Ela faz menção de dizer alguma coisa, mas acho que desiste pegando a
roupa da minha mão e vestindo.
Já disse como amo essa mulher brava? É que sempre que posso, faço
algo para irritá-la?
Holly fica linda quando é contrariada, e eu sou especialista em fazer
isso.
— Pode me ajudar aqui? — pede minha ajuda com o zíper.
— Claro. — Vou até ela e a ajudo a fechar sua roupa. — Uau, agora
entendo por que aquele loiro é caidinho pela garota.
Olho para ela de cima a baixo.
O macacão parece o que a Halle Berry usou em Mulher Gato. Ele é tão
colado que evidencia cada curva do corpo dela.
E que corpo!
Tenho que respirar fundo e ajeitar meu pau na calça para que não fique
tão escancarado quando a vejo vestida assim.
— Ele é bem justo, não é? — digo, com meus olhos focados em seus
seios.
— É sim. Por quê? Algum problema?
Sua voz áspera me faz levantar a cabeça com pressa, e quando a olho,
encontro-a com uma expressão séria em seu rosto. Diria até que
desafiadora.
O que houve?
Será que falei algo errado?
— Não, muito pelo contrário. — Seguro em sua cintura e a puxo para
mim. — Está tudo mais do que perfeito.
Aos poucos, seu rosto vai se tornando mais sereno. O que será que
houve aqui?
Estou quase perguntando o que aconteceu, quando ela se afasta de
mim e vai em direção a porta.
— Vamos descer? Devem estar nos procurando.
Fico a estudando por alguns segundos, até que decido segui-la de uma
vez.
Estou quase a alcançando quando acabo chutando algo, e quando olho
para baixo, vejo alguns presentes se espalhando por todo o quarto.
— Mais que merda — xingo quando vejo que meu presente para ela
caiu do topo da pilha.
Espero que não esteja amassado.
— Que isso? — pergunta, se abaixando e pegando o pacote de
presente.
— Seu presente de aniversário — respondo, quando vejo que se trata
do meu. — Por que não abre?
— Agora?
— É, ué — incentivo-a. — Não vai fazer diferença se demorarmos
mais um pouco.
— Já que é assim. — Holly volta a seguir em direção a sua cama, se
senta e começa a desembrulhar o presente. Em questão de segundos, há
papel de presente espalhado por toda a cama. — O que é isso? — pergunta
curiosa, olhando para a caixa em seu colo.
— Você terá que abrir pra descobrir — incentivo-a.
— Quanto mistério. — Tira a fita branca que envolve a caixa. —
Espero que não sejam fotos suas pelado.
— Pra que fotos se você pode ver e tocar quando quiser?
— Vai me dizer que não teve essa ideia? — Me olha com uma das
sobrancelhas levantada.
— Tudo bem, eu assumo. — Faço um movimento de desdém com a
mão.
— Quem te proibiu? — pergunta, desfazendo o laço de uma vez.
— Bennett — suspiro.
Aquele estraga-prazeres.
Não era um nude de verdade. Era só uma foto minha de cueca branca.
Mas o cuzão não me deixou revelar a foto de jeito nenhum.
— Você é… — Suas palavras morrem assim que abre a caixa e vê o
que tem lá dentro. — Aaron?
— O quê?
— Está falando sério? — Pega os livros de capa branca com tanta
delicadeza, que parece que está manuseando uma peça feita de cristal. —
Essa é a edição de capa branca de Príncipe Cruel. — Olha pra mim e volta
a olhar para os livros em sua mão.
— Isso aí.
— Como os conseguiu? — Seus olhos estão arregalados, sem acreditar
no que está vendo.
— Um amigo de um conhecido do curso do Bennett está se
desfazendo de algumas coisas materiais e essa edição especial de
colecionador estava inclusa — conto.
Desde que descobri sobre o aniversário dela, passei a procurar em
todos os lugares o presente perfeito. Já estava sem esperanças, quando mais
uma vez, minha linda Bonequinha me salvou ao contar sobre as coisas que
a melhor amiga poderia querer, e mais sorte ainda foi Bennett chegar
poucas horas depois, avisando sobre o bazar que o amigo de um conhecido
dele iria fazer.
Quando ele me mostrou as fotos e vi que justamente aqueles livros
estavam para serem vendidos, não perdi tempo e fui comprá-los o mais
rápido possível.
Fiz um rombo nas minhas economias, mas por ela valia a pena.
— Eu nem sei o que dizer. — Levanta o rosto e posso ver que seus
olhos estão marejados.
— Que tal: Aaron, você é o melhor do mundo, eu não vivo sem você e
você é o cara mais gostoso que já conheci? — Enumero nos dedos de
acordo com o que vou falando.
Rindo, ela coloca os livros de lado, se levanta e se joga em meus
braços, me apertando forte pelo pescoço.
— Você realmente é o melhor homem do mundo e com certeza é o
mais gostoso que já conheci — diz rindo, me fazendo rir também.
— Obrigado por confirmar — digo e beijo seus lábios rapidamente.
Apertando mais seus braços em volta da minha cintura, ela apoia seu
queixo em meu peito.
— Obrigada. Esse é o melhor presente do mundo.
Meu coração dispara, só de saber que a deixei desse jeito.
— Eu fui feito para te fazer sorrir, Holly. — Puxo-a mais para perto e
a abraço forte.
Ela afasta o rosto do seu esconderijo, me encara com seus lindos olhos
castanhos que me desestabilizam em questão de segundos, e sem que eu
espere, junta nossos lábios em um beijo lento e gostoso, onde aproveito
cada segundo.
É. Parece que eu realmente fiz a escolha certa.
Estamos descendo o último degrau, quando somos parados por Jesse.
— Ah, aí está a aniversariante.
Se aproxima e beija sua bochecha uma de cada vez.
Encaro-o, e o gosto amargo do ciúmes, me sobe à garganta.
O que esse cara quer, hein? Por que precisa tocá-la dessa maneira? Só
um “feliz aniversário, Holly”. Já é mais do que o suficiente. Não precisa de
toda essa festa.
— Oi, Jesse — ela o cumprimenta. — Que bom que veio.
— Não perderia a chance de te ver. — Abre um grande sorriso e pisca
em direção a ela.
Que cara de pau.
Ele não está me vendo aqui, não?
Não viu que estávamos juntos?
Estamos de mãos dadas e acabamos de descer da área dos quartos.
Brincando de pique-esconde com certeza não estávamos.
— Queria te entregar seu presente. — Estende um embrulho verde em
sua direção.
Já errou na embalagem, cara.
Holly odeia verde.
Como uma pessoa pode dar um presente para a outra, sem saber quais
gostos a pessoa tem?
— Obrigada. — Pega o pacote de sua mão e começa a abri-lo.
— Espero que goste — diz, enquanto abre.
Tenho que prender a risada quando ela tira um ursinho de pelúcia,
verde, com um arco-íris na barriga, de dentro da sacola.
— Ótima escolha, gênio — sussurro e Holly pisa no meu pé
— Disse algo, Aaron? — Jesse pergunta.
— Eu? Não. — Balanço a cabeça em negação.
Se dando por satisfeito com a resposta, ele se vira para Holly mais
uma vez, e volta a puxar assunto.
Meu Deus! Esse cara não vai parar de falar?
— Vi na loja e pensei em você. — Aponta para a pelúcia em sua mão.
— Ah... é bem legal. — Encara o presente em sua mão, sem saber
muito o que dizer.
— Sabe, eu queria saber...
Cansado desse cara em cima dela, tomo à frente no assunto,
interrompendo-o.
— Jesse, nossos amigos estão nos procurando. — Tiro o urso das
mãos de Holly e o encaro.
Ele nos observa por alguns segundos, desce seus olhos para as nossas
mãos e volta a olhar de mim para a mulher ao meu lado, mais uma vez.
É, cara, é isso aí. Estamos juntos.
Não do jeito que quero.
Ainda!
Que fique bem claro.
Mas logo, logo, Holly usará uma aliança de namoro em seu dedo
anelar.
— Ah! Entendi. — Coloca as mãos no bolso um pouco sem graça. —
Bom, nos vemos por aí, Holly — se despede dela. — Aaron. — Me oferece
um aceno de cabeça e sai.
Repouso meu braço no seu e digo:
— Vamos?
— Ciúmes, Aaron — diz, enquanto começamos a andar.
— Sim. Sou bastante ciumento com tudo o que é meu — respondo,
olhando em volta à procura dos meus amigos.
— E desde quando sou sua? — Para no meio do caminho e me encara.
Fixo meus olhos nela e passo a fazer um carinho em sua bochecha.
— Desde o dia em que coloquei meus olhos em você. — Puxo-a em
minha direção e beijo seus lábios rapidamente. Seu olhar é excitante nesse
momento, e sei exatamente o que está se passando pela sua cabeça. Ela com
certeza está procurando um jeito de me dizer que nossa relação não passa de
uma amizade com benefícios, e que essa história de que ela é minha e só
minha, não existe. — Eu sei o que vai dizer, pequeno Carma. — Seguro em
seu queixo e viro seu rosto de um lado para o outro lentamente. — Mas isso
não muda o fato de que você é minha e eu sou seu. — Beijo seus lábios
mais uma vez, sugando o inferior e o mordendo em seguida. Seu corpo
treme em meus braços, e sei que essa discussão está ganha. — Agora,
vamos! — Pego sua mão e entrelaço nossos dedos. — Vamos encontrar
nossos amigos logo.
Caminhamos por quase toda a sala e por ela estar completamente
lotada, acabamos levando mais tempo para encontrá-los do que o normal.
Mas depois de um tempo, os encontramos sentados em uma mesa, na parte
externa.
— Ora, vejam quem decidiu aparecer — Simon é o primeiro a falar,
quando chegamos. — Onde vocês estavam?
— Você quer mesmo saber, Simon? — Maddy pergunta, bebendo seu
drink de coloração rosada.
— Não estávamos fazendo nada demais — digo, puxando uma cadeira
vaga e acomodando Holly em meu colo, que me lança um olhar
questionador. — O quê? Esse é o único lugar vago — respondo sua
pergunta silenciosa.
Aperto seu quadril quando ela se ajeita em meu colo, e acaba
esfregando sua bunda em meu pau. Suspirando, acabo percebendo que não
foi uma boa ideia ter feito isso. Sua troca de roupa com certeza me trará
problemas. Terei que passar a noite inteira me concentrando para não ficar
de pau duro.
Volto minha atenção para eles.
— Sei — Simon duvida.
— Fui ajudá-la a subir com os presentes e aproveitei para entregar o
meu. — Aperto sua cintura, quando ela se mexe no meu colo.
