0% acharam este documento útil (0 voto)
12 visualizações56 páginas

Preços de Alimentos em Maputo: Fatores Chave

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
12 visualizações56 páginas

Preços de Alimentos em Maputo: Fatores Chave

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

OBSERVADOR RURAL

Nº 148
Setembro 2024

FACTORES DETERMINANTES DE PREÇOS DE PRODUTOS


ALIMENTARES NA CIDADE DE MAPUTO

Rabia Aiuba
O documento de trabalho (Working Paper) OBSERVADOR RURAL (OMR) é uma publicação do
Observatório do Meio Rural. É uma publicação não periódica de distribuição institucional e
individual. Também pode aceder-se ao OBSERVADOR RURAL no site do OMR ([Link]).

Os objectivos do OBSERVADOR RURAL são:

• Reflectir e promover a troca de opiniões sobre temas da actualidade moçambicana e


assuntos internacionais.
• Dar a conhecer à sociedade os resultados dos debates, de pesquisas e reflexões sobre
temas relevantes do sector agrário e do meio rural.

O OBSERVADOR RURAL é um espaço de publicação destinado principalmente aos investigadores


e técnicos que pesquisam, trabalham ou que tenham algum interesse pela área objecto do OMR.
Podem ainda propor trabalhos para publicação outros cidadãos nacionais ou estrangeiros.

Os conteúdos são da exclusiva responsabilidade dos autores, não vinculando, para qualquer efeito
o Observatório do Meio Rural nem os seus parceiros ou patrocinadores.

Os textos publicados no OBSERVADOR RURAL estão em forma de draft. Os autores agradecem


contribuições para aprofundamento e correcções, para a melhoria do documento.
FACTORES DETERMINANTES DE PREÇOS DE PRODUTOS ALIMENTARES
NA CIDADE DE MAPUTO

Rabia Aiuba1

1. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas têm se observado uma elevada volatilidade dos preços de alimentos no mundo:
entre os anos 70 e 2006/08, observou-se uma tendência crescente do preço real dos produtos
alimentares, seguida de uma descida entre os anos 2009 a 2019 e, novamente uma tendência de
aumento dos preços a partir de 2020, como resultado da pandemia de COVID-19 e da guerra da
Ucrânia (Clemens et al., 2022). Em Moçambique, os preços dos alimentos têm também oscilado nos
últimos anos, com uma tendência crescente (Aiuba, 2023a).

Existe diferença de preços entre as diferentes regiões do mundo. Nas regiões em desenvolvimento e
com baixo PIB per capita, como a região da África Subsaariana (ASS), o índice do nível de preços2
tende a ser baixo. Em 2017, comparativamente a outras regiões do mundo, a ASS apresentou o menor
índice de nível de preços nas diversas componentes da despesa 3, excepto maquinaria e
equipamentos, tendo sido os produtos alimentares o segundo grupo de despesas com a maior
influência na constituição do índice de preços (Banco Mundial, BM, 2020).

Esta diferenciação no índice de preços também se manifesta entre as regiões rurais e urbanas. Com
o processo de urbanização rápido na ASS, assiste-se a uma mudança dietética e nutricional, aumento
da disponibilidade de certos tipos de produtos (como carnes, óleos vegetais, açucares, processados,
entre outros), redução do preço de certos produtos processados e aumento da vulnerabilidade do
mercado de alimentos e dos cidadãos nestas regiões em relação ao mercado externo e o meio-rural
(Holdsworth & Landais, 2019). Mais recentemente, as alterações no comportamento dietético na
África urbana advêm da crise alimentar de 2007/08, afectando principalmente a camada mais pobre,
visto que esta gasta entre 60% a 80% do seu orçamento na compra de alimentos (Holdsworth &
Landais, 2019). Em Moçambique, o estudo de Aiuba (2023a) mostrou haver diferenças de preços de
alimentos entre as cidades de Nampula, Beira e Maputo e entre produtos nos mercados da mesma
cidade.

1
Rabia Aiuba é Mestre em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), Universidade de
Lisboa, e Assistente de Pesquisa no Observatório do Meio Rural (OMR).
2
O índice do nível de preços é um rácio da paridade do poder de compra de um determinado local em relação
à taxa de câmbio de mercado correspondente noutro local, utilizado para a comparação de preços entre
economias (BM, 2020). Neste índice, valores acima de 100 significam que o país/região é mais caro(a) que outro
país/região e valores abaixo de 100 significam que o país/região é mais barato(a) que outro país/região
(EUROSTAT, 2019). Neste índice em particular a comparação é feita com os preços mundiais.
3
As componentes de despesas analisadas neste texto são: produtos alimentares e bebidas não-alcoólicas (87);
bebidas alcoólicas, tabaco e narcóticos (60); vestuário e sapatos (50); habitação, água, electricidade, gás e outros
combustíveis (41); mobiliário, artigos de decoração, equipamento doméstico e manutenção corrente (54); saúde
(51); transportes (80); comunicações (68); recreação e cultura (56); educação (45); restaurantes e hotéis (47); bens
e serviços diversos (52); despesas de consumo individual familiar (58); despesas de consumo governamentais
(51); maquinaria e equipamentos (131); e, construção (67). A média mundial do índice de nível de preços é 100
(BM, 2020).

3
Estas diferenciações de preços de alimentos entre regiões e mercados, mas também entre produtos,
podem ser causadas por diversos factores, tais como: microeconómicos, como a oferta, demanda, e
estruturas de mercado; macroeconómicos, como a política comercial, cambial, monetária e fiscal;
políticos/institucionais, como a política agrícola e políticas multissectoriais; edafoclimáticas, como o
relevo, temperatura e pluviosidade; crises de diversas origens (económicas, sociais, políticas,
ambientais e sanitárias); entre outros factores.

É imprescindível, portanto, a compreensão da evolução e formação de preços de alimentos nos


diferentes contextos, como forma de conhecer os factores específicos por detrás do seu
comportamento. É neste âmbito que este texto pretende definir os factores determinantes dos preços
de produtos agro-alimentares, em contexto de crises, entre os anos 2017 e 2021, na cidade de
Maputo. Com a ajuda de métodos econométricos, o texto procura verificar se o conjunto das variáveis
definidas de carácter macroeconómico, microeconómico e climático determinam os preços do arroz,
da farinha de milho e do tomate no retalho, na cidade de Maputo. Será que os preços destes produtos
foram afectados pela pandemia da COVID-19?

Escolheu-se a cidade de Maputo para esta análise por ser a capital nacional, um dos maiores centros
urbanos consumidores domésticos e pela elevada integração da população no mercado. Seleccionou-
se o arroz e a farinha de milho para a análise devido à sua importância nas contas nacionais, na dieta
e subsistência dos moçambicanos. O tomate foi incluído na análise por ser importante nas relações
económicas com a África do Sul, pela sua importância no rendimento dos produtores de tomate e
por ser um produto presente na dieta dos cidadãos da cidade de Maputo. A importância desta
temática assenta no contributo com revisão da bibliografia sobre a temática de preços em
Moçambique, especialmente em contexto de crescente urbanização, visto que estes espaços
correspondem a importantes centros consumidores e, embora parte significativa da produção
agrícola doméstica não chegue aos mercados, o preço continua a ser um dos determinantes da
produção e do consumo.

Para além da introdução, este texto é constituído por mais seis secções. A segunda secção, com a
revisão bibliográfica, faz-se uma síntese de diferentes factores determinantes, como estes afectam o
processo de formação de preços agrícolas e como estes factores se comportam no contexto
moçambicano. A secção três, com a metodologia, explica o processo de recolha e tratamento dos
dados e os modelos econométricos estimados. Na quarta secção faz-se uma análise das estruturas
de mercado dos produtos analisados na cidade de Maputo. Na quinta secção, faz-se a análise gráfica
das variáveis estudadas. A sexta secção contém os resultados dos modelos econométricos. Na última
secção apresentam-se as conclusões da análise e recomendações.

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A precificação de um bem constitui uma das mais importantes fases da cadeia de valor, influenciando
directamente a rentabilidade e lucratividade dos produtores e empresas, servindo como um sinal para
a tomada de decisão sobre a produção e investimento e, influenciando também o poder de compra
dos consumidores (Malan, 2015; Toni & Mazzon, 2014).

4
Os produtos agrícolas apresentam características que os diferem dos demais sectores da economia,
sendo alguns exemplos: mercados competitivos, elevado número de produtores e geograficamente
dispersos, alta flexibilidade dos preços, dificuldade de previsão da oferta, produção e preços sujeitos
à sazonalidade4 e às condições edafoclimáticas, e dependência do preço no mercado internacional
(Mabota et al., 2008; Nova, 2018; Raabe, 2010; Sarkar, 1993; Serigati, 2013). Existem, portanto, diversos
factores que determinam os preços dos produtos agrícolas, dedicando-se este capítulo à exploração
de alguns desses factores que podem ser agrupados em: microeconómicos, macroeconómicos, de
política sectorial, climatéricos e relacionados com crises.5

FACTORES MICROECONÓMICOS

A nível microeconómico, o preço é determinado pela interacção da oferta e da procura do produto


final6 (Aguiar, 1993). Em teoria, ceteris paribus e assumindo um bem normal, espera-se que o preço
tenha uma relação negativa com a demanda de certo bem e uma relação positiva com a sua oferta,
numa estrutura de livre mercado (Aguiar, 1993; Toni & Mazzon, 2014; Vascolcellos, 2006).

No entanto, esta relação entre o preço, a procura e a oferta pode ser de maior ou menor intensidade
ou mesmo apresentar sinais contrários aos descritos na lei da procura e oferta, dependendo das
seguintes características dos agentes, mercado e produto: 1) a estrutura de mercado, 2) se o bem é
substituto ou complementar; 3) se o bem é normal, inferior, superior ou neutro7; 4) o rendimento e o
poder de compra do consumidor; 5) a elasticidade e a rigidez dos preços; 6) os hábitos, gostos e
preferências dos consumidores; 7) os custos de produção (preço dos factores de produção, dos
substitutos na produção e o nível tecnológico); 8) factores especiais, inerentes ao produto ou sector;
e, 9) factores climáticos e ambientais (Samuelson & Nordhaus, 2005; Vascolcellos, 2006).

4
Na agricultura, a sazonalidade manifesta-se através da existência de um período de oferta reduzida coincidente
com o período anterior à colheita, onde os preços são geralmente mais elevados, e um período de oferta
abundante, geralmente no período da colheita e alguns meses subsequentes, onde os preços tendem a ser mais
baixos (Sarkar, 1993).
5
Os grupos de factores determinantes aqui definidos não são mutuamente exclusivos, tendo sido assim
definidos por conveniência, na medida em que factores políticos/institucionais e climatéricos podem afectar e/ou
pertencer aos factores macroeconómicos. Por exemplo, a política creditícia é uma política macroeconómica,
embora também possa ser denominada como sectorial se for desenhada para albergar um sector económico
específico; os factores climáticos, como as cheias e ciclones, podem afectar os indicadores macroeconómicos.
6
A lei da procura e da oferta, na determinação do preço dos bens no mercado, tem por base duas teorias
complementares: 1) Teoria da Utilidade, baseada no conceito subjectivo da utilidade, que defende que o valor
de um bem é determinado pelos movimentos da demanda (satisfação que este bem traz ao consumidor); e 2)
Teoria do Valor do Trabalho, uma teoria com base objectiva, que defende que o valor de um bem se forma do
lado da oferta, sendo dependente dos custos de produção (Vascolcellos, 2006).
7
Um bem normal é aquele cuja demanda aumenta com o aumento no rendimento dos consumidores. Define-
se um bem inferior com sendo aquele cuja demanda diminui aquando de aumentos no rendimento do
consumidor. Um bem superior, de luxo ou supérfluo é aquele cuja demanda aumenta em maior proporção que
o aumento do rendimento dos consumidores. Um bem neutro é aquele cuja demanda se mantém inalterada a
partir de certo nível de rendimento do consumidor (Samuelson & Nordhaus, 2005; Saraiva, sem data).

5
Os autores Kornher & Kalkuhl (2013) defendem que os choques do lado da oferta são uma das
principais causas da variabilidade dos preços dos produtos agrícolas. Os principais factores que fazem
variar a oferta agrícola, principalmente nos países em desenvolvimento dependentes da agricultura,
na sua maioria de sequeiro, relacionam-se com as variações na área cultivada, no preço dos insumos,
na oferta de insumos de comercialização8, às precárias infra-estruturas, na oferta do produto nas
regiões vizinhas e no mercado internacional, e as variações climáticas (Aguiar, 1993; Kornher &
Kalkuhl, 2013).

Gardner, no seu modelo de transmissão de preços agrícolas, assumindo uma relação directa entre o
produtor e o retalho, uma demanda decrescente, uma oferta não-decrescente de insumos e uma
oferta do produto final inelástica, defende que as reduções da oferta agrícola beneficiam mais os
produtores agrícolas em detrimento dos retalhistas, e incrementos na oferta de insumos de
comercialização reduzem mais intensamente o preço ao retalhista de que ao produtor agrícola (apud
Aguiar, 1993).

O modelo de transmissão de preços agrícolas de Barros assume três níveis de mercado: produtor,
grossista e retalhista, e defende que os grossistas são os agentes responsáveis pela variação dos
preços, visto que estes têm maior facilidade de acesso à informação sobre as tendências da demanda
e da oferta do produto, pela sua elevada frequência de transacções, pela possibilidade de perdas caso
não efectuem transacções e dado o baixo custo de mudança de preço. Portanto, os produtores e os
retalhistas ajustam os seus preços de acordo com as alterações observadas a nível dos grossistas
(apud Aguiar, 1993). As variações de preço iniciam a nível do grossista quando os produtos são de
mercado interno e de fácil armazenamento, mesmo quando há choques na demanda, sendo pouco
comuns as variações de preços iniciadas a nível do retalhista, acontecendo geralmente para produtos
de difícil armazenamento, como os produtos perecíveis, e produtos de maior elasticidade rendimento
da demanda9 (apud Aguiar, 1993).

De acordo com Silva (1995), os agentes intermediários10 são os maiores beneficiários das variações
do preço: aquando de uma redução de preços, os agentes intermediários repassam esta queda de
preços para os produtores através da manutenção do seu mark-up; quando os preços aumentam,
estes agentes captam grande parte do aumento e repassam uma pequena percentagem desse
aumento ao produtor. Resumindo as ideias dos três autores referidos acima, de acordo com os
modelos de transmissão de preços de Gardner (apud Aguiar, 1993) e de Barros (apud Aguiar, 1993),
os produtores e os grossistas são os maiores beneficiários de aumentos de preços ou os menos
lesados aquando da redução do preço do produto, e, para Silva (1995), os agentes intermediários são
os maiores beneficiários de aumentos de preços ou os menos lesados aquando da baixa de preços.

8
Consideram-se insumos de comercialização os seguintes: transporte, processamento, armazenamento,
condições de financiamento, impostos, entre outros (Aguiar, 1993; Barros & Xavier, 1979).
9
Define-se elasticidade rendimento ou elasticidade rendimento da demanda como sendo a razão entre a
variação percentual na quantidade demanda de um bem e a variação percentual do rendimento, procurando
medir o impacto na procura do consumidor aquando de variações no seu rendimento (Samuelson & Nordhaus,
2005).
10
Os agentes intermediários são os agente que fazem a intermediação do bem entre o produtor e consumidor,
como, por exemplo os grossistas, retalhistas, armazenistas, transportadores, correctores, especuladores, agro-
indústrias, entre outros agentes (Gazolla & Schneider, 2017).

6
No contexto moçambicano, é nítido o benefício dos agentes intermediários aquando de variações do
preço dos produtos agrícolas em detrimento dos produtores, principalmente os de pequena
dimensão, que têm pouco poder de negociação sobre o preço, pouca capacidade de armazenamento
da produção, têm necessidade imediata de liquidez para a satisfação das necessidades dos seus
agregados familiares (AFs) e as estruturas de mercado em que estão inseridos (Nova, 2018).

A sazonalidade é uma das principais características da actividade agrícola. Sarkar (1993), num estudo
sobre os países em desenvolvimento, divide a campanha agrícola em duas fases: época de colheita,
caracterizando-se por uma elevada oferta, sendo, por isso, os preços baixos, e um mercado com uma
estrutura do tipo concorrência perfeita, onde os agentes intermediários na cadeia de valor e os
consumidores são tomadores de preço, e época baixa (período entre colheitas), onde o número de
produtores no mercado reduz,11 e este assume uma estrutura crescentemente oligopolista, passando
o lado da oferta a ter algum poder de decisão sobre o preço no mercado, com tendência a aumentar
até à próxima época de colheita.

O abastecimento dos mercados domésticos com a produção nacional em Moçambique depende da


sazonalidade da produção agrícola, possuindo o país limitadas condições de armazenamento e
conservação da produção e pouca produção em estufas, o que se reflecte no preço pago pelo
consumidor: preços mais baixos em épocas de colheita e preços mais altos na época de esgotamento
de stocks e de festividades (demanda elevada).

