depois de um tempo, acabo percebendo o que está acontecendo e começo a
rir.
— Por que está rindo?
— Sério que está com medo de conhecê-los? — pergunto.
— Não estou com medo — limpa as mãos suadas na calça jeans. —
Estou apavorado. — Olha para a saída da cozinha. — Seus pais estão aqui.
— Aaron para de surtar — peço quando ele se levanta. — São só os
meus pais.
— Seus pais e meus sogros, Holly — passa as mão em sua camisa
preta. — Sabe o quanto é importante o dia em que os pais da namorada vão
conhecer o genro? — Pergunta descendo a barra da camisa.
— Nunca fiz isso — cruzo os braços e passo a acompanhar o pequeno
surto que ele está tendo a minha frente. — O que você está fazendo?
— Ajeitando minha roupa — ajeita as mangas da camisa.
Nunca imaginei que ele ficaria tão nervoso com a expectativa de
conhecer meus pais. O cara está quase tendo um treco bem na minha frente.
— Aaron, se acalma — peço, mas ele não me escuta.
— Droga. — pragueja.
— O que foi agora?
— Eu deveria estar com uma blusa de mangas compridas — diz
olhando para seus braços.
— O que? Mas por quê? — pergunto confusa. — Está calor aqui
dentro.
— Sou todo tatuado, Linda. Nem um pai quer que sua garotinha fique
com um cara todo tatuado como eu. — Diz e é a gota d’água pra mim. —
Por que está rindo?
— Na-nada — digo com dificuldades. — Deixa isso pra lá e vamos
logo.
Seguro em sua mão e o puxo em direção a sala, indo de encontro aos
meus pais.
Minhas mãos suam tanto nesse momento, que acabam criando uma
pocinha entra a minha palma e a de Holly, que ainda está entrelaçada a
minha. Não estava nem um pouco preparado para conhecer meus sogros
neste momento.
Só de pensar o que eles irão achar de mim, já sinto meu coração
acelerar e o suor frio escorrer pela minha têmpora
Não me sentiria tão nervoso assim se eu não tivesse tatuagem em cada
parte do meu corpo.
Mentira, me sentiria sim. Mas seria um nervosismo normal, não o que
estou sentindo agora.
Já fui muito julgado pelos diversos desenhos que tenho espalhados
pelo corpo, e já até me acostumei e passei a não ligar mais para isso. Mas
agora são as pessoas mais importantes para a minha mulher que estão na
sala, não queria passar uma má impressão.
Maldita hora que entrei na de Liam, fiz minha primeira tatuagem e
acabei viciando e pintando o corpo todo me transformando em um gibi,
como Holly me chama.
— Linda, deixa eu trocar de blusa antes e arrumar esse cabelo — peço
tentando pará-la.
— Aaron para com isso e vamos logo — me puxa em direção a sala.
— Você está perfeito.
— Mas e se...
Tento argumentar, mas acabamos entrando na sala de estar e dou de
cara com um casal aproximadamente da mesma idade que os meus pais, de
costas para a a entrada e falando com minha irmã.
— Olha como nossa menininha está linda, Querido. — A mãe de
Holly segura as bochechas de Hanna e a encara com olhos brilhantes.
— Está uma princesa — meu sogro responde olhando encantado para
minha irmã.
Dá para ver nitidamente o carinho que eles têm com a minha,
Bonequinha, e ver uma coisa dessas me deixa imensamente feliz.
Quando saí de casa para fazer faculdade junto de Liam, me sentia
muito preocupado em como minha irmãzinha levaria a vida sozinha naquela
escola. Pedi todos os dias para que ela tivesse alguém ao seu lado, e parece
que o destino me ouviu e colocou a pessoa mais incrível nesse mundo ao
lado dela, e consequentemente no meu também.
— Obrigada — Hanna retribui o elogio com um sorriso que toma
conta de todo o seu rosto. — A senhora também está linda. — Se afasta um
pouco para olhar melhor a minha a sua frente. — O senhor também. —
Sorri em direção ao meu sogro.
Minha irmãzinha tem razão, minha sogra é uma mulher belíssima, e ao
olhar para o homem parado ao seu lado, entendo de onde vem a beleza de
Holly.
— Já disse para deixar a senhora de lado. — Pede se afastando.
— Está bem — assente com a cabeça. — Aceitam alguma coisa? —
Pergunta.
— Não querida — nega com um aceno de mão e se senta no sofá atrás
de si, sendo acompanhada pelo marido. — E quem são esses? — Pergunta
olhando para Liam e Harry.
— Esse é meu namorado, Liam, e meu melhor amigo, Harry — minha
irmã aponta simultaneamente para eles.
— Prazer em conhecer vocês meninos. — A mãe de Holly os
cumprimenta com um aperto de mão sendo seguida pelo pai dela.
— Sabem me dizer onde está a minha estrelinha — o homem comenta
apoiando o braço no encosto atrás da cabeça da esposa.
— Estou aqui papai. — Holly entra na sala e me puxa junto.
— Olha ela aí — se levanta e se vira em nossa direção. — Aí está a
estrela mais linda do meu céu. — Se levanta do seu lugar e para a nossa
frente.
Holly solta nossas mãos e corre em direção ao pai que a espera de
braços abertos.
— Oi, papai — o abraça com força. — Senti saudades.
— Não mais do que eu, querida. — Beija o topo de sua cabeça. —
Como você está?
— Muito bem, e o senhor? — se afasta um pouco para conseguir olhá-
lo nos olhos.
Holly não é uma mulher baixa como Hanna, mas seu pai deve ter no
mínimo uns 1,90 de altura.
— Melhor agora — responde com um sorriso gigante em seu rosto.
Mesmo sem querer, acabo sorrindo junto com eles e sinto o
nervosismo diminuir um pouco.
— Viu o que eu disse antes Hanna? — minha sogra se levanta e fica
ao lado da minha irmã. — Ela só vê o pai dela e mais ninguém. — Comenta
e vejo Holly e seu pai olharem em direção a mulher mais velha. — Carrego
nove meses na barriga e é isso que eu ganho. — Finge limpar as lágrimas
no cantinho dos olhos.
— Não precisa ficar com ciúmes Dona Diana — sai dos braços do pai
e corre para o de sua mãe. — Eu amo os dois igualmente.
— Não é o que parece — se faz um pouco de difícil, mas logo abraça
a filha com força. — Saudades minha bebê.
— Também senti, mamãe. — Retribui o abraço e deixa um beijo em
sua bochecha. — Como a senhora está?
— Cansada — suspira e agora olhando melhor para ela, consigo ver
algumas marcas escuras embaixo de seus olhos. — Mas nada que dois dias
inteiros com a minha filha não resolvam.
— Dois dias? — pergunta animada. — Vou ter vocês só pra mim por
dois dias?
— Isso aí estrelinha — o pai concorda. — Ficaremos aqui se não se
importa. — Olha em volta e a tensão que tinha se acalmado um pouco,
volta com força total quando seus olhos passam rapidamente por mim.
Puta merda.
Me pergunto se Holly contou a ele sobre mim e o que ele deve esperar
do novo namorado tatuado da sua estrelinha. Saco, eu deveria ter colocado
uma blusa de manga. Olho em direção a Liam, que está sentado em uma das
poltronas, e o babaca está quase perdendo todo o ar ao prender o riso. Com
certeza rindo de mim.
Cuzão.
O xingo em pensamentos e o idiota vira o rosto para o outro lado,
deixando claro que entendeu o que pensei.
— Sem problema nenhum — Holly afirma chamando minha atenção
para ela. — Vocês podem ficar no último quarto vago.
— Certo — sua mãe bate uma mão na outra, animada e olha em volta.
— Agora me conte, querida. Onde está seu namorado? Não vai nos
apresentar a ele? — Pergunta olhando em volta.
— Claro — afirma com a cabeça e me pega de surpresa quando vejo
desviar os olhos timidamente e suas bochechas assumindo um tom rosado.
A vontade que tenho neste momento é a de morder suas bochechas
coradas.
Minha garota é a coisa mais linda nesse momento.
Se aproximando de mim, Holly entrelaça os dedos, fazendo meu
nervosismos aumentar agora que tenho a atenção dos seus pais para mim e
se vira de frente para os pais.
— Pai, mãe, esse aqui é o Aaron — olha pra mim e abre o lindo e
cativante sorriso. — Meu namorado.
— É um prazer te conhecer, querido — sua mãe me cumprimenta. —
Meu nome é Diana.
— O prazer é todo meu Dona Diana — a cumprimento.
— Ah, querido. Sem o dona, por favor. — Pede e afirmo com a
cabeça.
— Olá, garoto. Tudo bem? Soube que gosta e joga hóquei. — Estende
a mão em minha direção e rapidamente seco a mão livre em minha calça e o
cumprimento.
— Sim senhor — uso poucas palavras.
Estou tão nervoso nesse momento, que sinto ânsia, e acho que ela
sente os tremores que meu corpo produz, já que sinto seus dedos apertarem
os meus.
Foco meus olhos nos dela e ao invés de encontrar solidariedade,
encontro diversão e ao olhar para seus lábios, vejo um enorme sorriso de
Gheshire em seus lábios.
— Hã, papai, mamãe, por que não nos sentamos para conversarmos
melhor? — Holly sugere apontando para o sofá a sua frente.
— Boa ideia querida — sua mãe concorda já seguindo para um dos
lugares vagos sendo seguida pelo marido.
— Ah, quase ia me esquecendo — bate em sua testa de modo teatral.
— Não querem tirar os casacos? Está quente aqui dentro. — Se abana como
se estivesse exposta a uma temperatura mais alta do que a que estamos
passando agora. — Eu os penduro para vocês. — Vai até eles e fica à espera
dos casacos.
— Obrigado querida — seu pai agradece tirando o agasalho e quando
vejo seu braço, fico completamente em choque.
Puta merda, o cara tem o braço completamente fechado pelas
tatuagens igual a mim. É errado eu estar secando o meu sogro de uma
maneira tão descarada assim? Porque caralho, eu estou o encarando com
admiração.
Olho para Holly e ela tenta a todo custo não rir de mim.
Sério que fez isso comigo, Linda? Espremo os olhos em sua direção
quando vejo o sorriso em seu rosto aumentar.
Ela me enganou direitinho.
— Agora sim — diz depois de pendurar os casacos no armário do
corredor e seguir até eles. — Você não vem? — Pergunta me encarando.
— Claro, Linda — respondo enquanto penso em uma maneira bem
deliciosa de castigá-la por esse momento.
Estamos nos acomodando no sofá, quando Jace volta a falar comigo.
— Vi seu último jogo, Aaron. Você joga muito bem.
Puta que pariu.
Ele está dizendo que viu o jogo em que parti pra cima de um jogador
adversário?
Ótima maneira de impressionar, Aaron.
Olho em direção a qual Liam, Harry e Hanna estavam, para me
ajudarem com o que falar, mas não os encontro mais.
Respirando fundo, o respondo:
— Não foi um dos melhores — olho para um canto da sala me
sentindo um pouco constrangido.
— Eu achei incrível — apoia os cotovelos nas coxas. —
Principalmente quando defendeu um companheiro. — Pisca um dos olhos
pra mim e sei exatamente o que ele quer dizer.
— Sempre estarei aqui para protegê-la. — Respondo, respirando com
mais facilidade.
— Bom saber disso garoto — volta a sua posição normal. — Isso só
me faz gostar mais ainda de você.
Suas palavras são como um bálsamo. Não tem nada melhor do que
conquistar a confiança do pai da garota que se ama, ainda mais se ele for
um como o de Holly.
