em namoro.
— Tomo fôlego e volto a contar: — Os primeiros meses foram
incríveis, mas, depois, ele passou a controlar o que eu vestia, para onde eu
ia, com quem eu falava. — Passo a mão no cabelo, tirando uma mecha que
insiste em cair. — Dei um basta quando ele ameaçou me dar um tapa,
porque tinha colocado um vestido justo demais. — Oculto os verdadeiros
fatos.
Nunca consegui contar para ninguém o que ele fez comigo, e não seria
agora que contaria, mesmo que fosse para os meus melhores amigos.
Se eu fechar os olhos, ainda consigo ouvir seus xingamentos.
“Está se vestindo assim para alguém, Holly? Sabia que era uma
vagabunda, quando não esperou nem um segundo para sentar no meu
pau”.
Demorei muito tempo para entender que eu não tinha culpa, e mais
tempo ainda para me livrar de tudo aquilo que me magoava.
Nunca contei para os meus pais o que aconteceu comigo.
O motivo?
Vergonha.
Não queria admitir que deixei uma pessoa fazer tudo o que Theodore
fez comigo. Então resolvi me calar, e me curar sozinha.
— Do que você tem medo? — Harry perguntou, me despertando das
minhas lembranças.
— De não conseguir evitar como da última vez.
Seus olhos compreensíveis me dizem que entendeu o que quis dizer.
Um silêncio recai sobre o quarto, até que Harry, o quebra.
— Você merece um cara como dos livros que você lê. — Se levanta e
pega minha mão. — Que te faça carinho, brigue por você e te proteja de
tudo e todos. — Sinto minha garganta apertar e meus olhos pinicarem. —
Espero que encontre essa pessoa — continua.
— E eu, que você não a perca quando a encontrar — Hanna completa.
— Por mais que você já tenha sofrido. Eu tenho certeza de que tem
alguém lá fora que cuidará tão bem de você, que todas essas lembranças
ruins não passarão disso. Lembranças. — Harry beija minha mão e me
lança um sorriso solidário.
— Obrigada por isso. — Olho para os meus dois melhores amigos.
Por que depois de todas as suas palavras, só consigo pensar em Aaron?
O seu jeito de me dar carinho, de me chamar de pequeno Carma, de
me fazer rir, e principalmente, o jeito que ele me olha.
Droga.
Não posso pensar nessas coisas.
Temos regras a seguir agora.
— Sabe qual será meu momento preferido, Holly? — pergunta,
chamando a nossa atenção e quebrando o clima melancólico que se formou.
— Ver vocês dois tentando seguir essas regras que não tem sentido nenhum
e quebrarem cada uma delas.
Se levanta da minha cama.
— Por que acha que vamos quebrá-las? — pergunto.
— Nada não. — Balança a mão como se não fosse nada. — Só
intuição.
Fico encarando-a por algum tempo, mas resolvo deixar para lá.
Nós três passamos a jogar conversa fora, até que Harry avisa que
precisa ir embora.
— Até mais, baby Yoda — me despeço, fechando a porta atrás de
mim.
— Tadinho do Harry — Hanna lamenta.
— Por quê?
— Apaixonado pela Maddy e sem coragem de se declarar.
— Você não pode falar muita coisa, Hanna Mo. — Começo a
desmontar o meu ring light.
— Não estamos falando de mim — rebate e eu acabo rindo.
— Queria eles juntos. São tão fofos, e combinam muito.
— Iremos dar uma ajudinha para esses dois. — Enrolo o fio da tomada
e guardo em um espaço ao lado do armário.
— Sério, como?
— Irei pensar em algo ainda — asseguro.
— Temos que ser discretas. Ele é tímido demais e não sabemos se
Maddy sente o mesmo por ele.
— Quem em sã consciência não gostaria do baby Yoda? — pergunto,
pegando meu Kindle que estava na minha mesinha de cabeceira.
— Você está certa.
— Sempre estou.
— Convencida — acusa.
— Porque disse a verdade? — pergunto, enquanto se aproxima e bate
em meu braço. — Ai, essa doeu. — Aliso-o.
— Pare de ser dramática que nem foi tão forte assim.
— Deixe-me te dar um então. — Me levanto e vou até ela.
— Sai pra lá. — Corre em direção ao banheiro. — Vou tomar banho.
Faço um gesto para que ela vá logo e volto a prestar atenção na capa
do livro em meu Kindle.
— Além da Anatomia de um Coração. — Leio o nome. — Espero que
você seja um ótimo mocinho doutor.
Estou me ajeitando para ler, quando esbarro em meu celular, que acaba
acendendo e me mostrando a lista de regras. É então que me lembro que
não a mandei para Aaron.
Largo o Kindle de lado, pego o celular, abro o contato de Aaron e
envio para ele.
Clico em enviar, e em poucos segundos, recebo sua resposta.
Gargalho quando leio.
Como pode uma pessoa ser tão convencida assim?
Ele fica um tempo sem responder, até que envia uma figurinha de um
cara rindo.
Sinto um formigamento em minha barriga com suas palavras.
Fico lendo e relendo sua mensagem por tanto tempo, que quando me
dou conta, Hanna já saiu do banheiro.
— O que houve?
— Nada. — Travo o celular e o jogo na cama. — Vou tomar banho.
— O chuveiro desarmou de novo — avisa.
— Tudo bem. Um banho gelado de vez em quando é bom.
Sem ver sua expressão, pego minha toalha e vou em direção ao
banheiro, com o coração ainda desregulado.
Oh, amor
Eu andaria no fogo por você
Apenas me deixe te adorar
Como se fosse a única coisa que eu faria na vida
Adore You – Harry Styles
Alongo meus braços acima da cabeça e estalo minhas costas, e meu
corpo reclama por ser movimentado depois de horas parado na mesma
posição.
Já estou há bastante tempo sentado na mesa da cozinha, fazendo o
trabalho da faculdade.
Quando escolhi fazer esse curso, não imaginei que me foderia tanto
assim.
Sempre gostei de criar apresentações no computador.
No Dia das Mães, Dia dos Pais ou aniversários da minha irmã, eu
sempre fazia uma pequena arte digital.
Então quando chegou a hora de escolher meu futuro, meio que foi
óbvio.
Estou no meu terceiro período de Marketing, e não vejo a hora de me
formar. Porque mesmo eu amando o que faço, detesto fazer trabalho da
faculdade.
Agora mesmo, estou montando um planejamento para uma empresa
fictícia que vai colocar seu mais novo perfume no mercado.
Se ainda fosse um projeto só, eu estaria realizado.
Mas, não.
O professor tinha que me ferrar com força ao pedir que montássemos
quatro apresentações em quatro dias.
Seria fácil pra mim se os treinos de hóquei não estivessem comendo
meu tempo livre.
Estou completamente cansado.
Estou virado há praticamente dois dias.
Como ainda estou vivo?
Consegui tirar um cochilo de duas horas e meu corpo tem tanta
cafeína, que poderia abrir uma cafeteria agora mesmo.
Olho para minha caneca azul e vermelha do Homem Aranha, e me dou
conta de que ela está quase vazia.
Me levanto da cadeira, e vou em direção a cafeteira.
— Droga — praguejo, quando percebo que tenho que fazer mais.
Largo a caneca em cima da bancada, pego o pó de café no armário
acima de mim, e começo a preparar mais uma rodada.
Coloco tudo no lugar, me encosto na bancada atrás de mim, e passo a
esperar.
Olho para o relógio, e vejo que está marcando três e quarenta da
manhã.
Suspiro e passo as mãos no rosto para afastar o cansaço.
E lá se vai mais uma noite sem dormir.
Poucos minutos depois, o cheiro tão característico toma conta da
cozinha. Quando a máquina termina seu trabalho, encho minha caneca até
quase o limite.
Aproximo a caneca do rosto, o vapor aquece meu rosto, bebo um gole
e quando o gosto amargo toca minha língua, meu corpo se arrepia pelo
gosto e o sinto ganhar um pouco de energia.
Sempre preferi meu café doce, mas como preciso me manter acordado,
quanto mais amargo melhor.
Bebo mais um gole, e caminho em direção à mesa. Me sento e meu
celular acaba acendendo, revelando o lindo sorriso de Holly enquanto eu
beijava sua bochecha e envolvia seu pescoço com um dos braços.
Tiramos essa foto no dia do meu aniversário.
Seus olhos estavam tão brilhantes e suas bochechas coradas pelo calor
e pela bebida. Minha barriga revira e sem perceber, um sorriso involuntário
acaba nascendo em meus lábios.
Linda, ela era linda demais.
Eu estava ferrado.
Completamente rendido pela melhor amiga da minha irmã.
Parece que é uma sina dos Carson.
Se apaixonar pelos melhores amigos do irmão.
Fico encarando a foto por mais alguns segundos, até que uma ideia
surge em minha mente.
Pego o celular, abro na câmera, tiro uma foto com a caneca bem em
frente ao rosto, tomando o cuidado de deixar meus lábios em evidência, e
envio para ela com os dizeres: Quer beber uma xícara de café comigo? E
largo o aparelho em cima da mesa, pronto para voltar a trabalhar.
Ainda falta terminar dois letreiros e finalmente estarei liberado.
Estou quase terminando um deles, quando meu celular vibra na mesa,
e quando o pego, tem uma resposta dela.
Tenho que levar a mão à boca, para abafar a gargalhada que solto.
Nunca vi alguém detestar tanto uma bebida como Holly.
E nem é brincadeira.
Tentei beijá-la quando tinha acabado de tomar um grande copo de café
e quase apanhei por conta disso.
Estou perdido nas lembranças, quando o celular volta a vibrar em
minha mão, e quando olho para ele, há uma nova mensagem dela.
Aperto em enviar e a resposta não demora a chegar.
Levo a mão ao peito, como se ela pudesse ver meu pequeno teatro.
A pergunta vem acompanhada de uma figurinha de um cachorrinho
branco com os olhos espremidos.
Por que sinto que estou sendo julgado por essa simples imagem?
Nesse momento, eu tenho certeza de que ela está mordendo o lábio
inferior e rindo da minha cara.
Envio e espero sua resposta.
Se prolongar mais esse assunto, está arriscado eu aparecer vestido de
Homem Aranha na faculdade, só para que ela esqueça o Tom Holland.
