligar as informações dos relatórios de
sustentabilidade às demonstrações financeiras e à contabilidade de uma empresa. As empresas são
aconselhadas a começar a seguir as normas ISSB e a fazer divulgações relevantes em 2025.

Quarto, o GRI - A Global Reporting Initiative (GRI) criou, em 1997, as primeiras normas globais de
medição da sustentabilidade e do impacte social. As mais recentes normas GRI fornecem três
conjuntos (económico, ambiental e social) de 34 normas temáticas específicas para ajudar as empresas
a comunicar as questões ESG relevantes aos seus investidores e outras partes interessadas.
Quinto e últimos, temos o ESRS - European Sustainablity Reporting Standards - que as normas
aprovadas pela comissão europeia em 2023, como estabelecido pelo CSRD – Corporate Sustainability
Directive -, e são normas obrigatórias para todas as empresas que tem a obrigação de reportar de
acordo com a CSRD. Discutiremos com mais detalhes o ERSD durante esse curso.

Ao comparar as normas padrões de relato de sustentabilidade reconhecidas internacionalmente, essas


se diferenciam de acordo com o os temas relevantes a reportar – desde normas que se preocupam
com apenas uma sigla do ESG às que incorporam questões sociais e de governação. A normas também
se distinguem pelas diferentes perspetivas de materialidade – desde daquelas que privilegiam a
materialidade financeira até as que adotam a dupla-materialidade.

Quais as normas de relato de sustentabilidade que importam para as vossas empresas?

O impulso para a normalização está finalmente em curso entre muitos governos e organismos de
normalização como o CDP, o GRI, o ESRS e o ISSB da Fundação IFRS (mais sobre estes abaixo) - o que,
espera-se, aproximará o sector das normas universais para a elaboração de relatórios de
sustentabilidade.

Enquanto não existe uma harmonização, deve ser considerado o ESRS – European Sustainability
Reporting Standard – como padrão obrigatório para as empresas com obrigação de divulgar relatos de
sustentabilidade na Europa. Esse será o padrão que terá predominância para as empresas europeias.

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