Não me importa quanto tempo demore
Enquanto eu estiver com você, terei um sorriso no rosto
Here With Me - D4vid
O suor escorre da minha testa até os meus olhos, fazendo-os arderem.
Pego a toalha que deixei em cima do painel da esteira e seco meu rosto, até
que não tenha nenhum resquício de suor.
Rapidamente, olho para o cronômetro e ainda faltam dois minutos de
corrida.
Viro para o lado e Liam está concluindo sua série de braço, enquanto
Bennett está ao seu lado, esperando sua vez, já que estão se revezando.
Mesmo os treinos estando em recesso – nosso treinador que teve que
resolver um problema pessoal – não quer dizer que estamos 100% livres
dos exercícios. Hoje mesmo nós quatro tivemos que acordar cedo para
malhar com o time. Fora nossa dieta. Simon não deixa a gente respirar em
cima de algo que contenha carboidrato, açúcar ou gordura.
Ontem, encontrei um pedaço de torta de maçã, que com certeza foi
Hanna quem deixou lá, e quando estava prestes a comer, Simon acabou
chegando na hora e passou a encher o meu saco por vários minutos, porque
eu ia comer a porcaria do doce.
Bennett que acaba sofrendo na mão dele. O cara gosta de fumar e
quando estamos perto do campeonato, magicamente, seus maços começam
a sumir.
Quando Simon tem que ser um pé no saco, ele consegue com maestria.
Olho para o painel mais uma vez e faltam 4..., 3..., 2…,1...
Aperto o botão para desacelerar a esteira, transformando a corrida
intensa em um pequeno trote, passando para uma caminhada, até que pare
de vez.
Ofegante e mais suado do que nunca, pego minha garrafa de água do
suporte e a seco em questão de segundos.
— Vai fazer mais algum aparelho ou esse foi seu último? — Liam
pergunta, tirando sua camisa e parando ao meu lado.
— O último — respondo, pegando a toalha novamente e secando meu
rosto. — Vai fazer mais alguma coisa?
— Simon queria que sim, mas o mandei ir a merda. — Bebe um gole
de sua água.
Acabo rindo da situação.
— Saiu da dieta?
— Foi só a porra de um sorvete — responde.
— Sorvete esse que se deixasse, você comeria até dizer chega. —
Simon chega perto de nós acompanhado de Bennett. — Só estou cuidando
da porra da saúde de vocês. — Aponta o indicador na nossa direção. —
Inclusive da sua. — Se vira em direção a Bennett.
— Mas eu estou seguindo essa sua loucura, Simon — suspira. —
Sempre sigo sem reclamar.
— O que adianta se você fica fumando? — Arqueia uma das
sobrancelhas.
— Foi você quem jogou o maço novo fora, não foi? — Passa as mãos
no rosto.
— Sabe que sim — assume. — Espero que não compre outro. —
Empurra a cabeça do amigo, com um dedo.
— Para com isso. — Estapeia sua mão. — Sabe que odeio quando faz
isso.
— E justamente por isso que vou continuar fazendo. — Tenta repetir o
ato, mas Bennett é mais rápido e consegue se esquivar.
Eu disse que ele ficava louco com a nossa saúde quando chegava perto
do campeonato.
Espero que a gente ganhe esse ano, porque se perdermos essa taça
mais uma vez, o nosso próximo ano será o último, e eu garanto que ele
estará pior do que agora.
— Não podemos relaxar nem hoje? — pergunto, depois de ver Bennett
batendo no melhor amigo. — É final de semana.
Simon está prestes a me responder, quando Liam o interrompe.
— Eu acho bom ele aceitar, porque acabamos de receber um convite
para uma reunião com comida e bebida na casa das meninas — conta,
balançando o celular. — Ou seja, bastante álcool e coisas gordurosas.
Acabo rindo do jeito que Liam fala.
Festinha na casa da Holly?
Estou dentro.
Olho para Simon que nos encara por um tempo, até que confirma com
a cabeça e diz:
— Vamos beber.
Bato na porta, e somos recepcionados pela minha irmãzinha, que tem
um copo de alguma bebida rosa em suas mãos.
— Oi, minha Bonequinha. — Me aproximo e dou um beijo em sua
testa.
— Demoraram. — Fica na ponta dos pés para conseguir beijar minha
bochecha. — Achei que não viriam mais. — Me larga, para receber o
namorado com um beijo.
— Simon achou que estávamos vindo para um evento gigante e ficou
horas no banheiro — Liam conta, se afastando e a envolvendo pela cintura.
— Que foi? Estava me arrumando para poder impressionar a minha
garota — responde, com um sorrisinho de lado estampado em seu rosto.
— Que garota? — Bennett pergunta.
— A Hanna, ué. — Tira minha irmã dos braços do namorado e a
envolve pelos ombros. — E aí, bonequinha? Quanto tempo não te vejo. —
Faz um carinho em seu ombro. — Ainda não se cansou desse músico
fajuto? — Encara Liam que o fuzila com os olhos.
— E por que ela desistiria de mim? Posso saber?
— Sou mais gostoso, interessante — vai ditando enquanto Hanna
começa a rir, ainda abraçada com ele. — A lista é longa. Quer que eu
continue?
— Idiota — Liam o xinga.
— A verdade dói, não é? — suspira, fingindo estar chateado.
— Ah, cala essa boca — manda, esticando a mão em direção a minha
irmã. — Tem como devolver a minha namorada? — Segura Hanna pela
cintura e a puxa em sua direção.
— Namorada por enquanto. — Pisca um dos olhos. — Ainda não
desisti de conquistá-la.
Encaro meu melhor amigo e caio na gargalhada depois de ver que seu
rosto está distorcido em uma careta.
Nesse momento, ele está se mordendo de ciúmes.
Lógico que sabemos que tudo não passa de uma das inúmeras
brincadeiras de Simon, mas quem disse que o ciúmes nos deixa ser racional
nesse momento.
— É melhor abrir os olhos, Liam. — Aponto para Simon com a
cabeça. — Ou ganharei um novo cunhado.
— Vai se foder você também. — Mostra o dedo do meio e sai com
Hanna em direção a sala, nos deixando sozinhos na entrada.
— Ele ainda vai socar você — Bennett diz, passando por nós e
seguindo o casal.
— O que é a vida sem riscos? — responde, com um sorriso cafajeste
nos lábios.
Rindo, balanço a cabeça em negação e passo a seguir o mesmo
caminho que os outros.
Assim que chegamos na sala, vejo que Harry, Genna e Maddy estão
sentados em volta da mesinha de centro, enquanto comem um pedaço de
pizza, acompanhados de Liam e Hanna, que estão sentados no sofá.
Olho em volta à procura dela, mas não a encontro em lugar nenhum.
— Cadê a futura mãe dos meus filhos? — pergunto, olhando para os
nossos amigos.
— Está... — Harry está me respondendo, quando é interrompido.
— Que história é essa de mãe dos seus filhos? — Holly questiona,
passando por mim, indo até a mesinha de centro e pegando um pedaço de
pizza.
— Relaxa, linda. Eu estava falando da Maddy. — Pisco em direção a
ruiva que para o pedaço de pizza em frente ao rosto.
Holly me encara e se olhar matasse, com toda certeza, eu estaria
estirado no chão da sala nesse exato momento.
— Eu acho que ele não tem medo de morrer — minha irmã sussurra
atrás de mim.
— Você já aproveitou bastante, né? — Cruza os braços em frente ao
corpo. — Não tem problema não. — Se vira de costas pra mim e de frente
para Simon. — Ainda está de pé aquela proposta?
Meu estômago se revira todo e sinto o gosto amargo do ciúmes tomar
conta da minha boca.
— Que proposta? — pergunto, me aproximando deles.
Sem olhar para mim, ela volta a questionar Simon.
— Então?
— Eu disse que eu seria a melhor escolha. — Se aproxima. — Mas
você escolheu o Aaron no jogo de Verdade ou Desafio.
— Cometi um pequeno erro — se finge de decepcionada. — Me
desculpe por isso.
É errado eu querer esganar o Simon nesse momento?
— Vão sentir muita falta se eu matá-lo agora? — pergunto, depois que
ele puxa Holly pela cintura.
— Nem um pouco — Liam responde.
— Ele procurou por isso. — Os olhos de Bennett não passam de
fendas ao encará-lo.
— Parece que alguém será castigado hoje — Genna ri do seu próprio
comentário.
— Pode ter certeza que sim — respondo, enquanto chego perto de
Holly. — Acho melhor tirar suas mãos daí se quiser continuar com todos os
dedos. — Olho para sua mão na cintura dela.
— Não sabia que era ciumento, Carson. — Sorri de lado e a puxa para
mais perto.
— Por ela? — Tiro suas mãos da cintura de Holly, viro-a de costas
para mim e envolvo-a com os meus braços. — Sempre — confirmo.
Seu corpo treme e sei que a sem-vergonha está rindo do meu pequeno
embate com Simon.
— Você gosta de me provocar, não é? — sussurro bem rente a sua
orelha.
— Eu? — Vira seu pescoço para que possa me olhar por sobre o
ombro. — Você sabe a resposta.
Me pegando de surpresa, ela me dá um selinho rápido e se solta do
meu agarre, indo se sentar ao lado de Hanna.
Atordoado, fico parado no meio da sala como um bobo que ganhou
seu primeiro beijo da garota que gosta.
Esse é o efeito que Holly tem em mim.
Ela consegue me desconfigurar em questão de segundos e com um
único ato.
— Vai ficar aí em pé ou vai se sentar? — Genna pergunta, apontando
para o lugar vago ao lado de Holly
Sem dizer nada, me sento no lugar indicado.
— Quer um pedaço? — Coloca algo em frente ao meu rosto.
Acabo me afastando por conta do movimento repentino, mas quando
vejo que é um pedaço de pizza de quatro queijos, aceito, abrindo a boca e
mordendo um pedaço generoso.
Suspiro em satisfação, quando a combinação do queijo muçarela,
parmesão, provolone e gorgonzola, se misturam em minha boca, formando
a melhor combinação do mundo.
Como senti falta de comer uma boa pizza.
Faz meses que não sei o que é isso.
— Quer mais? — Holly pergunta, me oferecendo mais um pedaço.
— O que deu em você para estar me dando comida na boca? —
pergunto, aceitando. — Você não botou veneno aí não, né? — provoco-a.
— Isso você só vai descobrir daqui a dez minutos — responde à
altura.
Rindo do que disse, me recosto no sofá, apoio meu braço em seu
ombro e a puxo para mais perto de mim. Fico esperando para ver se irá se
afastar, mas quando isso não acontece, relaxo mais ainda.