Um aumento da demanda interna leva ao aumento do preço do produto ao consumidor e pode gerar
volatilidade no preço (Aguiar, 1993; Kornher & Kalkuhl, 2013). Heinen, no seu modelo de transmissão
de preços agrícolas a curto prazo, defende que aumentos da demanda não levam ao incremento
imediato do preço ao consumidor, visto que, numa primeira fase, os retalhistas limitam-se a
comercializar o stock existente. Seguidamente, estes agentes procuram aumentar o seu stock, levando
a que os produtores aumentem o seu preço, elevando os custos ao retalhista e, portanto, o preço ao
consumidor (apud Aguiar, 1993).

Os produtos agrícolas básicos de consumo têm uma demanda inelástica, a nível do preço e do
rendimento, significando que movimentos no preço e no rendimento dos consumidores fazem a
demanda destes produtos variar em proporções menores que a variação nestas duas variáveis (Silva,
1995).

Alterações nos gostos e preferências dos consumidores podem levar a um maior ou menor consumo
de certos produtos em detrimento de outros (Kornher & Kalkuhl, 2013). Nos países em
desenvolvimento, o aumento do rendimento dos consumidores, as elevadas taxas de crescimento da
população, a rápida urbanização e a expansão da classe média são os principais factores por detrás

11
Nos países subdesenvolvidos e dependentes da agricultura, como Moçambique, os produtores tendem a
comercializar o seu stock de produto mais rapidamente que os produtores de maior escala, visto que estes
procuram vender a sua produção imediatamente após a colheita dada a sua fraca capacidade de armazenamento
e necessidade imediata de liquidez. Dada a elevada oferta no mercado neste período, os preços praticados são
baixos. Os produtores de maior dimensão, devido }a sua maior capacidade de armazenamento, podem conservar
a sua colheita e comercializar num momento futuro, quando há redução da oferta no mercado e os preços estão
mais elevados (Nova, 2018; Sarkar, 1993).

7
do aumento da demanda, e as dinâmicas familiares (decisão individual dos AFs sobre o consumo)
têm importante peso sobre o controle da demanda (Kornher & Kalkuhl, 2013; Trostle & Seeley, 2013).

FACTORES MACROECONÓMICOS

As políticas macroeconómicas internas e externas influenciam a formação dos preços dos produtos
agrícolas, dependendo o seu efeito das políticas sectoriais, mas também de certas características da
economia, como o nível de abertura da economia, o peso do sector agrícola na economia, da
produção de insumos, facilidade de acesso aos mercados (insumos e do produto final), entre outras
características.

A política cambial tem efeitos directos sobre os preços dos produtos agrícolas de exportação e
importação, sendo um dos principais determinantes dos preços agrícolas em economias com
importantes e crescentes conexões com o mercado internacional (Awokuse, 2005; Mendoza, 2000;
Serigati, 2013). Em teoria, Mendoza (2000) aponta que uma desvalorização da moeda leva ao
aumento do preço recebido pelos exportadores agrícolas e eleva o preço dos produtos importados
no mercado doméstico, sejam estes produto final, bens de capital ou insumos, onde estes últimos
dois influenciam negativamente os custos de produção.

A política comercial, como restrições e proibições às exportações e redução ou eliminação de tarifas


sobre importação levam, geralmente, à redução do preço no mercado doméstico, tanto dos insumos,
como do produto agrícola. Os subsídios às exportações aumentam o preço recebido pelo exportador
e os subsídios aos produtos importados reduzem o seu preço no mercado doméstico (Mendoza,
2000).

O grau de impacto da política comercial depende do nível de transmissão dos preços internacionais
no mercado interno e do peso dos produtos agrícolas na oferta interna (Aguiar, 1993; Kornher &
Kalkuhl, 2013). As taxas de juros, a inflação e as taxas de câmbio são parte dos principais mecanismos
de transmissão dos preços dos produtos agrícolas nos mercados internacionais para o mercado
doméstico (Kornher & Kalkuhl, 2013). Os mercados da região da ASS, no geral, estão pouco
integrados no mercado internacional, comparativamente aos mercados de outras regiões mundiais,
o que faz com que a transmissão dos preços internacionais para estes mercados seja baixa. Além da
baixa integração, os elevados custos de transacção e as políticas sectoriais em vigor, também explicam
o fraco e lento impacto dos preços internacionais nesta região (Kornher & Kalkuhl, 2013).

Moçambique possui um histórico comercial com a África do Sul, sendo dependente de importações
deste país, principalmente em alimentos e produtos energéticos para o abastecimento da região sul
do país, de modo que, no curto prazo, as variações de preços nesse país reflectem-se no
comportamento da inflação em Moçambique. A desvalorização da taxa de câmbio MZN/ZAR
influencia a inflação de preços de produtos alimentares nos mercados moçambicanos, no curto e no
longo prazos (Chongo, 2017).

8
A nível de produtos em específico, os estudos de Chambo (2013) e de Mula (2008) encontraram
evidências de transmissão unidireccional do preço do milho e do açúcar, respectivamente, dos
mercados sul-africanos para os mercados moçambicanos, especialmente na cidade de Maputo. O
estudo de Helder & Macamo (2020) sobre a transmissão de preços de milho entre Moçambique e
Malawi, encontrou uma relação causal significativa e unidireccional entre os preços do milho branco
praticados nos mercados de Maputo, Chimoio e Nampula e os mercados de Blantyre, no Malawi,
significando que a variação do preço deste bem em Moçambique afecta os preços praticados em
Malawi, não se tendo verificado o contrário. De acordo com Popat et al. (2017), existe uma fraca
transmissão do preço do arroz do mercado internacional para os mercados de Moçambique.

Uma política monetária expansiva, redução da taxa de juros e aumento da liquidez no mercado, pode
levar ao aumento da produtividade pelo incremento no acesso a insumos e redução nos custos de
produção, o que se pode traduzir em aumento da oferta agrícola e redução do preço dos produtos
agrícolas no mercado interno (Mendoza, 2000). Vascolcellos (2006) nota que a política de facilidade
de crédito gera aumentos na demanda de produtos agrícolas.

Estudos no Paquistão e em Moçambique identificaram a oferta monetária como um dos principais


factores explicativos da variação dos preços, e de alimentos em particular, tanto a curto como a longo
prazos, com uma relação positiva (Ahsan et al., 2011; Chongo, 2017).

Uma política fiscal expansiva leva, por um lado, ao aumento da demanda de produtos agrícolas, e,
consequentemente, ao aumento de preços. Entretanto, por outro lado, reduz os impostos sobre
insumos e o produto final, com efeitos sobre a redução dos custos de produção e de comercialização,
o que influencia para a redução do preço do produto no mercado interno (Kornher & Kalkuhl, 2013;
Mendoza, 2000). Serigati (2013) assinala que o efeito positivo de uma política fiscal expansiva nos
preços agrícolas acontece no curto prazo. A expansão dos gastos públicos leva ao aumento da
produção agrícola em Moçambique, podendo-se inferir que influenciem para a redução do preço dos
produtos dada a elevado oferta (Abbas, 2015).

A inflação geral da economia também afecta o preço dos produtos agrícolas. Serigati (2013) aponta
que o efeito desta variável no preço dos produtos agrícolas dependerá da proveniência da inflação:
se é uma inflação de custos (oferta) ou da demanda, onde a primeira reduz o rendimento dos
produtores e pouco afecta o preço ao consumidor, visto que os primeiros têm dificuldades em
repassar o aumento dos custos para o consumidor dado o carácter não-competitivo dos mercados
agrícolas; e a inflação da demanda, eleva os preços dos produtos agrícolas. Evidências no estudo de
Abbas (2015) apontam para a não existência de um efeito significativo da inflação geral em
Moçambique na produção agrícola, podendo se inferir que a inflação não têm influência na
determinação dos preços dos produtos agrícolas.

Os custos de transacção, devido a imperfeições do mercado, têm impacto no preço dos produtos
agrícolas (Malan, 2015). Mudanças nos custos de transacção, como, por exemplo, o aumento do preço
do combustível, custo de transporte e tarifas, são transferidos para os consumidores através dos
preços no mercado, até que um novo equilíbrio seja alcançado (Diab & Karaki, 2023; Kornher &
Kalkuhl, 2013).

9
FACTORES DE POLÍTICA SECTORIAL

As políticas agrícolas desempenham um papel fundamental na formação dos preços dos produtos
agrícolas, visando, a curto prazo, a estabilização dos preços, garantir a segurança alimentar, o
rendimento dos produtores, estimular e proteger a produção doméstica, e aumentar as receitas fiscais
(Malan, 2015; Mendoza, 2000). Mendoza (2000) define os seguintes instrumentos directos da política
agrícola: preço, tecnologia, crédito, comercialização, comércio exterior, informação, entre outros, que,
quando aplicados nas diferentes fases da cadeia de valor, beneficiam os diferentes actores em cada
uma destas fases.

As políticas agrícolas são também conhecidas como distorções de mercado. De acordo com Malan
(2015), estas podem ser agrupadas em: medidas internas (impostos sobre a produção, subsídios aos
insumos, crédito aos produtores, entre outras) e medidas externas (taxas sobre importação e a
exportação, entre outras). As distorções podem ainda ser directas, com efeitos directos sobre os
preços (como, por exemplo, taxas sobre a exportação e a importação, subsídios a insumos e os
impostos sobre a produção), e indirectas (como, por exemplo, subsídios à energia, água e
combustíveis, e construção de infra-estruturas diversas), afectando os incentivos agrícolas através de
outros sectores da economia.

As políticas de estabilização de preços visam influenciar a flutuação de preços e as diferenças de


preço entre as fases da cadeia de valor. Estas políticas, de modo geral, podem fazer aumentar o preço
recebido pelo produtor, mas reduzir o preço à agro-indústria, ao grossista e ao retalho (Kornher &
Kalkuhl, 2013; Brosen 1997 apud Melo, 1991).

A política de preço mínimo pode ser aplicada com, ou sem, o controlo da oferta (Carta da Agricultura,
2004; Oliveira, 2021). A política de preço mínimo com controlo da oferta subdivide-se em duas: 1)
controlo directo, com distribuição de cotas de produção, e 2) controlo indirecto da produção, através
de restrições no uso de factores de produção. Na primeira forma de intervenção, o preço aumenta,
tanto para o produtor, como para o consumidor, dado o limite imposto na produção (cotas), que
leva à redução da produção (Oliveira, 2021). Na segunda forma de intervenção, os custos de produção
aumentam, levando à redução da margem de lucro dos produtores e aumento do preço pago pelo
consumidor, dada a eventual repassagem do incremento nos custos de produção pela restrição no
acesso aos factores de produção.

Numa política de preços mínimos sem controlo da oferta, o governo compra o excedente da
produção ao preço mínimo (política de stocks reguladores) ou subsidia a diferença do preço de
mercado e o preço mínimo, quando o primeiro se encontra abaixo do preço mínimo estabelecido.
Em Moçambique, a cultura do algodão beneficia de uma política de preços mínimos e de subsídios
de preço mínimo de compra ao produtor, como forma de garantir o preço recebido por este agente
e estimular a produção (Decreto n.o 30/2023 de 24 de Maio, 2023).12 O caju é outra cultura cujo preço

12
Em Maio de 2023, o preço mínimo do algodão caroço ao produtor foi estabelecido em 33,00MZN/kg (1ª
qualidade) e 23,00MZN/kg (2ª qualidade) e o subsídio ao preço mínimo de compra do algodão caroço ao
produtor foi definido em 7,00MZN/kg (1ª qualidade) e 4,80MZN/kg (2ª qualidade), tendo passado este subsídio
a ser financiado pelo Mecanismo de Estabilização do Preço do Algodão Caroço, em vigor desde de 31 de Maio
de 2022 (Decreto n.o 25/2022 de 3 de Junho, 2022; Decreto n.o 30/2023 de 24 de Maio, 2023).

10
pago ao produtor é fixado administrativamente. As políticas de preço para estas duas culturas são
definidas ao nível do produtor, afectando o preço recebido por estes agentes. Estas políticas não
afectam o preço pago pelo consumidor final, visto que este é determinado no mercado mundial. As
demais culturas produzidas em Moçambique, independentemente da sua importância comercial e
para a dieta dos moçambicanos, como os cereais, vegetais, tubérculos e outros grupos de produtos,
não beneficiam de uma política de preços (excepto o açúcar que beneficia de uma política
proteccionista, como se apresenta mais adiante) sendo, portanto, os produtores tomadores de preço
e os preços têm estado, frequentemente, abaixo dos seus custos de produção.13

Na política de stocks reguladores, o governo adquire stocks da produção, geralmente no período da


colheita e/ou quando o preço do produto está abaixo do preço mínimo estabelecido, pagando o
preço mínimo ou o preço de mercado, por razões estratégicas diversas, como forma de recolher o
excesso de oferta. Posteriormente, quando os preços estão altos (acima do preço mínimo),
geralmente no período entre colheitas, o governo vende o stock no mercado (Carta da Agricultura,
2004; Silva, 1995). Esta política eleva o preço recebido pelo produtor. Esta política eleva também o
preço pago pelo consumidor, dada a redução de oferta do mercado (Oliveira, 2021).

Nas economias africanas, a agricultura é geralmente tributada em vez de subsidiada, principalmente


nos produtos de exportação. Esta tendência de tributação dos preços agrícolas reduz o preço
recebido pelos produtores e agentes intermediários e aumenta o preço pago pelos consumidores.
No entanto, a produção para o autoconsumo dificilmente é tributada ou subsidiada, não sofrendo
grandes distorções de mercado (Malan, 2015).

Alguns exemplos de tributação do sector agrícola/alimentar em Moçambique são: 1) o término da


isenção do imposto sobre o valor acrescentado (IVA) em Moçambique para o açúcar, óleo alimentar
e sabão em Janeiro de 2024, o que levou ao aumento do preço destes bens ao consumidor e; 2) a
existência do imposto sobre o rendimento de pessoas colectivas (IRPC) de 10% na agricultura (embora
esta percentagem represente uma redução dos anteriores 32%) (Ministério da Economia e Finanças,
2022).

Malan (2015) explica, ainda, que a forma como os impostos ou subsídios são aplicados podem gerar
resultados diferentes: os impostos ou subsídios ad valorem reduzem ou aumentam o preço numa
proporção fixa, enquanto os impostos ou subsídios de montante fixo reduzem ou aumentam o preço
num montante fixo. Estes impostos ou subsídios afectam, tanto o preço recebido pelo produtor, como
o preço pago pelo consumidor.

13
Após a independência de Moçambique, em 1975, os preços de produtos de consumo interno e de exportação
passaram a ser definidos administrativamente, de modo que, em 1982, 45 produtos tinham os seus preços
determinados pelo governo. Neste período, a Empresa Estatal de Comercialização Agrícola (AGRICOM) exercia
a função de comercialização de produtos agrários, entre outras funções, realizando a aquisição da produção aos
camponeses de locais excedentários, o seu armazenamento, transporte e comercialização em regiões deficitárias.
Aquando da implementação do Programa Reabilitação Económica (PRE), cujo um dos objectivos era a redução
do controlo administrativo centralizado, o número de produtos com os preços fixos administrativamente foi
reduzindo, de modo que, em 1990, apenas 11 produtos tinham os seus preços fixados pelo governo (Mosca,
2005; Tarp, 1990). De referir que a política de preços mínimos foi instituída no país em 1989, cobrindo os
seguintes produtos: algodão, amendoim, caju, copra, feijões, girassol, sorgo e carnes (Tarp, 1990). Actualmente,
apenas o algodão e o caju têm os seus preços mínimos definidos pelo governo.

11
Os subsídios aos insumos distorcem os preços dos insumos e podem auxiliar a reduzir o preço dos
produtos alimentares a longo prazo, embora o seu impacto tenda a ser baixo (Ahsan et al., 2011;
Oliveira, 2021). Os subsídios aos insumos em Moçambique têm sido implementados, na sua maioria,
através de projectos e acções-piloto, tendo produzido, até ao momento, um impacto limitado no
aumento da utilização de insumos melhorados pelos pequenos e médios produtores: entre 2002 e
2020, o uso de fertilizantes aumentou em 4,0 pontos percentuais (pp, 7,8% dos produtores em 2020),
o uso da semente melhorada do milho aumentou em 4,1 pp (9,6% dos produtores em 2020) e do
arroz em 1,6 pp (4,9% dos produtores em 2020) e o uso de pesticidas baixou em 1,3 pp (5,5% dos
produtores em 2020) (African Centre for Biodiversity, 2019; Ministério da Agricultura e
Desenvolvimento Rural - MADER, 2021b; Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar, sem data).
Estes números denotam uma baixa utilização de insumos melhorados no geral, podendo se inferir
que os subsídios têm tido pouco impacto no preço, tanto a nível do produtor, como do consumidor.