— Obrigado senhor — agradeço.
Olho para Holly que tem um sorriso acolhedor em seu rosto.
Parece que conquistei mais um Saunders, estou ficando bom nisso.
— Tatuado, filha? — abre um sorrisinho cúmplice e pisca um dos
olhos.
Rindo, Holly olha em minha direção e concorda com a mãe:
— Parece que temos o mesmo gosto, mamãe.
Dona Diana solta uma risadinha e volta sua atenção para mim.
— Então, Aaron? Nos conte um pouco de você. — Sua mãe pede
interessada.
Mais relaxado, me recosto no sofá, trago Holly para mais perto de
mim e conto a minha sogra um pouco de mim.
Ficamos um bom tempo jogando conversa fora até eles decidirem
subir e tomarem um banho juntos.
Olho em direção a saída, acompanhando seus passos e quando não os
vejo mais, pulo em cima do corpo de Holly e prendo suas mãos acima da
cabeça.
— Que malvada você é.
— Eu? Mas não fiz nada — me lança um sorriso inocente.
— Acho que terei que castigá-la igual a última vez. — Digo sugando
seu lábio inferior.
— Como da última vez? — finge pensar. — Não estou lembrada sobre
o que aconteceu. Você terá que me lembrar.
— Será um prazer, Linda.
Envolvo sua cintura e levantando do sofá com ela ainda presa a mim,
vou em direção ao seu quarto que um dia ainda será nosso.
Mesmo sem falar nada, vai ser confortável
Se você estiver comigo, todo lugar pode ser meu lar
Você sabe que eu quero esse lar
Você sabe que você é meu lar
Home – BTS
Por que a gente não consegue fazer uma pizza sem transformar a
cozinha em uma zona de guerra?
Tem massa de tomate espalhado, ovos quebrados, leite derramado e
minha bancada está completamente suja de farinha. O porquê dessa sujeira
toda? Meus pais decidiram que já que seria o último dia deles aqui comigo,
era uma boa fazer uma pizza para todos os meus amigos.
Nós sabemos cozinhar sem fazer sujeira, mas qual seria a graça se não
sujássemos tudo? Nem uma eu sei.
Quando os Saunders se juntam na cozinha, é bagunça na certa.
Palavras da Margot, não minhas.
Ainda estou à espera da guerra de farinha que sempre acaba
acontecendo, mas segundo minha mãe, iremos nos comportar, já que temos
um novo integrante.
Diferente das outras vezes em que só estamos meus pais e eu, estamos
sendo acompanhados pelo meu maravilhoso namorado, que quando escutou
que faríamos nossa famosa receita de pizza, se voluntariou para estar aqui
conosco. Mas olhando para ela agora, acho que se sente um pouco
arrependido.
— O que está fazendo? — pergunto ao me aproximar por trás dele.
— Cortando o pepperoni em círculos — apontando o alimento em sua
mão e corta mais um pedaço.
— Isso é tudo menos um círculo, Aaron. — Prendo uma forte
gargalhada quando vejo ele tentar cortar mais uma fatia, mas acaba que não
corta nada. — Não quer eu faça isso pra você? — Tento pegar a faca de sua
mão, mas ele se esquiva.
— Não, Linda — nega e tenta cortar mais um pedaço do pepperoni. —
Quero fazer isso sozinho.
Concordo que ele continue a terminar de cortar tudo, e decido ficar ao
seu lado o impedindo que acabe cortando o dedo fora.
Cada vez que ele desce a faca, é uma respiração que eu prendo. Por
que ele não ficou com a função de ralar o queijo? Seria tão mais fácil. Se
tem uma coisa que não combinam de jeito nenhum é Aaron e cozinha. Esse
dois são inimigos mortais. Eu já desconfiava quando percebi que ele
demorou quase uma hora para fazer uma simples salada de frutas, mas tive
mais certeza da catástrofe que era quando ele me contou sua experiência
como chefe de cozinha, no Dia dos Namorados.
— Está tudo bem aqui? — meu pai se aproxima de nós.
— Eu acho que sim. — Digo meio hesitante. — Estão precisando de
ajuda? — Pergunto olhando em direção a minha mãe. ‘
— Não, estrelinha — nega com a cabeça. — Só vim avisar que já
começamos com o concurso.
— Certo — dou pulinhos no mesmo lugar. — Dessa vez eu vou
vencer vocês.
— Vai sonhando! — mamãe grita do outro lado da cozinha. — Está
falando com a bicampeã dessa competição. — Faz uma dancinha da vitória
bem tosca.
— Esqueceu que antes de você ganhar por dois anos consecutivos eu
já tinha ganhado pelo menos quatro vezes? — papai pergunta recostando o
quadril na bancada atrás de si.
— Pequenos detalhes que não tem importância agora. — Mamãe dá de
ombros o fazendo rir.
— Não tem importância porque não são seus feitos, não é espertinha?
— caminha em direção a esposa, a pega pela cintura e a vira de frente para
si mesmo.
— Mas é claro — passa os braços no pescoço dele e o encara com um
sorriso apaixonado estampado em seu rosto.
Sem que eu perceba, acabo sorrindo com a cena à minha frente. Meus
pais são o casal mais incrível e admirável que eu conheço.
— Eles são fofos — Aaron comenta ao meu lado.
— Sim, eles são. — Respondo ainda olhando em direção aos meus
pais.
— Será que seremos assim quando envelhecermos? — pergunta
chamando minha atenção.
Passo a encará-lo.
— Pensa em um futuro comigo?
— Mas é claro que sim — largando seus afazeres, ele para á minha
frente e apoia as mão na bancada atrás de mim, me deixando presa entre
seus braços. — Acha que quebrei todas suas regras com o intuito de ficar
com você para terminamos depois de um tempo? — Pergunta, aproximando
seu rosto mais do meu. — O que temos é e será para toda a vida Holly. —
Beija a pontinha do meu nariz.
Meu coração acelera no peito e me tira o ar. Nunca pensei que poderia
sentir um amor tão genuíno e puro quanto sinto pelo homem à minha frente.
Aaron conseguiu clarear um lugar escuro dentro de mim como uma estrela
que ilumina o céu escuro. Quando olho para ele, consigo ver um futuro ao
seu lado, onde passaremos o resto de nossas vidas implicando e amando um
ao outro.
— Eu amo você minha estrela — digo dando um selinho em seus
lábios.
— Estrela? — pergunta confuso enquanto inclina a cabeça de lado.
— Um dia você vai entender. — Beijo a pontinha do seu nariz e dou
uns tapinhas em seus ombros. — Agora vamos que tenho que te explicar
como funciona nossa competição.
Me viro em direção a bancada, ficando de costas para ele.
— Sério que vai me deixar curioso? — apoia sua mão em minha
cintura e me puxa de encontro ao seu corpo.
— Não era você que gostava de surpresa? — pergunto de maneira
atrevida.
Rindo, ele morde a pontinha da minha orelha.
— Malvada — beija minha bochecha e se afasta de mim, ficando ao
meu lado. — Vamos logo com isso que aqueles mortos de fome já, já
entram aqui cobrando comida. — Aponta para os ingredientes a sua frente.
— Me conta que história é essa de competição.
— Certo — concordo com a cabeça. — Esse concurso meus pais
criam quando eu tinha dez anos e cismei que queria comer uma pizza de
sabor diferente, só não sabia qual seria. — Separo o queijo em dois
potinhos. — Meu pai acabou tendo a ideia que criar sabores novos e fazer
uma competição para ver qual era a melhor. — Olho em sua direção e o
vejo me encarar concentrado. — Ele venceu aquele dia com a pizza de
muçarela de búfalo com patê de azeitona.
— Azeitona? — pergunta um pouco cauteloso. — Como algo que
tenha azeitona pode ficar bom?
— Eu amo azeitonas. — Comento.
— Hum... — dá de ombros e volta a me encarar. — Quer dizer que é
uma competição para descobrir sabores novos?
— Isso aí — afirmo, estalando os dedos da mão. — Pronto para criar o
sabor ganhador da noite?
— Você sabe que sou uma negação para cozinhar, Linda.
— Mas agora você tem a mim. — Asseguro.
— Faremos juntos então? — pergunta animado.
— Somos uma dupla agora — ofereço minha mão aberta para que ele
bata.
— Isso aí, Linda. — bate a mão na minha e volta a olhar os
ingredientes disponíveis a sua frente. — O que vamos fazer?
— Me deixe pensar. — Olho para cada coisa que separamos e aos
poucos vou montando algo em minha mente. — Já sei. — Pego o queijo
muçarela e o cheddar. -
— Muçarela e cheddar juntos? — olha com estranheza.
— São pizzas em que os sabores não são convencionais — pego um
potinho com azeitonas pretas e separo também. — Agora me ajude a fazer e
pare de reclamar dos ingredientes que escolho.
— Tudo bem. — Pega a vasilha que deixei a massa descansar até
fermentar e crescer o suficiente. — O que faço com isso?
— Polvilha um pouco de farinha na bancada, depois joga metade da
massa em cima e abre ela com rolo até ficar em uma espessura boa.
Vou explicando tudo a ele, e quando não resta mais dúvidas volto a
prestar atenção na minha parte.
Para a pizza de hoje, escolhi fazer uma com bastante queijo cheddar,
azeitonas, peito de peru e cebola, bastante cebola.
Estou concentrada fatiando a cebola quando vejo tudo branco a minha
frente e minha boca se enche de farinha.
— Aaron! — grito e tusso ao mesmo tempo. — O que você está
fazendo? — Largo a faca na bancada e tempo limpar meu rosto com o
braço.
Meu namorado gargalha com tanta vontade que ele inclina o corpo
para a frente.
— Você estava tão séria cortando essas coisas.
— Então acho que seria legal focar farinha em mim? — pergunto.
— Exatamente isso. — Volta a rir descontroladamente.
Querendo dar o troco, pego uma mão cheia de farinha e jogo em seu
rosto, exatamente como fez comigo.
Levo a mão à boca para segurar minha gargalhada.
Acho que peguei um pouco pesado.
Aaron está completamente branco, desde seus cabelos, cílios e roupas.
— O branco lhe cai bem, amor — digo rindo de sua cara surpresa.
— Não sabia que era vingativa, Linda. — pisca os olhos e acaba
caindo um pouco de farinha em cima dele.
— Você ainda não viu nada — pego um pouco de cheddar na ponta
dos dedos e faço um carinho sorridente em sua bochecha. — Agora está
perfeito. — Gargalho com tanta vontade que jogo minha cabeça para trás.
— Está rindo, não é? — pega um papel toalha e tenta limpar a sujeira.
— Quero ver se vai achar engraçado quando eu fizer isso aqui.
Aaron pega um montante de molho de tomate e passa em meu rosto, o
sujando por completo.
A surpresa foi tanta que acabei ficando de boca aberta e engoli um
pouco do molho, e só não caiu nos meus olhos porque os mantive fechados.
— Eu não acredito nisso — tiro o excesso cadê molhos de olhos, com
os dedos. — Idiota. — Tento bater em alguma parte de seu corpo, mas ele
acaba se esquivando. — Te odeio.
— Não odeia nada — segura em minha cintura e me puxa em direção
ao seu corpo. — Que tal fazer a massa perfeita?
— O que…?
Não termino de perguntar e sua boca está colada na minha e toda a
vontade que eu tinha que quebrar algo em sua cabeça, passam como em um
passe de mágica. Mesmo estando completamente sujos, esse é um dos
beijos mais gostosos que já recebi dele. Nem o gosto do molho de tomate e
farinha podem estragar isso. Seu beijo tem gosto de Aaron e felicidade, o
melhor sabor que já experimentei.