Estou perdido em pensamentos, quando meu celular vibra me
avisando sobre a chegada de uma nova mensagem, e ao verificar o
conteúdo, acabo sorrindo quando a foto de um livro aberto em cima das
pernas torneadas de Holly aparece na tela.
Fiquei sabendo que ela trabalha com divulgação de livros em suas
redes sociais.
Tenho que pedir à minha Bonequinha o nome do perfil, para que assim
eu passe a acompanhar seu trabalho de perto.
Aliás, farei isso agora mesmo.
Saio da minha conversa com Holly, procuro o contato de Hanna, e
quando o acho, acabo sorrindo em contentamento.
Sua foto de perfil é dela sendo abraçada por Liam, que veste o
uniforme do nosso time, enquanto minha irmãzinha usa uma blusa cheia de
morangos.
Eles formam um belo casal.
Com esse pensamento em mente, mando uma mensagem para ela.
Envio a mensagem, e volto para minha conversa com Holly.
Releio a mensagem que enviou há pouco, para então respondê-la.
Me ajeito melhor na cadeira, e ficamos trocando mensagens bobas até
quase cinco da manhã e só me dou conta do horário, quando escuto uma
porta lá em cima ser aberta e fechada. Isso sempre acontece quando passo
meu tempo com ela. Temos uma conexão tão forte e nos damos tão bem um
com o outro, que o tempo parece correr à minha volta sem que eu perceba.
Respondo, me fazendo de desentendido.
Assim que responde, seu status passa de on para off.
Com um sorriso bobo estampado em meu rosto, abro meu bloco de
notas do celular, vou até a lista que Holly me mandou, e faço o tópico “não
mandar mensagens bobas” ficar vermelho, para me lembrar que amanhã
tenho que riscar esse item na lista que imprimi e colei na porta do meu
armário.
Parece que começamos bem nossas quebras de regras.
Coloco o celular na mesa, me ajeito na cadeira, e volto a fazer meu
trabalho.
Estou quase terminando, quando Simon aparece na cozinha com seu
equipamento de treino.
— Tem treino hoje? — pergunto, já preocupado.
Estou sem dormir direito.
O treinador vai acabar com a minha raça se eu for treinar podre do
jeito que estou.
— Não. O senhor Foster deu folga pra gente hoje.
Suspiro aliviado com sua afirmação.
Nosso treinador teve que resolver algumas coisas pessoais, então nos
deu folga de dois dias, mas com tanto trabalho assim, acabei me
esquecendo desse detalhe.
— Então por que está acordado às... — olho para o relógio em meu
computador — cinco e vinte e três da manhã?
— Porque não posso parar de treinar. — Vai em direção a geladeira e
pega uma garrafa de água.
— Você vai ser escolhido para um time, Simon — garanto. — Mas
não vai adiantar nada se ficar se matando de treinar.
— Hum. — Leva a garrafa até a boca, e consome todo o conteúdo em
questão de segundos. — Preciso ir — se despede, já indo em direção a
porta.
Ele é inacreditável.
Fica se matando de treinar, sendo que não precisa disso.
Simon é o melhor que temos. Mas parece que isso não entra na sua
cabeça de jeito nenhum.
Tudo culpa daquele bosta do pai dele.
Ainda me lembro das coisas horríveis que ele disse para o próprio
filho.
Me pergunto como um pai pode tratar um filho dessa maneira.
Joseph Carson, nunca levantou a voz para mim, a não ser quando eu
merecia uma chamada mais dura por fazer o que não devia.
Espero que ele não vá além do seu limite, e acabe se machucando.
Balanço a cabeça para afastar esses pensamentos, e volto a fazer o
meu trabalho, que finalmente estou terminando.
Eu tenho essa sensação, sim, você sabe
De que estou perdendo todo o controle
Porque há magia em meus ossos
Bones – Imaine Dragons
Levo a mão ao lábio e acabo bocejando.
— Que horas você foi dormir ontem? — Hanna pergunta, me
entregando um copo.
— Tarde — bocejo mais uma vez.
— Conseguiu terminar o que tinha pra fazer, pelo menos? — pergunta,
antes de tomar um gole de sua bebida.
— Não, mas hoje finalizo tudo — digo, abrindo minha bolsa à procura
dos meus óculos escuros.
— Está lendo o que agora? — Harry pergunta, enquanto corta um
pedaço da sua panqueca. — Adorei o último que me indicou.
— Aprendeu bastante coisa com o Eric[6], baby Yoda? — pergunto e o
encaro, agora pelas lentes escuras dos óculos.
— O cara é legal. — Dá de ombros. — Temos gostos parecidos.
— Principalmente por mulheres — Hanna murmura com a boca
colada no copo.
Nos encaramos, até que não aguentamos mais e caímos na risada.
— Vocês são impossíveis. — Suas bochechas ficam vermelhas em
questão de segundos.
— Ah, qual é, baby Yoda. — Faço um carinho em sua bochecha. —
Foi engraçado. — Me ajeito na cadeira e olho para a entrada da cafeteria.
— Falando em gostos parecidos. — Sinalizo para que ele olhe para a sua
frente. — Olha quem está vindo ali.
Por minha mão ainda estar em sua bochecha, sinto o exato momento
em que elas esquentam por conta da vergonha.
— O q-quê? — Seus olhos estão arregalados.
— Respire fundo ou ela vai acabar percebendo — sussurro em seu
ouvido.
Rapidamente, Harry pega o copo de água à sua frente e o finaliza em
questão de segundos.
Ele fica tão bonitinho quando está nervoso.
Desde que Hanna e eu o conhecemos, ele mudou bastante quanto ao
seu nervosismo e vergonha, mas é só a Maddison aparecer que sua
ansiedade e timidez aparecem com força total.
— Oi, gente! — a ruiva nos cumprimenta, se sentando na cadeira vaga
de frente para Harry.
— Ei, ruiva.
— Oi, Maddy.
Hanna e eu a cumprimentamos.
— O que estão comendo? — pergunta, olhando para a mesa.
— Harry pediu panquecas, Hanna, como sempre, está tomando essa
coisa enjoativa de morango...
— Não é enjoativa — Hanna me interrompe.
— Você sabe que é — rebato, encarando-a com o cenho franzido.
— E você? O que pediu? — Maddy pergunta, apoiando os cotovelos
em cima da mesa e o queixo em cima das mãos.
— Hambúrguer com fritas — respondo, pegando uma batata e a
levando a boca.
— Quer alguma coisa, Maddy? — A voz de Harry é tão baixinha, que
só consigo escutá-lo por estar sentada do seu lado.
— O que disse, Gatinho?
— Per-perguntei se quer comer alguma coisa? — Tosse um pouco para
clarear sua voz.
— Não sei ainda. — Pega o cardápio e olha as opções que tem.
— Que tal... — Hanna começa a falar, mas minha atenção é desviada
por conta do meu celular que começa a vibrar e ascender como um louco
em cima da mesa.
— Mas o quê...!? — Pego-o na mão e vejo que recebi vários
comentários na minha última postagem.
— O que houve? — Hanna pergunta, voltando sua atenção para mim,
enquanto abro o aplicativo e leio os comentários.
— Ele não fez isso. — Olho incrédula para os comentários que Aaron
fez.
Os nerds até são legais, mas já experimentou um jogador de Hóquei?
Esse cara canta? Eu também posso cantar. Já me escutou cantando?
É como se anjos estivessem descendo dos céus.
Por que está toda caidinha por esse cara? Ele só foi até outra cidade
comprar os doces da garota. Se fosse comigo, eu aprenderia a receita e
faria com as minhas próprias mãos.
O que ele está fazendo?
Eu disse que não iríamos comentar nas postagens um do outro.
Vou lendo comentário por comentário, até que chego em um em
específico, sem aguentar mais, acabo caindo na gargalhada.
Gostei desse. Além de ter um ótimo nome como o meu, é estiloso e não liga
para REGRAS.
Esse garoto não conhece limites.
— O que houve? — Hanna pergunta, chamando minha atenção.
Sem dizer nada, passo o celular para que ela veja por si mesma.
Poucos segundos depois, ela começa a gargalhar descontroladamente.
— Meu irmão é completamente louco — diz, ainda lendo os
comentários feitos.
— Queria saber como ele conseguiu encontrar esse perfil.
Não que seja difícil achá-lo, mas só quem encontra com facilidade, são
aqueles que acompanham perfis sobre livros.
— Err… — Hanna me entrega o celular, e rapidamente, pega seu copo
e bebe o conteúdo.
— O que você fez? — pergunto, encarando-a.
— Eu não tive culpa — tenta se desculpar. — Ele encheria o meu saco
se eu não desse.
— Hanna! — protesto.
— Eu acordei e tinha mensagens dele no meu celular, me intimando a
mandar o seu perfil, se fazendo de vítima, e sabe qual desculpa usou? —
pergunta e já imagino qual. — Que namorei com o Liam escondido.
Eu sabia.
Tão previsível.
— Sabe que ele vai usar isso para ganhar bastante coisa, né? — já a
deixo avisada de que ele irá se aproveitar sempre que quiser algo.
— É eu sei — suspira, se recostando na cadeira. — Aaron vai usar
disso até para me arrancar dinheiro.
Acabo rindo de seu comentário e pego mais uma batata do meu prato.
Ele realmente é um cara de pau. Hanna e Liam ainda vão sofrer na
mão dele, e só de imaginar, fico com pena dos meus amigos. Achei que
minha melhor amiga era a pessoa mais dramática que já tive conhecimento,
mas parece que seu irmão é pior.
— Estão falando de mim? — Só o simples fato de escutar sua voz
perto de mim, sinto meu estômago começar a revirar.
Meu Deus! Como ele é gostoso.
Usando um look monocromático preto, a única coisa colorida nele é
seu cabelo loiro e suas tatuagens. Ainda não superei quando os vi nessa
tonalidade pela primeira vez. Muito menos o motivo para essa mudança.
“Você disse que gostava de loiros, pequeno Carma”.
Pequeno Carma.
Todas as vezes que escuto esse apelido, minhas pernas tremem, mas é
claro que ele não sabe disso. Na verdade. Ele nunca saberá o que causa em
mim. Quer dizer, se ele continuar fazendo essas coisas e quebrando nossas
regras... Não quero nem pensar no que possa acontecer.