Políticas proteccionistas na agricultura visam, geralmente, garantir a segurança alimentar, estimular a


produção, proteger o sector e o mercado interno de práticas de dumping, a substituição das
importações e garantir a competitividade e/ou mercado para a produção doméstica. A política
proteccionista permite que se pratique preços mais elevados na produção doméstica ao nível de
todos os actores da cadeia produtiva, comparativamente aos preços no mercado internacional. Esta
política eleva também o preço do produto importado no mercado doméstico (Moraes, 1996). Em
Moçambique, ao nível das culturas agrícolas, somente o açúcar beneficia de uma política
proteccionista, aplicando-se uma sobretaxa ao açúcar importado quando este entra no país a preços
abaixo do praticado para o produto nacional (Aiuba, 2023b).

A política de crédito pode influenciar a estabilidade dos preços, através da disponibilização de fundos
para os produtores para o armazenamento da produção no período da colheita, o que lhes permite
comercializar a produção ao longo do ano e cobrar preços relativamente mais altos (Carta da
Agricultura, 2004). A política creditícia, quando orientada para a compra de insumos, distorce o preço
dos insumos e pode influenciar a redução do preço (Oliveira, 2021). O estudos de Abbas (2015) e
Aiuba (2023b) encontraram que o crédito agrícola em Moçambique não é significativo na explicação
da produção agrícola no país, justificando-se pelo baixo acesso a este serviço pelos pequenos e
médios produtores, o que, por sua vez, limita a influência do crédito na formação dos preços agrícolas.

De entre das políticas de estabilização de preços, existe ainda o seguro de preços, em que, mediante
o pagamento de um prémio pelos produtores, reduz-se a variabilidade de preços, permitindo que
estes comercializem a sua colheita a um preço pré-estabelecido. Este seguro beneficia o produtor
quando o preço do mercado se encontra abaixo do preço preestabelecido (Carta da Agricultura, 2004;
Delgado & Conceição, 2005). A política de preço mínimo pode ser considerada como um seguro de
preços ao agricultor a prémio zero (Oliveira, 2021).

A política de acesso a informação é também importante na estabilização dos preços. Moçambique


tem um Sistema de Informação de Mercado Agrícola (SIMA), operacional desde 1991, com a função
de divulgação semanal dos preços de alimentos a nível do produtor, grossista, retalho e mercado
exterior, através da televisão, rádio, telemóvel, internet e por escrito (Aiuba, 2023b). O Ministério da
Indústria e Comércio (MIC) faz também o levantamento e divulgação de preços de produtos
alimentares a nível do retalho. No entanto existe ainda a dificuldade dos produtores de acederem à

12
informação sobre preços: em 2020, cerca de 39,9% dos pequenos e médio produtores afirmaram
receber informação sobre preços (MADER, 2021).

A nível das políticas indirectas para o sector agrícola, o governo de Moçambique, em conjunto com
fundos e iniciativas externas, tem implementado diversas políticas, programas e projectos de apoio à
agricultura, como os subsídios à energia, água e combustíveis, o investimento em investigação, infra-
estruturas de irrigação e armazenamento da produção, estradas, entre outras políticas.14 No entanto,
estas têm sido pouco eficientes ou eficazes, considerando-se a baixa modernização da agricultura,
baixa utilização de irrigação, os constantes problemas de armazenamento e perda de colheita, a
dificuldade de acesso a informação sobre o mercado, dificuldades na interligação das zonas
produtoras e consumidoras, não gerando efeitos de redução dos custos de produção e
comercialização, de aumento da produtividade, produção e rendimento na agricultura e de
estabilização dos preços aos produtores e consumidores.

FACTORES CLIMÁTICOS

Eventos climáticos extremos têm sido cada vez mais recorrentes e, sendo a agricultura de sequeiro
uma actividade altamente dependente das condições edafoclimáticas, principalmente nos países em
desenvolvimento, os seus impactos são consideráveis.

Moçambique e a sua agricultura são vulneráveis aos eventos climáticos extremos (cheias/inundações,
secas e tempestades/ciclones), dado a tecnologia praticada nesta actividade. Em 2019, o país foi
considerado, a nível mundial, como o mais vulnerável a eventos climáticos extremos, tendo sido
afectado por tempestades tropicais, dos quais dois ciclones: IDAI e Kenneth, que atingiram as regiões
centro e norte do país, respectivamente (Eckstein et al., 2021). Estes ciclones destruíram os campos
de colheita, visto que atingiram o país no início do período de colheita, e levaram as regiões e
populações afectadas a aumento de escassez de alimentos e inflação alimentar (Feijó & Aiuba, 2019).
Estes eventos climáticos extremos afectam os preços a partir da oferta, visto que tendem a destruir
parte da colheita, reduzindo a oferta agrícola no mercado e, portanto, levando ao incremento do
preço recebido pelo produtor e do pago pelo consumidor.

FACTORES RELACIONADOS COM CRISES

Os preços agrícolas são também afectados pelas diferentes crises, sendo algumas das crises que o
país atravessou/foi afectado nas duas últimas décadas as seguintes: crise alimentar e de combustíveis
de 2007/8, crise económica e financeira global de 2009, a crise da pandemia da COVID-19, a crise das
dívidas ocultas. A nível de alimentos, algumas crises podem levar ao aumento do preço dos alimentos,
que, geralmente, tendem a manter-se elevados a médio e longo prazo, até que haja uma resposta da
oferta ao preço elevado. Podem ter ainda efeitos sobre a disponibilidade (escassez) de produtos, o
rendimento real, o poder de compra das populações e a estabilidade política. Estas crises levam
também à reversão das melhorias nos persistentes problemas que assolam os países em

14
Sobre políticas, programas e projectos indirectos agrícolas em Moçambique, ver: Dadá et al.( 2019), Hamela &
Manhicane Jr (2013), Mosca (2011) e Sitoe ( 2014).

13
desenvolvimento, e Moçambique, em especial, como a fome, desnutrição, insegurança alimentar,
desigualdades, pobreza, entre outros (Mabota et al., 2008; Raabe, 2010).

A crise das dívidas ocultas, com início em 2016, levou à suspensão do apoio financeiro externo ao
orçamento de Estafo moçambicano (Cortez et al., 2021), o que provocou a desvalorização do metical
em relação a várias moedas cotadas como o dólar americano, australiano e zimbabwiano, ao euro,
ao real brasileiro, entre outras moedas contribuindo para o aumento da inflação geral e de alimentos
no país.

As crises resultantes de conflitos violentos têm também um impacto sobre o preço dos alimentos.
Nos mercados africanos, os conflitos violentos levam ao aumento do preço de alimentos, mas preços
elevados também podem levar a um aumento de conflitos dada a elevada sensibilidade dos
consumidores pobres ao aumento de preços de alimentos (Raleigh et al., 2015).

3. METODOLOGIA

Nesta secção, apresentam-se os dados, definindo-se a razão de sua escolha, as fontes de recolha de
informação e a expõem-se os modelos econométricos.

O objecto de estudo desta pesquisa são os preços dos seguintes produtos alimentares: arroz
embalado, farinha de milho branco embalada e tomate. A escolha destes produtos assenta na sua
grande importância para a dieta e subsistência dos moçambicanos, tendo o Ministério da Saúde
(MISAU) definido os dois primeiros produtos como parte da alimentação básica dos moçambicanos.15
Estes produtos são ainda importantes para as contas nacionais, constituindo o arroz uma das
principais importações alimentares do país; a moagem de milho é uma das principais indústrias
alimentares do país; e o tomate é um legume muito produzido e consumido e importante nas relações
económicas entre Moçambique e África do Sul.

A análise centrou-se na cidade de Maputo por ser um dos maiores centros urbanos consumidores
domésticos, estimando-se que abrigue actualmente 3,5% da população nacional, com uma densidade
populacional de 3.259 pessoas/km2 em 2021 e com o menor rácio de população pobre
comparativamente às outras províncias do país: cerca de 11,6% da população residente em 2014 foi
considerada pobre (Instituto Nacional de Estatísticas, 2022; Ministério de Economia e Finanças, 2016).
Nesta cidade, existe ainda uma maior integração da população nos mercados, com limitada produção
local, tornando-se este um local importante para a percepção das dinâmicas envolvendo os preços
dos alimentos ao consumidor.

15
A cesta básica definida pelo MISAU define que um indivíduo moçambicano deve consumir por mês 3kg de
arroz, 9,1kg de farinha de milho, 2kg de feijão seco, 0,5kg de amendoim, 3,3kg de peixe seco, 0,5lt de óleo, 1,2kg
de açúcar, 1kg de sal, 3,4kg de vegetais e 3,6kg de frutas da época (Secretariado Técnico de Segurança Alimentar
e Nutricional, 2014).

14
LEVANTAMENTO DE DADOS

Esta pesquisa baseou-se em dados secundários, no período entre 2017 (Maio) e 2021 (Dezembro),
numa base mensal (56 observações). A escolha deste período de análise deve-se, essencialmente, à
disponibilidade de dados. As variáveis analisadas foram definidas de acordo com a pesquisa
bibliográfica, tendo os dados sido colectados nas seguintes instituições:

•Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) – preço dos combustíveis (gasolina e gasóleo) em


Maputo (combustpr);
• Banco de Moçambique (BdeM) – crédito agrícola (creditagr), importação do arroz (arrozimp),
taxas de câmbio MZN/USD (txcambusd) e MZN/ZAR (txcambzar), taxas de juro (txjuros) e oferta
de moeda (ofertmoeda);
• Banco Mundial (BM) – preço no mercado internacional do arroz (arrozinterpr), fertilizantes
(fertlizpr) e grão de milho (milhointerpr);
• BARCHART – preço do grão de milho da SAFEX no mercado de futuros sul-africano
(milhozarpr);
• Instituto Nacional de Estatísticas (INE) – pluviosidade nas províncias de Maputo (pluvmaputo),
de Gaza (pluvgaza), de Sofala (pluvsofala), de Manica (pluvmanica), de Tete (pluvtete) e da
Zambézia (pluvzambezia);
• Observatório do Meio Rural (OMR) – preços no retalho do arroz (arrrozretpr), farinha de milho
(fmilhoretpr) e tomate (tomateretpr);
• Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura Statistics (FAOTSTAT) – o
preço ao produtor do tomate na África do Sul (tomateprodpr).
Foram excluídas dos modelos econométricos as seguintes variáveis: inflação de bens alimentares e
temperaturas médias, pois criavam problemas de multicolinearidade, correlação serial e
desestabilizavam os modelos. Os resultados do teste de ommited variables mostraram que este
conjunto de variáveis não era significativo na explicação da variação das variáveis dependentes.16

TRATAMENTO DE DADOS

Anteriormente à modelação econométrica, os dados foram sujeitos a algum processamento. Foram


feitos cálculos na computação das seguintes variáveis:

• O preço do arroz no mercado internacional resulta da média do preço do arroz tailandês 5%


e 25% e arroz vietnamita 5%;
• O preço do combustível refere-se à média do preço da gasolina e do gasóleo (diesel);
• O preço dos fertilizantes refere-se ao preço médio do cloreto de potássio, fosfato dissódico,
fosfato trisódico (TSP), fosfato diamónico (DAP), rocha fosfática e ureia.
• Procedeu-se à análise de componentes principais (APC) na compilação das variáveis de
pluviosidade, como forma de reduzir o número de variáveis e aumentar o grau de liberdade
dos modelos estimados. Foram criadas as seguintes variáveis: pluvarroz (pluvgaza,

16
A H0: As três séries são conjuntamente significativas, rejeitando-se a H0 caso o p-value seja superior a 5%. Ver
no anexo VI as tabelas dos testes de ommitted variables.

15
pluvmaputo e pluvzambezia), pluvfmilho (pluvgaza, pluvmanica, pluvmaputo, pluvsofala,
pluvtete e pluvzambezia) e pluvtomate (pluvgaza e pluvmaputo).17

Foi feita a imputação do valor do preço do arroz, farinha de milho e tomate no retalho em dois meses,
nomeadamente: Junho de 2018 e Setembro de 2021, calculando-se a média da variável. Este método
é aceitável quando existem limitados valores missing, embora ele introduza viés na amostra (Zhang,
2016).

As variáveis foram logaritmizadas como forma de linearização da relação entre as variáveis e a sua
estabilização ao longo dos diferentes níveis (Hyndman & Athanasopoulos, 2018).

Procedeu-se ao teste de raiz unitária de Dickey-Fuller aumentado (ADF) e a análise de correlograma


para a determinação da estacionariedade das variáveis em estudo, tendo-se definido a
estacionariedade em nível I(0) das variáveis importação de arroz e pluviosidade nas províncias, e
estacionariedade nas primeiras diferenças I(1) para as restantes variáveis. As variáveis estacionárias
I(1) foram transformadas para as suas primeiras diferenças. 18

As variáveis têm as seguintes características:1) dados em série temporal; 2) estacionaridade de parte


das variáveis em nível I(0) e outra parte na primeira diferença I(1), ou seja ordem mista de integração;
e, 3) dado que a estimação dos modelos pelo método de Least Squares produziu modelos pouco
significativos, decidiu-se utilizar o modelo dinâmico Auto-regressivo de Desfasagens Distribuídas
(ARDL) como o mais adequado para a condução da análise19. Os modelos ARDL são uma combinação
de dois modelos de séries cronológicas: modelos auto-regressivos (AR) e modelos de desfasagens
distribuídas (DL), permitindo fazer a análise dinâmica de curto e longo prazos de variáveis, a obtenção
das elasticidade de curto e longo prazo de variáveis, a previsão de regressores, entre outros (Stock
& Watson, 2003). Nestes modelos, a variável dependente yt é explicada por ela mesma em períodos
anteriores yt-k e pelas variáveis independentes no momento actual x t e em períodos anteriores xt-k. O
modelo ARDL, de forma geral, é dado pela seguinte equação:

𝑦𝑡 = 𝛽0 + ∑𝑛𝑘=0 𝛽𝑘 𝑥𝑡−𝑘 + ∑𝑚
𝑘=1 𝛿𝑘 𝑦𝑡−𝑘 + 𝜀𝑡 1)

onde, t representa o período de tempo, k a ordem de desfasamento, 𝛽0 o termo de intercepção, 𝛽𝑘 e


𝛿𝑘 são os parâmetros dos regressores e 𝜀𝑡 representa o termo de erro.

17
A análise APC permite reduzir a complexidade dos dados ao transformar um conjunto de variáveis
correlacionadas num conjunto menor de variáveis independentes (scores), que podem ser utilizadas em
regressões (Marôco, 2021).
18
Ver no anexo I as tabelas dos testes de raiz unitária ADF.
19
Ver Stock & Watson (2003) para mais especificidades sobre o modelo ARDL, e Shrestha & Bhatta (2018) sobre
como escolher o modelo adequado para análises de séries temporais.