— Cara, que saudades de comer uma boa pizza e relaxar assim com
vocês. — Genna transforma meus pensamentos em palavras.
— Digo o mesmo — concordo. — A faculdade está me matando aos
poucos.
— A todos nós — Maddy suspira, deitando a cabeça no ombro de
Harry que fica estático com a aproximação repentina.
Já percebi que ele fica supertímido quando envolve a Maddy. Quer
dizer, ele fica com a gente também, não tanto quanto quando minha
irmãzinha o apresentou para nós, mas ainda fica. Só que com Maddy, a
coisa é diferente. Ouso dizer que ele desliga por alguns segundos para
religar logo em seguida.
— Se eu tiver que entregar mais um trabalho, eu juro que vou surtar
— Hanna diz, depois de dar um gole em sua bebida.
— Não se esqueça que teremos prova essa semana, Hanna Mo —
Holly relembra e minha irmã resmunga.
— Odeio provas de fim de ano — Genna assume.
— Quem gosta de provas? — Simon pergunta. — Por mim, eu não
fazia nenhuma delas. Não quero seguir carreira no curso que faço mesmo.
— É, mas se você não tiver notas boas, você é cortado do time,
esqueceu? — Liam o relembra.
— Droga de faculdade — xinga. — Ainda bem que só falta mais um
ano.
— Verdade — Liam, Genna, Maddy e eu concordamos em um eco.
— Sortudos — Holly resmunga. — Esse ainda é nosso primeiro ano.
— Aponta para Harry e Hanna.
— Gostaria de dizer que os dois últimos anos são melhores que os
primeiros, mas estaria mentindo. Vocês vão se ferrar muito para dar conta
de tudo — Genna os encoraja.
— Não vejo a hora do Natal chegar para podermos descansar —
Hanna diz, passando as mãos no rosto.
— Duas — Genna concorda.
— Por falar em Natal — Simon começa. — Onde irão passar o de
vocês? — Bennett e eu vamos viajar — conta.
— Não sei ainda — Maddy mostra desinteresse. — Não ligo muito
para essa data.
— Por quê? — Harry pergunta, depois de um tempo calado.
— Coisa minha, gatinho. Nada demais — desconversa.
Estou vendo direito ou o olhar de Maddison ficou mais triste de
repente.
— Eu vou passar em casa — Genna diz.
— Eu também — Harry responde quando Simon olha para ele.
— Em casa também — respondo.
— Vou passar na casa da Hanna e do Aaron — Liam conta.
— Vou ter que te aturar no Natal também? — pergunto, fingindo estar
de saco cheio dele.
— Vai ter que me aturar por muito tempo — sorri.
— Que merda, cara — suspiro. — Não podia arrumar outro namorado
não, Hanna?
— Não, ele ganhou o meu coração — responde, sendo abraçada por
ele.
— Preguiça de vocês dois.
Os dois riem de mim.
— E pensar que faltam duas semanas ainda para essas miniférias —
Genna resmunga.
— Quer saber? Vou largar a faculdade — Holly fala de uma vez,
deitando a cabeça em meu ombro. — Sou herdeira e bonita, não preciso de
mais nada.
— Se eu largar tudo, você me sustenta? — Hanna pergunta, segurando
na mão da melhor amiga.
— Claro, querida — concorda.
— E a mim também — lembro-a.
— Por que você? — Me lança um olhar questionador.
— Marido de CEO, lembra?
— Vai sonhando, bonitão. — Dá um tapinha no meu peitoral.
Sorrindo, puxo-a mais para perto de mim e beijo sua bochecha.
Holly retribui o sorriso e me pegando de surpresa mais uma vez, senta
no meu colo, enquanto apoia os pés no sofá, pega na minha mão e entrelaça
nossos dedos.
O que será que aconteceu com ela?
Primeiro um selinho do nada e agora estamos grudados como casal?
Acabo estranhando sua atitude, mas quer saber, estou gostando dessas
investidas vindo dela.
Peraí.
Agora que me dou conta de que estamos quebrando regras de sua lista.
Me contorço para pegar o celular no bolso traseiro do jeans, e quando
o pesco, clico na tela para que ela se acenda.
— Você trocou — Holly diz.
Sabendo sobre o que ela está dizendo, digo:
— Você pediu para trocar. Eu atendi ao pedido. — Olho para a nova
foto do meu descanso de tela.
Holly sorri e vira sua atenção para Hanna que a chamou.
Aproveitando sua distração, abro meu bloco de notas, procuro pela
lista que Holly me mandou, vejo o item “não ficar de casal na frente dos
amigos” e risco a opção.
E com essa, já foram cinco regras.
Ainda falta “não sermos exclusivos", porque, infelizmente, isso é uma
coisa que não tenho certeza se está acontecendo ou não da parte dela. “Não
transar sempre”, infelizmente a faculdade está contribuindo para que eu não
consiga quebrar essa tão fácil assim. “Não ir a encontros”, bom, essa eu já
estou planejando há um tempo como irei quebrá-la. Quero que o encontro
seja inesquecível, que a marque de uma maneira única. E ainda tem a regra
secreta que ela não me disse qual é.
Até que estamos indo bem.
Cinco de nove. Já, já todas essas regras estarão riscadas.
Estou perdido em meus pensamentos, quando Maddy chama minha
atenção ao perguntar:
— Vamos jogar Eu Nunca?
Jura?
— Por que você sempre quer jogar isso? — Liam pergunta.
— Porque é legal, ué. — Dá de ombros.
— Da última vez, deu merda — resmungo.
— Da última vez, a Maddy ganhou um ménage com a dupla
maravilhosa, Hanna saiu namorando e você e eu nos beijamos pela primeira
vez. Onde que esse jogo deu merda? — Holly pergunta sem entender.
— Você mesma disse — suspiro. — O Liam virou meu cunhado —
digo e acabo rindo quando ele joga uma almofada em cima de mim.
— Vai se foder — xinga.
Rindo, protejo a mim e a Holly com os braços, para não nos
machucarmos.
— Ei, seu cuzão. — Pego a almofada caída no chão e jogo nele de
volta. — Tenha cuidado aí.
Liam mostra o dedo do meio e gargalho mais ainda.
Como é bom irritar o meu melhor amigo, principalmente, ele sendo o
meu cunhado.
— Vocês são impossíveis — Hanna comenta, rindo de nós dois.
Dou de ombros.
— Enfim. Vamos jogar ou não? — Maddy volta a perguntar.
— Vamos! — Simon se anima. — Eu começo. — Pega uma das
cervejas que estão na mesinha de centro e tira a tampinha usando sua
camisa para rodá-la. — Certo, pode ser qualquer coisa?
— Pode — Maddy confirma.
— Beleza, deixe-me ver. — Pensa um pouco. — Ah, já sei. — Olha
em direção a Bennett e abre um sorriso de quem vai aprontar. — Eu nunca
fiquei bêbado o suficiente a ponto de ficar pelado no meio do jardim — diz.
— Seu filho da puta! Não era pra contar isso. — Se levantando,
Bennett tenta bater no amigo, que consegue se esquivar.
— Ah, qual é? Só foi uma brincadeira — gargalhando, Simon sai
correndo quando vê o melhor amigo atrás dele.
— O quê? Bennett fez isso? — pergunto com os olhos arregalados.
— Queria ter visto essa cena — Holly cometa enquanto ri.
— Não queria nada. — Belisco sua cintura levemente.
Ela se esquiva de minhas investidas com um sorriso atrevido
estampado no rosto e sei que disse isso só para me provocar.
— Esses dois parecem crianças — Genna comenta, olhando para onde
eles foram.
— Deixem esses dois para lá. — Maddy balança a mão em desdém. —
Vamos continuar nosso jogo?
— Que tal imagem e ação? — Minha irmã olha para todos nós. —
Acho muito mais legal e menos constrangedor.
— Tenho que concordar com você. — Harry afirma com a cabeça.
— Não, isso é sem graça demais. — Holly se levanta e pega uma
garrafa de bebida. — Vamos de jogo dos números.
— E como se joga isso? — Maddy pergunta curiosa.
— É bem simples — diz, voltando a se sentar ao meu lado. — Eu digo
um número de três dígitos, tipo 368, e começamos a contar do zero, sendo
que não podemos falar os números que tem 3, 6 e 8. Quem falar, vai beber
uma dose. — Levanta a garrafa em sua mão, depois de explicar o jogo.
Gostei disso, hein.
— Por que temos que jogar algo que acabaremos bêbados? — Hanna
resmunga.
— Por que qual seria a graça em jogar e não ficar bêbada? — Genna
comenta e bate palminhas, animada. — Vamos começar? — pergunta,
olhando para todos nós e acabamos confirmando com a cabeça. — Quem
começa?
— Beleza, eu começo — digo, me levantando, e passamos o resto da
noite em companhia um do outro, comendo e bebendo.
Então eu poderia tomar o caminho de volta
Mas seus olhos vão me levar de volta pra casa
Friends – Ed Sheeran
Recebo o disco e busco Liam com agilidade para passar para ele, mas
quando o encontro, há dois caras o marcando.
— Estou livre, Carson! — Ryan grita ao meu lado.
Jogo o disco para ele e passamos a patinar lado a lado.
O ruivo está quase perto do gol quando Jesse – que está treinando no
time adversário – tenta pará-lo, mas consigo bloqueá-lo em um encontrão
que nos leva ao chão, antes que conclua sua jogada.
Cansado demais para me levantar, me estico no chão congelado, com a
respiração entrecortada por conta do esforço.
Estamos aqui há mais de uma hora e meia.
Agora que as aulas voltaram depois das festas de fim de ano – das
quais passei na companhia dos meus pais, Hanna e Liam – e nosso treinador
voltou, ele está fazendo questão de acabar com a nossa raça, ainda mais que
o campeonato está próximo.
Ainda no chão, escuto o apito do treinador, informando que Ryan
conseguiu fazer mais um gol a nosso favor no jogo de hoje.
— Ótima jogada, meninos! Vamos terminar por hoje — Senhor Foster
avisa, e suspiro em alívio. — Amanhã estejam preparados para mais. Os
jogos estão chegando e não quero moleza. — Assopra o apito mais uma
vez.
Amanhã tem mais.
Puta merda.
Quem inventou isso de jogar hóquei mesmo?
Ah, lembrei. Eu sou apaixonado pelo jogo desde os cinco anos de
idade, e decidi entrar para o time da faculdade, mesmo que não vá seguir
carreira.
Liam e eu costumávamos jogar no lago congelado perto da minha casa
no inverno, e quando entramos para a faculdade, pensamos que seria bom
relembrar nossos dias como jogadores. Conseguimos uma vaga no time de
cara.