Ele me beija com todo o seu corpo, suas mãos acariciam minha cintura
enquanto sua língua envolve a minha em uma dança lenta e gostosa que só
nós dois conhecemos os passos.
É mágico.
É lindo.
É eu e Aaron.
Estou tão entregue a esse momento, que nem escuto o momento em
que meus pais chegam perto de nós e pigarreia ao nosso lado.
— Eles te lembram algo, querida? — papai pergunta, conseguindo
enfim chamar minha atenção para ele.
Aaron e eu cessamos nosso beijo e olhamos na direção em que meus
pais estão parados nos encarando.
— Com toda a certeza — olho em direção a minha mãe e meu coração
se aquece ao ver o sorriso caloroso e orgulhoso em sua voz. — Guerra de
comida, é?
— Ele começou.
— Ela começou.
Acusamos um ao outro como duas crianças.
Rindo, minha mãe balança a cabeça em negação e diz:
— Só quero que arrumem essa bagunça depois.
— Pode deixar, sogrinha — bate continência.
Dona Diana ria da atitude do genro maluco.
— Andem com isso que temos pizzas para fazer além das do concurso.
— Papai diz voltando para seu lugar. — Ou querem perder pra mim?
— Nunca! — mamãe e eu falamos juntas e corremos para terminar
nossas pizza.
— Agora é sem brincadeiras, Lindo. Papai declarou guerra. — Vou até
a pia para me limpar e quando estou satisfeita, volto a separar os
ingredientes.
— Vamos ganhar essa, Linda. — Garante já limpo e voltando a abrir a
massa.
Essa competição eu não vou perder.
Como o último pedaço de pizza satisfeita.
— Nossa, isso estava muito bom. — Simon elogia pegando mais um
pedaço da pizza que fiz. — Nunca tinha comido algo tão bom.
— Será que já temos um voto garantido, Linda? — Aaron pergunta
olhando em minha direção.
— Parece que sim — olho em direção aos meus pais. — Estão se
sentindo ameaçados?
— Nós? Nunca, querida. — Papai abana a mão fingindo não ligar. —
Me garanto na minha pizza de ovos triturados, calabresa e muçarela. Sei
que aceitei no sabor.
Tenho que assumir que estava gostosa demais. Como sempre, o senhor
Jace é um ótimo pizzaiolo, mas tenho fé que esse ano o título é meu.
— Nada muito original, papai.
— E a sua é? — Pergunta.
— Com certeza. — Afirmo com convicção.
Escuto a risada de mamãe e passamos a encara-lá.
— Do que está rindo, querida? — papai pergunta.
— Da ingenuidade de vocês — pega sua taça de vinho e toma um
gole. — É claro que a minha pizza de salmão com azeitonas pretas irá
ganhar.
— Peixe na pizza mamãe? Quem gosta disso?
— Eu — Harry levanta a mão e pega mais um pedaço da pizza de
salmão.
— Sério, baby Yoda? — o encaro surpresa. — Peixe na pizza?
— O que? Achei um sabor decente e bem gostoso. — Morde um
pedaço com vontade.
— Você e seus gostos diferentes, Harry. — Hanna diz colocando seu
copo de refrigerante em cima da mesa.
— Não gosto do convencional — responde.
É oficial. Meu baby Yoda tem um gosto estranho. Primeiro prefere DC
a Marvel e agora gosta de peixe na pizza? É, ele é estranho, mas ainda o
amo.
— Bom, já que todos comeram, vamos votar na melhor pizza. —
Papai entrega um lápis para cada um de nós é um pedaço de papel. —
Escrevam o nome da pizza e de quem fez, dobrem e o coloque aqui. —
Aponta para um copo que não foi usado.
Um a um vamos escrevendo nossa preferida e colocamos o papel no
lugar correspondente.
— Vou contabilizar — mamãe diz pegando um papelzinho e o
abrindo. — Pizza de ovos. — Diz depois de ler.
— Ganhei um ponto, Estrelinha. — Se vangloria.
Mostro minha língua para ele o fazendo rir e volto a prestar atenção
nos pontos.
Os papéis vão sendo abertos e quando o último finalmente é revelado e
a pontuação está mais do que concretizada, pulo de felicidade pela vitória.
— Ganhamos, Linda — Aaron se levanta e me envolve pela cintura
também.
— Eu disse que ganharíamos. — Envolvo seu pescoço com os braços
e dou um selinho em seus lábios. — Somos uma ótima dupla.
Aaron aperta minha cintura de uma maneira carinhosa e sorri em
afirmação.
É isso aí! A pizza de Aaron e Holly vai para o livro de receitas dos
Saunders.
— Agora que já decidimos o vencedor, vamos lavar tudo isso. Bennett
comunica apontando para as formas de pizzas, pratos e copos.
— Vamos quem? — Simon pergunta.
— Todos aqueles que não cozinharam. — Liam fala já se levantando e
pegando os utensílios sujos.
— Tem certeza de que não querem ajuda? — Minha mãe pergunta.
— Pode deixar tia Diana, nós cuidamos de tudo. — Hanna garanta.
— Bom, se é assim — olha rapidamente para o meu pai. — Já vamos
dormir porque amanhã saímos cedo.
Só de lembrar disso bate um desânimo.
— Detesto esse momento — caminho até eles e os abraço de uma vez.
— Não se preocupe, filhota — mamãe beija minha cabeça. — Suas
férias estão chegando e vamos passá-la juntas. — E você também está
convidado, Aaron. Agora vai fazer parte da nossa tradição da pizza.
— Pode deixar Diana. — Escuto a voz do meu namorado atrás de
mim.
Levanto a cabeça e olho para eles.
— Uma boa notícia pelo menos. — Comento.
Rindo, papai faz um carinho em minha costa.
— Não vai demorar muito e estará em casa, Estelinha. Você vai ver. —
Garante.
— Tudo bem — assinto, me sentindo desanimada ao me separar deles,
mas não sem antes dar um beijo na bochecha de cada um.
— Boa noite crianças. — Se despedem de nós. Estou prestes a me
virar de frente para Aaron, quando a voz de meu pai me chama a atenção.
— Holly, quanto aquele assunto que conversamos antes, não se preocupe,
está tudo resolvido. — Conta, piscando um dos olhos, em um movimento
cúmplice.
Sorrio em sua direção.
— Obrigada, papai — agradeço mandando um beijo em sua direção.
Acenando em minha direção, meu pai vira de costas, e some de vez
pelo corredor, me deixando mais tranquila quanto ao que poderia acontecer
com Aaron, caso Theodore o denunciasse.
— Aconteceu alguma coisa? — Aaron pergunta, me virando de frente
para si.
— Não era nada demais — faço um movimento para que deixe para lá.
Me olhando fixamente, ele deixa claro que esse assunto não será
esquecido e que ele ainda quer saber sobre, mas que por hora irá deixar para
lá.
— Então, quer ir dormir também? — pergunta me envolvendo minha
cintura.
— No seu ou no meu? — pergunto.
— Que tal a gente fazer do seu quarto o nosso? — pergunta inclinando
a cabeça para me ver melhor.
Transformar meu quarto no nosso?
Até que não é uma má ideia. Já dormimos juntos todos os dias mesmo.
Só deixaríamos as coisas mais fáceis.
— Eu topo.
O mundo não é perfeito, mas não é tão ruim assim
Se temos um ao outro e isso é tudo que temos
Eu serei seu irmão e segurarei sua mão
Você deveria saber que estarei lá por você
If We Have Each Other – Alec
Estávamos na final.
Puta que pariu, nós conseguimos mais uma vez.
Ver meus amigos se abraçando de longe e comemorando juntos me
traz dois sentimentos. O de euforia máxima, que o coração quase sai pela
boca de tanta felicidade, e um pouco de tristeza por não está jogando com
eles nesse momento.
Gostaria de estar lá dentro com eles, suando a camisa para nos levar
até a próxima fase. Porém estou do outro lado do vidro, com a comissão
técnica e os reservas. Não me arrependo nem por um segundo do motivo
que me impediu de continuar jogando.
Estou cumprimentando os jogadores reservas, quando vejo meus
amigos se aproximando. Rapidamente largo tudo o que estou fazendo,
caminho em direção a eles, e quando estou perto o suficiente deles, pulo em
cima de Simon.
— Conseguimos Aaron — me abraça com força. — Caralho, a gente
conseguiu porra! — Grita no meu ouvido.
Mesmo não tendo feito parte dessa conquista, ele me inclui como um
dos responsáveis.
— Eu disse que iríamos conseguir cara. — Dou alguns tapinhas
amigáveis em suas costas.
— Estamos na final, caralho. — Apoio minha mãos em seus ombros e
balanço seu corpo para frente e para trás.
Simon tem um sorriso tão grande e brilhante em seu rosto e qualquer
sentimento de insatisfação desaparece em questão de segundos.
— Aos poucos estou conseguindo, Aaron. — Comenta e sei
exatamente sobre o que ele está falando.
— Ainda veremos você em um time de liga, cara — comento,
sentindo a mão de Liam repousar em meu ombro. — O sonho de um. —
Digo vendo Bennett colocar uma das mão sobre a minha que ainda está
apoiada no ombro de Simon.
— É o desejo de todos. — Respondem em um eco junto de mim.
— É isso aí, porra — Liam enlaça meu pescoço e me puxa em sua
direção. — Vamos comemorar?
— Só se for com a nossa turma e em casa, cara — Simon leva uma das
mãos ao ombro e faz massagem. — Estou prestes a desmontar com um
simples toque.
Acabo rindo do seu drama.
— Você não quer sair? — coloco a mão em sua testa. — Está doente
ou algo assim?
— Para com isso, cuzão. — Estapeia minha mão. — Só quero ficar em
casa, sei lá. — Dá de ombros. — Estou ficando um pouco cansado de sair
para todos os lugares e ver as mesmas pessoas.
— Está querendo sossegar, Simon? — Liam pergunta.
— Acho que sim — afirma com um movimento de cabeça. — Nosso
penúltimo ano está quase no fim. Ano que vem começaremos a ter mais
responsabilidades que antes. — Suspira. — Acho que só quero aproveitar
antes dessa calmaria antes do caos. — Conta.
Entendo perfeitamente o que ele quer dizer. Não que antes eu fosse um
cara que só queria saber de festa. Eu gostava e ainda gosto de sair com
meus amigos, mas desde que Holly entrou na minha vida, passei a apreciar
mais os momentos em que passava ao seu lado. Principalmente agora que
somos namorados.
— Entendemos você, Simon. — Liam diz enquanto tira suas luvas. —
O ano que está vindo aí será de muitas mudanças.
— Nem me fale. — Bennett suspira cansado.
— Será que finalmente irão dar um nome para a relação de vocês? —
pergunta fazendo um gesto sugestivo com a sobrancelha. — Só falta vocês
dois.
Liam ri da minha fala enquanto balança a cabeça em negação, e
mesmo que não saia nem uma palavra de sua boca, sei exatamente o que ele
está pensando. Você é muito cuzão, cara.
Pisco um dos olhos para ele e viro em direção a Simon e Bennett que
se encaram neste momento.
— Não estamos completos para nomear nossa relação. — Simon
responde todo misterioso.
O que será que ele quer dizer com isso?
Bom, eu não faço a mínima ideia, e nem quero pensar nisso agora.
Olho em direção a Liam e seu rosto reflete a mesma expressão confusa
que a minha, e sem combinar um com outro, damos de ombros.