— Sim, estávamos — Hanna o responde.
— Espero que bem. — Dá a volta na mesa, pega uma cadeira na mesa
disponível ao lado e se senta perto de mim. — Olá, pequeno Carma — me
cumprimenta com um selinho e repousa o seu braço em meus ombros.
— O que você está fazendo? — Franzo tanto o cenho, que meus olhos
quase se fecham por completo.
— Eu? Nada demais. — Rouba uma batata do meu prato e a come em
seguida. — Na verdade, agora não precisarei fazer nada. Finalmente
entreguei o meu trabalho e estou livre. — Pega mais uma batata e repete o
processo.
— Você sabe muito bem do que estou falando, Aaron. — Aponto o
dedo bem rente ao seu rosto. — Acabou quebrando pelo menos umas quatro
regras em questão de minutos.
— Relaxe, meu lindo Carma. — Sela meus lábios mais uma vez. —
Relaxe e aproveite minha bela companhia. — Puxa meu corpo em sua
direção, me aconchegando mais em seu abraço, pega minha mão repousada
em minha coxa e entrelaça nossos dedos.
Estou prestes a protestar, quando ele rouba mais um selinho meu e se
vira em direção a irmã.
— Então, Bonequinha? O que estava falando de mim, hein?
— Que você vai me deixar louca um dia — responde e estapeia o seu
braço.
Ele já está me deixando.
— O quê? Mas por quê? — Arregala os olhos em uma falsa surpresa.
— Não se faça de sonso. — Hanna pega um pedaço de guardanapo e
joga em cima dele. — Vai ficar usando o fato de que Liam e eu namoramos
escondido de você, para conseguir as coisas até quando?
— Hum… — Olha pra cima como se estivesse pensando. — Não sei
ainda. — Dá de ombros. — Talvez até o Natal.
— O que tem o Natal? — Liam pergunta, se sentando ao lado de
Hanna. — Olá, Moranguinho. — Sela os lábios da minha amiga. — Como
foi seu dia hoje? — pergunta, encostando sua testa na dela.
Sabe casal açúcar? Que conseguimos sentir o doce na língua de longe?
São eles. Nunca conheci casal tão grudento quanto, mas até que são fofos
juntos.
— Bom — Hanna responde, fazendo um carinho na bochecha do
namorado. — Até eu ganhar uma bronca por causa do Aaron. — Olha para
o irmão, e em um ato infantil, dá língua para ele.
Aaron retribui o ato da irmã e acaba rindo depois.
— O que o Natal tem com isso? — Liam pergunta mais uma vez.
— Ele disse que talvez — coloca ênfase no talvez. — Irá parar de usar
que namoramos escondidos para ganhar as coisas.
— Meu bolso agradece. — Liam tem uma expressão sofrida
estampada em seu rosto.
— Como assim seu bolso? — pergunto interessada.
O que esse garoto aprontou agora, hein?
— Tive que comprar um creme de cabelo que custa duzentos dólares.
— Encara o melhor amigo, que começa a rir do meu lado. — Porque esse
cuzão usou quase o pote inteiro.
— Saiba que te amo — Aaron se declara e manda um beijinho para
Liam.
— Ah, vai a merda. — Liam retribui, dando o dedo do meio e
começamos a rir de sua atitude.
— Vem cá — Maddy chama nossa atenção. — Tinha ouro dentro
desse creme?
— Me perguntei a mesma coisa — Liam suspirou.
— Não tenho culpa de ter ficado loiro e precisar cuidar deles mais do
que antes. — Passa as mãos nos cabelos. — Aliás, meu belo Carma. — Se
vira na cadeira para me olhar melhor. — A culpa do meu cabelo precisar de
tantos tratamentos é sua. Então acho que nada mais justo que você pague
pelo cuidado dele.
— Mas eu não pedi que ficasse loiro — relembro-o.
— Não com palavras. — Aproxima nossos rostos mais uma vez e
sinto os pelinhos dos meus braços se eriçarem quando sua respiração bate
em minha face.
— Tudo bem, Aaron. Vou te levar em um ótimo lugar para cuidar dele.
— Fico o encarando.
— Se continuar a me encarar assim. — Sinto sua mão subir do meu
braço até meu pescoço. — Serei obrigado a beijá-la aqui mesmo. — Aperta
meu pescoço de leve. — E te garanto que não será um beijo como os outros.
Acabo ofegando com o contato repentino.
— Você não teria essa coragem — desafio-o.
— Sabe que teria sim. — Sobe sua mão tatuada até meu queixo, e
apertando minhas bochechas, puxa meu rosto para mais perto de si. — Mas
prefiro fazer isso em um quarto fechado, onde você possa gritar bastante.
Engulo em seco, mas não recuo.
— Isso é um aviso?
— Não, pequeno Carma. É uma promessa. — Beijando meus lábios
mais uma vez, ele morde o inferior com pressão o suficiente para que eu o
sinta pelo resto do dia.
Aaron me solta e volta a olhar para a frente como se nada tivesse
acontecido.
Onde fui me meter?
Ele consegue me tirar do ar em questão de segundos.
Passo as mãos nos cabelos, afastando-os do meu rosto, e quando olho
para a frente, vejo Hanna me encarando com uma clara expressão vitoriosa.
Ela acha que essa pequena cena significou algo?
Não poderia estar mais enganada.
Tudo bem que meu coração ainda está acelerado como louco e que
minha calcinha está completamente arruinada. Mas isso não quer dizer
nada.
Nada.
Aham, conta outra.
A quem eu quero enganar?
Nem estou conseguindo me convencer.
Será difícil demais seguir todas as regras que impus para que minha
relação e a de Aaron se mantenha só na amizade.
Estou perdida em pensamentos, quando escuto a voz de Bennett.
— Espero que não use o meu creme novo.
— Pode ficar tranquilo, caro amigo — Aaron o responde. — Não
tocarei mais.
— Ainda esse assunto do creme? — pergunto cansada. — Já disse que
vou pagar por esse cabelo.
— Acho que apostei certo. — Aaron me encara, sorrindo.
— O que quer dizer com isso? — pergunto confusa.
— Quero dizer que encontrei minha própria dona da lancha. — Abre
um sorriso de lado.
Todos da mesa começam a rir por conta das suas palavras.
Já disse como esses sorrisos destroem a minha vida?
Não?
Pois eles destroem não só a minha vida como as minhas lingeries.
— Aaron tem a sua própria Sugar Mama.
É claro que pra falar essa merda, tinha que ser o Simon.
— Meu Deus, Simon! Cala essa boca — Liam pede rindo.
A crise de risada vai abrandando, até cessar de vez.
— Vocês são loucos — Genna diz, se sentando do outro lado de Harry.
— E aí, Genna — Hanna a cumprimenta. — Onde você estava que
não respondeu minhas mensagens?
Depois que nosso grupo de amigos ficou concretizado, combinamos
de sempre almoçar juntos. Então só mandamos uma mensagem avisando o
horário que devemos nos encontrar.
Todos os nossos amigos responderam Hanna confirmando a vinda para
cá, mas parece que Genna não.
— Estava ensaiando. — Estica o seu braço por cima da mesa e pega a
bebida de Liam.
— Recital novo? — Liam pergunta.
— Uhum — engole a bebida e volta a falar: — Preciso criar uma
coreografia do zero, mas está bem complicado dessa vez.
— Você vai conseguir, Genny — asseguro. — É a melhor dançarina
que já conheci.
— Obrigada. — Sorri.
Vi Genevieve dançar uma única vez, e posso dizer com todas as
palavras que ela é a melhor de todas.
— Gente, sabe o que eu percebi aqui? — Simon chama nossa atenção.
— Nem imaginamos — Bennett responde.
— Que não escolhemos um lugar para ir esse final de semana.
— E por que precisamos sair esse final de semana? — Hanna
pergunta, já desanimada.
— Porque somos jovens e precisamos sair — responde como se fosse
óbvio.
— Ele tem razão — Maddy concorda.
— Eu sempre tenho, ruiva. — Pisca em sua direção.
Vejo o corpo de Harry ficar mais tenso, mostrando o quanto está com
ciúmes. Parece que terei que intervir por ele do mesmo jeito que fiz com
Hanna.
O que seriam dos meus melhores amigos sem mim?
— Vocês já têm planos? — Maddy volta a perguntar.
Todos negam, até que chega a vez de Aaron.
— Eu vou levar a Holly para jantar.
Acabo me engasgando com o refrigerante que estava tomando.
— O quê? — Minha voz sai com um pouco de dificuldade. —
Aaron... — começo a protestar, mas sou impedida.
— É seu aniversário na sexta, lembra? — pergunta, me relembrando.
— Como sabe que é meu aniversário? — pergunto, intrigada.
— Segredo de estado — desconversa.
Olho em direção a Hanna e a cara de pau está quase se escondendo
embaixo da mesa.
Você me paga.
Ameaço-a só com o olhar, e o melhor de sermos melhores amigas, é
que ela me entende sem que eu precise dizer uma única palavra.
— Por que não fazemos uma festa, então? — Simon sugere. — Três
dias depois é o aniversário do Liam.
— Uma festa? É, pode ser legal — Maddy concorda. — A não ser que
já tenha outros planos.
— Meu plano era uma noite das meninas — conto.
— Ia me deixar de fora do seu aniversário? — Leva as mãos ao peito,
fazendo um grande drama. Espera, isso são lágrimas? Meu Deus, ele é
melhor do que a irmã quando o assunto é drama.
— Aham — afirmo sem hesitar, enquanto pego o copo de água à
minha frente e tomo um longo e refrescante gole.
— Por que você é tão má comigo? — pergunta, fazendo biquinho em
uma clara tentativa de me amolecer.
Sem dizer nada, me recosto na cadeira, cruzo os braços e abro um
sorriso atrevido, que sei que o deixa enlouquecido.
— Enfim — Simon volta a chamar nossa atenção. — Topam uma
festa? — volta a perguntar, e um por um, vão confirmando a presença.
— Qual seria o tema? — Genna pergunta.
— Podia ser a fantasia. O que acham? — Maddy sugere de uma forma
bem animada.
