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Criptografia RSA e Álgebra Abstrata

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CRIPTOGRAFIA DE CHAVE PÚBLICA: RSA

Jaiane de Andrade Costa1


Júlio Gonçalo França2
Lauanda Galdino3
Maria Kawanne Leandro da Silva4
Miguel Vieira da Silva5

RESUMO
Este trabalho explora a criptografia RSA e sua história, abordando a conexão entre RSA e
Álgebra Abstrata. Analisa o funcionamento do algoritmo, suas bases matemáticas, aplicações
e limitações, especialmente frente à computação quântica, refletindo sobre os desafios futuros
no cenário tecnológico.
Palavras-chave: Criptografia, Álgebra Abstrata, Algoritmo e RSA.

ABSTRACT
This paper explores RSA cryptography and its history, focusing on the connection between
RSA and Abstract Algebra. It analyzes the algorithm’s functionality, mathematical
foundations, applications, and limitations, particularly in light of quantum computing, and
reflects on future challenges in the evolving technological landscape.
Keywords: Cryptography, Abstract Algebra, Algorithm, and RSA.

INTRODUÇÃO

Neste trabalho, exploramos a conexão entre a criptografia RSA e a Álgebra Abstrata,


revelando como ideias matemáticas sofisticadas, como o Teorema de Euler e o Pequeno
Teorema de Fermat, formam a base do RSA, uma técnica essencial de segurança digital.

1
Graduanda em Matemática pela UNEAL E-mail: [Link].2023@[Link]
2
. Graduando em Matemática pela UNEAL E-mail: [Link].2023@[Link]
3
Graduanda em Matemática pela UNEAL E-mail: [Link].2023@[Link]
4
Graduanda em Matemática pela UNEAL E-mail: [Link].2023@[Link]
5
. Graduando em Matemática pela UNEAL E-mail: [Link].2023@[Link]
2

O estudo começa com uma visão inicial do RSA, desde suas origens até seu
funcionamento essencial, incluindo a dinâmica das chaves pública e privada. Em seguida,
conceitos fundamentais de Álgebra Abstrata – grupos, anéis, corpos e aritmética modular –
são introduzidos, lançando luz sobre a estrutura matemática que sustenta o algoritmo.

A análise avança para uma apresentação detalhada do processo de geração de chaves,


criptografia e decriptografia. Na sequência, a segurança do RSA é examinada sob a
perspectiva da complexidade da fatoração de números grandes, destacando como essa
dificuldade torna o sistema resistente a ataques. Também são discutidos possíveis vetores de
ataque e a importância do tamanho da chave para a robustez da criptografia.

O estudo também aborda aplicações práticas do RSA, presentes em sistemas como


certificados digitais e HTTPS, com exemplos de seu uso em empresas e tecnologias variadas.
Finalmente, são discutidas as limitações do RSA, especialmente com a chegada da
computação quântica, e são comparadas suas capacidades com outras abordagens
criptográficas, como as curvas elípticas.

Mais do que entender o funcionamento do RSA, este trabalho propõe uma reflexão
sobre suas implicações no mundo digital e os desafios futuros que o aguardam em meio à
rápida evolução tecnológica.

1. HISTÓRIA DA CRIPTOGRAFIA

A palavra criptografia surge do grego, onde Cryptos = Oculto e Graphos = Grafia ou


escrita, embora seja um dos temas mais discutidos na sociedade contemporânea, possui uma
trajetória que remonta a 900 a.C., com os primeiros métodos utilizados pelos espartanos. Um
dos exemplos mais antigos é a “Citála,” uma tira de couro ou papiro que continha mensagens
codificadas.
3

Imagem 1: Cítala

Mais tarde, surgiram as cifras hebraicas, como as cifras de Albam e Atbah, e a famosa
cifra de César, associada ao imperador Júlio César, de Roma. Este método usava um aparelho
circular com o alfabeto e dependia de uma “chave” para codificar a mensagem, deslocando as
letras um certo número de posições para a direita.

