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OOP

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Mia Navisha
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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— Hum… preciso de pistas — peço, levando os braços para trás e

abraçando sua cintura.


Escuto-a rir.
— Sou a sua pessoa preferida.
— Tem certeza disso? Porque ela está em casa nesse momento me
xingando por não ter ligado para ela ainda.
— É sério que não ligou pra mamãe ainda? — pergunta indignada e
tira as mãos dos meus olhos.
— Vou ligar para ela agora, Bonequinha — prometo, abrindo meus
contatos e disco o número de casa.
— Por isso sou a filha preferida. — Aponta o dedo indicador bem
rente ao meu rosto.
Em um ato bem infantil, mostro minha língua para ela.
— Alô — meu pai me cumprimenta do outro lado da linha.
— Oi, pai. Tudo bem, por aí? — Coloco a ligação no viva-voz para
que Hanna possa escutar também.
— Aaron? — pergunta confuso.
— Sim, quem mais seria? — pergunto e vejo Hanna rir da minha
resposta.
— Sei lá, achei que fosse engano.
— Por que achou isso? — Olho com dúvida para o celular.
— A única que lembra que tem pais é a minha princesa — responde,
fazendo-a rir de mim.
Foco meus olhos em Hanna e a sem-vergonha tem uma expressão de
vitória.
— Essa doeu, hein — digo, levando a mão ao peito.
— O quanto? — ele pergunta do outro lado da linha como se não se
importasse.
O que está acontecendo?
Será que o magoei de verdade?
Sei que tenho sido bem relapso com relação a manter contato com os
meus pais, uma coisa que prometi que melhoraria depois das férias de fim
de ano.
Merda.
Estou prestes a respondê-lo e pedir desculpas, quando Hanna me
interrompe.
— Ele está fazendo biquinho, papai. Acho que vai chorar — conta,
levando a mão à boca, tampando sua risada.
— É sério? Quanto tempo? — pergunta e vejo Hanna olhar no celular.
— Dois minutos — responde
— Isso! — comemora. — Sua mãe está me devendo dez dólares,
então. — Sua voz muda de séria para brincalhona em questão de segundos.
Hanna gargalha tanto que suas bochechas ficam vermelhas pelo
esforço
Espera aí.
Eles apostaram?
— Que história é essa de dez dólares? — pergunto sem entender nada.
— Papai e mamãe queriam pregar uma peça em você. — Minha
irmãzinha conta depois que seu ataque de riso é amenizado.
— Você e a mamãe são maus — digo, encarando o celular. — Quase
me fizeram chorar.
— Até parece — meu pai ri de mim.
— Estou falando sério! Acho que meus olhos estão até molhados
agora. — Finjo fungar
— Pare de história e me conte como foi o jogo de hoje — pede bem
animado.
Meu pai ama hóquei. Foi com ele que aprendi a amar o esporte.
— Foi incrível, papai! — contamos a ele como foi a partida de hoje,
tirando a briga que acabei me envolvendo e a ressaca que estou por ter
bebido ontem.
— Que bom, filho — consigo sentir o orgulho em sua voz. — Sua mãe
e eu estamos vendo se conseguimos ir ao seu próximo jogo.
— Seria ótimo, pai — afirmo.
Conversamos por mais alguns minutos, quando ele avisa que precisa
desligar, mas não antes de mandarmos um beijo para a nossa mãe, que não
está em casa nesse momento.
— E você, hein, pestinha? — Apoio o meu braço em seu ombro e a
puxo em minha direção. — Estava junto com eles nessa pegadinha, não é?
— Mas é claro. — Me abraça pela cintura. — Queria ver sua cara de
bebê chorão. — Rindo, aperto sua cintura em uma cosquinha. — Não
começa. — Bate em minha mão repetidas vezes. — Sabe o quanto isso me
irrita.
— Por que acha que faço?
— Idiota. — Dá um tapa em meu peito.
Rindo, passo a mão no lugar atingido, enquanto seguimos em direção
aos nossos amigos que nos esperam em frente ao elevador e aprecio esse
momento com minha irmãzinha.
Desde que ela começou a namorar e conquistar Holly passou a ser o
meu foco, não passamos tanto tempo juntos. E parando pra pensar agora,
sinto falta desses momentos com ela.
Quando voltarmos para casa e nossas agendas coincidirem, a
convidarei para sair.
Só nós dois.
Irmãos Carson.
— Vocês demoraram — Simon diz assim que nos aproximamos.
— Estávamos conversando com o nosso pai — digo, desfazendo meu
abraço de Hanna e vendo-a ir em direção ao namorado que a envolve pela
cintura e beija sua cabeça. — Já resolveram tudo? — pergunto, caminhando
até Holly e repetindo o mesmo movimento de Liam.
Ela me olha por cima do ombro, e quando acho que vai dizer alguma
coisa, ela se aconchega mais em meus braços.
Pode parecer loucura da minha cabeça, mas estou sentindo que algo
mudou entre nós dois, e algo me diz que isso tem a ver com o que
conversamos ontem. Agora só me basta lembrar o que dissemos um para o
outro.
Nunca me arrependi tanto de ter esquecido algo como agora.
— Prontos para subir então? — Genna pergunta parada ao lado de
Maddy.
— Vamos logo que quero tirar esses saltos. — A ruiva aponta para o
pé.
Concordando com ela, chamamos o elevador para podermos subir.

Estamos sentados em roda, quando Simon tem uma brilhante ideia.


Só que não.
— Vamos jogar Eu nunca?
Encosto minhas costas na beira da cama e pego um saquinho de
chocolate colorido.
— Por que vocês gostam de jogar essas coisas, hein? — pergunto,
jogando um pouco de doce em minha boca.
— Porque sempre que jogamos acontece alguma coisa legal — Genna
é quem responde.
— Verdade — Maddy concorda. — Nosso primeiro jogo formou um
casal. — Aponta na direção em que Liam e Hanna estão sentados.
— E da última, acabamos com uma tatuagem — Genna relembra.
— Mas quando fizemos as tatuagens não foi por causa do jogo. —
Bennett para a garrafa de cerveja a centímetros de seus lábios para falar.
— Foi por causa da bebida — respondo, olhando para todos eles.
— Eu acabei com duas. — Holly levanta o braço em que tatuou uma
cobra.
— Já te disse o quanto acho essa sua tatuagem sexy? — pergunto,
pegando sua mão e beijando a parte interna do seu pulso.
— Não que eu me lembre. — Faz um carinho em meu rosto.
Abro um sorriso, e com nossas mãos ainda entrelaçadas uma na outra,
volto a prestar atenção nos meus amigos.
— Mas qual é a graça de brincar sóbrio? — Simon pergunta.
— Nenhuma! — Genna grita, levantando os braços para cima.
Tirando Harry, Hanna, Holly, Liam, e eu, os outros integrantes desse
quarto estão um pouco alterados por conta da bebida.
Meu melhor amigo até está bebendo algumas cervejas de vez em
quando, mas não está exagerando, assim como Holly. Eu, mesmo que esteja
me sentindo melhor do que mais cedo, ainda estou me recuperando da
ressaca de ontem. Já minha irmã e Harry, não gostam de beber. Então
sobrou para os quatro beberem por nós.
— Ah, qual é? — Genna faz um movimento brusco com a mão e
acaba derramando um pouco de bebida no chão. — Vamos jogar, vai —
pede. — Só estamos nós aqui e já conversamos tudo o que tínhamos para
conversar.
Olho para o relógio digital em cima da mesinha de cabeceira e noto
que já estamos há quase duas horas sentados aqui.
— Aceitem logo isso ou eles dois não nos deixarão em paz. — Holly
aponta para Simon e Genna e vem se sentar no meio das minhas pernas.
— Confortável? — pergunto, segurando em sua cintura.
— Agora sim. — Deita-se em meu peito e coloca a garrafa de cerveja
ao nosso lado.
A sensação de tê-la em meus braços é a melhor do mundo. Mesmo
nosso contato sendo constante, eu ainda sinto minha pele se arrepiar quando
ela me toca ou chega perto de mim. Agora mesmo, parece que tem milhares
de borboletas voando em meu estômago pelo simples fato de estarmos
juntos e abraçados.
Puxo seu corpo para mais perto, abraço sua cintura e volto a prestar
atenção em Simon.
— Certo, vamos começar. — Pega sua cerveja. — Eu nunca...
Interrompo-o antes que conclua.
— Não acha que está faltando algo?
— O quê? — pergunta confuso.
— As bebidas — Holly relembra. — Eles estão bebendo. — Aponta
para nós.
— Temos duas garrafas aqui. — Genna as levanta.
— Vocês já beberam tudo? — pergunto, encarando-os, abismado.
Pedimos um número considerável de cervejas e agora só sobraram
duas?
É oficial. Meus amigos são cachaceiros demais.
— Liam e você ficam com essas. — Simon pega mais bebidas, me
entrega uma e outra para o meu melhor amigo. — Harry e Hanna que não
bebem, dividem com alguém. — Resolve o problema e se ajeita.
— Vou dividir com você, gatinho. — Maddy se aproxima mais,
ficando com seus ombros colados. Mesmo que Harry nunca tenha bebido na
vida, esse acaba se tornando o momento em que ele irá beber, nem que seja
um gole.
Terei que ficar de olho nele para que não acabe derrubado.
— Certo, já que decidimos isso, vamos começar. — Genevieve bate
palmas animada. — Quem começa?
— Eu. — Simon levanta a mão. — Vou começar com uma leve, hein.
— Olha para cada um de nós. — Nunca fiz sexo.
Todos nós, tirando Harry que está com suas bochechas mais vermelhas
que os cabelos da mulher sentada ao seu lado, bebemos um gole.
— Jura, gatinho? — Maddy pergunta.
Um pouco tímido, ele afirma com a cabeça.
— Algum motivo especial? — o cara de pau do Simon pergunta.
— A-ah — engole em seco. — N-nunca tive am-amigos até vocês
chegarem, q-quem dirá garotas. — Desvia o olhar.
Holly percebendo que o amigo está se sentindo envergonhado, se
debruça sobre minha perna e toca em sua mão.
— Melhor assim, baby Yoda. — Faz um carinho. — Você é precioso
demais. Precisa de uma garota incrível nesse momento.
— Isso aí, gatinho. — Maddy o abraça pelo pescoço e vejo o exato
momento em que o garoto fica vermelho.
Ela ainda vai matar esse garoto.
— Próxima — peço, tirando o foco dele. — Quem vai?
— Eu! — Genna levanta a mão. — Eu nunca transei em um carro.
As mesmas pessoas bebem de novo.
Estou engolindo minha cerveja, quando vejo Hanna beber, e acabo
engasgando-me.
— Q-que isso, bonequinha? — rindo, Holly bate em minhas costas até
que consiga me desengasgar. — Está me ajudando ou me espancando,
Carma?
— D-desculpa. — Se joga para trás enquanto ri. — Mas sua cara de
idiota está muito boa.
— Engraçadinha. — Faço cócegas em sua barriga.
— Para com isso. — Bate em minha mão para que eu cesse o ataque.
— Irei parar porque quero e não porque me pediu — digo, me
ajeitando. — Agora você. — Me viro em direção a minha irmã. — Que
história é essa de transar em um carro?
— Qual é o problema? — Me encara com a cara mais lavada do
mundo.
— Qual é o problema? — repito suas palavras. — E se alguém tivesse
visto você em condições comprometedoras? — pergunto um pouco
exaltado.
— Estávamos em uma mata fechada — conta como se fosse normal.
— Meu Deus, estão desvirtuando minha bebezinha. — Passo as mãos
em meus cabelos e os puxo. — Liam, seu cuzão. Eu vou te matar. — Pego
um travesseiro atrás de mim e jogo em sua direção.
Meu amigo consegue pegar antes que o atinja no rosto.
— Para com isso que você fez coisa pior. — Acusa.
— Fez? — Maddy pergunta curiosa.
— Uma roda-gigante que o diga — Hanna é quem responde.
Com os olhos arregalados, olho em sua direção.
Me pergunto como ela sabe disso.
Estou prestes a perguntar isso a ela, quando a risada de Holly já me
responde.
— Bocuda — sussurro em seu ouvido.
— Não sabia que era segredo. — Passa a língua em volta no gargalo
da garrafa enquanto me encara.
Sua simples ação faz meu pau pulsar dentro da calça.
— O que você está fazendo?
— Eu? Nada. — Se faz de inocente.
— Sei — a encaro com os olhos franzidos para depois voltar minha
atenção para o jogo. — Quem será o próximo?
— Eu vou — Genna levanta a mão mais uma vez.
— De novo? — Liam pergunta a encarando.
— Estão demorando demais. — Dá de ombros. — Eu nunca tive
vontade de fazer um ménage.
Vejo Simon, Bennett, Maddy e Holly beberem.
— Não — dou uma risadinha e me levanto. — Você não tem vontade
não.
— Tenho sim — Holly rebate e se levanta também. — Seria
maravilhoso ter duas pessoas me comendo ao mesmo tempo. — Aproxima-
se e me lança um olhar desafiador.
Nossos rostos estão tão próximos que nossa respiração se mistura.
— Vou te mostrar que sou o único que sabe te comer do jeito que você
gosta. — Me abaixo, a segurando pelas pernas, apoio em meus ombros e
vou em direção a porta.
— O que está fazendo? — ri e grita ao mesmo tempo.
— O deveria ter feito desde que cheguei aqui. — Digo. — Qual é o
número do meu quarto novo, Bennett? — Caminho em direção a porta.
— Número 1313. A chave está aí em cima. — Aponta para a mesa ao
lado da porta.
Pego o cartão magnético e sigo em direção a saída, mas acabo tendo
uma ideia antes de sair, então volto para perto dos meus amigos, e com
Holly ainda em meus ombros, pego o copo cheio de gelo intocado que veio
com a garrafa de água de Harry.
— Irei ficar com isso — digo balançando o copo em frente ao seu
rosto.
— O que você está fazendo? — Holly pergunta.
— Já disse, Linda — digo virando o rosto e dando uma mordida em
sua bunda. — Agora poupe sua voz, querida. Porque hoje você irá gritar. —
Prometo.
Saio do quarto, mas antes que a porta se feche, consigo escutar Simon
dizer:
— Melhor não se aproximarem do quarto deles hoje à noite, pessoal.
A porta bate atrás de mim e sigo até meu destino.
Emoções não são as mesmas se não são por você, não entendo