— Enfim, porque vocês não vão tomar banho logo para irmos para
casa. — Sugiro.
— Sim, vamos logo. — Bennett segue na frente de todos sendo
seguido por Simon.
— Vou esperar vocês lá fora com as meninas e Harry. — Aviso a
Liam.
— Até daqui a pouco.
Se despede e segue até o caminho do vestiário.
Olho em volta, vendo o ginásio esvaziar aos poucos, e sinto a euforia
voltar.
Só mais um.
Só mais um jogo e levaremos a taça para casa.
Esse ano é dos Artic Fox.
Piso no último degrau da escada e quando piso na sala de estar,
estranho o silêncio à minha volta.
Uma casa onde residem seis pessoas barulhentas, nunca fica em
silêncio, a não ser que todos estejam dormindo ou fazendo besteira. Como
sei que todos já se levantaram, aposto na besteira.
Olho mais atentamente para a sala de estar e quando tenho certeza de
que não há mais ninguém aqui além de mim, sigo minhas buscas pelos
outros cômodos.
Vou à cozinha, área de serviço, sala de jogos e quando estou quase
desistindo, escuto uma conhecida vindo da sala de filmes.
— Quase pensei que estaria sozinho em casa. — Digo me
aproximando do sofá em que minha irmã está sentada. — Sabe onde os
meninos foram?
— Simon e Bennett foram treinar e Liam foi ao orfanato. — Conta
enquanto dá tapinhas no lugar vago ao seu lado. — Onde está Holly?
— Saiu para comprar algumas coisas para usar no blog — me
aproximo. — Não foi com ele dessa vez por quê? — Me sento ao seu lado.
— Está tudo bem? — Pergunto depois de ver a expressão cansada em seu
rosto.
— Estou com cólicas, nada demais. — Morde o lábio inferior quando
sente uma ponta de dor.
Sei disso porque desde a primeira vez que seu ciclo teve início, sempre
ficava ao lado lado, a mimando.
— Quer comer alguma coisa? — pergunto e a vejo negar com a
cabeça. — Algum remédio? Já comeu algo?
— Estou enjoada demais para comer e sim, já tomei um remédio. —
Conta, chegamos mais perto de mim e deitando sua cabeça em meu ombro.
Suspiro preocupado.
Esses dias são horríveis para minha irmãzinha. Hanna sofre com dores
e horríveis e enjoos, nos primeiros dois dias, o que acaba a deixando mais
dengosa do que já é.
— Você tem que comer, Bonequinha. — Digo enquanto faço carinho
em seus cabelos dourados. — Nem que seja um pouco.
Encolhendo as pernas, até que seus joelhos fiquem próximos ao seu
peito, ela passa os braços envolta da minha cintura.
— Prometo que como depois.
— Vou cobrar, hein mocinha. — Toco a pontinha do seu nariz com o
dedo indicador e a faço rir.
Um dos sons que mais amo é a risada da minha irmãzinha. Acho que
por ter sido a primeira pessoa a tirar isso dela, passei a aguardar pela
próxima vez em que a escutaria de novo.
Eu assumo sem vergonha nenhuma.
— Está assistindo Spirit sem mim? — pergunto fingindo estar
indignado.
— Não resisti — me lança um olhar de desculpa. — Mas ainda
podemos ver juntos, olha. — Aponta para a tela. — Está no começo ainda.
Hanna tem razão.
Ela deve ter assistido a vinte minutos de filme sozinha, no máximo.
— Não vou considerar isso como uma traição sua, Bonequinha. —
Beijo sua cabeça e passo a prestar atenção no filme.
Esse foi o primeiro filme que dei para irmã, então ele tem uma história
especial por trás. Na época, minha irmãzinha não tinha amigos que vissem
filmes com ela. Então eu passei a ser seu amigo de filme. Conheço todas as
animações de princesas, filmes da Barbie e afins.
Desde então peguei gosto por ter esses momentos com ela, que
infelizmente não temos tido desde que entrei para a faculdade.
— Estava com saudade de ter esses momentos com você. — comenta
chamando minha atenção.
— Eu também.
— Quase não passamos mais tempo juntos. — Olha pra cima,
mirando seus grandes olhos azuis, nos meus.
— Você me trocou pelo, Liam. — Me finjo de ressentido.
— E você me trocou pela Holly. — Dá o troco me fazendo rir.
— Quem diria que estaríamos namorando o melhor amigo um do
outro, hein.
— Parece uma sina dos Carson — responde, levando a mão à boca
tampando sua risada.
— Um carma talvez? — pergunto. — Pode virar roteiro de livros para
você. — Faço um carinho em sua bochecha.
— Pode ter certeza que sim. — Afirma com a cabeça rindo.
Como é o destino, não é? Dois irmãos que acabaram se apaixonando
pelos respectivos melhores amigos um do outro. História interessante a
nossa.
— Agora falando sério — Hanna chama minha atenção. — A gente
passava mais tempo juntos quando não tinha a faculdade e o namoro. —
Seu olhar se torna vago como se estivesse lembrando de algo. — Sinto
saudades dos nossos momentos.
— Eu também, Bonequinha. — Faço um carinho em sua bochecha. —
Me desculpe por não estar tão presente nesses últimos tempos. — Seguro
em seu queixo e a faço olhar pra mim. — Prometo que mudarei essa
situação.
Antes de Liam e Holly chegarem em nossas vidas, éramos melhores
amigos um do outro, e de maneira nem uma deixarei que isso mude.
— Jura? — pergunta e acaba fazendo beicinho.
Totalmente dengosa.
— Juro. — Concordo sorrindo. — Você é a pessoa que eu mais amo
nesse mundo, Hanna. — A abraço com um pouco mais de força.
— Deixe só a mamãe te ouvir falando isso — belisca meu abdômen
me fazendo rir.
— Ela só irá saber se você contar, espertinha. — Dou tapinhas leves
em sua mão.
Hanna acaba rindo por conta das investidas, afasta sua mão de mim e
ajeita sua cabeça em meu peito, procurando uma posição melhor. Aos
poucos sua risada vai morrendo e passa a olhar fixamente para um ponto a
sua frente, como se estivesse pensando em algo, até que volta a olhar em
minha direção dizendo:
— Que tal fazermos uma promessa? — levanta-se devagar no meu
colo.
— Que tipo de promessa? — pergunto, me sentindo curioso.
— Que em um dia do mês teremos o Dia dos irmãos Carson — conta
animada. — Sem ninguém a não ser nós dois.
Um dia de irmãos? Gostei disso.
— Fechado.
— Fechado. — Lambe a palma da mão e a estica em minha direção.
Gargalho ao ver a velha mania que tínhamos quando fechamos um
acordo, faço o mesmo que ela e junto nossas mãos babadas, fechando nosso
acordo.
— Já que fechamos nosso acordo, vamos voltar a ver nosso filme até
essa cólica monstruosa passar. — Volta a se aconchegar no meu colo e
passamos a tarde toda vendo filmes juntos como nos velhos tempos.
Oh, escorrendo pelo seu corpo como ouro
Lentamente embaçando as janelas
Minha pele na sua pele, de novo e de novo
Sue para mim
Sweat – Zayn
Destranco a porta do quarto, caminho em direção a cama de casal
localizada no meio do cômodo e me jogo em cima do colchão macio com
tudo. Eu tento, mas não consigo parar de sorrir depois da experiência que
vivenciei hoje.
Meu coração está tão descontrolado dentro do peito, que fica até difícil
respirar.
Hoje, finalmente, ocorreu o tão esperado show do Imagine Dragons.
Ainda me encontro sem palavras para descrever tudo o que estou sentindo.
Com toda a certeza, hoje foi um dos dias mais incríveis da minha vida.
Consegui ver meus bebês bem de pertinho, pular e cantar as músicas de
maneira enlouquecida, e para completar, meu incrível namorado acabou
cantando minha música preferida em meu ouvido enquanto deslizava uma
aliança de namoro em meu dedo anelar direito.
Tem como esse dia ficar melhor?
Eu acho que não.
Levanto a mão que agora tem uma linda joia de ouro branco com uma
pedra azul a enfeitando, e fico a admirando com alguns momentos.
— Fiz uma boa escolha — Aaron diz se sentando ao meu lado.
— Nunca me imaginei usando uma dessas — viro a mão de um lado
para o outro, e sorrio quando a luz bate sobre a mesma e a ilumina de uma
maneira única.
— Parece que tenho minha própria estrela nas mãos. — Sussurro.
Aaron entrelaça nossos dedos e deixa um beijo bem em cima da peça
gelada.
— Falando em estrelas — pega em meu queixo e vira meu rosto em
sua direção. — Irá me contar o motivo de ter passado a me chamar assim?
— Mas é claro que não — o respondo e acabo rindo ao ver sua
expressão.
Ele não precisa saber que passei a chamá-lo dessa maneira porque
acabou iluminando minha vida como uma estrela em um céu negro.
— Por que é sempre tão malvada comigo? — morde minha bochecha.
— Porque gosto da cara de bobo que você faz quando nego algo.
— Ah! Quer dizer que gosta de me torturar, não é? — aperta o ossinho
do meu quadril fazendo com que eu me contorcer pelas cócegas.
Dou um tapinha em sua mão, parando seu ataque e aproximo nossos
lábios.
— Exatamente. — Passo a língua em seus lábios e mordo o inferior
bem de levinho o prendendo entre os dentes por alguns segundos. .
Aaron me fita com os olhos semicerrados.
— Diabinha — comenta me fazendo rir.
— Eu toda carinhosa o chamando de estrela enquanto você me chama
de diabinha e Carma. — Comento fingindo indignação.
— O que posso fazer se você é o Carma da minha vida e uma
completa diaba quando me trata dessa maneira? — Apoia a cabeça em sua
mão.
— Vai dizer que não gosta de ser desafiado por mim? — apoio minha
mão em seu peito, sentindo os batimentos ritmados do seu coração.
— Eu amo — responde pegando em minha mão e deixando um beijo e
passa a encarar a joia ali presente. — Tenho que contar que a sensação de o
ver em seu dedo é maravilhosa. — Conta.
— Te faz lembrar que sou sua? — pergunto me virando de lado e
ficando de frente para ele.
— Não preciso de um anel para saber que você é minha. — Apoia sua
mão em minha cintura e me puxa mais para perto.
— Ah não? — arqueio uma das sobrancelhas. — Então por que me
deu ele?
— Porque quero que todos tenham a certeza de que você tem dono —
aproxima o rosto do meu e chupa meu lábio inferior com força. — Assim
como eu. — Levanta sua mão com uma aliança masculina igual a minha.
Suas palavras fazem um sentimento de posse crescer dentro de mim.
Desço meus olhos em direção aos seus lábios avermelhados e convidativos,
e sem perder tempo, apoio uma das mão em sua nuca, o puxo em minha
direção e junto sua boca na minha matando o desejo de sentir seu gosto.
Chupo seus lábios com força, e sinto meu corpo vibrar e minha boceta
se contrair ao escutá-lo gemer em satisfação. Me aproximando mais de si,
apoio minha perna na sua e consigo sentir seu pau completamente
endurecido.
Aaron entranha seus dedos entre os cabelos da minha nuca e os puxa
usando um pouco de força. Sinto minha calcinha umedecer e um
desconforto gostoso em minha boceta. Sem perceber, passo a movimentar
meu quadril de encontro ao seu, sentindo seu pau no ponto exato do meu
prazer. Um simples beijo e já me encontro completamente pronta para ele.