Imagem 2: exemplo do funcionamento da cifra de césar

Com o passar do tempo, novas técnicas foram desenvolvidas para dificultar a quebra
desses códigos. Alquindi introduziu o método de análise de frequência, que se baseava nos
padrões e na frequência das letras em uma mensagem para decifrá-la. Esse método foi
posteriormente desafiado pelas cifras homofônicas, nas quais uma letra poderia ser substituída
por várias outras, aumentando a complexidade da decodificação.
4

Imagem 3: Análise de decodificação por frequência de letras

Logo após, em 1920, Arthur Scherbius criou a máquina Enigma, um dispositivo de


criptografia usado principalmente pelo exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial
para proteger comunicações. Composta por um teclado e rotores, a Enigma codificava
mensagens por meio de um sistema de corrente elétrica que gerava novas configurações a
cada tecla pressionada, oferecendo inúmeras possibilidades de criptografia. As chaves de
codificação eram alteradas diariamente, e para decifrar uma mensagem, era necessário um
caderno específico e outra máquina Enigma configurada da mesma forma. Alan Turing
revolucionou a criptografia ao desenvolver a máquina "Bombe," capaz de quebrar o código
Enigma e, assim, decifrar as mensagens alemãs.

Imagem 4: Enigma Imagem 5: Bombe


5

No entanto, com o surgimento dos computadores e dos meios digitais, esses métodos
tradicionais de criptografia tornaram-se insuficientes para proteger informações. A crescente
necessidade de sigilo e segurança digital levou ao desenvolvimento de algoritmos mais
avançados e de chaves criptográficas complexas para garantir a proteção das mensagens
transmitidas na rede. Surgem então chaves de segurança simétricas (uma única chave entre o
emissor e o receptor) e as chaves de segurança assimétricas (duas chaves diferentes entre o
emissor e receptor) onde a ultima possui a chave pública, utilizada para encriptar a
mensagem, e a chave privada (chave do emissor) utilizada para decifrar ou desencriptar a
mensagem, e é aí que entra o famoso sistema RSA, que se utiliza de números primos e a
fatoração de grandes números para que a mensagem possa ser decifrada.

Imagem 6: exemplo de sistema de comunicação utilizando a chave simétrica

Imagem 7: exemplo de sistema de comunicação utilizando a chave assimétrica


6

Mas para podermos compreender um pouco de como esse sistema funciona e alguns
obstáculos que o RSA enfrenta, precisamos tomar base de alguns conceitos importantes de
álgebra abstrata, que serão abordados a seguir.

2. CONCEITOS BÁSICOS DE ÁLGEBRA ABSTRATA E TEORIA DOS


NÚMEROS

Na álgebra abstrata, um grupo é um conjunto G com uma operação binária (soma ou


multiplicação) que satisfaz quatro propriedades:

1- Fechamento: para quaisquer dois elementos "a" e "b" em G, o resultado da


operação a * b também está em G.
2- Associatividade: para quaisquer três elementos a, b e c em G, (a * b) * c = a * (b *
c).
3- Elemento neutro: existe um elemento "e" em G tal que, para qualquer a em G, a * e
= e * a = a.
4- Elemento inverso: para cada a em G, existe um elemento b em G tal que a * b = b *
a = e.

Um anel é um conjunto R com duas operações binárias (como soma e multiplicação)


que satisfazem as propriedades do grupo para a soma e, além disso, a multiplicação é
distributiva sobre a soma.

Um corpo é um anel com uma operação de multiplicação que satisfaz as propriedades


do grupo para a multiplicação, ou seja, existe um elemento neutro para a multiplicação e cada
elemento não nulo tem um inverso multiplicativo.

O RSA é um algoritmo de criptografia que utiliza a aritmética modular e a função


totiente de Euler. A segurança do RSA baseia-se na dificuldade de fatorar números grandes, o
que é um problema computacionalmente difícil.
7

3. A RELAÇÃO ENTRE OS CONCEITOS DE GRUPO, ANEL, CORPO E O RSA

O conjunto dos números inteiros módulo n (ℤ/nℤ) forma um anel com a operação de
soma e multiplicação. Esse anel é comutativo, ou seja, a ordem dos fatores não importa.
O conjunto dos números inteiros módulo n que são coprimos de n (ou seja, não têm fatores
comuns com n) forma um grupo multiplicativo. Esse grupo é chamado de grupo de unidades
de ℤ/nℤ.

A função totiente de Euler (φ) é usada para calcular o tamanho desse grupo de unidades.

3.1 Teorema de Euler

Se "a" e "n" são números inteiros coprimos, então:


aφ(n) ≡ 1 (mod n)

Teorema de Euler nos afirma que, se "a" e "n" são coprimos, então "a" elevado à
potência φ(n) é congruente com 1 módulo "n". Este teorema tem aplicações importantes na
criptografia, incluindo o algoritmo RSA.