Desde o início

Você teve esse efeito em mim

Tudo que eu quero é você, ooh

Eu digo isso tão literalmente

Ninguém manda tão bem como você


No Sense – Justin Bieber

Jogo seu corpo em cima da cama e a encaro.


— Você gosta de brincar comigo, não é?
— Um pouco — responde e percebo sua respiração desregular.
— Eu diria que é a sua parte preferida do dia. — Repito as mesmas
palavras que me disse a um tempo atrás.
Sorrindo, ela se ajoelha na cama e engatinha em minha direção como
uma gata selvagem.
— Tenho que concordar com isso — fica de joelhos à minha frente e
apoia suas mãos em meus ombros. — Quando desafiado, você fica mais
gostoso ainda. — Morde meu queixo e esse simples ato reflete em meu pau,
que lateja em contentamento.
Holly desce suas mãos pelo meu peito e as repousa bem em cima do
meu coração, e o sinto bater em um ritmo acelerado. Me pergunto se ela
consegue senti-lo, mesmo que seu toque seja tão leve em minha pele.
— Creio que isso te agrada bastante, não é? — entranho minha mão
nos cabelos de sua nuca e o puxo de leve, inclinando seu rosto em minha
direção.
— É sempre um prazer te provocar. — Sua respiração ofegante e
morna bate em meu rosto.
Holly faz força para aproximar seus lábios dos meus e passa a ponta
de sua língua bem de levinho neles. Cansado de esperar, tomo seus lábios
no meus. Busco sua língua com avidez, tentando marcar seu gosto em mim.
Nosso beijo é faminto e nesse momento eu a beijo com todo o meu corpo,
desejando que assim ela entenda o quanto preciso do seu toque nesse
momento.
Todo o meu corpo ferve de uma maneira surpreendente e aos poucos,
sinto uma pequena explosão ganhar forma dentro de mim, até se concentrar
em meu ventre.
Sinto suas mãos delicadas e macias acariciarem todo o meu corpo e
deixo que ela aproveite esses minutos de dominância sobre mim.
Seus beijos descem da minha bochecha até meu pescoço, enquanto
passo minhas mãos levemente por todo o seu braço, mas quando ela suga a
pele sensível da minha garganta com força, aperto sua bunda e a trago mais
para perto, fazendo com que sinta o quanto estou duro nesse momento.
— Me marcando mais uma vez, Linda? — a puxo pelos cabelos para
que olhe em meus olhos.
— Sei que gosta de andar com a minha marca por aí — sua mão segue
pela minha coxa e quando chega no meu pau, ela o aperta bem firme por
cima da calça, me fazendo gemer.
— A exibo com muito prazer. — Seguro em seu queixo e o mordo
com um pouco mais de força do que quando fez comigo. — Gosto que
saibam que tenho dona. — Livro sua nuca do meu agarre e levo as mãos até
sua cintura. — Assim como quero que saibam que você tem um dono, que
já disse uma vez e irá repetir novamente que não irá dividi-la com mais
ninguém. — Apoio meu joelho no colchão e lentamente deito seu corpo na
cama. — Você é minha, Holly. Toda minha.
Estou prestes a apoiar minhas mãos no colchão e tomá-la como minha,
quando sinto gotas de água gelada, molhar uma delas, e ao olhar para ela,
percebo que ainda seguro o copo de gelo que peguei antes. Me afasto um
pouco de seu corpo, coloco o copo em cima da mesinha cabeceira e volto a
ficar em cima dela mais uma vez.
— O que pretende fazer com aquilo? — pergunta apontando para o
copo.
— Sem perguntas, Linda — seguro suas mãos e as levo acima de sua
cabeça e desço meu rosto em direção a seu ouvido. — Não tenho com o que
te amarrar hoje, então quero que seja uma garota obediente e as mantenha
exatamente desse jeito. — Sussurro próximo a sua orelha e mordo o lóbulo.
— O que garante que irei te obedecer? — me desafia enquanto remexe
o corpo abaixo do meu.
— A promessa de que farei você gozar como nunca. — Chupo a pele
do seu pescoço sem usar muita força para não a marcar.
— Prometo que não irei me mexer — passa a fazer um carinho em
minha panturrilha com os dedos dos seus pés.
Holly estremece abaixo de mim quando seguro na barra de sua blusa e
começo a levantá-la, e aos poucos, vou revelando desde a pele lisa de sua
barriga até seus seios livres do sutiã, até livrá-la da peça de uma vez.
Meu corpo vibra e sinto meu pau pulsar com a imagem a minha frente.
Desço meu rosto em direção aos seus seios e sugo o mamilo com
vontade, rodeando minha língua em volta do mamilo, o endurecendo e o
fazendo ficar mais sensível a um simples toque. Holly se contorce abaixo de
mim quando direciono minha atenção ao outro seio, repetindo o mesmo
tratamento que antes.
— Quietinha, linda — peço enquanto seguro em sua cintura a
mantendo parada e desço beijando e mordiscando a extensão se sua pele até
chegar ao cós de sua calça. — Acho que já está na hora de nos livrarmos
disso. — Mordo bem abaixo do seu umbigo e acabo sorrindo quando a
escuto gritar.
Abro o botão de sua calça e passo a descê-la junto de sua calcinha, a
deixando nua a minha frente, deixando sua boceta lisa à mostra para mim.
É inevitável o sorriso que nasce em meu rosto quando vejo seu prazer
escorrer pela carne macia até se perde em seu anus. Sinto uma vontade
gritante de me enterrar bem fundo em sua boceta, mas terei que esperar o
momento certo para isso.
Tiro minha camisa, a jogando em algum lugar do quarto, e me ajoelho
ao pé da cama. Passo um dos meus braços por de baixo de sua cintura e a
puxo em minha direção, deixando sua boceta bem próxima ao meu rosto,
consigo sentir seu cheiro delicioso. Aproximando meu rosto, passo meu
nariz levemente pelos lábios inchados.
— Deus — geme movimento seu quadril em direção ao meu rosto.
— Quietinha. — Peço beijando sua virilha e sujando a pele fina e
sensível.
Holly geme, mas se mantém parada no lugar.
Encerrando a tortura, separo os lábios inchados e pulsantes de sua
boceta, e passo minha língua desde sua entrada até seu clitóris. Suspiro,
satisfeito ao sentir seu gosto tocar minha língua. E como um homem
sedento por água no deserto, a tomo para mim sugando cada pedacinho seu.
Sugo seu clítoris com força a fazendo urrar bem alto.
— Aaron... — tenta descer suas mãos para me tocar, mas a impeço, as
prendendo acima de sua cabeça de novo.
— O que eu disse antes, Anjo? — digo com nossos bem próximos um
do outro.
— Para não descer as mãos. — Responde.
— Isso mesmo — sugo seu lábio inferior. — Como desobedeceu a
minha ordem, você não poderá gozar agora. — Todo em sua boceta
encharcada, rodeando seu clitóris com meu polegar.
— Seu desgraçado — tenta me acertar com o joelho, mas consigo
prendê-lo a tempo.
Rindo, a vejo apertar suas pernas uma a outra, tentando aliviar o tesão
que sente. Sua pele ferve ao meu toque, então percebo que esse é o
momento perfeito para usar aquilo. Olho para a mesinha de cabeceira e vejo
que algumas pedras de gelo acabaram derretendo. Ficando de pé, estico
meu braço em direção ao copo e pesco um dos cubos usando os dedos
indicador e meio, o levo a boca e o prendo entre os lábios.
Subo na cama mais uma vez, seguro em sua cintura e ajeito seu corpo
para que fique confortável. Levanto meu rosto em direção ao seu, e dou de
cara com olhos brilhantes e nublados pelo tesão.
— Pronta? — aproximo nossos rostos e sinto sua respiração ofegante
de encontro ao meu rosto.
— Sim — sua voz é como uma brisa.
Com o cubo de gelo posicionado, beijos seus lábios quentes e o
contraste com os meus gelados, faz meu corpo tremer em aceitação. Desço
pelo seu pescoço, deixando um rastro até o vale entre seus seios, e quando a
pedra gelada fica pequena demais, a engulo, pego outra dentro do copo,
levo a boca e a passo envolta do seu mamilo, o deixando mais sensível do
que antes.
Com o gelo ainda preso em meus lábios, volto o caminho até o vale
entre seus seios, descendo por toda a extensão de sua barriga. Vejo o
músculo se contrair quando desço mais e deposito o pequeno cubo bem em
cima de seu umbigo.
Desço meus dedos até sua boceta e passo a estimular seu clitóris com
meu polegar enquanto a penetro lentamente com meus dedos.
— Gosta disso, Linda? — pergunto ao sentir sua boceta estrangular
meus dedos. — Mas é claro que gosta. — Aumento a pressão em seu
clitóris. — Olha como você devora meus dedos sem fazer esforço.
Começo o movimento de vai e vai bem lentamente. Aproveitando que
minha língua ainda está gelada, a passo em seu ventre, e sorrio satisfeito
quando ele geme meu nome.
— Você gosta de me torturar, não é?
O quarto é inundado pelos seus gritos de aprovação, meu pau está tão
duro que chega a doer. Sinto uma gota gelada escorrer pelo meu pescoço e
se perder em meu peito.
Provoco seu clítoris com meus dedos, e estou prestes a me abaixar em
direção a sua boceta, quando ela me para.
— Eu preciso de você agora mesmo. — Segura em meu pescoço e me
puxa para cima e se apossa dos meus lábios.
Holly toma posse dos meus lábios, sugando minha língua e
determinando o ritmo que seguiremos. Coloco uma das mãos entre nós, a
desço o zíper. Desfaço nosso beijo para tirar a calça, e quando me livro dela
junto a cueca, meu pau pula ereto.
— Como eu amo seu pau — envolve suas pernas em minha cintura e
me puxa para cima de seu corpo novamente. — Principalmente quando está
dentro de mim.
— Espero que esteja pronta para recebê-lo. — O seguro com uma das
mãos e passo a massagear seu clitóris. — Porque hoje irei te comer com
força. — Me afasto de seu corpo e tiro suas pernas da minha cintura. — De
quatro, Linda.
Sem esperar por uma reação sua, seguro em sua cintura, a virando de
bruços e levanto seu quadril na altura do meu pau.
Holly se ajeita na cama, fazendo questão de empinar ainda mais a
bunda. Aliso a pele macia e brilhante para logo em seguida dar um tapa
naquele rabo delicioso. A vejo exclamar em surpresa pelo ataque repentino,
enquanto seguro em cintura e a puxo para mais perto. Pincelo a cabeça do
meu pau em sua entrada, a fazendo gemer.
A provoco o máximo que meu auto controle consegue e sorrio
satisfeito quando a vejo rebolar ansiosa para me ter.
— Para de me torturar — mesmo sem olhá-la, sei que seus dentes
estão serrados um no outro.
Alinho meu pau em sua entrada, agarro sua cintura com as duas mãos
e me enterro bem fundo nela, sentindo sua boceta se abrir centímetro por
centímetro para me receber. Holly grita de prazer enquanto arruma sua
cabeça nos travesseiros a sua frente, e acaba empinando ainda mais sua
bunda, melhorando meu acesso a ela.
— Porra, como você é gostosa — digo, enquanto ela rebola, fazendo
as sensações melhorarem drasticamente.
Vou tirando meu pau lentamente de dentro de sua boceta, mal escuto
seus murmúrios abafados pelos travesseiros quando me enterro
profundamente nela mais uma vez.
Começo a estocar forte e fundo, saindo até quase o fim e a penetrando
novamente, a vendo rebolar, acompanho seu ritmo. Com uma das mãos,
seguro em seu pescoço, sentindo sua pulsação, botando um pouco de
pressão e a puxo para mim, colando suas costas ao meu peitoral suado.
Holly geme e sinto sua boceta estrangular meu pau.
— Você gosta de ser enforcada, não é sua putinha?
Em resposta, ela geme deitando sua cabeça em meu ombro,
aproveitando cada segundo. Coloco mais no aperto em seu pescoço
enquanto estoco com força. O som molhado dos nossos corpos colidindo, se
mistura com nossos gemidos em uma sinfonia de prazer que preenche todo
quarto.
O tesão se acumula em meu corpo e parece que se concentra todo em
minhas bolas, que ficam pesadas.
— Não para — ela implora.
— Nada será capaz de me parar agora, Linda. — Respondo, sem parar
de socar meu pau em sua boceta.
— Aaron, eu estou quase. — Levanta sua das mãos e a apoia em
minha nunca.
— Quero minha putinha gozando no meu pau.
Cada vez mais ela vai me esmagando da forma mais deliciosa
possível, viro seu rosto em direção ao meu, apertando sua bochecha com
meu dedo indicador e o polegar, a beijo com sede, engolindo todos os seus
gemidos, de uma forma faminta.
— Vou gozar. — Avisa já se desfazendo e encharcando meu pau ainda
dentro de sua boceta.
Solto seu pescoço, apoio sua cabeça no travesseiro enquanto continuo
estocando com força. As contrações de sua boceta acabam ajudando meu
ápice a vir mais rápido. Enterro meu pau bem fundo nela, puxando sua
cintura até que sua bunda esteja colada em minha virilha, sinto meu pau
inchar e me libero dentro dela.
Holly desaba na cama, sendo seguida por mim.
Nossas respirações estão ofegantes, o suor tomou conta de todo o meu
corpo e o cheiro de sexo exala pelo lugar. Parece que tem uma névoa
rondando meus olhos embaçados pelo clímax.
Ela geme em um claro pedido para que eu livre seu corpo do peso do
meu e muito a contra a gosto, saio de dentro de sua boceta, me jogo ao seu
lado e a envolvendo, a trago para mais perto de mim e a deito em meu
peito.
— Consegui tirar a ideia de fazer um ménage da sua mente, Linda? —
pergunto, enquanto faço carinho em seus cabelos úmidos pelo suor.
— Ménage? — inclina a cabeça para trás para me ver melhor. — Que
ménage? — Se faz de desentendida.
Sorrindo de sua resposta, a trago para mais perto e beijo sua cabeça.
— Boa garota — respondo, a fazendo rir também. — Obrigado por vir
a mais um jogo meu.
— Não vim por sua causa — contorna as linhas da minha tatuagem
com a ponta do dedo.
— Ah não? Então qual seria o motivo? — pergunto curioso.
— Vim pelos outros cinco jogadores gostosos. — Conta, me fazendo
rir.
Com dedos ágeis, passo a fazer cócegas na parte sensível de sua
cintura. Holly esperneia e estapeia meu ombro me mandando parar. Ainda
rindo, paro com o ataque e a acomodo em meus braços mais uma vez.
— Você é má comigo — pego sua mão repousada em meu peito e
brinco com seus dedos. — Até usou a blusa do Simon hoje.
Solta uma risada fraca e se aconchega mais em meus braços.
— O que posso fazer se ele é meu preferido? — pergunta com a voz
sonolenta.
Sorrindo de sua resposta, viro seu corpo de frente para o meu, colando
nossos peitos um ao outro, encaixo sua perna em cima da minha e passo a
acariciar a pele de suas costas lentamente.
Sinto seus cílios fazerem cócegas em meu peito. Aos poucos nossos
batimentos vão se acalmando e o relaxamento toma conta de nossos corpos.
E quando percebo, caímos no sono.
Onde eu posso ir quando você não se esconde?