16
MODELO AUTO-REGRESSIVO DE DESFASAGENS DISTRIBUÍDAS (ARDL)

O preço do arroz, da farinha de milho e do tomate são uma função de diversas variáveis,
representadas nas equações (2), (3) e (4) a seguir:

𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟 = 𝑓(𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟, 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡𝑝𝑟, 𝑐𝑟𝑒𝑑𝑖𝑡𝑎𝑔𝑟, 𝑜𝑓𝑒𝑟𝑡𝑚𝑜𝑒𝑑𝑎, 𝑡𝑥𝑐𝑎𝑚𝑏𝑢𝑠𝑑, 𝑡𝑥𝑗𝑢𝑟𝑜𝑠, 𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑖𝑚𝑝,


𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑝𝑟, 𝑝𝑙𝑢𝑣𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧) (2)

𝑓𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟 = 𝑓(𝑓𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟, 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡𝑝𝑟, 𝑐𝑟𝑒𝑑𝑖𝑡𝑎𝑔𝑟, 𝑜𝑓𝑒𝑟𝑡𝑚𝑜𝑒𝑑𝑎, 𝑡𝑥𝑐𝑎𝑚𝑏𝑧𝑎𝑟, 𝑡𝑥𝑗𝑢𝑟𝑜𝑠, 𝑓𝑒𝑟𝑡𝑖𝑙𝑧𝑝𝑟,


𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑝𝑟, 𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑧𝑎𝑟𝑝𝑟, 𝑝𝑙𝑢𝑣𝑓𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜) (3)

𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟 = 𝑓(𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟, 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡𝑝𝑟, 𝑐𝑟𝑒𝑑𝑖𝑡𝑎𝑔𝑟, 𝑜𝑓𝑒𝑟𝑡𝑚𝑜𝑒𝑑𝑎, 𝑡𝑥𝑐𝑎𝑚𝑏𝑧𝑎𝑟, 𝑡𝑥𝑗𝑢𝑟𝑜𝑠, 𝑓𝑒𝑟𝑡𝑖𝑙𝑧𝑝𝑟,


𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑝𝑟𝑜𝑑𝑝𝑟, 𝑝𝑙𝑢𝑣𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒) (4)

A representação dos modelos dinâmicos ARDL é a seguinte:

𝑑𝑙𝑛𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡 = 𝛽0 + ∑𝑛𝑘=1 𝛽1𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑛1


𝑘=0 𝛽2𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 +
∑𝑛2 𝑛3 𝑛4
𝑘=0 𝛽3𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑐𝑟𝑒𝑑𝑖𝑡𝑎𝑔𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽4𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑜𝑓𝑒𝑟𝑡𝑚𝑜𝑒𝑑𝑎𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽5𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑥𝑐𝑎𝑚𝑏𝑢𝑠𝑑𝑡−𝑘 +
𝑛5 𝑛6 𝑛7
∑𝑘=0 𝛽6𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑥𝑗𝑢𝑟𝑜𝑠𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽7𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽8𝑘 𝑙𝑛𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑖𝑚𝑝𝑡−𝑘 +
∑𝑛9
𝑘=0 𝛽10𝑘 𝑙𝑛𝑝𝑙𝑢𝑣𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑡−𝑘 + 𝑑𝑢𝑚𝑚𝑦 + 𝜀𝑡 (5)

𝑑𝑙𝑛𝑓𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡 = 𝛽0 + ∑𝑛𝑘=1 𝛽1𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑓𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑛1 𝑘=0 𝛽2𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 +


∑𝑛2 𝛽
𝑘=0 3𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑐𝑟𝑒𝑑𝑖𝑡𝑎𝑔𝑟𝑡−𝑘 + ∑ 𝑛3
𝛽
𝑘=0 4𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑜𝑓𝑒𝑟𝑡𝑚𝑜𝑒𝑑𝑎 𝑡−𝑘 + ∑𝑛4
𝑘=0 𝛽5𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑥𝑐𝑎𝑚𝑏𝑧𝑎𝑟𝑡−𝑘 +
𝑛5 𝑛6 𝑛7
∑𝑘=0 𝛽6𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑥𝑗𝑢𝑟𝑜𝑠𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽7𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑓𝑒𝑟𝑡𝑖𝑙𝑧𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽8𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑝𝑟𝑡−𝑘 +
∑𝑛8 𝑛9
𝑘=0 𝛽9𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑧𝑎𝑟𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽10𝑘 𝑙𝑛𝑝𝑙𝑢𝑣𝑓𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑡−𝑘 + 𝑑𝑢𝑚𝑚𝑦 + 𝜀𝑡 (6)

𝑑𝑙𝑛𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡 = 𝛽0 + ∑𝑛𝑘=1 𝛽1𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑛1𝑘=0 𝛽2𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 +


∑𝑛2 𝛽
𝑘=0 3𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑐𝑟𝑒𝑑𝑖𝑡𝑎𝑔𝑟𝑡−𝑘 + ∑ 𝑛3
𝛽
𝑘=0 4𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑜𝑓𝑒𝑟𝑡𝑚𝑜𝑒𝑑𝑎 𝑡−𝑘 + ∑𝑛4
𝑘=0 𝛽5𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑥𝑐𝑎𝑚𝑏𝑧𝑎𝑟𝑡−𝑘 +
𝑛5 𝑛6 𝑛7
∑𝑘=0 𝛽6𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑥𝑗𝑢𝑟𝑜𝑠𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽7𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑓𝑒𝑟𝑡𝑖𝑙𝑧𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽8𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑝𝑟𝑜𝑑𝑝𝑟𝑡−𝑘 +
∑𝑛8
𝑘=0 𝛽9𝑘 𝑙𝑛𝑝𝑙𝑢𝑣𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑡−𝑘 + 𝑑𝑢𝑚𝑚𝑦+𝑑𝑢𝑚𝑚𝑦1 + 𝜀𝑡 (7)

onde 𝛽𝑛𝑘 representam os parâmetros de cada um dos regressores. O prefixo ln significa que a variável
foi logaritmizada e o prefixo d significa que a variável é derivada de ordem 1.

MODELO COM CORRECÇÃO DE ERROS (ECM)

Após a estimação dos modelos ARDL, aplicou-se o teste cointegração das variáveis (bound test20),
como forma de determinar se as variáveis possuem uma relação de longo prazo, tendo-se
determinado a existência de cointegração entre as variáveis nos modelos dos três produtos em
análise. A seguir estimaram-se os respectivos modelos com correcção de erros (ECM). O modelo ECM

20
Rejeita-se a H0: Não existe cointegração entre as variáveis, se o F-statistics estiver acima do limite superior
I(1); se o F-statistics estiver abaixo do limite inferior I(0), não se rejeita a H0; e se o valor do F-statistics estiver
entre os dois limites, I)0) e I(1), o teste é inconclusivo (Alimi, 2014). Ver no anexo II as tabelas com o resultado
do bound test.

17
permite analisar as relações de curto prazo entre as variáveis em cada modelo e verificar a velocidade
de ajustamento ao equilíbrio de longo prazo. A representação dos modelos ECM é a seguinte:

𝑑𝑙𝑛𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡 = 𝛽0 + ∑𝑛𝑘=1 𝛽1𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑛1


𝑘=0 𝛽2𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑜𝑓𝑒𝑟𝑡𝑚𝑜𝑒𝑑𝑎𝑡−𝑘 +
∑𝑛2 𝛽
𝑘=0 3𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑥𝑐𝑎𝑚𝑏𝑢𝑠𝑑 𝑡−𝑘 + ∑ 𝑛3
𝛽
𝑘=0 4𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑥𝑗𝑢𝑟𝑜𝑠𝑡−𝑘 + ∑𝑛4
𝑘=0 𝛽5𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑝𝑟𝑡−𝑘 +
𝑛5 𝑛6
∑𝑘=0 𝛽6𝑘 𝑙𝑛𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑖𝑚𝑝𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽7𝑘 𝑙𝑛𝑝𝑙𝑢𝑣𝑎𝑟𝑟𝑜𝑧𝑡−𝑘 + 𝑑𝑢𝑚𝑚𝑦 + λ𝐸𝐶𝑇𝑡−1 + 𝜀𝑡 (8)

𝑑𝑙𝑛𝑓𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡 = 𝛽0 + ∑𝑛𝑘=1 𝛽1𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑓𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑛1𝑘=0 𝛽2𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 +


∑𝑛2 𝛽
𝑘=0 3𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑐𝑟𝑒𝑑𝑖𝑡𝑎𝑔𝑟𝑡−𝑘 + ∑ 𝑛3
𝛽
𝑘=0 4𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑥𝑗𝑢𝑟𝑜𝑠𝑡−𝑘 + ∑ 𝑛4
𝑘=0 𝛽5𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑓𝑒𝑟𝑡𝑖𝑙𝑧𝑝𝑟𝑡−𝑘 +
∑𝑘=0 𝛽6𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑘=0 𝛽7𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑧𝑎𝑟𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑛7
𝑛5 𝑛6
𝑘=0 𝛽8𝑘 𝑙𝑛𝑝𝑙𝑢𝑣𝑓𝑚𝑖𝑙ℎ𝑜𝑡−𝑘 + 𝑑𝑢𝑚𝑚𝑦 +
λ𝐸𝐶𝑇𝑡−1 + 𝜀𝑡 (9)

𝑑𝑙𝑛𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡 = 𝛽0 + ∑𝑛𝑘=1 𝛽1𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑟𝑒𝑡𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑𝑛1


𝑘=0 𝛽2𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑐𝑟𝑒𝑑𝑖𝑡𝑎𝑔𝑟𝑡−𝑘 +
∑𝑛2 𝛽
𝑘=0 3𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑓𝑒𝑟𝑡𝑖𝑙𝑧𝑝𝑟𝑡−𝑘 + ∑ 𝑛3
𝛽
𝑘=0 4𝑘 𝑑𝑙𝑛𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑝𝑟𝑜𝑑𝑝𝑟 𝑡−𝑘 + ∑𝑛4
𝑘=0 𝛽5𝑘 𝑙𝑛𝑝𝑙𝑢𝑣𝑡𝑜𝑚𝑎𝑡𝑒𝑡−𝑘 + 𝑑𝑢𝑚𝑚𝑦 +
𝑑𝑢𝑚𝑚𝑦1+λ𝐸𝐶𝑇𝑡−1 + 𝜀𝑡 (10)

onde ECT é o termo de correcção de erro e λ é o coeficiente do parâmetro do termo de ajustamento,


que geralmente apresenta um valor negativo.

ANÁLISE DE QUEBRA ESTRUTURAL

A quebra estrutural é uma alteração brusca numa série temporal ou numa relação entre séries
temporais, podendo esta mudança estar relacionada com a média ou com os parâmetros da
regressão (Hyndman, 2014). Foram feitos testes de quebra estrutural nos modelos estimados, através
análise do gráfico da soma dos quadrados cumulativos (CUSUMQ) para identificar possíveis pontos
de quebra e o Chow-test21 para confirmar a existência e as datas das quebras estruturais. Nos modelos
onde foram identificadas quebras estruturais, foram incluídas variáveis binárias para a sua
representação no modelo.

Sinais Esperados na Relação entre as Variáveis Dependentes e Independentes

Espera-se que todas as variáveis definidas sejam significativas, portanto, factores determinantes dos
preços do arroz, farinha de milho branco e tomate no retalho, com o sinal, como apresentado na
Tabela I, a seguir:

21
Ver os resultados dos testes chow breakpoint no anexo III.

18
Tabela I.
Sinais esperados na relação entre as variáveis dependentes e independentes
Variável Código Sinal esperado Justificação Artigos
Aumentos do crédito agrícola, aumentam a capacidade dos
produtores de aceder a insumos e tecnologias melhoradas,
Mendoza (2000)
Crédito agrícola creditagr - aumentando a sua produtividade, produção e oferta no
Carta da Agricultura (2004)
mercado, levando à redução do preço dos alimentos

Aumento da importação do arroz aumenta a oferta do


Importação do arroz arrozimp - produto no mercado, o que leva à redução do seu preço Nhate et al. (2015)
no mercado doméstico
Aumento da moeda em circulação, aumenta a demanda de Ahsan et al., (2011)
Oferta de moeda ofertmoeda + bens alimentares e leva ao aumento do seu preço Chongo (2017)
O aumento do preço de fertilizantes eleva o custo de
Preço de fertilizantes no
fertilzpr + produção, que são repassados ao consumidor, levando ao Calima et al. (2014)
mercado internacional
aumento do preço do produto
O aumento do preço do arroz no mercado internacional é
Preço do arroz no mercado
arrozinterpr + transmitido para o preço praticado no mercado doméstico Nhate et al. (2015)
internacional

Preço do grão de milho no Aumentos do preço do grão de milho no mercado externo


milhointerpr e são transmitidos para o preço praticado no mercado Chambo (2013)
mercado internacional e sul +
milhozarpr doméstico Chongo (2017)
africano
O aumento do preço do bem no mercado externo é
Preço do tomate ao produtor no Calima et al. (2014)
tomatezarpr + transmitido para o mercado doméstico, elevando o seu
mercado sul-africano Chongo (2017)
preço
Aumento do preço do combustível, eleva o preço do
Diab & Karaki (2023)
Preço médio dos combustíveis combustpr + transporte e, portanto, influencia para o aumento do preço
Kornher & Kalkhul (2013)
dos alimentos
O aumento da taxa de câmbio (desvalorização), torna os
produtos importados (final ou matéria-prima) mais caros, o Chongo (2017) Delgado &
Taxas de câmbio MZN/ZAR e txcambzar e
+ que eleva o custo de produção e a posterior, o preço do Conceição (2005)
MZN/USD txcambusd
produto no mercado doméstico Mendoza (2000)

O aumento da taxa de juro contribui para o incremento


dos custos de produção e limita o acesso a insumos
Taxas de juro txjuros + Mendoza (2000)
melhorados, o que leva à redução da oferta no mercado e
aumento do preço dos bens
O aumento da precipitação influencia para o aumento da MADER (2017, 2018, 2019,
pluvarroz22 - produção, oferta e redução do preço do arroz 2020, 2021)
O aumento da precipitação, influencia para a perda de
Pluviosidade MADER (2017, 2018, 2019,
pluvfmilho23 + produção, redução da oferta e aumento do preço do milho,
2020, 2021)
que depois é transmitido ao preço da farinha de milho
O aumento da precipitação, influencia para o aumento da MADER (2017, 2018, 2019,
pluvtomate24 -
produção, oferta e redução do preço do tomate 2020, 2021)

22
Esta variável é explicada maioritariamente pela variância da pluviosidade nas províncias de Maputo e Gaza,
portanto assume-se que aumento daa precipitação é desejável para um melhor crescimento das plantas na
região sul do país, pois esta região caracteriza-se por baixo nível de precipitação, comparativamente às zonas
centro e norte. Assume-se um aumento de precipitação à níveis suficientes para o desenvolvimento da cultura.
23
Considerando que a zona centro é grande produtora do milho, neste indicador, esta zona foi tomada como
referência. O nível de precipitação nesta região, no período analisado, foi, em muitos meses, normal ou acima
do normal, e, por isso, o sinal reflecte a premissa de que aumentos das chuvas prejudicam o crescimento das
plantas. Assume-se um aumento de precipitação à níveis suficientes para o desenvolvimento da cultura.
24
Assume-se que o aumento da precipitação é desejável para um melhor crescimento das plantas na região sul
do país, pois esta região geralmente regista baixos níveis de precipitação, comparativamente às zonas centro e
norte. Assume-se um aumento de precipitação à níveis suficientes para o desenvolvimento da cultura.

19
O processamento de dados e a estimação dos modelos foram feitos com recurso aos softwares
EViews 10 e Microsoft Excel.

Limitações da Pesquisa
A principal limitação desta pesquisa é a indisponibilidade de dados em série temporal e desagregados
numa base mensal, o que não permitiu a inclusão de variáveis que poderiam ser pertinentes na
explicação do preço dos três bens alimentares e poderiam, potencialmente, melhorar o poder
explicativo dos modelos estimados, como, por exemplo, o volume de produção, os custos de
produção, de transporte, o consumo, o crescimento populacional, o rendimento, entre outras
variáveis.

4. ESTRUTURAS DE MERCADO DO ARROZ, FARINHA DE MILHO E TOMATE NA CIDADE


DE MAPUTO

Figura 1.
Estrutura de mercado do arroz na cidade de Maputo

Fonte: A autora com base em Ndava (2019) e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura
(2014).

A cidade de Maputo não produz arroz, no entanto este bem é amplamente consumido, constituindo
a base da alimentação de maior parte dos AFs na cidade. A quase totalidade do arroz consumido na
cidade é importando, principalmente da Índia, Paquistão, Tailândia e Vietname (81,6% da importação
de arroz em 2022 em Moçambique) (Tridge, sem data-c). Existe também importação de arroz da África
do Sul, embora represente uma pequena proporção das importações de arroz em 2022 (0,56%)
(Tridge, sem data-b). A proporção de consumo de arroz de produção nacional é baixa. Estima-se que
cerca 10% da produção orizícola nacional é comercializada (Hamela & Pimpão, 2021), existindo
poucas marcas nacionais disponíveis no mercado da cidade de Maputo, sendo algumas delas: Arroz
Namacurra (Zambézia), Arroz da Zambézia (Zambézia), Arroz Bom Gosto Wanbao (Gaza), Arroz Tia
Olinda (Gaza) e Arroz Natural Matutuíne Mozambique (Província de Maputo).25

25
Estas são algumas das marcas de arroz actualmente disponíveis nos mercados da cidade de Maputo (por
ordem alfabética): Arima, Arome, Arroz da Zambézia, Ashoka, Boas Festas, Bom Gosto Wanbao, Diora, Don Pato,
Dona Ana, Dourado, Europa, Excella, Falak, Feliz Família, Fortune, Golden Rhino, Himalayan Queen, Jazaa, Kunzite,
Lagoa, Lazzat, Lotus Rice, Luxe Rice, Maarij, Mama Africana, Mariana, Mehran, Meru, Minha Vida, Moti Dana,

20
Em relação ao arroz importado, as distribuidoras compram o arroz ao importador e vendem-no aos
armazéns grossistas e supermercados, que, por sua vez, vendem aos retalhistas (mini-supermercados,
mercearias e contentores) ou vendem directamente aos consumidores (Ndava, 2019). Relativamente
ao arroz produzido domesticamente, os produtores vendem o produto directamente às fábricas de
descasque e/ou aos agentes intermediários que, por sua vez, fornecem às empresas de
empacotamento que, por sua vez, vendem aos grossistas e supermercados, que, e estes, aos
retalhistas, onde o consumidor tem acesso ao produto. O arroz é comercializado em embalagens de
1kg, 5kg, 10kg, 20kg, 25kg e 50kg.

Observa-se na cidade de Maputo, uma estrutura de mercado do tipo oligopsónica a nível dos
distribuidores, e monopolística na comercialização do arroz até ao retalho, existindo milhares de
comerciantes, milhões de consumidores e diferenciação do produto em diferentes tipos e qualidade
de arroz.

