Parte D - PLMN
Parte D PLMN
Figura D.0.1 Modelo de referência
1 Serviços de usuário e terminais .................................................................... 258
2 Padronização ................................................................................................ 271
3 Comutação e controle da comutação ........................................................... 287
4 Técnicas de transmissão ............................................................................... 293
5 Redes de acesso e de troncos ...................................................................... 315
6 Inteligência de rede e serviços de valor agregado ........................................ 331
7 Sinalização .................................................................................................... 342
8 Gerenciamento de rede ................................................................................. 355
9 Cooperação entre redes ............................................................................... 357
10 Planejamento de rede ................................................................................... 362
Ericsson Telecomunicações 257
Entendendo Telecomunicações 2
1 Serviços de usuário e terminais
1.1 Introdução
Uma rede móvel pública terrestre (PLMN) é uma rede de telecomunicações para unidades
móveis, denominadas simplificadamente de telefones móveis ou telefones celulares.
Mobilidade é a marca registrada da PLMN. O que é ainda melhor, a PLMN pode
melhorar as características das outras redes, provendo mobilidade: Por exemplo, quando
ela serve como portadora para acesso à Internet.
A telefonia móvel é um dos telesserviços de crescimento mais rápido e mais populares
que já existiram. É muito provável que a maioria dos assinantes vai ter, eventualmente,
alguma forma de acesso via rádio à rede de telecomunicações. O serviço baseado em
rádio, que certa vez foi usado pela defesa nacional, polícia, táxi e outras organizações
de serviços, para manter a comunicação entre suas unidades móveis e estacionárias,
desenvolveu-se agora em uma ferramenta que muitos profissionais de negócios acham
de uso natural e, ultimamente, considerada como uma ferramenta para as pessoas
comuns.
Uma razão importante para o rápido crescimento da telefonia móvel é o fato de que o
serviço é uma extensão do telesserviço mais difundido do mundo a telefonia fixa.
Além de poderem se comunicar com os outros móveis, os assinantes da telefonia
móvel estão também aptos a se comunicar via portais PSTN/ISDN com aqueles
que são subscritores do telesserviço fixo.
As vantagens do aumento da acessibilidade experimentada pelos usuários móveis
estão atraindo um crescente número de novos assinantes. Isto, por sua vez, coloca
uma grande demanda na capacidade dos elementos de rádio da rede demandas que
as operadoras devem atender por meio de maior eficiência no uso das freqüências
existentes, e disponibilizando novas faixas de freqüência.
Tecnicamente, o desenvolvimento da telefonia móvel progrediu dos sistemas móveis
analógicos para sistemas móveis digitais. Os sistemas terrestres também foram
complementados com sistemas via satélite. A técnica do telefone sem fio originalmente
uma técnica de acesso por rádio móvel para os ambientes fechados de escritórios
continua em desenvolvimento, e a fronteira entre o telefone sem fio e o celular está se
tornando menos distinta.
A telefonia móvel está avançando mundialmente no momento em que a liberalização
está com toda a força. Para a maioria dos países, a desregulamentação e a privatização
aumentaram a competitividade, ao promover o aumento do número de operadoras.
Diferentes sistemas, visando à promoção da mobilidade, operam nas mesmas áreas
geográficas ou nos mesmos mercados. Os sistemas móveis analógicos e digitais,
sistemas sem fio e sistemas por satélites estão aptos a satisfazer a demanda para as
telecomunicações móveis de várias maneiras.
258 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
1.1.1 Mobilidade
A mobilidade numa rede de telecomunicações pública não é um conceito inequívoco.
(Veja Volume 1, Capítulo 6, Subseção 6.2.4). Diferenciamos entre portabilidade,
mobilidade e (completa) mobilidade.
A portabilidade representa o simples caso no qual somente o terminal tem mudado o
seu ponto de instalação, isto é, conectado em uma tomada em um outro ponto da rede.
A mobilidade simples implica em que o assinante move o seu acesso pessoal, por
exemplo, quando se conecta em uma rede de dados e acessa suas aplicações centrais
de diferentes terminais na rede. A mobilidade completa refere-se à condição ambulante
completa, na qual ambos, o terminal e o seu acesso, podem ser movidos, enquanto a
rede automaticamente rastreia todos seus deslocamentos. Em outras palavras, isto
significa tanto a mobilidade do terminal como do serviço.
Mobilidade exige acesso via rádio por meio de estações (rádio base) de rádio. O
acesso físico em uma rede móvel é solucionado de tal forma a permitir a um terminal
conectar-se em qualquer lugar da rede e mover-se enquanto a chamada estiver em
progresso. (É claro, a subscrição do assinante deve estar disponível em todos os
pontos de acesso.) Essa mobilidade pressupõe acessos especialmente desenvolvidos
para este fim (células no lugar de pontos de conexão). Ela também exige que o
terminal mantenha um contato permanente com a rede via rádio.
1.1.2 Funções primárias da PLMN Principais elementos de
rede
É necessário estar um tanto familiarizado com a terminologia especializada para entender
as redes móveis e suas funções. Exemplos de conceitos básicos incluem a atualização
da localização, roaming49 , handover50 e paging51. Para elucidar estes conceitos
e o manejo do tráfego móvel, devemos usar ilustrações animadas. Por razões práticas,
devemos deixar a animação para a imaginação do leitor quando nos referimos à Figura
D.1.1, que ilustra os elementos que se sobressaem numa rede fixa e numa PLMN.
49
NR - não há termo consagrado na lingua portuguesa para traduzir roaming, que tem o significado de
o terminal ser aceito como visitante em outra região da mesma operadora ou de operadora distinta.
Naturalmente outra região pode significar também outro país. O roaming automático pode ser
feito durante a conversação.
50
NR - igualmente handover é o termo inglês usado no Brasil para caracterizar o fato de o terminal
móvel - que estava conectado via rádio a uma célula - ser transferido para uma outra próxima, por
razões de qualidade do sinal. Essa transferência pode ser feita durante a conversação.
51
NR - o significado mais próximo em português para paging é a busca ou procura de um terminal na
rede, com a finalidade de localizá-lo.
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Entendendo Telecomunicações 2
Redes móveis requerem funções para inteligência de rede, mesmo quando se trata de
chamadas comuns. A Figura D.1.1 mostra duas destas funções: o registro da
localização na origem (HLR52) e o registro da localização do visitante (VLR53). A
figura também mostra claramente que o acesso à PLMN é significativamente diferente
dos acessos às redes fixas. Cada controladora de estação rádio base (BSC) inclui
uma função de comutação, permitindo que ela comute para outra estação rádio base
quando um terminal se move (roaming). Na figura, imagine o terminal sendo deslocado
desde a área de localização 1 (AL1), por intermédio da AL2, para AL3, onde ele foi
chamado via a BSC associada. O próximo destino é a AL4. Esses movimentos também
envolvem um número de centros de comutação e controle (CCC54).
Figura D.1.1 Comparação entre uma rede fixa e uma PLMN, tendo células
agrupadas em áreas de localização (LA).
52
NR - Home Location Register.
53
NR - Visitor Location Register.
54
NR - a sigla em língua inglesa correspondente é MSC (= Mobile Switching Centre). Será usada daqui
em diante a sigla MSC por coerência com as demais usadas em inglês.
260 Ericsson Telecomunicações
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1.1.3 Uma orientação Conceitos comuns
Os seguintes conceitos são descritos nesta seção:
· Células e estações rádio base Acesso múltiplo
· Canais de rádio entre as estações rádio base e os aparelhos móveis Canais de
controle e canais de tráfego
· Ligação e desligamento (attachment and detachment)
· roaming
· Registro e paging Área de localização
· Localização e handover
Os vários elementos de rede MSC, BTS, HLR, VLR são esclarecidos em maiores
detalhes no Capítulo 2, Seção 2.3.
Células e estações rádio base acesso múltiplo
O acesso por rádio oferece aos assinantes uma quantidade de canais de rádio para
comunicação. Entretanto, os canais de rádio são recursos finitos e escassos. Para
utilizar eficientemente o espectro de freqüência atribuído aos assinantes móveis, todos
os canais de rádio devem ser reutilizáveis, o que requer áreas geográficas bem-definidas
e separadas, que tenham acesso a uma série de freqüências. Essas áreas de serviço
são definidas como células. A nomenclatura deu origem ao termo sistema celular,
que encontramos dentro das designações de sistemas, como celular pessoal digital
(personal digital cellular - PDC).
A quantidade de canais de rádio em uma célula é significativamente menor que a
quantidade de aparelhos móveis, uma vez que em um caso normal somente uma
minoria dos aparelhos móveis está ativa ao mesmo tempo. A técnica utilizada para
atribuir canais livres ao tráfego, para aparelhos móveis chamarem ou serem chamados,
é denominada acesso múltiplo. (Veja também o Volume 1, Capítulo 5, Seção 5.10.)
Descrevem-se três variantes de acesso múltiplo no Capítulo 4, Subseções 4.3.5
4.3.7 desta Parte.
Estações rádio base usam antenas direcionais ou omnidirecionais. A antena
omnidirecional de uma célula irradia (mais ou menos) um sinal igualmente forte em
todas as direções horizontais, cobrindo deste modo uma área circular. Um aparelho
móvel localizado nessa área terá um bom contato com a estação rádio base. O raio do
círculo pode ser modificado, alterando-se a potência de saída da estação rádio base,
que na maioria dos casos é feita em conexão com o planejamento das células (Veja
Capítulo 10, Seção 10.5). Como regra, o tamanho máximo de uma célula é determinado
pela potência de saída disponível do aparelho móvel.
Ericsson Telecomunicações 261
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.1.2 Padrões hexagonais são fáceis de utilizar
A Figura D.1.2 mostra um sistema construído com células omnidirecionais. A figura
também demonstra a origem do bem conhecido padrão hexagonal. Os padrões hexagonais
são fáceis de utilizar: graficamente, geometricamente e logicamente. No entanto, uma
vez que o modelo hexagonal provê uma representação idealizada da cobertura, devemos
sempre complementar esse modelo com medições de cobertura reais.
Uma estação rádio base que utiliza três antenas direcionais, sendo que cada uma
cobre um ângulo de 120°, tem três setores de células ao seu redor. A Figura D.1.3
ilustra a aparência do padrão de célula correspondente.
Não é sempre necessário ter três setores de células juntos. Ocasionalmente, um setor
será suficiente; por exemplo, quando cobrir um trecho de uma rua ou de uma rodovia.
Os transmissores de cada uma das células têm suas próprias freqüências. O
planejamento do padrão das células está intimamente relacionado com o uso e a
reutilização das freqüências. (Veja Capítulo 5, Subseção 5.2.1.)
Figura D.1.3 Células com três setores
Canais de rádio entre as estações rádio base e os aparelhos
móveis
Ao serviço de telefonia móvel têm sido atribuídas faixas de freqüências especiais
(que variam, dependendo do país e dos padrões empregados). Essas faixas de
freqüência estão, por sua vez, subdivididas em canais de rádio, normalmente com 25
30 kHz de de largura (separação dos canais). Usa-se o modo duplex no tráfego no
262 Ericsson Telecomunicações
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acesso rádio, significando que as estações rádio base e os aparelhos móveis precisam
ser capazes de transmitir e receber simultaneamente, requerendo duas faixas de
freqüências suficientemente separadas uma da outra. Essa separação entre elas é
denominada separação duplex; sua dimensão, determinada por fatores técnicos,
varia em função da faixa de freqüência utilizada. A combinação de duas freqüências
(ou porções de freqüências) constitui um canal de rádio duplex. Como exemplo, a
Figura D.1.4 mostra a atribuição de freqüências e sua utilização para o sistema de
telefonia móvel NMT 450.
Os canais de uma rede móvel estão divididos em dois grupos primários: canais de
controle e canais de tráfego.
· Cada célula emprega pelo menos um canal de controle, no qual a estação rádio
base transmite continuamente um sinal de identificação, que é usado pelos aparelhos
móveis para se acoplarem àquela célula em particular. Os canais de controle são
também utilizados para executar as chamadas paging; se o aparelho móvel estiver
dentro da célula, ele vai responder neste (ou um outro) canal. A quantidade de
canais de controle em uma célula varia em função da técnica de acesso empregada
e da intensidade de chamadas esperada.
Figura D.1.4 Faixa de freqüência para o NMT 450
· Depois de ter completado a sinalização de conexão da chamada, atribui-se um
outro canal ao aparelho móvel e estação rádio base um canal de tráfego para a
fase de conversação da chamada. A quantidade de canais de tráfego em uma
célula varia com a intensidade de tráfego esperada nessa célula.
Os canais de controle e os canais de tráfego são também chamados de canais lógicos.
Esses canais lógicos são mapeados sobre os canais físicos.
Ericsson Telecomunicações 263
Entendendo Telecomunicações 2
Um canal físico pode ser uma freqüência irradiada, um par de freqüências (incluindo
a separação duplex) em um sistema móvel analógico, ou um intervalo de tempo em
um par de freqüências no sistema móvel digital.
Os canais de tráfego são tratados detalhadamente no Capítulo 4, Subseção 4.3.5. Os
canais de controle estão descritos no Capítulo 7.
Aparelho ligado ou desligado
Logo que um aparelho móvel tem sua bateria ligada, ele estabelece um contato com a
rede. Ele acessa a rede que passa a acompanhar seus deslocamentos.
Um usuário pode, ocasionalmente, desligar seu aparelho móvel para economizar a
carga da bateria. Uma vez que não tem sentido chamar um aparelho móvel desligado,
o sistema inclui funcionalidade para manter um registro se o aparelho móvel está
ligado (com a bateria ligada) ou desligado (com a bateria desligada).
Roaming
Independente da sua localização, um aparelho móvel que esteja ligado precisa manter
contato de rádio constante com a rede. Tanto a rede como o aparelho móvel incluem
funcionalidade para este propósito: a função roaming.
Atualização da localização e paging Área de localização
Em uma rede fixa, um terminal está conectado a um ponto fixo de acesso, que
está também associado a um número de assinante. A informação sobre esta
associação está memorizada na central local responsável por esse ponto de acesso
em particular. Se um terminal é movido, ser-lhe-á atribuído um novo número,
dependendo para qual central local tenha sido mudado. Essa movimentação
(mobilidade simples) não demandou, em termos de rede, nenhum roteamento ou
controle de conexão.
Os pontos de acesso fixos não existem no mundo das redes móveis. Quando um
aparelho móvel é chamado, a rede necessita ter funcionalidade para determinar sua
localização, que requer uma inteligência especial. O registro (ou atualização da
localização) é função da inteligência de rede, que mantém o registro da posição do
aparelho móvel. O paging é uma operação de busca real executada em todas ou em
algumas células da rede.
264 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Figura D.1.5 Área de localização
Os recursos de rádio seriam enormemente sobrecarregados se, para todas as chamadas
de entrada, a função paging tivesse de ser ativada para localizar a posição do aparelho
móvel por toda a rede. A solução consiste em obrigar os aparelhos móveis a reportar
suas posições, isto é, registrar-se. A questão é: Quão freqüentemente o aparelho
móvel deve reportar sua localização, ao penetrar em uma nova célula? A dimensão
da área dentro da qual o aparelho móvel não necessita se registrar torna-se uma
ponderação entre a atualização da localização e o paging. Atualizar a localização
por célula iria sobrecarregar a rede com muitas tarefas de registro, enquanto uma
grande área por exemplo, toda uma área de serviço MSC poderia muito bem
carregar a rede com muitos pagings. O grupo de células no qual um aparelho móvel
não necessita registrar-se denomina-se sua área de localização. A área de localização
pode corresponder à área de serviço BSC (como mostrado na Figura D.1.5), mas
pode também consistir em células de várias áreas de serviços BSC distintas, porém
localizadas dentro da mesma área de serviço da MSC.
Enquanto o uso do canal de tráfego é relacionado às células específicas, não adjacentes,
os canais de chamada paging representam um recurso comum para uma dada área
de localização. Uma área de localização não deve ser projetada muito grande, a ponto
de a quantidade de chamadas paging na área provocar o congestionamento do
canal de chamada.
Uma vez que a função de registro e a de paging requerem inteligência de rede, elas
são também explicadas no Capítulo 6, Seção 6.2.
Localização e handover
O canal utilizado para uma chamada ou para seu controle precisa ter a flexiblilidade
de ser comutado de uma célula para outra, à medida que o aparelho móvel as atravessa.
O sistema precisa ser capaz de detectar se essa comutação é necessária ou não
(normalmente coincidindo com o fato de a intensidade do sinal ter caído abaixo de um
Ericsson Telecomunicações 265
Entendendo Telecomunicações 2
valor limite, ou a relação sinal ruído tenha se tornado insatisfatória). Esta função é
chamada de localização. O termo técnico para a comutação de uma célula para outra
célula que preferivelmente deve ocorrer sem que o usuário a note é handover.
O handover é explicado com maiores detalhes no Capítulo 3 (aspectos de comutação)
e no Capítulo 5 (aspectos de transmissão).
1.2 Serviços
A idéia básica dos serviços móveis é oferecer ao assinante que se desloca, os mesmos
serviços oferecidos aos assinantes da rede fixa. O deslocamento do assinante requer
soluções sofisticadas para manter a continuidade do serviço por toda a rede. A
informação do acesso de assinante individual a um serviço específico e o status desse
serviço necessitam ser transmitidos entre as centrais da rede móvel, em passos, de
acordo com o deslocamento do assinante.
1.2.1 Telefonia
A função mais importante de uma rede móvel é a criação de um serviço bom e
confiável de telefones. Sob condições de transmissão de rádio favoráveis, a qualidade
do serviço telefônico é comparável à do serviço de telefonia da rede fixa. As redes
móveis digitais são capazes de prestar o serviço de telefonia com qualidade variada,
dependendo do método de codificação de voz empregado no acesso de rádio. O sistema
móvel digital GSM usa os termos codificação à taxa plena (13 kbit/s) e codificação
à meia taxa (6,5 kbit/s).
1.2.2 Dados
A velocidade normalmente usada pela GSM é 9,6 kbit/s, mas velocidades mais altas
estão sendo desenvolvidas (Veja Capítulo 2, Subseção 2.4.4).
O uso de modems permite aos sistemas analógicos oferecerem serviços de dados
com taxas de bits até 19,2 kbit/s.
1.2.3 Telefax
Todos os grandes sistemas móveis dão suporte ao telefax do Grupo 3.
1.2.4 Serviços suplementares
Os serviços suplementares da rede móvel são similares aos seus congêneres na rede
fixa, mesmo que os serviços, como o bloqueio de chamada, requeiram um grande
266 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
número de variações. Uma subscrição de uso empresarial ou governamental pode ter
chamadas barradas, de forma que as chamadas de entrada no móvel não sejam
permitidas, por exemplo, quando o aparelho móvel é usado em uma missão em um
outro país. Isto protege a empresa ou governo contra o risco de ter de pagar o alto
custo de chamadas particulares feitas de casa para o aparelho móvel.
1.2.5 Serviços de chamadas de emergência
Muitas redes móveis oferecem um serviço de chamadas de emergência. Tudo que o
usuário tem que fazer, em situações de emergência, é contatar um centro de emergência
não é necessário conhecer os números de telefone dos diferentes centros na área.
Mesmo os aparelhos móveis que estejam na lista negra, que estão normalmente
impossibilitados de passar no controle de autenticação para a rede, podem usar esse
serviço.
1.2.6 Serviços de mensagem
Os serviços de mensagem são particularmente importantes no aumento da acessibilidade
em uma rede PLMN, devido aos terminais poderem ser desligados ou estar em uma
área em que edifícios ou montanhas podem criar áreas de sombra para o rádio. Correio
de voz, telefax e o serviço de mensagens curtas (SMS) são exemplos de serviços de
mensagem.
O SMS permite aos assinantes que chamam, deixarem mensagens curtas de texto (o
GSM permite até 160 caracteres). Uma mensagem que não pode ser despachada
imediatamente será memorizada no centro do serviço de mensagens curtas, até que o
aparelho móvel possa ser alcançado.
1.3 Desenvolvimento de serviços
Como ficou evidente na Subseção 1.2.2, as redes móveis têm uma capacidade pequena
de transmissão de dados. Os sistemas móveis analógicos atuais podem ter maiores
capacidades que seus correspondentes digitais (19,2 kbit/s para os sistemas analógicos
e 9,6 kbit/s para os sistemas digitais). O desenvolvimento explosivo da comunicação
móvel e da comunicação de dados com a Internet resultou numa exigência por
significativos aumentos nas capacidades de comunicação de dados dos sistemas
móveis.
A necessidade da transmissão de vídeo, incluindo alta resolução, pode levar a uma
demanda ainda maior de até 384 kbit/s ou 2 Mbit/s. Em princípio, isto poderá resultar
em sistemas móveis constituídos de três classes de taxas de transferência:
Ericsson Telecomunicações 267
Entendendo Telecomunicações 2
· Os sistemas atuais otimizados para a transferência de voz.
· Versões melhoradas dos sistemas atuais, com um aumento significativo na
capacidade de transferir dados - pouco mais de 100 kbit/s.
· Novos sistemas (terceira geração 3G) que complementam os sistemas existentes.
Um exemplo é o sistema de telecomunicação móvel universal (UMTS).
O objetivo do UMTS é permitir a um acesso móvel oferecer o mesmo conjunto de
serviços que o fornecido pelo acesso fixo, e ao mesmo tempo prover a mesma qualidade.
O UMTS e a atualização dos sistemas atuais são abordados em detalhes no Capítulo
2 (Veja a Seção 2.6 e a Subseção 2.4.4.).
1.3.1 Terminais móveis inteligentes
Um sistema móvel é normalmente considerado um simples transportador de bits, no
que se refere à comunicação de dados. Qualquer comunicação inteligente com um
servidor Web da Internet, por exemplo, é tratada por um computador conectado ao
sistema móvel. Esta situação irá mudar com a disponibilidade de terminais mais
inteligentes no mercado. O advento dos pequenos computadores de mão (palmtop)
com a habilidade de comunicação embutida é um passo nesta direção.
A tendência aqui descrita significa que a PLMN do ponto de vista de comunicação
de dados vai se desenvolver de uma rede portadora para uma rede que incluirá
internamente telesserviços altamente avançados e serviços de valor agregado; por
exemplo, serviços que permitam a um aparelho móvel ser usado como uma ferramenta
de mão55 para efetuar transações monetárias (Veja também a Seção 1.5, em particular
a Figura D.1.7.).
1.4 Segurança
As redes que utilizam radiocomunicações são especialmente sensíveis ao uso não
autorizado de terminais (clonagem) e interceptações ao longo do caminho do rádio.
As redes móveis, então, requerem medidas especiais de segurança. Ambos, o usuário
e a operadora da rede, precisam estar protegidos contra intrusos não autorizados.
Essa proteção pode consistir em um serviço suplementar selecionado pelo usuário,
por exemplo um cartão inteligente (com um código pessoal) para sistemas que utilizam
esse tipo de cartão, ou várias funções de rede como autenticação e criptofonia.
55
NR - no ano 2000, torna-se possível acessar a Internet a partir do terminal móvel, via portal na rede
portadora, e com isso entrar em sites e obter uma série de informações no limitado display do
terminal.
268 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
As seguintes funções foram melhoradas para proteger a rede:
· sistema de autenticação que protege contra o uso não autorizado dos serviços da
rede, inclusive sistemas avançados para detectar clones de terminais reais;
· codificação para proteção contra escuta na seção de acesso de rádio;
· números de telefone temporários que protegem contra acesso não autorizado à
identidade do aparelho móvel.
O aspecto de segurança está detalhado no Capítulo 6, Seção 6.4.
1.5 Terminais
Figura D.1.6 As funções mais importantes das teclas de um telefone móvel
O desenvolvimento do telefone móvel tem sido caracterizado por duas tendências
dominantes: redução de tamanho e aumento da inteligência. As duas tendências têm
as mesmas origens, especificamente o esforço de fazer componentes cada vez menores
Ericsson Telecomunicações 269
Entendendo Telecomunicações 2
e avançados, e o constante desenvolvimento e refinamento do seu projeto. Além
disto, o telefone móvel já ultrapassou as três fases iniciais: o modelo para carros, o
modelo transportável e o modelo comum de bolso.
Nas redes digitais, o telefone celular ajuda no processo de handover pela medição
contínua da intensidade do sinal da estação rádio base, e reportando, então, os valores
medidos para a rede. A possibilidade de o telefone móvel controlar o processo de
handover (handover controlado pelo telefone móvel), marcará o próximo passo
no seu desenvolvimento. (Veja Capítulo 5, Seção 5.4.)
Um telefone de bolso tem várias facilidades. As mais comuns são:
· visor alfanumérico;
· memória para muitos números abreviados;
· indicador da intensidade de sinal;
· indicador da carga da bateria; e
· cadeado eletrônico.
O escritório móvel é um conceito que tem se desenvolvido em etapas junto com o
aumento do teletrabalho. Complementando o telefone móvel, uma ferramenta
importante é o PC laptop, que pode ser equipado com um cartão modem. O laptop
pode então ser conectado diretamente a uma porta do modem do telefone móvel. O
fax portátil é um outro terminal que pode ser utilizado em uma rede PLMN.
O desenvolvimento em direção a terminais mais avançados, como está descrito na
Seção 1.3.1, está ilustrado na Figura D.1.7.