— Pelo visto o presente foi bem aproveitado — minha irmãzinha
comenta, sentada no colo de Liam. — Você não estava com outra fantasia?
— Hanna sorri ao levantar essa questão.
— Acho que essa combina mais com a dele. — Holly aponta para
mim com o queixo. — E falando em fantasia, Hanna Mo. Teremos uma
conversinha depois. — Olha para a melhor amiga, com o cenho franzido.
Hanna, manda um beijo em nossa direção, e abraça Liam pelo
pescoço, que envolve sua cintura com os dois braços.
— Sabe o que notei? — Liam pergunta. — Que você não me deu
presente, Aaron.
— E por que eu te daria um? — pergunto.
— Por que também é meu aniversário? — pergunta como se fosse
óbvio, e na verdade é. — Então? Cadê?
— Seu presente foi eu não ter socado você por namorar minha irmã
escondido, seu cuzão — digo e acabo gargalhando da sua cara.
— Ainda essa porra? — pergunta, bebendo da sua cerveja. — Achei
que já tinha superado isso.
— Não tirei proveito o bastante.
Acabo gargalhando mais uma vez, quando ele mostra o dedo do meio.
Eu amo sacanear meu melhor amigo.
Na verdade, é um dos meus hobbies preferidos.
— Eu disse que era pra vocês terem contado antes — Bennett diz. —
Agora ele vai ficar enchendo o saco de vocês. — Leva o cigarro à boca e a
ponta fica laranja quando puxa o fumo.
Espera. O quê?
— Você sabia que eles estavam juntos? — pergunto indignado.
— Só um tapado pra não perceber o que estava à sua frente. — Libera
a fumaça pra cima e acaba formando uma nuvem branca acima de sua
cabeça.
— Essa doeu. — Levo uma das mãos ao peito.
— Tadinho. O corno sempre sendo o último a saber. — Holly faz um
carinho por cima da minha mão, tirando uma com a minha cara.
Belisco sua cintura e ela começa a rir de mim.
Essa garota ainda vai me deixar louco.
Estamos jogando conversa fora, quando Bad Decisions da cantora
Ariana Grande começa a tocar, e em questão de instantes, Holly se levanta
do meu colo em um pulo e vai em direção a minha irmã.
— Licença, Liam, mas vou roubar essa garota por um momento. —
Pega Hanna pela mão, fazendo com que ela se levante e a puxa em direção
a Harry. — Vou roubar esse aqui também, Maddy.
Vejo que as bochechas do garoto ficaram mais vermelhas que um
tomate.
— Contanto que traga meu gatinho inteiro — Maddy pede.
Com um sorriso vitorioso em seu rosto, Holly segue para dentro da
casa, com Harry e Hanna pendurados um em cada braço.
Me viro na cadeira, e de onde estou, consigo ver os três dançando e
rindo juntos, e um sentimento de gratidão preenche meu corpo por saber
que minha irmãzinha finalmente encontrou pessoas tão incríveis e tenha os
aceitado como seus amigos.
— Somos caras de sorte, né? — A voz do meu melhor amigo chama
minha atenção.
— O quê?
— Temos muita sorte — repete, apontando com o queixo na direção
em que Holly e Hanna dançam e riem uma para a outra, enquanto seguram
as mãos de Harry, que tenta fugir.
— Com certeza — concordo, sem tirar meus olhos delas.
Realmente demos muita sorte em encontrar essas duas.
Liam já conquistou seu final feliz, e eu mal vejo a hora de conquistar o
meu.
Porque eu tenho muitos sentimentos por você
Eu ajo como se eu não ligasse
Como se eles nem existissem
idfc – Blackbear
Entro em casa já seguindo em direção a cozinha, e quando entro no
cômodo, acabo encontrando Hanna sentada em cima da bancada com Liam
entre suas pernas, que leva uma colherada de sorvete até sua boca.
— Não está frio demais para tomarem sorvete? — pergunto,
caminhando em direção a geladeira.
— Oi, pra você também, Holly — minha melhor amiga me
cumprimenta.
— Oi — respondo, depois de pegar uma garrafa de água, caminhar até
a mesa, me jogar em cima da cadeira, exausta, e apoiar a testa na madeira
gelada.
— Parece que alguém está cansada — Liam diz, se afastando de
Hanna.
— Eu diria exausta. — A loira vem em minha direção e se senta à
minha frente. — Estou certa?
— Completamente — confirmo, levantando a cabeça e pegando a
garrafa que coloquei ao meu lado. — Se eu fizer mais um único trabalho de
faculdade, eu acho que vou pirar. — Bebo um pouco da água fresca.
— Final de ano, você queria o quê? — acaba rindo de mim.
— Queria que eles não me enchessem de trabalho para fazer —
respondo. — Estou cansada, Hanna Mo. — Volto a deitar em cima da mesa.
— Quantos trabalhos entregou hoje? — pergunta.
Levanto meus dedos, indicando o número três.
O final de ano está chegando, e por algum motivo, os professores
acharam que seria uma boa todos eles passarem trabalhos para serem
entregues na mesma data. Fora as provas que tive que fazer.
Essas últimas semanas foram tão exaustivas e cheias, que se passaram
em um piscar de olhos.
Se estou cansada?
Tente exausta e precisando de férias.
Só de lembrar que estou no meu primeiro ano e que ainda falta um
longo caminho a ser percorrido, eu quero sentar em posição fetal e chorar.
Escuto a risada rouca de Liam e levanto a cabeça em seguida.
— Do que está rindo?
— Me pergunto quantas pessoas você já matou hoje? — Senta na
cadeira ao lado de Hanna.
— Estou pensando em aumentar o número. — Encaro-o com o cenho
franzido.
Liam e Hanna começam a rir mais uma vez.
— Pelo menos teremos uma folga amanhã — ela me relembra.
— Estou dando graças a Deus por isso — respondo. — Amanhã irei
relaxar e tomar chocolate quente com os meus pais.
— Então vai passar com os seus pais mesmo? — Hanna pergunta.
— Vou. — Afirmo com a cabeça. — Ou então dona Diana me mataria.
— Isso é uma verdade — concorda comigo.
Mesmo meus pais sendo bem ocupados, eles sempre fizeram questão
de estarem comigo em todos os feriados possíveis, e como amanhã é Dia de
Ação de Graças, não seria diferente.
— Vai de carro amanhã? — Liam é quem pergunta.
— Sim, são só uma hora e meia de viagem — respondo. — Vou
acordar cedo e irei para lá.
— Falando em acordar cedo — Hanna volta a falar, se levantando. —
Já arrumou sua mala para amanhã? — Vai em direção aos armários que
ficam pendurados em cima da pia e passa a procurar algo.
— Você sabe a resposta.
— Holly! — protesta.
— O quê? Eu estava cansada demais para fazer as malas — me
desculpo.
Tá bom, que com a semana que tive ia ter tempo de arrumar alguma
coisa. Meu quarto mesmo está parecendo uma zona de guerra. Minha rotina
nesses últimos dias tem sido chegar em casa, comer alguma coisa, tomar
banho e fazer trabalho da faculdade. Nem minhas postagens no blog eu
estou conseguindo fazer direito.
— Acho melhor você arrumar logo. — Passa para o armário do lado,
mostrando que não achou o que queria. — Ou você vai acabar esquecendo
alguma coisa como sempre.
— Relaxa que vai dar tudo certo — digo, pegando meu celular em
cima da mesa, assim que uma notificação de mensagem chega.
Olha só quem está quebrando as regras mais uma vez.
A mensagem vem acompanhada de uma foto dele vestido com um
moletom cinza claro com uma estampa gráfica na cor vermelha que lembra
um olho, uma calça jeans de lavagem escura e os cabelos loiros, com a raiz
mais escura, penteados para trás.
Meus Deus! Como ele é gostoso.
Envio a mensagem rindo por já imaginar sua resposta, e poucos
instantes depois, a resposta chega.
Mesmo por mensagem, sinto seu tom autoritário.
Respondo e quando estou colocando o celular na mesa, ele toca,
avisando a chegada de mais uma mensagem.
Acabo gargalhando tão alto, que acabo chamando a atenção do casal à
minha frente.
— Que isso? — Hanna pergunta, me encarando com os olhos
arregalados.
— Seu irmão enchendo o meu saco — digo, travando o aparelho e o
colocando na mesa. Volto o meu olhar para Hanna, e ela tem um sorrisinho
estampado em seu rosto. — Que foi? — pergunto.
— Nada. — Vira de costas e volta a mexer nos armários. — Não posso
mais rir?
— Sei — respondo desconfiada, porque sei muito bem o que ela está
pensando.
Trocando mensagens com Aaron, Holly? Mas não era proibido?
Diga isso para ele.
Mesmo não nos vendo quase nunca desde o dia do meu aniversário até
agora, ele conseguiu se fazer presente, me mandando mensagens sem
sentido e fotos suas a todo o momento.
— Só acho vocês engraçados, ué. — Dá de ombros. — Mas que
droga, não consigo encontrar nada nessa casa — esbraveja.
— O que tanto você procura, hein? — pergunto, indo até ela.
— Uma forma de bolo. — Fecha mais uma porta. — Vou fazer um
para levar amanhã, mas não acho essa porcaria.
— Está no armário embaixo da pia. — Aponto para o lugar certo.
Hanna segue o que falo, e quando acha o que quer, acaba bufando de
frustração.
— Ainda não me acostumei com essa casa enorme. — Coloca a forma
no balcão e vai em direção a geladeira pegar os ingredientes.
Estamos morando nesta casa há um tempo já, e Hanna ainda não se
acostumou com o tamanho de tudo. Quando pedi um novo lugar para morar,
não imaginava que meu pai me daria uma mansão cheia de cômodos e
quartos.
Pelo menos ela nunca fica vazia.
Harry sempre aparece por aqui para nossas noites de filmes e, Liam e
Hanna acham que aqui, eles têm mais privacidade do que em uma casa com
três homens, sendo um deles, seu irmão mais velho.
— Com o tempo irá se acostumar — Liam diz, parando atrás dela e sei
que é a minha deixa para sair.
— Beleza, vou nessa. — Levanto da mesa e quando estou quase
saindo da cozinha, escuto-a gritar:
— Vai fazer sua mala, Holly.
— Tá bom, já estou indo — respondo e sigo em direção a escada.
Subo os degraus de dois em dois e em instantes, estou entrando em
meu quarto, já me sinto desanimada em ter que arrumar minha mala, ainda
mais que sinto minhas costas doendo e o sono se fazendo presente a cada
momento.
Olho em direção ao meu guarda-roupa e depois para a minha mala que
deixei aberta no meio do quarto, e a preguiça de fazer tudo só cresce.
Estou quase desistindo e indo me deitar, quando meu celular toca
avisando sobre a chegada de mais uma notificação.