Apesar de sermos bons jogadores para a liga da faculdade, nunca
conseguiríamos uma vaga no profissional. Liam é lento demais e eu não
tenho um tiro de disco forte o suficiente. Seja lá o que isso quer dizer.
Estou de olhos fechados, sentindo meu uniforme umedecer aos
poucos, quando sinto gelo ser jogado em meu rosto.
— Mas, que porra — xingo, me sentando e tirando o capacete para
limpar o meu rosto.
— Achei que ficaria deitado aí por mais tempo. — Simon estica a mão
para que eu possa levantar de vez.
— Estava só relaxando. — Aceito sua mão e me ponho de pé.
— É, mas aí não é lugar de relaxar. — Apoia um braço em meu ombro
e me conduz até a saída do rinque.
Encontramos Liam e Bennett conversando com o nosso capitão, e
quando nos aproximamos, eles se despedem e nos seguem em direção ao
vestiário.
— Cara, eu tô morto — meu melhor amigo resmunga, se jogando no
banco do vestiário.
— Esse treino não foi nada — Bennett conta enquanto tira seu
equipamento de proteção. — Você tem que treinar com Simon para ver o
que é treino pesado.
— Achei que você recebia um beijinho a cada novo roxo que
ganhasse. — Mexo as sobrancelhas de forma sugestiva.
Liam e Simon gargalham.
— Como vocês são otários — nos xinga e continua a se livrar de suas
roupas.
Ainda não entendi a relação de Simon e Bennett.
Melhores amigos que se pegam de vez em quando?
Ex-namorados que ainda sentem algo, mas não podem ficar juntos por
algum motivo?
Não tenho a mínima ideia do que rola com eles, mas se funciona para
eles, é isso o que importa.
— Ei, Aaron — chama minha atenção. — Vai fazer algo depois da
aula? — Liam pergunta.
— Estou pensando em procurar um emprego de meio período —
conto. — Por quê?
— Está precisando de dinheiro? — pergunta, tirando a camisa do
uniforme e a jogando no chão.
— Depois do pequeno rombo que fiz nas minhas economias, sim. —
Coloco os protetores nas lâminas dos patins, assim que os tiro e os guardo
em minha bolsa.
— Se precisar de grana, é só pedir que a gente te arruma — Simon
afirma, apertando meu ombro.
— Está tudo bem — garanto. — Não é algo urgente, mas preciso me
assegurar.
Mesmo eu não pagando pela minha faculdade, preciso pagar milhares
de outras coisas aqui dentro, como o aluguel da casa em que moro com os
meninos, comida, materiais da faculdade e entre outras coisas.
Ainda não estou totalmente no vermelho, mas é melhor procurar logo
se quero arrumar algo perto do campus e com um horário flexível.
— Bom, você quem sabe — Liam se dá por vencido. — Mas se
estiver precisando, não hesite em nos pedir ajuda.
— Pode deixar. — Concordo com a cabeça enquanto termino de me
despir. Nunca irei pedir dinheiro emprestado para eles. Não me sentia bem
fazendo isso e não seria agora que passaria a fazer. — Vamos logo ou
vamos nos atrasar. — Levanto-me do banco, enrolando a toalha em minha
cintura e sigo em direção ao reservado para tomar um banho e relaxar meus
músculos.
Tomara que não seja difícil achar um emprego.
Suspiro desapontado quando a porta do estabelecimento se fecha atrás
de mim.
Passei a tarde toda à procura de alguma coisa, mas não consegui nada.
Sempre recebendo a mesma resposta.
Nos desculpe, mas não estamos contratando.
Que grande merda. Mas também, eu queria o quê? Arrumar um
emprego rápido em uma cidade universitária, onde tem milhares de alunos
que precisam pagar suas contas também.
Espero que amanhã eu tenha mais sorte. Já que não consegui perto da
faculdade, vou tentar fora dela. Talvez eu consiga algo com mais facilidade.
Pego meu celular para ver a hora e já passa das nove da noite.
Cansado e precisando descansar, decido ir para casa usando um carro
de aplicativo.
Eu poderia andar, até porque não moro muito longe daqui, mas estou
tão exausto e com os pés doendo que me darei ao luxo de ir de carro.
Abro o aplicativo da frota da faculdade, chamo um carro e suspiro
aliviado quando sua localização dá que ele está a seis minutos de onde
estou.
Outra coisa que precisava era de um carro.
Liam sempre me levava para todos os lugares, mas agora que está
namorando, perdi meu motorista particular.
Ah, se ele me ouvir o chamando assim, vai querer me matar.
Estou prestando atenção em um casal que anda de mãos dadas,
enquanto meu carro não chega, e acabo me lembrando de Holly.
A última vez que nos falamos, foi na noite de Ano Novo.
Ela acabou viajando com os pais como – segundo minha irmã – eles
fazem todos os anos.
A vontade de tê-la comigo naquele momento foi grande. Foi então que
quando o relógio indicou um minuto para meia-noite, eu acabei ligando
para ela. E só de lembrar daquele momento, sinto vontade de sorrir.
— Me ligando faltando quarenta segundos para o Ano Novo? — sua
voz continha um tom de sorriso.
— Não queria perder a chance de ser o primeiro a te felicitar —
conto, me afastando de onde meus familiares estavam.
Ela acaba rindo do outro lado da linha e a acompanho.
Como eu queria que ela estivesse aqui comigo, para que eu pudesse
apreciar seu sorriso, abraçá-la e sentir seu cheiro de lírios.
Meus Deus! Eu realmente estou completamente rendido por ela.
Mal vejo a hora de voltarmos para a faculdade para poder voltar a
quebrar nossas regras.
Sou acordado dos meus pensamentos pelo seu chamado.
— Bom, pelo visto você será mesmo.
Olho para o relógio e a contagem começa.
— 10... — vou acompanhando a mudança no horário.
— 9... — conta depois de mim.
— 8…
Vamos contanto juntos até que chegue ao final.
— Feliz Ano novo, linda.
— Feliz Ano novo, Aaron — deseja.
Acho que nunca senti tantas emoções juntas como naquele dia.
Holly faz isso comigo.
Ela mexe com todas as minhas emoções da maneira mais doida e
maravilhosa do mundo. Nunca pensei que alguém conseguiria me fazer
sentir tudo o que estou sentindo nesse momento.
Isso que é paixão?
Toda essa mistura de sentimentos?
Lembrar dela me acalma tanto, que nem me lembro mais da frustração
de não ter conseguido o que vim buscar.
Estou perdido em minhas lembranças, quando a buzina de um carro
me acorda.
Olho para a frente, e quando confirmo ser o meu, sigo até a porta
traseira e entro no veículo aliviado por poder ir para casa finalmente.
Entro na sala de casa e Simon e Liam estão jogando uma partida de
videogame.
— Jogo com o perdedor — aviso, me sentando no sofá vago e
pegando a garrafa que está na frente de Liam. — Que isso? — pergunto,
balançando o objeto na frente do seu rosto.
— Suco de laranja. — Dá um tapa na minha mão por estar
atrapalhando.
— Sério isso? — reclamo, devolvendo a garrafa para a mesa.
— Estamos de dieta, esqueceu? — Simon responde sem tirar os olhos
da tela à sua frente.
— Você não me deixa esquecer isso. — Me afundo na poltrona e passo
a prestar atenção no jogo.
— E será assim até a porra da taça de campeão vir para nós esse ano
— diz.
— Hum... — Às vezes o melhor a fazer é fingir que concordo com ele
ou encherá o meu saco pelo resto da noite, e como estou cansado demais
para ouvir qualquer coisa, deixo a discussão para lá. Liam e Simon
continuam a jogar por um bom tempo. Seus dedos são ágeis na hora de
atacar e recuar, mostrando que sabem o que estão fazendo. Ou não, já que
Simon acaba morrendo por conta de uma besteira. — Você é péssimo nesse
jogo — digo.
— E por que não vem mostrar como se faz, já que é o melhor daqui.
— Joga o controle em minha direção e consigo pegá-lo, antes que caia no
chão.
— Vou mostrar. — Preparo minhas configurações de jogo e quando
está tudo do jeito que eu quero, começamos a jogar.
— Ei, conseguiu o emprego? — Liam é quem pergunta.
— Que nada. — Balanço a cabeça em negação enquanto acerto uma
sequência de socos em seu avatar. — Amanhã sairei de novo para procurar.
— Já disse que não precisa disso.
— E eu que não quero aceitar o seu dinheiro — rebato.
— Por que não pode fingir que está usando as coisas do Bennett e eu
tenho que repor para você? — Consegue derrubar meu avatar, mas fico em
pé rapidamente.
— Porque é diferente. — Faço uma jogada usando uma sequência de
golpes e o derroto.
— Você é insuportável. — Chuta a minha canela.
Rindo, aponto para a tela com o controle.
— Revanche?
— Vamos — aceita e voltamos a jogar.
Estamos concentrados jogando, quando Bennett chega resmungando:
— Aquele babaca.
— O que foi? — Simon se levanta e vai até ele, enquanto Liam
paralisa o jogo.
— O inquilino vai aumentar o aluguel. — Balança a carta que acabou
de receber.
É o quê? Isso só pode ser brincadeira.
— O quê? Mas por quê? — Liam se levanta e pega a carta da mão
dele.
— Recebeu denúncia de festa aqui — conta.
Esse cara está de sacanagem com a gente?
Denúncia de festa?
Quando fechamos o contrato, ele deixou bem claro que não queria
saber de festas na casa.
— Mas isso é mentira. Não fazemos festas aqui. — Me levanto e vou
até eles.
— É lógico que isso é uma mentira — Simon xinga. — Ele só quer
um motivo para aumentar o valor.
Filho da puta interesseiro.
— E quanto é o aumento? — Liam pergunta.
— 25% — Bennett responde.
Está de sacanagem com a minha cara.
Essa porcentagem está em cima do que a gente já paga, Agora mesmo
que terei que controlar tudo o que gasto. Ainda tem uma boa quantia
sobrando, mas se não quiser que isso se torne um problema mais para a
frente, tenho que começar a me ajeitar.
— E vamos pagar? Mesmo essa desculpa dele não sendo plausível? —
Liam pergunta.
— Ou é isso ou iremos morar na rua, porque não tem como arrumar
uma casa nova em uma semana — Bennett responde, voltando a ler a carta
em sua mão.
— Merda — resmungo. — Terei que arrumar um emprego logo.
— Não se preocupe, cara. — Simon me encara. — A gente custeia até
você conseguir se ajustar.