Figura D.1.7 O desenvolvimento dos terminais PLMN desde os simples
telefones móveis até terminais móveis inteligentes
270 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
2 Padronização
2.1 Organizações de padronização
Os esforços mais importantes para a padronização no campo dos sistemas móveis foram
feitos pela ITU-T, que publicou uma grande quantidade de recomendações para a rede
móvel. A recomendação Q.1001, Aspectos gerais da rede pública móvel terrestre
(General aspects of Public Land Mobile Networks), fornece uma visão geral das
definições, da arquitetura e dos serviços relacionados com uma rede móvel, pública e
nacional. As recomendações também tratam de outras áreas importantes, como planos
de numeração, grau de serviço (GoS), sinalização e a cooperação entre redes. A ITU-
R, o setor de rádio da ITU, discute e regulamenta o uso do espectro de freqüência de
rádio, um recurso natural finito, requerido pelas redes móveis para sua operação.
Uma outra organização influente de padronização no campo dos sistemas móveis é o
ETSI - European Telecommunications Standardisation Institute (Instituto Europeu de
Padronização de Telecomunicações). O ETSI desenvolveu a especificação para o sistema
global de comunicação móvel (GSM) e especificou um sistema digital para telefonia
sem fio, o sistema digital melhorado de telecomunicações sem fio (DECT), e o sistema
busca de pessoas chamado de Sistema Europeu de Mensagens por Rádio (ERMES56).
Outras organizações importantes na padronização são: as japonesas RCR e TTC, as
norte-americanas ANSI, EIA e TIA. As operadoras norte-americanas têm suas
freqüências atribuídas pela comissão federal de comunicações (Federal
Communications Commission - FCC57).
2.2 Codificação de voz em redes móveis
Devido à escassez de faixas de freqüência disponíveis, todos os sistemas digitais
usam algum tipo de codificação híbrida, que permite que as taxas de transmissão de
bits sejam reduzidas para um nível bem abaixo dos 64 kbit/s proporcionados pela
codificação PCM. Daí, todos os sistemas usam codificação por bloco de voz, em vez
da codificação da forma de onda pura. Cada bloco de voz (20 milessegundos na
GSM) é analisado e comparado com o bloco subseqüente (e com referências), e
então é parametrizado e codificado. Os blocos longos permitem baixas taxas de
transmissão de bits, mas também resultam em atrasos que criam problemas. Um
cancelamento de eco bem balanceado é então de grande importância para a qualidade
de voz nas conexões envolvendo sistemas móveis digitais.
56
NR - European Radio MEssage System.
57
NR - no Brasil a outorga de freqüências está a cargo da Superintendência de Radiofreqüência e
Fiscalização da ANATEL.
Ericsson Telecomunicações 271
Entendendo Telecomunicações 2
2.2.1 A fala humana
A fala humana contém uma grande parte de informações redundantes. Podemos
reduzir essa redundância com o uso da análise da voz, e transferir somente aquela
porção da fala requerida para reproduzir a informação no extremo recebedor.
Figura D.2.1 Um modelo dos órgãos humanos da fala
As cordas vocais vibram e criam sons de varias freqüências. O som é modificado
quando passa pelos órgãos da fala (garganta, nariz e boca), que funcionam como um
filtro de freqüência.
2.2.2 A codificação da voz na GSM
Segue uma breve descrição da codificação da voz empregada nos telefones móveis
do sistema GSM. Um número de filtros eletrônicos é utilizado para simular a operação
dos órgãos humanos da fala, e para extrair as freqüências originais das cordas vocais,
chamadas de seqüências de excitação.
Figura D.2.2 Codificação de voz no GSM
272 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
A informação sobre as características do filtro e as seqüências de excitação são
enviadas para o receptor, no qual elas são usadas para reproduzir o sinal original. A
Figura D.2.2 e a Figura D.2.3 ilustram este princípio.
· O primeiro passo da análise é efetuado por uma codificação linear preditiva (Linear
Predictive Coding LPC). A unidade de análise LPC está projetada como o inverso
do modelo de filtragem dos órgãos da fala. Quando um bloco de voz de 20 ms
proveniente da unidade de segmentação é admitido no filtro para a análise LPC,
ele expedirá a seqüência de excitação para essa amostra.
· Caso dois blocos consecutivos tenham seqüências de excitação similares, calcula-
se a diferença entre eles com métodos de predição de longo tempo (Long-Term
Prediction - LTP).
· A diferença de excitação resultante passa por um filtro passa baixa e então é
injetada na unidade de seleção de grade da excitação de pulso residual (Residual
Pulse Excitation - RPE), que é um codificador de forma de onda (similar ao utilizado
no PCM). A diferença de excitação filtrada é amostrada a cada terceira amostra
e codificada. O fluxo de bits resultante é de 9,4 kbit/s.
· O fluxo de bits RPE e os valores dos parâmetros LPC e LPT são transferidos para
o receptor, no qual se reproduz a fala original por um processo inverso.
Os valores dos parâmetros LPC e LPT geram 3,6 kbit/s, levando a cadeia de bits total
desde o codificador de voz a ter 13 kbit/s (260 bits por amostra de 20 ms).
Figura D.2.3 As freqüências originais (seqüências de excitação) das cordas
vocais são extraídas usando a análise LPC/LPT
2.3 Elementos de rede
Na sua maior parte, os mesmos tipos de elementos de rede são encontrados em todas
as redes móveis, mesmo que eles recebam nomes distintos nos diferentes padrões de
PLMN. Na Figura D.2.4, usamos como exemplo o sistema GSM.
Ericsson Telecomunicações 273
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.2.4 Elementos de rede do sistema GSM
2.3.1 Elementos de rede para tráfego (de usuário)
· MS: Uma estação móvel pode ser um telefone móvel, um fax com acesso via rádio
ou um computador laptop equipado com um modem rádio.
· BTS: Uma estação transceptora base contém equipamento para transmissão e
recepção, antenas para uma ou mais células, além de equipamento para codificação/
decodificação, medidor de intensidade de sinal e comunicação com a BSC.
· BSC: Uma controladora de rádio base, também chamada de comutador de rádio,
estabelece os canais de rádio para tráfego e sinalização para o MSC (veja em
seguida), e monitora a seção de acesso à rede da conexão. Uma BSC também
efetua a concentração de tráfego e trata o handover entre as estações rádio
base (BTS) por ela controladas. As BSCs são encontradas somente no padrão
GSM. Nos demais padrões, o MSC também trata das funções de comutação de
rádio.
274 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
· MSC: Um centro de comutação para PLMN é um nó comutador com funções
especializadas requeridas pelas redes móveis, notadamente aquelas relativas ao
handover entre os MSCs e entre diferentes PLMNs. Um MSC58 pode ser
comparado a uma central local de uma rede fixa, muito embora ela não tenha
nenhum assinante fixo (pelo menos no caso do sistema GSM). Uma rede PLMN
pode ter um ou vários MSCs, dependendo do tamanho da rede e da quantidade de
assinantes. As células cujas estações rádio base são controladas por um MSC em
particular constituem uma área de serviço do MSC.
· Um portal MSC (GMSC) é um MSC especializado que serve como interface para
outras redes. Todas as conexões para e desde as redes móveis passam por meio
de um GMSC (dentro da mesma rede pode existir mais do que uma unidade GMSC).
Um GSMC não necessita tratar dos dados dos assinantes, mas precisa ser capaz
de tratar diferentes padrões de sinalização para sua comunicação com as outras
redes. A tarifação e a contabilidade entre as redes são também funções do GSMC.
Um GSMC representa uma rede móvel ante outras redes. As conexões com a
rede fixa são efetuadas em nível nacional ou internacional da PSTN/ISDN, em
que a PLMN pode ser identificada da mesma maneira que qualquer outra operadora
de rede.
· O centro de serviço de mensagens curtas (SMS-C): os sistemas de mensagem (na
forma de caixa postal de voz para mensagens curtas e de fax) são usados para
aumentar a acessibilidade em uma PLMN.
2.3.2 Elementos de rede que funcionam como base de
dados
· HLR: Os assinantes móveis necessitam estar permanentemente registrados em
algum lugar do sistema. Em uma rede fixa, todo assinante pertence a uma central
local; um assinante móvel pertence à rede. Isto porque as redes móveis incluem
uma ou mais bases de dados (HLRs) para o armazenamento permanente dos
dados dos assinantes. O HLR mantém permanentemente armazenada a localização
do assinante se ele está na área de serviço de uma MSC ou em uma outra rede
PLMN visitada. Esta informação é utilizada pelo GSMC quando ele receber uma
chamada de uma outra rede.
· Um HLR pode ser um elemento de rede separado ou fazer parte de um MSC.
· VLR: Um MSC somente trata de assinantes temporários, isto é, aqueles que entram
na área de serviço do MSC em um dado momento. Os dados pertencentes a esses
assinantes são armazenados em um VLR, que pode ser um elemento separado,
58
NR - não esquecer que no Brasil o MSC denomina-se CCC (Centro de Comutação e Controle).
Ericsson Telecomunicações 275
Entendendo Telecomunicações 2
consultado por vários MSCs. Normalmente, contudo, cada MSC tem seu próprio
VLR que mantém o registro das células da área de serviço dentro da qual um
aparelho móvel pode estar localizado e é continuamente informado se o aparelho
está ligado ou desligado.
· AUC: O centro de autenticação armazena informação de segurança por exemplo,
chaves de codificação para todos os assinantes da rede. O AUC é também
usado para executar essa codificação/decodificação.
· EIR: O registrador da identidade do equipamento armazena a informação da
identidade de todos os aparelhos móveis, inclusive seu número de série. O EIR é
usado para verificar se o aparelho móvel não foi reportado como roubado ou furtado,
ou está com uso bloqueado por alguma outra razão.
2.3.3 Elementos de rede para inteligência de rede adicional
Como nos casos dos pontos de controle de serviço (SCPs) e dos pontos de comutação
de serviço (SSPs) das redes fixas, as operadoras PLMN também têm necessidade
desses nós de inteligência de rede. Essa inteligência permite-lhes prazos de entrega
curtos ao criar novos serviços ou aplicações específicas para os clientes.
2.3.4 Elementos de rede para operação e manutenção
O centro de operação e manutenção (OMC) abriga dois elementos de rede: um sistema
de suporte às operações (OSS) e um sistema de gerenciamento de rede (NMS). Os
dois estão conectados a outros elementos de rede no núcleo e nas redes de acesso da
PLMN, por meio de uma rede X.25 separada.
2.3.5 Elementos de rede para sinalização
Uma vez que a rede GSM utiliza o sistema de sinalização No 7 (SS7), necessita-se de
pontos de transferência de sinalização separados ou pontos de transferência de
sinalização integrados (STPs).
2.3.6 Elementos de rede para transmissão e transporte
Com exceção da transmissão no acesso por rádio, os padrões da rede móvel não
contêm um guia de como os elementos de rede devem ser interconectados sob o
ponto de vista da transmissão. Normalmente, os sistemas utilizam a hierarquia digital
plesiócrona (PDH), a hierarquia digital síncrona (SDH) ou as redes ópticas síncronas
(SONET).
276 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
2.4 Padrões para a telefonia móvel
As principais características seguintes distinguem os diferentes tipos de PLMN uns
dos outros:
· a técnica usada no acesso via rádio (TDMA, FDMA, ou CDMA Veja Capítulo
4, Subseções 4.3.5 4.3.7);
· a disposição da funcionalidade entre a rede e o equipamento móvel (por exemplo,
se a rede ou o aparelho móvel é o responsável pela seleção do canal); e
· o projeto da rede de acesso (em algumas redes, o controle da rede de acesso e a interface
aérea residem na rede de acesso, em outras redes essas funções residem no MSC).
Existem atualmente sete diferentes padrões de redes móveis, sendo três analógicas e
quatro digitais.
2.4.1 Redes móveis analógicas
Redes móveis analógicas são caracterizadas pelo fato de os canais de controle e
canais de tráfego serem analógicos. A voz (normalmente 3 kHz) e também os dados
são modulados por freqüência em uma portadora. Os padrões da rede analógica são:
· NMT Telefonia móvel nórdica (Nordic Mobile Telephony);
· AMPS Sistema avançado de telefones móveis (Advanced Mobile Phone System); e
· TACS Sistema de comunicação com acesso total (Total Access Communication
System).
Nota: uplink: sentido de transmissão do aparelho móvel para a rádio base.
downlink: sentido de transmissão da rádio base para o aparelho móvel.
Figura D.2.5 Padrões de rede analógica móvel
Ericsson Telecomunicações 277
Entendendo Telecomunicações 2
NMT
O NMT foi especificado pelas administrações de telecomunicações nórdicas e foi a
primeira rede móvel pública celular comercialmente operada (1981). Há duas variantes:
a NMT 450 e a NMT 900. Os números se referem às faixas de freqüência utilizadas.
A NMT 900 foi introduzida em 1986, como resultado da insuficiência de canais na
NMT 450 e também oferece alguma funcionalidade de roaming internacional. A NMT
foi implementada em países da Europa, do Oriente Médio e da Ásia.
AMPS
A AMPS é um padrão de rede móvel notável, especificado pelo consórcio norte-
-americano TIA/EIA/ANSI. O padrão da interface aérea chama-se EIA/TIA 553.
A primeira rede AMPS tornou-se operacional no começo de 1984, nos Estados Unidos,
e em 1988, o padrão foi expandido para englobar uma faixa de freqüência mais larga,
passando a chamar-se E-AMPS (Extended AMPS). As redes AMPS encontram-se
disseminadas nas Américas, Austrália e na Ásia.
TACS
O TACS é uma versão modificada do AMPS; sua faixa de freqüência é um pouco
mais larga. A modificação foi feita com vistas ao mercado britânico, em que o padrão
tornou-se operacional em 1985. O TACS também recebeu uma faixa de freqüência
mais larga em 1988, E-TACS (Extended TACS). Desde então o TACS tem se
espalhado para muitos países no mundo.
2.4.2 Redes móveis digitais
As redes móveis digitais são caracterizadas principalmente por seus canais de tráfego
sob forma digital, o que significa que a voz que transportam é codificada. No entanto,
podem incluir canais de controles analógicos e digitais.
Alguns exemplos de sistemas59 incluem:
· GSM, sistema global para comunicações móveis;
· PCS, serviços de comunicação pessoal;
59
NR - designações originais em inglês que resultaram nas siglas dos sistemas móveis:
GSM = Global Systems for Mobile Communications; PCS = Personal Communications System;
D-AMPS = Digital Advanced Mobile Phone System; PDC = Personal Digital Communications;
CDMA = Code Division Multiple Access.
278 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
· D-AMPS, AMPS digital, denominado anteriormente de ADC, celular americano
digital (American Digital Cellular);
· PDC, celular pessoal (do Pacífico) digital, chamado anteriormente de JDC, celular
digital japonês;
· CDMA, sistema de múltiplo acesso por divisão de código (faixa estreita).
Figura D.2.6 Padrões de redes móveis digitais
GSM
Ambos os canais, de controle e de tráfego de um sistema GSM, são digitais. O GSM
foi especificado pelo ETSI e entrou em operação comercial em 1992. A sigla GSM,
originalmente, significava groupe spéciale mobile o grupo do ETSI que, em 1982,
foi designado para a tarefa de especificar um sistema móvel digital, que deveria possuir,
inclusive, o roaming internacional, interfaces abertas entre elementos de rede, melhor
qualidade de voz e um certo número de funcionalidades.
Três faixas de freqüências diferentes 900, 1800 e 1900 MHz estão disponíveis
para os sistemas GSM. Por isso, os padrões correspondentes (chamados GSM 900,
GSM 1800 e GSM 1900) seguem a mesma especificação. O GSM 800/1900 é
principalmente destinado a áreas de alta densidade móvel, sendo uma das muitas
maneiras de utilizar a faixa limitada de freqüência disponível para a telefonia móvel. É
Ericsson Telecomunicações 279
Entendendo Telecomunicações 2
por isso que o sistema GSM 1800/1900 faz uso extensivo de microcélulas dentro de
células guarda-chuva (Veja Capítulo 10, Subseção 10.4.4), e porque a potência de
transmissão de seus terminais e estações rádio base é pequena.
As redes GSM são encontradas em todo o mundo.
D-AMPS
O sistema D-AMPS é uma versão do AMPS que foi ampliado para usar mais canais
de tráfego digitais. Graças à técnica de acesso utilizada (TDMA, três intervalo de
tempo), um canal de 30 kHz tem capacidade para três canais de tráfego à taxa de
codificação total. O padrão ampliado, referido como IS-54, permite ao D-AMPS incluir
tanto canais para tráfego analógico quanto canais para o tráfego digital em uma e
mesma rede, sem dúvida, mesmo numa mesma célula. Os usuários deste tipo de rede
móvel têm o melhor GoS, se os seus aparelhos móveis puderem alternar entre canais
de tráfego analógicos e digitais, mesmo durante o handover. O D-AMPS tornou-se
comercialmente disponível em 1991 1992, e tem cerca da mesma área de distribuição
do AMPS.
A ampliação do D-AMPS para incluir um canal digital de controle físico, que ocupa
um intervalo de tempo, foi especificada desde a IS-136 rev.0. Quase da mesma maneira
que o GSM, os canais de controle lógicos são mapeados no intervalo de tempo. (Veja
Capítulo 7, Subseção 7.3.4.) O novo padrão também inclui os dois padrões mais antigos.
Por conseguinte, uma rede D-AMPS, de acordo com o IS-136 rev.0, pode conter
canais de controle e de tráfego, analógicos e digitais. Seguindo uma ampliação adicional
com o IS-136 rev.A a D-AMPS é normalmente especificada para 1900 MHz e
designada de AMPS 1900. Aparelhos móveis que usam 1.900 MHz não necessitam
ter funcionalidade para tratar canais analógicos e digitais, mas eles devem estar aptos
a usar as duas faixas, de 800 e 1900 MHz (faixa dual).
Nota do tradutor:
A grande diferença entre o D-AMPS e o GSM está na configuração de rede. Enquanto a rede
GSM está dividida em quatro níveis (PSTN, MSC, BSC e BTS), a rede D-AMPS possui apenas
três níveis de equipamento (PSTN, MSC e RBS). Notar que BSC não está presente na D-AMPS.
Isso implica em realizar as funções que o GSM colocou na BSC, dentro da MSC e RBS no
D-AMPS. Entre essas funções, as mais importantes são a codificação de voz (vocoder) e
controle das rádio base. Os codificadores de voz encontram-se no MSC, o qual, além de
executar todas as funções de controle da chamada, inclusive tarifação, tem também a função de
codificar a voz, ou seja: a informação que estava numa taxa de 64 kbit/s terá que ser convertida
em 7,98 kbit/s após a codificação. Essa informação será enviada à RBS para ser modulada e
transmitida no canal de tráfego correspondente. Os sistemas D-AMPS instalados no Brasil
usam codificadores VSELP e ACELP, sendo este último a versão mais recente. O controle das
RBS é repartido entre a própria RBS e o MSC. Isto tudo consome considerável capacidade de
processamento do MSC. No GSM há um processamento distribuído e com isso reduz-se a
carga de processamento no MSC.
280 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Nota do tradutor:
CDMA
O padrão cdmaOne (IS 95) difere do GSM devido ao fato de que neste último utiliza-se a
técnica de acesso TDMA, ou seja, os usuários são separados por freqüência.
Quando utilizam a mesma freqüência, acham-se também separados no tempo. Têm-se, assim,
multiplexação FDM e multiplexação TDM.
No CDMA o acesso é realizado por códigos.
· Os usuários são separados e identificados no uplink pela utilização de um código gerado
em função do número de série do aparelho móvel e das seqüências PN (Pseudorandom Noise).
Esse código denomina-se PN longo (Long Code).
· As informações que serão enviadas da estação rádio base são diferenciadas pelo uso
dos códigos Walsh. Sendo assim, é possível transmitir diferentes informações por diferen-
tes canais que utilizam a mesma portadora. Há 64 diferentes códigos Walsh, o que permite
diferenciar 64 canais por portadora.
Esses 64 canais são os seguintes:
1 canal piloto (código Walsh 0)
1 canal de sincronismo (código Walsh 32)
7 canais de paging (código Walsh 1 a 7)
55 canais de tráfego (código Walsh 8 a 31 e 33 a 63)
· Os assinantes identificam as células ou setor a que estão vinculados com a utilização de
códigos PN, ou seja, a diferenciação das estações rádio base ou setores é realizada pelo uso
desse código, também chamado de PN curto.
Um processo muito importante no CDMA é o controle de potência, que é executado na BSC e
do qual depende todo o funcionamento do sistema, pois se houver um controle inadequado de
potência, aumentar-se-á o nível de interferência na célula e com isso a capacidade do sistema
será reduzida, isto é, menos usuários poderão falar simultaneamente naquela célula. Por outro
lado, se houver um controle eficiente de potência, aumenta-se a capacidade da célula, pois o
nível de interferência será menor.
A arquitetura de rede do sistema cdmaOne é similar à do GSM, em que também existe a
utilização da BSC, o que significa que o sistema usa processamento distribuído (BSC controla
suas BTS). Acha-se em desenvolvimento o CDMA 2000, sistema de terceira geração, que
possibilitará agregar vários serviços, tais como: voz, dados e imagem. O CDMA em operação
no Brasil é o cdmaOne.
PCS
O serviço de comunicação pessoal (PCS) é um padrão muito aberto; ele especifica
principalmente uma interface de serviço. Um sistema PCS pode ser analógico ou
digital, usando a técnica celular ou uma combinação das técnicas celular e sem fio. O
acesso digital pode ser baseado na TDMA ou no IS-95 (CDMA).
Nota do tradutor:
Embora o padrão PCS usado nos USA use a faixa de 1,9 GHz, os serviços desta natureza no
Brasil (denominado SMP = Sistema Móvel Pessoal) serão alocados na faixa de 1,8 GHz, por
decisão da ANATEL. A seleção da faixa 1,8 GHz evita a colisão com a faixa preconizada pela
ITU-T para o IMT 2000, o que não ocorre com a 1,9 MHz. Essa faixa contém três subfaixas de
Ericsson Telecomunicações 281
Entendendo Telecomunicações 2
15 MHz cada (faixa C, D e E). O SMP usará somente sistemas digitais e empregará o padrão
GSM. Os primeiros sistemas a serem implantados já deverão conter o GPRS (General Package
Radio Service) com largura de faixa de 172 kHz, o que permitirá acesso à Internet e recepção de
imagens com boa qualidade.
PDC
O PDC foi especificado pela RCR no Japão em cooperação com onze fabricantes,
três dos quais eram empresas não japonesas. O sistema se tornou disponível
comercialmente em 1993 1994. A interface aérea é aberta e similar àquela do
D-AMPS, enquanto a arquitetura da rede e serviços são mais parecidos com o GSM.
Por enquanto, o PDS está somente disponível na Ásia.
2.4.3 Sistemas sem fio
Os sistemas celulares não são o único meio de prover telefonia móvel. Um outro
grande grupo que também merece menção chama-se sistemas sem fio. Eles ainda
não foram utilizados para a construção de redes lógicas completas, mas são
principalmente empregados nas redes privadas e, crescendo, como um método opcional
de acesso a PSTN. O nome sem fio tem sua origem na técnica que tornou possível
aos assinantes conectar aos seus telefones pequenas estações base, portanto,
conquistando um limitado grau de mobilidade (dentro de um raio de poucos quilômetros).
CT-1 significa telefonia sem fio da primeira geração.
A terceira geração da tecnologia sem fio (CT-3) experimentou a introdução de uma
central de rádio, que pode ser conectada a um PBX, ou a uma central local.
Várias estações base conectadas à central de rádio fornecerão ao ramal uma mobilidade
livre, dentro da área coberta pela central. Um sistema CT-3 pode estar baseado no
DECT, que utiliza TDMA para seus acessos de rádio.
O sistema não requer um planejamento de células.
Nota do tradutor:
WLL
O WLL (Wireless Local Loop) é um conceito de serviço. É um tipo de serviço oferecido por
empresas de telefonia fixa, em que o assinante é conectado à central local via enlace de
radiofreqüência por uma estação rádio base encarregada da interface entre o assinante e o
MSC. Esse tipo de serviço é transparente ao usuário, desde que ele possua o mesmo tipo de
serviço e facilidades que um assinante comum da rede fixa. Esta solução costuma ser
implementada como uma alternativa para que as operadoras de redes fixas diminuam seus
custos com a infra-estrutura de rede, e assim a quantidade de cabos de assinantes, objetivando
uma redução dos custos de manutenção. Presta-se, também, a abreviar os prazos para conectar
os assinantes às centrais, sem ter de aguardar os longos prazos para construção de uma rede
metálica (geralmente subterrânea) pelas ruas da cidade.
282 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
O serviço WLL baseia-se nas redes celulares, porém sem a funcionalidade de mobilidade. Pode
usar qualquer método de acesso: D-AMPS, CDMA ou GSM, o que vai depender da faixa de
freqüência disponível e da opção da operadora pela tecnologia.
Quando as regulamentações nacionais permitem às operadoras de sistemas móveis proverem
serviços de telefonia fixa, e aquelas operadoras têm capacidade reserva nos seus sistemas
celulares, o celular fixo representa uma solução atrativa.
2.4.4 Comunicação de dados em redes móveis digitais
As demandas para grandes capacidades de comunicação de dados nos sistemas móveis
estão expostas resumidamente no Capítulo 1, Seção 1.3. No caso do sistema GSM,
várias técnicas estão surgindo:
· Um aumento da capacidade do canal de 9,6 para 14,4 kbit/s, como resultado da
nova codificação de canal.
· O uso da compressão de dados de acordo com as recomendações ITU-T V.42 bis
ou V.42. Esta técnica é mais eficiente e útil, quando de transferem arquivos de
texto.