Mais uma vez a pergunta vem acompanhada de uma foto, onde Aaron
está com sua mão grande e tatuada apoiada em seu rosto, onde consigo ver
os anéis grandes e de prata nos dedos indicador, anelar e mindinho, e a
maneira que ele tirou a foto, só me deixa ver um de seus olhos.
Estou há um tempo encarando-a, quando uma ideia surge.
Saio do aplicativo de mensagem e ligo para ele.
— Ficar nas mensagens não foi o suficiente? — Seu rosto aparece na
tela do meu celular e noto que está deitado na cama, apoiado em um dos
braços.
— Precisava de ajuda.
— Com o quê? — pergunta, e escuto o som dos lençóis.
— É que como você estava pedindo ajuda para fazer sua mala, pensei
que poderia me ajudar com a minha — digo, abrindo a porta do armário e
apoiando meu celular em um dos meus perfumes.
— E como posso ajudar? — Se ajeita na cama.
— Escolhendo as roupas que poderei levar — respondo, já tirando
minha blusa.
— Fará um pequeno show pra mim, linda?
— Não faremos sexo por chamada de vídeo, Aaron — digo.
— Um cara pode sonhar. — Dá de ombros.
— Quer dizer que sonha comigo, gibi?
— Sempre. — Minha barriga começa a dar voltas e mais voltas por
conta da sua resposta. Tusso para mudar de assunto, e termino de tirar
minha roupa de uma vez, ficando vestida só com minha lingerie. Vejo o
exato momento em que seus olhos se arregalam e aproximando seu rosto da
tela, pergunta: — Você quer me matar? — Sorri e morde o lábio inferior.
— Por que a pergunta? — me faço de desentendida.
— Você gosta de me provocar, não é?
— Sempre que possível. — Prendo meus cabelos em um coque alto, e
acabo rindo quando o vejo engolir em seco.
— Quero ver se continuará me provocando quando eu estiver na sua
frente. — Há um tom de promessa em sua voz.
Minha pele se arrepia pela expectativa do que pode acontecer quando
voltarmos a nos encontrar.
— Pare de falar e me ajude — peço, pegando uma blusa de manga
comprida da cor vermelha e a coloco. — O que acha dessa?
— Olha só. — Se senta na cama. — Ela tem roupas coloridas também
— me provoca.
— Pare de graça e me ajude a fazer isso logo.
— Está perfeita, pode levar. — Afirma com a cabeça.
— Ok. — Tiro a blusa e a jogo em direção a cama. — Próxima roupa.
— Pego um casaco pesado na cor branca. — O que acha desse?
Me afasto um pouco do telefone e dou uma voltinha.
Aaron suspira, antes de dizer:
— Que você tem que usar essa combinação comigo, um dia desses. —
Seus olhos brilham quando me encaram, e sinto meu corpo esquentar por
conta da intensidade.
Olho para baixo e entendo sobre o que ele está falando.
O contraste do branco da minha lingerie e do casaco com o meu tom
de pele fica perfeito.
Parece que essa não foi uma boa ideia.
Quando seria na real?
Engolindo em seco, tiro o casaco e vou em direção ao celular para
pegá-lo.
— E por que eu o usaria?
— Para me agradar — responde e eu arqueio uma de minhas
sobrancelhas.
Rindo, aproximo bem o meu rosto da tela.
— Você é bem prepotente se acha que verá uma coisa dessas — digo.
— Eu posso sonhar, não é? — pergunta, abrindo um sorriso de lado.
Uma das coisas que me fascina nele é o seu sorriso brilhante e
cativante. Ficaria horas olhando para ele, sem me importar, assim como faz
comigo agora.
— Por que me olha tanto? — pergunto, ao perceber o silêncio que
ficou.
— Porque quero gravar cada pedacinho seu na minha mente —
responde ainda me encarando. Meu coração errou uma batida com suas
palavras, e um alerta vermelho acende em minha cabeça. Minha expressão
muda e sei que Aaron percebe. — Aconteceu alguma coisa, Holly? Ficou
séria de repente.
— Não é nada — desconverso. — Ah, Aaron. Eu preciso desligar
agora. A Hanna está me chamando para ajudá-la com a sobremesa que vai
levar amanhã — invento uma desculpa.
— Holly...
Desligo o celular, antes que ele possa me impedir e o jogo em cima da
cama.
O que eu estava fazendo?
Acabei de quebrar uma das minhas próprias regras. Não posso me
apegar a ele, e muito menos ele pode se apegar a mim. É só sexo. Não
podemos ultrapassar o que concordamos, mas esse olhar de agora, disse
mais do que muitas palavras.
Droga.
Droga, e agora?
O que eu faço?
Me pego pensando se esse acordo foi uma boa? Quando eu mesma sei
que estou sendo afetada por ele.
Passo as mãos nos cabelos e suspiro um pouco frustrada.
Eu não posso sentir essas coisas por ele, já sofri demais quando
entreguei meu coração a alguém, e não irei fazer isso de novo.
Ele é diferente do Theodore, Holly. Ele nunca faria com você o que
aquele canalha fez.
A voz em minha mente grita algo que já sei, e acaba me deixando mais
confusa ainda.
Cansada de pensar nisso, volto a fazer minha mala, agradecida por
passar um tempo com meus pais.
Porque eu sou um tolo por você
E as coisas que você faz
Fool For You – Zayn
Volto minha atenção da paisagem que passa pela janela do carro de
Liam, e olho para a tela do meu celular mais uma vez, com o pensamento se
devo ou não ligar ou mandar uma mensagem para Holly.
Por algum motivo, ela ficou estranha comigo de repente.
Será que foi alguma coisa que eu disse?
Repasso nossa conversa na mente, repetidas vezes e não consigo
encontrar um motivo para que isso tenha acontecido.
Qualquer outra pessoa não teria percebido sua mudança de
comportamento. Mas eu já consigo lê-la muito bem para saber que algo
aconteceu.
— Está tudo bem, Aaron? — Liam me desperta dos meus
pensamentos.
— Aham. — Afirmo com a cabeça. — Por que a pergunta?
— Já estamos quase chegando na casa dos nossos pais. Você passou a
viagem inteira quieto e na sua. — Hanna responde, se virando em minha
direção.
— Não aconteceu nada. Só estou um pouco cansado — desconverso,
voltando a olhar para a janela.
— Se você diz. — Dá de ombros e volta a se sentar virada para a
frente.
Suspirando, volto a olhar para o celular em minha mão, pensando se
ligo ou não para ela.
Droga, Holly. O que será que aconteceu com você, hein?
Alguns minutos depois, Liam estaciona em frente a casa dos meus
pais.
Sou o primeiro a descer e ir em direção a porta de entrada. Assim que
paro em frente ao batente, já consigo sentir o cheiro da torta de abóbora e
do frango assado da minha mãe.
Entro sem bater.
— O filho preferido de vocês chegou! — grito, entrando na sala.
— Oh, Liam, querido! Você já está aqui. — Mamãe vem em minha
direção, enxugando as mãos em um pano de prato.
— Que história é essa de Liam, dona Clarie? — Apoio minhas mãos
na cintura, fingindo indignação.
— Você disse que o filho preferido chegou, no caso ela achou que
estava se referindo a mim. — Liam tira uma com a minha cara ao entrar em
casa, acompanhado por Hanna que mexe em seu celular.
Me pergunto se está falando com sua melhor amiga.
— Agora você vê. — Olho da minha mãe, que tem um sorriso
brincalhão no rosto, para o meu melhor amigo. — Trocado na cara dura —
suspiro, fingindo estar magoado. — Já não bastava roubar minha irmã,
agora quer a minha mãe também?
— Não sabia? — Deixa as malas perto do sofá e se aproxima de nós.
— Entrei na sua vida para roubar tudo o que é seu — engrossa a voz, para
que sua fala fique mais sombria.
— Sempre desconfiei. — Com as mãos na cintura, olho para cima e
finjo estar decepcionado. — Pessoas maravilhosas e bonitas como eu,
sempre acabam cercadas por pessoas de índole duvidosa.
A risada da minha mãe acompanha o barulho do tapa que Liam desfere
em meu peito.
— Vai a merda, seu cuzão — me xinga e vai em direção a sogra. —
Oi, dona Clarie. Como a senhora está? — pergunta, envolvendo-a em um
forte abraço.
— Muito bem, meu querido — beija sua bochecha. — Fiquei muito
feliz ao saber que passaria o feriado e o final de semana com a gente.
— Obrigado pelo convite — agradece, se afastando um pouco.
Desde a briga que meu melhor amigo teve com o seu pai, ele não foi
mais em casa. A mãe e ele mantêm contato de vez em quando. A relação
mãe e filho dos dois continua a mesma, mas por conta do seu pai, prefere se
manter um pouco afastado.
Quando descobri que não tinha onde passar o feriado, fiz o convite
antes mesmo de contar para Hanna.
— Tá bom, agora já chega — digo, desfazendo o abraço dos dois. —
Larga minha mãe, seu ladrão de família. — Abraço a mulher ao meu lado,
fortemente.
— Não sabia que era ciumento, meu filho. — Apoia uma mão em
minha bochecha e beija a outra.
— Com a senhora? — Me afasto para olhá-la melhor. — Sempre. —
Beijo sua testa.
Só de estar nos braços dela, todo o incômodo que sentia antes por
conta de Holly, é amenizado.
Impressionante que um simples acalento dela, seja capaz de curar
qualquer coisa.
— Posso abraçar minha mãe ou você a tomou para si? — Hanna
pergunta, se aproximando.
— Você já me roubou o melhor amigo. — Abraço dona Clarie com um
pouco mais de força.
— Não tinha sido eu quem roubou a sua irmã? — Liam pergunta,
prendendo o riso.
— Às vezes, fico até confuso. — Solto minha mãe para que Hanna
possa cumprimentá-la.
— Bom, se eu roubei seu melhor amigo de você. — Se vira em minha
direção. — Posso acusar você de estar querendo roubar a minha.
— Holly? — papai pergunta, saindo da cozinha, e vejo o sorriso
vitorioso de Hanna. — Pensei que já havia roubado.
— Papai — Hanna protesta e eu começo a rir de sua reação.
— Que foi? — Levanta as mãos em rendição. — Da última vez que
conversamos, não combinamos de ter Liam e Holly aqui? — pergunta, me
encarando.
— Não estamos namorando — respondo.
— Ainda, né? Porque se fosse pelo Aaron — Liam alfineta.
Discretamente, mostro o dedo do meio para ele, que começa a rir da
minha cara.
— Achei que depois de fazer isso nos cabelos e da sua fantasia do
Halloween, vocês já estariam juntos — Mamãe diz, dando de ombros.