— Está tudo bem, consigo pagar o aumento por agora — respondo.
— Tem certeza disso? — Bennett pergunta. — Não minta para nós.
Somos seus amigos.
— Eu sei.
— Ele não está mentindo — Liam para ao meu lado, me analisando.
— Se estivesse, eu saberia. — Bate em meus ombros.
— Bom, você já sabe — Bennett volta a falar.
— Se precisar... — Simon completa.
Olho para os três e me sinto grato pela ajuda no momento.
— Valeu, caras — agradeço, dando um abraço em cada um. — Mas
fiquem tranquilos que está tudo bem.
O dinheiro que meus pais arrecadaram para a estadia da minha irmã e
a minha aqui, eram suficientes, mas dinheiro não é eterno, e quando vemos
que ele está acabando e as contas chegando, temos que dar um jeito de
arrumar mais. E é isso o que estou fazendo.
Óbvio que seria muito mais fácil se essa merda de aluguel não tivesse
aumentado repentinamente.
— Já que tudo foi resolvido, vou dizer a ele que aceitamos a porcaria
do aumento. — Bennett pega seu celular e começa a digitar freneticamente.
— Mas diga que não aceitaremos um novo aumento. — Aponto o
dedo em direção a ele. — Que ele deverá ficar assim até o final da nossa
estadia aqui.
— Isso aí — Liam concorda.
— Deixa disso. — Simon faz um gesto de desdém com a mão. —
Agora, vamos comer algo pra esquecer essa merda.
— Bora — concordo enquanto Bennet e Simon seguem em direção a
cozinha.
Estou prestes a segui-los, quando sou interrompido por Liam, que
entra à minha frente e sem dizer uma só palavra, apoia suas mãos em meus
ombros, os aperta com força e me lança um olhar de conforto. Deixando
claro que não preciso perder noites de sono pensando nisso.
Neste momento, não precisamos de palavras. Só seus gestos já dizem
tudo.
Retribuindo seu gesto, abro um sorriso em sua direção, apoio meu
braço em seu ombro e caminhamos até nossos amigos.
Porque você me dá algo
Que me faz sentir medo
You Give Me Something – James Morrison
— O que acha dessas cores? — pergunto para Hanna, virando o
celular em sua direção.
— Nova postagem para o blog? — pergunta, aproximando seu rosto.
— Isso. — Concordo com a cabeça. — Estou há tempo demais sem
publicar nada.
Esse último mês foi tão corrido, que acabei deixando meu trabalho na
divulgação de livros e minha plataforma online completamente abandonada.
Agora com a volta das aulas, estou conseguindo voltar aos poucos.
— Gostei bastante dessas tonalidades de vermelho e rosa. — Pega o
celular da minha mão e começa a passar o dedo na tela, mudando de um
poste para o outro.
— Então vai ser esse. — Pego o aparelho de novo. — Mais tarde eu
posto avisando da minha volta.
— Suas seguidoras devem estar loucas atrás de você.
— Estão mesmo. Algumas até estão me acusando de não estar
abastecendo sua lista de leituras — conto.
Hanna gargalha, jogando a cabeça para trás.
— Elas são as melhores.
Sem as meninas que me acompanham, eu nunca teria descoberto essa
maneira incrível de poder trabalhar com livros.
Estou fazendo os últimos retoques no design da postagem que farei
hoje, quando mãos grandes tampam meus olhos e me pegam de surpresa.
— Adivinha quem é? — sussurra em meu ouvido.
Meu corpo todo reage à voz rouca e mesmo vestindo roupas grossas
por conta do frio, consigo sentir o calor que emana do seu corpo.
— Pode me dar uma dica? — peço, fingindo não saber quem é.
— É o homem mais gostoso de todo esse lugar.
— Hum... Difícil essa. — Toco meus lábios com o indicador. —
Existem tantos caras maravilhosos por aqui.
Escuto-o bufar atrás de mim e acabo rindo do seu mau humor.
— Você é tão má comigo, linda. — Morde a pontinha da minha orelha
e acabo me encolhendo por conta do ato. — Preciso de algo em troca para
te perdoar.
— E o que seria? — Encaro-o, escutando Hanna rir ao meu lado.
— Que tal isso? — Me pegando de surpresa, Aaron me dá um selinho.
— Agora sim você pode ser perdoada.
— Feliz agora?
— Muito. — Com um sorriso estampado em seu rosto, ele se senta na
cadeira à minha frente.
— Que bom — digo, sorrindo enquanto pego meu chocolate quente e
tomo um gole em seguida.
— Que droga — resmunga, me olhando com falsa decepção.
— O quê?
— Poderia ter esperado você beber esse chocolate para beijar você. —
Aponta para o copo térmico em minha mão.
— Por quê? — pergunto, sem entender onde ele quer chegar com isso.
— Queria saber se a combinação de Holly e chocolate se tornarão a
minha preferida. — Uma de suas sobrancelhas acaba se levantando, como
se me questionasse algo.
— Não seja por isso. — Me debruçando sobre a mesa, seguro em seus
ombros, aproximo nossos rostos, sugo seus lábios e os beijo, fazendo-o
sentir o gosto doce da combinação do chocolate com chantilly.
Aaron apoia sua mão em minha nuca e suga minha língua para dentro
de sua boca, saboreando e explorando cada cantinho, como se fosse a
primeira vez que estivesse me beijando. Ele tem várias maneiras de me
beijar, mas essa com toda a certeza é a minha preferida. O beijo é lento e
sensual. Meu corpo todo é despertado, esfregando em minha cara que não
preciso de muito para estar completamente entregue a ele.
Meu Deus! Eu realmente estou ferrada.
Aos poucos, ele vai desacelerando, até que para de vez. Mas não sem
antes sugar meu lábio inferior para dentro de sua boca e o morder em
seguida.
Me afastando, volto a sentar em meu lugar, com seus olhos ainda
sobre mim.
— É, parece que eu encontrei o meu sabor preferido. — Passa a língua
em seu lábio inferior, como se estivesse capturando os últimos resquícios do
nosso beijo.
Pisco um dos olhos e tomo mais um gole da minha bebida.
— Vocês são impossíveis — Hanna fala ao meu lado me encarando.
— Eu disse que eles são feitos do mesmo material. — Liam aponta em
nossa direção.
Quando foi que ele chegou?
Estava tão focada em Aaron, que nem vi que estava acompanhado.
— Sabem o que dizem. — Nossos olhos estão focados um no outro.
— Os semelhantes se atraem.
— Não seria os opostos? — pergunto.
— No nosso caso não — responde, se recostando na cadeira.
Continuo a encará-lo, e me pergunto como resistir a esse homem?
Isso é uma tarefa impossível.
— E depois falam que nós que somos grudentos — Hanna diz,
encarando o namorado.
— Mas vocês realmente são — afirmo.
— Sei. — Se vira em direção ao namorado.
Até parece que eu vou ser grudenta com alguém como Hanna e Liam
são um com o outro.
Estou mais adepta ao contato, mas ficar como eles dois já é demais.
Olho para o meu celular, vendo que meu post está inacabado, e já que
eles chegaram aqui e não conseguirei mais fazer nada, travo meu celular,
mas não sem antes chamar a atenção de Aaron.
— O que é isso? — pergunta curioso.
— Lembra que trabalho fazendo divulgação de leitura? — pergunto e
o vejo concordar com a cabeça. — Estou montando um novo post.
— Posso ver?
— Claro. — Entrego meu celular já desbloqueado para ele.
Ele fica um tempo analisando tudo o que fiz, e por algum motivo, me
sinto nervosa e ansiosa pela sua aprovação.
— Isso aqui está incrível. — Faz um movimento de pinça com os
dedos, dando zoom em alguma parte específica.
— Sério?
— Com certeza. — Olha pra mim rapidamente e volta a olhar para a
tela. — Você é muito talentosa, linda. De verdade.
Sinto vergonha pelos seus elogios e um ardor em minhas bochechas.
Espera.
Estou ficando corada?
Isso nunca aconteceu comigo antes.
— Nunca pensei que veria suas bochechas coradas por conta da
vergonha. — Estica sua mão tatuada e faz um carinho em minha bochecha.
— Você fica completamente linda assim.
— Pare com isso. — Bato em sua mão.
Aaron sorri em minha direção e volta para o seu lugar.
— Se quiser, posso te dar umas dicas. — Aponta para o aparelho em
suas mãos.
— Jura?
— Claro. — Assente com a cabeça. — Posso te mostrar alguns
truques de edição. — Debruça sobre a mesa e imito o seu gesto, nossos
rostos ficam bem próximos um do outro. — Aqui. — Coloca o celular no
meio de nós dois e passa a me explicar algumas coisas.
Algum tempo conversando e fico impressionada com o seu talento de
montar um bom post. Realmente, ele tem muita habilidade para esse tipo de
coisa.
Aaron está terminando de me explicar como usar algumas ferramentas,
quando Hanna eleva sua voz, nos chamando a atenção:
— Por que não me contaram?
— Contaram o quê? — Levanto minha cabeça e olho em sua direção.
— Que o inquilino deles aumentou o aluguel.
— Sério? — pergunto, olhando de Liam para Aaron. — Mas por que
ele faria isso?
— Porque ele quer mais dinheiro. — O namorado de Hanna dá de
ombros.
— Quando vocês terão que pagar o reajuste?
— Em seis dias — Liam responde.
— E quando ele avisou sobre o aumento — Hanna é quem pergunta
dessa vez.
— Ontem — Aaron responde.
Sua expressão muda completamente de descontraída para uma mais
séria.
— Que cara é essa? — pergunto assim que se senta à minha frente.
— Minha cara de sempre, ué. — Sua perna parece ganhar vida de
tanto que se mexem.
Com as sobrancelhas franzidas, o encaro.
Ele acha que me engana?
Sei quando ele está bem ou enfrentando problemas de olhos fechados.
— Aaron, você não me engana. — Aponto o canudo em sua direção.
— O que aconteceu.
— Já disse que nada — volta a se esquivar. — São coisas minhas,
deixe para lá.
Passamos a nos encarar, como se estivéssemos em uma competição de
quem pisca primeiro.
Assim como eu, ele não dará o braço a torcer tão cedo. Então
querendo acabar com essa palhaçada de uma vez, me viro pra Liam, que
nos encara como um espectador.
— Ele está preocupado em não conseguir pagar o aumento por muito
tempo — Liam é quem me conta.
— Cala a porra da boca — xinga e vejo o exato momento que Liam
grita e segura em sua perna, provavelmente por conta de um chute que
recebeu. — Já estou resolvendo isso.
— De que maneira? — pergunto.