— Seria perfeito — Simon se anima. — Outubro é o mês do
Halloween. Uma festa a fantasia no começo de Novembro encaixaria muito
bem.
— Também acho — a ruiva responde, ficando mais empolgada do que
antes, se é que isso é possível.
Quando o assunto é festa e junta esses dois, o caos é garantido.
— Só temos um problema — Liam toma a palavra.
— E qual seria? — Simon pergunta.
— Onde faremos essa festa? — Liam levanta a questão. — Sabem que
não podemos fazer na nossa casa — conta.
— Por quê? — pergunto.
— Ordens do proprietário — Aaron é quem me responde.
— Então, onde vamos fazer? — Maddy pergunta. — Temos que
pensar em um lugar bem rápido.
Então um caos se forma quando todos passam a sugerir um lugar em
que dê para fazer a tal festa. Eles falam tão alto, que sinto minha cabeça
doendo com todo esse barulho insuportável. Estou quase pedindo para todos
pararem de gritar como loucos, quando meu celular vibra em cima da mesa.
Pego o aparelho e vejo que tem uma mensagem do meu pai. Abro o
aplicativo e quando vejo seu contato, sorrio de felicidades.
Até que enfim.
Respondo e leio meu novo endereço, que se não me engano, fica em
um bairro nobre a dez minutos daqui.
A algazarra dos meus amigos chama minha atenção. Então, acabo
gritando para fazê-los calar a boca.
— Eu tenho o lugar perfeito para isso — digo, mostrando meu celular
para eles.
Comemorar meu aniversário na casa nova, será tudo.
Obrigada, papai! O senhor é o melhor.
Estou com minha mente no seu corpo
E seu corpo na minha mente
Cool For The Summer – Demi Lovato
Estaciono o carro em frente à loja de fantasias, e sou acompanhada por
Hanna, quando descemos do carro.
— As meninas já estão vindo? — pergunta, olhando para o seu celular.
— Genna já está nos esperando lá dentro, e a Maddy já está linda —
digo, abrindo a porta de vidro e entrando.
A loja não está tão cheia quanto achamos que estaria. Felizmente,
escolhemos um horário bom para vir.
O lugar é bem amplo, com araras lotadas com uma variedade incrível
de fantasias.
Espero que tenha pelo menos uma das opções que tenho em mente.
— Acho que não saberei decidir qual fantasia vestir — Hanna diz atrás
de mim, olhando para uma das araras que tem algumas fantasias de fadas e
princesas.
— Contanto que não vá de Cinderela de novo — digo, olhando para
um chapéu de bruxa.
— Não sei por que você implica tanto com a minha fantasia de
Cinderela? — Cruza os braços e me encara. — Fiquei linda no Halloween
daquele ano.
— Até que você tropeçou naquela saia enorme e abriu o queixo —
Aponto para o lugar que acabou machucando. — Passamos o resto de nossa
noite em um pronto socorro.
Hanna ri da lembrança daquele dia.
Era Halloween e por algum milagre, e muita insistência dos pais dela,
consegui arrastá-la para uma festa que ia acontecer em uma boate, mas
antes que chegássemos ao evento, Hanna acabou pisando na saia gigantesca
de princesa, caindo de cara no chão e abrindo o queixo. Sua Cinderela
encantada, acabou virando a réplica da Carrie a Estranha por conta de todo
aquele sangue.
Sua sorte é que a cicatriz ficou quase imperceptível.
— Estou pensando em ir com algo menos espalhafatoso — diz,
mostrando a roupa de uma pirata com saia curta.
— Ah, não. Pirata não.
— Mas por quê? — pergunta, soltando a fantasia.
— Porque mais da metade da festa vai ou de pirata ou de fada —
Genna responde, chegando por trás de mim. — Oi, gostosa!
— Oi, Genna — cumprimentamos em um coro.
— Já escolheu a sua roupa? — pergunto, vendo uma saia verde
brilhante, com escamas, pendurada em seu braço.
— A Pequena Sereia. — Levanta o braço como se estivesse nos
mostrando sua escolhida.
— Você irá ficar linda — Hanna garante e eu concordo com a cabeça.
Genevieve é uma linda mulher negra, com os cabelos curtos na altura
dos ombros, e cacheados. Não irei mentir e dizer que não me senti atraída
por ela em um primeiro momento. Quem não se sentiria? A mulher é uma
deusa.
— Obrigada — agradece, tirando um cacho que insiste em cair em
seus olhos. — Então? Já escolheram algo ou tem alguma ideia?
— Ainda não — Hanna conta. — Vamos dar uma olhada por aí e
decidimos na hora.
Concordamos, e seguimos pela loja.
Estamos olhando uma das araras, quando Maddy chega esbaforida.
— Desculpem o atraso, meninas. — Se apoia em Hanna para se
recuperar. — Tive que entregar um trabalho às pressas para o meu professor
de composição.
— Você não tinha que entregar isso há semanas? — Hanna pergunta.
— Pelo menos, Liam entregou a dele tem um tempo.
— Acabei atrasando e perdendo o prazo — nos conta, bebendo algo
em sua garrafa térmica. — Como era a primeira vez que isso acontecia, ele
deixou eu entregar com um pouco de atraso. — Fecha a garrafa e a guarda
em sua mochila.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunto, ao perceber seu rosto
abatido e com algumas olheiras.
— O curso está ficando cada vez mais rígido — suspira.
— Nem me fale — Genna concorda. — Eu amo fazer dança, mas tem
horas que eu só queria acabar logo os estudos.
— Só de pensar que estamos no primeiro ano. — Hanna aponta em
minha direção. — E que tenho muita coisa pela frente ainda. Me desanima.
— Verdade.
Concordamos com ela.
Mesmo amando o que faço, não posso discordar que é muito
cansativo, ouso até dizer, exaustivo, fazer faculdade e organizar tudo de
uma vez só.
— Enfim. Vamos deixar esse assunto chato de faculdade para lá —
Maddy pede. — Já escolheram o que vão vestir? — pergunta, olhando para
as araras.
— Genna já. Agora só falta nós três — digo.
— Então vamos logo porque a loja fecha em duas horas e temos
muitas opções para ver aqui — Hanna diz, apontando para a loja toda.
Em poucos segundos, reviramos toda a loja atrás de uma fantasia para
todas nós. Como Genna era a única que tinha a sua já escolhida, eu já tinha
perguntado para uma vendedora se eles teriam pelo menos uma das que eu
queria e estava aguardando sua volta. Então só faltava procurar fantasias
para as duas restantes. O que foi um desastre, porque sempre que uma
gostava da fantasia, a outra não gostava. Ficamos nisso por quase uma hora,
até que Maddy finalmente encontrou a sua.
— Carrie a Estranha? — pergunto, olhando-a de cima a baixo.
— Ei? Gostaram? — Dá uma voltinha em torno de si para que
possamos ver toda a sua roupa, que nada mais é do que um vestido todo
surrado e sujo que será manchado com sangue falso.
— Ficou muito bom, Maddy — Hanna garante. — Vai combinar
muito com você.
— Por que sou ruiva? — pergunta, se olhando no espelho.
— Não. Porque é estranha — Genna responde e caímos na gargalhada.
— Eu acho que vou passar mal — Hanna ria tanto que suas bochechas
estavam vermelhas pelo esforço.
— Com uma amiga como você, não precisamos de haters. — A ruiva
faz um beicinho, se fingindo de magoada.
Com um resquício de sua gargalhada, estampada em seu rosto. Genna
manda um beijo para Maddy, dizendo:
— Sempre as ordens.
Limpo o canto dos olhos por conta do esforço e respiro fundo para
regular minha respiração.
Essas meninas são loucas demais. Acabei aprendendo a gostar de cada
uma delas, de uma maneira ou de outra.
Maddy volta para o provador, para se trocar e quando vai, já está com
sua roupa de antes e o vestido da sua personagem nas mãos.
— Só falta a Hanna e você, não é Holly? — pergunta, se sentando ao
meu lado e juntando sua roupa com a de Genna.
— Na verdade, eu estou esperando a vendedora — conto a ela.
— E o que tem em mente? — Genna pergunta, se aproximando da
gente com uma varinha de plástico nas mãos.
— Segredo. — Faço um mistério.
Se tudo der certo, irei me transformar na personagem mais foda que o
mundo literário pode ter.
— Ah, detesto surpresas — Maddy resmunga. — Sempre quero saber
o que a pessoa está tramando.
— Já eu amo surpresas...
Paro de prestar atenção nelas, e começo a mexer em alguns acessórios
que estão expostos ao meu lado, e acabo achando um par de luvas pretas,
que se encaixaria perfeitamente na minha segunda opção de vestimenta.
Estou quase me virando para a frente, à procura de alguém que possa
me informar quanto está o par de luvas, quando vejo uma máscara do
personagem Yoda da franquia de filmes de Star Wars, e lembro do meu
baby Yoda apaixonado por uma certa ruiva.
Volto a olhar para ela, e uma vontade de sondá-la sobre ele, cresce em
mim.
Sem perder tempo, me ajeito no banco.
— Maddy, o que...?
Não consigo terminar minha pergunta, porque Hanna chega nesse
exato momento, gritando eufórica porque encontrou a fantasia perfeita.
— O que tem aí, Hanna Mo?
— É, loira. Nos mostra logo — Genna pede.
— A melhor fantasia de todas, mas só vou mostrar quando vestir —
dizendo isso, ela vai em direção ao provador e se fecha lá dentro.
— O que será que ela escolheu? — Maddy pergunta interessada.
— Se a conheço bem, deve ser algo brilhante — respondo.
— Será que ela vai de princesa? Podíamos ir juntas. — Genna se
levanta e vai até a frente do provador e passa a esperá-la ali.
Volto minha atenção para Maddy, penso em como posso abordar o
assunto sem dar muito na cara. É então que decido pegar o meu celular,
abro o aplicativo de mensagem, procuro o contato de Harry e quando o
encontro, finjo mandar uma mensagem de áudio.
— Gosto assim, baby Yoda, lendo o que indico.
Olho com o canto dos olhos para ver sua reação.
— Está indicando livros para o gatinho? — pergunta, se
aproximando.