— Lógico que... — paro de falar quando presto atenção em suas
palavras. — Como sabe da minha roupa de Halloween?
— Culpada. — Hanna levanta a mão, escondida atrás de Liam.
— Não sabia que era bocuda, Bonequinha. — Vou até ela.
— Só estou me vingando pelo jeito que contou sobre Liam e eu para
os nossos pais.
Começamos a dar voltas e mais voltas em Liam.
— Vingança, é? — Tento pegá-la, mas acaba escapando de mim e indo
se esconder atrás do nosso pai.
— Sim — assume.
Paro de frente para ela, e com os olhos franzindo como um predador,
corro em sua direção.
Hanna grita e tenta correr, mas sou muito mais rápido do que ela e
envolvo sua cintura com os meus braços.
— Cadê a lealdade de irmãos? — pergunto, segurando-a de costas pra
mim.
— Se perdeu quando você passou a usar o fato de que namorei
escondido com o Liam para conseguir coisas da gente — rindo, ela tenta se
soltar do meu agarre.
— Você faz isso, Aaron? — mamãe pergunta, e quando olho para ela,
suas mãos estão apoiadas na cintura enquanto bate um dos pés no chão.
— Faz, mamãe. Ele explora a gente usando essa desculpa. — Bate em
meu braço para que eu a solte.
— E ele consegue algo? — meu pai é quem pergunta.
— Gastei duzentos dólares por causa dele — Liam me acusa.
— Aaron! — mamãe grita indignada. — Eu não te ensinei a fazer
coisas assim.
— Por que gastou tudo isso, Liam? — meu pai pergunta dessa vez.
— Porque ele me ama e é o meu melhor amigo — respondo, ainda
com Hanna em meus braços.
— Conta outra, garoto. Sei que aprontou alguma para o seu amigo ter
gastado esse valor. — Meu pai me encara com uma das sobrancelhas
levantada.
— Que isso? Um complô? — Solto Hanna de uma vez. — Ai! —
reclamo, passando a mão no local que minha irmã me atinge.
— Isso é por me deixar vermelha. — Aponta o dedo em riste em
minha direção.
Olho para suas bochechas, e elas estão completamente coradas por
conta do esforço.
— Anda, me conta por qual motivo ele perdeu duzentos dólares? —
mamãe pergunta.
— Porque Liam é rico e eu usei um creme caro do Bennett que ia ficar
enchendo o meu saco até eu dar outro para ele — conto o que aconteceu.
— Eu espero que você não faça mais isso, mocinho — mamãe pede,
apontando o dedo em minha direção.
— Mas e as minhas regalias? — pergunto.
— Aaron. — Seu tom é de aviso.
— Tá bom — me dou por vencido. — Não vou fazer mais.
Pelo menos não aqui em casa.
— Ótimo, que bom que estamos entendidos — se dá por satisfeita. —
Agora, por que não sobem e guardam as coisas lá em cima? O jantar já está
quase pronto.
— Liam, já colocamos um colchão no quarto do Aaron para você —
meu pai faz questão de avisar.
Prendo o riso mas acabo não conseguindo segurar por muito tempo,
por conta da cara que meu melhor amigo me lança.
— Pode deixar que eu levo a sua, Moranguinho — Liam avisa.
— Obrigada, Grandão. — Segura o rosto dele com as duas mãos e sela
seus lábios rapidamente.
— Vamos logo que esse cheiro de comida está me matando. — Pego
uma das malas e vou em direção às escadas.
Estamos quase chegando em frente ao meu quarto, quando Liam me
chama.
— Se tiver acontecido algo entre você e a Holly e você queira
conversar, sabe que estou aqui, né?
— Valeu cara — agradeço e sigo em direção ao meu quarto.
A vontade de falar com ela acaba voltando com força total agora que o
caos se acalmou.
Será assim por todo o final de semana?
E eu preciso de você às vezes
Ficaremos bem
Conheci você na hora certa
É isso o que parece
E eu sinto sua falta algumas noites
Feels Like – Gracie Abrams
Abro a porta de casa e sou recepcionada por nossa governanta,
Margot.
— Oh, minha princesa. Como você cresceu. — Segura meu rosto com
as mãos pequenas e macias.
— Só foram poucos meses — respondo, sorrindo para ela.
— Mas parece que foi mais — diz, chegando para trás e passando a
me analisar. — Você emagreceu. Não tem comida naquela faculdade?
— Estou bem, Margot. Me cuidando e comendo bem — conto a ela.
— Tem certeza? — Me avalia.
— Tenho — afirmo, concordando com a cabeça.
Quer dizer. Como quando tenho tempo e isso é uma coisa que está em
falta nos últimos dias.
— Se você diz, vou confiar. Mas saiba que se eu souber que não está
se cuidando direito, irei aparecer lá e só sairei quando estiver satisfeita —
ameaça e sei que está falando a verdade.
— Eu sei disso.
— Que bom, assim me poupa trabalho. — Dá tapinhas em minhas
mãos. — Seus pais estão na cozinha — diz, antes que eu pergunte.
— Já até sei o que eles estão fazendo.
— Vá até lá. Eles estão esperando. — Aponta com a cabeça na direção
que leva até a cozinha.
— Vou guardar minhas coisas primeiro. — Mostro a pequena mala aos
meus pés.
— Pode deixar aí, princesa. Seus pais estão esperando — avisa mais
uma vez.
Me dando por vencida, caminho em direção a cozinha a mando de
Margot.
Margot trabalha para a nossa família desde que minha mãe tinha seis
anos de idade. Além de governanta, ela ajudava a cuidar da minha mãe em
alguns momentos, e quando se casou com o meu pai e engravidou de mim,
Margot não pensou duas vezes antes de vir morar com a gente.
Ela é muito mais do que uma funcionária.
Considero-a como uma avó.
Não sei o que faria sem ela.
Assim que vou me aproximando da cozinha, o cheiro de massa assada,
junto do cheiro doce da calda de frutas vermelhas, me alcança seguido pelos
acordes de alguma música que ainda não consegui identificar, mas assim
que me aproximo, consigo distinguir o que está tocando.
Paro no batente da porta e a cena à minha frente me faz voltar no
passado, quando meus pais me apoiavam cada um em um dos seus pés e
dançávamos enquanto fazíamos nossa torta de frutas vermelhas para a Ação
de Graças.
Bem na minha frente, sem perceber minha presença, meu pai conduz
minha mãe ao som da música Love My Decision do cantor Chris de Burgh.
Dona Diana Saunders é completamente apaixonada por esse tipo de
música e o senhor Jace Saunders não perde a chance de agradar a esposa ao
dançar com ela sempre que tem chance.
Ele a segura pela cintura e a rodopia por todo o espaço disponível e
quando escuto suas gargalhadas meu peito aquece por vê-los dessa maneira.
Meus pais são o casal mais lindo que já vi.
Assim como eu, meu pai tem a pele morena, os cabelos que eram
completamente pretos, agora têm algumas mechas grisalhas, trazendo um
charme a ele, junto com as tatuagens que tem em seu braço esquerdo e seus
1,82 metros de altura, é o homem de quarenta e oito anos mais gato que já
conheci.
Já minha mãe, também tem os cabelos pretos, mas diferente da minha
e do seu marido, sua pele é branca e seus olhos são de um azul brilhante.
Com seus 1,72 metros de altura e seus quarenta e nove anos. Ela é a mulher
mais linda desse mundo.
Como seria sentir um amor tão forte assim? Que se tornaria mais e
mais forte com o passar dos anos?
Estou tão perdida em pensamentos, que nem me dou conta quando
eles param de dançar e me chamam.
— Olha só se não é a estrela mais brilhante do meu céu — papai diz,
vindo em minha direção.
— Oi, pai. — Me jogo em seus braços e assim que sinto o seu calor,
meu coração se acalma.
Meus pais sempre foram meu refúgio, mesmo quando os dilemas à
minha volta eram os mais simples do mundo, e receber esse abraço em um
momento que minha cabeça se encontra confusa, é o melhor de tudo.
— Como você está, minha querida? — Se afasta para me ver melhor.
— Estou bem — digo, sem me prolongar muito.
Me analisa por alguns segundos, mas acaba aceitando minha resposta.
Meu pai sempre foi assim, nunca me forçou a fazer ou contar nada que
eu não estivesse extremamente à vontade para fazer.
— E como foi a viagem até aqui?
— Tranquila. Saí do campus logo depois do café, para evitar pegar
engarrafamento.
— Está cansada? Quer descansar um pouco? — volta a perguntar.
— Não, estou bem. Consegui dormir bem ontem — minto.
Depois que desliguei a ligação de Aaron, terminei de arrumar minha
mala e caí na cama para tentar dormir. Mas quem disse que consegui? Rolei
para um lado e para o outro a noite toda e quando finalmente consegui
dormir, meu despertador tocou, avisando sobre a hora de acordar.
Se estou com sono?
Nem um pouco.
Minha cabeça não parou nenhum segundo, o que me manteve ligada.
Mas agora irei deixar esse assunto para lá e curtir o final de semana com os
meus pais.
— Bom, já que é assim. Por que não vem ajudar a gente a fazer a
nossa torta? — Envolve meus ombros e caminhamos em direção a minha
mãe que está mexendo a calda de frutas na panela.
— Achei que iria monopolizar a minha filha por mais tempo. — Apoia
a colher em cima da pia, desliga o fogo e vem em minha direção com os
braços abertos. — Oi, querida — me cumprimenta ao me abraçar.
— Oi, mamãe. — Envolvo meus braços nela e sou tomada pelo seu
cheiro de rosas.
Diferente do abraço forte e protetor do meu pai, o dela é
completamente suave e acolhedor. O tipo de aconchego que precisamos
quando estamos tristes e necessitando de um carinho.
— Pronta para fazer a melhor torta do mundo? — pergunta, se
afastando.
— Com toda a certeza. — Minutos depois, a cozinha está um
completo caos. — Isso não vale! — grito, quando meu pai suja o meu rosto
com geleia.
— É só uma revanche pelo que fez comigo, mocinha. — Aponta para
a sua cabeça cheia de farinha.
Em um momento, nós estávamos fazendo a torta salgada que minha
mãe aprendeu com a minha vó, e no outro, estávamos completamente sujos
com os ingredientes que iríamos usar para cozinhar.
— Vocês são terríveis — mamãe diz, enquanto tenta desgrudar a
gororoba de massa e leite de seus cabelos.
— Olha quem fala — protesto. — Quem foi que quebrou esse ovo na
minha cabeça? — Aponto para a prova do crime.
Dona Diana leva as mãos à boca para disfarçar sua risada.
— Culpada — se acusa.