— Estou procurando um emprego — conta.
— E já encontrou algo? — volto a perguntar.
— Não, mas não se preocupe que não estou desesperado por dinheiro.
É só uma precaução. — Passa as mãos nos cabelos e coça o couro cabeludo.
Ele está nervoso.
Só faz isso quando está com o estresse no máximo ou preocupado.
O vi fazendo muito esse gesto quando estávamos em semana de
provas.
— Se precisar de ajuda — Hanna sugere.
— Está tudo bem, Bonequinha. Não se preocupe — assegura.
Aaron pede algo para a irmã que ele mesmo não está sentindo.
Calma.
Neste momento, ele é um misto de sensações e nem uma delas é a
tranquilidade.
Queria poder ajudá-lo.
Conheço esse tipo de gente. Se ele aumentou o aluguel de uma hora
para a outra, significa que irá fazer isso sempre que quiser.
Estou pensando em uma solução, quando uma ideia surge.
Lógico. Como não pensei nisso antes?
— Por que vocês e os outros meninos não vêm morar comigo e com a
Hanna? — pergunto.
— O quê? — Aaron pergunta um pouco confuso.
— Que ideia maravilhosa, Holly! — Hanna bate palminhas, feliz com
a minha proposta. — Aquela casa é enorme só para nós duas.
— Exato — concordo.
Meu pai acabou exagerando um pouco no tamanho da casa que me deu
de presente. Pelo menos agora teremos gente o suficiente para encher
aquela casa gigantesca.
— Então, o que acham? — volto a perguntar, olhando para os dois
homens à minha frente.
— Acho... — Liam tenta argumentar, mas acaba sendo interrompido
pelo melhor amigo.
— Acho melhor não.
— Por que não? — Hanna pergunta por nós.
— Não quero tirar a privacidade de vocês. — Aponta para nós duas.
Respiro fundo para não socar a cara dele.
— Aaron, vocês já vivem na nossa casa praticamente todo final de
semana — conto e Hanna concorda comigo:
— Verdade isso.
— Além disso — volto a falar. — Liam passa mais tempo lá em casa
com a Hanna do que na casa de vocês.
— Isso é verdade — Liam é quem concorda dessa vez.
— E pelo que me contou, Simon nem está parando direito em casa por
conta dos treinos extras dele — Hanna argumenta, tentando convencer o
irmão. — Seria muito melhor vocês morarem lá.
— Junta logo os quatro patetas e vão todos morar lá — digo, já
ficando com raiva dessa recusa dele.
— Eu não sei — Aaron hesita um pouco.
O que ele tem de lindo e gostoso tem de teimoso.
Não seria mais fácil aceitar de uma vez e pronto?
Que saco.
— Qual é o problema? — pergunto.
— Nenhum.
— Se não há problema, então por que não aceita? — Hanna pergunta,
pegando em sua mão.
— Porque preciso dar conta sozinho. — Faz um carinho nas costas da
mão dela. — Vou me ajeitar logo, você vai ver — diz, olhando para nós
duas. — E é como eu disse. Não é como se eu estivesse com a corda no
pescoço.
— Você está com a corda no pescoço — Liam conta, apontando o
dedo em direção ao amigo.
— Liam, não começa — Aaron pede.
— Não, não começa você. — Cruzo os braços em frente ao peito. —
Aceita logo minha proposta de uma vez — peço.
Aaron fica me encarando por um longo tempo.
— Mas é que…
Volta a arrumar uma desculpa, mas o interrompo.
— Ah, vamos — me preparo para minha última cartada. — Você terá
seu quarto ao lado do meu.
Vejo o exato momento em que seus olhos mudam de indecisos para
atrevidos.
— Poderei fugir para a sua cama de vez em quando?
Acabo rindo de sua pergunta.
Claro que tudo se resumiria a um “você pode dormir na minha cama,
Aaron”. Como não pensei em barganhar isso antes?
— Se você se comportar, sim — confirmo.
Aaron pensa um pouco e volta a perguntar:
— Tem certeza de que não será um problema? — Olha de mim para a
irmã.
— Mas é claro que não.
— Lógico que não.
Respondemos juntas.
— Será até legal ter mais gente entrando e saindo daquele lugar
enorme — Hanna volta a lembrar. — Ainda não me acostumei com o
tamanho daquilo tudo.
Aaron fica um tempo pensando, até que finalmente nos responde.
— Tudo bem, nós iremos morar com vocês — aceita pelos quatro
amigos.
É isso aí.
Seis pessoas diferentes irão morar juntas na mesma casa.
Espero que ninguém mate ninguém com a convivência.
Eu poderia te segurar por um milhão de anos
Para fazer você sentir o meu amor...
Eu soube desde o momento que nos conhecemos
Não há dúvida, em minha mente, onde você pertence
Make You Feel My Love – Adele
— Mas que porra, Holly. Aquilo era meu.
Escuto Bennett gritar no andar de cima.
Parece que não sou só eu que consegue irritar nosso amigo tranquilo e
caladão. Desde que viemos morar aqui há uma semana, o escutei xingar e
gritar mais vezes do que nos últimos dois anos e meio que nos conhecemos.
— Desculpa. Eu não sabia que era seu — pede enquanto desce as
escadas atrás dele.
— Vou ter que colocar nome nas minhas coisas agora? — Para no pé
da escada e se vira para ela. — Primeiro o Aaron e agora você.
— Ei, achei que já tínhamos resolvido isso — digo, jogando uma uva
para cima e a abocanhando com maestria.
A olhada que ele me dá nesse momento grita um “nunca” bem grande.
Ora, vejam só.
Não sabia que Bennett era tão rancoroso assim.
Rindo, foco minha atenção em Holly que está segurando uma barra
mordida de chocolate nas mãos.
Puta merda, Holly! O que você fez mulher?
Ela não sabe o que acabou de fazer.
Simplesmente, a mulher à minha frente, pegou o chocolate preferido
do Bennett, que só conseguimos encontrar em uma loja do outro lado da
cidade. E se a cara dele for um indicativo, ouso dizer que essa era sua
última barra.
— Sinto muito — pede, lançando um olhar arrependido para ele.
Espera aí.
Ela está fazendo biquinho pra ele? Jura?
Holly está pensando o quê? Que vai amolecê-lo com isso?
Nem o Simon consegue ser desculpado por pegar essa porcaria de
chocolate.
Ainda consigo lembrar dos gritos dos dois quando isso aconteceu. Por
conta de uma briga, que eu nem sei o motivo, Simon quis irritar o amigo da
maneira mais eficiente possível.
Ainda os encarando, vejo o exato momento em que a expressão de
Bennett se suaviza.
— Você é igualzinha a ela. — Abre um sorriso e se eu estivesse em
uma posição melhor, diria que seu olhar é saudoso.
— A quem? — Holly pergunta.
Bennett balança a cabeça como se para dizer que não é nada.
— Tudo bem, só não mexa mais nas minhas coisas sem pedir. — Faz
um carinho em seu queixo e segue em direção a escada.
Espera.
É só isso?
Se fosse qualquer um de nós, estaria acontecendo uma pequena guerra
nesse momento.
— Que foi? — pergunta ao perceber que estou a encarando.
— O que você fez para ele aceitar tão rápido uma desculpa assim? —
Aponto para onde ele foi.
— Nada, ué. — Dá de ombros, vindo em minha direção. — Só pedi
desculpas. — Se senta ao meu lado e morde mais um pedaço do chocolate
da discórdia. — Nossa, isso aqui é realmente muito bom.
— Ele teria feito um escândalo completo se fosse qualquer um de nós
— digo, colocando o pote onde antes tinha uvas em cima da mesinha de
centro.
— Você não tem o mesmo charme que eu.
Caio na risada.
— Você é impossível, garota. — Seguro-a pela cintura e a coloco
sentada em meu colo. — Já que conseguiu se safar.
— São meus olhos brilhantes. — Pisca freneticamente, me encarando.
— Eles deveriam brilhar só para mim.
— Ciúmes, é?
— Se eu disser que sim, o que vai dizer? — pergunto, envolvendo sua
cintura com meus braços.
— Que não precisa disso. — Se ajeita melhor em meu colo.
— É? E por quê?
Aproximando seu rosto do meu, ela sussurra:
— Porque só você sabe fazê-los brilharem de verdade.
Como o bobo apaixonado que sou, sinto o meu coração errar uma
batida com suas palavras.
São nessas horas que eu tenho certeza de que estou fazendo o certo ao
tentar conquistar essa mulher.
Holly mexe com o meu coração de uma maneira que ninguém
conseguiu mexer.
Serei eternamente grato ao destino que juntou minha irmã e ela para
em um futuro nos juntar.
— O quê...?
Estou prestes a perguntar o que ela quis dizer com isso, quando escuto
a risada de Hanna e Simon vindo da direção da cozinha.
— Parece que o almoço de hoje sairá mais tarde — muda de assunto,
sem me dar chance de ganhar uma explicação.
— Eles são os responsáveis hoje?
— Uhum. — Afirma com a cabeça.
Como agora são seis pessoas morando juntas, acabei criando uma
rotina para que tudo funcione. Cada dia na semana, duas pessoas cozinham
o almoço. A dupla é escolhida por meio de sorteio, assim ninguém reclama.
— Espero que Simon faça algo que tenha sabor — digo.
— Ainda pegando pesado com a dieta de vocês?
— Com certeza. Ainda mais que amanhã teremos nosso primeiro jogo
— conto.
Finalmente a nova temporada começou.
Estava louco para sentir a energia de um jogo de verdade.
— Vai ser aqui?
— Sim. Jogaremos contra Crownford — conto a ela. — Espero que vá
torcer por mim.
— Irei pensar se está merecendo.
— Pensar se estou merecendo? — Minha sobrancelha deve ter sumido
entre meus cabelos de tanto que as levantei pela indignação. — Mas é claro
que eu mereço. — Ainda mereço você vestida com uma camisa com o meu
nome.
— Isso é coisa que namoradas fazem para os seus namorados. —
Aponta em minha direção.
— E?
— “E” que não somos namorados, Aaron — me relembra.
Por pouco tempo, linda.
Ainda a conquistarei de todas as maneiras possíveis, e ela não
conseguirá dizer não ao meu pedido de namoro com direito a aliança e tudo.
— Certo — suspiro, olhando para o outro lado.
— Mas, então? Conseguiu arrumar alguma coisa? — pergunta,
enquanto chupa os dedos sujos de chocolate.
É errado que eu queira que meu pau esteja no lugar de seus dedos?
Só de pensar nisso, o sinto pulsar na calça, e pelo sorriso que me dá,
sei que o sentiu contra sua bunda macia.