· A concatenação de até um máximo de oito intervalos de tempo. Esta técnica pode
ser usada para n x 9,6 kbit/s ou n x 14,4 kbit/s. A técnica de concatenação é
chamada de dados de alta velocidade comutados por circuitos (HSCSD), e pode
também ser usada para transmissão de vídeo. Veja a Figura D.2.7.
Figura D.2.7 Concatenação de intervalos de tempo no GSM
· O empacotamento dos dados em combinação com a instalação de um comutador
de pacotes. Esse método, chamado Sistema de Transmissão de Pacotes via Rádio
- General Packet Radio System (GPRS), está ilustrado na Figura D.2.8. A
combinação do GPRS e do HSCSD pode fornecer capacidade que excede os 100
kbit/s.
Ericsson Telecomunicações 283
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.2.8 Nós de pacotes implementados na GSM
2.5 Padrões relacionados
2.5.1 Redes de busca de pessoas em área ampla (WAP)
Como foi mencionado anteriormente, o ETSI padronizou a ERMES para o WAP. A
primeira rede ERMES foi colocada em operação em 1993. A ERMES opera usando
diferentes portadoras com uma taxa de transmissão de bits de 6,25 kbit/s e inclui
roaming internacional entre diferentes redes WAP (WAPN). O receptor de uma
chamada no ERMES pode também transmitir uma mensagem de resposta. (Veja o
Volume 1, Capítulo 6, Subseção 6.3.3.)
2.5.2 Redes de dados móveis
Um exemplo de rede de dados móvel a Mobitex comutada a pacotes está descrito
em seguida. A Mobitex foi especificada pela Telia (ex-Televerket), a principal
administração de telecomunicações nacional da Suécia, que se tornou operacional em
1987. Ela está disponível, agora, em países da América e Europa.
A rede é celular e na maioria dos casos cobre todo o território nacional. Ela provê a
possibilidade de criar grupos fechados de usuários (CUGs). Considerada como
altamente vantajosa pelos mais freqüentes usuários do sistema departamentos de
polícia, serviços de ambulância, bombeiros e agentes de despacho e transporte de
mercadorias. Uma vez que a rede é comutada por pacotes, os usuários individuais não
têm seus canais físicos conectados durante as chamadas, o que significa que não
existe a necessidade de dimensionar a capacidade da estação rádio base de acordo
com a teoria de tráfego comum.
284 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Figura D.2.9 Uma rede de dados móvel
Os usuários móveis podem ser conectados a computadores fixos, por meio de centrais
regionais. Uma vez que as mensagens geralmente não excedem 40 50 caracteres, e
considerando que os tempos de estabelecimento da conexão são significativamente menores
que no caso da rede comutada a circuitos, a comunicação é extremamente rápida.
Enquanto se deslocam para um incêndio, os carros de bombeiro podem receber
informações sobre a situação no local do sinistro; as ambulâncias transportando pessoas
enfermas podem receber informações do grupo sangüíneo a caminho do hospital, e os
motoristas de caminhão podem ser direcionados em tempo real ao centro de distribuição
correto em uma cidade desconhecida.
2.6 Padrões futuros
A ITU-T vem conduzindo, há vários anos, um projeto direcionado para o estabelecimento
de futuros padrões móveis: os sistemas de telecomunicações móveis públicos terrestre
do futuro (FPLMTS60). O projeto, hoje em dia, chamado de IMT 2000, tem por objetivo
o desenvolvimento de sistemas móveis com características de faixa larga. O UMTS
(Universal Mobile Telecommunications System), como é conhecido na Europa, visa o
estabelecimento de um sistema de telecomunicação móvel universal. O UMTS deverá
ser considerado como uma extensão do GSM e não um substituto.
60
NR - Future Public Land Mobile Telecommunications System.
Ericsson Telecomunicações 285
Entendendo Telecomunicações 2
O UMTS está sendo trabalhado pelo ETSI e pelo Fórum UMTS. As características
mais destacadas do sistema são a nova interface aérea para capacidade de tráfego
por pacotes simétricos e assimétricos e larguras de faixa mais largas e mais flexíveis.
Constituirá, então, um novo acesso por rádio capaz de integrar-se ao GSM.
O GSM/UMTS está estruturado em uma rede de acesso e em uma rede núcleo
central, com dois sistemas de acesso rádio diferentes acesso por rádio GSM e
acesso por rádio UMTS com acesso ao núcleo comum. Os aparelhos móveis no
modo dual podem adaptar-se tanto ao GSM, como ao UMTS, ou ambos.
A interface entre o núcleo central (core) e o acesso por rádio GSM denomina-se A,
enquanto a interface entre o núcleo e o acesso por rádio UMTS chama-se rede de
acesso rádio genérico (GRAN), como aparece na Figura D.2.10. A interface aérea
UMTS está na faixa de 2 GHz. Três freqüências alternativas: 900, 1.800 e 1.900 MHz
estão disponíveis para a interface A.
Acredita-se que a transmissão de dados será responsável pelo incremento do tráfego,
principalmente destinado à Internet. (Veja a Figura D.2.10.)
Figura D.2.10 A arquitetura GSM/UMTS
286 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
3 Comutação e controle da comutação
3.1 Introdução
As funções da rede móvel para comutação e controle da comutação usam as mesmas
técnicas que as utilizadas na PSTN/ISDN, mas diferem em alguns outros aspectos
relativos às funções correspondentes da rede fixa.
· Um MSC em uma rede móvel tem somente assinantes temporários aparelhos
móveis visitantes que não têm número fixo na área de serviço da própria MSC.
· O encaminhamento entre os MSCs baseia-se em números temporários atribuídos
ao visitante enquanto dure a chamada. Esse número é referido como número de
roaming.
· Numa rede fixa comutada por circuitos, o encaminhamento se faz somente uma
vez, e a conexão permanece estabelecida, normalmente, até que a chamada seja
terminada. Em uma PLMN, por outro lado, os aparelhos móveis geralmente se
deslocam durante uma chamada em progresso, o que significa que novos
encaminhamentos e handovers são necessários. Um handover pode envolver
somente a rede de acesso ou a rede de acesso e as MSCs.
· O tráfego nas redes fixas é concentrado na rede de acesso, ou no comutador de
assinantes da central local ou em algum concentrador separado. A concentração
do tráfego na PLMN é efetuada, principalmente, na interface aérea com a ajuda
do acesso múltiplo.
As funções de rede que dão suporte à mobilidade são, geralmente, resumidas sob o
termo gerenciamento da mobilidade (MM). O gerenciamento da mobilidade requer
uma boa parte da potência de processamento, que a operadora deve levar na devida
conta quando do dimensionamento dos elementos de rede com funcionalidade MM.
O gerenciamento da mobilidade, como informado no Capítulo 1, requer inteligência
localizada centralizadamente (na forma de um HLR) e registradores especiais
integrados com a MSC (VLRs). Chamadas móveis IN podem também usar outra
inteligência de rede central. Consideramos, então, mais lógico abordar o tópico do
estabelecimento e desconexão de uma chamada móvel no Capítulo 6, no qual se
discutirá inteligência de rede.
Esta seção, por outro lado, dedica-se à descrição de:
· elementos de rede de comutação na GSM;
· arquitetura de rede das grandes redes móveis; e
· comutação durante uma chamada em progresso.
Ericsson Telecomunicações 287
Entendendo Telecomunicações 2
3.2 Elementos de rede de comutação na GSM
Vamos basear a discussão na Figura D.3.1 que ilustra a arquitetura de uma pequena
rede GSM que inclui duas MSCs, com seus respectivos VLRs, um GSMC e um
HLR. Além disto, incluem-se quatro acessos de rede. A rede coopera com uma
PSTN e uma outra PLMN.
A maioria das redes móveis consiste em dois níveis hierárquicos: os níveis do MSC e
do GSMC. Os nós de trânsito podem também ser encontrados nas grandes redes
móveis (Veja Seção 3.4). As pequenas redes podem ter as funções do GMSC
integradas nos MSCs, o que resulta em uma estrutura em malha achatada.
Os canais de tráfego dos acessos e os dos núcleos diferem. A rede de acesso trata
canais de tráfego de 13 kbit/s, e o núcleo possui canais de 64 kbit/s. A recodificação
entre 13 e 64 kbit/s é executada na BSC. O equipamento de codificação (criptofonia)
localiza-se usualmente nas estações rádio base.
Figura D.3.1 A arquitetura física de rede de uma PLMN
288 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
A comutação é efetuada em quatro níveis da estrutura: na BTS, BSC, MSC e no
GSMC, mostrada na Figura D.3.1.
A concentração é efetuada na interface aérea, devido ao número de canais de tráfego
ser limitado. Essa concentração é controlada pela BSC, que atribui os canais de tráfego
livres aos aparelhos móveis. Depois da decodificação na BTS, quatro canais de tráfego
de 13 kbit/s são multiplexados em um canal de 64 kbit/s normalmente um intervalo
de tempo de um enlace PCM entre a BTS e a BSC.
Figura D.3.2 Elementos de rede de comutação no GSM
A BSC conecta os canais de tráfego entre a BTS e o MSC, empregando um banco de
codificadores de voz que podem ser conectados ao comutador na BSC. Esta última
também efetua a comutação requerida durante a chamada em progresso, uma vez
que o aparelho móvel desloca-se de uma célula para outra, dentro da área de serviço
da BSC.
Ericsson Telecomunicações 289
Entendendo Telecomunicações 2
Normalmente, um MSC comuta canais de tráfego de 64 kbit/s entre o GSMC e
uma de suas BSCs. O MSC precisa manter o registro de (ou estar apta a descobrir)
em qual seção da sua própria área de serviço o aparelho móvel chamado se
encontra. O MSC também necessita ser capaz de comutar para um outro MSC,
sempre que um aparelho móvel se deslocar para uma célula da área de serviço
desse outro MSC, durante uma chamada em progresso, como descrito na Subseção
3.3.
Um GSMC comuta canais de tráfego de 64 kbit/s entre redes externas e os MSCs de
sua própria PLMN, assim como entre redes fixas externas e PLMNs cooperantes.
Como mencionado anteriormente, os GSMCs são conectados às redes externas nos
níveis hierárquicos de redes nacionais ou internacionais.
Quando um GSMC recebe uma chamada de uma rede externa, ele tem de determinar
o MSC (ou a PLMN que está cooperando com ele) que esteja no momento apto
para alcançar o aparelho móvel chamado em outras palavras, qual área de serviço
MSC, ou qual PLMN cooperante o GSMC precisa conectar. É aí que entra a
inteligência de rede no processo. O HLR informa ao GSMC qual MSC deve ser
usado, e devido ao aparelho móvel que chama não ter uma conexão fixa com aquele
MSC, o HLR irá também prover ao GSMC um número temporário de
encaminhamento para ser utilizado na sinalização. Esse número foi recuperado pelo
HLR desde o VLR envolvido. Os papéis do HLR e do VLR estão descritos com
mais detalhes no Capítulo 6.
3.3 Nova comutação durante uma chamada
(devido a um handover)
Quando estudamos outras redes de comutação por circuitos, percebemos que toda a
comutação dava-se quando a chamada estava sendo estabelecida. Na verdade, a
transferência de chamada é parte do mesmo procedimento.
As redes móveis precisam ser capazes de estabelecer nova comutação durante uma
chamada em progresso, porque o aparelho móvel pode deslocar-se e precisar trocar
de estação rádio base e em alguns casos até de MSCs. Conforme mencionado na
Seção 3.1, o handover pode resultar em nova comutação (reswitching) na estação
base, na BSC e possivelmente no MSC.
290 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Figura D.3.3 Handover trocando de estação rádio base durante uma
chamada em progresso
Este capítulo trata somente dos aspectos de comutação do handover. Aspectos
como a qualidade do sinal, que determina se o handover será ou não realmente
efetuado, são tratados no Capítulo 5, Seção 5.4.
A comutação em uma rede móvel durante uma chamada em progresso, sob condições
desfavoráveis, pode interferir na chamada. Conseqüentemente, é vital para o sucesso
da operadora da rede, que essa comutação seja efetuada sem nenhum distúrbio.
As chamadas que são freqüentemente cortadas ou interrompidas, devido a um
handover mal-executado, podem provocar a ira dos assinantes que, descontentes,
podem transferir suas subscrições para outra operadora concorrente, ou simplesmente
deixar de usar seus aparelhos telefônicos móveis.
Figura D.3.4 Comutação nas MSCs durante um handover
Ericsson Telecomunicações 291
Entendendo Telecomunicações 2
Há cinco tipos de handover:
· Handover intracélula: Um novo canal é selecionado na mesma célula, devido à
interferência ou outro distúrbio no canal que está sendo usado pelo aparelho móvel.
No caso do GSM, a nova comutação resultante envolve somente a BSC.
· Handover intra-BSC (no GSM): Um novo canal é selecionado em uma célula que é
gerenciada pela mesma BSC. A nova comutação resultante somente envolve uma BSC.
· Handover intra-MSC: Um novo canal é selecionado em uma célula gerenciada por
uma outra BSC, mas pelo mesmo MSC. No caso do GSM, a nova comutação
resultante envolve duas BSC e um MSC.
· Handover inter-MSC: Um novo canal é selecionado em uma célula gerenciada
por um outro MSC, na mesma rede móvel. A nova comutação resultante envolve
vários MSCs.
· Handover intersistemas: Um novo canal é selecionado em uma célula gerenciada
por uma outra rede móvel, com a qual a nossa PLMN coopera.
3.4 Arquitetura de grandes redes móveis
Figura D.3.5 Redes centrais PLMN três soluções diferentes
292 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Os vários elementos da rede núcleo (o MSC, o GMSC, o HLR e assim por diante)
estão interconectados quase da mesma maneira que os nós da rede local, trânsito e
inteligência de rede na PSTN/ISDN. No processo de dimensionamento, as operadoras
precisam, no entanto, considerar um tráfego especial da PLMN, e perfis de sinalização;
por exemplo, o fato de que a maioria das conexões é estabelecida entre um aparelho
móvel e um usuário fixo da PTSN. O registro e o handover entre MSCs (isto é,
handover inter-MSC) também causam sinalização significativa nas redes móveis
(aproximadamente 4% de todas as chamadas usam handover inter-MSC).
Uma rede núcleo PLMN pode ser construída de acordo com um dos três princípios
ilustrados na Figura D.3.5.
A alternativa a mostra uma solução na qual todas as MSCs estão interligadas umas
às outras, não importando como suas áreas de serviço estão relacionadas
geograficamente. Na alternativa b foram introduzidas centrais tandem, e todas as
rotas diretas foram removidas para alcançar maior flexibilidade. Todo o tráfego inter-
MSC é encaminhado para as centrais tandem uma solução prática nos casos em
que a demanda do tráfego é incerta. A alternativa c combina os princípios de
encaminhamento empregados em a e b e introduz rotas diretas entre MSCs que
tratam de cargas pesadas de tráfego (resultante de handover freqüentes e da grande
demanda por tráfego inter-MSC). Esta é uma solução ótima na maioria dos casos
provendo o máximo de flexibilidade e confiabilidade a custos operacionais e de
transmissão mínimos.
4 Técnicas de transmissão
4.1 Introdução
As redes móveis usam principalmente duas técnicas de transmissão: rádio celular
para o acesso dos assinantes e sistemas ponto a ponto (incluindo enlaces de rádio)
para todas as comunicações acima do nível das estações base. Uma nova tendência
é a utilização de sistemas ponto-multiponto (rádio omnidirecional) para a conexão das
estações rádio base. A transmissão nas redes móveis ponto a ponto difere muito
pouco da técnica utilizada nas redes PSTN.
· Na PLMN, a rede de acesso dos sistemas digitais trata os canais de voz que são
codificados usando baixas taxas de transmissão de bits, o que permite que vários
canais de tráfego sejam transmitidos em uma conexão a 64 kbit/s (quatro conexões
a 13 kbit/s no GSM). A conversão entre 13 e 64 kbit/s é efetuada pela BSC.
· A maioria dos proprietários de rede móvel são operadoras novas que não têm suas
próprias redes de transmissão. Elas, freqüentemente, usam circuitos alugados para
Ericsson Telecomunicações 293
Entendendo Telecomunicações 2
interconectar os vários elementos das redes de acesso e do núcleo.
Alternativamente, elas podem instalar seus próprios enlaces de rádio, por exemplo,
minilinks, para a comunicação entre as estações rádio base e as BSCs.
O que é típico da transmissão da rede móvel (e verdadeiramente desafiante) é o
caminho do rádio entre estação rádio base e o aparelho móvel. Este capítulo vai tratar
somente desse caminho de transmissão em particular.
4.2 O rádio como meio de transmissão
4.2.1 Faixas de freqüência da transmissão móvel
A maneira pela qual as ondas de rádio se propagam possibilita-nos receber estações
transmissoras de rádio do outro lado da Terra, mesmo que não exista conexão metálica
entre o transmissor e o receptor. As ondas de rádio são empregadas naturalmente em
aplicações como transmissoras de televisão e rádio, mas podem também ser usadas
como uma alternativa para o cabo.
Diferentes freqüências de rádio são adequadas para diferentes campos de aplicação:
Figura D.4.1 Propagação e utilização de diferentes faixas de freqüência
Freqüências baixas (abaixo de 30 MHz) propagam-se ao redor da Terra, usando a
ionosfera como um refletor. Isto pode ser utilizado para comunicação de longas
294 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
distâncias com navios e aeronaves. Por outro lado, é muito difícil a reutilização dessas
freqüências o que costuma ser um pré-requisito para as comunicações móveis. Elas
são, portanto, inadequadas para o uso em arquiteturas celulares e, além disto, elas não
irão proporcionar qualquer grau de qualidade estável comparada com a qualidade
requerida na PSTN.
As freqüências entre 30 e 300 MHz são especialmente adequadas para a transmissão
nacional de rádio. Elas não podem ser refletidas pela ionosfera, são muito pouco
afetadas pela atenuação e são relativamente insensíveis a grandes obstáculos, como
construções e relevo do terreno.
As freqüências na faixa entre 300 e 2000 MHz são mais indicadas para a telefonia
móvel. A atenuação não é problema, graças ao tamanho limitado das células; a conexão
entre o transmissor e o receptor pode conter pequenos obstáculos sem causar quaisquer
efeitos sérios de sombreamento. Essa habilidade diminui em freqüências mais altas,
porque o raio de cobertura da estação base se reduz nas freqüências elevadas (com
potência de saída constante).
Os efeitos de sombreamento aumentam nas faixas de freqüências acima de 2 GHz.
Essas freqüências são mais adequadas para o uso em microcélulas ou em outras
aplicações em que exista uma linha de visibilidade direta ao longo do caminho do
rádio. A atenuação causada pela chuva começa a ter uma significativa redução na
propagação das ondas de rádio nas freqüências acima de 20 GHz.
4.2.2 Questões de transmissão no sistema celular
A parte da rede de transmissão que inclui a interface aérea necessita levar em
consideração vários fatores: o meio do rádio, a faixa de freqüência que foi selecionada,
a topologia, a técnica de transmissão utilizada (analógica ou digital) e a necessidade
de reutilização da freqüência. Os problemas que necessitam ser solucionados são
normalmente relacionados com as seguintes categorias:
· perda de percurso;
· desvanecimento (fading), isto é, sombreamento causado pelo desvanecimento
de longo termo e o desvanecimento de Rayleigh, denominado também de
desvanecimento por caminhos múltiplos ou por interferência;
· dispersão no tempo, devido à propagação por caminhos múltiplos, causando uma
interferência intersymbol; e
· alinhamento de tempo (somente nos sistemas digitais).
Ericsson Telecomunicações 295
Entendendo Telecomunicações 2
Perda de percurso
Devido ao espalhamento da potência, a atenuação teórica da intensidade do sinal no
espaço livre é proporcional ao quadrado da distância desde a antena transmissora.
Para os sistemas móveis, o aumento dessa atenuação é proporcional
(aproximadamente) à quarta potência da distância. Isto é explicado pelo fato de, quando
os sinais se propagam junto ao nível da Terra, uma grande parte da energia é absorvida
por ela. A potência de saída e a sensibilidade do receptor do aparelho móvel estabelecem
o limite superior para o tamanho da célula. Acima desse limite, a intensidade do sinal
começa a cair abaixo da sensibilidade do receptor, tanto na estação rádio base como
no aparelho móvel.
A perda de percurso condiciona a quantidade mínima de estações rádio base em uma
área e a potência de saída necessária dentro das células.
Figura D.4.2 Perda de percurso
Desvanecimento por sombra
A perda de percurso é a atenuação teórica que ocorre sob condições de linha de
visada direta, e aumenta com a distância entre a estação rádio base e o aparelho
móvel. O desvanecimento, por outro lado, refere-se à atenuação que varia entre um
valor máximo e um valor mínimo de uma forma irregular. Os aparelhos móveis utilizados
em uma PLMN, normalmente, se movem em áreas com obstáculos de várias
dimensões, como montanhas, construções e túneis. Ocasionalmente, esses obstáculos
provocarão sombras ou interrupção completa do sinal. Muito embora as conseqüências
desses efeitos de sombreamento dependam do tamanho do obstáculo e da distância
até ele, a intensidade do sinal recebido irá variar inevitavelmente. Esse tipo de atenuação
chama-se desvanecimento por sombra.
296 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Figura D.4.3 Desvanecimento por sombra
Minimizar os efeitos do desvanecimento por sombra em uma rede é parte do processo
de planejamento da rede. Obtêm-se resultados satisfatórios, instalando as estações
rádio base o mais alto possível ou mais próximas umas das outras, de modo que os
aparelhos móveis possam se comunicar ao redor de grandes obstáculos pela troca
de estações rádio base.
Os efeitos da perda de percurso e do desvanecimento por sombra podem ser ilustrados
pelos seguintes valores. Quando os aparelhos se movem da rua para dentro de um
edifício, a intensidade do sinal cai 10 dB (resultado do desvanecimento por sombra).
Quando o aparelho móvel é levado mais para dentro do edifício, a intensidade do sinal
cai 0,6 dB por metro (como resultado do aumento do efeito de desvanecimento por
sombra). Se o aparelho móvel for agora levado para andares mais altos, a intensidade
do sinal irá aumentar em 1,2 dB para cada andar (efeito de redução da perda de
percurso). Acima do décimo terceiro andar, a diferença será reduzida em somente
0,05 dB por andar (os efeitos da absorção da Terra na perda de percurso se tornam
insignificantes).
Desvanecimento Rayleigh
O desvanecimento Rayleigh ou por caminhos múltiplos é um tipo totalmente diferente
de atenuação que pode ser problemático e difícil de superar. Como está ilustrado na
Figura D.4.4, ele aparece devido à recepção de vários sinais no receptor refletidos
pelos objetos na vizinhança. Esses sinais chegam de diferentes direções e estarão
necessariamente fora de fase uns com outros, quando eles alcançarem a antena
receptora, porque percorreram distâncias diferentes. Como o transmissor se
movimenta, a diferença de fase varia e causa aos sinais, algumas vezes, um reforço e
algumas vezes uma contraposição. Isto resulta em um desvanecimento que às vezes
apresenta níveis de atenuação muito altos (desvanecimento profundo).
Ericsson Telecomunicações 297
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.4.4 Desvanecimento Rayleigh (desvanecimento por caminhos
múltiplos)
O desvanecimento Rayleigh é mais perceptível nas áreas urbanas. Um aparelho
móvel na faixa de 900 MHz, dentro de um carro à velocidade de 50 km/h em uma
área densamente construída, dará origem a uma periodicidade de desvanecimento de
10,7 ms (isto é, um sinal mínimo a cada 0,3 metros). Minimizações do sinal irão ocorrer
mais freqüentemente em freqüências mais altas e quanto mais rápido for o
deslocamento do aparelho móvel.
Figura D.4.5 Desvanecimento Rayleigh
As estações rádio base, muitas vezes, têm duas antenas montadas a uma certa distância
uma da outra para cancelar a interferência que aparece como resultado do
298 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
desvanecimento Rayleigh. Esse arranjo é chamado de diversidade de espaço. Se a
distância entre as antenas é suficientemente grande, seus sinais não serão combinados
e o risco de redução simultânea por desvanecimento é significativamente reduzido.
Figura D.4.6 Um sistema de antena com diversidade de espaço
A distância mínima requerida para obter uma recepção aprimorada depende do
comprimento de onda do sinal. Na prática, essa distância é de poucos metros entre as
antenas. Usando a diversidade de espaço, a melhoria a 900 MHz poderá ser de
aproximadamente 9 dB, comparada com um arranjo de antena simples. Uma
desvantagem é o crescimento da complexidade do equipamento de antena e o aumento
de custo resultante.
Uma alternativa ou complemento à diversidade de espaço, que pode ser utilizada nos
sistemas digitais, é a introdução do salto de freqüência (diversidade de freqüência).
Como a distância entre quedas do sinal no desvanecimento depende da freqüência
usada, essas quedas aparecerão a distâncias distintas para diferentes freqüências. A
probabilidade de obter uma boa recepção de sinal aumenta, caso se aplique o método
de troca de freqüência dos canais a intervalos de tempo curtos. A diversidade de
freqüência pode ser empregada no GSM (a critério da operadora da rede), e sendo o
caso, todos os aparelhos móveis GSM necessitam ter esta funcionalidade. A freqüência
é alterada mais de 200 vezes por segundo, de acordo com um algoritmo controlado
por parâmetro memorizado no aparelho móvel e nas estações rádio base. Os aparelhos
móveis recebem os valores de parâmetros para cada célula, junto com outras
informações relacionadas às células, via um dos canais de controle.