— Ainda bem que reconhece. — Pego um pano de prato para tentar
tirar o excesso para que eu possa subir até o meu quarto e tomar um banho.
— Margot vai nos matar — meu pai comenta, olhando para a bagunça
que fizemos.
— Será que se eu me fizer de inocente, ela vai me isentar da bronca?
— pergunto, enquanto faço uma cara de nojo ao tirar uma casca de ovo do
meu cabelo.
Eca, que nojo. Levará dias para esse cheio sair de mim.
— Mas é claro que não, criança. Até porque sei que na hora da
bagunça, você é a primeira a se manifestar. — Sua voz rouca e envelhecida
por conta da idade avançada, ecoa atrás do meu pai.
— Achei que estaria do meu lado, Margot. — Faço um biquinho,
tentando amolecer seu coração.
Uma das coisas que ela mais odeia é quando meus pais e eu fazemos
guerra de comida e sujamos tudo à nossa volta, porque mesmo sendo nossa
governanta, é ela quem toma conta da cozinha.
Ninguém chega perto desse lugar para cozinhar a não ser eu e meus
pais nos dias de Ação de Graças ou quando fazemos a nossa noite de pizza.
— Ela já conhece suas artimanhas, minha filha — papai ri de mim
quando faço uma careta.
— Achei que tinha conseguido dessa vez.
— Quem sabe em uma próxima? — Pisca um dos olhos e dá uma
risadinha.
— Sei. — Olho-a desconfiada.
Margot nunca deixaria eu me safar de limpar tudo depois que ajudei
em uma guerra de comida.
— Bom, vou deixar vocês arrumarem tudo isso. — Aponta para tudo à
sua volta.
Caminho em direção a pia, para poder lavar minhas mãos.
— Eu fico com a louça — digo, tentando tirar o grude de farinha e ovo
dos meus dedos.
— Bom trabalho — deseja, rindo. — Ah, querida! — Se lembra de
algo, antes de sair de vez. — Seu celular tocou umas três vezes. — Coloca
o aparelho em uma parte da bancada que não está suja.
— Quem era? — pergunto, enquanto lavo minhas mãos.
— Não consegui ver o número antes que desligasse — avisa.
— Tudo bem, Margot. Eu vejo depois — asseguro.
Assentindo com a cabeça, ela sai da cozinha.
— Vamos começar com isso logo — minha mãe diz, enquanto junta as
vasilhas que usamos.
Estou lavando a louça, quando meu celular avisa a chegada de uma
nova notificação. Penso em deixar para ver depois, mas acabo me
lembrando do que nossa governanta disse.
Quem quer que seja, tentou falar comigo por três vezes.
— Pai, pode ver quem é pra mim? — peço.
— Claro, querida. — Limpando as mãos em sua calça jeans, ele vai
até a bancada e destrava o meu celular.
A relação que tenho com meus pais foi feita em volta de tanta
confiança, que não ligo de eles terem acesso ao meu celular. Óbvio que eles
terem a senha, não quer dizer que mexam sem a minha permissão.
A ideia de eles terem a senha foi minha mesmo.
— Quem é? — pergunto.
— Um tal de Gibi — responde ao ler o nome de Aaron no contato.
Meu coração acelera só de imaginar o que ele me mandou.
Hoje foi o único dia desde o nosso acordo que ele não me mandou
uma foto sua com mensagem de bom dia. Assumo que senti falta.
— O que ele quer? — pergunto, ainda de costas.
— Saber o porquê não o responde — diz e acaba rindo depois. —
Agora ele mandou uma foto com uma cara de cachorro que caiu do
caminhão da mudança.
Acabo rindo também.
É a cara dele fazer essas coisas.
— Que lindo! — Escuto a voz da minha mãe e olho para trás. — Seu
namorado? — pergunta, olhando para mim.
— Não — nego e pego um pano para secar minhas mãos.
— Mas queria — meu pai afirma.
— O quê!? — pergunto um pouco alarmada, arregalando os olhos.
Colocando o meu celular em cima da bancada e se apoiando na
mesma, ele diz:
— O erro dos filhos é achar que nós, pais, não conhecemos vocês com
a palma da mão. — Arqueia a sobrancelha de forma sugestiva.
— Então? Vai dizer quem é ele? — minha mãe pergunta, se sentando
em um dos banquinhos da bancada.
— Não tem muito o que dizer. — Dou de ombros e passo a mexer em
minhas unhas, um sinal claro de nervosismo. — O conheci na faculdade e
ficamos juntos algumas vezes — resumo bem minha história com Aaron.
— Tem certeza de que é só isso? — meu pai insiste um pouco mais.
Suspirando e soltando minhas mãos em um movimento brusco, olho
para eles.
— O que vocês querem saber?
— O motivo dos seus olhos brilharem ao falar dele? — mamãe
pergunta, com um sorriso irritante estampado em seus lábios.
— Eles não brilham — contra-argumento.
— Ah, brilham sim. — Papai se desencosta da bancada e vem em
minha direção. — E isso não acontece desde o que ocorreu com o
Theodore.
Fico surpresa com o que ele me conta.
Como ele sabe sobre o que rolou entre Theo e eu, sendo que não
contei nada para eles.
— Mas como...?
— Como a gente sabe? — minha mãe pergunta e eu afirmo com a
cabeça. — Nós conhecemos você como ninguém, querida.
— Exatamente — meu pai toma a palavra. — Mesmo que a gente não
saiba exatamente o que ele fez com você, sei que deve ter sido algo que a
magoou muito.
A vergonha é tanta, que olho para todos os lados, menos para eles.
— Ele... — tento contar, mas as palavras ficam presas na minha
garganta.
— Não precisa nos contar agora. — Dona Diana se aproxima e segura
em meu rosto com as duas mãos. — Quando se sentir preparada, estaremos
aqui — garante.
Minha garganta aperta, meus olhos ficam embaçados e a vontade de
chorar só cresce a cada segundo.
Um dos momentos mais dolorosos da minha vida foi não ter o colo
deles quando tudo aquilo aconteceu. Me vi mais perdida do que já estava
quando não pude contar com eles por uma escolha minha.
A vergonha acabou me fazendo passar por tudo sozinha.
— Um dia — garanto.
Quem sabe?
— É claro, querida — mamãe assente.
— Agora me conte desse garoto — meu pai pede, mudando de
assunto. — Quem ele é? O que ele faz? E qual é o motivo de ele te fazer
sorrir tanto assim?
— Hã... — tusso para clarear minha voz. — É o irmão mais velho da
Hanna.
— Jura? Que maravilha, minha filha. — Mamãe comenta animada.
Confirmo com a cabeça.
— E o que ele faz? — meu pai é quem pergunta dessa vez.
— Jogador de Hóquei — digo, esperando sua reação.
— Jura? — pergunta animada e acabo rindo por conta da sua
animação. — Já gostei dele.
Meu pai é apaixonado por hóquei. Não perde um jogo, principalmente
se for os universitários. Ele diz que quer ver como os futuros jogadores da
liga estão sendo preparados.
— É, eu imaginei que gostaria dele.
— Jogador de hóquei e faz minha estrelinha brilhar mais forte. Por que
não está com ele? — pergunta.
Tomo fôlego e passo a contar minha história com Aaron, desde o
momento em que nós nos conhecemos, como acabamos formando uma
amizade incrível, dá conexão que acabamos adquirindo até chegar a parte
em que estamos agora. Mais enrolados impossível.
— E agora estão juntos, mas sem compromisso? — minha mãe
pergunta e afirmo com a cabeça.
— E você agora está assustada pela maneira apaixonada que ele te
olha? — Afirmo de novo, olhando para o meu pai dessa vez.
— Meus Deus, Holly. Para de ser boba e vá viver esse momento com
ele — minha mãe me aconselha.
— O quê?
— Sua mãe tem razão, querida — concorda com a esposa. — Não dite
regras para algo que não pode ser controlado como o sentimento.
— Mas as regras ajudariam a não me apaixonar — digo
— E você está conseguindo? — Ele arqueia uma das sobrancelhas.
— É claro que estou — afirmo indignada.
Rindo, ele balança a cabeça em negação e diz:
— Pela maneira que falou dele agora, dá pra ver que ele está tomando
espaço dentro do seu coraçãozinho. — Aponta em direção ao meu peito. —
Você gosta dele, minha filha, e não de um jeito comum.
— Isso é verdade — minha mãe concorda.
— Mas não tem como eu estar gostando dele — digo, já sabendo onde
eles querem chegar.
Meus pais acham que sabem de tudo, mas eles não sabem.
Eu não estou me apaixonando.
Né?
— O que ele faz por você? — meu pai pergunta e começo a relembrar.
— O quê?
— Me conte o que ele faz por você.
— Ele me manda mensagem toda hora, o que me irrita bastante —
sorrio só de lembrar que fui acordada às cinco da manhã com uma foto de
uniforme, me avisando que iria treinar. — Me abraça em momentos
aleatórios…
— E você deixa? — perguntam em uníssono, me interrompendo.
— Aprendi a gostar. — Dou de ombros.
Vejo meus pais se entreolharem.
— Mais o quê? — mamãe pergunta.
— Me faz carinho sempre que possível e sabe me ler como ninguém,
se fantasiou igual ao meu personagem literário preferido e não sei como,
mas me deu uma coleção de livros raros que eu queria há anos. — Vou
pontuando em meus dedos e a cada coisa que vou contando que Aaron fez,
me dou conta de uma coisa que estava na minha cara há tempos, mas o
receio não me deixava ver.
Aaron nunca seria igual a Theodore. Ele faz coisas por mim que meu
ex nunca faria.
— Você pode continuar se enganando ao achar que não gosta dele
dessa maneira. — Papai balança a cabeça em negação. — Bobinha.
Olho para os meus pais e pela expressão da minha mãe, acho que ela
entendeu o que acabou de acontecer.
— Vamos deixar você pensar enquanto arrumarmos tudo aqui — ela
avisa com um sorriso estampado em seu rosto. — Pode subir e deixar tudo
com a gente.
Letárgica, saio da cozinha, mas não antes de pegar o meu celular na
bancada.
Caminho em direção a escada, repasso cada palavra que meus pais me
disseram e tudo o que sinto quando estou com Aaron, e quero me bater pela
atitude que estava quase tomando.
Eu ia mesmo começar a evitá-lo por conta das coisas que ele me faz
sentir?
Meu Deus, Holly. Como estava sendo infantil.
Decidida a retratar isso, pego meu celular, abro no aplicativo de foto,
me ajeito da melhor forma possível, mesmo ainda estando toda suja de
farinha, geleia e ovo, tiro uma foto e mando em resposta a sua mensagem,
com os dizeres:
Clico em enviar e em poucos segundos recebo uma resposta sua.
Acabo sorrindo como uma boba.