Sua mão desce em direção a minha cintura e virando nosso corpo,
ficando sobre mim, ele passa a diminuir o ritmo do beijo, passando a selar
meus lábios repetidamente.
— O que acha de tomar um banho para relaxar? — pergunta beijando
meu pescoço.
Involuntariamente, me contorço quando sinto um arrepio subir pela
minha coluna até se perder em minha nuca.
— Ótima ideia — segurando em sua nuca, viro o rosto para trás e
beijo seus lábios rapidamente. — Entra comigo? — Pergunto enquanto me
levanto e começo a me livrar das minhas roupas até ficar completamente
nua na sua frente.
— Estarei logo atrás de você, Linda — seus olhos mapeiam meu corpo
e sinto cada pedacinho de pele por onde seus olhos passaram, arder.
— Por que não vem agora? — subo uma das mãos em direção ao meu
seio, sinto uma fisgada gostosa quando passo a massagear a carne macia
enquanto o encaro fixamente.
Mordendo o lábio inferior, ele morde o lábio inferior e veja a luta
interna que ele trava para não se levantar e caminhar em minha direção.
— Tentador — sua voz está alguns tons mais graves. — Mas preciso
fazer uma coisa antes de ir ao seu encontro.
— O que você está tramando? — pergunto curiosa.
— Você verá — se levanta e vem em minha direção. — Agora seja
uma menina obediente e faça o que te pedi. — Ordena e meu corpo treme
ao escutar seu tom de ordem.
— Já que é assim — assinto com a cabeça e caminho em direção ao
banho, mas não sem antes senti-lo usar sua mão grande para bater em
minha bunda.
Olho em sua direção por cima do ombro e vejo um sorriso faceiro em
seu rosto.
Sem dizer uma só palavra, entro no banheiro de uma vez.
O lugar é amplo, com uma banheira de mármore branco brilhante, ao
lado do box envidraçado. Sigo em direção ao chuveiro, e suspiro em
contentamento quando a água morna entra em contato com minha pele.
Pego uma embalagem lacrada de sabonete disponível, abro o mesmo, faço
bastante espuma nas mãos e passo por todo o meu corpo.
Já perdi a noção do tempo em que estou aqui dentro, quando sinto sua
presença atrás de mim, antes mesmo que me toque.
— Aproveitando sem mim? — segura em minha cintura e sussurra em
meu ouvido.
Sorrindo, o respondo:
— Estaria aproveitando mais se estivesse aqui comigo.
Sua risada grossa ecoa pelo banheiro, fazendo meu corpo se acender
novamente.
— Estou aqui agora pronto pra cuidar de você — desce uma de suas
mãos pelo meu ventre e segue em direção a minha boceta. — Já está assim
sem que eu tenha te tocado? — Começa a estimular meu clitóris.
Ofego jogando a cabeça para trás e a apoiando em seu ombro,
completamente rendida por ele.
Aaron continua a estimular minha boceta de forma lenta e constante.
Fecho os olhos em uma tentativa de sentir seu toque de uma maneira mais
profunda, o vapor quente faz minha pele transpirar e ferver, e alguns fios de
cabelo grudarem em minha têmpora.
Minha pele está escorregadia por conta do sabonete, fazendo com que
seu toque deslize com suavidade em minha pele. Se aproximando, ele
segura em minha cintura e aperta o local com força o suficiente para deixar
a marca seus dedos ali.
— Aaron — levo minha mão para trás e a afundo em sua nuca.
— Você é deliciosa demais. — Sem esperar por uma resposta minha,
desliza seu dedo pela minha boceta até chegar à fenda e me penetra com um
dedo, enquanto passa a sugar a pele no meu pescoço.
Ele me leva a loucura em questão de segundos, me fazendo desejar
que seu dedo seja substituído pelo seu pau. Me pegando de surpresa, um
segundo dedo se junta ao primeiro, no movimento de vai e vem.
— Mais... — peço, apertando minhas coxas uma na outra.
Passo a rebolar em seus dedos com vontade e força, e seguindo meus
movimentos, ele aumenta a velocidade de seus dedos e com o polegar e
passa a estimular meu clitóris, minha pele está completamente arrepiada e
sensível ao menor toque. Minha respiração perde o compasso e se mistura
com meus gemidos.
Sinto o prazer se acumular em meu ventre e meu clitóris pulsar em seu
polegar.
— Goza pra mim — pede quando sente minha boceta esmagar seus
dedos.
Como se eu só precisasse desse estímulo, sinto as paredes do meu
canal se apertarem em volta dos seus dedos e meu corpo convulsionar com
força, e gozo em seus dedos, os melando. Fecho meus olhos com força para
aproveitar esse momento, e em uma alucinação deliciosa, passo a ver
pontinhos brilhantes à minha frente. Minhas pernas tremem e quase vou ao
chão, se não fosse pelos seus braços em volta de minha cintura.
Aaron esconde o rosto no meu pescoço e sinto quando abre um sorriso
faceiro.
— Ter você gozando pra mim é sempre magnífico. — Suga a pele
molhada da minha clavícula.
Ainda de olhos fechados, levo minha mão para trás, para o meio de
nós dois, seguro em seu pau e aperto a carne macia e quente.
— Está na hora de eu cuidar de você — com os olhos nublados pelo
orgasmo, viro de frente para ele.
Estou quase me abaixando, quando ele me impede e me pega no colo.
— Hoje não, Linda. — Desliga o registro atrás de mim e sai comigo
do box.
— O que está fazendo? — pergunto sem entender sua atitude. — Por
que me impediu?
— Porque hoje à noite é sobre você e o seu prazer. — Suga meu lábio
inferior e volta para o quarto comigo ainda em seu colo.
Diferente do cômodo que estávamos a poucos segundos atrás, o clima
no quarto está fresco, fazendo minha pele nua e molhada se arrepiar.
— Não se preocupe com o frio — alisa minhas costas. — Em poucos
segundos sua pele queimará. — Comenta, assim que percebe meus braços
arrepiados pelo frio.
— Hoje você está cheio de promessas — digo e acabo rindo quando
sinto meu corpo quicar em cima do colchão macio após ser jogada em cima
do mesmo.
— E prometo cumprir todas elas. — Responde parado em frente a
cama.
Me apoiando nos cotovelos, passo a encarar descaradamente cada
pedacinho do seu corpo, e mesmo que eu tenha acabado de gozar, sinto
minha boceta se contrair quando meu olhos focam em seu pau
completamente ereto e pulsante. Subo minhas inspeção para seu abdômen
definido e tatuado, pelos braços malhados, passo pelos seus lábios inchados
pelos nossos beijos, até focar em seus olhos quentes e brilhantes.
— Admirando? — pergunta depois de um tempo. — Há algo que te
agrade?
— Muito. — Digo voltando a encarar seu pau ereto e passo a
acompanhar o caminho que a gotinha pré-ejaculatória faz pela carne macia.
— Você o quer? — pergunta, envolvendo a glande inchada e tudo o
que consigo fazer é concordar com a cabeça. — Onde você o quer? —
Pergunta, começando a bater uma punheta lenta e torturante.
— Dentro de mim — respondo olhando hipnotizada para ele.
Abrindo um sorriso cafajeste, ele diz:
— Seu pedido é uma ordem.
Aaron para de estimular seu pau, que agora está muito mais duro e
melado do que minutos atrás e apoiando o joelho em cima da cama, ele
sobe em cima de mim, ficando com nossos rosto bem próximos um do
outro. Seus olhos descem em direção aos meus lábios e sem esperar, ele
volta a devorá-los com fome. Sua língua pede passagem, e reprimo um
gemido quando a sinto deslizar sobre a minha, explorando cada cantinho
dela.
Aaron me deita no colchão, pressionando mais seu corpo contra o
meu, me fazendo sentir sua ereção contra minha barriga e meu ventre se
contrai pela expectativa de recebê-lo. Envolvo seu pescoço com meus
braços, não deixando nem um espaço livre entre nós.
Interrompendo nosso beijo, ele junta nossas testa e nossos olhos se
encontram, me dando a sensação de que eu poderia me afogar neles.
— Eu preciso de você — digo.
Sem precisar pedir mais uma vez, Aaron passa a atacar a pele do meu
pescoço até meu peito, intercalando os beijos com mordidas, me fazendo
gemer e arquear as costas. Meus seios ficam bem rente aos seus lábios, e
descendo a boca, passa a chupar meu seio esquerdo, endurecendo o mamilo,
ao mesmo tempo em que massageia o direito.
Empurro sua cabeça para baixo, desejando que seus lábios estejam em
outro lugar. Entendendo meu pedido, ele passa a descer pela extensão da
minha pele, lambendo e soprando um ar quente pela pele da minha barriga
até chegar em minha boceta.
— Você é muito gostosa — sua voz não passa de um suspiro. — Sou
completamente viciado em você, Amor.
Não tenho forças para respondê-lo e acho que ele nem espera por isso,
já que passa os braços por debaixo do meu quadril, me puxa para mais
perto, abre meu grandes lábios usando sua língua, e passa a chupar meu
clitóris, me fazendo alucinar e gemer enlouquecida.
Sem que precise de um comando, passo a rebolar em seus lábios
quando sinto explorar minha boceta, provocando minha entrada com a
língua. Aaron desliza uma das mão pela parte interna da minha coxa, até
alcançar minha boceta e penetrar um dedo. Sentindo um prazer imenso,
com minhas próprias mãos, passo a estimular meus seios, esmagando a
carne macia e pesada entre os dedos.
— Aaron... — gemo seu nome e o sinto aumentar as investidas. — Eu
preciso de você. — Peço, segurando em seu pescoço e o puxando em minha
direção. — Preciso de você dentro de mim. — Envolto minhas pernas em
sua cintura.
— E você terá — beija meus lábios fazendo com que eu sinta meu
próprio gosto. — Mas será de um jeito diferente. — Desprende nossos
lábios quando seguro seu pau e o levo em direção a minha entrada.
— O que quer dizer com isso? — pergunto arfante.
— Que hoje vou realizar um dos seus desejos. — Vejo ele esticar a
mão em direção a mesinha de cabeceira e pegar um frasquinho, uma
embalagem de camisinha e... espera, isso é um vibrador?
— Um desejo? — pergunto confusa, olhando para os objetos em sua
mão.
— Lembra quando disse que gostaria de participar de um ménage? —
pergunta enquanto abre o frasco do que descobri ser lubrificante. — Esse
será o único que você irá participar. — Comenta enquanto abre a
embalagem de camisinha, a posiciona e a desliza pela extensão do vibrador
— De quatro minha putinha. — Ordena enquanto pega o frasco de
lubrificante, despeja em uma das mãos e começa a passar por toda a
extensão do vibrador.
. — Terei que pedir de novo? — Pergunta depois de ver que me
mantive no lugar.
Sorrindo por conta do seu tom autoritário, faço o que me pede e fico
de quatro bem à sua frente.
— Boa garota — estala um tapa em minha bunda com força o
suficiente para deixar a carne avermelhada.
— Filho da...
— Shi... quietinha. — Pede acariciando a pele atingida.
Sua carícia continua por alguns segundos até cessar, e fico à espera do
seu próximo passo, que não demora a chegar.
Me pegando de surpresa, sinto algo gelado encostar em minha bunda e
olhando por cima dos ombros, vejo Aaron passar lubrificante em seus dedos
e penetrar meu cu novamente, usando seu dedo indicador. Tensionado as
costas, sinto minha respiração sair entrecortada.
— Você precisa relaxar — pede e solto o ar lentamente pela boca.