Figura 2.
Estrutura de mercado da farinha de milho na cidade de Maputo

Fonte: A autora com base em Chambo (2013), Dias (2013) e Hamela & Pimpão (2021).

As principais moageiras abastecedoras de farinha de milho à cidade de Maputo localizam-se na


província de Maputo, sendo estas: a Companhia Industrial da Matola (CIM), a Merec Industries
(Merec), Pembe Mozambique, Riz Indústria LDA, Tecnomill LDA, entre outras moageiras. 26

Estas moageiras compram a sua matéria-prima no mercado nacional e importam, principalmente, da


África do Sul: em 2022, cerca de 99,71% das importações de milho provieram deste país (Tridge, sem
data-b).27 Estima-se que em Moçambique, cerca de 90% da matéria-prima das moageiras nacionais

Mozambique Good Trade, Namacurra, Moi, Oki, Rainha, Rani, Royal Aroma, Saheb, Sania, Shahi, Sunblest, Sun
Rice, Super Nice, Tia Olinda, Tio António, Top, Veetee, Viking, Vitória, Xirico, entre outras marcas.

26
Estas e outras fábricas fornecem as seguintes marcas de farinha de milho actualmente na cidade de Maputo
(por ordem alfabética): Amandla, Bomilho, Celeste, Deca, Europa, First Choice, Impala, Minha Vida, Mozambique
Good Trade, Mpupu, Snow White, Super Mariana, Super White, Neymat, Pembe, Tic Tac, Top Score, White Star,
Ximoz, entre outras marcas.
27
Para além da África do Sul, em 2022 Moçambique importou grão de milho também da Sérvia (0,16%), do
Japão (0,03%), da Finlândia (0,03%), de Portugal (0,03%), do Afeganistão (0,03%) e da França (0,01%) (Tridge,
sem data-b). De referir que nem toda a importação para Moçambique é captada pelas alfândegas do país e,
portanto, os valores da importação do grão de milho podem ser maiores (Hamela & Pimpão, 2021).

21
provém da produção nacional familiar (Hamela & Pimpão, 2021). A necessidade de compra do grão
do milho da região centro e norte deve-se, principalmente, à elevada produção nestas zonas dadas
as condições agroecológicas propícias para a sua produção nessas regiões 28 e, a importação do grão
de milho deve-se, essencialmente, à melhor qualidade (grãos limpos, uniformes em variedade,
tamanho e grau de humidade do grão) e à facilidade de compra de grandes quantidades do produto
em pouco tempo (Dias, 2013; Hamela & Pimpão, 2021). Após a sua produção, a farinha de milho é
colocada em embalagens dos seguintes tamanhos: 1kg, 5kg, 10kg, 12,5kg, 25kg e 50kg, e é vendida
aos distribuidores/armazenistas, como a Delta Trading, Sasseka, Africom e outras que, por sua vez,
vendem aos retalhistas (Chambo, 2013).

Na cidade de Maputo comercializa-se e consome-se mais a farinha de milho branco embalada, que
o grão do milho, principalmente nos mercados periféricos, que é processado de forma tradicional nas
moageiras de martelo. Este milho vendido em grão é de produção nacional.

Observa-se ainda na cidade de Maputo, a comercialização da farinha de milho produzida noutras


regiões do país, como a da marca DECA produzida em Manica, e importada, como a da marca Snow
White produzida na África do Sul. Em 2022, 99,68% das importações de farinha de milho para
Moçambique provinham da África do Sul (Tridge, sem data-b).

A estrutura de mercado de produção da farinha de milho é do tipo oligopolista, existindo um limitado


número de empresas produtoras deste bem, com pouca ou nenhuma diferença entre o produto.
Existem ainda milhares de retalhistas e milhões de consumidores, sendo esta estrutura de mercado
do tipo concorrência perfeita.

Figura 3.
Estrutura de mercado do tomate na cidade de Maputo

Fonte: A autora com base em Calima et al., (2014) e MIC (2018).

O tomate consumido na cidade de Maputo provém de duas fontes principais: importação da África
do Sul e produção nacional, principalmente nos distritos de Boane, Matutuíne, Moamba e Namaacha
(província de Maputo) e Chokwé (Gaza) (MIC, 2018).

28
Em 2020, os pequenos e médios produtores das províncias da região norte (Niassa, Cabo Delgado e Nampula)
e centro (Zambézia, Tete, Manica e Sofala) produziram 24,5% e 69,5% do grão de milho produzido em
Moçambique, respectivamente (MADER, 2021b).

22
A importação do tomate, é feita pelos importadores e pelos mukheristas29 (comerciantes informais)
e abastece os mercados grossistas, retalhistas e supermercados (Calima et al., 2014).

A produção do tomate é feita principalmente por produtores de pequena escala, que utilizam
insumos melhorados (sementes, fertilizantes e pesticidas), mecanização, irrigação e mão-de-obra
contratada (Calima et al., 2014).

Após a produção, o tomate colhido é limpo, colocado em caixas de 20kg e transportado para os
supermercados, mercado da Malanga e mercado grossista de Zimpeto, que abastece os outros
mercados da cidade e arredores. De salientar que, este processo de transporte para os mercados e
no mercado grossista, não existem sistemas de armazenamento a frio, o que, em conjunto com o seu
carácter sazonal devido à incapacidade dos agricultores de produzir tomate durante o ano todo, são
as principais razões da necessidade de importação do tomate (Calima et al., 2014; MIC, 2018). A nível
do retalho, o tomate é comercializado ao peso e em molhe.30

Na cadeia de tomate na cidade de Maputo, observa-se uma estrutura de mercado do tipo de


concorrência perfeita, onde os milhares de comerciantes e milhões de consumidores são tomadores
de preço.

5. ANÁLISE GRÁFICA DAS VARIÁVEIS

Preço do Arroz, Farinha de Milho, Grão de Milho e Tomate no Mercado Nacional e Internacional

Gráfico 1. Preço do arroz no retalho na cidade de Gráfico 2. Preço da farinha de milho branco no
Maputo e no mercado internacional retalho na cidade de Maputo
70 532.62 600 70
57.70
60 500 60
389.99 394.15
50 57.30
400 50 45.00
USD/ton
MZN/kg

48.6
MZN/kg

40 40
300
30 36.78 30 35.93
20 200
20
10 100
10
0 0
0
Mai/17

Jan/18
Mai/18

Jan/19
Mai/19

Jan/20
Mai/20

Jan/21
Mai/21
Set/17

Set/18

Set/19

Set/20

Set/21

Mai/18

Set/21
Mai/17
Set/17
Jan/18

Set/18
Jan/19
Mai/19
Set/19
Jan/20
Mai/20
Set/20
Jan/21
Mai/21

Preço do arroz no retalho


Preço do arroz no mercado internacional

Nota: Escala à direita para o preço do arroz no mercado


internacional. Fonte: OMR (2023).
Fonte: BM (2023) e OMR (2023).

29
Os mukheristas são importadores de produtos da África do Sul informais, geralmente do sexo feminino.
30
Molhe é uma unidade de medida, correspondendo a um conjunto de unidades do produto, cuja quantidade
e peso é variável entre os mercados e ao longo do ano, de acordo com a oferta e procura do mercado.

23
No gráfico 1, verifica-se que o preço do arroz no retalho na cidade de Maputo e no mercado
internacional oscilaram de forma similar e seguindo uma tendência crescente, sugerindo que o preço
deste bem no primeiro é influenciado por variações de preço no mercado internacional. Nota-se uma
maior inclinação no crescimento do preço do arroz em 2020, período da pandemia da COVID-19,
tendo atingido os valores mais elevados em Fevereiro de 2021: 57,30MZN/kg no retalho e
532,62USD/ton31 no mercado internacional.

O preço da farinha de milho na cidade de Maputo, reflectido no gráfico 2, oscilou ao longo da série,
tendo decrescido entre Maio de 2017 (57,70MZN/kg) e Janeiro de 2018 (35,93MZN/kg), passando a
assumir uma ligeira tendência crescente a partir do mês subsequente.

Gráfico 3. Preço do grão do milho amarelo no Gráfico 4. Preço do tomate no retalho e no


mercado internacional e do milho branco no produtor na África do Sul
mercado de futuros sul-africano

400 3.66 4 80 20
3.36 72.50
305.31
Milhares de ZAR/ton

Milhares de ZAR/ton
300 2.60 3 15.44
60 15
USD/ton

11.86
239.65
Molhe

200 2
40 10
158.59 6.72
100 1
20 5
0 0 15.90 17.00
Mai/17

Jan/18
Mai/18

Jan/19
Mai/19

Jan/20
Mai/20

Jan/21
Mai/21
Set/17

Set/18

Set/19

Set/20

Set/21

0 0
Mai/17

Jan/18
Mai/18

Jan/19
Mai/19

Jan/20
Mai/20

Jan/21
Mai/21
Set/17

Set/18

Set/19

Set/20

Set/21
Preço do grão do milho no mercado internacional
Preço do grão de milho branco no mercado de futuros Preço do tomate no retalho
África do Sul Preço do tomate no produtor na Áfica do Sul

Nota: Escala à direita para o preço do grão Nota: Escala à direita para o preço do tomate
do milho no mercado de futuros sul-africano. ao produtor no mercado sul africano.
Fonte: BM (2023) e BARCHART (2023). Fonte: FAOSTAT (2023) e OMR (2023).

No gráfico 3, observa-se que o preço do grão do milho no mercado internacional e no mercado de


futuros sul africano foi tendencialmente crescente no período analisado. No mercado internacional,
verifica-se um aumento do preço do grão acentuado a partir de Setembro de 2020 até Maio de 2021,
como resultado de restrições à exportação deste bem, aumento da demanda pela China e
expectativas de aumento da demanda mundial no período de recuperação pós-pandemia COVID-19
(Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, 2021).

No gráfico 4 observa-se que o preço do tomate no produtor na África do Sul oscilou e apresentou
uma tendência crescente ao longo dos meses em análise. Observou-se um rápido crescimento de
Janeiro de 2021 a Abril de 2021, quando atingiu o pico da série (15.438,70ZAR/ton32). O aumento do

31
Correspondente a 39.845,30MZN/ton, ao câmbio de Fevereiro de 2021 (74,81USD/MZN).
32
Correspondente a 889.114,73MZN/ton, ao câmbio de Abril de 2021 (57,59USD/MZN).

24
preço do tomate na África de Sul neste período deve-se à oferta reduzida resultante das fortes chuvas
que afectaram a região (Nkujana & Dempers, 2021). Nos mercados da cidade de Maputo, no retalho,
o preço oscilou também ao longo da série, tendo sido tendencialmente crescente até Fevereiro de
2020, atingindo os 72,50MZN/molhe, passando a decrescer no período seguinte.

Importação de Arroz em Moçambique

Gráfico 5. Valor da importação de arroz em


Moçambique, preços correntes
70 61.2
60
Milhões dde USD

50
40
30
17.5
20
10
0

Set/19

Mai/20
Mai/17
Set/17

Mai/18
Set/18

Mai/19

Set/20

Set/21
Jan/18

Jan/19

Jan/20

Jan/21
Mai/21
Fonte: BdeM (2023a).

As importações de arroz, expressas no gráfico 5, oscilaram e foram tendencialmente crescentes neste


período, passando de 17,51milhões de USD33 em Maio de 2017 para 61,16 milhões de USD34 em
Dezembro de 2021. Este aumento denota um aumento em preço e quantidade importada do arroz.

33
Correspondente a 1.080,25MZN, ao câmbio de Maio de 2017 (61,68USD/MZN).
34
Correspondente a 3.903,64MZN, ao câmbio de Dezembro de 2021 (63,83USD/MZN).

25
Política Cambial e Monetária

Gráfico 7. Crédito à agricultura, preços correntes e


Gráfico 6. Taxa de câmbio MZN/USD e MZN/ZAR
taxa de juros

80 6 7 5.92 35
63.83

Mil milhões de MZN


70 60.06 5 6 30
60

Percentagem
5 27.63 25
MZN/USD

MZN/ZAR
50
4.62 4 4.01
4.02 4 20
40 3 20.32
30 3 15
2
20 2 10
10 1 1 5
0 0 0 0

Mai/17
Set/17
Jan/18
Mai/18
Set/18
Jan/19
Mai/19
Set/19
Jan/20
Mai/20
Set/20
Jan/21
Mai/21
Set/21
Mai/19
Mai/17
Set/17

Mai/18
Set/18

Set/19

Mai/20
Set/20

Mai/21
Set/21
Jan/18

Jan/19

Jan/20

Jan/21

MZN/USD MZN/ZAR Crédito agrícola Taxa de juros

Fonte: BdeM (2023b). Nota: Escala à direita para taxa de juros.


Fonte: BdeM (2023c, 2023d).

No gráfico 6 verifica-se uma tendência de desvalorização do metical em relação ao dólar americano


e uma valorização em relação ao rand sul africano. Em 2020 observou-se uma desvalorização do
metical em relação ao dólar americano (Janeiro) e ao rand sul-africano (Maio) até ao mês Janeiro de
2021. Em média, a taxa de câmbio foi de 63,94MZN/USD e 4,42MZN/ZAR.

No gráfico 7, observa-se uma redução das taxas de juros, tendo passado de 27,63% para 20,32%
comparando o primeiro e último meses em análise. O volume de crédito concedido ao sector agrícola
foi também tendencialmente decrescente, tendo-se observado um aumento entre os meses de
Outubro de 2018 e Abril de 2019 em cerca de 37,43%.

Gráfico 8. Oferta de moeda


600
493.30
500
Mil milhões de MZN

400

300 365.18

200

100

0
Ago/17
Nov/17

Ago/18
Nov/18

Ago/19
Nov/19
Fev/20

Ago/20
Nov/20

Ago/21
Nov/21
Fev/18

Fev/19

Fev/21
Mai/17

Mai/18

Mai/19

Mai/20

Mai/21

Fonte: BdeM (2023e).

26
A oferta de moeda, apresentada no gráfico 8 acima, cresceu nos meses analisados, existindo, em
Dezembro de 2021, 493,30 mil milhões de MZN em dinheiro e quase dinheiro35 em circulação na
economia moçambicana. Esta variável, juntamente com a redução da taxa de juros, denota uma
política monetária expansiva neste período.

Preço de Médio de Fertilizantes no Mercado Internacional e de Combustíveis em Moçambique

Gráfico 9. Preço médio de fertilizantes no mercado Gráfico 10. Preço médio de combustível
internacional (gasolina e gasóleo) na cidade de Maputo

900 80
800 782.29
70 65.38
700 60
600

MZN/litro
50 52.68
USD/mt

500
40
400
30
300
200 245.70
20
100 10
0 -

Mai/17
Set/17
Jan/18
Mai/18
Set/18
Jan/19
Mai/19
Set/19
Jan/20
Mai/20
Set/20
Jan/21
Mai/21
Set/21
Mai/17

Mai/18

Mai/19

Mai/21
Jan/18

Jan/19

Jan/20
Mai/20

Jan/21
Set/17

Set/18

Set/19

Set/20

Set/21

Fonte: BM (2023). Fonte: ARENE (vários meses).


Nota: Média do preço de cloreto de potássio, fosfato
dissódico, fosfato trisódico (TSP), fosfato diamónico
(DAP), rocha fosfática e ureia.

O gráfico 9 apresenta os preços mensais dos fertilizantes no mercado internacional. Observa-se uma
tendência crescente, registando-se um aumento acentuado iniciado no segundo trimestre de 2020,
resultado de diversos factores, tais como a pandemia da COVID-19, a guerra entre a Rússia e a
Ucrânia, reduzida oferta de fertilizantes no mercado, suspensão de exportações de fertilizantes pela
China, aumento do preço de matérias-primas, entre outros factores (Baffes & Koh, 2022).

O preço médio do combustível, apresentado no gráfico 10, foi tendencialmente crescente, passando
de 52,68MZN/litro em Maio de 2017 para 65,38MZN/litro em Dezembro de 2021. O preço médio da
gasolina e do gasóleo, neste período, variou entre 50MZN/litro e 60MZN/litro.

35
São exemplos de quase dinheiro: depósitos a prazo (depósitos em conta poupança, depósitos a prazo e
certificados de depósito), títulos negociáveis e letras de tesouro em poder público e moedas estrangeiras.

27
Pluviosidade nas Províncias de Zambézia, Tete, Manica, Sofala, Gaza e de Maputo

Gráfico 11. Pluviosidade média nas províncias


1000

0
Ago/17
Nov/17

Ago/18
Nov/18

Ago/19
Nov/19

Ago/20
Nov/20

Ago/21
Nov/21
Fev/18

Fev/19

Fev/20

Fev/21
Mai/17

Mai/18

Mai/19

Mai/20

Mai/21
Pluv. em Gaza Pluv. na Província de Maputo
Pluv. em Sofala Pluv. em Manica
Pluv. em Tete Pluv. na Zambézia

Nota: Os dados de pluviosidade da província de Zambézia nos


anos 2020 e 2021, referem-se à pluviosidade na cidade de
Quelimane.
Fonte: INE (2020, 2021, 2022).