Guardo o celular na bolsa de novo e me viro como se não tivesse
escutado.
— O que disse?
— Perguntei se está indicando leituras para o Harry?
— Ah, sim. — Afirmo com a cabeça. — Ele me pediu umas
indicações, então... — Dou de ombros.
— Imagino-o lendo todas aquelas coisas que você indica — sorri,
olhando para algo além. — Já posso imaginar as bochechas dele coradas. —
Volta a olhar pra mim. — Ele é um fofo. Ainda bem que vocês o trouxeram
para a gente. Gosto muito dele.
Quer dizer que ela gosta quando ele cora? Interessante.
Já posso imaginar a cara dele escutando essas coisas.
Será que ele desmaiaria de nervoso?
Estou perdida em pensamentos, quando Hanna sai do provador,
usando um vestidinho preto, curto, com gola em renda na cor branca.
— Aprovado? — pergunta, dando a clássica voltinha.
— Você vai de Wandinha? — Levanto do meu lugar. — Eu amei.
— Está incrível, Hanna — Maddy concorda.
— Não teria escolhido melhor — Genna afirma.
— Bom, então irei levar essa aqui. — Volta para dentro do provador
e retorna poucos segundos depois, já vestida. — Ótimo, agora só falta a
Holly.
— Será que ela esqueceu de mim? — Olho em volta.
Já tem bastante tempo que pedi para verem se tem ou não a roupa
que quero.
— Vou ver com...
Maddy é interrompida pela chegada da vendedora.
— Me desculpe a demora, minha linda — pede. — Mas esses aqui
foram bem difíceis de achar.
— Sem problemas — garanto. — Conseguiu qual delas?
— As duas. — Mostra as duas sacolas em sua mão.
A vontade que tenho é a de sair pulando.
— Vai vestir pra gente poder ver. — Hanna pega as bolsas de roupa
das mãos da vendedora e a empurra em minha direção.
Animada, entro no provador, coloco as bolsas no chão e assim que
tiro a primeira peça da bolsa, automaticamente penso no que Aaron irá
achar.
Sem enrolar mais, tiro minha roupa e coloco o macacão de uma vez.
Acabo tendo um pouco de dificuldade por conta do tecido justo,
mas no final, acabo conseguindo me vestir e sair do provador em seguida.
— Então? O que acharam? — Levanto um dos braços e apoio o
outro em minha cintura.
— Meu Deus, Holly! Isso está perfeito. — Hanna pula em
animação.
— Não sei do que você está vestida — Genna vem em minha
direção. — Mas você está uma completa gata.
— Obrigada — agradeço, flexionando os joelhos, rebolo um
pouquinho.
As meninas gritam em animação pelo meu pequeno show.
— Eu amei, garota. — Maddy bate palmas animadas. — Mas me
conta, de que está vestida?
— Juliette, personagem de um dos meus livros preferidos —
respondo, me virando em direção ao espelho atrás de mim.
— Você está incrível, Holly — Hanna elogia. — E a outra roupa?
— Aponta para a cabine atrás de mim.
— Decidi que seria surpresa.
— Vai levar as duas? — Genna é quem pergunta.
— Isso aí — afirmo. — Vou me trocar para irmos embora.
Volto para o provador, me livro do macacão apertado, coloco
minhas roupas de volta, olho em volta para ver se não esqueci nada e vou
ao encontro das meninas.
— Essa festa vai ser incrível — Maddy comenta.
— Conto com isso — digo, enquanto vamos em direção ao caixa.
Eu nunca tinha visto nada igual
Como uma fantasia em minha frente
Eu acho que algo especial está acontecendo
Confident – Justin Bieber
Me olho no espelho do banheiro de Liam, e ainda não acredito que fiz
tudo isso por ela.
Mais uma vez.
Pego mais um pouco de gel e passo no cabelo, os arrumando para trás
de uma maneira que não fique totalmente alinhado.
Nem acredito que consegui achar tudo o que eu precisava a tempo.
Não que eu tenha escolhido uma fantasia difícil de ser montada, não é isso.
Mas acabou que tive que ir em vários lugares diferentes para conseguir tudo
o que precisava.
Ajeito o cabelo do jeito que quero, com algumas mechas caindo sobre
o rosto, como se eu tivesse acabado de correr.
Lavo minhas mãos, para retirar o produto, e dou um passo para trás
para ver como tudo ficou.
Estou usando uma calça preta de tecido pesado e com vários bolsos,
uma blusa de mangas curtas que deixam minhas tatuagens à mostra, os
sapatos, que também são pretos, estão tão lustrados, que acho que consigo
ver meu reflexo neles. E para completar a fantasia, coloquei uma corrente
presa nos passadores do cinto e um anel de pedra verde em meu dedo
mindinho.
— É, Aaron Warner. Você tem estilo. — Viro de um lado para o outro.
Depois que decidimos fazer uma festa a fantasia para comemorar o
aniversário de Holly e Liam, eu sabia que essa teria que ser minha fantasia
por dois motivos.
Um: esse cara sabe se vestir.
Acabei pesquisando seu nome na internet e as fotos que achei para
representar esse personagem me chamaram a atenção.
E dois: Holly é completamente apaixonada por ele.
Ela tem várias publicações citando-o, então, já que ele não é real. Por
que não fazer com que se torne real para ela e a surpreender no dia do seu
aniversário? O nome e os cabelos loiros eu já tenho, agora só faltam os
olhos, que diferente dos dele, são de uma tonalidade escura.
Olho para a bancada da pia, encarando o potinho de lentes de contato,
o pego e me posiciono em frente ao espelho para colocá-las. De primeira,
não consigo encaixá-las. Minhas mãos tremem e meus olhos lacrimejam por
conta do contato excessivo, mas com calma, consigo colocá-las de uma vez.
Levanto o rosto, e ao me encarar no espelho, dou de cara com um
lindo loiro de olhos verdes esmeraldas me encarando pelo reflexo.
— Não é que o verde combina comigo. — Pisco os olhos algumas
vezes para me acostumar com as lentes e acabo suspirando aliviado quando
percebo que nem dá para sentir que estou as usando no momento.
— Vamos logo, Aaron. Ou vamos nos atrasar — Simon me grita.
— Estou indo — respondo de volta, saindo do banheiro do quarto de
Liam.
Já que ele foi se arrumar na nova casa de Hanna e Holly, tomei a
liberdade que só um melhor amigo/cunhado tem e resolvi me arrumar aqui.
Hoje é um dia em que tudo teria que ficar no lugar, e dividir o banheiro com
Bennett e Simon, seria um pesadelo. Eles não deixariam que eu me
produzisse em paz. Então, querendo preservar o meu humor no nível bom,
acabei invadindo o quarto alheio.
Fecho os produtos que usei, junto tudo no lugar e saio do banheiro de
uma vez, seguindo até o meu quarto para pegar os dois últimos acessórios
que essa fantasia precisa.
Estou descendo as escadas, quando Simon aparece vestido de Super
Choque.
— E então? — Dá uma voltinha. — O que achou?
— Cara, essa fantasia ficou perfeita em você. — Desço o último
degrau da escada.
— Sabia que tinha feito uma boa escolha — diz, passando as mãos nos
cabelos. — Gostei da sua. Mesmo não sabendo quem é. — Me olha de cima
a baixo.
— Personagem literário — conto, sem entrar em muitos detalhes.
— Ele é um assassino por acaso? — Aponta para o facão com sangue
falso em minha mão.
— Segundo a Hanna, ele só tortura umas pessoas aí — conto o que
minha irmã me disse.
— Então tá. — Simon dá de ombros e ajeita o seu casaco.
— Quem arrumou o seu cabelo? — Aponto as suas tranças.
— Genna — diz e se vira em direção às escadas mais uma vez. —
Anda logo, Bennett. Você não é a estrela da noite.
— Já estou indo. — Escuto os seus passos antes de vê-lo. — Não sei
pra que essa pressa toda.
Começa a descer e meu queixo cai quando vejo sua fantasia. Cara, ele
não fez isso. Sério, que ideia foi essa?
— É sério isso? — pergunto.
— O quê? — Olha para baixo, avaliando a própria roupa como se
estivesse à procura de algo.
— Você está mesmo usando nosso uniforme de treino?
— Estou fantasiado de jogador. — Dá de ombros.
— Mas você é um jogador, Bennett — relembro.
— Só enquanto estou estudando aqui. — Me olha como se não se
importasse, e na real, eu acho que ele está pouco se fodendo.
— Eu tentei fazê-lo usar a fantasia que escolhi, mas nada que eu fiz,
fez com que ele aceitasse — Simon conta.
— Essa aqui já está de bom tamanho. — Puxa a blusa e nos mostra. —
Agora vamos logo que o Liam já me mandou mensagem avisando que está
lá.
Estamos caminhando até a porta, mas acabo parando por conta de suas
palavras.
— Por que ele te mandou mensagem? — pergunto.
— Talvez ele esteja de saco cheio de você, e esteja à procura de um
novo melhor amigo — responde, rindo e saindo na minha frente.
— Ele nunca me trocaria por você. — Sigo-o, indignado. — Sou um
ótimo melhor amigo.
Visto meu sobretudo preto e vou atrás dele, sendo seguido por Simon.
— Tem certeza? — Dá a volta em seu carro e abre a porta do
passageiro.
— O que quer dizer com isso? — Entro no banco de trás.
— Que não fui eu quem fiz meu melhor amigo gastar duzentos
dólares. — Dá partida no carro.
— Foi sua culpa, sim, seu cuzão.
Só não dou um soco nele, porque está dirigindo, e pretendo chegar
vivo na festa de hoje.
Sem dizer mais nada, Bennett dá de ombros e passa a prestar atenção
na estrada.
— Como você o aguenta? — pergunto, me virando para Simon, que
está sentado no banco do carona.
— Ele me faz feliz. — Bate na coxa de Bennett, que sorri em resposta.
Sem dizer mais nada, seguimos em silêncio até a casa de Holly.
Assim que chegamos, já consigo escutar a música tocando no último
volume.
— Será que iremos conseguir estacionar perto da entrada? — Simon
pergunta, olhando para a quantidade de carros.
Por ser aniversário de duas pessoas, acabou que convidamos bastante
gente.