Quem sou eu se não for visto através dos seus olhos?


Through Your Eyes – Jordan Critz

O Dia dos Namorados está chegando.


A época mais romântica de todos os tempos já é amanhã e tive a
brilhante ideia de fazer uma surpresa para Holly, bem em cima da hora.
Não que ela não merecesse, porque ela merece e muito.
O único problema, é que entre tantas opções de encontros, não consigo
escolher nenhuma.
Uma ida ao cinema?
Nem pensar. Desde que assistimos um filme juntos pela primeira vez,
passamos a fazer muito isso, inclusive, fomos a poucos dias ver um filme da
Marvel que ela ama, então não teria nada de novo e eu queria fazer algo
novo.
Sair para jantar?
Seria uma boa, mas onde? Todos os lugares que conheço ficam perto
do campus, e os outros já estão com a casa cheia.
— Droga — passo as mãos nos cabelos, me sentindo frustrado.
— O que está rolando aí? — Bennett pergunta assim que entra na
cozinha.
— Estou procurando um lugar legal para levar a Holly amanhã, mas
não consigo encontrar nenhum vago. — Jogo meu celular em cima da mesa.
— Por que não a leva para jantar fora? — caminha em direção a
geladeira.
— Acha que já não pensei nisso? — Aponto para o meu celular. —
Todos os restaurantes que conheço já estão lotados.
— Leva ela em outro, ué — dá de ombros enquanto abre a garrafinha
de água e toma bons goles.
— Onde?
— Ah, sei lá. — Seus olhos perdem o foco mostrando que está
pensando. — Que tal no Fauzzi?
— No Fauzzi? O restaurante mais caro que existe aqui? Jura Bennett?
— O encaro cruzando os braços. — Esqueceu que não tenho grana e que o
salário que ganho no instituto não paga nem o guardanapo de lá?
— Eu dou esse jantar para ela de presente — diz como se não fosse
gastar uma fortuna.
— O que? Por quê?
— Porque gosto dela, ué. — Responde simplesmente.
O encaro sem entender muito o que ele quer dizer.
— Vocês nem conversam direito, Bennett.
— Que você saiba — arqueia uma das sobrancelhas.
Holly e Bennett estão virando amiguinhos então?
Gosto disso.
Além de Simon, Liam e eu, ele não tem muitos amigos. É recluso
demais para isso. Me surpreende que tenha deixado Holly entrar em sua
vida.
Parando para pensar, não me surpreende que eles estejam se
entendendo. Holly é uma pessoa que te conquista mesmo sem você querer.
Quando menos se espera, você já está completamente entregue a ela.
Eu mesmo me encontro nessa situação.
Rendido e pronto para fazer o que for preciso para fazê-la sorrir.
— Bom, já que é assim — aceito sua ajuda. — Como faremos isso?
— Faremos o que? — se apoia na bancada da cozinha. — Liga para
marcar o jantar de vocês e depois saia para comprar uma roupa legal e
quem sabe algo para dar para ela.
— Certo — pego meu celular novamente e procuro o nome do
restaurante na internet. — Obrigado por isso, Bennett. — Agradeço assim
que o vejo desencostar da bancada, fazendo um sinal como se não fosse
nada usando as mãos, e sair da cozinha.
Assim que encontro o número da Fauzzi, ligo para lá e fico à espera de
que alguém atenda à minha ligação, o que não demora a acontecer. Toda a
reserva acontece de maneira prática e rápida, e acaba me pegando de
surpresa pela sorte que tive de conseguir uma vaga em um restaurante tão
disputado quanto eles em cima da hora. Parece que o destino gosta bastante
de mim e decidiu me dar uma forcinha para impressionar Holly.
Com um sorriso gigante em meus lábios, desligo a ligação e passo a
encarar nossa foto no descanso de tela.
Parece que teremos uma ótima noite amanhã, Linda.