É obvio, pelas figuras mostradas nesta subseção, que a atenuação total dos sinais
recebidos é uma combinação de três efeitos da atenuação: perda de percurso,
desvanecimento por sombra e desvanecimento de Rayleigh. Todos eles necessitam
ser considerados no planejamento celular detalhado, porque ele determina o
equipamento da antena, potência do transmissor e sensibilidade do receptor. A Figura
D.4.7 ilustra os níveis da intensidade de sinal a uma dada distância da estação rádio
base.
Ericsson Telecomunicações 299
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.4.7 Intensidade do sinal recebido, distância em metros
Fica evidente na Figura D.4.7, que o planejamento de célula não pode ser baseado
somente na perda de percurso e no desvanecimento por sombra. Deve-se também
considerar o desvanecimento Rayleigh para se obter uma margem de desvanecimento
suficiente. Para alcançar uma comunicação livre de erros, a média total deve ser de
muitos decibéis acima da sensibilidade do receptor, com a máxima queda de sinal
provocada pelo desvanecimento.
Dispersão por tempo
Um outro problema causado pelas reflexões é a dispersão por tempo.
A Figura D.4.8 ilustra a transmissão e a recepção de uma seqüência de bits (aqui,
um seguido por dois zeros). O aparelho móvel irá receber dois sinais; um deles é uma
reflexão que ocorreu a alguns quilômetros do aparelho móvel. A taxa de transmissão
de bits dos canais de freqüência GSM é de 270 kbit/s, que é equivalente a 3,7
microssegundos por bit tempo durante o qual o sinal percorre 1,1 quilômetros. Se a
diferença em distância dos dois sinais está próxima de 2 quilômetros, o aparelho móvel
irá detectar um 0 do sinal direto (o terceiro bit) e um 1 do sinal refletido (o primeiro
bit). Este fenômeno é chamado de interferência intersímbolo (inter-symbol
interference). Se a intensidade do sinal refletido for suficientemente alta, o aparelho
móvel terá dificuldades em determinar se foi recebido um 1 ou um 0.
Enquanto o desvanecimento Rayleigh é causado por pequenas diferenças na distância
entre sinais (decímetros ou metros), a dispersão por tempo é causada pelas diferenças
na ordem de quilômetros. Notar também que a dispersão por tempo é um fenômeno
que somente aparece nas redes digitais.
300 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Figura D.4.8 Dispersão por tempo
Para neutralizar os efeitos da dispersão por tempo, usa-se uma técnica chamada de
equalização. Descreve-se essa técnica na Subseção 4.3.4.
Alinhamento no tempo
Se os aparelhos móveis em uma rede digital móvel compartilham um canal de freqüência
comum, eles todos precisam enviar suas inforamções dentro dos seus respectivos intervalos
de tempo, evitando então picos de sobreposição. O instante em que o aparelho móvel tem
permissão para transmitir será também dependente da sua distância à estação rádio base.
Tanto a rede como o aparelho móvel necessitam, portanto, incluir a funcionalidade que
regule continuamente o instante da transmissão (alinhamento no tempo).
Figura D.4.9 Alinhamento no tempo
Ericsson Telecomunicações 301
Entendendo Telecomunicações 2
A Figura D.4.9 ilustra dois aparelhos móveis localizados a distâncias
aproximadamente iguais da estação rádio base, e que têm atribuídos os intervalo de
tempo 3 e 4. Isto significa que o tempo entre os instantes que eles enviam é de
aproximadamente 600 microssegundos (o comprimento de um intervalo de tempo).
Como um aparelho móvel M2 se movimenta, afastando-se da estação rádio base, o
intervalo de tempo que ele usa (intervalo de tempo 4) será recebido pela estação
rádio base mais e mais atrasado. Existe, então, o risco de que os intervalos de
tempo 4 e 5 comecem a se sobrepor (veja a parte inferior da ilustração da Figura
D.4.9). Desta forma, os instantes de transmissão dos aparelhos móveis precisam
ser ajustados a intervalos regulares, o que se faz por meio de sinais da estação rádio
base.
Para evitar a necessidade de ajustes freqüentes, o GSM foi projetado para incluir um
espaço extra equivalente para, exatamente, uma seqüência de oito bits (30
microssegundos) em seus intervalos de tempo. Esse espaço é usado pela estação
rádio base para equilibrar os atrasos de tempo entre os diferentes aparelhos móveis.
Ajustes repetidos são necessários somente quando o atraso do sinal de dado aparelho
móvel se aproximar de 30 microssegundos (aproximadamente oito quilômetros de
diferença) em relação ao último ajuste.
As estações rádio base de uma rede D-AMPS podem ordenar, continuamente, ajustes
dos instantes de transmissão até uma distância de 92 quilômetros.
Veja também a Subseção 4.3.4, que trata dos formatos de rajadas na GSM.
4.3 Técnicas de transmissão para o caminho de
rádio
Ambas as redes, analógica e digital, requerem o seguinte:
· antenas adequadas;
· um método de modulação;
· multiplexação de canal e freqüência; e
· algum tipo de tratamento de erros (ambas as redes, analógica e digital, empregam
técnicas de correção de erro para a sinalização e controle das informações; os
sistemas digitais também incluem funções para correção de erro nos canais de
tráfego).
Requisitos adicionais aplicados às redes móveis digitais:
· necessidade de codificação (veja também o Capítulo 2, Seção 2.2); e
· codificação (criptofonia) na seção da interface aérea.
302 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
O modelo em camadas, mostrado na Figura D.4.10, ilustra esquematicamente as
funções incluídas para dar suporte aos requisitos acima. O modelo é mais adequado
para as redes móveis digitais.
A descrição seguinte focaliza as técnicas de transmissão para o caminho de rádio na
GSM. Inclui-se uma breve introdução para facilitar o entendimento das funções na
interface aérea, como se mostra na Figura D.4.10.
A voz é analisada em blocos de comprimento de 20 milessegundos; em outras palavras,
50 vezes por segundo.
Os blocos de voz são representados por um total de 456 bits, inclusive os bits de
proteção, dispostos em oito seqüências de bits úteis de 57 bits cada.
Figura D.4.10 Funções via interface aérea
Os aparelhos móveis enviam rajadas a cada quinto milessegundo. Entre as rajadas
enviadas de um aparelho móvel, sete outros aparelhos móveis (no pico da carga)
transmitem na mesma freqüência, empregando a multiplexação por divisão do tempo
(TDM).
Cada rajada contém 25 % do número de bits representativos de um bloco, isto é, 114
bits úteis. O comprimento de uma rajada corresponde a um intervalo de tempo.
Ericsson Telecomunicações 303
Entendendo Telecomunicações 2
Na TDM, oito intervalos de tempo no mesmo quadro são transportados por um único
canal de freqüência. Em um instante em particular, vários aparelhos móveis usam o
mesmo intervalo de tempo, mas em diferentes canais de freqüência. Em um dos
canais de freqüência, dois intervalos de tempo em cada célula são reservados para
sinalização. A técnica para designar um intervalo de tempo a uma chamada é
denominada de acesso múltiplo por divisão de tempo (TDMA), ilustrada na Figura
D.4.11.
Figura D.4.11 Multiplexação por divisão do tempo dos canais no GSM
4.3.1 Codificação da voz e sinalização
De acordo com a estrutura dos nossos livros, descrevemos a codificação de voz no
Capítulo 2, Seção 2.2. O mais interessante, quando estudamos a codificação no aspecto
da transmissão, é o fluxo de 13 kbit/s resultante do codificador de voz correspondente
a 260 bits por blocos de 20 ms. Esta informação do usuário é transportada pelos
canais de tráfego.
A sinalização na interface aérea é transportada por nove tipos de canal de controle,
descritos em maiores detalhes no Capítulo 7.
A sinalização normalmente é responsável somente por uma pequena parcela da
capacidade total de transmissão na interface aérea.
4.3.2 Tratamento dos erros
A confiabilidade do meio rádio com respeito à radiointerferência não pode ser
comparada com a confiabilidade de um cabo. O meio rádio não possui um isolamento
capaz de proteger a linha. Conseqüentemente, algum tipo de tratamento de erros se
faz necessário para alcançar uma qualidade de transmissão comparável à da rede
fixa.
304 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
O tratamento de erros em uma rede móvel inclui tanto os canais de controle como os
de tráfego e está subdividido, usualmente, em detecção de erro e correção de erro.
Os erros são detectados pelos bits redundantes bits de paridade, checksums ou
ambos adicionados à informação a ser transmitida por meio da interface aérea. Os
erros são corrigidos por meio de retransmissão ou pelo uso de algum código de correção
de erro (este último requer bits redundantes sobre e além dos usados para detecção
de erro). Por razões óbvias, não é adequado retransmitir informações nos canais que
são usados para telefonia (os atrasos causados pela codificação já são problemas
suficientes a resolver), enquanto a retransmissão na sinalização é plenamente aceitável.
Portanto, distintos métodos de tratamento de erros são utilizados nos canais de tráfego
e nos canais de controle.
Tratamento de erro no canal de controle
Métodos de tratamento de erros relativamente avançados são aplicados nas redes
móveis que usam canais de controle digitais (intervalos de tempo para sinalização).
Usa-se no GSM, uma versão mais simplificada do procedimento de acesso de enlace
no canal D (LAPD), aplicada na interface aérea. Esse protocolo de enlace é chamado
de LAPDm. O protocolo emprega um modo de detecção de erros baseado no uso
de checksums. Os erros são corrigidos de duas maneiras diferentes: por meio de
retransmissão, ou simplesmente descartando as mensagens de sinalização com falha.
O AMPS utiliza uma técnica muito simples de correção de erros. Doze bits de paridade
para detecção de erro são adicionados ao final de cada mensagem, e as mensagens
encontradas com falha são descartadas. Esta técnica considera que a recepção de
mensagem é reconhecida dentro de um tempo especificado, de forma que as mensagens
recebidas incorretamente possam ser retransmitidas
Tratamento de erro no canal de tráfego digital
O exemplo seguinte está baseado no método de tratamento de erro usado pelo GSM
para informações transferidas nos canais de tráfego. O processo inclui duas etapas.
Na primeira etapa chamada codificação do canal os bits redundantes são
adicionados à informação. Na segunda etapa, os bits são distribuídos em uma quantidade
de rajadas de acordo com um padrão predeterminado (intercalação61).
61
NR - interleaving na terminologia inglesa.
Ericsson Telecomunicações 305
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.4.12 Tratamendo de erros em canais de tráfego GSM
A maioria dos bits expedidos pelo codificador de voz para o codificador de canal é
primeiramente codificada por bloco, o que significa que os bits de paridade são
adicionados para detecção de erro. Acrescentam-se, então, bits adicionais (convolution
coding) para correção de erro. A amostra original de 260 bits agora quase dobra de
tamanho (456 bits).
O uso da codificação de canal torna possível detectar e corrigir erros de um simples
bit, mas não se pode garantir contra distúrbios em rajadas de bits errados uma
situação que ocorre freqüentemente. A intercalação é o processo que pode resolver
esse problema. Ela se faz em dois estágios e não adiciona nenhum bit. O primeiro
estágio consiste em quebrar os 456 bits em grupos de 57 bits, como ilustrado na
Figura D.4.12.
Uma rajada pode conter somente dois desses grupos (como foi descrito na Subseção
4.3.4), de forma que, se uma parte da rajada for perdida, somente irão ocorrer perdas
de bits extraviados e essas perdas serão igualmente distribuídas no bloco de voz. Os
bits perdidos podem, normalmente, ser recuperados pela codificação do canal.
Em se perdendo uma rajada completa, faltará 25 % da quantidade total de bits, e
essas situações não podem ser corrigidas pela codificação de canal. Para se guardar
contra esse acontecimento, o segundo estágio produz rajadas que são uma mistura de
grupos de 57 bits pertencentes a blocos de voz consecutivos. A perda máxima será
então reduzida a 12,5 % do número total de bits, os quais podem ser corrigidos pela
codificação de canal. Entretanto, essa técnica aumenta o atraso.
306 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
4.3.3 Criptofonia
A criptofonia acha-se detalhada no Capítulo 6 (Subseção 6.2.4) e não contribui com
nenhum bit adicional.
4.3.4 Gerenciamento de rajada
Figura D.4.13 Um exemplo de um formato de rajada no GSM (rajada normal)
O propósito principal do gerenciamento de rajada é minimizar os efeitos de erro nos
seus bits. O GSM usa quatro formatos diferentes de rajadas, dependendo do tipo do
canal lógico. A Figura D.4.13 mostra o formato usado pela maioria dos canais lógicos
(rajada normal).
Cada rajada deste tipo é capaz de transportar 2 x 57 = 114 bits codificados úteis.
Usam-se 26 bits conhecidos, localizados entre os dois blocos de bits úteis, para enfrentar
qualquer dispersão de tempo e a interferência intersímbolo resultante que tenha
aparecido (Veja a Subseção 4.2.2.). Pela comparação dos bits conhecidos com a
seqüência de sinal recebida, é possível tirar conclusões sobre a dispersão de tempo.
No GSM, isto se aplica a diferenças de até cinco quilômetros entre o caminho percorrido
pelo sinal direto e o caminho do sinal refletido. O padrão do bit conhecido, junto com
o método chamado de equalizador, é usado para calcular o que foi realmente transmitido.
Os bits na cauda (T-bits62) marcam o início e o fim de uma rajada.
O formato da rajada leva também em consideração a necessidade do alinhamento de
tempo (descrito na Subseção 4.2.2). Um espaço amortecedor de 8,25 bits de
62
NR Tail bits.
Ericsson Telecomunicações 307
Entendendo Telecomunicações 2
comprimento (aproximadamente 30 microssegundos) é alocado no fim das rajadas,
correspondendo a uma diferença na distância de cerca de oito quilômetros. Graças a
esse espaço amortecedor, não existe mais a necessidade de os aparelhos móveis
ajustarem constantemente seus instantes relativos de transmissão, ao se aproximarem
ou se afastarem de uma estação rádio base.
Em casos especiais principalmente para o controle do handover pode ser
necessário utilizar rajadas individuais para sinalização, mais do que para a voz. Em
tais situações, as marcas de roubo63 (S-bits) são alteradas para indicar esse roubo.
Veja também o capítulo 7, Subseção 7.3.3, que trata do tema do canal de controle
associado rápido (FACCH64).
4.3.5 Multiplexação de canal: Canais físicos noTDMA
O propósito desta seção é descrever os subprocessos do GSM que seguem o
gerenciamento de rajadas e que resultam em o tráfego das rajadas ser carregado nos
canais físicos. Também descrevemos as técnicas do sistema correspondente no
D-AMPS. Os subprocessos descritos nesta seção estão baseados no TDMA.
Figura D.4.14 Multiplexação de canal
63
NR - Stealing flags.
64
NR - Fast Associated Control CHannel.
308 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Como foi mencionado na introdução da Seção 4.3, um sistema móvel GSM envia
rajadas a cada quinto milessegundo. Cada rajada contém 25 % da quantidade de bits
que representam o bloco de voz. O comprimento de uma rajada corresponde a um
intervalo de tempo, o qual pode ser considerado como um canal físico na interface
aérea. Normalmente, diferenciamos entre canais lógicos que indicam como o canal é
utilizado, e canais físicos que representam um recurso de transmissão.
Um canal físico por exemplo, um intervalo de tempo em um canal de freqüência
específico no sistema TDMA pode ser visto como um transportador de um canal
lógico, tal como um canal de tráfego (algumas vezes abreviado como TCH traffic
channel), ou como vários canais lógicos em uma estrutura de multiquadro. O último
caso se discute no Capítulo 7, Subseção 7.3.4.
Nos sistemas digitais baseados no TDMA, tais como o GSM e o D-AMPS, o processo
de mapeamento significa que o intervalo de tempo e a freqüência são atribuidos às
rajadas de tráfego. Caso se apliquem os saltos de freqüência, a freqüência do canal
de tráfego também é alterada no GSM um pouco mais de 200 vezes por segundo
(Veja a Subseção 4.2.2.).
A separação de canais de freqüência no GSM é de 200 kHz, no D-AMPS é 30 kHz.
No GSM, cada célula é provida com um canal de freqüência (C 0) para os canais de
controle. Normalmente, os intervalos de tempo 0 e 1 (TS0 e TS1) no C 0 são utilizados
com esse propósito. Os seis restantes intervalos de tempos, no C 0, e todos os oito
intervalos de tempos em outras freqüências são utilizados para os canais de tráfego.
Veja a Figura D.4.15. No D-AMPS, cada canal de freqüência é normalmente usado
para três canais de tráfego.
Os canais de tráfego conduzem voz ou dados (como no tráfego Internet) entre o
aparelho móvel e a estação rádio base. Os canais são atribuídos na base de um por
chamada. Normalmente, um intervalo de tempo é utilizado para somente uma chamada,
(taxa de bit/s plena), mas também foi especificada a alternativa de dois canais por
intervalo de tempo (meia taxa).
O canal físico no GSM isto é, o intervalo de tempo tem um comprimento de 0,577
milessegundos. Este comprimento é suficiente para uma rajada de canal de tráfego
mais um período de guarda. Para os canais de freqüências do aparelho móvel para a
estação rádio base (uplink), utiliza-se a faixa de freqüências 890 - 915 MHz, enquanto
para o downlink usa-se a faixa 935 960 MHz.
A quantidade total de canais de freqüência dúplex é 124, resultando em 992 canais
físicos (oito intervalos de tempo por canal de freqüência).
Em contraste com o AMPS, o GSM não decide como os seus 124 canais podem ser
utilizados. No entanto, cada célula do GSM necessita ter sua freqüência C0.
Ericsson Telecomunicações 309
Entendendo Telecomunicações 2
Todos os modernos sistemas móveis estão baseados no múltiplo acesso. Isto requer certas
regras para prevenir situações nas quais os aparelhos móveis falem todos ao mesmo tempo.
O meio, que é um recurso comum, precisa satisfazer as necessidades de todos os usuários.
Figura D.4.15 Princípio do acesso múltiplo por divisão de tempo
Os canais de tráfego são atribuídos por intermédio de sinalização nos canais de controle.
Cada célula em um sistema celular pode ser considerada como um meio individual,
porque um aparelho móvel, ao deixar a célula, perde contato com a estação rádio base
dela. No entanto, todos os aparelhos móveis na célula utilizam os mesmos recursos de
rádio, isto é, aquela porção do espectro de freqüência atribuída à célula. A seguir,
descrevemos duas outras técnicas aplicáveis para a multiplexação de canais: a
multiplexação FDMA e CDMA.
4.3.6 Alternativa 1: Canais físicos nos sistemas baseados
em FDMA
A técnica usada pelos sistemas analógicos de telefones móveis é a de acesso múltiplo
por divisão de freqüência, (FDMA), como no NMT e AMPS. O princípio de acesso
está ilustrado na Figura D.4.16.
A faixa de freqüência atribuída à célula consiste em um uplink (sentido de transmissão
do aparelho móvel para a estação rádio base) e um downlink (sentido de transmissão
da estação rádio base para o aparelho móvel). A separação de freqüências entre
esses enlaces necessita ser suficientemente grande normalmente 45 MHz (separação
duplex) de modo que não haja interferência entre elas no aparelho móvel.
Cada enlace está dividido em uma quantidade igual de canais unidirecionais. Um
canal pode ser suficientemente largo (25-30 kHz) para poder transmitir uma qualidade
de voz de telefone (aproximadamente 3 kHz.). Para usar a telefonia duplex, o aparelho
móvel necessita ter acesso a um canal em cada sentido de transmissão: um uplink e
um downlink Os dois canais combinados formam um par de canais de tráfego.
310 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Figura D.4.16 O princípio do acesso múltiplo por divisão de freqüência
Todavia, uma célula não consiste somente em canais de tráfego; cada célula contém
uma certa quantidade de canais predefinidos como canais de controle. Este tipo de
canal pode usar o downlink para a distribuição de informações da célula e da rede,
e para transferir solicitações de chamada provenientes da rede; e o uso dos canais de
controle no uplink para sinalização de chamadas originadas por aparelhos móveis.
Um ou mais outros canais podem ser definidos como canais de controle para uma
sinalização bidirecional entre o aparelho móvel e a rede.
A quantidade total de canais do sistema FDMA é padronizada e especificada pela
agência do governo que atribui essas freqüências. A faixa de freqüências do uplink
para o sistema AMPS é de 824 849 MHz, e sua faixa de freqüências para o downlink
é de 869 894 MHz. Cada uma dessas faixas contém um total de 823 canais
unidirecionais. A metade dos canais é atribuída a uma operadora de celular, geralmente
a originária da operadora de telefonia fixa (normalmente chamada de faixa A), e a
outra metade à operadora celular competidora (normalmente chamada de faixa B). O
AMPS define, também, para cada uma das faixas A e B, quais canais devem ser
usados como canais de controle e quais serão usados para o tráfego.
Uma comparação entre o TDMA e o FDMA
As principais vantagens do TDMA sobre o FDMA são sua maior capacidade e o fato
de o TDMA ser menos sensível ao ruído. Dessa forma, os aparelhos móveis podem
operar com menos energia. Uma outra vantagem é que o aparelho móvel pode utilizar
vários intervalos de tempo livremente (uma vez que ele somente envia em seu próprio
intervalo de tempo). Por exemplo, um aparelho móvel pode efetuar medições de sinal
em freqüências alternativas um pré-requisito para um handover assistido pelo
aparelho móvel (MAHO), como no GSM, ou o handover controlado pelo aparelho
móvel (MCHO) no DECT.
Ericsson Telecomunicações 311
Entendendo Telecomunicações 2
4.3.7 Alternativa 2: Canais físicos nos sistemas baseados
no CDMA
O acesso múltiplo por divisão de código (CDMA não é uma técnica nova. Ela tem
sido utilizada em sistemas militares e nas comunicações via satélite há muitos anos.
Agora é utilizada também nas aplicações de redes móveis.
Os sistemas CDMA não têm seus canais divididos em freqüências nem em intervalos
de tempo. Todos os aparelhos móveis são capazes de transmitir e receber em toda a
faixa de freqüência. No lugar disto usa-se uma terceira dimensão para separar os
canais de tráfego, chamada codificação.
Figura D.4.17 Princípio do acesso múltiplo por divisão de código
Uma característica típica da técnica CDMA é que todos os aparelhos móveis na rede
têm atribuídos a si, um código exclusivo: uma seqüência de chip. Quando um aparelho
móvel deseja transmitir uma cadeia de bits, ele substitui cada bit pelo seu código (para
bit 1) ou pelo complemento de seu código (para bit zero). A Figura D.4.18 ilustra a
transmissão simultânea de dois bits desde cada um dos dois aparelhos móveis com
diferentes seqüências de chip. Considera-se, neste exemplo, que a rede utiliza uma
seqüência de chip com oito bits; na realidade, elas são muito mais longas.
O resultado é que oito bits (chamados de chip) são transmitidos para cada bit. Se
considerarmos que o mesmo método de modulação fosse utilizado pelo TDMA, a
largura de faixa requerida seria, de maneira correspondente, muito maior. No lugar de
utilizar algumas dezenas de kHz para um canal de voz, o chip será modulado sobre
aproximadamente 1 MHz. Por isto a modulação CDMA é também chamada de técnica
de espalhamento de espectro.
Os dois aparelhos móveis na Figura D.4.18 transmitem ao mesmo tempo e usam a
mesma faixa de freqüência. Conseqüentemente, os feixes do chip serão intercalados
na estação rádio base. Como então a estação rádio base pode detectar e separar
essas duas cadeias de bits: 01 e 11? O método matemático é um pouco complicado.
Ele está baseado parte no fato de que cada aparelho móvel tem uma seqüência exclusiva
de chip, o que também é do conhecimento da estação rádio base, e parte no fato de
que todas as seqüências de chip estão distribuídas em pares ortogonais. Isto significa
312 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
que se quaisquer duas seqüências ortogonais de chip são multiplicadas, o produto será
sempre zero. Somente quando uma seqüência de chip for multiplicada por ela mesma,
o produto será um. Quando o receptor está para extrair o feixe de chip para o aparelho
móvel A, ele multiplica a seqüência de chip do aparelho móvel pelo feixe de chip
intercalado recebida. Deste modo, todas os feixes de chip, exceto aquelas pertencentes
ao aparelho móvel A, são eliminados. Daí fica fácil reduzir o feixe de chip para o feixe
de bits de A, aplicando a seqüência de chip do A.
Figura D.4.18 Dois aparelhos móveis transmitindo, simultaneamente, dois bits
cada
4.3.8 Modulação
A modulação, transmissão e recepção são efetuadas na parte mais baixa da hierarquia
funcional, como mostra a Figura D.4.10. Todos os canais para a antena transmissora
e desde a antena receptora são multiplexados e demultiplexados, respectivamente, na
estação rádio base. Cada canal duplex é tratado por um transceptor separado (TRX).
O aparelho móvel contém um oscilador controlável para a seleção de canal e um filtro
duplex que separa as freqüências da transmissão e da recepção.
A potência de transmissão da estação rádio base é de 1 50 W, dependendo do tipo
do sistema e do tamanho desejado da célula: uma macrocélula, microcélula ou uma
picocélula. A potência de saída do aparelho móvel é de 0,6 20 W, dependendo do
tipo do aparelho móvel (portátil ou veicular65). Os aparelhos móveis precisam ter a
funcionalidade de ajustar, em passos, sua potência de saída, se tal for ordenado pela
estação rádio base (regulação de potência).
A sensibilidade do receptor é expressa em dBm.