O sorriso em meu rosto só aumenta.
Estou prestes a guardar o celular, quando uma nova mensagem chega.
Sinto a urgência em sua pergunta, e sinto meu estômago se revirar só
de lembrar da besteira que quase fiz.
Respondo de uma vez, guardo o celular e subo em direção ao meu
quarto para tomar um banho.
É, Holly, parece que não é só o Aaron que passará a quebrar regras.
Eu quero segui-la aonde ela for
Penso nela e ela sabe disso
Eu quero deixá-la assumir o controle
Porque toda vez que ela se aproxima, sim
Ela me atrai o suficiente para me deixar imaginando
Theres Nothing Holding Me Back – Shawn Mendes
— Tivemos um ótimo final de semana, não acham? — pergunto,
esticando minhas pernas no banco de trás e recosto minha cabeça nos meus
braços.
— Foi incrível mesmo — Liam responde, olhando pelo retrovisor. —
Estava precisando de um pouco de normalidade familiar.
Levanto minha cabeça, olho em direção ao meu melhor amigo e vejo
Hanna fazer um carinho em sua cabeça.
Mesmo que ele não diga, essa situação que está vivendo com sua
família, está desgastando-o demais. Ainda bem que ele tem a mim e a
minha irmã para o ajudarmos nesse momento.
Liam acabou me confidenciando que a briga que ele e seu pai tiveram
e que minha irmãzinha o protegeu com unhas e dentes, só fez a vontade de
cortar relações com ele de uma vez.
— Acho que precisarei morar na academia por uma semana — mudo
de assunto.
— Por que esse exagero? — Hanna pergunta, virando seu corpo para
trás. — Você nem comeu tanto assim.
— Que você tenha visto, pelo menos, né, irmãzinha?
— Como assim? — questiona.
— O que quero dizer é que enquanto eu estava preocupado em comer,
você estava se atracando com o Liam por aí. — Faço biquinho
interpretando os dois e acabo levando um tapa de Hanna na perna. — Então
não viu que acabei exagerando bastante esse final de semana — digo,
alisando o local atingido. Fora que a comida da minha mãe é coisa de outro
mundo. Mesmo que eu já tivesse comido até dizer chega, ainda conseguiria
um espaço para mais alguma coisa. — Ah, me lembrei também que quase
passei o feriado completamente sozinho.
— Que mentira, Aaron — Hanna protesta.
— Mentira? Jura? Quem foi ao cinema e não me convidou? — Me
ajeito no banco e coloco minha cabeça entre os bancos.
— Fomos ver Avatar, seu cara de pau. — Se ajeita no banco
novamente para ficar de frente para mim. — Você odeia Avatar.
— Não odeio — digo. — Só acho desnecessário ficar preso mais de
três horas em um cinema vendo um bando de gente azul — me justifico.
— Você é insuportável — Hanna declara.
— E você me ama mesmo assim.
— Será que amo mesmo? — Cruza os braços em frente ao corpo. —
Estou começando a achar que só te aturo porque temos o mesmo sangue. —
Abre um sorriso de lado.
— Ai! — Levo minhas mãos ao peito. — Essa doeu.
Hanna começa a rir de mim e bate em minhas mãos mais uma vez.
— Idiota.
— Que você ama — volto a repetir.
— Fazer o quê? Me apeguei — suspira em um falso cansaço. — É
igual bichinho de estimação. Dá trabalho, mas acabamos pegando amor.
— Está me comparando a um cachorro? — pergunto, indignado.
— Pensei mais em um hamster. — Mostra o tamanho do bichinho com
as mãos.
Liam ri tanto à nossa frente, que bato em seu ombro para que preste
atenção na estrada.
— Oh, seu cuzão, eu sou lindo e jovem demais para morrer. Presta
atenção na estrada.
— Fique tranquilo que você não vai morrer pelas minhas mãos. — Me
olha rapidamente. — Pelo menos não hoje.
— Que isso? Me ameaçando?
— Quem sabe? — Dá de ombros. — Ainda não esqueci que me fez
perder duzentos dólares.
— Ainda essa história? — Me recosto no banco. — Nem fez diferença
na sua conta bancária. Você pode me bancar muito bem e nem vai sentir.
— Não é você que joga na minha cara sobre eu ter namorado com
Hanna escondido para conseguir as coisas? — pergunta, e vejo o momento
que minha irmãzinha faz uma careta.
— O quê? Vocês magoaram os meus sentimentos. — Finjo uma
expressão de tristeza.
— Ah, conta outra. Nem foi pra tanto assim. — Hanna faz um gesto
de desdém com a mão enquanto sorri.
Sorrio e concordo com a cabeça.
Sabemos que não foi bem assim que aconteceu, mas agora que tudo
está resolvido. Por que não tirar uma com a situação?
— Sabe o que eu estava me lembrando? — Liam pergunta, depois de
um tempo em silêncio.
— O quê? — pergunto.
— Teve um certo momento em que você não saiu do celular, Aaron, e
acabou nos deixando jogar sozinhos depois do almoço no Dia de Ação de
Graças.
— Verdade isso — Hanna concorda. — Aposto que estava falando
com a Holly.
— Como tem tanta certeza? — questiono.
— Você só fica com aquela cara de bobo idiota quando está falando
com ela — conta sua teoria e acabo rindo.
Querendo ou não, minha irmãzinha não está mentindo.
Não sei explicar o que acontece, mas Holly consegue arrancar reações
minhas que mais ninguém consegue.
Quando decidi ligar para ela e não fui atendido, tive certeza de que
algo tinha acontecido e já estava pensando em várias maneiras de fazer com
que ela não se afastasse de mim.
Já estava prestes a ligar mais uma vez, quando uma mensagem sua
chegou acompanhada de uma foto que agora uso como meu papel de parede
do celular.
Rendido?
Completamente.
Estamos a poucos minutos da minha casa e de Liam, quando ele diz:
— Vou te deixar em casa primeiro, tá bom?
— Aonde vocês vão? — pergunto, curioso.
— Cinema — Hanna é quem responde.
— De novo?
— É, ué. — Pega o seu batom e quando abre, o cheiro de morango
toma conta do carro. — Vamos aproveitar que estamos chegando cedo e
vamos fazer alguma coisa.
— Vai querer ir pra casa ou não? — Liam volta a perguntar.
— Não sei. — Olho para fora e penso um pouco. Bennett e Simon
não estão em casa, foram passar o feriado sei lá onde, meu melhor amigo e
minha irmã vão a um encontro. Se eu for para casa, acabarei ficando
sozinho. Será que...? — Bonequinha, sabe me dizer se a Holly já está em
casa?
— Pelo que ela me disse, já está a caminho — avisa, olhando para
trás. — Por quê?
— O que acha de me emprestar a sua chave de casa? — peço.
— O que vai aprontar? — pergunta, enquanto começa a mexer em sua
bolsa.
— Já que vocês irão ao cinema e vou acabar ficando sozinho em casa,
decidi fazer uma noite de filmes com ela — conto.
Mais uma regra que quebrarei.
Obrigado pela ideia, irmãzinha.
— Você é impossível. — Me entrega a chave.
— Também amo você. — Pego o objeto de sua mão e mando um
beijo.
— Casa das meninas, então? — Liam pergunta, já mudando de
direção.
— Isso aí amigo — afirmo, com um sorriso bobo estampado em meu
rosto.
Tomara que não seja uma tarefa difícil, a de convencê-la.
Alguns minutos depois, Liam estaciona em frente a casa delas. Desço
do carro, sem demorar na despedida, sigo em direção a porta de entrada,
uso a chave de Hanna e entro na casa.
O lugar está completamente escuro quando entro, então acendo
algumas luzes da sala, para que eu consiga enxergar de uma vez. Olho para
tudo à minha volta, e ainda me pego surpreso com o tamanho que essa casa
tem.
Minha irmãzinha ainda não acredita que está morando em um lugar
como esse, mas ela acabou me confidenciando que aos poucos está
conseguindo se adaptar.
Continuo olhando para tudo, até que vejo as horas no relógio perto da
televisão, e percebo que tenho que correr se quiser pegar Holly de surpresa.
Tiro o meu casaco mais pesado, ficando só com uma blusa de mangas
compridas na cor verde musgo e sigo em direção a cozinha para preparar
tudo. Minutos depois, estou arrumando tudo o que fiz em cima de uma
bandeja de café da manhã e sigo em direção ao quarto dela.
Poderia fazer uma sessão de cinema na sala? Poderia. Mas qual seria a
graça? Isso mesmo, nenhuma.
Subo as escadas lentamente, tomando o cuidado de não derramar nada
e quando paro em frente ao seu quarto, tenho que abrir a porta usando meu
cotovelo e a empurrar com as costas.
Entro no local e sou recebido pela sua bagunça de sempre.
Me pergunto como ela consegue se achar nessa pequena zona.
Caminho até sua cama, deixo a bandeja em cima da colcha azul bebê,
olho no relógio e quando percebo que ainda tenho alguns minutos, decido
pelo menos juntar tudo em um lugar só.
Assim que termino, vejo se tudo está em ordem e quando me dou por
satisfeito, saio do quarto e vou para a sala esperá-la.
Estou jogando em meu celular para passar o tempo, quando escuto a
porta da frente ser aberta.
— Hanna, cheguei!
Escuto sua voz, acompanhada do barulho da porta se fechando atrás
dela.
Fico em silêncio até que ela me encontre.
— Hanna Mo, está aí? — O som de seus passos acaba saindo bem
mais alto que o normal, pela falta de barulho. — Onde você está, hein, sua
vadia? Eu sei que está em casa porque estou sentindo cheiro de comida.
Tenho que tampar meus lábios com as mãos para segurar minha risada.
Ela ainda não me encontrou, porque a sala onde estou e a porta de
entrada, são separadas por um corredor.
— Espero que esse silêncio não signifique que você e o Liam estão
pelados de novo — suspira em frustração. — Odiaria ter que ver a bunda
dele de novo.
É o quê?
Então a história de que ela viu a bunda do meu melhor amigo era
verdade?
Descobri que Holly já sabia de tudo sobre eles e achei que ela só
estava acobertando os dois. Mas pelo visto, ela acabou pegando minha
irmãzinha e o namorado em uma situação constrangedora.
Estou quase me levantando para dizer que sou eu e não Hanna que está
em casa, quando Holly aparece no batente da porta da sala e me encara com
os olhos arregalados.
— Consegui te deixar sem fala, pequeno Carma? — sorrio.
— O que está fazendo aqui? — pergunta, se aproximando de mim.
— Estava eu, um lindo e solitário garoto, voltando da casa dos pais e
percebi que ficaríamos — aponto para nós dois — sozinhos em casa, e
pensei: por que não juntar o útil ao agradável e terminar minha tarde na
companhia da garota mais linda desse mundo?