Estou parado em frente ao espelho escolhendo uma roupa para o dia de


hoje, quando meu quarto é invadido.
— Aaron, você pegou meus anéis de novo? — Liam entra sem bater.
— Quem te deu permissão para entrar no meu quarto assim? — finjo
está bravo. — E se eu estivesse nu?
— Não tem nada aí que eu, infelizmente, já não tenha visto — diz
enquanto vai até meu armário procurar minha caixa de anéis dentro do meu
armário. — Sua bunda não é grande coisa pra mim.
— Assim você me magoa.
— Caguei pra você. — Acha minha caixa, segue em direção a minha
cama e derrama todos meus anéis, brincos e colares em cima da mesma
para que sua tarefa seja mais fácil.
— Você vai arrumar essa merda — aponto para a bagunça que ele fez.
— Ninguém mandou pegar minhas coisas, seu cuzão. — Pega três
anéis e um cordão que peguei dele sem pedir.
— Otário. — Dou um tapa em sua cabeça ao passar por ele e começo a
juntar minhas coisas. — Onde vai? — Pergunto enquanto separo alguns
acessórios para usar hoje.
— Jantar fora com a Hanna e depois cinema. — Coloca seus anéis e
me pede ajuda para fechar o cordão. — E você? Está se arrumando para
que?
— Irei jantar com a Holly — fecho o colar em volta do seu pescoço e
me sento na cama para calçar meu tênis.
— No Dia dos Namorados, é? Então as coisas estão ficando sérias
entre vocês? — pergunta.
— Ainda não, mas vão ficar — digo com convicção.
Não só da minha parte, mas sinto que minha relação com Holly
melhorou e muito de uns tempos para cá. Na verdade, desde o Dia de Ação
de Graças eu senti algo diferente entre nós, mas agora, parece que estamos
seguindo pelo mesmo caminho. Espero não estar errado.
— Você gosta mesmo dela, não é? — pergunta depois de um tempo
me analisando.
— Gostar não chega nem perto do que sinto por ela.
Termino de calçar os ténis e me levanto.
— Isso quer dizer que você está apaixonado? — pergunta sentando-se
em minha cama.
O encarando, eu o respondo:
— Sim — assumo. — Estou completamente apaixonado por ela.
Sorrindo, ele se senta ao meu lado.
— Eu já sabia disso. — Comenta, esticando as pernas e apoiando um
tornozelo em cima do outro.
— O que!? — pergunto surpreso.
— Que você tinha se apaixonado — dá de ombros. — Acho que até
antes mesmo de você perceber isso.
— Mas como? — pergunto confuso.
Nem eu sairia ao certo o que sentia por Holly.
Eu gostava dela, muito na verdade, de uma maneira única e
inexplicável, mas não tinha percebido que todas as sensações que vinha
sentindo era a paixão crescendo cada vez mais.
— Seus olhos — aponta para eles. — Eram o mesmo olhar que eu via
no espelho sempre que pensava na Hanna.
— Não sabia que era tão transparente assim.
— Você não é — nega com a cabeça. — Mas para um homem que foi
e ainda é apaixonado pela mesma mulher desde os dezesseis anos, é fácil
perceber.
O escuto e fico pensando em suas palavras sem saber o que dizer.
Se em algum momento tive dúvidas do que Liam sente pela minha
irmã, ela foi sanada só pela maneira com que ele fala dos seus sentimentos
por ela. E sim, ele tem razão. Sou completamente rendido por Holly desde o
começo. Não me surpreenderia de me apaixonar por ela à primeira vista e
ter percebido isso só agora. Em alguns momentos, não consigo enxergar o
que está escancarado bem no meu rosto.
— Imagino que sim. — Aperto seu ombro.
— Espero que vocês se entendam logo. — Repete o meu movimento.
— É o que pretendo resolver hoje.
— Vai pedi-la em namoro?
— Não — me afasto. — Ainda não é o momento certo para isso.
— Por que não? — posso ver a confusão tomar conta do seu rosto. —
Parece que vocês estão se entendendo bem.
— E estamos, mas ela ainda não está pronta para um relacionamento
sério.
— Qual o motivo? — volta a perguntar.
— Ela esconde algo sobre seu passado, Liam. Algo que a machucou
muito e tenho certeza de que tem a ver com um ex-namorado. — Conto
minhas suspeitas. — Mesmo não sabendo o que aconteceu, tenho que tomar
cuidado para não a assustar. Holly tem que entender que é escolha dela ficar
comigo.
— Entendo — afirma com a cabeça. — Mas enfim. — Muda de
assunto. — Vai levá-la aonde? — Puxa a cadeira da minha escrivaninha
nova que comprei para estudar e se senta. — Aliás, onde ela está?
— Na Fauzzi — conto animado. — E Holly saiu com Hanna para o
salão. Pedi uma ajudinha a ela.
— Como você conseguiu uma reserva? Aquele lugar é o mais
disputado de todos, ainda mais no Dia dos Namorados.
— Não querendo me gabar, mas acho que o destino estava a meu favor
ontem. — A vitória está estampada em meu rosto nesse momento.
Ainda não consigo acreditar na sorte que tive.
— Espera aí — Liam chama minha atenção. — Você disse ontem?
— Sim, por quê?
O vejo fechar os olhos e respirar fundo.
— Aaron — a cautela em sua voz é o que mais me assusta.
Sem saber o porquê, meu coração dispara no peito.
— O que foi?
— Você fez a reserva ontem? — abre os olhos e me encara.
— Sim — afirmo sentindo minha voz se tornar trêmula.
— Aaron... — respira fundo e se vira em minha direção mais uma vez.
— Você precisa fazer reserva com pelo menos seis meses de antecedência.
Tem certeza de que fez para o dia certo?
Seu tom preocupado acaba me deixando ansioso.
Mas é claro que fiz a reserva de maneira correta. Eu perguntei se
estava tudo certo, e recebi uma resposta positiva sobre tudo. Não tem como
dar errado, mas para tirar essa dúvida que está me fazendo suar frio, pego
meu celular no bolso de trás da calça, e ligo para o restaurante.
Vai dar tudo certo, Aaron. Se mantenha calmo.
Me tranquilizo, quando sinto minha perna passar a tremer pela
ansiedade.
Respiro fundo quando a ligação é atendida e fingindo que fiz merda,
confirmo sobre minha reserva para hoje. Eu juro que tinha esperanças de
que Liam estivesse errado e eu certo, mas parece que o destino não estava
do meu lado hoje.
Encerrando a ligação com um agradecimento. Me jogo com tudo em
cima da cama e o encaro.
— Então? — pergunta.
— Será que Holly vai gostar de comer macarrão a bolonhesa, em casa
hoje? — pergunto desesperado.
Parece que a noite incrível que estava planejando, não irá acontecer.
Perdi a noção de quanto tempo estou aqui parado no meio da cozinha
decidindo o que irei fazer, depois da besteira que fiz.
Que vacilo, Aaron.
Por que não conferiu a data? São o que as pessoas normalmente
fazem. Ainda mais em uma data como a de hoje.
Puta merda, não acredito que dei um vacilo desses. Parabéns, Aaron
idiota! Você conseguiu fazer besteira quando não era pra se fazer.
Suspirando, passo as mãos em meu rosto, repetidas vezes e respiro
fundo para me acalmar.
Agora não tem mais o que fazer. A burrada já está feita e agora tenho
que correr contra o tempo para fazer algo decente para Holly.
Pego o celular em meu bolso e vejo que tenho mais ou menos uns
quarenta minutos até que ela e minha irmã saiam do salão.
Pelo menos isso deu certo.
Assim que as reservas para o jantar foram “fechadas” — só de me
lembrar disso, sinto vontade de me socar, mas enfim — pedi para Hanna
levá-la até o cabelereiro com a desculpa de fazer companhia uma para a
outra.
Imagino o quão linda ela deve estar.
Só de pensar nisso, um sorriso involuntário nasce em meu rosto.
Estou me perdendo em pensamentos, quando meu celular toca
avisando sobre a chegada de uma mensagem. Sem querer perder tempo
respondendo quem quer que seja, sigo em direção aos armários para ver o
que poderei improvisar para nosso jantar.
Ok. Temos massa, uma coisa que ela gosta muito e não deve ser tão
difícil assim de se fazer, não é?
Errado!
É claro que eu acabaria estragando tudo. Em que mundo eu estava
quando pensei que poderia fazer algo que preste para comer?
Não consigo fazer uma mísera pipoca sem que o fundo dela fique
queimado, como seria vitorioso ao fazer um macarrão a bolonhesa? A
resposta é simples: nunca. Isso nunca iria acontecer.
Meu Deus! Eu sou inútil. Não consigo fazer nem uma comida que era
só colocar em água fervendo.
Só de olhar para a massinha disforme que minha comida acabou se
tornando, me dá vontade de bater a cabeça na parede e me xingar três vezes
por ter recusado as aulas de culinária básica que mamãe queria me dar.
O dia de hoje tinha que ser perfeito em todos os sentidos. Desde a
comida até o lugar que iríamos, mas agora tudo o que tenho é uma cozinha
em completo caos.
O sentimento de decepção me corrói por dentro.
— Merda. — Apoio o cotovelo na mesa e a cabeça em minhas mãos.
Estou me martirizando, quando meu celular toca.
— Alô — digo ao atender.
— E aí, como está tudo?
— Liam? — pergunto confuso enquanto afasto o aparelho da orelha e
vejo se não estou enganado. — Por que está me ligando?
— Não poderia te deixar na mão — diz simplesmente.
Escutá-lo me faz ter vontade de rir e me faz lembrar da preocupação
com a qual ele saiu daqui mais cedo enquanto ia pegar as flores que
encomendou para minha irmã. Estou até surpreso que não tenha me ligado
mais vezes.
— Obrigado pelo apoio moral, cara, mas ele não vai me ajudar de
nada — digo enquanto me ajeito de uma maneira mais confortável na
cadeira. — Porque assim, eu já consegui estragar tudo hoje.
— O que você fez? — pergunta.
— Tente perguntar o que eu não fiz hoje. — Estico as pernas e apoio
um tornozelo em cima do outro.
— Ruim assim? — volta a perguntar e resumo o que aconteceu. —
Puta merda, Aaron. — São suas palavras assim que termino de contar tudo.
— Eu sei. — É a única coisa que posso dizer nesse momento.
— Bora, cara. Levanta essa bunda preguiçosa da cadeira — diz como
se estivesse me vendo nesse momento. — Vou dizer o que você vai fazer.
— Pode falar — me levanto da cadeira. — Sou todo ouvidos.
— Tem uma pizza congelada na geladeira — enquanto ele fala, sigo
em frente e abro a mesma.
— Já peguei. — Digo, colocando o celular em cima da bancada.
— Ótimo. Depois que colocar a pizza pra assar, vai lá na adega pegar
um vinho...
— Mas os vinhos são do Bennett — o interrompo.
— Depois me entendo com ele. — Promete. — Agora faça o que eu
mandei.
— Não acha que está muito mandão? — me afasto da bancada e vou
até os armários para pegar uma assadeira.
— Fica quieto, Aaron. As meninas já estão saindo do salão.
Suas palavras me acenderam a curiosidade.
— Onde você está? — pergunto, me aproximando da bancada.
— Vim buscar a Hanna e a Holly — conta. — Agora cala a boca e
preste atenção em mim. — Pede mais uma vez. — Escondido atrás da
garrafa de suco de laranja, tem morangos com chocolate. Eu iria comer com
Hanna, mas pode pegar.
— Nem quero imaginar como vocês iriam comer esses morangos. —
Balanço a cabeça para afastar os pensamentos deles juntos.
— Pode ter certeza que da melhor maneira possível. — Responde.
— Você está falando da minha irmã, seu cuzão do caralho. —
Resmungo, abrindo a geladeira e pegando a embalagem de morangos.
Por que o namorado dela tinha que ser meu melhor amigo? Agora
tenho imagens grotescas em minha mente. Será que se eu jogar água
sanitária nos olhos, essas imagens fictícias saem da minha cabeça? Seria
uma coisa a se pensar futuramente.
— Para de graça e vai fazer o que eu disse logo. — Seu tom é
impaciente. — Agora tenho que ir. Elas estão vindo.
— Já estou indo — estou seguindo em direção a adega quando me
lembro de algo que pedi a ele. — Liam, me diz que pelo menos conseguiu
as rosas? — Pergunto de maneira cautelosa.
Tantas coisas já deram errado hoje, que não me surpreenderia se as
rosas que pedi para Liam tentar comprar, estivessem acabado
— Consegui, sim. Parece que é seu dia de sorte. — Debocha um
pouco da minha desgraça. — Agora vai logo fazer o que eu disse.
Antes que consiga respondê-lo, a ligação é encerrada e, me sentindo
mais relaxado agora que sei que pelo menos uma coisa que planejei deu
certo, sigo em direção a adega de Bennett.
Eu sei que posso te tratar melhor