A pluviosidade média mensal por cada província analisada apresentada no gráfico acima, oscilou,
como esperado, ao longo da série, tendo se verificado uma tendência crescente de precipitação a
partir de Agosto/Setembro até atingir o pico nos meses de Janeiro/Fevereiro, e decréscimo nos meses
subsequentes, com algumas excepções. As províncias de Sofala e Zambézia registaram, em média,
maior pluviosidade média que as outras províncias.

28
6. RESULTADOS EMPÍRICOS

Estatística Descritiva e Análise de Correlação

Tabela II.
Estatística descritiva
Desvio Soma
Média Mediana Máximo Mínimo Assimetria Curtose Jarque-Bera Probabilidade Soma Observações
Padrão Desv. Pad
ARROZIMP 1154.593 1039.818 3238.304 262.4701 520.7489 1.311766 6.066154 37.99650 0.000000 64657.19 14914870 56
ARROZINTERPR 424.7336 401.4925 532.6200 381.2175 43.17041 1.006299 2.631070 9.768881 0.007563 23785.08 102502.6 56
ARROZRETPR 44.28007 43.58000 57.30000 35.28000 5.535799 0.546636 2.443490 3.511541 0.172774 2479.684 1685.479 56
COMBUSTPR 62.33884 62.63750 67.14500 52.68000 3.823576 -0.639882 2.681356 4.058433 0.131438 3490.975 804.0852 56
CREDITAGR 5172.896 5233.622 6330.026 3764.098 699.0277 -0.341620 2.032931 3.271422 0.194814 289682.2 26875181 56
FERTILZPR 332.6910 286.7313 782.2925 232.5250 130.5854 2.167809 6.916905 79.65938 0.000000 18630.69 937889.5 56
FMILHORETPR 43.32265 42.32000 57.70000 35.92800 4.690698 0.612531 3.311808 3.728664 0.155000 2426.068 1210.146 56
MILHOINTERPR 184.4658 166.5385 305.3107 143.9058 42.52447 1.362867 3.602148 18.18181 0.000113 10330.08 99458.5 56
MILHOZARPR 2713.079 2805.500 3662.500 1833.600 504.9097 -0.256605 1.997080 2.961545 0.227462 151932.4 14021358 56
OFERTMOEDA 431496.4 424548.9 519464.4 346778.7 48798.61 0.223383 1.618216 4.920827 0.085400 24163799 1.31E+11 56
PLUVGAZA 75.11964 43.55000 366.6000 1.400000 85.46529 2.001788 6.470941 65.51078 0.000000 4206.700 401737.3 56
PLUVMANICA 89.80714 39.65000 499.4000 0.000000 120.8031 1.746614 5.219114 39.96326 0.000000 5029.200 802636.1 56
PLUVMAPUTO 58.96071 40.50000 279.2000 0.000000 64.42127 1.396229 4.454724 23.13268 0.000009 3301.800 228255.5 56
PLUVSOFALA 132.0036 52.30000 611.9000 1.300000 169.1654 1.634315 4.551316 30.54456 0.000000 7392.200 1573932 56
PLUVTETE 54.96607 6.750000 356.2000 0.000000 90.64509 1.902758 5.958998 54.22112 0.000000 3078.100 451909.3 56
PLUVZAMBEZIA 100.3513 41.95000 536.6000 0.400000 120.6455 1.726048 5.935252 47.90956 0.000000 5619.670 800543.1 56
TOMATEPRODPR 7294.313 6837.450 154438.7 4414.000 2164.607 1.747779 6.717578 60.75841 0.000000 408481.5 2.5E+08 56
TOMATERETPR 30.66362 27.89000 72.50000 12.81000 12.95976 1.122399 3.892647 13.61719 0.001104 1717.163 9237.539 56
TXCAMBUSD 63.98607 62.18000 75.25000 57.59000 4.625396 1.165715 3.299670 12.89252 0.001586 3583.220 1176.686 56
TXCAMBZAR 4.420357 4.375000 5.260000 3.740000 0.345722 0.516996 2.983498 2.495296 0.287179 247.5400 6.573793 56
TXJUROS 0.223043 0.210016 0.287473 0.187138 0.031877 0.905866 2.350163 8.644208 0.013272 12.49043 0.055888 56

Fonte: A autora.

Analisando os preços máximo e mínimo, nota-se que as variáveis que registaram importantes variações ao longo dos anos (nos gráficos da secção
anterior) e apresentaram uma diferença de mais de 50% entre estes valores, sendo: importação do arroz (arrozimp), preço do fertilizante (fertilzpr),
preço do milho no mercado internacional (milhointerpr) e no mercado sul-africano (milhozarpr), preço do tomate ao produtor sul-africano
(tomateprodpr) e no retalho (tomateretpr) e pluviosidade nas províncias de Gaza (pluvgaza), Manica (pluvmanica), Maputo (pluvmaputo), Sofala
(pluvsofala), Tete (pluvtete) e Zambézia (pluvzambezia). Estas variáveis, à excepção do preço do milho no mercado sul-africano (milhozarpr), preço
da farinha de milho no retalho (fmilhoretpr) e da taxa de câmbio MZN/USD (txcambiousd), apresentaram maior parte dos valores da amostra acima
do seu valor médio, uma vez que são lepticúrticas (valores da curtose superior a 3).

29
As variáveis em análise apresentaram uma distribuição não-normal, excepto o preço do arroz no retalho (arrozretpr), o crédito agrícola (creditagr),
o preço do combustível (combustpr), a oferta de moeda (ofertmoeda), preço do grão de milho no mercado sul-africano (milhozarpr) e a taxa de
câmbio MZN/ZAR (txcambiozar), verificando-se, pelo teste de Jarque-Bera, considerando um nível de significância de 5%, um p-value abaixo de 5%
e um valor de skewness acima de zero.

Tabela III.
Análise de correlação

Fonte: A autora.

30
Observando-se a tabela acima, verifica-se que o preço do arroz no mercado retalhista tem uma correlação forte e positiva com o preço do arroz no
mercado internacional (0,7998) sugerindo que esta é uma importante variável na explicação do preço do arroz no retalho na cidade de Maputo.
Verifica-se uma correlação forte e positiva entre a oferta de moeda e o preço do arroz no retalho (0,7622) e do grão de milho no mercado de futuros
sul-africano (0,8125), sugerindo que a política monetária nacional responde positivamente a aumentos do preço destes bens alimentares no mercado
nacional e sul-africano. O preço de fertilizantes no mercado internacional está positiva e fortemente correlacionado com o preço do grão de milho
no mercado internacional (0,7900), visto que a produção deste bem para o mercado internacional é feita com a utilização deste insumo. O crédito
agrícola apresenta uma correlação forte e negativa com os preços de fertilizantes (-0,7115) e do grão de milho (-0,7283) no mercado internacional.
Observa-se ainda uma correlação forte e negativa entre a taxa de juro e o preço do grão de milho no mercado sul-africano (-0,7985) e a oferta de
moeda (-0,7776), insinuando este último que reduções de taxas de juro levam ao aumento do dinheiro em circulação. A oferta monetária apresentou
também uma relação positiva e forte com a taxa de câmbio MZN/USD (0,7100), sugerindo que aumentos na oferta de moeda levam à desvalorização
do metical face ao dólar americano. A taxa de câmbio MZN/USD está positiva e fortemente correlacionada com o preço do arroz no mercado
internacional (0,7249), sugerindo que aumentos do preço deste bem no mercado externo) podem afectar o nível de divisas que o país possui e
contribuir para a desvalorização do metical face ao dólar americano. Quanto à pluviosidade, verificou-se uma correlação forte e positiva entre a
pluviosidade na província de Manica e nas províncias da Zambézia (0,7325), Sofala (0,7154) e Maputo (0,7331), e entre a província de Sofala e
Zambézia (0,7358).

31
Modelos Econométricos e Análise de Resultados

Arroz

Tabela IV.
Modelo ECM – Arroz

Fonte: A autora.

O modelo de curto prazo utilizado para a explicação do preço do arroz no retalho na cidade de Maputo
mostra-sesignificativo, com p-value do F-statistics abaixo de 5% (0,0000), e as variáveis seleccionadas
explicam cerca de 92,2% da variância da variável dependente. A um nível de significância de 5%, os resultados
indicam que todas as variáveis definidas são factores determinantes do preço do arroz na cidade de Maputo,
excepto o preço do combustível.

Mantendo todas as variáveis constantes, o preço do arroz no retalho decresce no tempo (sinal negativo da
constante). O preço desfasado (no mês anterior) do arroz no retalho (dlnarrozretpr), ceteris paribus,
incrementa o preço deste bem no curto prazo, significando que os comerciantes se baseiam nas tendências
anteriores do preço para a sua definição num dado momento.

32
O aumento do preço do arroz no mercado internacional (dlnarrozinterpr) gera aumento do preço do arroz
no retalho, mantendo as restantes variáveis constantes. Este resultado era expectável, diferentemente da
relação não significativa entre estas variáveis encontrada por Popat et al. (2017) no seu estudo, e denota a
existência de transmissão do preço do arroz no mercado internacional para o mercado nacional, visto que a
quase totalidade do arroz consumido na cidade de Maputo provém do mercado externo.

O aumento da taxa de juro (dlntxjuros) apresentou, ceteris paribus, uma relação causal positiva com o preço
do arroz no retalho na cidade de Maputo, como esperado. Quanto ao arroz de produção doméstica, o estudo
de Gobeia (2022), sobre a produção orizícola na região do Baixo Limpopo, constatou que o aumento dos
custos de produção constitui o principal factor de variação da produção. O incremento da taxa de juro
traduz-se em aumento dos custos de produção (neste estudo, cerca 9,3% dos produtores tiveram acesso ao
crédito de instituições formais). A autora infere, portanto, que o aumento de juros pagos pelo produtor é
repassado ao consumidor.

A oferta monetária (dlnofertmoeda) apresentou uma relação causal positiva com o preço do arroz, mantendo
as restantes variáveis constantes. Este resultado está de acordo com as evidências encontradas pelos autores
Ahsan et al. (2011), no Paquistão, e Chongo (2017), em Moçambique (este autor fez a relação entre a oferta
monetária e a inflação).

A importação de arroz (lnarrozimp) apresentou uma relação negativa com a variável dependente, o que
significa que o aumento da oferta de moeda no mercado leva à redução do preço do arroz, ceteris paribus.

No que concerne à pluviosidade, desfasamentos de ordem 4 e 7 (pluviosidade há três e sete meses) nessa
variável apresentaram uma relação positiva com o preço do arroz no retalho e o desfasamento de ordem 3
apresentou uma relação negativa com o preço do arroz no retalho, mantendo as restantes variáveis
constantes. A irregularidade das chuvas na região sul (que gera a maior parte das variâncias explicadas na
variável lnpluvarroz) e o aumento da tempertura podem explicar a relação positiva entre as variáveis, embora
se esperasse que estas se relacionassem negativamente em todos os desfasamentos, visto que a região sul
do país teve pluviosidade inferior à média em muitos momentos no período analisado (MADER, 2017, 2018,
2019, 2020, 2021).

As variáveis desfasadas na ordem 1 (no mês anterior) preço do fertilizante (dlnfertilzpr) e taxa de câmbio
(dlntxcambusd) apresentaram uma relação negativa com o preço do arroz no retalho, ceteris paribus, embora
se esperasse uma relação positiva com a variável dependente, visto que estas levam ao aumento dos custos
de produção e de importação do arroz, respectivamente, que são posteriormente repassados ao consumidor.

O preço do combustível (dlncombustpr) não foi significativo na explicação da variável dependente, ceteris
paribus, embora se esperasse que esta variável tivesse uma relação positiva com o preço do arroz no retalho,
visto que o seu aumento se reflecte na estrutura de custos dos agentes envolvidos na cadeia de valor, o que,
por sua vez, levaria ao aumento do preço do arroz no mercado.

A equação de cointegração apresentou sinal negativo e é significativa, denotando a existência de causalidade


a longo prazo. A velocidade de ajustamento dos parâmetros para o equilíbrio de longo prazo é alto (1,78),
revelando um processo de ajuste oscilatório, levando entre 17 e 19 dias para o reajustamento das séries ao
equilíbrio de longo prazo aquando de desvios no curto prazo.

33
O teste de quebra estrutural identificou uma variação abrupta no modelo durante o mês de Março de 2018,
podendo se atribuir este resultado à seca, como parte do fenómeno El niño, que afectou principalmente as
províncias do sul do país (Famine Early Warning Systems Network, FEWS NET, 2018).

Tabela V.
Modelo de longo prazo – Arroz

Fonte: A autora.

No longo prazo, somente o preço do arroz no mercado internacional (dlnarrozinterpr) foi significativo na
explicação do preço do arroz no retalho na cidade de Maputo, com um sinal positivo, igualmente ao
verificado no curto prazo.

34
Farinha de milho

Tabela VI.
Modelo ECM – Farinha de milho

Fonte: A autora.

A um nível de significância de 5%, todas as variáveis definidas para a explicação do preço da farinha de milho
na cidade de Maputo são seus factores determinantes: explicam 96,9% da variância da variável dependente
e o modelo de curto prazo gerou resultados estatisticamente significativos (p-value do F-statistics = 0,0000
< 5%).

O aumento desfasado do preço da farinha de milho (dlnfmilhoretpr) (preço da farinha de milho há um e dois
meses), mantendo as restantes variáveis constantes, tem uma relação causal negativa com o preço da farinha
de milho num dado momento, significando que aumentos do preço da farinha nos meses anteriores
influenciam para a sua redução nos meses subsequentes.

35
O aumento desfasado do crédito agrícola (dlncreditagr) (crédito agrícola no mês anterior) influencia a
redução do preço da farinha de milho na cidade, ceteris paribus. Este resultado está de acordo com Mendoza
(2000), significando que o aumento do crédito à agricultura leva ao aumento da produtividade e da produção
e à redução dos custos de produção, contribuindo para o aumento da oferta e redução do preço do produto
final (farinha de milho).

No entanto, a taxa de juro (dlntxjuros) desfasada de ordem um (taxa de juros no mês anterior), ceteris
paribus, apresentou uma relação positiva com o preço da farinha de milho, como esperado. O aumento da
taxa de juro torna o crédito mais caro, elevando os custos de produção, seja ao nível do produtor do grão,
seja do moageiro, o que se traduz em preços mais altos ao consumidor.

Quanto ao preço de fertilizantes (dlnfertilzpr), um aumento leva ao incremento do preço da farinha de milho,
mantendo as restantes variáveis constantes. Preços mais elevados dos fertilizantes, elevam o preço da farinha
de milho na cidade, pois, embora internamente o uso destes insumos na produção do grão milho seja baixa,
a produção nos países fornecedores do mercado externo é feita com recurso a este insumo.

No que concerne à pluviosidade (dlnpluvfmilho), desfasamentos de ordem um e quatro (precipitação há um


e quatro meses) nesta variável apresentaram uma relação negativa com o preço da farinha de milho no
retalho, e o desfasamento de ordem três (precipitação há três meses) apresentou uma relação positiva com
o preço da farinha de milho no retalho. A região centro do país (que explica a maior parte da significância
desta variável) registou, em muitos momentos, níveis de precipitação normais ou acima do normal, de modo
que o aumento da pluviosidade, em conjunto com os problemas de armazenamento dos produtores, pode
afectar a quantidade e qualidade do milho, influenciando para a redução do seu preço, e portanto, a redução
do preço da farinha de milho.

As variáveis preço da farinha de milho no mercado internacional (dlnmilhointerpr) e de futuros na África do


Sul (dlnmilhozarpr), mantendo as restantes variáveis constantes, apresentaram uma relação negativa com a
variável dependente, contrariamente ao esperado, pois as moageiras abastecedoras da cidade de Maputo
importam parte significativa da sua matéria-prima, principalmente, na vizinha África do Sul (Chambo, 2013).
O preço do combustível também apresentou um resultado contrário ao esperado pois, em princípio, o
aumento desta variável implica aumento do custo de produção e comercialização, que, por sua vez, levaria
ao preço do produto final.

A análise de quebra estrutural revelou a existência de um ponto de alteração brusca na série em Setembro
de 2018, associado provavelmente à quebra na colheita em Tete neste período devido à seca (FEWS NET,
2018).

A equação de cointegração denota a existência de causalidade entre as variáveis no longo prazo, dado o
sinal negativo do parâmetro e uma velocidade de ajustamento alta (0,90) dos parâmetros para o equilíbrio
de longo prazo levando cerca de 1,1 meses para o restabelecimento de equilíbrio de longo prazo.