— Hã... — tusso para clarear a voz e Holly solta uma risadinha. —
Ainda não, mas uma hora aparece. — Aperto o ossinho do seu quadril, mas
acaba que não foi uma boa ideia, já que para se esquivar de mim, ela acaba
se esfregando no meu pau endurecido.
— Você está morando comigo agora. Não precisa se preocupar com
isso — responde, fingindo que não está afetada.
— É, eu sei — respondo.
— O que foi? — pergunta, me encarando de perto.
— Hã?
— Você ficou cabisbaixo de repente. — Faz um carinho em minha
bochecha.
— Não é nada demais — tento desconversar.
— Se não fosse nada demais, essa ruguinha de preocupação não teria
aparecido bem aqui. — Toca em minha testa com seu indicador.
Droga.
Por que ela tem que me conhecer tão bem assim?
Suspirando, me ajeito no sofá e conto a ela.
— Sou grato por deixar a gente morar com você — digo e a vejo fazer
menção de falar algo, mas a interrompo antes. — Mas quero sentir que
estou ajudando em algo aqui em casa.
— Aaron. — Segura em meu rosto com as duas mãos. — Você vai
arrumar alguma coisa na hora certa, então não pira — pede, olhando dentro
dos meus olhos, e nesse momento, sinto que ela consegue ver minha alma.
— Além disso, você vai precisar fazer um estágio logo, logo. E eu não
quero que você se desgaste tanto assim. Você já faz demais
— Tudo bem — afirmo. — Vou parar de pensar nisso.
— Estou falando sério. Esqueça esse assunto e se concentre em outra
coisa.
Afirmo com a cabeça para que ela não se preocupe mais, e tento
esquecer esse assunto, mesmo que minha mente não pare um segundo de
me lembrar dessas questões.
Não vejo a hora de resolver logo isso e ter um pouco de paz.
Suspiro, passando as mãos no cabelo.
— Vamos trocar de assunto? — Sempre fico nervoso quando discuto
sobre isso. Agora mesmo, por exemplo, estou sentindo a paciência que
tenho, ir embora aos poucos. Não querendo que isso aconteça, peço: — Me
conta sobre o novo livro que está lendo.
— Como sabe que estou lendo algo? — pergunta, se afastando um
pouco para me olhar melhor.
— Esqueceu que acompanho seu trabalho? — relembro. — Aliás,
gostei muito da última postagem.
Suas bochechas ficam levemente coradas e desvia o olhar dos meus,
mostrando que está com vergonha.
— Obrigada — agradece.
— Não precisa agradecer. — Seguro em seu queixo e viro seu rosto
em direção ao meu mais uma vez. — Só estou dizendo a verdade. Você é
incrível e o que você faz também.
Um sorriso lindo nasce em seu rosto depois de minhas palavras.
Fazer nascer um sorriso fácil em seu rosto é e sempre será a melhor
das minhas recompensas.
— Agora me conte. O que está lendo agora?
— Por que quer saber? Você nem gosta de ler.
— Mas gosto de ouvir você falar. — Levo minha mão até sua nuca e a
puxo para mais perto de mim. — Passaria horas escutando falar sem me
cansar. — Mordo o seu queixo.
Holly me encara, e consigo identificar um brilho diferente neles.
— É uma série com quatro livros. — Passa a mão nos cabelos,
afastando uma mecha. — Está pronto para ouvir?
Nos virando no sofá, deito e a ajudo a deitar em cima de mim.
— Manda ver.
Ela fica um tempo sem dizer nada. Deve estar esperando-me desistir
de escutá-la, mas quando não dou indício de desistência, se ajeita em meu
colo, apoiando a cabeça em meu peito e passa a contar sobre sua nova
leitura, enquanto aproveito o tempo ao seu lado, sentindo o calor do seu
corpo junto ao meu, seu cheiro doce de lírios é reconfortante e sua voz
animada contando sobre tudo o que vem achando sobre a trama da série e o
porquê de Twisted Lies ter se tornado seu preferido.
Sua paixão pelos livros é tão grande, que por ela eu começaria a ler.
Por essa mulher, eu faria inúmeras coisas e não me importaria de
aprender coisas novas.
Carma é um Deus
Carma é a brisa no meu cabelo no fim de semana
Carma é um pensamento relaxante
Karma – Taylor Swift
Conseguia sentir a tensão tomando conta de todo o lugar.
Hoje teremos nosso primeiro jogo da temporada. Mesmo os times não
sendo desclassificados nesse momento, tínhamos que jogar como se
estivéssemos em uma final.
Nosso técnico acha que toda uma temporada é resumida a como
conduzimos nossa estreia.
Perder hoje não é uma opção. Ainda mais que jogaremos em casa.
Eu, Liam, Bennett e Simon, estamos sentados em um banco afastado
do resto do time, seguindo um ritual só nosso.
Sei que os Artic Fox só ganharão se nós nos mantivermos juntos. Nós
quatro somos a força um do outro, e desde que nos tornamos amigos de
verdade, preferimos nos manter isolados de todos para nos concentrarmos.
— A casa está cheia hoje, pessoal. — Levanto a cabeça assim que o
treinador entra no vestiário. — Vocês treinaram duro para estar aqui hoje.
Então vão lá e façam o que sabem fazer.
O time todo se junta perto do técnico.
— Vamos dar o nosso melhor hoje. — Nosso capitão, Thomas, leva
suas mãos ao centro e repetindo seu gesto, esperamos. — Esse será meu
último campeonato comandando o time, então como despedida, quero levar
essa taça para casa.
— E nós vamos — Ryan afirma ao lado de Jesse.
— Artic Fox — Simon grita e o seguimos, forçando nossas mãos para
baixo em um cumprimento.
Um a um os jogadores vão se dispersando para se prepararem para
nossa entrada no rinque.
Fecho os meus olhos e passo a respirar fundo e com calma.
Sempre fico nervoso antes de entrar no gelo, mas assim que sinto o
vento gelado em meu rosto e o grito da torcida nas arquibancadas, todo o
tremor passa.
— Está pronto? — Liam pergunta, apoiando sua mão em meu ombro.
— Sempre. — Me viro para ele e afirmo com a cabeça.
Mais uma vez estamos nós quatro juntos olhando um para o outro e
seguindo uma sequência, apoio meus braços no ombro de Liam e Bennett,
até formar um abraço em grupo.
— O sonho de um — digo, olhando para os meus melhores amigos,
principalmente para Simon.
— É o sonho dos quatro — repetem junto comigo.
Juntamos nossas testas e apertamos os ombros um do outro, nos
soltamos e seguimos para a fila que se forma na saída.
No nosso primeiro ano aqui, acabei ouvindo Bennett dizer essas
palavras várias vezes para Simon, mas só tive coragem de perguntar para
ele quando nossa amizade já estava concretizada. Segundo ele, quando dizia
isso para o amigo, significava que estava aqui por ele e o ajudaria a realizar
seu sonho de se tornar um grande jogador.
Contei para o Liam sobre, e em um dos nossos jogos, acabamos
falando junto com Bennett, transformando essa frase em nossa saudação
para momentos importantes para nós.
— Está na hora — o treinador avisa, abrindo a porta do vestiário e
saindo.
Um a um, vamos saindo.
O nervosismo ainda não passou. Sinto que minha boca está seca,
minhas mãos tremem e o estômago se encontra revirado. Todas essas
sensações não são medo, longe disso. E sim excitação.
A cada passo que vamos dando, consigo escutar os gritos dos
torcedores e como em um passe de mágica, sinto meu corpo se acalmar e a
fome de ganhar esse jogo cresce drasticamente.
Estou pronto.
É só eu colocar meus pés no gelo, para minha mente se acalmar por
completo, nada mais existe a não ser meu time e o time adversário.
Crownford é um time fraco no gelo, mas isso não quer dizer que não
precisamos ter atenção com eles.
O juiz chama os capitães ao centro para saber quem terá a posse do
disco primeiro, e enquanto eles decidem isso, olho para as arquibancadas à
procura de rostos conhecidos.
Estou quase desistindo de encontrá-la no meio da multidão, quando a
vejo.
Holly está em cima da cadeira, acenando em minha direção, com um
sorriso estampado em seu rosto.
Ela está perfeita hoje.
Seus cabelos estão soltos e mesmo de longe, consigo enxergar alguns
cachos nas pontas. Há duas listras em sua bochecha esquerda nas cores do
time e para completar, ela está usando nosso uniforme.
Levanto minha mão em sua direção, prometendo marcar um ponto
para ela, e sorrio ao perceber que balança a cabeça aceitando, indicando que
entendeu o que quis dizer.
Agora que sei que ela está aqui, nada pode me parar.
Meu coração bate forte, meus ouvidos estão chiando e o suor escorre
pela minha têmpora pescoço e costas.
Olho para o placar e faltam exatos um minuto e quarenta para o jogo
ser finalizado.
Estamos na frente com dois gols de diferença, mas ainda sinto
necessidade de marcar hoje, eu prometi a Holly que marcaria um para ela e
irei cumprir.
Um jogador do nosso time acabou se machucando por conta de uma
entrada muito forçada, então agora estamos jogando com uma pessoa a
menos, e mesmo com o placar a nosso favor, quando vejo Bennett em posse
do disco, coloco pressão em minhas coxas, que protestam pela força que
uso para ser mais rápido, e sigo em direção ao mesmo.
— Estou livre, Ryan! — grito em sua direção.
Bennett olha pra mim e faz um sinal para eu seguir em frente para uma
passada melhor.
Um jogador do time adversário vem de encontro a mim, mas consigo
me esquivar para o lado contrário antes que ele trombe comigo. Olho para o
placar e faltam cinquenta segundos para o fim do jogo.
É agora ou nunca, Bennett.
— Aaron! — Como se estivesse escutando meus pensamentos, ele me
grita, e lança o disco em minha direção.
Com movimentos ágeis, o intercepto com o taco e sigo em direção ao
gol.
Mantenho meus olhos focados nos do goleiro, e quando acho a
oportunidade perfeita, me ajeito da melhor maneira e mando para o gol,
mas acabo não conseguindo ver se entrou, porque um corpo se choca contra
o meu, me levando ao chão.
A dor que sinto por conta do impacto é tanta, que nem escuto o grito
da torcida para confirmar se consegui ou não.
Minhas costas latejam, acabo fechando meus olhos, e tento puxar o ar
pela boca.
Quem quer que seja, acabou metendo o cotovelo na boca do meu
estômago, tirando todo o meu ar.
Aos poucos, vou me recuperando, e quando abro os olhos, vejo Liam
parado em cima de mim com um sorriso enorme estampado em seu rosto.