65
NR - Telefone móvel veicular é aquele de instalação fixa em um veículo, que está praticamente
desaparecendo do mercado em favor dos modelos de bolso.
Ericsson Telecomunicações 313
Entendendo Telecomunicações 2
Os métodos de modulação descritos no Volume 1, Capítulo 4, Subseção 4.4.2, são
também usados nas redes móveis. Os sistemas analógicos empregam modulação por
freqüência, enquanto os sistemas digitais usam, como regra, a modulação por
deslocamento de fase.
4.3.9 Antenas
Os aparelhos móveis estão equipados com antenas omnidirecionais do tipo quarto de
onda, adaptadas para a faixa de freqüência utilizada (450, 800, 900, 1800 ou
1900 MHz). O aparelho móvel usa a mesma antena para transmissão e recepção. A
antena necessita ter características de faixa larga, isto é, características de radiação
similares em toda a faixa de freqüência em questão (70 MHz para o GSM, entre as
freqüências mais baixas e as mais altas).
A cobertura geográfica da célula determina o tipo de antena da estação rádio base a
ser instalado. As antenas omnidirecionais são utilizadas para células omnidirecionais,
e antenas direcionais com ou sem diversidade de espaço para células setorizadas.
Antenas diferentes são utilizadas, às vezes, para transmissão (alta potência) e para
recepção (baixa potência), mas são normalmente montadas no mesmo mastro ou
torre. Se a mesma antena for utilizada tanto para a transmissão como para recepção,
ela deve ser instalada com um filtro duplex.
A antena ideal irradia toda sua potência no plano horizontal; se ela for omnidirecional,
necessita irradiar igualmente em todas as direções. Mas na realidade, nenhuma antena
é perfeita, porque o mastro, a proximidade à Terra e objetos condutivos afetam o
padrão de irradiação.
Figura D.4.19 O padrão de radiação real de uma estação rádio base
314 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
A Figura D.4.19 ilustra o padrão de irradiação no plano horizontal. A área cinza
interna mostra a radiação medida para uma antena omnidirecional montada um pouco
acima no mastro. Note especialmente a forma em lóbulos, e o efeito de blindagem do
mastro na irradiação. A área externa (cinza-escuro) representa a irradiação de outra
antena omnidirecional que está equipada com um refletor de quarto de onda, destinado
a diminuir a formação de lóbulos.
A escolha do tipo de antena, a sua posição no mastro e o padrão de radiação resultante
são fatores importantes que as operadoras precisam levar em consideração no
planejamento celular.
5 Redes de acesso e de troncos
5.1 Introdução
No Capítulo 4, dissemos que a principal diferença entre a transmissão em uma rede
móvel e em redes fixas reside nos métodos de acesso. Fatores-chaves diferenciados
são o acesso múltiplo e o modo como se mantém o contato entre os aparelhos móveis
e a rede. Neste capítulo vamos discutir a rede de acesso vista como uma infra-estrutura
para o transporte da informação do usuário e para a sinalização. (Veja a Figura
D.5.7.) Outras funções necessárias à telefonia móvel (registro, estabelecimento,
autenticação, e assim por diante) requerem, consideravelmente, maior inteligência de
rede, portanto, discutidas no Capítulo 6.
A rede de troncos é vista como a seção de transporte da rede núcleo. Uma vez que
ela é tecnicamente similar à parte de troncos das outras redes (tais como a PSTN e a
ISDN), ela não será tratada aqui.
Os recursos da rede de acesso na forma de canais de tráfego estão mostrados na
Figura D.5.2.
A Figura D.5.1 e a Figura D.5.2, juntamente com a Figura D.7.1 no Capítulo 7,
ilustram dois aspectos da rede de acesso:
· Uma divisão geográfica aproximada da PLMN entre uma rede de acesso e a rede
núcleo. Aqui, todas as funções MSC pertencem à rede núcleo, enquanto a BSC
faz parte da rede de acesso.
· Uma divisão mais detalhada dependente da função (veja a introdução deste capítulo)
em que a rede de acesso é considerada um recurso para transportar informações
do usuário e sinalização entre os aparelhos móveis e o MSC.
Ericsson Telecomunicações 315
Entendendo Telecomunicações 2
Usa-se esse último aspecto somente quando a funcionalidade da rede de acesso deve
ser dividida em camadas. Isto se aplica particularmente ao Capítulo 7, mas apresenta-
-se também sua descrição neste capítulo.
Figura D.5.1 Rede de acesso GSM
Figura D.5.2 Recursos da rede de acesso para os canais de tráfego na GSM
316 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
A rede de acesso consiste em duas partes principais: a interface aérea e a parte fixa.
Os intervalos de tempo TS2-TS7 no canal de freqüência C0 mais os oito intervalos de
tempo nas outras freqüências disponíveis são utilizados como canais de tráfego na
interface aérea de uma célula. Aqueles intervalos de tempo do PCM, que não são
dedicados ao sincronismo e nem à sinalização, são usados entre a estação rádio base
e a BSC, e entre a BSC e o MSC.
Os canais lógicos de tráfego estão disponíveis em dois níveis: canais de taxa plena de
13 kbit/s (no nível mais alto) que interconectam os codificadores de voz do aparelho
móvel e do MSC, e canais de 64 kbit/s entre a BSC e o MSC.
Se a rede oferece codificação a meia taxa (half-rate), o modelo irá incluir canais de
6,5 kbit/s e codificadores, além dos canais de 13 kbit/s e codificadores. O agrupamento
dos codificadores de voz em um banco de codificadores na BSC facilita e torna mais
barato oferecer tipos diferentes de canais de voz do que seriam oferecidos se eles
estivessem instalados na estação rádio base.
Para obter canais com uma largura de faixa útil de 13 kbit/s e uma qualidade aceitável,
por meio da interface aérea, precisa-se de funções para tratamento de erros, codificação
e decodificação, gerenciamento de rajadas de tráfego e afins. (Veja o Capítulo 4,
Seção 4.3.) Usa-se um canal de tráfego de 33,8 kbit/s na interface aérea para acomodar
essas funções, junto com a largura de faixa útil. Usa-se um canal de 64 kbit/s para
transportar quatro canais de tráfego com taxa plena (full-rate) entre a estação rádio
base e a BSC. Esta seção não requer bits de proteção especial.
Trata-se a sinalização da rede de acesso no Capítulo 7.
5.2 A interface aérea
A interface aérea é a fronteira compartilhada entre o aparelho móvel e a estação
rádio base. Ela é delimitada, fisicamente, pela estrutura da célula. As características
das células individuais são determinadas pela estrutura das estações base e pelos
recursos atribuídos a essas estações.
5.2.1 Padrão de célula
As características de uma célula são determinadas por dois fatores básicos: seu alcance
geográfico (na prática, sua cobertura) e as freqüências a ela determinadas. O alcance
geográfico de uma célula é dimensionado pela seleção do tipo de antena, posição da
antena e sua potência de saída. Teoricamente, uma célula pode ser descrita como um
hexágono, mas sua cobertura geográfica real precisa ser determinada por diferentes
tipos de medição.
Atribui-se a cada célula uma quantidade de freqüências para os canais de controle e
tráfego. Determina-se a quantidade de canais de tráfego pela intensidade do tráfego
esperado, e o limite de congestionamento, isto é, o GoS. A intensidade de tráfego
Ericsson Telecomunicações 317
Entendendo Telecomunicações 2
(medida em Erlangs) é calculada como o número médio de chamadas simultâneas por
unidade de tempo. Usando a primeira fórmula de Erlang, podemos calcular a quantidade
de canais necessários à célula, para uma dada probabilidade de congestionamento.
Vamos examinar um caso simples. Se a quantidade média de aparelhos móveis na
célula é 80 e assumindo que cada aparelho móvel terá um fluxo de tráfego de 0,025
Erlangs (o que corresponde a uma chamada de 90 segundos a cada três horas), e
vamos considerar uma probabilidade de congestionamento de 2 %, então a célula irá
necessitar de seis canais de tráfego.
Se o sistema é do tipo AMPS, vamos necessitar de seis canais de freqüência, além
dos canais de controle. Se o sistema for do tipo GSM, somente um canal de freqüência
(aquele para a freqüência C0) será necessário. Os intervalos de tempos 0 e 1 em C0
estarão disponíveis para serem usados como canais de tráfego.
Para cobrir uma grande área que é visitada por muitos aparelhos móveis, precisamos
de uma grande quantidade de células, e as freqüências disponíveis também terão de
ser reutilizadas. Uma vez que duas células adjacentes não podem usar as mesmas
freqüências devido ao risco de interferência, devemos estabelecer uma distância mínima
de reutilização, para impedir que uma dada freqüência em uma das células interfira
com a mesma freqüência em outra célula (interferência co-canal). Necessitamos
também levar em conta um fenômeno intimamente ligado: a interferência do canal
adjacente (C/A).
A distância de reutilização de freqüências está definida como a relação entre a
intensidade de sinal desejada na célula e uma intensidade de sinal indesejável (na
célula mais próxima que tem permissão de utilizar a mesma freqüência). Essa relação
é chamada de relação portadora /interferência (C/I)66.
Figura D.5.3 Interferência co-canal
66
NR - C/I = carrier-to-interference ratio.
318 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Na Figura D.5.3, a célula A e a célula B usam a mesma freqüência f1. Isto é aceitável
enquanto o C/I entre a intensidade do sinal desde B (S(B,f1) = a intensidade do sinal em
B de freqüência f1) e a intensidade do sinal desde A isto é, S(A,f1) registrado em
todas as partes da célula B, excede o valor mínimo que o sistema pode aceitar. Veja a
Figura D.5.4. Valores mínimos são de 18 dB no analógico e 7 dB nos sistemas digitais.
Figura D.5.4 Distância de reutilização e a relação portadora/interferência (C/I)
Uma definição semelhante aplica-se à interferência entre os canais adjacentes. No
GSM, o termo canal adjacente refere-se a uma freqüência que está a 200 kHz da
freqüência desejada. No AMPS, o valor correspondente é 30 kHz.
A reunião das células em grupos (clusters) permite facilmente assegurar uma
distância de reutilização suficiente entre duas células que utilizam as mesmas
freqüências. Veja a Figura D.5.5.
Figura D.5.5 O padrão de células 7/21 para a reutilização de freqüências
Ericsson Telecomunicações 319
Entendendo Telecomunicações 2
A Figura D.5.5 ilustra um padrão de células 7/21, um padrão comum na reutilização
de freqüências. No cluster 7/21, as freqüências disponíveis acham-se repartidas em
sete grupos: grupo A até G. Um grupo consiste em três células. Os sete grupos de
freqüências são distribuídos entre as três células de cada grupo. Os sete grupos podem
ser arranjados em um cluster de 21 células. Forma-se uma rede maior pela adição
de mais conjuntos (na figura existem três conjuntos). As células estão dimensionadas
de modo que a distância entre um grupo dentro de um cluster, e o grupo correspondente
no cluster vizinho, atenda ao requisito para C/I.
De qualquer forma, a intensidade de tráfego na área geográfica coberta pela célula
não é homogênea. O fato de ela aumentar com o tempo precisa ser levado em
consideração no planejamento original da célula. Muitos métodos foram desenvolvidos
para adaptar o planejamento de células a uma situação de tráfego real:
· A quantidade de freqüências nas células com um grande volume de tráfego pode
ser aumentada. O requisito para a distância de reutilização é um fator limitador, de
qualquer forma;
· A reutilização de freqüências pode ser aumentada pela introdução de células
pequenas em áreas onde a intensidade de tráfego for alta (divisão de célula).
Figura D.5.6 Divisão de célula
· Nas redes com interface aérea analógica, podemos aumentar a capacidade pela
introdução de células digitais. Esta solução é atrativa quando os aparelhos móveis
podem usar canais de tráfego tanto analógicos como digitais (modo dual).
· Uma rede formada por células de 800 MHz ou 900 MHz pode ser ampliada para
incluir também células de 1.800 MHz ou 1.900 MHz. A transição do GSM 900
para o GSM 1800 significa uma adição de 2.992 canais de tráfego. Os aparelhos
móveis precisam estar aptos a operar em ambas as faixas 800/900 MHz e 1800/
1900 MHz (dual band).
· Podem ser introduzidos padrões hierárquicos de células. Unidades móveis com
deslocamento rápido pode ser vinculadas a grandes células para reduzir a carga na
rede causada pelo handover e registro. (Veja também o Capítulo 10, Seção 10.4.4.)
320 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
5.2.2 Atribuição de canais
Os canais podem ser atribuídos de acordo com dois princípios diferentes: atribuição
fixa e atribuição dinâmica.
A atribuição fixa é o método tradicional. Isto significa que o espectro de freqüências
é dividido em um número de grupos correspondente ao número de células em um
cluster. As células, no centro de uma cidade e em outras áreas com alta densidade de
tráfego, são pequenas, enquanto se usam células maiores para cobrir pequenas ruas
com tráfego relativamente esparso. Entretanto, não é uma tarefa fácil prognosticar a
intensidade de tráfego com uma precisão suficiente. Para isto haveria necessidade de
fazer extensas medições ou estabelecer grandes margens de segurança.
A atribuição dinâmica dos canais significa que somente se dá à célula o acesso a um
canal, quando surgir a necessidade. Este método leva em conta a interferência: atribui-
se à célula um canal de modo a não perturbar e não ser perturbado pelas célula
adjacentes. Isto significa que todas as células precisam capacitar-se a tratar todos os
canais do espectro de freqüências, o que requer um equipamento de antena mais
avançado e, portanto, custos mais altos.
Distinguimos, também, dois tipos de atribuição dinâmica de canais, como descrito
abaixo:
Distribuição de canais baseada na demanda de tráfego
Mantém-se a distância de reutilização planejada (o que significa uma flexibilidade
limitada), mas os canais podem ser reatribuídos para satisfazer a demanda de tráfego
atual.
Distribuição de canais baseada na demanda de tráfego e
interferência
A principal diferença entre este método e o anterior é a introdução do fator
interferência, tornando a distância de reutilização menos importante
Quando os canais são reatribuídos, o nível de interferência é avaliado, por meio da
estimativa da taxa de erro de bits resultante. Desta maneira, um canal pode ser usado
em qualquer uma das células, com a condição de que ele não cause nenhuma
interferência.
Este último método significa um trabalho de planejamento consideravelmente menor,
o que é de grande significado no caso de microcélulas e picocélulas. Além disso,
haverá um certo aumento na capacidade, devido às margens estabelecidas, quando
do planejamento por distância fixa de reutilização, serem normalmente muito generosas.
Ericsson Telecomunicações 321
Entendendo Telecomunicações 2
5.3 A parte fixa da rede de acesso
5.3.1 Estações transceptoras base e controladoras de
estações base
Uma estação rádio base trata a interface aérea para uma ou mais células, sendo sua
principal tarefa estabelecer caminhos lógicos para o tráfego entre os aparelhos móveis
e o resto da rede (BSCs e MSCs). Uma estação rádio base também provê a infra-
estrutura para os recursos atribuídos a uma ou mais células.
Na Figura D.5.7, que dá uma visão básica de uma rede de acesso GSM, todas as
estações base, exceto a BTS112, servem a uma única célula, enquanto a BTS112
serve a três células. Todas as estações base estão fisicamente conectadas a um
sistema de transmissão drop-and-insert (o modelo da esquerda), mas, em termos
lógicos, cada célula necessita ter seus próprios canais nesse sistema de transmissão
(o modelo da direita).
Figura D.5.7 Estruturas físicas e lógicas na rede de acesso
O dimensionamento da rede de acesso entre as BTS e a BSC baseia-se na quantidade
de canais requeridos para cada célula. Para estar apto a detalhar esta figura, devemos
estar um pouco familiarizados com o projeto de uma estação rádio base. (Veja a
Figura D.5.8.)
322 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Figura D.5.8 Uma estação rádio base no GSM
A estação rádio base na Figura D.5.8 trata três células: A, B e C. Cada célula tem
uma antena separada, mas as três antenas estão montadas em um mesmo mastro.
Atribui-se a cada célula uma quantidade de unidades de canais, ou transceptores
(TRX), uma para cada canal de freqüência usado na célula. O grupo de TRXs que
pertence à célula é denominado subsistema de transceptores (TRS).
O tráfego para e desde as estações base é coordenado por uma unidade chamada de
transceptor de interface de rádio (TRI). O TRI contém um seletor, uma vez que suas
funções primárias é a distribuição dos canais entre a BSC e a unidade de canal
apropriada, e distribuir os canais entre as estações bases vizinhas. O TRI pode também
comunicar-se com a BSC por um canal de 64 kbit/s separado no enlace PCM. Esse
canal pode ser usado pela TRI e suas BSC para transferir informações de controle de
canais, e para comunicação em matérias relacionadas com a operação e manutenção
da estação rádio base. A BSC utiliza o mesmo canal para um número de tarefas,
como o ajuste da freqüência e potência das unidades de canais (TRXs), determinando
em quais células essas unidades devem ser empregadas, desconectando unidades de
canais defeituosos e recebendo alarmes.
Usam-se enlaces PCM para interconexão das estações base e também para conectá-
-las ao BSC. Um TRX no GSM é usado por seis ou oito canais de tráfego de 13 kbit/s,
dependendo se o canal C0 da célula ou outro canal de freqüência é utilizado. Um
canal PCM de 64 kbit/s pode transportar quatro desses canais de tráfego para e
desde a BSC e suas estações base. Como se disse, cada TRI (aqui com o significado
de cada estação rádio base) necessita de um canal de 64 kbit/s separado. Podemos
usar essa informação e a quantidade de freqüências atribuídas a cada célula para
dimensionar a rede de transmissão entre BSC e suas estações rádio base. A Figura
D.5.9 exemplifica a transmissão drop-and-insert entre a BSC e três estações
base.
Ericsson Telecomunicações 323
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.5.9 Dimensionando o acesso, usando a transmissão drop-and-
insert no GSM
No exemplo, somente uma freqüência é utilizada na célula BTS114, o que corresponde
a seis canais de tráfego. Isto requer dois intervalos de tempo do PCM mais um intervalo
de tempo PCM para a TRI na BTS114. Em outras palavras, a BTS114 terá acesso a
três intervalos de tempo PCM no enlace para a BTS114. O enlace entre a BTS115 e
a BTS116 vai carregar os intervalos de tempo para ambas, BRS114 e a BTS115.
Entre a BTS116 e a BSC necessitaremos de três intervalos de tempo para o tráfego
entre a TRI e a BSC, ou um total de 12 intervalos de tempo para os 42 canais de
tráfego. Isto significa que um único enlace PCM será suficiente em nosso exemplo.
Existem intervalos de tempo livres em abundância nos enlaces PCM, mais o espaço
excedente nos intervalos de tempo usados, a menos que todos os canais de tráfego
nas freqüências disponíveis estejam ocupados.
5.3.2 Controladoras de estação rádio base e centros de
comutação dos aparelhos móveis
O propósito do conceito BSC no GSM é liberar o MSC do tratamento das funções e
recursos relacionados com o meio rádio e a mobilidade dos terminais. Todos os canais
de tráfego na interface para o MSC são de 64 kbit/s, e utilizam a SS7 para sinalização.
Sob estas circunstâncias, o MSC terá a mesma estrutura básica que uma central na
PSTN.
Ao dimensionar a rede de acesso no GSM, a operadora precisa determinar como
cada BSC deverá ser implantada em relação a sua MSC. Uma consideração importante
neste contexto é o fato de uma BSC ter melhor relação custo/benefício se ela puder
atender a toda a área de serviço do MSC.
324 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Figura D.5.10 Implantação de BSC
Uma BSC pode localizar-se no mesmo lugar que um MSC, ou pode ser uma unidade
separada, porém instalada o mais perto possível das estações rádio base que ela serve.
Por várias razões, a localização junto ao MSC pode ser a solução mais econômica,
mas os custos da transmissão entre ela e suas estações rádio bases necessitam também
ser considerados. A Figura D.5.10 mostra um cenário possível.
A ilustração da esquerda mostra uma seção da rede na qual o volume de tráfego é
moderado, mas espera-se um aumento no futuro. Consequentemente, foi instalada
uma BSC no ponto central da área. Quando o número de assinantes aumentar para
um nível em que se justifique o uso de um MSC separado, esse nó pode ser instalado
com um custo relativamente baixo no mesmo prédio da BSC (como está ilustrado à
direita).
5.4 Handover
5.4.1 Introdução
Descreve-se a troca da comutação devido a um handover no Capítulo 3, Seção 3.3.
Vamos agora descrever o processo que conduzirá ao handover.
Ericsson Telecomunicações 325
Entendendo Telecomunicações 2
Uma vez que o aparelho móvel freqüentemente se move enquanto se comunica, o
sinal no acesso de rádio pode se deteriorar, especialmente próximo aos limites
geográficos da célula. Para lidar com esse problema, o sistema necessita verificar se
um canal de tráfego livre na célula vizinha poderá melhorar a qualidade do sinal, e se
este for o caso, comutar a chamada para aquele canal. Este processo inclui três fases:
· registro contínuo da intensidade do sinal e a relação sinal ruído entre o aparelho
móvel e a estação rádio base;
· análise, resultando na seleção de uma célula adequada e um canal de rádio; e
· transferência para a nova célula e canal de rádio.
Localização é o termo coletivo para as duas primeiras fases.
5.4.2 Localização
Supervisão da qualidade
A qualidade do sinal nos sistemas digitais é supervisionada por medições separadas
em todos os canais de tráfego. Para a transferência, vamos agora exemplificar a
função da localização por meio de uma aplicação nos sistemas analógicos. Nesta
aplicação, todas as freqüências são supervisionadas por um tom especial, chamado de
tom supervisor de áudio (SAT), aplicado no canal de tráfego. O tom está acima de um
limite superior da faixa de freqüência de conversação e não pode ser ouvido pelos
usuários.
A estação rádio base envia o SAT juntamente com os sinais de voz para o aparelho
móvel. Este recebe o tom e o retorna para a estação rádio base, na qual se medem a
intensidade do sinal e a relação sinal ruído. Entretanto, existe um certo risco do processo
se extraviar. Um canal em uma estação rádio base pode receber um SAT não somente
de um aparelho móvel na sua própria célula, mas também desde um aparelho móvel
de uma outra célula que utiliza a mesma freqüência. Se isto ocorrer, a estação rádio
base poderá verificar o canal errado e obter uma indicação equivocada. Para evitar
isto, usam-se várias freqüências SAT (a maioria com 5.970, 6.000 e 6.030 Hz). As
células que usam os mesmos canais em que possam ocorrer problemas de interferência
têm SATs diferentes.
Dois níveis de alarme são utilizados quando estamos medindo a relação sinal ruído.
· Relação sinal ruído para a solicitação de handover (SNH); e
· Relação sinal ruído para liberação (SNR).
Se o resultado da medição excede o valor SNH, solicita-se o handover. Se a tentativa
de handover falhar (por exemplo, devido a congestionamento nas células vizinhas)
326 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
e a relação sinal ruído continuar caindo em direção ao valor SNR, então a chamada é
desconectada.
O registro da intensidade do sinal é comparado com os seguintes níveis:
· diminuição da intensidade do sinal (SSD), inicia uma solicitação para a redução da
potência;
· aumento da intensidade do sinal (SSI), inicia uma solicitação para o aumento da potência;
· intensidade do sinal para handoff (SSH), inicia uma solicitação para um
handover; e
· intensidade do sinal para bloqueio (SSB), inicia uma solicitação para bloquear o
canal de voz.
Se a intensidade de sinal medida exceder o valor SSD, o aparelho móvel recebe uma
ordem para reduzir sua potência de saída. (Potência de saída excessiva pode causar
interferência em outras células.) Um aumento na potência de saída é ordenado quando
a intensidade do sinal registrada está abaixo do valor SSI. Se a intensidade do sinal
diminui ainda mais, a rede irá ordenar que a potência de saída seja elevada para o
valor máximo especificado para o tipo de aparelho móvel envolvido. Se a intensidade
do sinal não for aumentada, a qualidade do som irá se deteriorar, e quando a intensidade
do sinal alcançar o valor SSH, a rede irá fazer uma tentativa de handover.
Usa-se o valor SSB quando se medem canais de voz livres. Uma intensidade de sinal
que exceda SSB é uma indicação de interferência proveniente de uma outra célula, o
que causará o bloqueio do canal em questão.
Métodos de handover
Vários métodos de handover padronizados estão disponíveis. (Veja a Figura D.5.11.)
No GSM, a rede (isto é, a BSC) decide quando um handover é necessário, enquanto
nos sistemas DECT, o próprio aparelho móvel mede a intensidade do sinal e toma as
decisões de handover. É claro que delegando o processo de tomada de decisão
para o aparelho móvel, reduz-se a carga da rede.
Ericsson Telecomunicações 327
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.5.11 Diferentes métodos de handover
O handover controlado pela rede (NCHO) é comum nos sistemas analógicos. A
rede faz as medições na qualidade de transmissão via estações rádio base e decide
quando o handover deve ser efetuado. O aparelho móvel não faz nenhuma medição.
Este método resulta em uma intensa sinalização entre a estação rádio base e o nó que
decide pelo handover, mas, por outro lado, a sinalização na interface aérea é
minimizada devido à não-existência de valores registrados a serem transferidos.
O MAHO significa que o aparelho móvel mede continuamente a intensidade do sinal
desde as estações rádio base vizinhas e envia os valores registrados para a estação
rádio base que no momento está conectada. Ao mesmo tempo, ambos, o aparelho
móvel e a estação rádio base, testam a qualidade da conexão estabelecida. Com base
nestes valores, a rede decide quando o handover deve ocorrer. Uma vantagem
deste método é o fato de se levar em conta a situação do aparelho, visto que o aparelho
móvel efetua ele mesmo as medições. Além disso, a necessidade de medições nas
estações rádio base vizinhas vai reduzir-se drasticamente.