Do que ele pode

E qualquer garota como você merece um cavalheiro


Treat You Better – Shawn mendes

Ao chegar em casa, sou recepcionada por um cheiro delicioso de


queijo derretido e pepperoni que faz meu estômago roncar pela fome.
Deixo minhas chaves na tigela de vidro que fica ao lado da porta e
sigo em direção a cozinha.
— O que está aprontando? — pergunto para as costas de Aaron.
— Ah! Você chegou. — Se vira e caminha em minha direção. — Meu
Deus! Você está magnífica — Sela nossos lábios rapidamente e passa a me
encarar cada parte minha. — Cortou o cabelo? — Pergunta, segurando uma
mecha entre os dedos.
— Obrigada — agradeço. — Como percebeu? Só cortei as pontinhas.
Nem dá para notar. — Pergunto impressionada que tenha reparado.
— Eu já disse antes, Linda — Sinto minha pele formigar quando suas
mãos tocam minha cintura. — Eu conheço cada pedacinho seu.
Involuntariamente, um sorriso nasce em meus lábios e como um bobo,
meu coração erra uma batida simplesmente porque ele reparou em uma
coisa banal em minha aparência.
— O que está fazendo? — Desconverso, tentando acalmar meu
coração.
— É uma surpresa que só revelarei depois que for lá em cima se
arrumar. — Começa a andar e me faz caminhar de costas.
Tento olhar por sobre seu ombro, mas sou impedida por ele que
posiciona sua cabeça em frente ao meu rosto, impedindo minha visão.
— Por que não me conta logo? — Tento desviar, mas ele acaba
acompanhando meus movimentos, e por não está prestando atenção onde
piso, acabo tropeçando, mas antes que eu caia, Aaron me segura e me vira
de costas para si.
— Porque perderia toda a graça da surpresa. — Beija minha orelha e
me encolho por conta do contato em um ponto sensível. — Agora vai até lá
em cima e fique mais linda ainda. — Dá um tapa em minha bunda e me
conduz em direção a escada.
Olho por sobre o ombro e o encaro desconfiada.
Nunca fui uma pessoa muito paciente, ainda mais com surpresas.
Nunca gostei de ser surpreendida, sempre quero saber o que está
acontecendo ao meu redor. Mesmo não gostando dessa ideia, passo a subir
em direção ao meu quarto para me trocar sei já lá para o que Aaron esteja
tramando.
Ao entrar, sigo em direção ao meu guarda-roupa e me pergunto que
tipo de roupa ele quer que eu coloque.
Analiso cada uma das minhas roupas, até que acho o vestido mais que
perfeito para a ocasião.
O tiro do cabide, coloco a roupa em frente ao meu corpo, e gosto
bastante do que vejo refletido no espelho.
O vestido é em um tom de vermelho sangue, colado em meu corpo o
que acaba valorizando cada curva que tenho. Suas alças são bem finas e
minhas costas ficam completamente amostra.
Tenho certeza de que ele vai gostar de me ver assim.
Com esse pensamento, estico o vestido em cima da cama, tiro minha
roupa e corro em direção ao banheiro com a intenção de tomar um banho
rápido.

Já arrumada, paro no topo da escada e o que vejo à minha frente, faz


meu coração errar uma batida.
— Meu Deus! — minha voz não passa de um sopro.
Aaron está parado ao pé da escada, vestido um terno completamente
preto Desde a camisa até a gravata. Seus cabelos loiros e negros, por conta
da raiz que já cresceu bastante, estão penteados para trás e para completar a
imagem, ele tem um buque de rosas negras em sua mão esquerda.
— Uau, simplesmente uau. — seus olhos estão vidrados nos meus.
— Fiz você perder a fala? — pergunto enquanto desço os degraus
lentamente.
— Você sempre me deixa sem saber o que fazer, Linda. — Estende
sua mão livre em minha direção e a aceito sem hesitar.
Sorrindo, paro bem próximo a ele e um sentimento de paz e
tranquilidade toma conta de mim.
Só ele é capaz de fazer com que eu me sinta assim.
Basta apenas um toque para que eu sinta que nada do mundo
conseguirá me afetar.
— São para mim? — aponto para as rosas em suas mãos.
— Gostou? — me entrega o lindo buquê.
— Tenho que assumir que não gosto muito de flores, mas por algum
motivo, gostei de recebê-las de você. — As levo em direção ao nariz e sinto
o cheiro doce e marcante delas.
— Quer dizer que só gosta delas porque sou eu quem estou te
presenteando? — Levanta uma das sobrancelhas em um gesto sugestivo.
— Existem muitas coisas que só aceito quando você faz. — Comento,
tocando em uma pétala delicada.
— É? — se aproxima e me faz sentir sua respiração curta e ritmada.
— E quais seriam essas coisas?
— Quando me abraça ao dormir, os carinhos fora de hora e,
principalmente, quando me dá apelidos. — A cada palavra que vai saindo
da minha boca, mais rápido meu coração bate.
— Parece que temos muita coisa só nossas, não é? — Faz um carinho
tão leve em uma de minhas bochechas, quanto o toque das rosas em minha
mão.
— Parece que sim — concordo com a cabeça. — Como as conseguiu?
— Pergunto curiosa, apontando para o buquê em minhas mãos.
— Existem flores dos mais variados tipos e cores nos Dias dos
Namorados. — Responde, dando de ombros e sem entrar em muito detalhe
e acabo sorrindo.
Em silêncio, passo a encarar o homem à minha frente, e me pergunto
se ele realmente é real? Ainda nem tive noção de tudo o que ele preparou
para hoje a noite, e já me vejo completamente encantada.
— Já que não me contará como as conseguiu — pergunto me sentindo
completamente ansiosa. — Pode me contar o que estava aprontando na
cozinha?
Sorrindo, ele responde:
— Acho que agora posso. — Apoia uma de suas mãos na base da
minha coluna e me conduz em direção a sala de estar.
Assim que entramos no cômodo pouco iluminado, sou surpreendida.
Ele simplesmente arrumou o lugar da melhor maneira possível.
Mesmo distante, consigo ver que tem uma pizza de pepperoni em cima da
mesinha de centro, junto com duas taças ainda vazias, uma garrafa de vinho
e morangos com chocolate.
Isso é o que estou pensando?
Ele acabou de montar um encontro para nós dois?
Viro meu rosto para ele e o desespero que achei que sentiria por vê-lo
quebrar a última regra não chega até mim. Na verdade, eu até me sinto
aliviada por isso.
— Você quem fez tudo isso? — Aponto para toda a decoração à minha
frente.
— Foi — afirma enquanto volta a me conduzir até nosso lugar. —
Quer dizer, tive uma ajuda do Liam com os morangos, vinho.
Volto a encará-lo surpresa.
— Ele te ajudou com tudo? — pergunto me sentando em uma das
almofadas que ele espalhou pelo chão.
— Bastante — repete minha ação e se senta ao meu lado. — Se não
fosse por ele, acho que não teríamos uma noite como essa.
— Por que diz isso? — coloco as rosas em um espaço vazio da mesa.
— Prefere saber o quanto sofri hoje para deixar tudo isso perfeito? —
pergunta enquanto aponta para a mesinha de centro a nossa frente. — Ou
prefere comer um pouco de tudo isso? — Me dá uma segunda opção de
escolha.
— Foi tão ruim assim? — me sirvo de um pedaço de pizza.
— Nada que eu não tenha conseguido contornar. — Pega a garrafa de
vinho e nos serve uma quantidade generosa.
Provo um pedaço da deliciosa comida em minhas mãos, e gemo em
contentamento quando o queijo derretido, junto com o pepperoni, tocam
minha língua. Puta merda! Não tem nada melhor do que comer pizza.
— Nunca pensei que sentiria ciúmes de um pedaço de pizza.
Foco meus olhos nos seus, e eles brilhavam de desejo em minha
direção.
— Se quiser eu posso gemer assim pra você depois. — Digo,
arqueando umas das sobrancelhas.
Aaron engole em seco e fica me encarando por longos minutos,
enquanto eu retribuo o gesto, sem dizer uma única palavra. Sem responder
minha provocação, mas com um sorriso em seu rosto, ele serve vinho em
nossas taças e me entrega uma delas.
— Que tal brindarmos?
— Sugestões? — pergunto o encarando por sobre a taça em minhas
mãos.
— A quebra de regras. — Levanta a sua.
Rindo em compreensão a suas palavras, toco em sua taça bem de leve,
para em seguida tomar um gole.
Assim que a bebida entra em contato com a minha língua, fecho os
olhos para aproveitar melhor todos os sabores existentes. Primeiro sinto o
gosto doce, para logo em seguida sentir o sabor ácido. Os dois sabores estão
bem harmonizados e me deixa satisfeita pela escolha.
— Ótima escolha.
— Direto da adega de Bennett. — Responde com um sorriso travesso
enquanto leva a taça a boca e toco um gole em seguida.
— Espero que esteja pronto para escutá-lo reclamar com você até o
ano que vem. — Comento.
— É só eu dizer que foi por sua causa. — Coloca sua taça em cima da
mesa e se vira em minha direção.
— Vai me usar como desculpa, seu cretino? — estapeio seu braço o
fazendo rir.
— Mas é claro — alisa o lugar atingido. — Agora que são
amiguinhos, irei me aproveitar e muito disso.
— Vou desmentir todas as vezes que usar meu nome. — Aponto o
dedo indicador em direção ao seu rosto.
— Você não faria isso comigo. — Me puxa pela cintura quando tento
me afastar.
Tento voltar ao meu lugar, mas ele não deixa.
— Tem razão, não faria mesmo. — Dou uma mordidinha em sua
bochecha.
— Você realmente acabou de me morder? — aperta bem em cima do
ossinho da minha cintura, me causando cócegas.
— Para com isso — peço em uma mistura de súplica com gargalhadas.
— Só se me pedir desculpas. — Continua seu ataque.
— Tudo bem! Eu me rendo. — Me dou por vencida, sentindo falta de
ar e as bochechas dormentes. — Me desculpe.
— Desculpo — faz um carinho em minha bochecha com a pontinha do
seu nariz. — Mas só porque está gostosa nessa roupa. — Morde meu
queixo enquanto desce sua mão pela minha cintura, até a altura da minha
bunda e a aperta com força.
— Isso porque não me viu sem elas — passo as mãos nos cabelos em
uma tentativa de domá-los.
Me ajeita em seu colo, juntando nossos corpos ao limite.
— Pare de me provocar, Linda. Estou tentando ser um cavalheiro hoje.
— E está conseguindo. — Respondo apontando para a mesa à nossa
frente.
— Pelo menos não foi um fracasso total. — Da de ombros. — Esse
era meu único medo. — Seu rosto assumiu uma expressão de derrota.
— Aaron — seguro em suas bochechas e o faço me encarar. —
Mesmo que ficássemos só nós dois dentro de um quarto comendo pipoca e
vendo filme seria perfeito e sabe por quê? — Pergunto e o vejo negar com a
cabeça. — Porque eu estaria com você.
Digo de uma vez sem medo do que ele pode achar.
Cada vez mais, estou permitindo que ele entre em meu coração sem
medo algum. Aaron aos poucos está quebrando todas as minhas barreiras e
me dando mais certeza ainda de que é o homem certo.
O vejo me encarar fixamente, ele diz:
— Li um dos seus livros preferidos. — Me pega totalmente de
surpresa.
— O que? Mas você nem gosta muito de ler — relembro.
— Mas por você eu acabei lendo alguns. — Comenta.
Tem como esse homem ser mais perfeito?
Puta merda Aaron.
Por que você está complicando minha vida dessa maneira?
— Tudo bem, então. — Concordo depois de um tempo. — Quero ver
se leu mesmo.
— Ele é um sociopata, Holly — diz com indignação.
— O sociopata mais lindo e apaixonado de todos. — Respondo e
acabo rindo quando aperta a ponta do meu nariz.
— É sério isso? — aperta minhas bochechas e acabo fazendo
biquinho. — Ele torturou um bebê.
— Mas ele mereceu — inclino um pouco a cabeça para conseguir vê-
lo melhor.
— Jura que está defendendo-o? — Seus olhos arregalados me dão
vontade de rir. — Ele é louco, eu estou dizendo.
— Você leu Estilhaça-me todo, para estar falando isso?
— Não, mas só o primeiro foi suficiente para chegar à conclusão de
que ele é maluco. — Responde e volta a fazer um carinho em meus cabelos.
Depois que terminamos de comer nossa pizza e os deliciosos
morangos com chocolate, nos deitamos no sofá, comigo em seu colo e
passamos a conversar sobre tudo. Desde os meus tempos de escola, claro
que pulei a parte do Theodore, até minha relação com meus pais e agora
estamos conversando sobre livros.
Ainda não acredito que ele leu meu livro preferido da vida toda.
— Nem acredito que me fantasiei dele — volta a falar chamando
minha atenção. — As coisas que não faço por você.
Gargalho tanto que sinto minha barriga doer pelo esforço, e
contagiado por mim, não demora muito para que ele me acompanhe e cai na
gargalhada também
— Você ficou sexy demais naqueles trajes. — Levanto enquanto
recupero o fôlego e me sento em cima de suas coxas.
— Mas isso seria óbvio, não é, Linda? — segura em meu queixo entre
o polegar e o indicador. — Já olhou pra mim? Eu sou perfeito de qualquer
maneira. — Suas palavras e seu tom de voz é tão convencido nesse
momento.
— Como você é convencido, garoto — fico de pé e estapeio seu braço.
— E você gosta de mim exatamente assim. — Repetindo o mesmo ato
que eu, ele segura em meu quadril e me puxa para perto de si. — Do
jeitinho que eu sou. — Aperta bem em cima do ossinho do meu quadril.
— Outra vez sendo convencido — dou impulso e como se já estivesse
esperando, ele me segura em seus braços e entrelaça minhas pernas em sua
cintura. — Não é, Bonitão? — Espremo suas bochechas entre minhas mãos.
— Eu disse alguma mentira?
Sua voz sai com um pouco de dificuldade.
— Nem um pouco — solto seu rosto e apoio minhas mãos em seus
ombros. — Eu amo o seu jeito de ser.
O encontro à espera de uma resposta para o que eu disse, e vejo seus
olhos brilham tanto, que podem ser confundidos com uma estrela.
Minha estrela.
Aaron é como um astro brilhante que vem iluminando minha vida
cada vez mais.
Meu Deus! O que ele está fazendo comigo?
O sorriso que vejo em seu rosto é tão grande que me pergunto se ele
não sente dor em suas bochechas. Sinto meu coração acelerar no peito
quando o vejo se aproximar, e de modo automático, beija meus lábios de
maneira delicada e simples.
— Acho que já está na hora de levar a donzela até seus aposentos. —
Suas palavras não passam de um sussurro em meu ouvido, me deixando
completamente arrepiada.
— Estamos no século XIX por um acaso, para que me leve até o meu
quarto? — Pergunto o fazendo sorrir.
— Sabe que sou um cavalheiro completo — se levanta comigo ainda
em seu colo. — E como cavalheiro, devemos encerrar a noite de hoje com
um simples e casto beijo.
Mais uma vez ele me faz rir.
Esse é um dos dons dele, me fazer gargalhar com uma facilidade
incrível.
— Bom, já que é assim — desço minhas pernas de seu quadril e por
ele ainda está me segurando, e sendo uns bons centímetros mais alto, meus
pés não tocam o chão. — Vamos subir então.
Me colocando no chão de uma vez, entrelaçamos nossas mãos e
subimos até meu quarto.
— Não acha melhor arrumarmos tudo antes? — pergunto quando
chegamos em frente à minha porta.
— Pode deixar que cuido de tudo depois. — Nos viramos de frente um
para o outro e passamos a nos encaramos como dois adolescentes no
começo do namoro. — É aqui que deixo você.
— Obrigada pela noite, Aaron. Esse foi o encontro mais perfeito que
eu já tive. — Digo enquanto brinco com os dedos da minha mão.
Estou nervosa como nunca me senti antes.
Isso é estranho e bom ao mesmo tempo.
Ficamos em silêncio encarando um ao outro. Palavras não são
necessárias nesse momento.
— Bom, então... — aponta para trás. — Eu já vou indo.
— Boa noite, Gibi — desejo sorrindo.
— Boa noite, Carma — sorrindo comigo, se aproxima e beija minha
testa. — Até amanhã, Linda. — Se despede indo para o seu quarto.
Seguindo seu exemplo, abro a porta atrás de mim, entro em meu
quarto, me jogo em cima da cama e passo a reviver tudo o que aconteceu
hoje.
Não acredito que ele fez tudo isso por mim.
Um encontro.
Eu ganhei um encontro, e mesmo que tenha sido dentro de casa, foi o
melhor encontro da minha vida. Mesmo no improviso, foi tudo perfeito.
Olho para o lado e vejo meu celular em cima do travesseiro. Estico um
pouco a mão para pegá-lo e quando o tenho comigo, abro o bloco de notas,
e sem pensar muito risco o último item.
Não ir a encontros.
Leio e releio a lista tantas vezes que perco a conta.