Rindo, ela para à minha frente e cruza os braços abaixo dos seios.
— E se eu não aceitasse a sua companhia? — Me olha de cima a baixo
com um sorrisinho estampado em seu rosto. — O que você faria?
— O que sei fazer de melhor. — Aproximo nossos rostos e o contato
da sua respiração quente com a minha pele me faz arrepiar.
— E o que seria?
Envolvo sua cintura com os meus braços e sussurro:
— Seduzi-la. — Beijo a ponta do seu nariz e a pego de surpresa ao me
abaixar, segurá-la pelas pernas e apoiá-la em meu ombro.
— Aaron, me coloque no chão agora mesmo — pede, batendo em
minhas costas.
— Só quando você ver o que eu preparei — digo, indo em direção as
escadas.
— Eu juro que quando você me soltar, eu vou matar você.
Gargalho de suas reações e acho que acabo a irritando mais ainda,
porque ela dá um tapa na minha bunda, desajeitado, por conta da sua
posição menos favorecida.
— Fique quieta que já estamos chegando — digo, retribuindo o tapa.
Holly bufa raivosa e se aquieta um pouco em meu colo, enquanto
termino de subir as escadas.
Assim que paro em frente ao seu quarto, abro a porta, entro e a
segurando pela cintura, coloco-a no chão lentamente.
— Idiota — me xinga, enquanto afasta os fios revoltos dos seus
cabelos da frente do rosto. — Devo estar toda vermelha. — Levanta o rosto
em direção ao meu e confirmo sua teoria.
— Está linda como sempre. — Faço um carinho em sua bochecha
quente e corada.
— Idiota. — O xingamento dessa vez vem acompanhado de um tapa.
— Por que todo esse show?
— Queria garantir que você não recusasse o meu pedido.
— Bom, se esse é o seu jeito de me fazer não recusar, saiba que não
deu certo — responde, me fazendo rir.
— Gosto de coisas inusitadas — garanto.
— Sei. — Cruza os braços em frente ao corpo e espreme os olhos em
minha direção. — Mas afinal de contas, o que você está aprontando? —
pergunta.
Viro-a de costas para mim e de frente para a sua cama e mostro o que
fiz por nós.
— Uma noite de filme. — Empurro suas costas de leve até ela chegar
perto o suficiente da cama. — O que me diz?
Seu silêncio absoluto me deixa um pouco apreensivo.
Sei que estamos quebrando umas duas regras aqui de uma vez só e que
provavelmente ela não irá aceitar o que propus.
Foi um risco que quis correr.
Estou pensando em maneiras de fazer com que aceite o convite,
quando ela se vira pra mim e diz:
— Só vou aceitar se eu puder escolher o filme.
Em um primeiro momento, penso ser coisa da minha cabeça.
Ela aceitou?
Quer dizer, ela realmente aceitou?
Sorrindo, assinto com a cabeça.
— Contanto que não seja uma comédia romântica. — Dou de ombros.
Me encara com um sorriso travesso em seus lábios, e sei que terei que
assistir algum filme água com açúcar, mas sabe de uma coisa? Por ela vale a
pena.
— Vou trocar de roupa para uma mais confortável — avisa, já indo em
direção ao guarda-roupa. — Enquanto isso você prepara tudo — pede.
Concordando com ela, vou em direção a cama e com cuidado para não
derrubar tudo que estava em cima dela, afasto o edredom para que
possamos nos cobrir.
Estou distraído arrumando os travesseiros, quando vejo a bunda de
Holly envolta de uma calcinha azul royal e mesmo que involuntariamente,
sinto meu pau pulsar dentro das calças.
Essa mulher ainda vai me matar.
Como se tivesse escutado meus pensamentos, ela me olha por cima do
ombro e com um sorrisinho atrevido, sobe sua calça de moletom
rapidamente, fecha a porta do armário, caminha em minha direção e se deita
do lado direito da cama como se não tivesse feito nada.
Acompanho cada passo seu e foco meus olhos nela deitada na cama.
— O que foi, Aaron? Algum problema? — pergunta, enchendo a mão
de pipoca e a comendo em seguida.
— Nenhum — respondo, ajeitando meu pau na calça de moletom e me
sento ao seu lado.
Holly gargalha, jogando a cabeça para trás.
— Me dê logo o controle — pede, apontando para a mesinha de
cabeceira ao meu lado.
Entrego o controle para ela, que abre um dos streamings, e começa a
procurar pelo filme.
— Qual filme veremos hoje? — pergunto, me servindo de um pouco
de pipoca.
— Meu filme preferido.
Olho para a tela e o nome 10 Coisas que Odeio em Você aparece, e
poucos minutos depois, Heath Ledger e Julia Stiles estão contando sua
história de amor.
— Se ela ficar brava com esse cara por ter aceitado o dinheiro — bebo
um pouco de refrigerante. — Eu darei razão a ela — digo, apontando para a
tela à minha frente.
— No final dá tudo certo — conta, comendo um pedaço de chocolate.
— Espero que ele faça algo incrível para conquistá-la de volta.
— Ah, mas ele faz.
— E o que é? — pergunto curioso.
— Ele juntou dinheiro e acabou dando uma coisa que ela queria muito.
Por que sinto que essa parte da história é parecida com a nossa?
Quer dizer. Só a parte do presente caro para agradar a menina por
quem está apaixonado.
— Já fiz isso — sussurro, levando a mão cheia de pipoca até a boca.
Holly ri e chega mais perto de mim, mostrando que conseguiu escutar
o que eu disse.
O filme já está bem avançado, quando Holly se aconchega em meu
braço e aos poucos, sua respiração desacelera até se transformar em um
ressonar constante.
Devagar, pego o controle ao seu lado, desligo a televisão, tiro a
bandeja de cima da cama, volto a deitar ao seu lado, e cuidadosamente, a
ajeito em meus braços e passo a observar seus traços.
Agora com nossos rostos tão próximos assim, consigo notar suas
pequenas sardas em volta do nariz e em boa parte das suas bochechas.
Deus, como ela é linda.
Passaria horas a olhando sem nem me cansar. Não sei quanto tempo
fico assim, só sei que quando me dou conta, sou envolvido pela neblina do
sono.
Quero usar suas iniciais em uma corrente no meu pescoço
Corrente no meu pescoço
Não porque ele seja meu dono
Mas porque ele realmente me conhece
O que é mais do que eles podem dizer, eu
Call It What You Want – Taylor Swift
Sou despertada pelos raios de sol que entram pela janela.
Merda, tinha esquecido de fechá-las ontem.
Esbravejo em pensamentos, e quando viro de lado para tentar voltar a
dormir, sinto um braço forte impedir meus movimentos, apertar minha
cintura e me puxar de encontro ao seu peito quente.
Abro um dos olhos, mas por conta da claridade, tenho que fechá-los de
novo. Conto até cinco, e quando acho que já é seguro voltar a abri-los, olho
por cima do ombro, e me deparo com o rosto sereno de Aaron atrás de mim.
Fico o admirando por algum tempo, desde os cílios longos e cheios
que descansam sobre suas bochechas aos lábios separados que puxam o ar
lentamente.
Ele está perfeito nesse momento.
Olho em volta, a televisão não está mais ligada e a vasilha de pipoca já
não está mais em cima da cama.
Devo ter pegado no sono e ele cuidou do resto.
Estico minha mão para procurar o meu celular, mas acabo encontrando
o dele.
Estou quase o colocando no mesmo lugar e voltando a busca pelo meu
quando o aparelho acende em minhas mãos e acabo vendo a foto que
mandei no dia de Ação de Graças para ele.
Nem acredito que está usando essa foto como descanso de tela. Não
que eu esteja feia toda suja e grudenta, mas se ele queria uma foto minha,
que colocasse uma que me favorecesse mais.
Volto a olhar por cima dos ombros, e quando me certifico que ainda
está dormindo, largo seu celular em cima do travesseiro, e volto a procurar
o meu. Assim que o encontro, abro o aplicativo da câmera, posiciono-a de
uma maneira que pegue nós dois e quando estou satisfeita, capturo o
momento e mando para ele por mensagem.
Clico em enviar e sorrio ao imaginar o que ele irá pensar sobre isso.
Jogo o aparelho ao lado do dele, e acho que me movimentei demais,
porque sinto seus braços apertarem minha cintura e seu rosto se esconder na
curva do meu pescoço.
— Por que está se mexendo tanto assim? — sua voz está abafada por
conta do seu esconderijo.
— Estava vendo as horas — minto.
Fiquei tão entretida em tirar uma foto que esqueci de conferir que
horas eram.
— Que horas são? — pergunta.
Disfarçadamente, pego meu celular de novo e dessa vez as verifico.
— Vai dar seis horas — digo, largando o celular mais uma vez.
— Merda — pragueja. — Se não nos levantarmos agora, iremos
perder a hora.
— Isso é uma verdade — digo.
— Mas aqui está tão bom que não quero levantar. — Enfia uma das
mãos por dentro da minha blusa e meu corpo todo se arrepia quando faz um
carinho de leve no lugar exato da minha tatuagem.
— O que está fazendo? — questiono.
— Aproveitando o tempo que temos. — Sem que eu espere, ele me
vira de frente para si, em um único movimento. — Bom dia, linda. — Tenta
beijar minha boca, mas viro meu rosto para o outro lado.
— Nem pensar.
— Por quê? — beija minha bochecha.
— Acabamos de acordar e eu não escovei os dentes — respondo,
tampando minha boca com as mãos quando ele tenta me beijar de novo.
— E quem disse que eu ligo pra isso? — morde minha mão.
Por reflexo, acabo tirando as mãos da boca e se aproveitando da deixa,
ele une nossos lábios em um beijo lento. Sua língua busca a minha e eu a
entrego de bom grado, me rendendo as suas carícias. Levo minha mão livre
até sua nuca e entranho meus dedos nos seus cabelos, que cresceram bem
desde a última vez que o vi, puxo-os de leve, fazendo com que ele morda
meus lábios em resposta.
Aaron vira seu corpo para que possa se deitar em cima de mim, segura
minha perna esquerda, a apoia em sua cintura e sinto seu pau duro de
encontro a minha boceta.
Lentamente, sua mão – que antes acariciava minha tatuagem sem parar
– sobe em direção ao meu seio e o aperta com força, me fazendo gemer e
cravar minhas unhas em suas costas.
— Não era pra ser um beijo de “bom dia”? — pergunto, quando ele
solta meus lábios e passa a sugar e morder meu pescoço, fazendo meu
corpo todo se arrepiar.
Espero que não fique marcado depois.