Retirando o dedo lentamente, para em seguida encostar a ponta do
vibrador em meu cu. O receio assume meu corpo, mas tento me manter o
mais relaxada possível.
— Puta merda — praguejo quando sinto seus dedos irem em direção a
minha boceta, passando a me estimular e me ajudando a relaxar.
Sinto a pressão em volta do meu cu, mas seus estímulos fazendo meus
músculos relaxarem de uma vez. A grossura do vibrador ajuda e muito na
hora de recebê-lo.
— Caralho, você é muito gostosa — passa a me estocar lentamente,
fazendo com que me acostume com a invasão. — Mal posso esperar para
ser o meu pau no lugar.
Os estímulos são tantos, que afundo minha cabeça no colchão quando
um grito sufocada acaba escapando dos meus lábios. Meu ventre se contrai
em um aviso de que estou bem perto de gozar. A dupla penetração me
estimula de uma maneira única.
— Aaron... — suplico da maneira que consigo.
Meu cérebro está tão inundado pela neblina do prazer, nesse momento,
que desconheço quem sou neste momento. Meu corpo é feito de sensações e
nada mais.
— O que você quer? — pergunta deitando-se por cima de mim e
colando nossas peles suadas. — É só pedir.
— Dentro de mim — em um primeiro momento as palavras saem
desconexas. — Preciso de você dentro de mim. — Peço, usando a última
gota de sanidade.
— Seu pedido é uma ordem. — Suga a pele úmida da minha nuca,
enquanto retira lentamente o vibrador do meu cu.
Volto a olhar por cima do ombro, e mesmo com a visão nublado,
consigo vê-lo colocar uma camisinha em seu pau e posicionar a cabeça
larga e inchada em meu cu.
Como da última vez, Aaron passa a me penetrar lentamente, mas por
conta da diferença gritante de tamanho, sinto um desconforto na região, mas
com os estímulos em minha boceta, volto a relaxar por completo e sinto
cada centímetro me invadindo.
A sensação de ser preenchida por ele é incrível, não há palavra que
possa descrever o prazer que me rasga nesse momento, e quando o sinto
completamente enterrado em mim, sufoco o grito que me sobe à garganta.
Aaron fica imóvel por alguns segundos, me dando um tempo até que me
acostume com seu tamanho.
Quando me sinto pronta, passo a rebolar tanto em seus dedos quanto
em seu pau, dando aval para que ele se mexa. Sem dizer uma palavra,
Aaron passa a se mexer dentro de mim, me fodendo com seus dedos e pau
ao mesmo tempo, seus movimentos vão entrando em sincronia, fazendo
meu corpo se acender.
— Acho que já posso realizar seu desejo — comenta enquanto retira
os dedos lentamente de dentro da minha boceta, me fazendo gemer.
Volto a olhar por cima do ombro, e o vejo pegar o vibrador rosa, retirar
a camisinha o leva em direção a entrada da minha boceta, me penetrando
lentamente, passando a me torturar da maneira mais gostosa possível. Com
uma sincronia perfeita, ele passa a meter seu pau bem fundo em meu cu e o
vibrador em minha boceta.
Cada lugar em que nosso corpo se encontra, é como lava que queima e
me leva além do limite. Não sei se sou capaz de aguentar por muito tempo.
Cada investida e gemido que saem dos nossos lábios, é como se
estivéssemos tomando posse um do outro para sempre.
— Não sei se aguento por muito tempo — murmuro, sentindo uma
onda de prazer se formando em meu ventre.
— Goza no meu pau, Amor. — Envolve meu pescoço com sua mão
grande, colocando pressão em seu agarre enquanto seu pau e o vibrador
continuam a trabalhar em meu interior.
— Aaron...
Sinto meus sentidos embaralharem, minha pele se arrepiar e sinto
como se estivesse em uma queda livre. O prazer vem em ondas, com mais
intensidade que a anterior, tomando conta de todo o meu corpo.
— Olha só pra você — morda na altura do meu ombro esquerdo. —
Vê você tendo um squirting[9] é demais pra mim. — Intensifica o aperto em
meu pescoço e passa a meter seu pau em movimentos ritmados e
constantes.
Sinto seu pau inchar dentro de mim e enterrando a cabeça em meu
pescoço e sugando a pele sensível, ele investe mais duas vezes em mim até
alcançar seu clímax. Sua respiração está ofegante contra a pele do meu
pescoço, faz minha pele se arrepiar. De maneira lenta, Aaron tira seu pau e
o vibrador de dentro de mim, e acabo arfando por conta da sensibilidade.
Minhas pernas tremem e sem aguentar me manter na posição, vou
escorregando até está completamente deitada no colchão.
Meu corpo está exausto, não consigo mexer nem um músculo sequer.
Sinto o braço de Aaron envolver minha cintura e me puxar para perto, me
aconchegando em seu peito, me permitindo escutar os batimentos
acelerados de seu coração.
— Gosto do seu ménage improvisado? — pergunta olhando em minha
direção.
— Foi melhor do que se tivesse outra pessoa conosco. — Começo a
desenhar coisas desconexas em seu peito.
— Bom saber disso — seu carinho em meu couro cabeludo começa a
relaxar meu corpo mais e mais. — O único pau diferente que teremos como
companhia será o de borracha. — Comenta, me fazendo rir.
— Você é o único que preciso. — Com os olhos semicerrados pelo
sono, beijo seu peito e volto a me aconchegar em seu peito voltando a
escutar os batimentos do seu coração, agora mais tranquilos.
Esse realmente é o melhor dia da minha vida.
Uma luz estranha órbita ao seu redor
Você flutua pelo ambiente
Seu toque é feito de algo que
Nem o paraíso pode se comparar
Heaven – Niall Horan
Meus batimentos cardíacos estão completamente descontrolados nesse
momento, quanto vejo todo o time lutar para levar a taça de campeão para
casa.
Caralho, que nervoso não poder fazer nada para ajudá-los.
O jogo segue empatado.
Ryan fez nosso primeiro gol, sendo seguido por Simon que aproveitou
um ótimo passe para finalizar e acertar o disco no fundo da rede.
Era só segurar o ritmo, mas é claro que tínhamos que dar bobeira com
dois lances ridículos e tomamos dois gols seguidos.
Agora estou aqui, quase sem todas as unhas da mão, já que as roí a
maior parte do tempo, e sem poder fazer nada.
É horrível essa sensação de impotência.
— Vai, Thomas! — Grito, levantando do meu lugar acompanhado
cada centímetro que nosso capitão avança.
Thomas tem um ótimo controle sobre o disco, não dando brecha para
que ninguém do time adversário o intercepte. Bennett segue ao seu lado,
enquanto Liam bloqueia quem vem pela frente.
Com o caminho livre, Thomas segue em frente, mas ao se aproximar
do gol, dois jogadores do time adversário conseguem formar uma barreira,
o impedindo de continuar.
Tudo acontece muito rápido, em um segundo o disco está em posse de
Thomas e no outro segue como um tiro certeiro em direção a Simon que
correu tão rápido para ajudar nosso capitão, que nem de onde ele veio. Meu
amigo o intercepta e sem perder tempo, dá uma bela tacada.
O barulho da sirene e o movimento da rede fazem os torcedores irem à
loucura.
— Isso, porra! — Grito em comemoração pela vantagem que abrimos.
Foco meu olhos no rinque e vejo meus companheiros de time se
amontoarem em um abraço coletivo, mas o que realmente mexe comigo é
ver meus três melhores amigos olharem em minha direção e dedicarem o
gol para mim.
Esses desgraçados querem me fazer chorar aqui na frente de todos?
Com a garganta embargada, mostro o dedo do meio, os fazendo
gargalhar e voltar a atenção para o jogo.
Olho para o cronômetro e me sinto aliviado quando vejo que faltam
menos de dois minutos para o fim da partida.
Volto minha atenção para a frente, vendo dois jogadores se
posicionarem do meio do rinque, enquanto o árbitro segura o disco, conta
até cinco e o libera. A disputa pela chance de marcar mais um ponto
começa e graças a destreza de Thomas, conseguimos a posse e seguimos em
direção ao gol adversário.
Mesmo estando em vantagem, ainda não podemos cantar vitória. Volto
a olhar para o cronômetro e o nervosismo só se torna maior quando vejo o
tempo passar mais rápido do que os passos de Thomas em direção ao Gol.
Um jogador entra de uma maneira bruta em nosso capitão o fazendo
perder a posse do disco e ir ao chão. Escuto os jogadores reservas gritarem
e xingarem contra, mas meus olhos não saem de Liam, que de uma maneira
ágil, toma o disco para si e vai em disparada em direção ao gol.
— Vai, Liam! — grito passando o olhar dele para o cronômetro que
marca menos de um minuto.
Olhando para meu melhor amigo novamente, vejo Simon e Bennett o
apoiarem na defesa, livrando seu caminho até que ele chegue em frente ao
gol e passar a encarar o goleiro a sua frente. O momento acontece em
questão de segundos, mas pra mim parece estar em câmera lenta. Vejo o
exato momento em que Liam flexiona os joelhos, leva os braços para trás e
dá um tiro certeiro no Gol.
O apito soa sinalizando o final do jogo, tornando real a nossa vitória.
Grito com tanto fervor que sinto minha garganta doer. Sem perder
tempo, tiro as proteções do patins e entro no rinque seguindo alguns
jogadores reserva e vou em direção aos meus amigos, que assim que me
veem, vem em minha direção.
— Conseguimos, Aaron. A gente conseguiu, porra! — Simon grita
eufórico enquanto envolve seus braços envolta do meu pescoço.
Passo meus braços em volta do seu corpo, e dou batidinhas amigáveis
em suas costas o parabenizando.
— Vocês conseguiram — digo olhando para cada um deles.
— Nós conseguimos — Liam deixa claro, passando os braços em meu
ombro e me puxando para si.
— Mas eu nem joguei — relembro.
— Mas estava torcendo e nos dando força como ninguém. — Bennett
responde, me pegando de surpresa.
De nós quatro ele é o que menos nos demonstra seus sentimentos,
então escutar isso dele, acaba mexendo comigo.
Aperto seu ombro, e sei que ele entendeu o que quis dizer, mesmo sem
verbalizar.
Com Bennett é assim, não precisamos de muitas palavras para sermos
entendidos.
— Cara, sei que já disse isso antes, mas obrigado mais uma vez por
serem os melhores amigos do mundo e por me ajudarem a realizar meu
sonho. — Chama nossa atenção para si. — Não tenho como agradecer a
vocês por isso.
Não sei se pela energia do momento ou por sentir que ele está cada vez
mais perto de realizar seu sonho, percebo sua voz ficar embargada.
— Agradeça entrando em um time da liga — digo.
— E conseguindo ingressos para a gente. — Liam comenta nos
fazendo rir.
— Prometo que terão os melhores lugares sempre. — Simon garante
nos fazendo rir.
Olhando melhor, consigo perceber o quão feliz está. Muitos podem
não entender, mas termos ganhado hoje é como se ele estivesse subindo um
degrau em direção a sua vitória. Simon se tornará um grande jogador,
provando ao seu pai que ele é capaz de tudo o que quer.
— Acho que mais alguém quer nos parabenizar — Liam e o vejo
aponta em direção a saída do rinque.
Olho na direção indicada e vejo Holly acompanhada por, Hanna,
Maddy, Harry e Genna. Se as expressões em seus rostos forem indicativas
de alguma coisa, ouso dizer que eles estão loucos para falar com a gente.
— Vamos — digo já seguido em direção a ela que me espera com um
enorme sorriso em seu rosto.