Não ser exclusivos


Não ficar de casalzinho
Não ficar mandando mensagens bobas
Não ir a encontros
Não transar sempre
Não dormir juntos
Não ir ao cinema/ver filmes juntos
Não comentar nas postagens em redes sociais
Nada de beijos em público

Ele conseguiu.
Aaron quebrou todas as regras que propus a nós dois.
Quando fiz essas regras, eu não queria me envolver com ninguém, mas
lá no fundo, essas eram atitudes que eu gostaria que alguém fizesse comigo.
Mesmo eu tendo namorado com alguém no passado, nunca tive a sensação
de viver isso. Então, sim, acabei fazendo regras que sabia que ele quebraria,
e acabo me dando conta de uma coisa.
Caralho! Eu estava completamente apaixonada por ele.
Como fui boba de tentar sufocar o que estava crescendo dentro de mim
sem controle, mas agora não serei mais. Desde o momento em que o vi,
senti algo como nunca antes, e quando começou a quebrar as regras de
propósito, eu não tive chance alguma. Eu tinha sido conquistada
Decidida, olho para a tela do meu celular mais uma vez e já sei que
decisão devo tomar. Com o celular em mãos, sigo em direção a porta e
quando a abro, sou surpreendida por Aaron parado a minha frente.
— O que está fazendo aqui? — Pergunto com meu coração batendo a
mil.
— Estava vendo uma coisa importante em meu quarto e fiquei
pensando se deveria vir aqui te mostrar ou não. — Aperta o celular na mão
e já consigo imaginar do que se trata.
Será que somos parecidos até nisso?
— O que quer me mostrar? — pergunto engolindo todo o nervosismo.
O vejo respirar bem fundo antes de dizer alguma coisa.
— Desde quando você criou essas regras, eu tinha o plano de quebrar
todas elas. — Conta.
— Eu sabia que tinha aceitado rápido demais. — Respondo o fazendo
rir.
Sorrindo, ele olha para o celular em suas mãos por um tempo, até que
volte a me encarar.
— A cada nova regra que eu quebrava, eu sentia uma esperança
crescer dentro de mim — mostra em seu celular uma lista completamente
riscada igual a sua. — E hoje consegui quebrar a última delas.
— Esperança de que? — pergunto engolindo em seco.
Minha garganta está presa em um nó tão apertado, que me pergunto
como consigo fazer com que minha voz saia.
— De que no final eu finalmente conseguiria fazer com que se
apaixonasse por mim — se aproxima a passos lentos. — Da mesma maneira
que eu sou apaixonado por você.
— Aaron — minha voz não passa de sopro.
Eu sabia que ele nutria sentimentos por mim, não era nem uma idiota,
mas não imaginava que ele tivesse se apaixonado e saber disso, acaba me
trazendo uma sensação de alívio e relaxamento, que nunca senti antes.
— Eu sei que você não está à procura de relacionamento agora, mas eu
precisava te dizer de uma vez tudo o que sinto por você — segura em meu
rosto com as duas mãos, chamando minha atenção de volta para si. — Eu
sou completamente louco por você. Não consigo me ver mais sem ter você
ao meu lado. Eu acordo e vou dormir pensando na maneira que seus olhos
brilham quando sorri, quando morde os lábios quando está concentrada
lendo, ou o jeito que morde a caneta quando está pensando em um post. —
Começa a fazer um carinho tão leve e gostoso em minhas bochechas que
mal sinto seu toque. — Você se impregnou em mim de uma forma tão
intensa, que não consigo mais passar um dia sem ter a certeza que tenho
você, assim como você me tem. — Foca seus olhos brilhantes nos meus. —
Desde o primeiro momento em que seus olhos atrevidos cruzaram com os
meus naquela festa, eu sabia que faria de tudo para te tornar minha. Através
do seu olhar, eu me vi completamente rendido por você, Linda.
Meu Deus do céu! Como faz o cérebro funcionar agora? Ele realmente
sabe como me tirar de órbita. Nesse exato momento, meu coração bate
enlouquecido em meu peito, minha barriga encontra-se revirada, e eu não
sei o que dizer agora. Nem ligo se ele não se lembra do que conversamos no
telefone aquela noite em que estava bêbado.
Em uma tentativa de dar um tempo para que minhas emoções se
acalmem, cubro suas mãos com as minhas e passo a acariciar sua pele
gelada pelo nervosismo. Encaro seus olhos e vejo que ele necessita que eu
diga algo, independente do que quer que seja. Então, mandando o medo
para longe eu me abro com ele.
— Sabe? — Digo olhando em seus olhos. — Eu acabei vivendo uma
experiência que não estou pronta para contar ainda, me desculpa. — Peço e
o vejo negar com a cabeça como se pedisse para que eu não me
desculpasse. — Eu não queria me relacionar com ninguém, mas então você
apareceu e mudou tudo sem que ao menos eu percebesse.
— Holly...
O impeço de falar colocando os dedos em seus lábios.
— Aaron — faço um carinho em seu lábio inferior, usando meu
polegar. — Além de quebrar todas as nossas regras, você se instalou em
meu coração para não sair mais. — Puxo bastante ar para os meus pulmões
antes de continuar. — Você se vestiu como meu personagem preferido,
passou a se interessar e até ler livros de romance, por minha causa. — Volto
a fazer carinho em sua bochecha. — Cuida de mim como ninguém e sem
saber, você tem me ajudado a curar feridas que ainda estavam abertas e que
eu tentava esconder. — Tomo fôlego mais uma vez. — Nunca imaginei que
encontraria uma pessoa tão oposta a mim, mas que me completasse de uma
maneira única. Eu me apaixonei por você
Me pegando de surpresa, ele me ergueu em seu colo e junta nossos
lábios em um beijo apaixonado. Aaron busca minha língua e quando a
encontra, passa a ditar o ritmo que ambas se entrelaçam. Minha pele
queima, minha barriga se revira toda.
Preciso ser dele agora mesmo.
Como se ouvisse meus pensamentos, ele anda em direção ao seu
quarto.
— O que está fazendo? — pergunto com nossos lábios ainda unidos.
— Te levando para o meu quarto.
— Não era você que dizes que seria um cavalheiro? — entrelaço
minhas pernas em sua cintura.
— Isso foi antes, Linda. — Morde meu lábio inferior. — Nesse
momento o único ato de cavalheirismos que terá é que deixarei que goze na
minha boca.
Quando você sentir o meu calor