Uma desvantagem (quando comparado com o método NCHO) é o considerável
aumento na sinalização por meio da interface aérea. No entanto, a despeito deste
aumento, a transferência de valores registrados representa somente uma pequena
porcentagem do do tráfego total, portanto não representa problema maior.
O MCHO assemelha-se ao método MAHO, exceto em um ponto: a decisão do
handover é delegada ao aparelho móvel. O resultado é um sistema que reage
rapidamente às alterações no ambiente do rádio. Por outro lado, pode ser mais difícil
alterar as condições do handover em um sistema descentralizado.
Em certas situações, o handover não pode ser executado. Todos os canais de tráfego
na nova célula podem estar ocupados, especialmente naquelas partes da rede em que
o volume de tráfego aumenta rapidamente. Além disso, todos os canais livres podem
ser bloqueados por interferência de rádio, e nesse caso o aparelho móvel necessita
permanecer conectado ao canal original, muito embora a qualidade da voz esteja
baixando. No melhor caso, o aparelho móvel está se aproximando de uma terceira
328 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
célula, com canais de tráfego livres; no pior caso, a qualidade de voz cai para um nível
que causa a desconexão da chamada.
Nos países em que diferentes operadoras competem na mesma área geográfica, algumas
vezes elas estabelecem acordos que lhes permitem usar os sistemas das outras. Isto
significa que o handover pode ocorrer entre células vizinhas que pertencem a
operadoras de redes móveis diferentes.
5.4.3 Handover Um exemplo
A Figura D.5.12 ilustra um caso complexo de um handover inter MSC no GSM.
O aparelho móvel está na célula BTS112 e movendo-se em direção à célula BTS211.
A célula BTS112 é tratada pela BSC11 debaixo do MSC1, enquanto a célula BTS211
é tratada pela BSC21 sob o MSC2. Vamos assumir que a conexão original tenha sido
estabelecida entre um assinante na rede fixa via GMSC, MSC1, BSC11 e BTS112
e o aparelho móvel.
A função de localização na BSC11 identificou a necessidade de o aparelho móvel
executar um handover, baseada na qualidade dos seus sinais reportados pelas estações
rádio base do BSC11. O próprio aparelho móvel reportou também a qualidade dos
sinais gerados por um número de estações rádio base ao redor da célula BTS112,
incluindo as estações rádio base nas células tratadas por outros MSCs e BSCs. Pela
análise de todos esses dados, a BSC11 foi capaz de identificar uma quantidade de
células (normalmente seis) que fornece uma qualidade de sinal aceitável, incluindo a
BTS211. O BSC11 também encontrou a informação de que ele não é responsável por
nenhuma das células.
1. A BSC11 informa ao MSC1 que o aparelho móvel necessita de um handover. Ela
também indica as células que são adequadas para o handover e dá prioridade para
a BTS211.
2. Depois de analisar a situação, o MSC1 envia um sinal para o MSC2, requisitando
um handover para a célula BTS211. O MSC1 também envia os dados do assinante
móvel, que estão memorizados no seu VLR.
3. O MSC2 ordena ao BSC21 para atribuir um canal de tráfego livre ao aparelho
móvel.
4. O BSC21 determina um canal livre (com a condição de que esse canal esteja
disponível).
5. O MSC2 indica o canal à BTS211 à qual o aparelho móvel deve ser conectado.
Então o MSC1 e o MSC2 reservam novos caminhos para a conexão por intermédio
de seus comutadores.
Ericsson Telecomunicações 329
Entendendo Telecomunicações 2
6. O MSC1 ordena ao BSC11 para verificar se o aparelho móvel está conectado ao novo
canal de tráfego na BTS211, e o BSC11 ordena ao aparelho móvel para trocar os canais.
7. Depois de o aparelho móvel trocar de canais, ele necessita reconhecer esta ordem.
O reconhecimento é recebido pelo BSC21 e enviado para o MSC2. Se não aparecer
reconhecimento nenhum dentro de um tempo preestabelecido, a conexão é desfeita.
8. O MSC2 agora faz uma conexão desde o MSC1 para o BSC21 em seu próprio
comutador e envia o reconhecimento para o MSC1. O MSC1 estabelece um novo
caminho entre o GSMC e o BSC11. Então o BSC11 recebe uma ordem para liberar o
canal de tráfego original na BTS112.
O processo de handover está agora terminado. Se a célula selecionada para receber
o handover não aceitá-lo, seleciona-se a próxima célula na lista.
Figura D.5.12 Handover inter-MSC
330 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
6 Inteligência de rede e serviços de
valor agregado
6.1 Introdução
Apresentam-se neste capítulo dois aspectos da inteligência de rede: o aumento na
inteligência requerida pelo acesso de rádio e pelas funções de mobilidade do terminal,
e o papel importante que os serviços de inteligência de rede (serviços IN) representam
nas redes móveis. A maioria dos serviços básicos nos sistemas móveis é mais ou
menos idêntica, independemente da operadora. Mas a introdução e a comercialização
dos serviços IN podem tornar a rede de uma operadora mais atrativa que a dos seus
competidores.
A tendência nas redes móveis instaladas recentemente é na direção da
descentralização. Para reduzir a carga da rede e prover capacidade para os serviços
IN, as operadoras deslocam a inteligência que suporta a mobilidade do terminal e a
incorporam no aparelho móvel. Isto reduz a necessidade de sinalização na rede devido
à maior autonomia nos aparelhos móveis. No sistema DECT, por exemplo, o aparelho
móvel inicia e controla as operações de handover.
Alguns serviços IN nas redes móveis são idênticos àqueles disponíveis na PSTN/
ISDN, enquanto outros são específicos da PLMN. Quando se estão introduzindo
serviços IN, muitas vezes, é prudente iniciar pela instalação de um comutador e um nó
de serviço integrados (SSCP). Como a demanda desses serviços aumenta, migra-se
depois para nós SSP separados e um SCP comum. Em uma rede em crescimento,
pode também ser prudente a implantação dos SSPs (que são unidades comutadoras
de chamada) o mais perto dos assinantes possível, para diminuir as vias da transmissão.
A integração do SSP com o MSC em um mesmo elemento de rede pode ser uma
alternativa viável. A Figura D.6.1 ilustra este cenário.
Um MSC/SSP integrado necessita ter uma capacidade de processamento muito grande,
porque o elemento de rede precisa ser capaz de tratar do estabelecimento da chamada,
registro, paging, handover e as funções SSP. Para assegurar um alto desempenho
da disponibilidade (e clientes satisfeitos), a operadora normalmente duplica os nós da
inteligência de rede.
A IN é usada não somente em uma ou mais redes móveis. Em combinação com a
telecomunicação pessoal universal (UPT), por exemplo, a IN é também uma ferramenta
excelente para integrar diferentes tipos de redes portadoras, como as PSTN, ISDN,
PLMN e redes baseadas em satélites para comunicações móveis.
Ericsson Telecomunicações 331
Entendendo Telecomunicações 2
A portabilidade do número é um serviço importante quando os aparelhos móveis se
movimentam de uma operadora para outra, dentro do mesmo tipo de rede ou entre
diferentes redes.
Figura D.6.1 Cenário para os serviços IN na PLMN
6.2 Registro e paging
Os três conceitos, registro, paging e área de localização, estão explicados no
Capítulo 1, Subseção 1.1.4. Explica-se abaixo um exemplo de como algumas destas
funções e características são utilizadas.
A Figura D.6.2 exemplifica o registro e o paging em uma rede móvel GSM. A
rede está logicamente dividida em quatro áreas de localização, LA1 LA4, cada uma
correspondendo a uma área de serviço BSC:
1. Quando o aparelho móvel é ligado, é ativado na LA1. (Neste estágio a rede não
sabe que o aparelho móvel está ativo.) O aparelho móvel acopla-se à célula na qual
ele se encontra no momento, e lhe é dada uma identidade de área local (LAI) por
meio do canal de controle da célula. A LAI consiste em três partes um código de
país para a telefonia móvel (MCC67), um código da rede móvel (MNC68) e um código
de área de localização (LAC69) que juntos formam a identidade global da área.
67
NR - Mobile Country Code.
68
NR - Mobile Network Code.
69
NR - Location Area Code.
332 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Uma vez que o aparelho móvel não está registrado como ativo na rede, ele necessita
contatar a MSC e reportar a sua posição, isto é, dentro da LA1. O MSC1 registra a
posição do aparelho móvel em seu VLR e então envia um sinal para o HLR, reportando
que o aparelho móvel está ativo na área de serviço. O aparelho móvel recebe um
reconhecimento, o que conclui o processo de registro.
2. O aparelho móvel, no seu deslocamento, penetra na célula LA2, lê um novo LAI no
canal de controle e faz um novo registro. Esta informação também é recebida pelo
MSC1, que atualiza a LAI no seu VLR. Note que essa alteração não necessita ser
reportada para o HLR, porque o aparelho móvel ainda está na mesma área de serviço
MSC.
Figura D.6.2 Registro e paging
3. O aparelho móvel penetra na célula LA3; repete-se o processo, mas agora o registro
é recebido pelo MSC2. Uma vez que o aparelho móvel é novo na área de serviço do
MSC2, ele é reportado ao HLR que, por sua vez, informa ao MSC1 que o aparelho
móvel entrou em uma outra área de serviço MSC. Conseqüentemente, o MSC1 apaga
o registro do móvel como LA2 no seu VLR.
Ericsson Telecomunicações 333
Entendendo Telecomunicações 2
4. Esta é a seqüência do paging. Agora, vamos assumir que o GMSC recebe uma
chamada endereçada ao aparelho móvel após o seu registro na LA3. Em resposta a
uma pergunta ao HLR, o GMSC é informado (indiretamente por meio de um número
de encaminhamento) que o aparelho móvel está na área de serviço do MSC2. Desde
o seu VLR, o MSC2 descobre que o aparelho móvel foi registrado por último em
LA3. Com a condição de que LA3 consiste somente em células dentro da área de
serviço da BSC21, o MSC2 requisita um paging à BSC21, que reage enviando uma
chamada de paging para todas as estações rádio base dentro de LA3. Se o aparelho
móvel ainda estiver na célula LA3, ele irá atender à chamada.
O exemplo ilustra a importância de o aparelho móvel estar apto não somente a
registrar-se, quando ele é ligado e quando entra em uma nova área de localização,
mas também para reportar quando ele for desligado. Este procedimento é chamado
de separação (detachment), no GSM. A informação, indicando que o aparelho móvel
está desligado, é memorizada no MSC que recebe a informação e no HLR. Portanto,
se um aparelho móvel que está realmente desligado é chamado desde uma outra rede,
o processo de chamada será encerrado no nível do GMSC.
Em vez de um registro automático, pode-se inicializar um procedimento manual (por
meio de um smart card no GSM). O usuário obtém o acesso pela inserção de um
cartão inteligente em seu aparelho móvel, e o registro procede como no passo 1 anterior.
6.3 Estabelecendo e liberando uma chamada
móvel
A Figura D.6.3 mostra uma conexão estabelecida entre um telefone na rede fixa
(PSTN) e um aparelho móvel em uma rede móvel:
1. O assinante na rede fixa disca o número do aparelho móvel do assinante B. A
PSTN identifica o número e estabelece uma conexão para a rede chamada (GMSC).
2. O GMSC não sabe por meio de qual MSC (ou em qual rede móvel com que esteja
cooperando) o aparelho móvel pode ser encontrado; não sabe, também, se o aparelho
móvel está livre, ocupado, ligado ou desligado. Para poder prosseguir, o GMSC
necessita, portanto, requisitar um número de encaminhamento ao HLR.
3. A função de registro atualiza continuamente o HLR quanto à localização do aparelho
móvel (isto é, em qual área de serviço MSC ele se encontra). Sob a condição de que
o aparelho móvel esteja ligado e livre, o HLR irá chamar aquele VLR da área e
solicitar um número de encaminhamento livre. Os dados do assinante do aparelho
móvel são enviados junto a essa solicitação.
4. O GMSC recebe o número de encaminhamento e usa-o para selecionar uma rota
na PLMN. Em nosso exemplo, o GMSC encaminha a chamada para o MSC1.
334 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
5. O MSC1 consulta seu VLR para descobrir em qual grupo de células (área de
localização) o aparelho móvel está nesse momento. (Manter o VLR informado da
localização dos aparelhos móveis é também parte da função de registro.) O MSC1,
então, ordena à BSC11 para encontrar o aparelho móvel.
Figura D.6.3 Estabelecimento de uma conexão desde a PSTN para um
aparelho móvel
6. A BSC11 envia uma chamada paging para todas as células na sua área de serviço
que podem estar sendo visitadas pelo aparelho móvel naquele momento. Quando a
chamada é respondida, a BSC11 atribui ao aparelho móvel um canal de controle para
Ericsson Telecomunicações 335
Entendendo Telecomunicações 2
sinalização com o MSC1. Reserva, também, um canal de tráfego para a chamada no
acesso via rádio entre o MSC1 e a BSC1.
7. Encerra-se a sinalização entre o MSC1 e o aparelho móvel com o estabelecimento
de um canal de tráfego por meio dos comutadores na BSC11 e no MSC1. A conexão
está agora estabelecida entre o telefone na rede fixa e o aparelho móvel.
Em sua essência, o procedimento para a liberação da conexão é a mesmo das redes
fixas.
O procedimento de estabelecimento de chamadas originadas de um aparelho móvel é
mais simples no que se refere ao encaminhamento; ou o GMSC não está absolutamente
envolvido (uma chamada entre dois aparelhos móveis na mesma rede), ou tem somente
que fazer uma conexão para um outro aparelho móvel ou da rede fixa. Uma situação
especial aparece se o aparelho móvel não pode receber nenhum canal de tráfego pela
interface aérea porque não existe, no momento, canais livres na célula visitada. A
rede irá então solicitar imediatamente ao aparelho móvel para fazer uma nova tentativa
na célula vizinha (directed retry).
6.4 Funções de segurança
As funções que tratam dos mecanismos de segurança são uma parte importante da
inteligência de uma rede móvel. Por razões óbvias, a necessidade dessa função é
consideravelmente maior nas redes móveis do que nas redes fixas; o equipamento
móvel é especialmente propenso a ser roubado ou perdido, e o acesso via rádio é um
convite à escuta. A segurança na PLMN engloba quatro áreas: autenticação,
codificação (criptofonia), identificação do equipamento e confidencialidade da identidade
do assinante.
6.4.1 Autenticação
Quando se cadastra uma nova subscrição na rede GSM, o aparelho recebe uma
chave de autenticação de assinante (Ki70) e um número de telefone, ou uma identidade
de assinante móvel internacional (IMSI71), que são usados na rede para identificar o
aparelho móvel. O número Ki e o IMSI são memorizados tanto no aparelho móvel
como em um elemento de rede especial, chamado AUC (Authentication Center).
O AUC usa o Ki e o IMSI para calcular um parâmetro de identificação chamado sinal
de resposta (SRES). O SRES é calculado como função do Ki e um número aleatório
(RAND) gerado pelo AUC. O RAND e o SRES são, então, memorizados no HLR
para serem utilizados nos procedimentos de estabelecimento.
70
NR - corruptela de keyem inglês ( = chave).
71
NR - International Mobile Station Identity.
336 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
O estabelecimento ou o registro não será aceito até que a autenticação tenha sido
efetuada. Usando o IMSI do aparelho móvel, o MSC extrai os correspondentes RAND
e SRES do HLR. Envia-se o RAND para o aparelho móvel, que o usa junto com seu
valor Ki nele memorizado para calcular o SRES. Ele, então, retorna o SRES calculado
para o MSC, em que é comparado com o valor SRES recebido do HLR. Se os valores
forem iguais, o estabelecimento é aceito; caso contrário, o estabelecimento é rejeitado.
Figura D.6.4 Autenticação no GSM
6.4.2 Criptofonia
Uma vez que as comunicações via rádio podem ser interceptadas por praticamente
qualquer um na vizinhança, a proteção contra escuta é um importante serviço na rede
móvel.
A melhor solução é uma interface aérea codificada para ambos os tipos de canais, os
de controle e os de tráfego. Considerando que a criptofonia exige codificação digital,
ela não pode ser utilizada nas redes móveis analógicas. Os canais de controle podem,
em princípio, ser codificados nos sistemas analógicos e digitais, mas a codificação é
mais comum nas redes móveis que usam canais de controle digitais, como no GSM e
no D-AMPS.
A voz é codificada na rede GSM como segue:
Além do número SRES, o AUC calcula uma chave de codificação (Kc) baseada no
número Ki e no RAND. Essa chave é armazenada no HLR junto com o RAND e o
SRES.
Ericsson Telecomunicações 337
Entendendo Telecomunicações 2
Em conexão com a autenticação, o aparelho móvel calcula um valor Kc baseado no
valor RAND recebido do MSC e no valor Ki armazenado no aparelho móvel. Se o
resultado da autenticação é aprovado, o MSC irá armazenar a chave de codificação
na estação rádio base (via BSC) para uso nas operações de codificação / decodificação.
A BSC então envia um sinal de teste (comando do modo de codificação) para o
aparelho móvel. Em resposta, o aparelho móvel deve gerar um sinal codificado (modo
de codificação completo), que se a BSC puder interpretá-lo permite a continuação
da sinalização e da comunicação. Todos os sinais, incluindo os sinais de voz, são
codificados.
Figura D.6.5 Criptofonia no GSM
6.4.3 Identificação do equipamento
O propósito do equipamento de identificação é assegurar que aparelhos móveis roubados
ou não autorizados sejam impedidos de utilizar a rede. Para este fim, todo aparelho
móvel é fornecido com um número de série de equipamento, à prova de falsificações,
no processo de fabricação. Esse número, na rede GSM, é a identidade de equipamento
móvel internacional (IMEI).
Durante a fase do estabelecimento, o MSC pode solicitar esse número ao aparelho
móvel, e então enviá-lo para verificação em um elemento de rede chamado EIR72 (no
72
NR - Equipment Identity Register.
338 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
GSM). Se o número estiver bloqueado ou for desconhecido, a tentativa de
estabelecimento é rejeitada.
6.4.4 Confidencialidade da identidade do assinante
A confidencialidade da identidade do assinante significa que a operadora procura
proteger a identidade do telefone do usuário (o IMSI) contra a escuta não autorizada.
O GSM usa um número de assinante móvel temporário (TMSI) no diálogo entre o
aparelho móvel e a rede, exceto para a primeira tentativa de contato na fase do
estabelecimento. O MSC atribui ao aparelho móvel um número TMSI aleatório para
cada estabelecimento.
6.5 Serviços suplementares distribuídos
As chamadas móveis são normalmente mais caras do que as chamadas nas redes fixas.
Além disto, muitos usuários (pelo menos os assinantes comerciais) fazem subscrições
para serviços em uma ou mais redes adicionais, por exemplo, a PSTN. Como resultado,
serviços suplementares para o controle da chamada, como bloqueio de chamada e
transferência de chamada (Veja Volume 1, Capítulo 6, Seção 6.2.), são especialmente
importantes para os assinantes de uma rede móvel.
6.6 Serviços de rede inteligente
6.6.1 Número pessoal
O serviço de número pessoal pode ser útil às pessoas que subscrevem serviços em
mais de uma rede. Os assinantes que chamam podem discar sempre o mesmo número:
o número pessoal do assinante. A inteligência de rede dirige e conecta a chamada
para o terminal em que o assinante pode ser encontrado em um dado momento (talvez
em outra rede). A rede pode ser selecionada em função da hora do dia, do terminal
que estiver ligado quando a chamada for feita, ou de um número de terminal temporário
que o assinante tenha registrado. A Figura D.6.6 ilustra um exemplo do uso deste
serviço, que pode também incluir a caixa postal de voz para gravar mensagens deixadas
pelo assinante que chama, caso o assinante não esteja acessível.
Ericsson Telecomunicações 339
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.6.6 Um número pessoal único para duas subscrições PLMN
Uma operadora pode oferecer aos seus assinantes o serviço de número pessoal para
mantê-los na rede; por exemplo, se eles já têm subscrição na rede móvel analógica e
subscrevem um telefone móvel digital. O serviço, é claro, pode também ser conectado
a outras redes que não a PLMN.
6.6.2 Celular VPN
As redes privadas virtuais (VPN) na PLMN são denominadas de redes privadas
virtuais celulares (CVPN). Este serviço permite que um grupo de usuários (normalmente
funcionários da mesma empresa) especifiquem um plano de numeração de números
abreviados, que podem ser idênticos aos números de seus ramais dentro do escritório.
Somente os números abreviados são discados para chamadas dentro do grupo, enquanto
chamadas para assinantes fora do grupo requerem um prefixo externo para o número
normal.
Em uma CVPN, a operadora da rede móvel conecta o PBX da empresa diretamente
em um MSC na rede móvel.
6.6.3 Chamadas pré-pagas
Chamadas pré-pagas podem ser uma solução atrativa quando os assinantes não têm
endereço permanente ou não tenham referências de crédito. Sistemas de pré-
pagamentos descentralizados têm sido utilizados há muitos anos por operadoras em
países com baixa renda. A tecnologia IN possibilita a centralização desse serviço e
340 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
faz com que seja mais flexível. Na rede GSM, os usuários podem acessar o serviço
pelo cartão SIM, que eles recarregam com a quantia desejada em um caixa automático
de banco.
O serviço de chamadas pré-pagas pode ser implementado de duas maneiras. A
informação mostrando o crédito disponível é armazenada no cartão do assinante ou
na rede. Neste último caso, uma base de dados na rede é atualizada cada vez que o
cartão é usado para fazer chamadas ou é recarregado, e o número do cartão é somente
uma referência para um campo na base de dados. Muitas operadoras preferem a
solução baseada na rede porque ela torna mais difícil o uso fraudulento.
Uma maneira de tornar o serviço pré-pago um atrativo é oferecer aos usuários tarifas
reduzidas. Isto é financiado pelo pagamento antecipado do assinante por suas chamadas
futuras, reduzindo desta maneira os custos financeiros da operadora.
6.6.4 Serviços relacionados com a localização
A rede móvel é continuamente atualizada com respeito à localização do usuário por
meio das funções de registro, e esta informação pode ser usada como dado de entrada
para serviços baseados na IN.
· Um número comum para informações em âmbito nacional sobre o trânsito local,
ou relatórios sobre a previsão do tempo. A informação é dada por uma máquina
anunciadora ou base de dados, dependendo da posição geográfica atual do assinante
que chama.
· Chamadas para uma companhia com um número de assinante universal. O assinante
que chama é conectado ao escritório da companhia mais próximo de onde o móvel
se encontra.
· Tarifação baseada na posição do assinante. Em áreas predefinidas com tarifas
especiais, a operadora da rede móvel pode fazer promoções de chamadas com
desconto (veja a Figura D.6.7) nas imediações da posição do assinante. Desta
maneira, a operadora da rede móvel pode competir com as operadoras PSTN.
Ericsson Telecomunicações 341
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.6.7 Chamadas com desconto desde a zona próxima do assinante A
6.7 Serviços de valor agregado
Nas redes com terminais móveis, a necessidade de caixa postal para mensagens de
voz ou fax é maior que na PSTN, em que os telefones estão muitas vezes combinados
com secretárias eletrônicas. Os terminais móveis são desligados algumas vezes e
podem ocasionalmente passar por áreas em que os edifícios ou elevações no relevo
criem uma área de sombra no rádio.
É claro, a PLMN pode também oferecer outros serviços de valor agregado, como os
serviços de informação e de telefonista.
7 Sinalização
7.1 Introdução
A necessidade da sinalização nas redes móveis tem crescido gradualmente à medida
que se introduzem os serviços de mensagens, roaming internacional e os serviços IN
(veja o Capítulo 6).
A estrutura da sinalização pode ser dividida em duas partes funcionais:
342 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
· A base consiste em portadoras de sinalização, isto é, funções para o transporte da
informação de sinalização entre os elementos de rede. Essas portadoras podem
ser padronizadas ou proprietárias.
Figura D.7.1 Portadoras de sinalização (cinza), protocolos de sinalização e
interfaces na rede GSM. (D =DTAP = parte da aplicação de transferência
direta; M = mensagem inicial do aparelho móvel; TCAP = parte da aplicação
da capacidade de transação.)
· As portadoras de sinalização transportam os protocolos de sinalização que definem
como as funções nos elementos de rede cooperam para a criação dos serviços de
rede, incluindo aspectos de operação e manutenção. Os protocolos de sinalização
são padronizados naquelas interfaces entre elementos de rede que requerem uma
interconexão de equipamentos de diferentes fabricantes. No GSM, a parte da
aplicação móvel (MAP) e a parte do usuário ISDN (ISUP) são usadas como
protocolos entre os MSCs, enquanto a ISUP é utilizada entre os MSCs e o GMSC.
Os protocolos de sinalização GSM são tratados na Subseção 7.4.
O protocolo EIA/TIA-136 no TDMA é usado na interface aérea. Esse protocolo
também define a sinalização na interface aérea.
Cada tipo de PLMN tem seu próprio esquema de sinalização, especialmente nas
redes de acesso e por meio da interface aérea. Este capítulo descreve brevemente a
sinalização e as interfaces associadas à rede GSM. A Figura D.7.1 representa
esquematicamente as portadoras de sinalização, protocolos de sinalização e interfaces
do sistema.