— Consegui? — pergunto com a voz fraca.
— É claro, porra.
Volto a fechar os olhos e relaxo o corpo, que lateja em cada parte
possível.
Gostou do ponto marcado para você, linda? Espero que sim.
Respirando fundo, levanto a mão para Liam que a assegura e me
coloca de pé em questão de segundos.
— Ótimo jeito de começar a temporada — Simon diz, patinando em
nossa direção, sendo seguido por Bennett.
— Se esse for um indício de como será nossa temporada, essa taça já é
nossa — digo, me apoiando no meu melhor amigo.
— Concordo com você. — Bennett bate em meu ombro. — Como
está? Michael entrou com força demais.
— Estou bem, só as costas que estão latejando um pouco — conto,
olhando para a arquibancada à procura de Holly.
— Hanna e as meninas estão nos esperando lá fora. Vi quando elas
saíram — Simon conta assim que percebe para onde olho.
— Vamos tomar banho logo para podermos encontrá-las — Liam
pede.
Concordando com ele, seguimos em direção a saída do rinque com a
sensação de dever cumprido.
Saio do ginásio acompanhado dos meninos.
Estamos seguindo em direção ao carro de Bennett, e vemos as meninas
paradas enquanto conversam.
— Olha só se não são os melhores jogadores daqui. — Maddy acena
em nossa direção.
— Eles, eu não sei, já eu, realmente, sou o melhor. — Simon nos
encara enquanto sorri, se fingindo de convencido.
— Acho melhor pegarmos outro carro? — Genna sugere.
— Por quê? — Hanna pergunta confusa assim como eu.
— O ego irá ocupar todo o espaço — Genna repete, cruzando os
braços e sorrindo.
— A verdade dói, né? Eu sei disso — Simon se aproxima da ruiva e a
abraça pelo ombro.
— Por que a gente o atura, mesmo? — pergunto, olhando para
Bennett.
— Me pergunto isso desde os meus sete anos de idade — responde,
levando sua mão até o bolso de trás e pega seu maço de cigarro e isqueiro.
— Não tinha parado de fumar? — Liam sussurra ao seu lado.
Bennett o responde com um balançar de cabeça, enquanto leva o fumo
até a boca.
Olho para Simon que encara o amigo com indignação estampada em
seu rosto.
Antes que comece uma discussão entre eles, vou para o lado de Holly.
— Então, ficou impressionada ao me ver jogar? — Apoio minha mão
em sua cintura.
— Até que você joga melhor do que eu esperava.
— Você é tão malvada. — Puxo-a para mais perto e mordo sua
bochecha de leve.
Holly se encolhe rindo e minha barriga, que tinha se acalmado, dá
voltas e mais voltas, tudo por causa da sua risada.
Eu amo quando ela sorri assim.
— Obrigada por marcar um ponto pra mim. — Fica na ponta dos pés e
beija meu queixo.
— Então você entendeu o que eu disse no começo do jogo — afirmo,
me sentindo feliz.
Por um momento, tive medo de que ela não entendesse.
— Mas é claro. — Volta à posição de antes. — Consigo te entender
pelo seu olhar, Aaron.
— Sério isso? — Encosto minha testa na sua.
— Uhum. — Afirma com a cabeça e acaba movimentando a minha
também.
Peraí.
Ela está me dando abertura?
Há um tempo já que venho percebendo algumas investidas de Holly
em mim. Seria essa a chance que tenho de pedir para deixar essas regras
inúteis de lado?
Respiro fundo e pergunto de uma vez:
— Holly, o que acha da gente conversar depois?
Seus olhos se arregalam tanto que tenho medo de que eles saiam de
órbita.
— O quê? — Sua voz não passa de um sussurro.
— Acho que… — estou prestes a dizer o que penso, quando sou
interrompido.
— Gente, acabei de receber uma mensagem com o endereço de onde
vai acontecer a festa pela vitória de hoje — Maddy fala, nos tirando de
nossa bolha. — Querem ir?
— Estou bem cansado hoje, Maddy — Liam a responde, apoiando o
queixo na cabeça da minha irmã. — Hanna e eu vamos para casa.
— Não ligo para festa — Bennett diz, depois de liberar a fumaça de
nicotina para o outro lado.
Maddy olha para mim e Holly.
— Estou quebrado hoje, ruiva — digo, usando um tom de desculpa.
— Simon? — Maddy olha em direção a ele.
— Sei que será bem estranho, mas hoje não, ruivinha. — Faz um
carinho em sua cabeça.
— Não veremos você em muitas festas agora que o campeonato
começou, não é? — pergunta, encarando-o.
— É isso aí — confirma.
— Mas não vamos nem curtir um pouquinho? — Genna pergunta. —
É a primeira vitória de vocês.
— Que tal vocês duas irem lá pra casa? — sugiro. — Podemos pedir
algo para comer.
Olho para todos à espera da confirmação deles, que não demora a
acontecer.
— Eu topo — Maddy é a primeira a concordar.
— Eu também. — Genna levanta a mão.
— Beleza. — Bato palmas. — Vamos nos dividir nos carros de Liam e
Bennett e nos encontramos lá.
Em comum acordo, começamos a nos dividir e quando tudo está
organizado, me lembro que está faltando alguém.
— Bonequinha, cadê o Harry?
— Meu gatinho não queria vir — Maddy é quem me responde. — Ele
não gosta muito de lugares cheios.
— Já está íntima dele para saber dessas coisas, é? — Holly pergunta e
pelo seu tom de voz, saber disso a agrada muito.
— Acabamos nos tornando amigos. — Dá de ombros. — Ele é uma
gracinha e um ótimo amigo. Não tive como resistir a ele.
— Que bom! — É a única coisa que ela diz.
Há um brilho triunfante em seu olhar.
Olho para ela tentando decifrar o que se passa em sua cabeça, e no
segundo em que ela me encara, acabo sacando na mesma hora o que está
pensando.
— Você é impossível — sussurro e aperto sua cintura.
Holly está tentando juntar Maddy e Harry, duas pessoas
completamente opostas uma da outra. Mas sabe? Seria legal se ela
conseguisse.
Gosto muito do Harry, em alguns momentos ele me lembra muito
como minha irmãzinha era, e a Maddy? Bom, ela é uma garota incrível, que
merece um cara incrível. Se Holly acha isso. Por que não, né?
E se eu a ajudasse?
Dois é sempre melhor do que um.
Estou pensando em uma maneira de contar para ela que quero ajudar,
quando Bennett nos apressa para irmos logo para casa.
Holly, Hanna, Liam e eu vamos em um carro e os outros vão no de
Bennett.
— Nos vemos em casa, pessoal — Hanna se despede. — E Genna, por
favor, escolha as pizzas porque se depender do Simon, ele só vai escolher as
de vegetais — pede, entrando no carro.
— Pode deixar comigo.
Seguindo o exemplo de minha irmã, entramos também e seguimos em
direção a nossa casa.
— Estou morto. — Me jogo em cima da cama de Holly.
— A pancada que o cara te deu foi tão forte assim? — pergunta, se
sentando ao meu lado.
— Pior. — Tiro minha camisa.
— Meus Deus! Está doendo muito? — pergunta, tocando a pele
arroxeada das minhas costas.
— Um pouco — digo, sentindo minha pele arrepiar por conta do seu
toque. — Mas amanhã estará melhor. — Faço menção de colocar a blusa
novamente, mas suas mãos me impedem.
— Deite-se aí, irei fazer uma massagem em você. — Aponta para a
cama e se levanta, indo em direção ao banheiro. Fazendo o que ela pediu,
deito-me de bruços, apoio o meu rosto embaixo do braço e espero que
venha até mim. — Vai ser bom pra você.
Alguns segundos depois, escuto seus passos no carpete e sinto o
colchão afundar quando sobe nele. Ouço o barulho do produto sendo aberto
e o cheiro de menta toma conta de todo o quarto, e assim que o creme
gelado toca em minha pele quente, acabo me arrepiando.
Lentamente, Holly começa a espalhá-lo em minhas costas com suas
mãos macias, e me faz gemer quando massageia certos lugares,
principalmente onde está dolorido.
— Nossa, isso é bom — minha voz sai com dificuldade.
— Eu disse que seria. — Ela coloca a pressão certa nos músculos
tensionados, fazendo-os latejar por estarem sendo pressionados. Aos
poucos, a dor vai dando lugar ao relaxamento e os gemidos de sofrimento
são substituídos pelos de contentamento. — Está gostando? — Debruça
sobre o meu corpo e beija minha nuca.
Meu corpo é desperto em questão de milésimos de segundos, depois
de suas investidas.
— Muito — minha resposta não passa de um murmurar. Escuto sua
risada baixa e sinto-a descer seus beijos pela minha coluna, meu corpo todo
se arrepia pelo contato de sua boca macia com a minha pele aquecida.
Fecho os olhos para aproveitar todas as sensações que ela me causa, e acabo
gemendo quando meu pau endurecido e sensível é pressionado pelo colchão
macio. — Por que está fazendo isso?
— Porque quero te parabenizar pelos feitos de hoje — diz, passando a
lamber o meio da minha lombar, enquanto faz o caminho reverso do que fez
antes. Holly sobe devagarinho, me torturando ao morder cada uma das
tatuagens das minhas costas. — Amo todas as suas tatuagens. — Morde
meu ombro e suga a pele para dentro de sua boca. — Mas essa aqui é a
minha preferida. — Beija o desenho de uma cobra como se estivesse
atacando os meus lábios. Nesse momento, sou um misto de sentimentos e
sensações. Ela é a única que consegue fazer com que eu me sinta assim,
rendido, vivo, apaixonado, queimando de tesão de uma única vez. — Sabia
que sempre quis fazer isso? — Suga a tatuagem que fizemos junto com os
nossos amigos.
Amanhã acordarei com uma mancha enorme em meu pescoço, mas
quem está ligando? Quero que todos saibam quem a colocou lá e que Aaron
Black tem uma dona.
— Me marcar como seu? — Viro o meu corpo para conseguir vê-la
melhor.
— É isso que você quer? — Se ajeita e senta bem em cima do meu
pau. — Ser meu?
— Eu já sou seu há muito tempo, linda. — Seguro em sua cintura. —
Desde a primeira vez que te vi. — Segurando em meu rosto, Holly me puxa
em direção a ela e ataca os meus lábios com sede, como se tivesse
encontrado um copo d’água depois de dias de seca. Holly suga minha
língua com gosto. Meu pau pulsa dentro das calças, pedindo que o liberte e
dê atenção a ele. Seguro-a pela cintura e sem precisar de um comando meu,
passa a rebolar em meu colo. Mesmo que ainda esteja vestida, consigo
sentir o calor de sua boceta. — Eu preciso de você agora mesmo — digo,
com os meus lábios ainda colados aos dela. — Tenho que fazer você gozar.