Olhe nos meu olhos

É onde meus demônios se escondem


Demons – Imagine dragons

Eu vou conseguir.
Tenho que conseguir.
Meus olhos estão tão focados na tela do computador a minha frente,
que nem me mexo quando Hanna e Harry se sentam ao meu lado.
— O que está fazendo? — Hanna pergunta quando não os
comprimento.
— Tentando comprar o ingresso para o show do Imagine Dragons —
respondo sem levantar meus olhos da tela à minha frente.
Vai logo, carrega.
Estou sentada a bons minutos na fila de espera para comprar esse
ingresso e já estou ficando nervosa com essa demora toda.
Tem que dar certo.
Eu preciso conseguir esses ingressos.
— Tinha me esquecido desse show — Hanna diz mexendo em algo.
— Quando será?
— Daqui dois meses. — Respondo.
— Não sabia que gostava deles. — Harry é quem fala ao meu lado.
— Holly não gosta deles. Ela os ama enlouquecidamente. — Hanna o
responde.
— Tem bom gosto — Harry faz um carinho em meu braço. — Escutei
umas coisas deles já e os caras mandam muito bem.
— Eles são demais — olhos para eles rapidamente. — Nem acredito
que os verei de perto.
Isso se essa porcaria de fila virtual andar logo.
Por que é sempre um sacrifício quando vamos comprar um ingresso?
Poderia ser bem mais fácil, não é?
— Como está a fila? — Hanna pergunta se aproximando e apoiando o
queixo em meu ombro.
— Deu uma atualizada, mas já parou de novo. — Suspiro cansada.
— Tente se acalmar, Holly Mo — Hanna pede esticando sua mão em
minha direção e a entrelaçando com a minha.
— Só irei me acalmar quando tiver a confirmação de que irei. — Tiro
alguns fios de cabelo que insistem em cair em meus olhos.
Volto minha atenção para o site a minha frente e continua a mesma
coisa.
Que saco isso!
Já está repetitivo demais essa merda.
Quando essa droga vai andar?
Minha bunda já está quadrada e dormente de tanto tempo que passei
sentada nessa cadeira.
Atualize logo, droga!
Mexo em meu mouse e não sem querer, acabo atualizando a página
que estava e quando ela é carregada novamente, tenho vontade de gritar o
mais alto que consigo.
Mais que porra!
Como isso pôde acontecer?
Um segundo.
Um mísero segundo que essa página atualizou e acabaram os
ingressos?
Jogo meu corpo com força na cadeira e encaro a tela à minha frente. A
palavra esgotado não para de zombar de mim nesse momento.
Que vida filha da puta.
Adeus show da minha banda preferida.
Adeus sonho de ver aquele homem maravilhoso cantando em cima de
um palco, sem camisa e todo suado.
— Ei, o que aconteceu? — Harry pergunta tocando em meu ombro. —
Você vai chorar? — Volta perguntar assim que o encaro.
Esse bolo na garganta é vontade de chorar?
Se for, então sim, eu vou chorar.
— Holly, o que aconteceu? — Hanna vem até mim e se abaixa ao meu
lado.
— Esgotou — aponto para o computador à minha frente.
Minha voz é baixa e desapontada.
— Mas já? — Harry pega o notebook e vira em sua direção. — Você
não estava na lista de espera?
— Estava — resmungo. — Mas acho que a internet não estava
rodando direito, porque atualizei a página sem querer e quando ela voltou,
estava dizendo que não tinha mais nada.
— Sinto muito — faz um carinho em meus ombros tentando me
reconfortar. — Sei que queria muito ir.
Me acomodo melhor para receber seu afago.
Tirando Aaron, não gosto muito de ter contato físico com as pessoas,
mesmo se for minha melhor amiga. É meu jeito, não tenho como mudar.
Mas nesses momentos em que fico chateada com alguma coisa, mesmo que
seja pelo motivo mais besta como perder a venda de algo que eu queria
muito, ou algo mais sério, sempre correrei para os braços dela. Hanna tem o
dom de me acalmar como ninguém.
— Está tudo bem — me afasto um pouco.
— Você pode tentar da próxima vez. — Harry faz um carinho em meu
ombro bem de leve.
— É, pode ser — concordo. — Vou guardar isso lá em cima
Fecho o notebook e sigo em direção a saída da cozinha.
— Não fica muito tempo lá em cima, tá? — Hanna se levanta. — Vou
fazer cupcake.
— Tudo bem, já desço. — Afirmo com a cabeça e sigo em direção ao
meu quarto.
Saco, meu dia estava indo bem até agora.
Muitos podem achar essa minha reação bem infantil, mas quando se
ama alguma coisa do jeito que eu amo aquela banda, e não poder fazer uma
coisa que estava esperando meses para se fazer, é frustrante demais.
Então sim. Estou sendo mimada nesse momento por está quase
chorando porque não veria ele de pertinho ou gritaria até perder minha voz.
Passo pelo corredor, e estou seguindo em direção ao meu quarto,
quando vejo Bennett parado ao lado de sua cama.
— Não sabia que estava em casa — digo parado em sua porta.
— Acabei de chegar — faz um sinal para que eu entre. — Está tudo
bem? — Pergunta depois de me encarar por alguns instantes.
— Sim — respondo entrando em seu quarto. — Por que a pergunta?
— Você parece chateada.
— Ah, isso — me aproximo mais e me sento em sua cama sem pedir
permissão. — Não consegui comprar uma coisa que eu queria muito.
Faço um gesto como se não fosse nada, enquanto olho à minha volta.
Diferente do meu quarto, que é uma zona de guerra, o de Bennett é
milimetricamente arrumado. Desde os lençóis bem esticados, que agora
encontram-se enrugados, já que estou sentada em cima, seus travesseiros
são bem fofinhos, sua escrivaninha só tem seu notebook e um porta retrato
que não consigo enxergar de onde estou e uma luminária. Provavelmente
para as noites que ele passa estudando.
É um bem quarto em tons de verde escuro.
— E o que foi?
Sua voz faz com que termine minha inspeção.
— O que? — pergunto confusa.
— Que você não conseguiu comprar?
— Ah! — me lembro sobre o que estávamos conversando. —
Ingressos para ver minha banda preferida.
— Imagine Dragons?
— Como sabe?
— Um cara do meu curso comentou que eles abriram a venda hoje,
então imaginei que seria eles. — Conta se sentando ao meu lado.
— Tomara que ela tenha mais sorte do que eu e consiga comprar os
ingressos. — Me acomodo na cama e cruzo minhas pernas.
— Também espero — encosta as costas na cabeceira, ficando com a
das pernas dobradas e a outra esticada e passa a encarar o nada.
Afirmo com a cabeça e o silêncio recai sobre o lugar, e aproveitando
esse momento, passo a estudar o homem à minha frente.
Bennett é bem bonito, que Aaron não me escute dizendo isso. Sua pele
clara colorida pelas diversas tatuagens espalhadas, seus cabelos e olhos
negros como anoite que se olhar bem, escondem algo.
O que será que ele esconde?
Bennett sempre foi o mais quieto de nós, nunca falando mais do que o
necessário ou em momentos que ele precisa intervir. Antes de ele passar a
morar com a gente, achei que ela era uma pessoa reclusa, que não gosta de
se misturar, mas assim que fui o conhecendo melhor, fui entendendo que ele
não se isola de propósito, ele só tem coisas demais em sua cabeça.
Como sei disso?
Seu olhos dizem muitas coisas.
— Está tudo bem? — pergunto de uma vez.
— Por que a pergunta?
— Assim como você viu que eu não estava bem, percebi que algo
também estava acontecendo com você.
Seus olhos ficam vagos de repente, e me preocupo de ter tocado em
um assunto delicado.
— Se não quiser me dizer, está tudo bem. — Toco em sua mão que
está repousada em cima de sua coxa.
Ele fica mais um tempo sem me responder e estou prestes a me
levantar, quando sua entrelaça os dedos nos meus, e com os olhos ainda
vagos, ele responde:
— Meu pai não é um homem muito legal comigo e com a minha mãe,
e sempre que volto para casa, sou obrigado a me lembrar disso. — Seu tom
esconde uma dor tão grande, que sinto meu peito se apertar.
— O que aconteceu? — pergunto preocupada.
Nunca tinha o visto tão mal assim.
— Só estou cansado de ter que aguentar tudo isso. — Responde de
forma rasa.
— Quer conversar sobre isso?
— Não se preocupe — aperta minha bochecha enquanto me encara. —
Está tudo bem. — Abre um sorriso ladino.
— Pare de mentira, Bennett. Está estampado no seu rosto que não está
nada bem. — Digo o encarando.
Bennett tem um sorriso carinhoso e até ouso dizer que melancólico.
— Você se parece com ela nesse momento. — Seu olhar é saudoso. —
Tirando Simon, ela era a única que se preocupava comigo.
— Ela quem? — pergunto curiosa.
Bennett fica em silêncio encarando o nada a sua frente, até voltar a
olhar para mim.
— A outra metade do meu coração e do de Simon. — Diz com o olhar
desfocado, como se estivesse perdido em memórias.
Nosso?
Fico curiosa para saber sobre quem ele está falando, mas se tem uma
coisa que aprendi sobre o cara à minha frente, é que não gosta de se abrir
com ninguém, a não ser com Simon.
E falando nele.
— Aaron sabe que está na cama com outro? — pergunta caminhando
em nossa direção.
— Ele terá que superar já que Bennett é meu novo preferido. —
Respondo me levantando na cama.
Simon e Bennett acabam rindo da minha resposta.
— E quanto a mim? — se aproxima. — Estou a séculos querendo
entrar no seu coraçãozinho e você só me esnoba. — Faz uma cara de choro.
— Desculpe, mas é que prefiro os tatuados — dou de ombros.
— Droga! Sabia que tinha que fazer mais tatuagens. — Apoia as mãos
em sua cintura. — Você vai me levar para fechar o braço ainda.
— Você fala isso a anos e nunca vai comigo. — Bennett se senta na
cama com as pernas para fora.
— Mas agora eu vou — aponta o dedo em direção ao amigo ou seria
melhor dizer namorado? Não sei ao certo. A relação deles é complicada
demais.
— Sei — Bennett responde como se duvidasse.
Olhando para eles, até que me lembram Aaron e Liam. Claro que sem
a pegação toda, mas a amizade que eles têm é uma coisa forte e única.
É bonito de se ver.
Eles se completam de uma maneira única.
— Espera — me viro em direção a Simon. — Você tem tatuagens
além da que fizemos?
— Uhum — afirma com a cabeça.
— Mas você não disse que nunca tinha feito uma? — pergunto um
pouco confusa.
— Eu estava bêbado e falar sobre ela me faz sentir saudades. —
Responde de maneira misteriosa.
Saudade? Do que? Porque eles dois tem que ele e Bennett tem que ser
tão misteriosos em alguns momentos, hein?
— E qual é? — olho para todo o seu corpo a procurar o desenho. —
Posso ver? — Tento a sorte.
Simon encara Bennett por alguns segundos, como se pedisse
permissão. Olho para o outro, sentando-se atrás de mim e vejo o exato
momento em que ele assente com a cabeça.
— Claro
Segura a barra de sua camisa e quando a tira, consigo ver a tatuagem
do Fuck U que fizemos ano passado. Subo mais meus olhos à procura do
desenho e encontro um pequeno livro aberto com o desenho de um girassol
e um taco de hóquei.
— Tem algum significado? — pergunto mesmo já sabendo a resposta.
— União — Simon não se estende muito.
Não é um simples desenho.
É um daqueles que você tem com alguma pessoa, e olhando bem para
todos os elementos envolvidos, arrisco dizer que Bennett é uma terceira
pessoa também tem essa mesma tatuagem.
Você me lembra ela.
Seria ela a dona do girassol?
Bem provável que sim.
Encaro os dois à minha frente e percebo a força de olhares que dão um
para o outro. Consigo sentir daqui que eles se amam incondicionalmente,
mas não são completos para viverem esse sentimento.
O que será que aconteceu com eles?
Onde estaria a outra metade que Bennett mencionou?
Perguntas que uma grande curiosa como eu não tenho respostas nesse
momento.
— Uma bela tatuagem — digo quebrando a bolha em que eles se
encontram nesse momento.
— Obrigado.
Os dois respondem juntos e acabam sorrindo um para o outro.
Com um sorriso estampado em meu rosto, olho de um para o outro.
— Qual é a dinâmica do relacionamento de vocês? — pergunto os
pegando de surpresa.
— O que? — Bennett pergunta envergonhado.
Espera.
As bochechas dele estão cotadas?
Estão sim.
Ah, mas não vou perder esse momento por nada.
— É ué — dou de ombros. — O que rola entre vocês? Namoro?
Amizade? Estão esperando a terceira parte de vocês? O que está rolando?
— Pergunto.
Bennett fica roxo de tanta vergonha enquanto Simon quase se joga no
chão de tanto rir.
— Holly você é a melhor — A voz de Simon sai com dificuldade pela
falta de fôlego.
— O que? Só sou curiosa, ué. — Digo olhando de um para o outro. —
E ai, vão me contar o que rola? — Tento mais uma vez.
— Não vamos contar nada sua curiosa — Bennett se levanta e aperta
meu nariz como se eu tivesse três anos de idade.
— Ah, qual é?! — Resmungo.
— Não adianta resmungar — faz um carinho em minha cabeça.
Das duas ou uma. Ou Bennett acha que sou uma criança ou que sou
sua irmã de cinco anos.
— Certo — me dou por vencida.
— O que você precisa saber é que nós amamos, só isso. — Me
responde piscando um dos olhos.
Nós amamos, hein?
O modo que ele disse é muito mais do que amor de amigos que se
pegam, é algo mais.
— Bom, já que só consegui arrancar isso de vocês— caminho em
direção a porta. — Eu vou indo.
— Vamos descer com você — Simon diz atrás de mim me fazendo
parar.
Juntos, saímos do quarto Bennett e quando o dono está fechando a
porta atrás de si, vejo Aaron vindo em nossa direção.
— Ei, o que estão fazendo com minha garota dentro de um quarto? —
corre em minha direção e me toma em seus braços.
Olha só o coração acelerado de novo.
— Estávamos dando um ménage de presente para ela. — É claro que
sim tinha que dizer isso era o Simon.
— É o que?! — Aaron grita me fazendo rir.
— O que? Ela não tinha esse sonho? — Simon o responde com a cara
mais lavada do mundo.
— Qual é a porra do seu fascínio com a minha mulher, hein? — Me
aperta mais em seus braços.
É errado minhas pernas estarem bambas só porque ele me chamou de
minha mulher? Se for, eu não estou nem aí.
— Ainda tenho esperança de roubá-la de você. — Responde rindo do
amigo.
Esses dois se provocam mais do que crianças. Não sei como Bennett e
Liam aguentam.
— Ora, seu… — Aaron me solta e vai em direção a Simon, mas
Bennett entra na frente.
— Parem de agir feito crianças, porra. — E o jeito sério dele ser
voltou.
— Ele quem começou
Simon e Bennett apontam um para o outro como duas crianças.
— Vocês são impossíveis — Digo. — Como aguenta eles? —
Pergunto seguindo Bennett.
— Me pergunto isso todos os dias. — Suspira enquanto desce as
escadas.
O acompanho, mas sou parada pelo chamado de Aaron.
— Ei, vai me deixar aqui largado e abandonado?
— Desculpa, Lindo — estico minha mão em sua direção. — Sua irmã
está fazendo cupcake e eu quero um antes que Liam coma tudo sozinho.
— Então vamos logo — Simon corre na nossa frente.
Rindo da ação do amigo, Aaron segura minha mão e vamos em
direção a cozinha antes que esses mortos de fome acabem com tudo.
Sobre os alvoroços