— Ei, campeão — me pegando de surpresa, ela tenta vir até mim.
Querendo evitar que acabe caindo, sigo em sua direção e a pego no
colo.
— O que está fazendo sua doida — apoio meus braços em suas costas
enquanto ela envolve as pernas em minha cintura. — Você poderia ter
caído.
Faz um gesto como se não fosse nada e envolve meu pescoço em um
abraço apertado.
— Tinha que vir aqui e parabenizar você — beija meus lábios
levemente. — Foi um ótimo jogo.
— Mas eu nem joguei, Linda — a respondo com um sorriso nos
lábios. — Não tenho nada a ver com a vitória de hoje.
Pensei que esse assunto me incomodaria, mas depois de ver a alegria
de Simon ao conseguimos o título, nosso time unido ao ponto de virar a
partida nos minutos finais, só faz com que eu me sinta eufórico.
— Como não — inclina um pouco o rosto para trás, a fim de ter uma
melhor visão de mim. — Passei boa parte do jogo te encarando e vi os
incentivos que você dava aos meninos, mesmo que estivesse de fora dessa.
— Passa a fazer um carinho em minha nuca. — Então tem sua parcela nessa
vitória, sim. — Diz enquanto mantém seus olhos focados nos meus.
Como sempre acontece quando a tenho em meus braços, passo a
admirar cada pedacinho de seu belo rosto, e cara... ainda não acredito que
consegui conquistar essa garota. Holly é como um sonho pra mim, e agora
que a tenho ao meu lado, passarei o resto de minha vida cuidando do seu
coração. Espero que ela aprecie a pequena homenagem que fiz a ela em
meu corpo.
— O que tanto você olha? — chama minha atenção.
— Só admirando a mulher mais linda desse mundo. — Faço um
carinho e a sinto se contorcer em meu colo.
— Me bajulando para conseguir algo, Carson? — pergunta me
fazendo rir.
— Por que a pergunta?
— Seus olhinhos estão brilhantes — para os próprios para sinalizar. —
Quando eles brilham assim é porque vai apontar algo ou já aprontou.
— Sinto informar que não fiz nada dessa vez — digo me fingindo de
inocente. — Só tenho uma surpresa pra você.
— Pra mim? — pela esperança em seu rosto, sei que ela não esperava
por isso.
— Posso saber o que é? — pergunta ansiosa.
— Aqui não é o lugar mais apropriado para isso. Linda. — Respondo
enquanto patino para a saída, com ela ainda em meu colo, depois de ver
Liam sinalizando em minha direção.
— Não acredito nisso — leva as mão aos lábios teatralmente. — Você
colocou o piercing no mamilo? — Olha em direção ao meu peito como se
pudesse ver através do tecido. — Ou melhor. Colocou um no seu pau?
— Não foi dessa vez que coloquei um piercing no mamilo, Linda. —
Conto a ela. — E que história é essa de piercing no pau? Não vou deixar
ninguém furar meu pau, Holly. Mesmo que você prometa me chupar todos
os dias, para melhorar a dor.
— Sabe que a perfuração não pode ter contato com saliva, não é? —
arqueia uma das sobrancelhas.
— Ainda ficarei sem uma chupada? — arregalo os olhos, surpreso. —
Agora mesmo que não furo.
— Então era um assunto a se pensar? — pergunta interessada.
— O que?
— Bom, você disse que depois de saber que eu não poderia chupar
você por algum tempo, que não iria colocar uma joia lá. — Enfia as mão
entre nossos corpos e aperta meu pau com vontade. — Então quer dizer que
você estava pensando sobre.
Sério que eu estava pensando em furar a cabeça do meu pau só para
agradá-la? Aaron essa mulher te pegou pelas bolas mesmo.
— Você sabe que faço tudo o que me pede — aproximo nossos rostos
e sugo seu lábio inferior.
— Bom saber disso — abre um sorriso vitorioso e acabo engolindo em
seco.
Será que dói muito furar a cabeça do pau? Com certeza eu teria que
estar bêbado para fazer isso. Estou pensando em algumas possibilidades de
um jeito menos doloroso para ter um piercing novo, quando sua risada me
tira dos pensamentos.
— Não se preocupe, Lindo — beija meus lábios rapidamente. —
Ninguém além de mim colocará a mão no seu pau a partir de hoje.
Suspiro aliviado e acho que foi alto o suficiente para que ela me
esqueça e caia na gargalhada.
— Você ri de mim, não é?
— Desculpe, não consegui me segurar — respira fundo, até que pare e
rir. — Agora me conte logo qual é a surpresa que tem pra mim.
— Na hora certa — sou um tapa em sua bunda, mudando de assunto
quando paro perto dos meus amigos. — Então, quem quer comemorar nossa
vitória?
— Não acredito que você convenceu Bennett a cantar no karaokê —
Genna comenta ainda rindo do episódio de horas atrás.
— Ah, vai me dizer que não foi a coisa mais incrível do mundo? —
Holly ri parada à minha frente.
— Foi maravilhoso — concordo às acompanhado. — Cuidado para ele
não tomar o lugar de vocês como o novo cantor do grupo. — Aponto em
direção a Liam e Maddy.
— Ele se saiu melhor do que vocês — olha de mim para Genna.
— Que isso? Com essa voz de anjo que eu tenho? — me sinto
indignado.
Como ela pode dizer que não canto bem?
Tudo bem que quando canto as pessoas tapam os ouvidos, mas isso é
só um detalhe bem pequeno.
— Anjo que engoliu um disco quebrado, não é? — Liam tira uma com
a minha cara.
— Ah vai a merda — digo mostrando o dedo do meio para ele.
Depois do jogo, decidimos ir até um bar karaokê que fica bem perto do
nosso campus. Algumas cervejas depois e todo mundo decidiu que
tínhamos virado cantores profissionais. Bem, menos Liam e Maddy, não é?
Aqueles dois não contam com suas vozes doces.
— Acham que ele vai querer se vingar depois? — Hanna pergunta
cautelosa.
— Ele não tem cara de fazer isso — Harry é quem a responde, me
pegando de surpresa. — Mas eu tomaria cuidado em aceitar qualquer coisa
dele. — Dá de ombros, apoiando um braço do ombro de Maddy. — Vai que
ele troque o sal por açúcar no seu suco?
— Não seria trocar o açúcar pelo sal? — Genna pergunta rindo.
— Isso aí — a responde apontando o dedo em sua direção,
cambaleando um pouco.
Parece que uma única cerveja pode fazer um grande estrago em
alguém que não está acostumado. Terei que falar com Hanna sobre levá-lo
para casa hoje.
— Será que eles vão demorar muito ainda? — Hanna pergunta
olhando para a entrada do lugar. — Quero minha cama. — Resmunga,
deitando a cabeça no ombro do namorado.
— A fila para pagar a conta deve estar grande — Liam a aconchega
em seus braços. — Mas eles devem estar aqui em poucos minutos.
— Se ele não matar a gente por ter o feito cantar na frente de todos,
ele com certeza vai nos matar por estar pagando a conta de todos. —
Maddison comenta.
Fizemos uma competição de quem tirasse a menor nota ao cantar,
acabaria pagando todas as despesas de hoje. Por um pontinho a menos,
Bennett perdeu e teve que pagar tudo.
— Vamos torcer para que não — Harry responde rindo.
Coitado, amanhã acordar com uma ressaca daquelas.
— Tadinho do meu baby, Yoda. — Holly comenta preocupada.
— Vai acordar com uma ressaca daquelas. — Digo o encarando e
vendo o olhar bêbado apaixonado que lança em direção a ruiva ao seu lado.
— Teremos que levá-lo para casa.
— Faremos isso — afirma com a cabeça. — Não o deixarei sozinho
hoje.
— Certo — apoio meu queixo em sua cabeça e fico à espera de
Bennett e Simon que ainda estão lá dentro.
— Ei, sabe o que me lembrei aqui? — pergunta chamando minha
atenção e se virando de frente para mim. — Você não me mostrou a
surpresa ainda.
— Verdade — como pude esquecer desse detalhe. — O que acha de
uma caçada ao tesouro então?
— Caçada ao tesouro? — pergunta em dúvida.
— Isso aí — me afasto um pouco. — Te darei uma chance de achar
seu presente. — Me afasto e abro os braços. — E não, não está no meu pau
ou abaixo dele. — Digo quando a vejo olhar em direção a ela a fazendo rir.
— Me dê uma dica então — pede.
— Está em alguma parte do meu abdome. — É a informação que dou.
Seguindo minha dica, segura na barra da minha camisa, a levantar
lentamente até que minha pele tatuada fique à mostra. Holly demora um
pouco para achar, mas quando a encontra, vejo um sorriso incrédulo se
formar em seu rosto.
— Isso é...? — pergunta passando o dedo em volta dos traços finos
desenhados no espaço livre da minha costela.
— Eu disse que a sua bunda é a parte que mais amo em você.
— Não acredito nisso — leva as mãos aos lábios, sem deixar de olhar
para o novo desenho que fiz. — Você tatuou a minha bunda. — Olha em
minha direção. — Como você fez isso?
— Posso não ser um bom cantor, mas até que desenho bem certas
coisas — conto a ela.
Estava voltando do orfanato, quando acabei passando em frente a um
estúdio de tatuagem, e sem pensar duas vezes, acabei entrando e fazendo a
tatuagem que já queria a bastante tempo. Agora além dela está eternizada
em meu coração, também está em minha pele.
— Então, gostou?
— Achei incrível. — Volta a olhar para o desenho. — Minha bunda
ficou linda nessa calcinha preta de renda.
— Você é toda linda — abaixo minha blusa e envolvendo sua cintura,
a puxo para mais perto de mim. — Eu te amo, Holly. Pra caralho. — Digo
com toda a sinceridade que meu coração permite.
— Eu também amo você, minha estrela. — envolve seus braços
envolta do meu tronco e apoia a cabeça em meu peito e deixando um beijo
ali.
Meu amor por ela não foi premeditado.
Ele foi inevitável.
— Vamos?
Sou tirado da minha bolha com Hanna com a chegada de Bennett e
Simon. Holly se vira de frente em meus braços e ficamos à espera de
dividirmos os grupos nos carros.
— Até que enfim — Genna resmunga. — Já estava cansada de
esperar.
— A culpa foi de vocês que me fizeram... — Bennett para de
respondê-la e acabo me preocupando com seu estado.
Seu rosto fica mais pálido do que o normal, seu olhos estão
arregalados e estáticos, seu lábios estão levemente separados, em uma clara
expressão de incredulidade. Olho para uma de suas mãos, e elas se
encontram fechadas de maneira cerrada.
— Bennett, está tudo bem? — Simon pergunta segurando no rosto do
amigo, sem conseguir chamar sua atenção já que os olhos do homem à sua
frente encaram algo fixamente.
— Eu não acredito — sua voz não passa de um sussurro. — Sunshine.
— Diz olhando hipnotizado.
— O que? — Simon se com os olhos arregalados passando a encarar
algo. — Bennett, é ela.
Suspira, dando um passo lento indo para o meio da rua, mas acaba
sendo impedido por Liam, que o segura no lugar.
— Cuidado cara — o adverte.
Olho para os dois sem entender o que está acontecendo, mas no atual
estado em que eles estão, não ajuda em nada na compreensão. Quando
entendi de uma vez o que estava acontecendo, olho para o outro lado da rua
e só consigo ver fios loiros e rosas entrando em um táxi e sumindo de vez.