— Era pra você ser o centro das atenções hoje. — Desabotoa minha
calça e me ajuda a me livrar dela, junto da cueca, em questão de segundos,
liberando o meu pau completamente duro. — Você quem tinha que sentir
prazer.
— Meu maior prazer é ter você gozando no meu pau. — Tiro nossas
blusas e as jogo em algum lugar do quarto. — Vamos, Holly. Preciso de
você agora mesmo.
Sem que eu precise dizer mais nada, ela se levanta do meu colo, abre o
botão de sua calça e a desce lentamente, acompanhada da calcinha, pelas
suas pernas macias. Fixo meus olhos nos dela e vou descendo o olhar por
todo o seu corpo até que chegue em sua boceta completamente encharcada.
Minha boca enche d'água pela vontade de sentir seu gosto mais uma
vez. Sem perder tempo, seguro em sua cintura, puxando-a em minha
direção. A posição não poderia ser melhor. Sua boceta está de frente para
mim, pedindo para ser tocada. Olho para cima e o olhar de Holly está
focado em mim.
— Pronta para ser minha? — Sem esperar sua resposta, aproximo meu
rosto de sua virilha, passo meu nariz bem de levinho em sua coxa e acabo
sorrindo quando vejo sua pele se arrepiar com o meu toque.
— Aaron — geme meu nome enquanto apoia a mão em minha cabeça.
— Eu sei — beijo sua boceta e gemo quando sinto seu gosto em
minha língua.
Não deixo nenhuma parte sem a devida atenção. Holly grita quando
sugo seu clitóris, arranha meu couro cabeludo quando a penetro usando
minha língua, e assim que percebo que ela está por um fio, paro minhas
investidas, puxo-a para se sentar em meu colo, e me viro, ficando por cima.
— Era pra você receber um boquete agora. — Ataca meu lábio
inferior, sugando-o e o mordendo, sem se importar que eles estejam
melados com sua excitação.
— Estou ganhando coisa melhor — digo, levando meu pau até a
entrada de sua boceta e a estocando de uma vez só. Holly geme, fechando
os olhos enquanto joga sua cabeça para trás. Estar dentro dela é como estar
no céu. Não há sensação melhor do que essa. — Eu amo foder você, Holly.
Sou completamente viciado.
Encosto nossas testas, seguro suas mãos e as levo acima de sua cabeça,
enquanto entro e saio dela com estocadas ritmadas e constantes. O suor
escorre pelas minhas costas, o cheiro de sexo toma conta do lugar e nossos
gemidos se misturam com o barulho de nossos sexos se chocando. Escondo
meu rosto entre seus seios, e quero marcá-la como minha.
Eu poderia muito bem marcar seu pescoço, mas não preciso que todos
saibam que ela é minha, desde que ela tenha conhecimento disso.
Com esse pensamento, sugo a pele exposta pelo seu sutiã, fazendo-a
gritar.
— Quando olhar essa marca. — Passo a língua na pele vermelha e a
mordo em seguida. — Lembre-se de que é minha. — Mordo o bico
endurecido de seu seio e preciso me controlar quando sinto sua boceta se
contrair em volta do meu pau.
— Aaron, me faça gozar. — Envolve minha cintura com suas coxas,
me levando até o limite.
— Seu desejo é uma ordem. — Beijando seus lábios, passo a meter
forte e duro dentro dela.
Holly grita com os lábios colados aos meus, me fazendo beber cada
um dos seus gemidos e em poucos segundos, sinto sua perna me apertar
com mais força, avisando que está a um fio de gozar. E como se estivesse
esperando por ela, meu pau se contrai me avisando que também estou.
— Aaron, eu vou gozar. — Sua voz é quase inexistente.
— Deixa vir, linda. — Como se só precisasse de um comando, Holly
goza no meu pau enquanto grita, jogando sua cabeça para trás. Continuo
com as investidas dentro dela até que sinto meu prazer se formando, meu
coração acelera e minha respiração se torna ofegante. Tiro meu pau de
dentro dela e gozo em sua barriga, marcando-a da maneira mais erótica e
gostosa possível. — Você não tem ideia do quanto está linda agora. —
Passo a mão em cima da minha porra, espalhando-a nela.
Holly olha para sua barriga e depois para mim.
— Espero que tenha gostado do seu presente de primeira vitória no
hóquei — diz.
— Se todas as vezes que vencermos, eu tiver você desse jeito — digo,
me deitando ao seu lado. — Farei de tudo para ganhar a taça esse ano.
Olhamos um para o outro e começamos a rir da piada só nossa.
E mais uma vez eu volto a afirmar que aqui, nesse exato momento,
com o cheiro dela impregnado em minha pele, é o melhor lugar do mundo.
E a emoção da perseguição segue de maneiras misteriosas
Portanto, no caso de eu estar enganado, eu
Só quero te ouvir dizer: Você me tem querido
Você é meu?
R U Mine? – Arctic Monkeys
Sou despertada por beijinhos em minha nuca que me deixam
completamente arrepiada.
— Por que está me acordando agora? — minha voz sai abafada por
conta do travesseiro.
Aaron ri do meu humor matinal e me puxa mais para perto de si.
— Porque, infelizmente, a vida não é um morango — beija atrás da
minha orelha, fazendo com que eu me encolha pelo nervoso. — E
precisamos nos levantar para ir à faculdade.
Resmungo, enterrando meu rosto em seu pescoço.
— Eu não preciso ir. Meus pais são ricos — digo, fazendo-o rir mais
ainda. — Posso ficar o dia todo nessa cama se eu quiser.
— É mesmo? — Sobe sua mão pela minha perna até minha cintura e
passa a fazer um carinho constante ali.
— Que pena que não posso dizer o mesmo.
— Eu te sustento. — Saio do meu esconderijo e passo a olhar para ele.
— Não disse uma vez que sou a sua velha da lancha?
— Está mais pra gostosa da lancha. — Aperta meu bumbum e me dá
um selinho.
— Por que não aproveita, então? — pergunto, enquanto apoio minha
perna na sua.
Começo a fazer carinho em seu abdômen definido, traçando as linhas
do coração que tem bem em cima do osso do quadril, e me pego pensando
que gostaria muito de passar minha língua sobre ele para depois chupar o
seu pau, que se encontra completamente ereto nesse momento.
— Acho melhor pararmos agora ou realmente não sairemos dessa
cama. — Aaron segura minha mão e beija meus dedos.
— Parar com o quê? Não fiz nada. — Me fazendo de desentendida,
levanto da cama.
— Não fez, mas estava pensando — repete meu gesto e se levanta
também.
— Bom, já que sabe o que estou pensando. — Caminho em direção ao
banheiro, me livrando da única peça no meu corpo. — Por que não
aproveitamos e tomamos um banho juntos? — Apoio uma das mãos no
batente da porta e olho por cima do ombro. — Assim não nos atrasamos, e
eu ainda consigo te dar o que não consegui ontem.
— E o que seria? — pergunta com seus olhos fixos nos meus.
— O melhor boquete da sua vida. — Sem esperar por ele, sigo em
direção ao banheiro.
Ligo a água e suspiro em contentamento quando o jato quente cai
sobre minhas costas e cabeça. Passo as mãos nos cabelos, colocando-os
para trás e sorrio quando o sinto atrás de mim.
— Você prometeu, então terá que cumprir. — Me segura pela cintura e
me puxa de encontro ao seu corpo.
— Pode deixar.
Em questão de instantes, todo o mau humor que sinto vai embora e
gemidos tomam conta do lugar.
Chego ao refeitório da faculdade acompanhada de Liam, Hanna e
Harry, e assim que encontramos uma mesa vaga, nos sentamos.
— Vamos tirar na sorte quem vai pegar os lanche de hoje? — Hanna
pergunta.
— Nem ferrando, espertinha — digo, encarando-a. — Hoje é a sua vez
de pegar nossas coisas.
— Odeio esse nosso acordo. — Pega sua bolsa e vai em direção ao
caixa acompanhada de Liam.
— Só quando é a sua vez, não é, espertinha? — grito em sua direção e
acabo rindo quando vejo-a me mostrar o dedo do meio.
— Achei que o acordo de vocês com a comida, fosse válido só em
casa. — Harry levanta a dúvida, chamando minha atenção.
— E perder a chance de ser mimada até fora de casa? Jamais. — Ele ri
da minha resposta e me ajeito no banco. — Mas e você, baby Yoda? O que
tem feito? Parece que não te vejo há séculos.
— Nos vimos na sexta, Holly.
— Isso é muito tempo sem você. — Pego uma de suas mãos que está
apoiada em cima da mesa e faço um carinho leve.
Harry é uma das poucas pessoas que gosto de ter um contato assim.
— Isso tudo porque não fui ao jogo de hóquei dos meninos? —
pergunta.
— Mas é claro! — Me recosto na cadeira. — Nosso grupo não estava
completo. Sentimos sua falta.
— Sentiram, é? — Seus olhinhos brilham por detrás das lentes de seus
óculos.
Acho que ele ainda não entendeu que agora tem a gente como amigos,
que nunca mais irá ficar sozinho. Mas eu entendo o jeito dele mais recluso.
Tudo é muito novo ainda. Em um dia ele era o menino solitário e agora ele
é o garoto que tem amigos que sentem sua falta. Só de lembrar o que as
pessoas faziam com ele, sinto vontade de socar alguém.
— Lógico. — Me aproximo, apoiando meus cotovelos na mesa. —
Agora me conta. O que ficou fazendo o final de semana inteiro?
— Lendo, estudando e vendo alguns filmes.
— Jura que trocou uma noite comigo para ler e ver filmes? —
pergunto indignada.
— Você faz isso também. — Abre um sorrisinho fofo.
— Só quando alguém me irrita ou tenho trabalho para fazer —
relembro. — Aliás, tenho que voltar para minha última leitura — conto para
ele.
— Ainda não terminou de ler o livro do Doutor Coração[7]?
— Não estou preparada para o que vem aí — me defendo, fazendo
cara de choro.
Por algum motivo, sei que esse livro vai acabar me marcando de
alguma maneira, e no momento, não estou pronta para o que me espera
nessa história.
— Você é impossível. — Sorri mais uma vez, e passamos a conversar
sobre besteiras quando avisto uma cabeleira ruiva vindo em nossa direção.
— Ei, sabia que acabei descobrindo uma coisa bem interessante? —
pergunto.