Sobre todo o barulho

E através de toda a preocupação

Ainda ouço sua voz


Us – James Bay

Puta merda!
Hoje é o dia em que brigaremos pela vaga na semifinal.
Se estou nervoso?
Pra caralho.
O medo de perdemos essa está tomando conta de todo o meu corpo.
Mal consegui dormir essa noite de tanto que me mexia na cama. Meu
colchão sempre tão macio e confortável, parecia ter pregos no lugar da
espuma.
Desligo o chuveiro e saio do box encharcado, sem me importar de
molhar tudo.
Pego a toalha branca pendurada em um gancho perto da porta e a
enrolando na cintura, sigo em direção ao meu quarto para me arrumar e
assim que tudo está em seu devido lugar, vou em direção à saída.
Estou prestes a fechar a porta atrás de mim, quando a porta do quarto
de Liam é aberta e Hanna sai de lá com os cabelos molhados.
— Papai sabe que está dormindo com seu namorado, Bonequinha? —
Acabo a assustando, já que não estava olhando para sua frente.
— Aí que susto seu idiota! — grita e leva a mão ao peito.
— Me chamou de idiota? Tsc — balanço a cabeça. — Não deveria ter
feito isso.
— O que? Por quê? — apoia as mãos na cintura e arqueia uma das
sobrancelhas.
— Porque você acabou me magoando demais — suspiro, fingindo
estar muito desapontado. — Agora terei que contar para o papai que você
está dormindo no quarto do Liam sem a permissão dele.
Hanna espreme tantos os olhos, que me pergunto se ela consegue me
enxergar.
— Você é insuportável, sabia?
— Agora sou insuportável? — pergunto apontando para meu peito. —
Antes do Liam chegar eu era seu príncipe.
— Isso mudou quando você começou a me irritar — estapeia meu
braço.
— Está me agredindo agora? — levo a mão ao local atingido. —
Aquele cretino fez sua cabeça contra mim, não é bonequinha? — Seguro
em sua bochecha com as duas mãos. — Perdi minha bebê.
Hanna tenta se segurar, mas acaba rindo de mim.
— O que aconteceu com você, hein? — tira minhas mãos de seu rosto.
— Dormiu sem a Holly?
— Como adivinhou?
— Você só enche meu saco quando ela está longe.
Estou sentindo um toque de ciúmes em sua voz?
Acho que sim.
Rindo de sua atitude, me aproximo dela e prendo meus braços em
volta dela.
— Está com ciúmes, bonequinha? — pergunto, beijando sua bochecha
enquanto ela resmunga tentando se soltar. — Seu irmão preferido promete
ter mais tempo para ficar com você.
— Você é meu único irmão, Aaron — relembra.
— Mesmo que você tivesse outro, eu seria o preferido.
— Sei — caminha em direção às escadas. — Se você diz. — Da de
ombros fingindo não se importa, mas acabo vendo o sorrisinho em seu
rosto.
Aperto meus passos para alcançá-la antes que suma das minhas vistas.
— Irá me ver jogar hoje? — apoio meu braço em seu ombro e
descemos as escadas lentamente.
— Irei pensar no seu caso — estapeia meu peito, pisca um dos olhos e
sai andando à minha frente

Sinto um corpo me prensar na parede de proteção do ringue com força


o suficiente para me levar ao chão, e escuto o apito do juiz soar um pouco
longe.
Mais que porra.
Olho para frente e vejo quem foi o culpado.
Que porra essa cara está fazendo?
Desde que o jogo começou, o cara com a camisa de número nove vem
dando encontrões em mim. E na maioria das vezes é sem motivo nenhum.
Como por exemplo a investida que ele acabou de dar em mim neste exato
momento. Eu não estava com a porra do disco e muito menos iria
interceptá-lo de alguém.
— Está tudo bem? — Liam pergunta ao se aproximar de mim.
— Sim — afirmo com a cabeça ainda encarando o babaca a minha
frente eu sorrio de uma força sarcástica.
Qual é a porra do problema dele, caralho?
— Tem certeza? — pergunta mais uma vez oferecendo a mão para que
eu me levante.
— Estou. — Respondo com mais grosseria do que eu queria.
Liam não tem nada a ver que esse cara me escolheu para cristo, mas
estou ficando tão puto com tudo isso, que não estou perdendo a paciência.
Eu sei melhor do que ninguém que o hóquei é um jogo violento, em
que os adversários iram fazer de tudo para ganharem a partida. Ainda mais
em uma que nos levará até a final. Mas as investidas dele já estão passando
dos limites.
— Você o conhece? — pergunta olhando para o mesmo lugar que eu.
— Nunca vi na vida — respondo o vendo se aproximar de seus
companheiros de time. — Mas parece que ele me conhece.
— O que quer dizer com isso?
— Que essas investidas estão sendo de propósito. — Ajeito meu
capacete e sigo em frente.
— Acha que está sendo perseguido por ele? — pergunta um pouco
confuso. — Mas por quê?
— Não sei — digo por fim.
Liam me analisa por alguns segundos, e acaba percebendo o quanto
isso está me afetando.
— Olha eu acho que não é nada demais — aperta meu ombro em um
pedido para que eu me acalme. — Estamos tento um jogo importante hoje,
é claro que eles farão de tudo para nos desestabilizar. — Aponta para o

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