36
Tabela VII.
Modelo de longo prazo – Farinha de milho

Fonte: A autora.

No longo prazo, somente a taxa de câmbio MZN/USD (dlntxcambzar) é significativa na explicação do preço
da farinha de milho no retalho, embora este apresente uma relação negativa. Esperava-se que estas variáveis
tivessem uma relação causal positiva, pois importa-se grão de milho (matéria-prima) da África do Sul, o que
elevaria os custos de produção, que depois seriam repassados ao preço da farinha de milho. Esta
desvalorização elevaria também o preço da farinha de milho importada deste país.

37
Tomate

Tabela VIII.
Modelo ECM - Tomate

Fonte: A autora.

O modelo utilizado para a explicação do preço do tomate no retalho na cidade de Maputo no curto prazo
gerou resultado significativo (p-value do F-statistics abaixo de 5% (0,0000)) e as variáveis seleccionadas
explicam cerca de 84,7% da variância do preço do tomate. A um nível de significância de 5%, os resultados
indicam como factores determinantes do preço do tomate na cidade de Maputo as seguintes variáveis: preço
de fertilizantes (dlnfertilzpr), preço do tomate ao produtor na África do Sul (dlntomateprodpr) e a
pluviosidade nas províncias de Gaza e Maputo (lnpluvtomate).

O preço desfasado de fertilizantes (dlnfertilzpr) relaciona-se negativamente com o preço do tomate no


retalho, ceteris paribus. Os aumentos no preço de fertilizantes podem levar à redução na sua utilização para
manter rentabilidade do produto e, portanto, à redução da sua qualidade, o que pode influenciar em baixa
os preços do tomate.

O preço do tomate ao produtor sul-africano (dlntomateprodpr) influencia positivamente o preço do tomate


no retalhista, ceteris paribus. Esta relação explica-se pelo facto do mercado da cidade ser abastecido por
tomate proveniente desse país, principalmente durante a época da sementeira em Moçambique (meses de
Março, Maio e Junho), quando existe baixo nível de oferta do tomate nacional: estima-se que, em 2022, cerca
de 89,03% das importações de tomate fresco de Moçambique provieram daquele país (Tridge, sem data-a).

38
O volume de precipitação desfasado de ordem quatro (precipitação há quatro meses) nas províncias de Gaza
e Maputo (lnpluvtomate) apresentou uma relação negativa com o preço do tomate no retalho, como
esperado visto que os distritos destas províncias são caracterizados por níveis de precipitação abaixo do
normal (défice de chuvas). Portanto, o aumento da precipitação provoca um melhor desempenho produtivo
nesta cultura, levando ao aumento da produção e oferta, e redução do preço (MADER 2017, 2018, 2019,
2020, 2021a).

Não foi encontrada uma relação estatisticamente significativa entre o preço do tomate no retalho na cidade
de Maputo, o seu preço desfasado e o crédito agrícola (dlncreditagr). Relativamente ao crédito agrícola, este
resultado pode estar relacionado com o baixo nível de crédito destinado ao sector agrícola, e, mesmo neste
sector, a concentração do crédito (cerca de 60% do crédito agrícola entre 2001 e 2021) em certas culturas e
actividades, como o açúcar, algodão, caju, chá, copra, pesca e silvicultura (BdeM, 2023d).

A análise de quebra estrutural revelou a existência de dois pontos de alteração brusca nos resultados gerados
pelo modelo: em Agosto de 2019 e Julho de 2020. Estas quebras nas séries poderiam ser explicadas por
eventos climáticos extremos: em 2019, a produção deste bem foi afectada pela seca e, em 2020, por chuvas
intensas e um ciclone na África do Sul, tendo provocado alguma disrupção na quantidade produzida deste
bem, com efeitos sobre a oferta e preço transmitidos para os mercados da cidade de Maputo (Nkujana &
Dempers, 2021).

A equação de cointegração denota a existência de causalidade a longo prazo, dado o sinal negativo do
parâmetro, e à alta velocidade de ajustamento dos parâmetros para o equilíbrio de longo prazo (1,35),
existindo uma convergência oscilatória. Estima-se que leve entre 20 e 22 dias para o restabelecimento da
rota de equilíbrio de longo prazo aquando de perturbações nas séries no curto prazo.

Tabela IX.
Modelo de longo prazo – Tomate

Fonte: A autora.

No longo prazo, aumentos do nível de pluviosidade nas províncias de Gaza e Maputo (dlnpluvtomate)
influenciam para aumento o preço do tomate na cidade de Maputo.

39
Testes Diagnóstico dos Pressupostos e Estabilidade dos Modelos Estimados

Tabela X.
Testes diagnóstico de heterocedasticidade, correlação serial e normalidade

ARROZ FARINHA DE MILHO TOMATE

Breusch-Pagan-Godfrey (heterocedasticidade) 0.1723 0.9935 0.1202

Breusch-Godfrey LM test (correlacção serial) 0.8215 0.6144 0.0728

Jarque-Bera (normalidade) 0.7148 0.1664 0.4762


Fonte: A autora.

Na tabela acima, verifica-se que os três modelos geraram resultados que não violam os pressupostos do
modelo ARDL: ausência de correlação serial, homocedasticidade e distribuição normal dos erros, a um nível
de significância de 5%.36 Estes modelos não sofrem também de problemas de multicolinearidade37 e os
parâmetros estimados são estáveis.38

7. CONCLUSÕES

De forma genérica, observou-se uma tendência geral de aumento de preço nas séries analisadas, excepto o
crédito agrícola, taxa de juro e pluviosidade, com tendência contínua, como apontado no estudo de (Aiuba,
2023c).

Os factores determinantes dos preços do arroz, farinha de milho e tomate identificados pelos modelos
econométricos são os seguintes:

- Arroz. No curto prazo, preço desfasado do arroz no retalho, preço no mercado internacional, valor de
importação de arroz, preço de fertilizantes, taxas de juro e de câmbio MZN/USD e pluviosidade nas
províncias de Gaza, Maputo e Zambézia. No longo prazo, o preço do arroz no retalho é explicado pelo seu
preço no mercado internacional.

- Farinha de milho. No curto prazo, preço desfasado da farinha de milho no retalho, preço do milho no
mercado internacional e de futuros da África do Sul, preço de combustível, crédito agrícola, taxa de juro e
pluviosidade nas províncias de Gaza, Maputo, Sofala, Manica, Tete e Zambézia. No longo prazo o preço da
farinha e milho no retalho é explicado pela taxa de câmbio MZN/ZAR.

36
As hipóteses nulas para estes três testes são as seguintes:
1. Heterocedasticidade. H0: Homocedasticidade (significa que a variância dos erros é constante ao longo do tempo).
2. Correlação serial. H0: Ausência de correlação serial nos resíduos (significa que os erros associados a um determinado
período não são transferidos para períodos futuros).
3. Normalidade dos erros. H0: Os erros são normalmente distribuídos.
A um nível de significância de 5%, não se rejeitam essas hipóteses se o p-value > 0,05.
37
Multicolinearidade significa que as variáveis independentes dos modelos estão altamente correlacionadas. Ver anexo
IV.
38
Ver anexo V.

40
- Tomate. No curto prazo, preço desfasado do tomate no retalho, preço do tomate ao produtor na África do
Sul, taxa de câmbio MZN/ZAR e pluviosidade nas províncias de Gaza e Maputo. No longo prazo, o preço do
tomate é explicado pela pluviosidade nas províncias de Gaza e Maputo.

Observa-se que a quase totalidade das variáveis independentes consideradas como determinantes dos
preços são externas ou relacionam-se com o mercado externo, embora algumas com sinais contrários aos
esperados, evidenciando a dependência da cidade de Maputo do mercado externo, principalmente do
mercado sul-africano. Estes resultados sugerem que esta cidade representa uma enorme fonte de
oportunidade de mercado, tanto para a indústria alimentar, como para os produtores nacionais, caso a
produção nacional consiga competir com os preços dos produtos importados.

Os preços desfasados dos produtos nos mercados são importantes, revelando a importância da
análise/estudo da informação histórica dos preços para a sua formação num dado momento.

O financiamento à agricultura e o seu preço (taxa de juro), como comprovado nos trabalhos de Mendoza
(2000), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (2013), Vascolcellos (2006) e vários
outros estudos, têm um papel crucial no crescimento e desenvolvimento da actividade agrícola e industrial,
mas também na contenção dos preços de alimentos.

Quanto à pluviosidade, esta influencia também na formação do preço dos produtos agro-alimentares. No
entanto, devido a factores, como escassez e irregularidade da chuva (especialmente na região sul) e níveis
de chuva acima do normal (região centro), esta variável não sempre contribui de forma esperada na variação
dos preços dos alimentos estudados.

Pelos resultados gerados pelos modelos do arroz e do tomate, as restantes variáveis calculadas não são
consideradas como determinantes do preço destes produtos, significando que, de modo geral, nem todas
as variáveis definidas determinam o seu preço. No que se refere à farinha de milho, todas as variáveis
definidas são factores determinantes do seu preço, embora não expliquem 100% da variação do seu preço,
sugerindo que existem outras variáveis que expliquem a variação.

Os resultados gerados pelos modelos econométricos para os três produtos, através do teste da quebra
estrutural pelo CUSUMQ e teste de breakpoint de Chow, revelaram quebras de estrutura no arroz (Março de
2018), farinha de milho (Setembro de 2018) e tomate (Agosto de 2019 e Julho de 2020). As alterações bruscas
detectadas nas séries dos três produtos foram atribuídas a eventos climáticos extremos, tanto no país, como
no exterior (África do Sul), e não se identificaram evidências de efeito da pandemia da COVID-19 nos preços
destes três produtos na cidade de Maputo (ou o efeito não suficientemente forte para ser captado pelos
modelos estimados).

Recomendações

De modo geral, este texto sugere aos fazedores de política:

- Melhorar os canais de divulgação de preço, SIMA e MIC, incluindo a utilização dos diferentes meios de
comunicação actuais, de modo que a informação chegue, tanto ao produtor e comerciante, como ao
consumidor, como forma de contribuir para a estabilização dos preços na cidade.

41
- Dadas as tendências de aumento dos preços, dever-se-ia aumentar a disponibilização de serviços à
produção, como crédito, insumos, taxas de juro bonificadas, extensão, irrigação, entre outros, e a sua
manutenção, seja através de iniciativas públicas ou privadas, com efeitos positivos sobre a oferta,
importantes para a redução ou estabilização do preço, com benefícios para todos os agentes envolvidos nas
cadeias de valor.

- Aliado ao maior acesso aos serviços à produção, há também que melhorar e aumentar a conexão entre os
mercados da cidade de Maputo e as diferentes zonas produtoras nacionais, através de melhores vias de
acesso, meios de transporte, sistemas de armazenamento e de conservação da produção, beneficiando as
zonas produtoras, com melhor escoamento do excedente da produção, e a cidade, com maior oferta, e,
possivelmente, preços mais baixos ou estáveis.

- Planear a expansão de políticas de protecção da agro-indústria nacional, como por exemplo a política de
preços mínimos do algodão, de preços fixados administrativamente para o caju, de preços de referência do
açúcar, entre outras. Mais recentemente aplicaram-se algumas medidas para impulsionar a competitividade
agrícola, como a isenção do IVA na importação de factores de produção agrícolas e a redução do IRPC na
agricultura para 10%. No entanto, estas políticas, por si só, não são suficientes. É necessário que, primeiro,
se criem condições para o aumento generalizado da produtividade e da produção agrícola (não limitado aos
produtores abrangidos pelos diversos projectos e programas na agricultura) para que haja matéria-prima
suficiente para o abastecimento da indústria. É também preciso que se aumente o apoio ao desenvolvimento
das agro-indústrias (seja ao nível de financiamento, compra de equipamento moderno, menores impostos
na importação de equipamento, protecção contra a importação, investimento em infra-estruturas de apoio,
entre outros), com benefícios não só para a economia, mas também para o consumidor.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABBAS, M. (2015). A macroeconomia e a produção agrícola em Moçambique. Observador Rural 26.


[Link]

AFRICAN CENTRE FOR BIODIVERSITY. (2019). Subsídios aos insumos em Moçambique: O futuro dos
agricultores camponeses e dos seus sistemas de sementes. ACB.

AGUIAR, D. R. D. (1993). A questão da transmissão de preços agrícolas. Revista de Economia e Sociologia


Rural, 31(4), 291–308.

AHSAN, H., Iftikhar, Z., & Kemal, M. A. (2011). The determinants of food prices: A case study of Pakistan. The
Labore Journal of Economics, 17(1), 101–128.

AIUBA, R. (2023a). Comparação dos preços de bens alimentares essenciais entre as cidades de Maputo, Beira
e Nampula. Destaque Rural 236. [Link]
precos-de-bens-alimentares-essenciais-entre-as-cidades-de-maputo-beira-e-nampula/

AIUBA, R. (2023b). Instrumentos de política agrícola e a produção agrícola em Moçambique. Observador


Rural 139. [Link]
agricola-em-mocambique/

42
AIUBA, R. (2023c). Preços de alimentos nos mercados na cidade de Maputo. Destaque Rural 253.
[Link]
maputo/

ALIMI, R. S. (2014). ARDL bounds testing approach to Cointegration: A re-examination of augmented fisher
hypothesis in an open economy. Asian Journal of Economic Modelling, 2(2), 103–114.

AWOKUSE, T. O. (2005). Impact of macroeconomic policies on agricultural prices. Agricultural and resource
economics review, 34(2), 226–237.

Baffes, J., & Koh, W. C. (2022). Fertilizer prices expected to remain higher for longer. World Bank Blogs.
[Link]

Banco Mundial. (2020). Purchasing power parities and the size of world economies: Results from the 2017
international comparison program. Banco Mundial.

Barros, G. S. de C., & Xavier, L. E. (1979). Aspectos da comercialização e seus efeitos sobre os preços e rendas
agrícolas. Revista de Economia e Sociologia Rural, 17(1346-2017–2314), 25–50.

Calima, J., Dengo, M. N., Moamba, C., & Salinger, L. (2014). A expansão dos recursos naturais de Moçambique:
Quais são os Potenciais Impactos na Competitividade da Agricultura? (Programa de Apoio ao
Desenvolvimento Económico e Empresarial de Moçambique (SPEED)). USAID.

Carta da Agricultura. (2004). Plano agrícola e pecuário 2004/2005. Revista de Política Agrícola, 2.

Chambo, J. J. (2013). Transmissão de preços de milho branco entre os mercados grossistas moçambicanos
de Maputo e Nampula e o mercado sul africano, 2007/2013 . Universidade Federal de Viçosa.

Chongo, O. C. (2017). Serão as taxas de inflação de Moçambique e da África do Sul cointegradas (1994-
2015)? Universidade de Évora - Escola de Ciências Sociais - Departamento de Economia.

Clemens, G. V. L., Kathryn, H., & Carmen, R. (2022). Is another food crisis unfolding? [World Bank Blogs].
[Link]

Cortez, E., Orre, A., Fael, B., Nhamirre, B., Banze, C., Mapisse, I., Harnack, K., & Reite, T. (2021). Custos e
consequências das dívidas ocultas para Moçambique. Centro de Integridade Pública e Chr.
Michelsen Institute.

Dadá, Y. A., Nova, Y. P., & Mussá, C. (2019). Investimento público na agricultura: O caso dos centros de
prestação de serviços agrários; compleso de silos da bolsa de mercadorias de Moçambique e dos
regadios. Observador Rural 81. [Link]
em-
mocambique/#:~:text=O%20subsector%20do%20algod%C3%A3o%20constitui,mais%20exportado
s%20na%20%C3%BAltima%20d%C3%A9cada.

Decreto n.o 25/2022 de 3 de Junho, Série I, número 106, Conselho de Ministros (2022).

Decreto n.o 30/2023 de 24 de Maio, Série I, número 99, Conselho de Ministros (2023).

43
Delgado, G. C., & Conceição, J. C. P. R. (2005). Políticas de preços agrícolas e de estoques de alimentos.
Revista de Política Agrícola, 3.

Diab, S., & Karaki, M. B. (2023). Do increases in gasoline prices cause higher food prices? Energy Economics,
127, 107066.

Dias, P. (2013). Analysis of incentives and disincentives for maize on Mozambique [Série de notas técnicas].
MAFAP/FAO.

Eckstein, D., Künzel, V., & Schäfer, L. (2021). The global climate risk index 2021. Bonn: Germanwatch.

EUROSTAT. (2019). Glossary:Price level index (PLI). [Link]


explained/[Link]?title=Glossary:Price_level_index_(PLI)

Famine Early Warning Systems Network. (2018a). Crisis (IPC Phase 3) outcomes likely to prevail in southern
and central regions through the lean season (Moçambique Atualização da Perspectiva de Segurança
Alimentar). FEWS NET.