Ericsson Telecomunicações 343
Entendendo Telecomunicações 2
7.2 Interfaces na rede GSM
7.2.1 Interface de ar
A interface de ar denomina-se Interface Um no padrão GSM. Nessa interface, o
protocolo de acesso ao enlace no canal Dm, LAPDm, é usado de acordo com o
padrão GSM:04.06.
7.2.2 Controladora da estação rádio base / Interface da
estação rádio base
A interface física entre a BSC e as estações rádio base (BTSs) chama-se interface
Abis. Os enlaces LAPD, de acordo com o padrão GSM:08.56, são usados para a
sinalização. Diferentes endereços LAPD são usados para sinais que terminam na
BTS e aqueles que passam pela interface Um. Estes últimos são transmitidos na parte
do rádio da estação rádio base, isto é, o TRS.
7.2.3 Central de comutação móvel / interface da
controladora da estação rádio base
A interface física entre a MSC e a BSC chama-se interface A. Duas variantes MTP/
SCCP são usadas como portadoras de sinalização. (Veja parte E Rede de
sinalização, Capítulo 2, Seção 2.1, para uma explicação da MTP e da SCCP.) Os
sinais envolvidos em uma conexão específica são transportados pelo serviço orientado
à conexão do SCCP, enquanto os outros sinais são transportados por seu serviço sem
conexão. Adicionalmente, toda a sinalização que usa a SCCP é marcada com um
parâmetro de discriminação que decide se os sinais devem ser transferidos ou
terminados na BSC. Essa função é parte do padrão para a parte da aplicação para
estação rádio base (BSSAP). A BSSAP também define o protocolo de sinalização
entre a MSC e a BSC. A função de discriminação na BSSAP chama-se discriminação
BSSAP, para diferenciá-la da parte do protocolo de sinalização.
344 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
7.3 Recursos da sinalização da rede de acesso
7.3.1 Resumo
Figura D.7.2 Recursos de sinalização da rede de acesso
A tarefa da rede de acesso é fornecer recursos à rede para transporte da informação
do usuário e sinalização. Esses recursos são projetados de diferentes maneiras,
dependendo de sua localização na rede de acesso. Na interface de ar eles consistem
em canais de controle e de tráfego. A Figura D.7.2 mostra a complexa configuração
dos recursos de sinalização em uma rede de acesso GSM: canais lógicos e físicos
diferentes em interfaces de rede diferentes e funções de transferência na BTS e na
BSC.
Ericsson Telecomunicações 345
Entendendo Telecomunicações 2
A Figura D.7.2 mostra como os elementos da rede GSM na rede de acesso são
utilizados para fornecer funções para o tratamento da chamada, autenticação, registro
(atualização de localização), tratamento da conexão, localização, handover, controle
da estação rádio base e a distribuição da informação da rede e da célula (broadcast).
Cada tipo de rede móvel tem sua própria maneira de resolver este problema da
localização da função. Nos sistemas sem BSCs, a solução óbvia é localizar a maioria
das funções na MSC, porque elas requerem elementos de rede poderosos, e esta
solução mantém baixo o custo das estações rádio base.
7.3.2 Canais físicos
Na parte inferior da Figura D.7.2, os canais físicos são indicados por símbolos de
raios e linhas mais grossas:
· Na interface de ar, o canal de freqüência C0 e os intervalos de tempo TS0 e TS1
naquele canal constituem os canais físicos. Cada célula tem um canal C0 dedicado.
A maioria dos canais de controle lógicos para a sinalização por meio da interface
de ar é transportada por LAPDm.
· Na interface entre a estação rádio base e a BSC, toda a sinalização é transportada
por enlaces LAPD que, por sua vez, usam canais PCM. A sinalização que é
também transportada por meio da interface de ar é conduzida por enlaces, tendo o
endereço identificador do ponto de acesso ao serviço (SAPI) igual a 0. Uma vez
que a BSC é responsável pela manutenção das suas estações rádio base, a
comunicação BSC-BTS é muito extensa. Os sinais de manutenção são
transportados por enlaces LAPD, tendo o 62 como endereço SAPI para a
manutenção da estação rádio base e o 63 para a manutenção do LAPD. Os enlaces
LAPD são, por sua vez, transportados por um intervalo de tempo (normalmente o
TS1) no enlace PCM que conecta a estação rádio base ao seu BSC.
· Na interface entre a BSC e sua MSC, existem três níveis de canais físicos, como
mostra a Figura D.7.2. O nível mais alto é o mecanismo de discriminação do
protocolo BSSAP que distingue entre os sinais a serem transportados entre um
aparelho móvel e a MSC, e os sinais que devem ser transportados somente entre
a MSC e o BSC. Em ambos os casos, os sinais BSSAP são transportados pelo
SCCP no modo SS7. Como mencionamos na Subseção 7.2.3, toda a sinalização
relacionada à chamada usa o serviço orientado à conexão, SCCP, enquanto o
serviço sem conexão é usado em todos os outros casos. A SS7 usa normalmente
um ou mais intervalos de tempo em um sistema PCM.
Os canais físicos juntamente com as funções de transferência são usados para
criar canais lógicos por meio de toda ou parte da rede de acesso. Na interface de ar,
esses canais lógicos estão divididos em nove tipos de canais de controle e dois tipos de
346 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
canais de tráfego, todos eles mapeados nos intervalos de tempo dos canais físicos.
(Para maiores informações sobre o mapeamento dos canais de tráfego, veja o Capítulo
4, Subseção 4.3.5.)
7.3.3 Canais de controle
Os canais de controle estão divididos em três classes, baseadas em como e quando
eles são utilizados: canais de difusão (BCH), canais de controle comuns (CCCH) e
canais de controle dedicados (DCCH).
Figura D.7.3 O sistema GSM tem onze canais lógicos
Canais de difusão (broadcast)
Os canais classe BCH enviam informação continuamente sobre os parâmetros da
célula e da rede para os aparelhos móveis. Eles são unidirecionais (da estação rádio
base para o aparelho móvel) e usados em conjunto por todos os aparelhos móveis.
Há três tipos de canais de difusão:
· Um canal de correção de freqüência (FCCH) que transporta a informação de
correção de freqüência.
· Um canal de sincronização (SCH) que transporta a informação de sincronismo de
quadro e informação para identificação da estação rádio base.
· Um canal de difusão para controle (BCCH) que transporta as informações
específicas da célula.
Esses canais são mostrados na parte inferior da Figura D.7.2.
Ericsson Telecomunicações 347
Entendendo Telecomunicações 2
Canais de controle comuns
Os canais da classe CCCH são usados para acesso à rede. Esses três canais, também,
são comuns para todos os aparelhos móveis.
· Um canal de paging (PCH) é usado pela rede para executar a busca aos terminais.
· Um canal de acesso aleatório (RACH) é usado por um aparelho móvel para
responder às buscas paging, e acessar a rede quando o aparelho móvel inicia o
estabelecimento de uma chamada.
· Um canal de concessão de acesso (AGCH) é usado pela rede para atribuir um
canal de controle dedicado (SDCCH veja abaixo) para continuação da sinalização
ou algum outro canal para o handover (FACCH veja abaixo).
Todos esses canais lógicos são unidirecionais: o PCH e o AGCH desde a rede para o
aparelho móvel, e o RACH desde o aparelho móvel para a rede. Os sinais no RACH,
AGCH e PCH são enviados via a estação rádio base e transferidos para e desde a
BSC nos enlaces LAPD. (Veja a figura D.7.2.)
Canais de controle dedicados
Os canais da classe DCCH são usados para a sinalização entre o aparelho móvel e a
rede, antes e durante a chamada. Esses três canais são atribuídos às conexões individuais
e são sempre bidirecionais.
· Um canal de controle dedicado stand-alone (SDCCH) é usado para a sinalização
durante a fase do estabelecimento, isto é, antes da atribuição de um canal de
tráfego. Esse canal é também usado para o registro, autenticação e a sinalização
em conexão com a liberação.
· Um canal de controle associado lento (SACCH) é um canal de localização que o
aparelho móvel usa para reportar, continuamente, a intensidade de sinal recebida
da célula visitada e das células adjacentes. O canal pode também ser utilizado para
o controle da potência de saída do aparelho móvel. Notar, entretanto, que o SACCH
não tem capacidade de sinalização requerida para controlar o handover.
· Um canal de controle associado rápido (FACCH) - somente disponível no estado
de conversação é usado para operações de handover. O FACCH recebe uma
janela 20 ms do canal de tráfego quando se requer uma sinalização rápida. A parte
que escuta não percebe a perda desses 20 ms de conversação, porque a unidade
receptora repete os últimos 20 ms. Há um FACCH para cada canal de tráfego.
Os sinais nos canais SACCH, FACCH e SDCCH são transmitidos para a BSC via
estação rádio base. Como mostra a Figura D.7.2, os sinais relacionados com o
tratamento da chamada, autenticação e registro são transferidos pelo canal SDCCH,
348 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
e então enviados para o MSC. O tratamento da conexão é efetuado tanto na BSC
como na MSC.
Todos os canais de controle, exceto SCH e FCCH, usam LAPDm.
Os seguintes comentários completam a informação dada na Figura D.7.2:
· Entre a BSC e as estações rádio base, os enlaces LAPD são usados para a
manutenção das estações rádio base (função de controle de base, no sistema GSM).
· Entre a BSC e a MSC, usa-se a sinalização BSSAP (discriminação) para o paging
(no caso de uma chamada para um aparelho móvel) e para o handover, se a
MSC está envolvida nesse handover.
7.3.4 Mapeamento dos canais de controle em canais físicos
Figura D.7.4 Exemplo de mapeamento de canais lógicos no intervalo de
tempo 0, canal de freqüência C0.
Usa-se uma estrutura multiquadro para vários dos canais de controle downstream.
Vamos focalizar aqui o intervalo de tempo 0 do canal de freqüência C0. No sentido
downstream, o intervalo de tempo é utilizado para os canais de controle FCCH,
SCH e BCCH (todos eles são do tipo difusão), e para o PCH e AGCH.
No sentido upstream, o intervalo de tempo é somente usado para o canal de acesso
aleatório RACH, desta forma, nenhum multiquadro é necessário do aparelho móvel
para a estação rádio base.
Ericsson Telecomunicações 349
Entendendo Telecomunicações 2
O multiquadro cobre 51 quadros TDMA; veja a Figura D.7.4. Durante o tempo que
ele leva para receber os quadros (cerca de 0,25 s.), o BCCH ocupa três intervalos de
tempo, SCH e FCCH cinco cada, e o PCH e AGCH juntos, trinta e seis intervalos de
tempo.
O intervalo de tempo 1 no canal de freqüência C0 é usado para os canais de controle
SDCCH e SACCH.
Como já vimos, o único canal de controle restante na interface aérea FACCH usa
canais de tráfego (veja a Subseção 7.3.3).
7.4 Protocolos de sinalização no GSM
Os protocolos de sinalização usados no GSM estão mostrados na Figura D.7.5.
Todos eles, exceto o ISUP, são especificados para o GSM. O protocolo ISUP está
descrito na Parte C N-ISDN, Subseção 7.3.
Figura D.7.5 Protocolos de sinalização no GSM
350 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Protocolos usados na seção BSCBTSMS
Os protocolos nas interfaces Um e Abis (veja a Figura D.7.5) obedecem ao padrão
ETSI. As seguintes funções BSC e BTS são suportadas por esses protocolos:
· Envio de informação de rede e de célula. A informação é atualizada desde a BSC
mas armazenada na BTS, e continuamente enviada da BTS.
· Busca, paging. Esta atividade é iniciada pelo MSC, que ordena à BSC (pelo
BSSMAP) para executar as ações necessárias. O BSC, por sua vez, ordena as
estações rádio base na área de localização, a tomar as providências. As BTSs
envolvidas enviam chamadas paging contínuas, detectam sinais de resposta e
enviam relatórios para a BSC. Elas também recebem chamadas iniciadas pelos
aparelhos móveis e as envia para a BSC para as ações necessárias.
· A atribuição e a liberação do canal de controle (SDCCH). A BSC inicia estas
atividades e a estação rádio base trata da troca de informações para e desde os
aparelhos móveis.
· A atribuição e a liberação de um canal de tráfego (TCH), em conexão com o
estabelecimento, liberação e handover. A BSC inicia estas atividades e a estação
rádio base trata as unidades de canal envolvidas.
· Identificação de um handover completado. A estação rádio base reporta à BSC
quando detecta os sinais dos aparelhos móveis no novo canal de tráfego.
· Controle de codificação/decodificação. A estação rádio base controla a ativação e
a desativação da sua própria função de codificação por ordem da BSC.
· Controle dos codificadores de voz e a adaptação da taxa dos canais de informação.
O equipamento envolvido (a unidade de adaptação da taxa de transcodificador,
TRAU) está normalmente localizado na BSC, mas controlado pela estação rádio
base, uma vez que ela é dedicada aos canais de tráfego individuais.
· Medições na qualidade de transmissão e na intensidade do sinal nos canais ocupados
e livres no enlace uplink. As medições são feitas na estação rádio base, e os
resultados são reportados à BSC.
· Medição dos instantes de transmissão para os aparelhos móveis (alinhamento de
tempo). A estação rádio base mede esses parâmetros nos canais de tráfego. Os
valores registrados são reportados à BSC.
O protocolo da interface de ar inclui, também, funções que são autonomamente tratadas
pela estação rádio base:
· Informação de sincronização e identidade da BTS são continuamente enviadas
desde a BTS.
· A função de controle de freqüência é tratada pela BTS. Os sinais de controle de
freqüência são continuamente enviados desde a BTS.
Ericsson Telecomunicações 351
Entendendo Telecomunicações 2
Além disto, o protocolo da interface de ar inclui funções para:
· codificação de canal;
· multiplexação de canal;
· gerenciamento de rajadas (veja o Capítulo 4, Subseção 4.3.4);
· TDMA; e
· modulação.
Protocolos usados nas seções MSCBSC e MSCMS
O protocolo de sinalização BSSAP contém os seguintes componentes: BSSMAP,
DTAP e mensagens INITIAL MS. A discriminação BSSAP mencionada nas
subseções 7.2.3 e 7.3.2 é uma função de camada baixa, e por isso não é discutida
aqui.
· As mensagens DTAP são trocadas entre a MSC e o aparelho móvel em conexão
com o registro e a autenticação, e quando o aparelho móvel é desligado. As
mensagens DTAP são transferidas via BSC e a estação rádio base.
· As mensagens iniciais da estação rádio base (IMSM) são trocadas entre o MSC e
o aparelho móvel, em conexão com a atualização da localização e o paging.
· O BSSMAP é o protocolo usado entre a MSC e o BSC em conexão com o paging,
chamada, handover, atribuição e manutenção dos canais de tráfego e para iniciar
a criptofonia na estação rádio base e no aparelho móvel. Esse protocolo é também
usado para manter os intervalos de tempo no enlace PCM entre a MSC e a BSC.
Protocolos entre os centros de comutação móveis
Quando se executa um handover entre os MSCs, o protocolo MAP é utilizado para
a sinalização do handover, enquanto o protocolo ISUP é usado para o estabelecimento
e liberação das conexões.
Protocolo entre o portal do centro de comutação móvel e os
centros de comutação móveis
O protocolo ISUP é usado aqui do mesmo modo como em uma PSTN/ISDN.
Protocolos entre os centros de comutação móveis e o HLR,
VLR, AUC e EIR
O protocolo MAP é utilizado para todas as sinalizações. Ele primeiramente possibilita
o registro, sinalização para os números de roaming, autenticação e identificação do
equipamento.
352 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Protocolos para comunicação com outras redes
O protocolo da parte de usuário de telefonia (TUP), ISUP, e quando aplicável-
protocolos de canais associados e variantes nacionais são usados para comunicação
entre a rede GSM e outras redes.
7.5 Um caso de tráfego no GSM
Para ilustrar como os diferentes tipos de protocolos e portadoras de sinalização
interagem durante a fase de estabelecimento, escolhemos o caso de tráfego que
discutimos no Capítulo 6, Seção 6.3. O caso, mostrado na Figura D.7.6, envolve
todas as interfaces e protocolos em uma rede GSM.
Figura D.7.6 Estabelecendo uma comunicação de uma PSTN para um
aparelho móvel
Ericsson Telecomunicações 353
Entendendo Telecomunicações 2
1. O assinante na rede fixa disca o número móvel do assinante B. A PSTN identifica
o número e estabelece uma conexão para a rede chamada (isto é, para o GMSC).
Na Figura D.7.6, assumimos que o protocolo de sinalização entre o GMSC e a
PSTN é o ISUP, mas o protocolo TUP ou um protocolo de canal associado também
poderia ser utilizado. Os protocolos ISUP e TUP utilizam a MTP como portadora
de sinalização.
2. O GMSC não sabe em qual MSC (ou em qual rede móvel com a qual coopera) o
aparelho móvel pode ser encontrado; nem sabe se o aparelho móvel está livre, ocupado,
ligado ou desligado. Para estar apto a continuar, o GMSC necessita, portanto, requisitar
um número de encaminhamento desde o HLR.
O GMSC utiliza o protocolo MAP para esta solicitação. O protocolo MAP usa a
parte da aplicação das capacidades de transação (TCAP) que, por sua vez,
utiliza a SCCP como portadora.
3. A função de registro atualiza continuamente o HLR com a localização do aparelho
móvel (isto é, em qual área de serviço MSC ele se encontra). Desde que o aparelho
móvel esteja ligado e livre, o HLR irá chamar aquele VLR da área de serviço, para
requisitar um número de encaminhamento livre. Os dados do assinante do aparelho
móvel são enviados junto com esta solicitação.
O protocolo MAP é usado também para esta comunicação.
4. O GMSC recebe o número de encaminhamento e o usa para selecionar uma rota
na PLMN. Em nosso exemplo, o GMSC encaminha a chamada para o MSC1.
O protocolo ISUP é utilizado entre o GMSC e o MSC.
5. O MSC1 consulta seu VLR para descobrir em qual grupo de células (área de
localização) o aparelho móvel está neste momento. (Manter o VLR informado da
localização do aparelho móvel também faz parte da função de registro.) O MSC1
então ordena à BSC11 para encontrar o aparelho móvel.
A comunicação neste estágio está sob a forma de sinais BSSMAP no protocolo
BSSAP. Esses sinais são transportados entre o MSC e a MSC pelo serviço SCCP,
sem conexão.
6. O BSC11 envia uma chamada de paging para todas as células em sua área de
serviço, que podem ser visitadas pelo aparelho móvel neste momento.
O procedimento de paging está descrito no padrão GSM. A busca paging
é transportada pelo LAPD (SAPI, endereço 0), entre a BSC e a estação rádio
base, e no canal de controle PCH pela interface aérea.
Em seguida, a chamada é respondida pelo aparelho móvel.
354 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
O procedimento de atendimento está descrito no padrão GSM. A resposta é
conduzida pelo canal de controle RACH por meio da interface de ar e então
enviada para o BSC no LAPD.
O BSC11 atribui ao aparelho móvel um canal de controle (SDCCH) para a sinalização
com o MSC1.
Esta informação é transportada pelo LAPD (SAPI, endereço 0), entre a BSC e a
estação rádio base, e pelo canal de controle AGCH por meio da interface de ar.
Um canal de tráfego no acesso via rádio entre o MSC1 e a BSC11 também é reservado
para a chamada.
7. Agora o aparelho móvel comunica-se diretamente com o MSC.
Esta comunicação está de acordo com o protocolo DTAP. Os sinais são
transportados por BSSAP/SCCP/MTP entre o MSC e a BSC, transferidos pela
BSC e levados pelo LAPD (SAPI, endereço 0) entre a BSC e a estação rádio
base, e pelo SDCCH por meio da interface de ar.
A sinalização DTAP termina com o estabelecimento de um canal de tráfego por
intermédio dos comutadores na BSC11 e no MSC1. Um reconhecimento desta conexão
é enviado de volta para a PSTN.
8 Gerenciamento de rede
O prazo para o mercado está se tornando um crescente e importante fator para a
quantidade sempre crescente de operadoras de redes móveis. As operadoras
necessitam iniciar rapidamente a operação para criar um círculo suficientemente grande
de clientes satisfeitos que gerem lucro. Para isto, é muito importante um sistema
poderoso e flexível de gerenciamento de rede
8.1 Medições de tráfego
O crescimento rápido da quantidade de assinantes móveis requer medições regulares
do tráfego gerado. Os resultados dessas medições, que são usados como dados básicos
na decisão de modificações e ampliações na rede, indicam:
· Tráfego telefônico por célula. Os dados registrados são compilados de forma
estatística pelo sistema de suporte de operação e manutenção. Essa estatística
mostra o número de estabelecimentos de chamadas, o número de liberações
prematuras de chamadas, intensidade do sinal, informações de handover, a
porcentagem de handover imperfeitos, e assim por diante.
Ericsson Telecomunicações 355
Entendendo Telecomunicações 2
· Sinalização por célula. Estatísticas sobre a sinalização nas células mostram a
quantidade de funções de registro, a quantidade de chamadas para cada aparelho
móvel (paging), a quantidade de chamadas de cada aparelho móvel, o número de
novas tentativas dirigidas, as identidades dos canais de voz atribuídos às chamadas
e quão freqüentemente esses canais foram usados, a quantidade de handovers e
o número de chamadas liberadas.
· Interferência no ar. A quantidade de canais de voz bloqueados, a porcentagem de
tempo de bloqueio por canal de voz e interferência que afetam o SAT são reportados.
· Desempenho. Exemplos de valores de desempenho incluem: qualidade de voz, a
quantidade de chamadas liberadas prematuramente e a capacidade de acesso do
sistema.
8.2 Suporte às operações
Um sistema de suporte às operações deve ter funções para:
· processamento estatístico dos resultados de medições de tráfego;
· configuração da rede;
· representação gráfica do planejamento das células;
· suporte para testes do canal de rádio.
O sistema necessita também ter uma base de dados contendo parâmetros de rede e
de sistema:
· quantidade de assinantes;
· quantidade de células;
· sitesdas torres;
· fator de reutilização para canais de tráfego; e
· fator de reutilização para canais de controle.
Pelo ajuste da potência de saída de uma estação rádio base, a operadora pode ajustar
as fronteiras da célula para adequar-se a um aumento no volume de tráfego local.
Esse ajuste é chamado de conformação da célula73.
Novas unidades de canais (mais freqüências) e estações rádio base precisam ser
introduzidas para adequar-se ao aumento da quantidade de assinantes e manter o
73
NR - cell shaping.
356 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
congestionamento do rádio em um nível aceitável. Isto irá requerer replanejamentos
de freqüências a intervalos regulares de tempo.
Figura D.8.1 Conformação de célula (Cell shaping)
9 Cooperação entre redes
9.1 Cooperação entre operadoras
Acordos que permitem às operadoras conectar seus equipamentos à rede de outra
operadora não constituem novidade. De qualquer forma, acordos anteriores deste tipo
somente estavam relacionados com a capacidade de tráfego, sinalização e com os
acertos de contabilidade nos acordos internacionais entre operadoras monopolísticas
nacionais.
Com o advento das redes móveis, a competição entrou no mundo das telecomunicações.
Os sistemas móveis também introduziram o conceito de roaming internacional na
cooperação entre operadoras de diferentes países.
A competição nacional requer cooperação no uso das freqüências, planos de numeração
e outros recursos. As operadoras também assinam acordos para aluguel de capacidade
de transmissão (tanto linhas de acesso como troncos). Em muitos casos, as linhas são
Ericsson Telecomunicações 357
Entendendo Telecomunicações 2
alugadas de operadoras de redes fixas. É claro, as negociações sobre o preço e qualidade
podem ser bastante difíceis, e a experiência em vários países indica que as autoridades
nacionais precisam, muitas vezes, atuar como mediadoras.
O roaming internacional requer acordos de roaming entre operadoras. Até agora,
isto tem sido aplicado às operadoras que têm o mesmo tipo de sistema móvel, como o
GSM. Hoje, o roaming internacional entre sistemas baseados em diferentes padrões
pode, também, ser afetado pela implantação de um registro de localização comum
entre os HLRs das operadoras (ou seus equivalentes). Entretanto, para os assinantes
usarem o mesmo aparelho móvel em áreas nas quais foram instaladas diferentes
tecnologias móveis, eles devem ter terminais dual mode.
Figura D.9.1 Cooperação entre PLMNs e a Internet
Um outro tipo de cooperação entre operadoras ocorre entre as operadoras móveis e
os provedores de serviço Internet (ISPs), quando a Internet está conectada à rede
PLMN, como mostrado na Figura D.9.1.
Rede de serviços de dados GSM corresponde à rede de acesso intermediário, tratada
na Parte H A Internet, Capítulo 5, Subseção 5.4.4.
9.2 Cooperação entre redes de portadoras
A Figura D.9.2 mostra as interfaces mais importantes para outras redes. A
cooperação com a PSTN é a configuração predominante no que concerne ao volume
do tráfego e quantidade de circuitos. Uma rede móvel está normalmente conectada a
uma PSTN em nível de centrais trânsito.
358 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
As redes móveis também podem estabelecer uma cooperação com redes públicas de
dados, que, como regra, têm sido alcançadas por meio da PSTN e da ISDN. Finalmente,
duas redes móveis podem ser interconectadas diretamente.
A interface entre a PLMN e outras redes é tratada pelo GMSC.