Volto a encará-los e agora eles se encaram e conversam algo pelo olhar
que só eles entendem. Desço meus olhos em direção a Holly e percebo que
ou ela sabe o que aconteceu aqui ou tem suspeitas.
Me pergunto o que acabou de acontecer aqui.
Olho para todos os meus amigos a procura de uma respostas, mas
todos tem a dúvida estampada em seus rostos.
É oficial.
Bennett e Simon tem muito o que nos contar.
Quando você diz que me ama
Estou andando pelo céu
Best of Me – BTS
Nove anos depois
Abro a porta de casa e sinto o cheiro de molho tomar conta de todo o
lugar.
Droga! Minha esposa vai me matar.
Acabei me atrasando em uma reunião no trabalho e não consegui
chegar a tempo para o nosso compromisso de família. Hoje é o dia do
concurso de pizza, uma tradição que meus sogros criaram quando minha
esposa era apenas uma criança, e que depois de um tempo, acabamos
pegando emprestado.
Passamos a ter esses momentos pelo menos duas a três vezes no ano
quando éramos mais novos, mas depois que nossas gêmeas nasceram,
passamos a fazer uma vez por mês.
Dá para acreditar que passei a trabalhar na empresa dos meus sogros
assim que me formei? Toquei as alianças de namoro por uma de noivado
um ano depois que ela se formou na faculdade, para seis meses depois,
substituí-las mais uma vez e passei a chamar a mulher da minha vida de
minha esposa? Tivemos duas lindas, atentadas e maravilhosas filhas? E que
acabei me tornando o homem mais feliz do mundo?
É, nem eu mesmo consigo acreditar as vezes. Mas é só escutar a risada
da minha esposa junto dos gritos de felicidade das minhas princesas, para
eu ter certeza que não estou vivendo um sonho.
Estou seguindo em direção a cozinha, quando sou parado por
bracinhos envolvendo minhas pernas.
— Papai chegou! — grita minha caçulinha, Juliette.
— Oi minha princesa — me abaixo, ficando da sua altura. — Como
está minha Estrelinha? — Pergunto, beijando o topo de sua cabeça.
— Com muita fome — abre os braços para que eu entenda o quanto é.
— O senhor demorou muito pra chegar. — Cruza os bracinhos em frente ao
corpo, em uma pose muito parecida com a que a própria mãe me recebe
quando está irritada com algo.
Vê-la dessa maneira, toda crescida, faz meu coração se encher de
amor.
Pensei que já tinha conhecimento sobre o amor verdadeiro. Amo meus
pais, minha irmãzinha e principalmente minha esposa. Mas desde o
momento em que peguei aqueles dois pacotinhos, de bochechas rosadas e
cabelos com a mesma tonalidade que os de Holly, foi que eu senti o amor
de forma mais pura e genuína.
— Desculpe, princesa – me abaixo para ficar a sua altura. — O papai
teve uma reunião no trabalho. — Me desculpo. — Mas olha só o que eu
trouxe pra você. — Entrego um pequeno buquê de rosas amarelas para ela.
— As suas preferidas.
— Amarelas? — cruza os bracinhos em frente ao corpo. — Mas quem
gosta de amarelas é a Juliette, papai. Eu sou a Alyssa.
Sério que ela vai tentar essa pra cima de mim de novo?
Tudo bem que a maioria das pessoas confundem minhas filhas. Por
serem gêmeas idênticas, aqueles que não as conhecem perfeitamente,
podem acabar confundindo uma com a outra, principalmente quando elas
nasceram. Meus pais mesmo viviam trocando as duas, mas com o tempo
acabaram se acostumando.
Elas têm um jeito único de ser e não conseguem me enganar de
maneira nem uma. Juliette é a mais arteira das duas. Está sempre
aprontando alguma. Holly diz que ela se parece comigo, e acho que tem
razão. Quando eu tinha sua idade, aprontava igual ou pior do que ela. Já
Allie, apesar de também aprontar as suas, é mais quietinha e contida, mas
tem uma língua afiada igual a Holly.
Minhas filhas são pessoas idênticas na aparência, mas completamente
diferentes nas ações. As conheço perfeitamente através de seus olhares.
Enquanto Allie tem um olhar amoroso e doce, Julie tem o olhar atrevido e
feroz. Já até imagino a dor de cabeça que elas irão me dar quando
crescerem.
— Você sabe que isso não funciona comigo, espertinha. — Faço
cócegas em sua barriguinha a fazendo se contorcer.
— Não consigo enganar o senhor, né? — abre um sorrisinho atrevido.
— Nem um pouco querida — envolvo sua cintura com meu braço
livre e me levanto com ela no colo. — O papai conhece cada pedacinho seu,
Estrelinha. — Digo, seguindo em direção a cozinha.
— Droga — reclama, enchendo as bochechas de ar. — O tio Liam
caiu.
— Isso porque seu tio não é inteligente ou bonito como o seu pai. —
Faço cosquinhas em sua barriga.
Julie se contorce, gargalhando gostosamente.
— Para papai — pede entre gargalhadas.
— Só se você disse o quanto me ama. — Aperto sua barriga fofinha de
leve.
— Maior que as estrelas — diz com um pouco de dificuldade por
conta do ataque de riso.
— O que? — paro as cócegas e chego meu ouvido bem perto dela. —
Não consegui entender o que me disse.
— E-eu disse que amo mais que as estrelas.
— Ah! Agora eu entendi. — Beijo sua bochecha. — Também te amo
maior que as estrelas, Estrelinha.
Juliette abre o maior sorriso que seu pequeno rosto pode suportar e
deitando sua cabeça em meu ombro, passa a brincar com as pétalas
delicadas, das rosas, com seus dedos gordinhos.
A primeira vez que Holly disse que me amava mais que as estrelas, eu
não entendi o que ela quis dizer o real significado. Fiquei anos tentando
descobrir, mas ela sempre dava um jeito de não responder, até o dia do
nosso casamento onde ela usou o significado como seus votos.
Eu te amo mais do que a infinidade das estrelas, Aaron. Eu te amo
mais que as estrelas.
Chorei como um bebê depois disso.
Liam usa isso contra mim até hoje, mas quer saber? Eu não ligo nem
um pouco.
— Até que fim você chegou — sou tirado de minhas lembranças, pela
voz da minha esposa. — Sua filha já estava ficando impaciente com sua
demora. — Exatamente como nossa filha mais nova fez, Holly cruza os
braços e passa me encara com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Nossa filha ou você? — pergunto, enquanto me abaixo para colocar
Julie no chão.
— Talvez a saudade que sinto do meu marido estivesse me deixando
impaciente. — Responde dando de ombros.
— Fique tranquila, Linda. Que pelo resto do fim de semana eu série
todo seu e das meninas. — Sorrio para ela, que acaba retribuindo e indo
ajudar Julie com suas rosas.
Olho em direção a Allie, e sinto meu coração disparar quando a vejo
pular do banquinho da bancada, mas me acalmo quando percebo a
habilidade com a qual ela aterrissa no chão.
— Papai!
— Olá pequena estrela. — Abro os braços pronto para recebê-la. —
Olha o que o papai trouxe pra você. — Mostro o buquê de rosas cor de rosa.
— Pra mim? — pergunta surpresa, levando as pequenas mãozinhas ao
rosto. — Obrigada, papai. — Envolve meu pescoço com os braços. — Eu
gostei muito. — Dá um beijo estalado em minha bochecha e pegando as
flores, se afasta de mim e segue até a irmã, que coloca seu próprio buquê na
água, com ajuda de Holly.
Me levantando novamente, olho em direção a minha esposa, que
caminha em minha direção.
— Flores, é?
— Queria mimar minhas meninas e fazer um pedido de desculpas
sincero pelo meu atraso. — Entrego o buquê de rosas pretas para ela que a
abraça e aproxima seu nariz arrebitado para sentir o cheiro doce das pétalas.
— Com esse mimo todo fica difícil sentir raiva — volta a olhar em
minha direção.
— Não sabe como fico feliz em ouvir isso. — Envolvo meus braços
em sua cintura e a puxo em minha direção. — Acertei na cor? — Pergunto,
aproximando meu rosto de seu pescoço.
Desde o dia dos namorados a nove anos atrás, eu sempre dou um jeito
de dar rosas da cor preta para ela.
Com meu rosto ainda em meu esconderijo preferido, aspiro seu cheiro
delicioso e sinto meu corpo vibrar..
Lírios.
Ela ainda cheira a lírios frescos.
— Assim como dá primeira vez — responde, me fazendo levantar o
rosto e encará-la novamente, para juntar nossos lábios em um beijo rápido,
mas ainda sim, delicioso.
— Eu amei — se afasta um pouco para que eu possa ver seu rosto. —
Obrigada pelo presente.
— Que bom que gostou — mordo seu lábio inferior, o prendendo entre
os dentes e o solto lentamente. — Espero que goste da outra surpresa que
preparei. — Tiro uma mão de sua cintura e a levo até meu bolso.
— Outro presente? — pergunta surpresa. — Por qual motivo?
— Pelo motivo de eu amar minha esposa linda e maravilhosa — elevo
a caixinha de joias até à altura de seus olhos. — Por ela ser incrível como
mãe, companheira de vida. — Comento, vendo a confusão tomar conta de
seu rosto junto com a admiração. — E porque quero parabenizá-lo pelos
cem mil seguidores em seu Instagram literário. — Finalizo, segurando a
vontade de rir de seus olhos arregalados.
— É o que?
— Isso mesmo, Linda — entrego a caixinha a ela que a pega com
mãos trêmulas. — Parabéns! — A puxo de volta e a abraço com força.
Depois de se formar, Holly se dedicou cada vez mais ao seu trabalho
com a divulgação de livros. As pessoas passaram a acompanhar cada vez
mais suas dicas de leituras. Se algum autor quisesse que seu livro fosse
reconhecido, era só chamar minha esposa que ela fazia acontecer. O que
dizer? Eu tenho a mulher mais foda do mundo ai meu lado.
Seu Instagram literário foi crescendo e chamando cada vez mais
atenção. Até as editoras grandes passaram a chamá-la pra cuidar do
marketing deles. Minha irmã Hanna e nossa amigo Bennett, eram um
Dos autores que ela cuidava. Eu a ajudava em alguns momentos, mas
na maioria das vezes ela pensava em tudo.
Por conta da flexibilidade para trabalhar, quando ficou grávida das
gêmeas, ela passou a trabalhar em casa, e vem fazendo isso até hoje.
— Meu Deus! É lindo, amor. — Diz, olhando fixamente a correntinha
com três pingentes de estrelas, de diamante. — Eu amei. — Olha em minha
direção.
— Assim, mesmo quando eu estiver no trabalho e as meninas na
escola, você sempre terá a gente por perto. — Pego o cordão de sua mão, a
viro de costas pra mim e o coloco em seu pescoço.
Holly se vira de frente pra mim mais uma vez, agora com um sorriso
enorme estampado em seu rosto.
— Obrigada — segura meu rosto com as duas mãos e beija meus
lábios de modo gostoso e breve, já que as meninas estão perto de nós. — Eu
amo você. — Diz, fazendo meu coração palpitar.
— Mais que as estrelas?
Sorrindo, ela assente com a cabeça.
— Muito maior — responde, enquanto seus olhos brilham mais do que
os astros no céu.
Pode passar quantos anos forem, eu sempre serei loucamente
apaixonado pelo olhar da minha mulher. Ainda mais quando os vejo
brilharem quando estão voltados para nossas filhas.
Estamos em nosso próprio mundinho, curtindo nosso momento,
quando dois pares de braços envolvem nossa cintura.