Além de alguns amigos do curso de música de Liam, e de publicidade
da Holly. Convidamos o pessoal do time e algumas pessoas que
conhecemos pelo campus.
— Holly deixou uma vaga para mim na garagem — avisa, pegando o
controle da garagem e o joga no colo de Simon.
— Por que não ganhei um desse? — pergunto, me sentindo magoado.
— Você tem carro por acaso, Aaron? — Bennett pergunta com aquele
jeito doce dele.
Só que não.
— Se eu tivesse, não teria transado com a Holly no seu carro. —
Assim que as palavras saem da minha boca, eu me arrependo amargamente.
Se ele já fez um show por conta de um creme, imagina o que ele não
vai fazer por conta disso.
— É o quê!? — grita, olhando pelo retrovisor. — Você está de
sacanagem com a minha cara?
Simon começa a gargalhar sem controle à minha frente.
— Pu-puta merda, Aaron. Você não dá uma dentro — sua voz sai
entrecortada.
— Ah, ele deu uma dentro sim — suspira —, e foi no meu carro.
— Em minha defesa, eu só peguei emprestado para buscá-la — me
defendo, fazendo cara de inocente.
— Mas então teve a brilhante ideia de transar no meu carro? — Franze
o cenho.
Só sorrio para ele e mando um beijinho em sua direção.
— Cara, nem o Bennett transa no carro dele, Aaron — Simon conta,
se acalmando.
— Ah! Então, ele estava precisando de uma inauguração.
— Eu vou matar esse cara. — Bennett aponta com o polegar em
minha direção.
— Não dá — Simon avisa. — Precisamos dele no time.
— Obrigado por me mostrar que só tenho uma serventia — finjo estar
chorando.
Bennett suspira e balança a cabeça em negação.
— Primeiro usou meu creme e agora descubro que transou no meu
carro. — Diminui a velocidade, quando chegamos em frente a garagem. —
Devo me preocupar com mais alguma coisa minha? — Aperta o botão no
controle e imediatamente a porta começa a abrir.
— Pode ficar tranquilo que não irei mexer com o Simon — digo, e
pisco um dos olhos para o meu amigo sentado no banco do carona.
— Cuzão idiota.
Escuto-o xingar, enquanto entra com o carro na garagem, e acabo
rindo por conta da sua pequena explosão.
Tenho reparado que Bennett está mais solto comigo e com Liam. Não
que não sejamos amigos, porque nós somos. Tenho certeza de que um dos
melhores momentos que vivi nessa faculdade, foi encontrar esses dois
idiotas e formar uma amizade com eles.
Vê-lo assim, mais relaxado e descontraído, é incrível. Se eu estiver
certo, essa sua melhora de humor, tem a ver com ele não passar as festas de
fim de ano em casa.
Bennett nunca me contou propriamente o que rola na sua casa, mas
pela maneira que ele volta fechado e recluso, não deve ser uma coisa boa.
Desligando o carro, descemos e quando estamos perto da porta, me
lembro do presente de Holly.
— Ei, Bennett?
— Que foi?
— Onde está o presente da Holly? — pergunto.
— No porta-malas. — Faz o caminho de volta até a traseira.
— Poderia ter me dado a chave — aviso, seguindo-o.
— E correr o risco de você sumir com elas e transar aqui de novo? —
Aperta um botão e o porta-malas se abre. — Nem pensar.
— Quando vai esquecer isso, hein? — pergunto, pegando a grande
caixa com um laço branco em volta.
— Nunca, talvez? — Fecha a mala e seguimos em direção a porta que
liga a garagem a casa.
— Mas só foi uma vez — digo.
— Não interessa — rebate. — O que quero saber é se você mandou
lavá-lo. — Para de repente, quase me fazendo bater em suas costas. — Você
mandou lavar, né?
Encaro-o por alguns segundos sem saber o que dizer.
— É...
— Aaron... você mandou lavar o meu carro, né? — me interrompe, e
sua voz tem um tom de aviso.
— Mas é claro. — Passo por eles e vou em direção a casa. — Vamos
logo, antes que não dê para entrar mais.
Entramos pela cozinha, que se encontra vazia, e seguimos em direção
a sala, que diferente do cômodo anterior, está lotada. Olho para tudo à
minha volta, e ainda fico surpreso com o tamanho desse lugar.
Quando Holly contou que estaria se mudando e que sua festa de
aniversário seria em sua casa nova, eu não imaginava que seria um lugar tão
grande assim. Tudo bem que seus pais são ricos para caramba, mas dar uma
casa desse tamanho para duas meninas morarem? Eu acho um pouco
demais.
A casa conta com cinco quartos e banheiros, uma sala de estar enorme,
sala de jantar, sala de jogos e uma piscina gigante.
Ainda sinto dores nas costas por ter ajudado com a mudança.
Minha irmã não tinha muitas coisas para trazer.
Já Holly...
Perdi as contas de quantas vezes Liam e eu subimos com suas malas.
— Já os encontrou? — Simon pergunta atrás de mim,
Olho em volta e encontro Liam abraçando minha irmã por trás e
Harry, Maddy e Genna, em um canto mais vazio.
— Ali estão eles. — Aponto na direção em que estão e seguimos até lá
— E ai, pessoal! Demoraram — Maddy nos cumprimenta.
— Ficar gato dessa maneira demora, ruiva — Simon responde,
cumprimentando-a com um beijo em sua bochecha. — Carrie a Estranha,
gostei. — Segura em sua mão e a faz dar uma voltinha. — Gostei da
fantasia, Hanna — elogia a fantasia de Wandinha Addams que ela usa. —
Chucky, Liam? Ficou maneiro.
Minha irmãzinha estava linda com um vestido preto, curto, meias
rendadas, sapatos também pretos, e uma peruca morena com duas marias-
chiquinhas.
— Hanna quem escolheu. — Dá de ombros.
Enquanto o assunto das fantasias está rolando, vou me aproximando
de Liam devagarinho.
— Preciso de ajuda — sussurro em seu ouvido.
— Que merda você fez agora? — Solta minha irmã e vira em minha
direção.
— Quem disse que eu fiz algo!? — Liam me lança um olhar de eu te
conheço. — Tá bom — assumo. — Preciso de um lugar para lavar um
carro.
— Lavar um carro? — pergunta um pouco alto demais.
— Fala baixo, seu cuzão. — Olho por cima de seu ombro para ver se
alguém escutou, mas todos estão concentrados demais na conversa deles.
— Por que precisa lavar um carro? — volta a perguntar, agora
sussurrando.
— Porque ele acabou transando com a Holly no carro do Bennett —
Simon responde, chegando por trás do Liam. Encaro-o com surpresa. — Eu
sabia que não tinha lavado nada — assume.
— Tá de sacanagem? — Liam sussurra, olhando para mim e para o
nosso amigo.
— Quem dera. — Balança a cabeça em negação. — Bennett quase o
mata.
— Por que insiste em usar as coisas do Bennett? — meu melhor amigo
pergunta.
— Foi sem querer — digo, ajeitando a caixa em meus braços. — Não
planejava transar com ali. — Realmente, quando fui buscar Holly, a
intenção era trocar alguns beijos, mas a coisa foi perdendo o controle e deu
no que deu. — Vai me ajudar ou não?
Liam pensa por um tempo, até que concorda.
— Vou levar onde costumo levar o meu.
— Como vai fazer pra pegá-lo? Ele não vai querer te emprestar.
— Vou dar meu jeito — Faz um movimento com as mãos. — Agora,
vamos mudar de assunto porque ele está vindo aí — Liam avisa e viramos
em direção a Bennett.
— Jogador de Hóquei? Sério? — meu melhor amigo pergunta,
encarando-o de cima a baixo.
— Eu disse que ele poderia ter caprichado mais — digo.
— E você? Está vestido de quê? — Liam pergunta, e quando vou
responder, uma voz diz atrás de mim.
— É o Comandante Chefe e Regente do Setor 45. — Só de escutar a
sua voz, sinto os pelos da minha nuca se arrepiarem. — Aaron Warner.
— Exatamente. — Me viro para ela e sinto o baque quando a vejo. —
Olá, linda. — Me aproximo, seguro a caixa com uma mão e com a outra
envolvo sua cintura. — Feliz aniversário! — Beijo sua bochecha. — Você
está deslumbrante.
Analiso-a dos pés à cabeça.
— Obrigada. — Dá uma voltinha. — Já você. — Me olha de cima a
baixo. — Está incrível! Olha só tudo isso. — Pega minha mão com o anel.
— Até o anel você está usando. — Levanta a cabeça e quando foca seus
olhos nos meus, sua boca se escancara. — Está de sacanagem?
— O quê?
— Você está de olhos verdes? — Aproxima o rosto do meu.
— Aham — afirmo. — Já que é tão apaixonada por esse cara. Decidi
me tornar ele por um dia — conto.
— Você não existe. — Balança a cabeça como se não estivesse
acreditando ainda.
— Existo, sim. E sou todo seu — sussurro bem rente eu seu ouvido.
Sinto seu corpo tremer, e sorrio feliz pelo feito. — Mas e você? Qual é a
sua fantasia? — pergunto curioso.
Nunca vi esse personagem com chifres na cabeça. Ou seria o cabelo
dela?
Antes que Holly possa me responder, Harry pergunta:
— Você está de Jude Duarte, Holly?
— Ela mesma. — Dança no mesmo lugar, para mostrar sua fantasia.
Ela está incrível.
Sua calça de couro preta e colada, abraça suas coxas e sua bunda de
uma maneira que faz o meu pau pulsar. E para fechar, ela usa uma blusa
branca, com um corpete, que faz seus seios ficarem em evidência.
— Está escorrendo aqui, irmãozinho. — Hanna finge limpar o canto
da minha boca.
— Bobona. — Dou um tapinha leve em sua mão.
O que posso fazer?
Holly consegue me hipnotizar em questão de segundos.
— Adorei as fantasias. — Holly olha para todos nós.
Genna está vestida de A Pequena Sereia. Tenho que admitir que ela
está linda com tranças na cor vermelha. Harry está vestido de Harry Potter,
uma fantasia que combina muito com ele.
Todos estão incríveis.
— Você está incrível, Holly. — Simon se aproxima e a abraça. —
Feliz aniversário!