Figura D.9.2 Cooperação entre a PLMN e PSTN e entre a PLMN e ISDN
9.2.1 Sistemas celulares fixos
A instalação de cabos tradicionais de telecomunicações em terrenos acidentados
(regiões montanhosas ou densas florestas, por exemplo) pode ser extremamente
trabalhosa e custosa. Também, a atualização e ampliação de uma PSTN em uma
cidade com uma rede de cabos velhos e obsoleta pode consumir um longo tempo.
Nestes casos, as soluções baseadas em rádio são muitas vezes atrativas. Elas podem
basear-se em rádio no loop local (RLL) ou em sistemas celulares fixos. Por exemplo,
vilas isoladas em regiões cobertas de florestas foram equipadas com telefones públicos
conectados a uma rede de telecomunicações fixa, via uma rede PLMN. Os sistemas
celulares fixos podem ser lucrativos e eficientes, desde que a rede móvel esteja
disponível e que a legislação permita que os assinantes fixos a utilizem.
A operação do celular fixo representa uma carga de processamento mais baixa na
MSC, comparada com a telefonia móvel regular. Uma desvantagem é o aumento dos
custos de transmissão; por exemplo, quando um assinante celular fixo faz uma chamada
para um vizinho, que esteja conectado à PSTN de maneira normal. Essas chamadas
necessitam ser conectadas pela PLMN e o MSC, assim como, por meio da central
local da PSTN. Os assinante celulares fixos pagam as mesmas tarifas que um assinante
comum da PSTN.
Ericsson Telecomunicações 359
Entendendo Telecomunicações 2
9.3 Interação de serviços
9.3.1 Telecomunicação pessoal universal (UPT)
O exemplo mais freqüente da interação de serviços é a UPT, descrita no Volume 1,
Capítulo 6. A rede móvel é uma parte importante da UPT, e sua mobilidade representa
um alto valor agregado.
9.3.2 Serviços de casa no exterior
Na sua luta para conseguir assinantes, as operadoras GSM oferecem serviços de
rede específicos, muitas vezes baseados na IN. Esses serviços podem ser
transferidos, quando o assinante está em um país estrangeiro e tenha acesso a uma
rede móvel com a qual a sua operadora, do seu local de origem, tenha assinado um
acordo de roaming.
9.3.3 Aplicações sob medida para lógica melhorada da rede
móvel
Aplicações sob medida para lógica melhorada da rede móvel (CAMEL74) é uma
recomendação GSM que cobre as funções e procedimentos que tornam os serviços
específicos da operadora (não padronizados) disponíveis aos assinantes que estão
fora da sua própria rede.
A CAMEL baseia-se em eventos detectáveis e bem-definidos, como o estabelecimento
da chamada, liberação, ativação de serviço e registro. Quando ocorre um desses
eventos, a rede visitada pode, temporariamente, interromper o processo de
estabelecimento e contatar um SCP na rede de origem. Na terminologia CAMEL, o
SCP é chamado de ambiente de serviço CAMEL, (CSE). O CSE fornece instruções
como o processo deve prosseguir. Exemplos de modificação de um procedimento de
estabelecimento são: número de B mudado, tarifa alterada e interrupção no processo
de estabelecimento.
A Figura D.9.3 mostra um exemplo de uma VPN. (Veja o Volume 1, Capítulo 6,
Subseção 6.2.3.) Um assinante que tenha um serviço VPN em sua rede de origem
está visitando (roaming status) uma rede fora do país. Para chamar um colega no
escritório, tudo que ele tem que fazer é discar os quatro números do ramal do colega.
A central (SSP/MSC) na rede visitada classifica a chamada como um evento CSE,
o processo de estabelecimento é temporariamente interrompido e o CSE, na rede de
74
NR - Customised Applications for Mobile network Enhanced Logic.
360 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
origem, é contatado pela rede de sinalização. O CSE traduz o número do ramal em um
número de B para encaminhamento internacional e transfere a informação para o
MSC na rede visitada, que retoma o processo de estabelecimento.
Além da execução do serviço desencadeado por evento, a CAMEL pode, também,
solicitar informação - a qualquer tempo - da rede visitada a respeito do terminal do
assinante; por exemplo, em qual área de localização ele está neste momento, se a
chamada está em progresso, ou se o terminal está desligado. Esta função é chamada
de interrogação a qualquer tempo. A informação fornecida em resposta a este
tipo de questionamento pode ser utilizada para outros serviços na rede original, como
os serviços relacionados à localização (veja a Subseção 6.6.4). Uma empresa de
transporte pode ser continuamente atualizada em relação à posição geográfica75 de
seus veículos (e sua carga), melhorando a segurança, planejamento e a informação
aos seus clientes.
Figura D.9.3 Uma VPN em uma rede visitada utilizando CAMEL
75
NR - deduzida da posição da área de localização da rede visitada.
Ericsson Telecomunicações 361
Entendendo Telecomunicações 2
9.3.4 Modo dual
Em áreas com densidade de assinantes extremamente alta, os sistemas tipo DECT
(veja Parte B PSTN) podem ser mais econômicos que a PLMN, como se exemplifica
na Figura D.9.4. Para terminais móveis usados dentro de carros, entretanto, a
velocidade de deslocamento vai favorecer a PLMN. Então, uma solução ótima poderá
ser um sistema combinando sistemas PLMN e DECT (PSTN). Com um handover
imperceptível e aparelhos móveis de modo dual, capazes de tratar ambos os sistemas,
esta combinação seria uma solução atrativa, especialmente se ela resultar em tarifas
mais baixas do que numa comutação exclusivamente PLMN.
Figura D.9.4 Gráficos mostrando exemplos das diferenças de custo entre as
tecnologias de rádio
10 Planejamento de rede
10.1 Introdução
Os procedimentos de planejamento e implementação para redes móveis, basicamente,
são os mesmos que os para outros tipos de rede. A operadora esboça uma estrutura
de rede baseada em previsões da quantidade de usuários, suas necessidades de serviços
e sua situação financeira estimada. Estabelece, então, uma adequada qualidade de
serviço (QoS) e do grau de serviço (GoS), para se capacitarem a fazer previsões mais
exatas de volume de tráfego e otimizar a rede tecnica e economicamente.
362 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
Figura D.10.1 Exemplo da evolução do custo total de investimento (acessos +
terminais)
Em todos esses estágios, as redes móveis são caracterizadas por condições especiais
e propriedades discutidas neste capítulo. A operadora necessita levar em conta o fato
de que a mobilidade é apreciada por mais e mais usuários, e a tendência dos custos
para as soluções de rádio é favorável quando comparada com as soluções baseadas
em fios. Veja a Figura D.10.1.
10.2 Aspectos de custos
Um pré-requisito para um planejamento de rede eficiente é que a operadora possa
fazer uma estimativa razoavelmente correta dos custos envolvidos (operação e
manutenção, leilão da licença, hardware, software, pessoal, aluguel, instalação e
transmissão).
As estações rádio base requerem um investimento pesado. A quantidade de estações
rádio base é determinada, principalmente, pela necessidade de cobertura e capacidade,
mas vários fatores podem reduzir os custos: tempo de instalação curto, sites pequenos,
e uma operação e manutenção fáceis de administrar. Desnecessário dizer que o tempo
de instalação curto também significa que o sistema estará gerando lucro mais
rapidamente.
O custo da transmissão entre os nós da rede é um outro item pesado na lista de
investimentos. Em um caso normal, a operadora de rede móvel usa linhas alugadas ou
uma rede de enlaces de rádio de sua propriedade. O custo das linhas alugadas varia
de maneira considerável. Se o proprietário, além de estar numa posição de monopólio
da rede fixa, tem uma rede móvel concorrente, o preço provavelmente será mais alto
que deveria ser, se a capacidade de transmissão fosse alugada de uma empresa
ferroviária ou de transmissão de energia elétrica.
Ericsson Telecomunicações 363
Entendendo Telecomunicações 2
10.3 Planos técnicos fundamentais
Os planos técnicos fundamentais para uma rede móvel, em alguns aspectos, diferem
de forma notável, dos planos correspondentes para outras redes; veja o Capítulo 10 do
Volume 1 (Subseção 10.8.5).
10.3.1 Plano de freqüências
O plano de freqüências é muito mais importante para as operadoras móveis que para
as outras categorias de operadoras. A operadora móvel necessita tentar obter uma
faixa de freqüência tão larga quanto possível e usar as freqüências atribuídas do
melhor modo econômico. Os meios disponíveis para operações otimizadas são a
reutilização de freqüências e um planejamento detalhado que leve em conta a
interferência co-canal e a interferência de canal adjacente na rede.
Nos países em que diferentes sistemas móveis usam as mesmas faixas de freqüência
(NMT 900, TACS, AMPS e GSM), as operadoras precisam ter um plano que mostre
quais freqüências os diferentes sistemas usam, assim como um plano para futuras
modificações. Saltos de freqüências (diversidade de freqüência), como método para
contra-atacar o desvanecimento por caminhos múltiplos (multipath fading) em
sistemas digitais, também devem seguir um planejamento.
10.3.2 Plano de numeração
O plano de numeração para uma rede móvel pode ser totalmente integrado com o plano
de numeração para PSTN/ISDN (E.164), mas na maioria dos casos o assinante PSTN
disca um código de acesso especial quando dirige sua chamada para um assinante
móvel. A recomendação ITU-T E.213 inclui um plano de numeração internacional especial
para a PLMN. Se um país tem várias operadoras de redes móveis, elas podem ter o
mesmo código de acesso e precisam, portanto, coordenar seus planos de numeração.
10.3.3 Plano de encaminhamento
O plano de encaminhamento necessita ser suplementado com um plano mostrando os
procedimentos de encaminhamento a serem usados junto com seu handover inter-
MSC, levando em conta a estrutura da rede existente. (Veja também o Capítulo 3,
Seção 3.3.)
10.3.4 Plano de tarifação
Uma chamada móvel doméstica é normalmente cobrada com base na duração da
chamada e não na distância. Em conexão com o roaming internacional, de qualquer
364 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
forma, a distância é um fator a ser considerado, e isto pode criar situações complicadas.
Não seria razoável cobrar do assinante A um custo extra provocado pelo roaming
do assinante B, para uma rede móvel em outro país; em vez disso, ele deveria ser
cobrado do assinante B. Usa-se bilhetagem automática (automatic toll ticketing) nas
redes móveis modernas para tratar esse tipo de situação.
10.3.5 Plano de sincronismo
Muitas operadores de redes móveis extraem sinais de sincronismo da rede de transporte
administrada por outra operadora. Para este propósito, é importante ter um plano de
sincronismo detalhado, que impeça a ocorrência de erros provenientes da cooperação
com outras operadora, como, por exemplo, loop´s na rede de sincronismo. Duas
exigências rigorosas devem ser atendidas pelas estações rádio base em um sistema
digital: tempo absoluto (quando devo enviar?) e uma precisão de freqüência suficiente
para evitar escorregamento.
Outras operadoras preferem sincronizar suas redes por intermédio de um satélite, por
exemplo, o sistema de posicionamento global (GPS).
10.3.6 Plano do grau de serviço (GoS)
Vários fatores afetam o GoS em uma rede móvel. O subdimensionamento pode causar
congestionamento na parte fixa da rede, e a isto necessitamos adicionar qualquer
congestionamento de rádio, que pode ocorrer em células temporariamente
sobrecarregadas.
As facilidades de estabelecimento disponíveis em uma rede móvel não são o único
fator que determina o GoS; um outro fator é o risco de insucesso na tentativa de
handover. Esse tipo de falha pode resultar na desconexão prematura da chamada,
e a maioria dos assinantes acha isto mais irritante que uma tentativa de estabelecimento
malsucedida. Uma regra padrão estabelece que o risco de uma chamada em progresso
ser desconectada deve ser 10 a 100 vezes menor que o risco de uma tentativa
malsucedida de estabelecimento de chamada.
Sugerem-se abaixo porcentagens de congestionamento máximas permitidas:
· MSC PSTN: 1%
· MSC MSC: 1%
· MSC BSC: 0,5%
· interface de ar: 2%
Ericsson Telecomunicações 365
Entendendo Telecomunicações 2
10.4 Planejamento celular
A fase de planejamento celular, que também inclui o planejamento da rede de estações
rádio base, deverá conduzir aos seguintes resultados:
· cobertura total da área de serviço;
· atendimento aos requisitos de tráfego atual e futuro;
· capacidade de fornecer os GoS e QoS desejados; e
· ao mesmo tempo, minimizando o custo total do sistema.
A demanda de tráfego isto é, a quantidade de assinantes que estará conectada ao
sistema e a parcela de tráfego que eles irão gerar forma a base do planejamento
celular. O volume e a distribuição geográfica da demanda do tráfego podem ser previstos
usando a densidade demográfica, assim como a estrutura da população, densidade de
veículos motorizados, distribuição de renda, densidade de telefones e dados da ocupação
do solo. O resultado desta previsão é o ponto de partida para o trabalho de planejamento
celular em áreas que não tenham experiência prévia na operação de sistemas móveis.
A Figura D.10.1 mostra os componentes básicos do processo de planejamento celular.
Figura D.10.2 O processo do planejamento celular
366 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
10.4.1 Planejamento celular nominal
Um planejamento celular nominal mostra os terrenos das estações rádio base, a
cobertura de cada antena e a distribuição das freqüências entre as células. Estes
fatores e outros são baseados na previsão da demanda de tráfego. O planejamento
celular nominal muitas vezes assume a forma de um modelo hexagonal.
Ao preparar o planejamento celular nominal, a operadora precisa levar em conta não
somente a demanda de tráfego atual, mas também a possibilidade de futura subdivisão
da célula.
Por conseguinte, os terrenos devem ser planejados para permitir seu uso nas
configurações futuras da rede.
A propagação das ondas de rádio é afetada, principalmente, pela topografia da área,
mas também é influenciada pelo tipo da cobertura vegetal, rios e lagos, edifícios e
assim por diante. Diferentes mapas digitalizados e outros dados da utilização do solo
podem ser usados com esse propósito na preparação do celular nominal.
A operadora deverá tentar calcular a intensidade de sinal recebida nas diferentes
partes de cada célula no sistema. Uma vez que a operação dos sistemas celulares
está limitada mais pela interferência do que pelo ruído, o cálculo da interferência
co-canal e da interferência de canal adjacente é uma parte muito importante do trabalho
de planejamento celular.
10.4.2 Levantamento da propagação de rádio
O propósito do levantamento da propagação de rádio é testar o planejamento celular
nominal e os valores calculados para a intensidade do sinal e da interferência. Instalam-
se transmissores de teste transportáveis nos locais propostos para antenas, e um veículo
especialmente equipado para medir os níveis do sinal recebido percorre todas as partes
da área de serviço, levantando aqueles valores por onde passa.
Esse levantamento da propagação de rádio é seguido por cálculos destinados a dar
uma descrição, a grosso modo, de como o sistema irá operar. Após introduzir algumas
modificações no planejamento celular recomendadas pelo levantamento, o sistema é
instalado.
10.4.3 Ajuste
Após o sistema ter sido colocado em operação comercial,, ele necessita ser ajustado
durante um par de meses. A operadora usa os dados de tráfego coletados para decidir
quais providências se requerem para ajustar a operação do sistema à demanda real de
tráfego. Temos em seguida exemplos desses tipos de providência:
Ericsson Telecomunicações 367
Entendendo Telecomunicações 2
· alteração de parâmetros para o handover em células individuais para transferir o
tráfego de uma célula freqüentemente congestionada para uma célula adjacente;
· alteração dos parâmetros de encaminhamento em células sobrecarregadas para
otimizar a capacidade de tráfego na rede principal; e
· adição de células e freqüências em células sobrecarregadas e redução da quantidade
de freqüência nas células em que flui menos tráfego do que o esperado.
Para lidar com a quantidade rapidamente crescente de assinantes móveis, devem
existir margens para um crescimento durante o período imediatamente posterior à
fase de planejamento. Entretanto, recomenda-se o início de um novo processo de
planejamento celular logo após o sistema ter sido ajustado.
10.4.4 Hierarquias de células
Vários conceitos de hierarquia de células têm sido desenvolvidos para assegurar uma
melhor utilização da limitada quantidade de freqüências.
Células Sobrepostas
Em áreas com uma alta intensidade de tráfego, a capacidade pode ser aumentada
pela sobreposição de uma célula a uma outra. As duas células usam a mesma infra-
-estrutura da estação rádio base e o mesmo canal de controle, mas a cobertura da
célula sobreposta é limitada. Isto pode ser uma solução prática para problemas de
capacidade em casos nos quais a demanda do tráfego perto da estação rádio base é
indubitavelmente maior que nas regiões próximas ao perímetro da célula.
Células guarda-chuva
Uma célula guarda-chuva, que cobre várias células menores, pode ser utilizada para
eliminar sombras na cobertura, e para servir como retaguarda de segurança no caso
de congestionamento de rádio. Considerando ser difícil adequar a freqüência (ou
freqüências) de uma célula guarda-chuva ao padrão de reutilização, esta solução
somente se usa nos sistemas com freqüências reservas.
Estrutura de célula hierárquica
O próximo passo no desenvolvimento depois das células guarda-chuva é uma estrutura
de célula hierárquica (HCS), que significa que o plano de células se organiza em três
níveis: microcélulas, macrocélulas e células guarda-chuva. Os aparelhos móveis vão
sempre tentar estabelecer contato, primeiro dentro de uma microcélula, e os aparelhos
móveis com deslocamento rápido serão sempre direcionados para o nível mais alto
possível, para minimizar a quantidade de handover.
368 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
10.5 Arquitetura de rede
É clara a importância da fixação de fronteiras entre diferentes áreas da central para
otimizar o uso da rede. As redes sem mobilidade aplicam métodos comprovados com
este propósito. O melhor padrão de fronteiras é alcançado pela determinação da posição
geográfica dos assinantes e pelo mapeamento do seu interesse de tráfego.
Uma rede móvel requer métodos muito mais avançados. Saber como os assinantes
usam seus telefones não é suficiente; a operadora necessita conhecer seu hábitos de
viagem, para estar apta a minimizar as atividades de registro e de handover inter-
-MSC na rede.
10.5.1 A rede de acesso
Alternativas de transmissão
O planejamento celular e o planejamento de freqüências experimentam alterações
freqüentes devido ao rápido crescimento da quantidade de assinantes móveis. Por
conseguinte, a parte de acesso da rede precisa de grande flexibilidade. Em princípio,
alcança-se essa flexibilidade pelo uso de dois métodos básicos:
· As estações rádio base podem usar a capacidade extra de uma rede de transporte
existente. Esta alternativa é bastante realista para ser aplicada em áreas
metropolitanas.
· Sistemas de enlace por rádio podem ser utilizados na variante ponto a ponto, ou na
variante ponto-multiponto.
Ambos os métodos são normalmente empregados na rede de acesso. As normas
nacionais e regulamentações podem decidir a escolha em cada caso.
Posicionamento das controladoras de estação rádio base
Sempre que possível, uma cobertura da BSC deveria ser escolhida de modo que suas
fronteiras atravessem áreas com uma intensidade baixa de handover. Isto porque
handovers freqüentes representam carga extra no MSC e na BSC.
Conseqüentemente, as fronteiras não devem estar em centros de cidades ou próximas
aos eixos de vias expressas de trânsito intenso e rodovias.
Ericsson Telecomunicações 369
Entendendo Telecomunicações 2
Figura D.10.3 Fronteiras BSC em centros de cidades ou próximas a vias de
acesso de veículos
Localização dos codificadores de voz
Nos sistemas digitais de telefonia móvel, a voz é codificada para taxas de bits menores
que os 64 kbit/s da rede fixa. Isto significa que a localização do codificador de voz na
hierarquia da rede é uma consideração importante no planejamento de uma rede móvel.
Notar que, em teoria, a taxa de ampliação em uma célula de um sistema analógico
pode ser um canal por vez, enquanto em um sistema digital, essa taxa de incremento,
expressa em número de canais, não pode ser menor que a quantidade de intervalos de
tempo em um quadro.
Taxa de bits por canal de voz
Naturalmente, a introdução de meia taxa de bit nos sistemas digitais afetará o
planejamento da rede. Canais com meia taxa representarão o dobro da quantidade de
canais em relação aos canais atuais de taxa plena.
Os atuais aparelhos móveis de taxa plena precisam ainda ser servidos pelo sistema.
Isto significa que duas taxas em um sistema vão resultar em três diferentes graus de
serviços: taxa plena, meia taxa e taxa dupla (dual rate). Um terminal móvel com taxa
dupla vai tentar primeiro ocupar canais de meia taxa, e então, se nenhum desses
canais estiver disponível, vai tentar ocupar um canal com taxa plena. Desde que os
aparelhos móveis e a rede possam tratar os dois, o de taxa plena e o de meia taxa ao
mesmo tempo, a capacidade de uma célula variará, dependendo da quantidade de
cada tipo de aparelho móvel que estiver dentro das fronteiras da célula no momento.
370 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
10.5.2 A rede núcleo
Localização dos centros de comutação móveis
A localização dos MSCs depende dos hábitos de deslocamento esperados dos usuários,
e da solução escolhida para a transmissão entre as estações rádio base e o MSC.
As operadoras muitas vezes têm de escolher entre muitas MSCs pequenas e poucas
MSCs grandes.
Os seguintes fatores favorecem o uso de pequenas MSCs:
· alto custo da transmissão disponível ou o alto custo da instalação de novas facilidades
de transmissão;
· alto custo de transferência por meio da PSTN; e
· baixo custo das edificações.
Os seguintes fatores favorecem o uso de um pequeno número de grandes MSCs:
· a operadora é proprietária ou pode facilmente construir sua própria rede de enlaces
de rádio;
· a operadora paga uma tarifa fixa por chamada à PSTN; e
· baixo custo de operação e manutenção.
Localização dos portais de uma rede PLMN
A distribuição geográfica da demanda do tráfego entre a PSTN e a PLMN desempenha
um papel decisivo na localização dos GMSCs. O objetivo visado sempre é uma
utilização ótima das diferentes redes. O uso da PSTN para o tráfego interno de rede
móvel em longas distâncias pode ser vantajoso em algumas configurações mas não
em todas. Se as redes diferentes são administradas por diferentes operadoras, a
otimização também depende dos seus preços.
Localização dos centros de operação e manutenção
Antes de posicionar os OMCs na rede, os fatores listados em seguida, devem ser
cuidadosamente considerados.
Argumentos que favorecem unidades descentralizadas:
· baixos custos de viagens (pessoal); e
· carga de sinais mínima na rede.
Ericsson Telecomunicações 371
Entendendo Telecomunicações 2
Argumentos que favorecem poucas unidades centralizadas:
· ganhos na eficiência;
· quantidade reduzida de pessoal; e
· baixo custo de investimento.
O plano de operação e manutenção define as regras básicas para o suporte às
operações, organização e distribuição de responsabilidades entre os OMCs.
Localização dos pontos de acesso à Internet
O tráfego Internet está aumentando gradualmente a carga nos sistemas PLMN. Esse
tráfego deveria preferencialmente ser extraído do lado dos troncos do MSC. Naquela
posição, a operadora pode conectar uma rede de acesso intermediária com servidores
contendo informações locais. (Veja a Figura D.9.1.) Outras soluções estão descritas
na Parte H A Internet.
Dimensionamento da rede de tratamento de tráfego
Uma conexão na PSTN ocupa alguns órgãos por um certo tempo, o que torna o
cálculo da carga de tráfego uma tarefa relativamente simples. O processo de cálculo
em uma rede móvel é mais complicado, devido ao fato de que novos órgãos podem
ser ocupados durante uma chamada em progresso. Por exemplo, o handover entre
dois MSCs vai envolver uma outra central e enlaces adicionais.
A rede de sinalização
A rede móvel tem a maior intensidade de sinais de todas as redes públicas.
Como um todo, a introdução de novas e sofisticadas funções IN vai aumentar a carga
de sinais nas redes de telecomunicações. Estas funções são usadas para o tratamento
de chamadas. Nas redes móveis há a carga adicional causada pelo registro, localização,
handover, paging e autenticação. A freqüência de handover vai depender do
tamanho das células (a tendência atual em direção a células menores vai resultar em
mais handovers), da duração média de chamadas (que provavelmente vai aumentar
com tarifas mais baixas) e da velocidade média de deslocamento dos aparelhos móveis.
O efeito líquido na rede será certamente mais sinalização por chamada.
Quaisquer medidas tomadas com vistas a um melhoramento da segurança da rede vai
também aumentar o volume de sinalização.
Além disto, a sinalização será usada para enviar dados de usuários, como mensagens
curtas. Este tipo de tráfego pode ter um efeito considerável na sinalização futura, pois
372 Ericsson Telecomunicações
Parte D - PLMN
é provável que o serviço de mensagens curtas seja muito atrativo (tal como aviso da
existência de mensagens de voz armazenadas).
A conexão entre o MSC e o HLR necessita ser de alta qualidade. Se o HLR é uma
base de dados centralizada e separada (stand-alone), ele necessitará de enlaces
próprios.
Em face dessa pesada carga de sinalização que a rede móvel carregará no futuro,
pode ser necessário projetar uma rede de sinalização dedicada à PLMN.
10.6 Ferramentas para o planejamento de rede
Ferramentas computadorizadas facilitam o dimensionamento, otimização e custeio de
grandes redes móveis. A seguir, temos alguns exemplos de tarefas que podem ser
suportadas por tais ferramentas:
· cálculo da radiopropagação;
· cálculo do C/I;
· otimização da transmissão na rede núcleo;
· otimização da transmissão na rede de acesso;
· cálculo dos volumes de sinalização;
· planejamento dos enlaces de rádio; e
· custeio.
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374 Ericsson Telecomunicações