Famine Early Warning Systems Network. (2018b). Situação de “Estresse” persiste nas regiões sul e centro
apesar das colheitas (Moçambique Atualização da Perspectiva de Segurança Alimentar). FEWS NET.

Feijó, J., & Aiuba, R. (2019). Recuperando do ciclone IDAI na província de Sofala. Destaque Rural 14.

Gazolla, M., & Schneider, S. (Eds.). (2017). Cadeias curtas e redes agroalimementares alternativas—Negócios
e mercados da agricultura familiar. Editora da UFRGS.

Gobeia, M. I. A. M. (2022). Relação entre conduta e desempenho dos agricultores do regadio do Baixo
Limpopo (Gaza-Moçambique) na produção do arroz (Oryza sativa L.), em tempos de pandemia da
COVID-19. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Hamela, H., & Pimpão, A. (2021). Desafios e oportunidades no desenvolvimento da agroindústria em


Moçambique. Centurion.

Hamela, & Manhicane Jr. (2013). Barreiras não fiscais ao desenvolvimento do sector da agricultura em
Moçambique. USAIS/SPEED.

Helder, Z., & Macamo, R. da C. (2020). Spatial price transmission between white maize grain markets in
Mozambique and Malawi. Journal of Development and Agricultural Economics, 12(1), 37–49.

Holdsworth, M., & Landais, E. (2019). Urban food environments in Africa: Implications for policy and research.
Proceedings of the Nutrition Society, 78(4), 513–525.

Hyndman, R. J. (2014). Structural breaks. [Link]

Hyndman, R. J., & Athanasopoulos, G. (2018). Forecasting: Principles and practice (2.a ed.). OTexts.

Instituto Nacional de Estatísticas. (2020). Anuário Estatístico, Maputo Cidade: 2019. INE.

Instituto Nacional de Estatísticas. (2021). Anuário Estatístico, Maputo Cidade: 2020. INE.

44
Instituto Nacional de Estatísticas. (2022). Anuário Estatístico, Maputo Cidade: 2021. INE.

Kornher, L., & Kalkuhl, M. (2013). Food price volatility in developing countries and its determinants.

Mabota, A., Paulo, A., Balate, A., Donovan, C., Abdula, D., Milay, G., & Bata, O. (2008). A realidade a cerca da
subida de preços: A dinâmica dos preços de alimentos em Moçambique e as implicações políticas.
Flash No 50P.

Malan, M. (2015). Agricultural price distortions in Africa: Insights into the determinants of price distortions
and their effect on land use efficiency [Tese de Mestrado]. Wageningen University and Research.

Marôco, J. (2021). Análise estatística com o SPSS Statistics v.18 a v.27 (8.a ed.). Report Number.

Melo, F. H. (1991). A questão da política de preços para produtos agrícolas domésticos. Revista Brasileira de
Economia, 45(3), 385–396.

Mendoza, J. L. (2000). Políticas macroeconómicas y políticas agrícolas .


[Link]
4/publication/40726920_Politicas_macroeconomicas_y_sectoriales/links/59ee40714585154350e80a
23/[Link]

Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. (2017). Boletim agrometeriológico (1–3). MADER.

Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. (2018). Boletim agrometeriológico (1–8). MADER.

Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. (2019). Boletim agrometeriológico (1–8). MADER.

Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. (2020). Boletim agrometeriológico (1–7). MADER.

Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. (2021a). Boletim agrometeriológico (2–4). MADER.

Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. (2021b). Inquérito agrário integrado 2020: Marco
estatístico. MADER.

Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar. (sem data). Anuário de estatísticas agrárias 2002-2011.
MADER.

Ministério da Economia e Finanças. (2022). Pacote de medidas de aceleração económica. MEF.

Ministério da Indústria e Comércio. (2018). Plano de operacionalização da comercialização agrícola Maputo


Província. MIC/Direcção Nacional de Comércio interno.

Ministério de Economia e Finanças. (2016). Pobreza e bem-estar em Moçambique: Quarta avaliação nacional.
Inquério ao Orçamento Familiar—IOF 2014/15. MEF.

Moraes, A. L. M. (1996). O protecionismo agrícola internacional. Revista de Política Agrícola, 5(3), 20–32.

Mosca, J. (2005). Economia de Moçambique. Instituto Piaget.

45
Mosca, J. (2011). Políticas agrárias de (em) Moçambique, 1975-2009. Escolar Editora.

Mula, M. D. (2008). Transmissão de preços de açúcar entre os mercados moçambicano, sul-africano e


internacional [Doctoral dissertation]. [Link]

Ndava. (2019). Análise dos contratos de integração entre produtores de arroz e a agroindústria Wanbao no
perímetro irrigado do rio Limpopo em Moçambique [Dissertação de Mestrado]. Universidade
Federal de Goiás- Escola de Agronomia.

Nkujana, T., & Dempers, C. (2021). Factors underpinning the current hikes in tomato prices. NAMC.

Nova, Y. P. (2018). Estruturas de mercado e sua influência na formação dos preços dos produtos agrícolas
ao longo das suas cadeias de valor. Observador Rural 59. [Link]
estruturas-de-mercado-e-sua-influencia-na-formacao-dos-precos-dos-produtos-agricolas-ao-
longo-das-suas-cadeias-de-valor/

Oliveira, J. do C. (2021). O papel dos preços mínimos na agricultura. Revista de Economia e Sociologia Rural,
14(1), 379–391.

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. (2014). Análise de incentivos e desincentivos
de preço para o arroz em Moçambique. FAO.

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. (2021). The global maize market: A snapshot
in June 2021. FAO.

Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. (2013). Policy framework for investment in
agriculture. [Link]

Popat, M., Tostão, E., Fontes, F., & Vilanculos, O. C. (2017). Monitoring price incentives for rice in Mozambique.
CEPPAG nota técnica no 03.

Raabe, K. (2010). Factors explaining crop price developments: Time-series evidence for developing and
developed countries (Working Paper 451).

Raleigh, C., Choi, H. J., & Kniveton, D. (2015). The devil is in the details: An investigation of the relationships
between conflict, food price and climate across Africa. Global Environmental Change, 32, 187–199.

Samuelson, P., & Nordhaus, W. (2005). Economia (18.a ed.). McGraw Hill.

Saraiva, A. (sem data). Microeconomia I. Instituto Politécnico do Porto. [Link]

Sarkar, A. (1993). On the formation of agricultural prices. Journal of Development Economics, 41, 1–17.

Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional. (2014). Relatório de estudo de base de segurança
alimentar e nutricional de 2013. SETSAN.

Serigati, F. C. (2013). A macroeconomia da agricultura. AgroANALYSIS, 33(01), 15–16.

46
Shrestha, M. B., & Bhatta, G. R. (2018). Selecting appropriate methodological framework for time series data
analysis. The Journal of Finance and Data Science, 4(2), 71–89.

Silva, J. G. da. (1995). A formação dos produtos agrícolas: Notas para discussão de uma abordagem
alternativa. Nova Economia, 5(2).

Sitoe, T. A. (2014). Os Desafios da Investigação Agrária em Moçambique. 12(25), 81–104.

Stock, J. H., & Watson, M. W. (2003). Introduction to econometrics (Vol. 104). Addison Wesley.

Tarp, F. (1990). Prices in Mozambican agriculture. Journal of International Development, 2(2), 172–208.

Toni, D., & Mazzon, J. A. (2014). Teste de um modelo teórico sobre o valor percebido do preço de um
produto. Revista de Administração (São Paulo), 49, 549–565.

Tridge. (sem data-a). Fresh Tomato. Obtido 8 de fevereiro de 2024, de


[Link]

Tridge. (sem data-b). Milho. Obtido 8 de fevereiro de 2024, de


[Link]

Tridge. (sem data-c). Rice. Obtido 8 de fevereiro de 2024, de


[Link]

Trostle, R., & Seeley, R. (2013). Developing countries dominate world demand for agricultural products. USDA
Economic Research Service. [Link]
countries-dominate-world-demand-for-agricultural-products/

Vascolcellos, M. A. S. de. (2006). Economia: Micro e macro (4a). Atlas.

Zhang, Z. (2016). Missing data imputation: Focusing on single imputation. Annals of Transnational Medicine,
4(1).

BASES DE DADOS

Autoridade Reguladora de Energia. (vários meses). Comunicado de imprensa.

Banco Mundial. (2023). CMO-Historical-Data-Monthly . Consultado a 20 de Outubro de 2023.


[Link]

Banco de Moçambique. (2023a). Dados do sector externo III Trim 2023 . Consultado a 16 de Novembro de
2023. [Link]

Banco de Moçambique. (2023b). Taxa de câmbio final do período . Consultado a 16 de Novembro de 2023.
[Link]

Banco de Moçambique. (2023c). Taxa de juros do sistema Outubro 2023 . Consultado a 11 de Junho de
2023. [Link]

47
Banco de Moçambique. (2023d). Crédito por sector de actividade . Consultado a 24 de Novembro de 2023.
[Link]

Banco de Moçambique. (2023e). síntese-do-sistema-financeiro-junho-2023. Consultado a 16 de Novembro


de 2023. [Link]
estatisticos/

BARCHART. (2023). Barchart. Consultado a 11 de Junho de 2023 em:


[Link]
prices?orderBy=contractExpirationDate&orderDir=asc&page=3&viewName=main

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. (2023). Consultado a 16 de Novembro de
2023. [Link]

Instituto Nacional de Estatística. (2023). IPCMaputo_Quadros_Novembro23. Consultado a 14 de Novembro


de 2023. [Link]

Instituto Nacional de Estatística. (2023). Maputo Cidade. Consultado a 10 de Junho de 2023.


[Link]

Observatório do Meio Rural (2023). Destaque Preços 02 - produto. Consultado a 10 de Junho de 2023.

48
ANEXO I

Tabela XI.
Testes de raiz unitária Augmented Dickey Fuller (ADF)

Fonte: A autora.

Tabela XII.
Teste de raiz unitária Augmented Dickey Fuller (ADF) para a variável lnpluvfmilho

Fonte: A autora.

O teste de raiz unitária para a variável lnpluvfmilho pois foi feito um ajustamento dos desfasamentos para no máximo 9.

49
ANEXO II

Tabela XIII. Tabela XVI.


Bound test -Arroz Bound test – Farinha de Milho

Fonte: A autora. Fonte: A autora.


Tabela XV.
Bound test -Tomate

Fonte: A autora.

ANEXO III

Tabela XVI. Tabela XVII.


Chow breakpoint test - Arroz Chow breakpoint test – Farinha de milho

Fonte: A autora. Fonte: A autora.


Tabela XVIII.
Chow breakpoint test - Tomate

Fonte: A autora.

50
ANEXO IV

Tabela XIX. Tabela XX.


Factor de inflação da variância (VIF) – Arroz Factor de inflação da variância (VIF) – Farinha de
milho

Fonte: A autora. Fonte: A autora.

Tabela XXI.
Factor de inflação da variância (VIF) – Tomate

Fonte: A autora.

51
ANEXO V

Gráfico 12. Gráfico 13.


Soma cumulativa CUSUM – Arroz Soma dos quadrados cumulativos CUSUMSQ –
Arroz

Fonte: A autora. Fonte: A autora.

Gráfico 14. Gráfico 15.


Soma cumulativa CUSUM - Farinha de Milho Soma dos quadrados cumulativos CUSUMSQ –
Farinha de Milho

Fonte: A autora. Fonte: A autora.

52
Gráfico 16. Gráfico 17.
Soma cumulativa CUSUM -Tomate Soma dos quadrados cumulativos CUSUMSQ –
Tomate

Fonte: A autora. Fonte: A autora.

ANEXO VI

Tabela XXII. Tabela XXIII.


Omitted variables test -Arroz Omitted variables test – Farinha de Milho

Fonte: A autora. Fonte: A autora.

53
Tabela XXIV.
Omitted variables test -Tomate

Fonte: A autora.

54
LISTA DOS ÚLTIMOS 20 TÍTULOS PUBLICADOS PELO OMR DA SÉRIE OBSERVADOR RURAL*

Nº Título Autor(es) Ano


O conceito de camponês e a realidade de Moçambique numa perspectiva de longa
147 João Mosca Agosto de 2024
duração
Avaliação do impacto do desmatamento e degradação floresta nos meios de Aires Afonso Mbanze e
146 Julho de 2024
subsistência das famílias rurais da província do Niassa, norte de Moçambique Cremildo Ribas Dias
Uma fraude chamada ensino primário público? Reprodução de diferentes níveis da
145 João Feijó e Neuza Balane Junho de 2024
cidadania e comprometimento de um projecto de unidade nacional
Moçambique mais subdesenvolvido um revisitar teórico sobre o desenvolvimento
144 João Mosca Maio de 2024
e o subdesenvolvimento
Configuração da estrutura económica de Moçambique
143 João Mosca Abril de 2024
Numa perspectiva de longa duração
Bases para a elaboração de um índice de dependência externa. João Mosca, Yara Nova e
142 Março de 2024
Exemplo de Moçambique Rabia Aiuba
Nelson Capaina, Yara Nova
141 Análise do projecto sustenta (2017-2019) Fevereiro de 2024
e João Mosca
Yasser Arafat Dadá
140 Alguns determinantes da produtividade agrícola em Moçambique Janeiro de 2024
e João Mosca
139 Instrumentos de política agrícola e a produção agrícola em Moçambique Rabia Aiuba Agosto de 2023
“Antes de as mineradoras chegarem, produzíamos muito… agora, já não”: impacto
138 da mineração do carvão na produção agrícola das comunidades circunvizinhas às Mélica Chandamela Julho de 2023
minas em Moatize
Após o ciclone idai, as inundações: narrativas e lições de um desastre (in)esperado
137 e “excepcional” Uacitissa Mandamule Maio de 2023

Penetração de capital no meio rural, exclusão e expropriação: mecanismos de


136 Natacha Bruna Abril de 2023
compensação em contexto de desigualdades pré-existentes
135 Reforma legal e o mercado de terras em Moçambique Nelson Capaina Março de 2023
Jerry Maquenzi e João
134 Deslocações forçadas e aumento da pressão sobre o garimpo em Namanhumbir Fevereiro de 2023
Feijó
Os espaços de participação e de exercício da cidadania, na voz de líderes
133 João Feijó Janeiro de 2023
associativos da província de Cabo Delgado
Desafios e oportunidades na produção orizícola no baixo Zambeze:
132 Nelson Capaina Novembro de 2022
O caso da província da Zambézia
Acesso e alocação de terras para além dos grandes investimentos:
131 Josefina Tamele Outubro de 2022
O papel das elites políticas e económicas em Boane
Produção Agrícola e Empoderamento de Mulheres em Contextos Rurais: análise do
130 Neuza Balane e João Feijó Setembro de 2022
projecto AgriMulheres em três povoados da província de Nampula (2018- 2021)
129 Modelos de desenvolvimento agrário em Moçambique Yara Nova e Rui Rosário Setembro de 2022
Variações do extractivismo em Moçambique: um mundo inteligente ao clima e a
128 emergência do extractivismo verde Natacha Bruna Agosto de 2022

João Feijó, Jerry Maquenzi,


Caracterização das condições socioeconómicas dos deslocados internos no Norte
127 Daniela Salite e Joshua Agosto de 2022
de Moçambique ao longo do ano de 2021
Kirshner
Dinâmicas de inovação tecnológica dos pequenos produtores agrícolas em Rui Rosário, Yara Nova
126 Julho de 2022
Moçambique - o caso da produção de soja no Gurué, Alta Zambézia e Naldo Horta

*Para acessar aos restantes textos da série Observador Rural, visite a nossa página web pelo link:
[Link]

55
O OMR é uma Associação da sociedade civil
que tem por objectivo geral contribuir para
o desenvolvimento agrário e rural numa
perspectiva integrada e interdisciplinar,
através de investigação, estudos e debates
acerca das políticas e outras temáticas
agrárias e de desenvolvimento rural.

O OMR centra as suas acções na prossecução dos seguintes objectivos específicos:

• Promover e realizar estudos e pesquisas sobre políticas e outras temáticas relativas ao


desenvolvimento rural;
• Divulgar resultados de pesquisas e reflexões;
• Dar a conhecer à sociedade os resultados dos debates, seja através de comunicados de imprensa
como pela publicação de textos;
• Constituir uma base de dados bibliográfica actualizada, em forma digitalizada;
• Estabelecer relações com instituições nacionais e internacionais de pesquisa para intercâmbio de
informação e parcerias em trabalhos específicos de investigação sobre temáticas agrárias e de
desenvolvimento rural em Moçambique;
• Desenvolver parcerias com instituições de ensino superior para envolvimento de estudantes em
pesquisas de acordo com os temas de análise e discussão agendados;
• Criar condições para a edição dos textos apresentados para análise e debate do OMR.

Patrocinadores:

Rua Faustino Vanombe, nº 81, 1º Andar


Maputo – Moçambique
[Link]

Você também pode gostar