— Obrigada, Super Choque — agradece. — Sabia que sempre tive
uma quedinha por ele?
— Jura? Bom, talvez agora você possa realizar seu sonho de ficar com
ele. — Levanta as sobrancelhas de maneira sugestiva e morde a bochecha
dela.
Holly começa a rir das gracinhas de Simon, e eu só sinto vontade de
arrancar suas mãos fora.
— Acho que já passou tempo demais com as mãos em cima dela —
digo, encarando-o.
— Você acha? Nem percebi — se faz de desentendido.
— Simon — respiro fundo. — Eu vou morder seu pau e arrancar fora.
— Cara, geralmente as pessoas o chupam. Nunca tinha tentado dessa
maneira — responde e todos à nossa volta começam a rir.
— Vocês são loucos — Genna ri, se apoiando nos ombros de Liam.
— Não sabia que era ciumento, Gibi — sussurra em meu ouvido,
fazendo meu corpo estremecer.
— Só quando se trata de você. — Encaro-a, e sinto uma vontade quase
sufocante de beijar sua boca.
— O que tem aí? — Olha para o embrulho em minha mão.
— Seu presente de aniversário. — Tiro de sua direção quando tenta
pegá-lo. — Mas só pode abrir depois.
— O quê? Por quê?
— São as regras. — Dou de ombros. — Você não gosta de regras?
Espremendo os olhos em minha direção, ela sorri de lado.
— Já que é assim. Tenho um favor a pedir.
— Até dois.
Sorrindo, ela continua:
— Me ajude a levar esse presente lá para cima. — Aponta para o saco
de veludo vermelho, cheio de presentes.
— O que está aprontando? — pergunto desconfiado.
— Nada, ué. — Se faz de Inocente. — Só preciso de ajuda com isso
aqui.
— Tudo bem, então. — Pego o saco e o coloco por cima do ombro. —
Vamos?
Concordando com a cabeça, ela passa a me seguir.
Vamos em direção a escada, e parece que desde que cheguei, o lugar
ficou mais cheio do que antes.
Assim que chegamos em frente a uma das portas do corredor, Holly
vai na minha frente e a abre primeiro.
— Bem-vindo ao meu quarto. — Entra primeiro e paro no meio do
cômodo.
— Um belo quarto — digo, olhando em volta.
É um lugar bem amplo e arejado.
A cama está posicionada no meio do quarto, enquanto sua
escrivaninha fica bem embaixo da janela, e percebo que tem uma porta do
lado esquerdo de sua cama. Onde imagino ser o banheiro.
— Então? — Vai até sua cama e se senta. — Posso abrir o meu
presente agora?
— Sabia que nossa vinda aqui não era à toa. — Me aproximo e jogo a
caixa ao seu lado da cama.
— Você me conhece tão bem.
— Com a palma da minha mão. — Paro na sua frente, e fico a
admirando. — Você poderá abrir, mas com uma condição. — Tiro meu
sobretudo e o jogo no chão do quarto.
— Que condição? — Se levanta, ficando com o corpo colado ao meu.
— Lembra que no meu aniversário você me concedeu desejos? —
Apoio minhas mãos em sua cintura.
— Lembro.
— Bom, agora é a minha vez de realizar um seu. — Aproximo nossos
rostos e seu cheiro doce e delicado me consome.
— E qual seria esse desejo? — sua voz é baixa e sensual.
— De beijar o próprio, Aaron. — Faço um trocadilho por conta da
minha fantasia.
Ela sorri para mim, e sem esperar pela sua resposta, junto nossos
lábios de uma vez.
Me faça sua a noite toda
Só me faça sua de novo, me faça sua de novo
Faça o que for
Me faça ficar acordada a noite toda
Kiss it Better – Rihanna
Me pegando de surpresa, Aaron choca sua boca contra a minha, ele
suga o meu lábio inferior e sua língua abre caminho, explorando minha
boca com vontade. Ele tem gosto de menta, provavelmente da sua pasta de
dentes. Uma de suas mãos desce em direção a minha bunda, enquanto a
outra aperta firme minha cintura.
Aproveitando a deixa, minhas mãos começam a explorar o seu corpo,
subindo pelos braços tatuados, sentindo seus músculos definidos pelos
treinos frequentes. Uma delas se entranha em seus cabelos fartos e macios,
mas não longos o suficiente para serem puxados, e imagino qual seria sua
reação caso eu fizesse isso.
Será que ele os deixaria crescer se eu pedisse?
— Estou vendo que gostou de um dos meus presentes. — Passa a
beijar o meu pescoço e a junção do ato com sua voz rouca, fazem meu
corpo tremer.
— Parece que sim — concordo.
Com dedos ágeis, ele começa a desfazer os laços do meu corpete e em
poucos segundos, a peça de couro encontra morada no chão, junto da minha
camisa branca, que acaba tendo o mesmo destino.
— Linda — sussurra, encarando meus seios que estão sendo
escondidos de seus olhos por conta do sutiã preto rendado. — Eu amo
quando usa renda. — Desliza seus dedos pelo cós da minha calça, e acaba
tocando em minha pele.
Esse simples contato acaba acendendo todo o meu corpo, incendiando
o meu tesão por ele que volta a chupar meus lábios com luxúria.
Mais. Eu preciso de mais dele nesse exato momento. Preciso sentir sua
pele na minha e todas as sensações que só ele me faz sentir.
Levando suas mãos até a minha calça, abre meu zíper e se livra da
minha calça em questão de segundos.
— Achei que o desejo estava relacionado a beijos — digo, arqueando
uma das sobrancelhas.
— Sabe que quando envolve nós dois — segurando em minha cintura,
me deita na cama, meu corpo quente treme pelo contato do lençol gelado
—, não conseguimos ficar só nos beijos.
Subindo em cima de mim logo em seguida, eleva minhas mãos acima
de minha cabeça, prendendo meus pulsos e volta a investir em meus lábios.
Nossas línguas lutam uma batalha em que a vitória é certa para ambos
os lados. Imediatamente, os quadris de Aaron passam a acompanhar o ritmo
de sua língua, em uma dança perfeita e sensual.
Tento libertar minhas mãos de seu agarre, mas Aaron os segura com
mais firmeza.
— Não se mexa, linda. — Levanta seu rosto e me encara. — Hoje
quem está no comando sou eu.
Com um movimento rápido, ele me vira de costas, me fazendo arfar
pela surpresa, e com uma das mãos segura meus braços para trás.
— O que está fazendo? — pergunto, quando sinto algo gelado
envolver os meus pulsos. Ele não responde minha pergunta e continua a
prendê-los. Sinto seu peso sair da cama e quando tento movimentar minhas
mãos, sinto a corrente deter meus movimentos. — Aaron…
— Shii… quietinha, linda. Ou serei obrigado a amordaçá-la — sinto
sua língua quente subir do meu cóccix até a altura dos meus ombros. — E
você sabe o quanto gosto de ouvir você gritar enquanto toma o meu pau.
— Quer dizer que me fará gritar bastante hoje? — desafio-o, olhando-
o por cima do ombro.
— Está me desafiando, pequeno Carma?
Sorrindo, mordo meu lábio inferior e dou de ombros.
— Entenda como quiser. — Sem que eu espere, ele desfere um tapa
em minha bunda, me fazendo arfar pela surpresa, e sinto minha boceta se
contrair pela ação sofrida. — Não me desafie, linda. — Acaricia a pele
ardida. — Sabe que cumpro todas as minhas promessas.
Isso, eu não posso discordar.
Tudo o que me promete, ele cumpre de uma forma ou de outra. Mas
como gosto de vê-lo irritado, finjo duvidar.
— Até agora só recebi promessas, Aaron, e nenhuma ação — o
instigo, esperando uma reação. — Acho que tudo o que diz não passam de
palavras vazias.
— Você gosta de me desafiar, não é? — Segura em meus cabelos e os
puxa, me ajoelhando na cama.
— É a parte preferida do meu dia. — Viro o meu rosto para o seu.
Aaron sorri para mim e volta a atacar meus lábios com voracidade
enquanto sua mão livre desce pela minha barriga, até chegar ao cós da
calcinha também rendada, e sem hesitação, desliza sua mão para dentro até
que encontre o meu clitóris.
Tenho que morder meus lábios para não deixar que meus gemidos
escapem, quando uma carícia leve e contínua, começa.
— Olha como você está molhada, linda. — Investe mais seus dedos
em mim. — Tenho certeza de que você irá engolir meu pau por completo.
Beija minha bochecha, enquanto seu polegar trabalha em meu clitóris,
ele desce dois dedos até minha entrada e me penetra.
— Aaron… — gemo seu nome, deitando minha cabeça em seu ombro.
— Mais.
— Já está gemendo por mim, linda? — Sem esperar por uma resposta
minha, ele aumenta a velocidade dos seus movimentos, me fazendo ver
pontinhos brilhantes através dos meus olhos fechados. Os músculos da
minha boceta se contraem quando sinto o orgasmo se formando. A
respiração desregulada, se mistura com meus gemidos em um aviso para ele
que estou a poucos passos de gozar. — Goza pra mim, linda — Morde o
lóbulo da minha orelha.
E como se eu precisasse só do seu consentimento, minha boceta se
contrai e eu gozo em seus dedos, os esmagando dentro de mim, enquanto
meu corpo solta espasmos.
Meu corpo pende para a frente, e eu teria caído se não fosse Aaron me
segurando pela cintura.
— Linda e deliciosa como sempre. — Olho por cima do ombro e vejo
o exato momento em que leva seus dedos melados com o meu orgasmo até
a boca e o chupa até que fiquem completamente limpos. — Nunca me
cansarei do seu gosto. — Diz, com os olhos presos nos meus.
Tomando a iniciativa, choco meus lábios com os dele, os
reivindicando com minha língua em um beijo ardente. Sinto seu pau duro
roçar em minha bunda, e sinto uma vontade urgente de tê-lo dentro de mim.
— Acho que você está vestido demais — murmuro com meus lábios
ainda nos dele.
— Não seja por isso.
Aaron se afasta de mim, e aproveito a deixa para me virar na cama e
me sentar de frente para ele. Acompanho todos os seus movimentos, e em
poucos segundos, ele está gloriosamente nu na minha frente.