— Mas eu estou te dando “bom dia”. — Levantando seu rosto, ele me
olha. — Só que da melhor maneira possível. — Chupa meu lábio inferior e
o morde em seguida.
— Você vai acabar me deixando mal-acostumada se me acordar assim
mais vezes. — Faço um carinho em sua bochecha.
— Para isso, teremos que dormir juntos mais vezes. — Dá de ombros
e me encara com uma expressão de “O que acha dessa ideia?”.
— Sei — dou um selinho nele e aproveitando a deixa, bato em seu
ombro para que saia de cima de mim. — Vamos logo ou iremos nos atrasar
para a aula.
— Não quero sair daqui. — Se ajeita em cima de mim e consegue me
prender em seu abraço. — Já disse que está confortável.
— Tudo o que é bom dura pouco — digo, me sentindo um pouco
frustrada de ter que acabar com a festa que estávamos prestes a começar.
— Tudo bem, eu te solto. — Afrouxa o aperto. — Mas só se me
prometer que iremos voltar de onde paramos, depois — pede, depois de
morder meu queixo.
— Irei pensar.
— O quê? — questiona um pouco indignado.
Aproveito seu descuido e me solto do seu agarre, me levanto da cama,
antes que consiga me segurar de novo.
— Anda logo. — Dou um tapa em sua perna. — Levante dessa cama e
vá tomar um banho — ordeno, apontando para a porta que dá para o
banheiro.
— Não tenho roupa extra — responde, cruzando os braços atrás da
cabeça.
— Mas seu melhor amigo tem algumas no quarto da Hanna, alguma
deve te servir — digo, enquanto pego uma toalha extra no meu guarda-
roupa.
— Tá bem, estou indo. — Se levanta da cama em um salto, vem em
minha direção e pega a toalha da minha mão, mas não sem antes me roubar
um selinho. — Para caso eu sentir saudades — diz, e acaba rindo da cara
que faço. — Estou indo. — Segue em direção ao banheiro.
Quando escuto a água começar a cair, deixo um sorrisinho escapar e
acabo me dando conta de que gosto desses momentos com ele.
Sem esperar mais, decido ir atrás de Hanna para pegar as roupas de
Liam.
Vou até seu quarto, mas o cômodo se encontra vazio.
Deve ter dormido no Liam.
Estou quase voltando para onde estava pra mandar uma mensagem a
ela, quando sinto cheiro de panquecas e bacon, vindo da cozinha.
Mudo de percurso, na direção em que tenho certeza que ela está, e
assim que chego ao cômodo, confirmo minha suspeita.
— Você não tem casa, não? — pergunto, olhando para o namorado da
minha melhor amiga, que está andando sem camisa pela minha cozinha.
— Minha casa é onde minha Moranguinho está — responde,
abraçando Hanna – que está colocando algumas panquecas em um prato –
por trás.
— Sei. — Reviro os olhos.
— Bom dia, bebê. Quer algumas? — Aponta para o café da manhã
que acabou de fazer.
— Bom dia, gatinha. Não, estou sem fome agora — conto, olhando
para ela.
— Por que não vai comer? — pergunta, se sentando à mesa e passando
a garrafa térmica com café para Liam.
— Só não estou a fim — respondo. — Ah, Liam. Tem alguma roupa
sua sobrando aqui? — pergunto diretamente para ele.
— Tenho, por quê? Vai colocar fogo nela? — Morde suas torradas
com geleia de frutas.
— Bem que eu queria, mas não. — Tiro uma mecha que insiste em
cair no meu olho. — Aaron dormiu aqui e...
— Espera aí! — Hanna me interrompe. — Meu irmão dormiu aqui?
— É, dormiu — afirmo. — Mas acho que você já sabe, pois deu sua
chave para ele.
— Sim, mas não imaginei que ele dormiria aqui — assume, se
recostando na cadeira. — Interessante.
— O que é interessante? — pergunto, arqueando uma das
sobrancelhas.
— Nada — desconversa, escondendo um sorrisinho atrás da sua
caneca.
Encaro-a por alguns segundos, mas quando canso desse joguinho,
volto minha atenção para Liam.
— Então, pode emprestar uma muda para o seu amigo?
— Tá bom, vamos lá. — Aponta com o queixo em direção a saída da
cozinha.
Acompanho-o até o quarto de Hanna, onde ele pega uma calça jeans,
uma blusa de manga comprida na cor branca e uma cueca ainda fechada.
— Obrigada — agradeço, já saindo do cômodo.
Entro no meu quarto e ainda consigo escutar a água caindo lá dentro,
imagino o líquido quente sobre seu corpo todo tatuado e sinto vontade de
estar lá dentro com Aaron.
Quer saber de uma coisa? Eu vou.
Coloco as roupas em cima da minha cama e caminho em direção ao
banheiro.
Assim que abro a porta, penso que acabei tomando a decisão certa.
A visão que tenho à minha frente, com toda a certeza, é a mais linda e
erótica de todas.
Aaron está de costas para mim, e dessa maneira, tenho a visão
privilegiada das tatuagens em suas costas. Passo a acompanhar o caminho
que as gotas de água fazem em direção ao seu bumbum arrebitado e
durinho.
Minha boca chega a salivar com a vontade de dar uma mordida.
— Se continuar a me encarar assim, irei secar por completo — diz,
ainda de costas pra mim. Sem respondê-lo, tiro minhas roupas, sigo até ele
e entro no box.O vapor quente faz minha pele transpirar e meus cabelos
acabam grudando em minha têmpora em questão de segundos. — O que
está fazendo? — pergunta, se virando em minha direção.
— Algo que deveria ter feito antes — digo, apoiando minhas mãos em
seus ombros e beijo seu pescoço.
Sua pele é quente e está escorregadia por conta do sabonete que estava
usando. Se aproximando, ele segura em minha cintura com suas mãos
grandes e calejadas pelos treinos pesados, e aperta o local, carimbando seus
dedos ali, desço beijos pelo seu peito e deixo uma mordida em seu mamilo
sensível e endurecido.
— Holly — geme, jogando a cabeça para trás quando sugo o mamilo
com um pouco de força.
Seu pau pulsa entre nós e anseio por chupá-lo até levá-lo ao limite.
— Sabe de uma coisa? — beijo toda a extensão do seu peitoral, até
chegar ao outro mamilo e dou a ele o mesmo tratamento.
— O quê? — sua voz é baixa.
— Você ficaria muito sexy com um piercing no mamilo. — Lambo o
pequeno bico, deixando-o endurecido.
— Anotado — ofega.
Sorrindo, começo a descer os beijos em direção ao seu abdômen
definido e beijo a tatuagem de uma pequena rosa em sua costela.
— Eu amo suas tatuagens. — Desço minhas mãos pelos seus braços,
tocando o máximo de desenhos possíveis. — Amo beijar todas elas — digo,
descendo mais os beijos, até chegar perto de sua pelve. — Principalmente
essa aqui. — Aponto para a de cisne e mordo uma das asas.
Olho para o lado, e sou recebida pela imagem do seu pau
completamente duro, com a pré-ejaculação escapando pela cabeça inchada
e avermelhada.
Levanto minha vista para ele, e encontro seus olhos caídos de desejo,
focados nos meus. Sem perder tempo seguro a glande pesada com uma das
mãos, coloco um pouco de pressão e começo o movimento de vai e vem.
— Puta merda — pragueja, fechando os olhos e jogando a cabeça para
trás.
Seus gemidos são como um afrodisíaco para mim, em questão de
segundos, estou completamente excitada sem ele ter feito nada.
Seu pau pulsa na minha mão e quando algumas gotinhas do seu pré-
gozo escorrem, e as capturo rapidamente, lambo a glande pulsante e ainda
sem desviar meus olhos dos dele, chupo seu pau até o limite.
— Deus, linda. — Fecho os olhos quando suas mãos entranham em
meus cabelos. Sem que ele peça, começo a chupá-lo, levando-o até o limite
da minha garganta. O aperto em meu couro cabeludo se intensifica a cada
investida que dou com meus lábios. Eu o chupo, lambo e faço movimentos
de vai e vem para me auxiliar. Meu maxilar dói pelo esforço, mas não paro
até que sinta seu pau inchar em minha língua. Sinto minha boceta se
contrair e latejar de desejo, e a procura de um alívio, desço meus dedos até
meu clitóris inchado e latejante e passo a me masturbar. — Chega, preciso
sentir você. — Rapidamente, Aaron me levanta de uma vez só, e acabo
entrelaçando sua cintura com as minhas pernas. — Eu adoraria gozar na sua
boca e sentir meu gosto nos seus lábios depois, mas agora eu preciso gozar
dentro de você.
Dizendo isso, posiciona seu pau na minha entrada e com um único
movimento, se enterra dentro de mim.
Abafando meus gritos com os seus lábios, Aaron investe com tanto
vigor, que precisa proteger minha cabeça com suas mãos para que eu não
me machuque. Nenhuma parte do meu corpo está livre dele, ele tomou tudo
para si, desde os meus lábios que estão sendo devorados, até minha boceta
que recebe suas investidas e se contraem em contentamento.
Em poucos segundos, o banheiro está envolto em uma névoa densa
por conta da água quente e do calor que nossos corpos emanam. Os
gemidos já tomaram conta de todo o lugar, e vão ficando altos a cada
investida que damos um no outro.
Sinto meu clitóris pulsar e minha boceta se contrair, me avisando que
estou perto.
— Aaron — gemo em um aviso e ele não precisa de muito para
entender.
— Juntos — pede, investindo mais algumas vezes. Estou quase no
meu limite, quando sinto seu pau pulsar com mais força. — Agora, linda.
E como mágica, gozamos juntos.
Aaron enterra o rosto em meu pescoço e morde o local sensível,
enquanto faço carinho em suas costas, aproveitando o momento de êxtase,
até que tenhamos liberado até a última gota de prazer.
Nossas respirações seguem o mesmo ritmo. Aaron, finalmente, sai do
seu esconderijo, e passa a beijar todo o meu rosto. Começando pela testa,
seguindo para os olhos, nariz, bochechas e terminando nos meus lábios. E
diferente dos outros, esse é calmo, como se estivéssemos nos conhecendo a
partir desse momento.
Ficamos tanto tempo nos curtindo e trocando carícias, que nem me
importo quando a água se torna gelada e faz meu corpo estremecer.
Lentamente, desço do seu colo, e foco meus olhos nos seus.
— Isso sim que é um bom dia. — Sorrio.
Aaron gargalha, jogando a cabeça para trás e quando se recupera,
encosta sua testa na minha.
— Posso me acostumar com isso — diz, beijando a ponta do meu
nariz.
Deito minha cabeça em seu ombro, concordo com a cabeça e volto a
apreciar esse momento com ele.