Passo a analisá-lo por completo. Desde as coxas torneadas por conta
dos seus treinos, a virilha com pelos aparados, seu pau ereto e sedento por
atenção, subo o olhar para seu abdômen tatuado e malhado, e a vontade que
tenho é de lamber cada um dos desenhos que tem ali. Continuo minha
inspeção por suas mãos grandes, também tatuadas e com veias
sobressalentes. E só de lembrar que há poucos minutos essas mãos estavam
me fazendo delirar, minha boceta se contrai em contentamento.
— Gosta do que vê, linda? — pergunta, se aproximando.
— Sabe que sim — confirmo, mirando seus lábios inchados pelos
beijos trocados.
Sorrindo, ele apoia o joelho na cama, sobe em cima de mim mais uma
vez e estremeço quando seu pau quente encosta em minha coxa.
Tento tocá-lo, mas sou impedida pela corrente que ainda me prende.
— O que foi? — pergunta.
— Pode me soltar? — Movimento os braços atrás das costas.
— Acho que não. — Segura o cós da minha calcinha. — Quero você
exatamente assim. — Passa o polegar bem de levinho em meu ventre e
tento apertar as coxas por conta do estímulo.
— Rendida?
— Com certeza. — Sela nossos lábios rapidamente. — Agora chega
de conversa. Preciso te comer agora mesmo.
Antes que eu me dê conta de como, ele rasga minha calcinha com um
único puxão, segura em minha cintura e me vira de uma vez, fazendo meu
rosto se afundar nos travesseiros, depois segura o meu quadril, o ergue até
ele e passa a alisar a minha bunda
— Eu ainda irei enterrar meu pau bem aqui. — Acaricia minha bunda
e sinto meu ânus se contrair em expectativa. — Mas não será agora. —
Aaron ajeita seu pau em minha entrada, e com uma única estocada entra
fundo em mim, me fazendo gritar. — Caralho, linda. Como você é gostosa
— diz, e sinto as paredes da minha boceta estrangularem seu pau.
Aaron fica parado alguns segundos, e sei que faz isso para que não
goze rápido demais.
— Puta merda — minha voz sai abafada por conta dos travesseiros,
quando o sinto se movimentar dentro de mim.
Seus movimentos são ritmados. Ele quase sai por completo e volta a se
enfiar bem fundo em mim, e gemendo, passo a rebolar em seu pau,
acompanhando o ritmo de suas investidas em mim.
Subindo as mãos pela minha coluna, ele chega à altura do meu
pescoço, o envolve com seus dedos tatuados, e me puxa novamente em sua
direção.
— Eu disse que queria escutar os seus gritos — diz, sem parar com as
investidas.
— Aaron… — gemo, já alucinada pelo prazer que é estar em seus
braços. O som dos nossos sexos molhados por nossa excitação, ecoa por
todo o quarto, misturados aos nossos gemidos. Ele leva sua mão livre em
direção ao meu clitóris e passa a estimulá-lo. Jogo minha cabeça para trás,
escondo meu rosto em seu pescoço e rebolo junto aos seus dedos. — Não
para — peço, já sentindo meu orgasmo se formando.
— Nem que o mundo estivesse acabando lá fora — responde e
continua a estocar fundo dentro de mim.
— Aaron… — Sem que eu precise dizer algo, ele aumenta a
velocidade das investidas.
— Goza no meu pau, linda — ordena, colocando mais força no aperto
em meu pescoço.
— Eu vou… — tento avisar, mas já é tarde demais e gozo.
Aaron libera meu pescoço do seu aperto, desamarra minhas mãos
rapidamente e ele tem que me segurar pela cintura para que eu não caia no
colchão.
Ele acabou comigo, me fazendo gozar duas vezes seguidas.
— Vou gozar — avisa, saindo do meu interior e poucos segundos
depois, sinto os jatos quentes de sua porra em minhas costas. — Minha
porra fica linda demais em você — diz, beijando minha cabeça.
Sem aguentar mais, caio no colchão, deitada de bruços, e acabo sendo
seguida por Aaron.
Deitados um ao lado do outro, com nossas respirações entrecortadas,
suados e cheirando a sexo, eu tenho certeza de que não há outro lugar em
que eu queira estar a não ser em seus braços. Isso me assusta e muito.
Em silêncio, passamos a nos encarar.
— Seus olhos são tão lindos — diz, levando sua mão em direção aos meus
olhos e eu acabo os fechando para receber o carinho. — Aliás, você é toda
linda. — Desce o carinho pelo meu rosto até chegar a minha cintura, e me
puxa em sua direção.
Sinto meus músculos tensionarem.
— O que está fazendo? — Me afasto para olhar melhor para ele.
— Te abraçando. — Me ajeita em seus braços. — Por quê? — Sua
pergunta vem com um arquear de sobrancelhas.
Fico o encarando por alguns segundos sem dizer nada e pensando no
porquê não podemos burlar uma de nossas regras só por hoje.
É então que deixo pra lá, e me aconchego em seus braços, e Aaron
passa a fazer um carinho gostoso e constante em meus cabelos.
Antes de Aaron aparecer, nunca gostei que as pessoas ficassem me
abraçando muito. Na verdade, eu ainda não gosto, mas algo nele me faz
querer ficar sempre assim.
Não sei quanto tempo ficamos em nosso próprio mundo, mas
acabamos despertando por conta de um barulho forte lá fora.
— Você fechou essa porta, né, Holly? — Levanta sua cabeça e olha da
porta pra mim.
— Está com medo de que vejam sua bunda, Gibi? — Me levanto de
uma vez, aproveitando que fomos tirados de nossa bolha.
— Não me importa que vejam minha bunda. — Se levanta também.
— Então o quê? — pergunto, me olhando no espelho ao lado da minha
cama e me assusto com o emaranhado que o meu cabelo se tornou.
— Não quero que vejam a sua bunda. — Para atrás de mim. — Até
porque, ela é só para os meus olhos.
Bate e a aperta em seguida.
— Se você diz. — Dou de ombros e volto a tentar desfazer o penteado,
mas acabo gemendo de dor quando puxo os fios com força.
Merda de penteado difícil.
— Quer uma ajudinha aí? — Aponta para o meu cabelo que está
ficando mais emaranhado do que antes.
— Por favor — suspiro, desistindo de uma vez.
Aaron me leva pra cama, me senta na beirada, e começa a desfazer o
penteado.
Ele tenta ao máximo não me machucar, mas acaba puxando um fio ou
outro.
Poucos minutos depois, puxa o último nó, e tira a estrutura que tinha
feito para conseguir fazer o cabelo da personagem Jude Duarte.
— Pronto. — Beija meu nariz algumas vezes.
Acabo rindo por conta das cosquinhas que sinto.
— Para — ainda rindo, bato em seu braço.
Sorrindo, ele envolve minha cintura com seus braços.
— Tudo bem, eu paro.
— Obrigada — agradeço, dando-lhe um selinho rápido e sigo em
direção ao banheiro.
— Onde está indo? — pergunta, vindo atrás de mim.
— Tomar banho. Ou acha que voltarei cheirando a sexo?
— Eu adoraria que você ficasse a festa inteira com o meu cheiro. —
Vem em minha direção. Encaro-o com uma das sobrancelhas arqueadas, e
cruzo meus braços em frente ao corpo. — Mas acho melhor tomarmos um
banho. — Entra no banheiro antes de mim.
Sorrindo, balanço a cabeça e o sigo.
Você é como um sopro de ar fresco em meus pulmões
Você e eu dançando da noite até o amanhecer
Ready or Not – Bridget Mendler
Termino de colocar minha camisa, e decido ficar sem o sobretudo.
— Nunca imaginei que veria um Aaron Warner tão tatuado assim —
Holly comenta atrás de mim.
Passo as mãos em meus cabelos úmidos e me viro para ela.
— Estou vendo que realmente fiz a coisa certa ao escolher essa roupa.
— Aponto para cima e para baixo como se estivesse me apresentando.
— É, você fez sim. — Abotoando seu sutiã, vai até sua penteadeira
pegar sua escova de cabelo e começa a pentear os seus fios também úmidos.
— Aliás, como sabia da existência do Aaron e como conseguiu as roupas
tão parecidas assim? — pergunta e conto a metade da verdade.
— A publicação que fez sobre seus mocinhos preferidos.
— Ainda não me conformei com todos aqueles comentários. —
Termina de pentear o cabelo e joga a escova em cima da cama.
— Que foi? Só estava te ajudando — me faço de inocente.
— A gente pode se conhecer há poucos meses, Aaron. Mas já o
conheço bem o bastante para saber que aquela chuva de comentários não foi
um caso isolado. — Aponta o dedo em minha direção.
Parece que ela me pegou.
Ah, mas quer saber? Nem ligo. Assim ela fica ciente sobre o que
penso dessa lista idiota.
— Que roupa vai colocar? — mudo de assunto quando vejo-a indo em
direção ao seu armário.
— Tenho uma fantasia extra. — Abre a última porta da esquerda e
pega um macacão de cor roxa.
— Ah! Agora sim. — Vou até ela.
— Agora sim o quê? — pergunta confusa.
— Estaremos vestidos como um casal de verdade. — Pego o macacão
de sua mão, vamos em direção ao espelho, e quando paramos em frente ao
mesmo, coloco a peça roxa em sua frente e paro ao seu lado. — Olha como
ficamos lindos juntos. — Indico nosso reflexo com o queixo.
— Como sabe de quem é essa roupa? — Afasta minha mão e se vira
pra mim.
— Hã… — Passo as mãos nos cabelos e olho para os lados.
Hanna vai me matar.
Ela me fez prometer que não contaria para Holly que me ajudou com a
fantasia.
— Então, Aaron? — Cruza os braços em frente ao corpo e bate um
dos pés, incansavelmente, no chão.
— Tá, tudo bem — me dou por vencido —, Hanna me ajudou com a
fantasia em partes.
— Como assim “em partes”?
— Bom. Estávamos decidindo como iríamos. Então eu disse que viria
desse cara. — Aponto para mim mesmo. — Até porque sou o único homem
que deve estar em seus pensamentos.
— Aaron — protesta.
— Que foi? — pergunto. — Só disse a verdade. — Dou de ombros.