3.2 Teorema de Fermat

se "p" é um número primo e "a" é um número inteiro tal que "p" não divide "a", então:

a(p-1) ≡ 1 (mod p)

O Teorema de Fermat nos afirma que se "p" é um número primo e "a" é um número
inteiro que não é múltiplo de "p", então "a" elevado à potência p-1 é congruente com 1
módulo p.
8

4. PROBLEMA DO LOGARITMO DISCRETO (PLD)

Definição: Seja um grupo G e y, α ∈ G tal que y é potência de α. Dizemos que o


logaritmo discreto de y na base α é o menor inteiro não negativo x tal que α x = y, denotado
por logαy = x.

Ou seja, esse algoritmo busca garantir que não é possível fazer uma determinação do
valor de x, em um tempo computacionalmente aceitável.

5. A TROCA DE CHAVES DIFFIE-HELLMAN

Para conseguirmos compreender esse contexto, vamos criar uma operação situacional.
Supomos que Jayanne e Kawanne são duas alienígenas de planetas distantes que se encontram
em uma galáxia desconhecida. Ambas possuem tecnologias avançadas de comunicação, mas
precisam encontrar uma forma segura de compartilhar informações confidenciais sobre a
localização de um artefato poderoso. E para isso, irão se utilizar da troca de chaves de Diffie-
Hellman.
• Jayanne e Kawanne concordam em usar um número primo grande p e um
número inteiro g menor que p e primo com p-1. Esses valores são como uma
"receita" para o processo;
• Jayanne escolhe um número inteiro aleatório a (sua chave privada) e calcula A
= ga mod p;
• Kawanne escolhe um número inteiro aleatório b (sua chave privada) e calcula
B = gb mod p;
• Jayanne envia A para Kawanne através de um raio de comunicação quântica;
• Kawanne envia B para Jayanne através de um sinal codificado em pulsos de
neutrinos;
• Jayanne calcula s = Ba mod p;
• Kawanne calcula s' = Ab mod p;
• Mágica da matemática: s é igual a s'. Este valor compartilhado s é a chave
secreta que só Jayanne e Kawanne conhecem. Mesmo que um alienígena
malicioso intercepte os sinais, ele não conseguirá facilmente calcular s. Isso
9

porque encontrar o expoente a a partir de g e A é um problema matemático


muito difícil.

Podemos demonstrar também através de um exemplo prático:

• Parâmetros: p = 47, g = 5.
• Chaves privadas: Jayanne escolhe a = 7, Kawanne escolhe b = 3.

Jayanne calcula A = 57 mod 47 = 17.

Kawanne calcula B = 53 mod 47 = 10.

Jayanne calcula s = 107 mod 47 = 36.

Kawanne calcula s' = 173 mod 47 = 36.

Com isso, podemos perceber que Ambas chegam à mesma chave secreta s = s' = 36.
Com essa chave secreta, Jayanne e Kawanne podem agora criptografar suas mensagens sobre
a localização do artefato, garantindo que apenas elas possam decifrá-las. E é exatamente essa
a ideia central da troca de chaves Diffie-Hellman: estabelecer uma chave secreta comum de
forma segura, mesmo em ambientes hostis, para garantir a privacidade das comunicações.

6. PROCESSO DE CODIFICAR E DESCODIFICAR

Como vimos anteriormente, o Teorema de Euler, desenvolvido por Leonhard Euler, é


um dos pilares fundamentais para o processo de criptografia e descriptografia na tecnologia
RSA. Esse teorema define uma função que associa a cada inteiro (n) a quantidade de inteiros
positivos menores que (n) que são coprimos (ou seja, primos entre si) com (n). A seguir,
veremos na prática como ocorre o processo de codificação e decodificação utilizando esses
princípios.

• Escolhendo a chave

1. Kawanne escolhe dois números primos p e q ;


2. Calcula n = pq e ϕ(n) = (p − 1)(q − 1);
3. Escolhe e tal que 1 < e < ϕ(n) e mdc(e, ϕ(n)) = 1;
4. Kawanne calcula a chave secreta d = e −1 mod ϕ(n);
5. O par de números (n, e) é a chave pública de Kawanne.
10

• Codificação da mensagem

1. Jayanne associa cada bloco da mensagem a um número 0 < m < n de forma biunívoca onde
todo m tem a mesma quantidade de dígitos;
2. Calcula para cada bloco associado a mensagem c = m e mod n;
3. Envia c para Kawanne.

• Decodificação da mensagem

1. Kawanne calcula cd = m mod n;


2. Lê a mensagem.
Observe que para Kawanne encontrar a mensagem original, ele usa ed ≡ 1 mod ϕ(n) e
n = pq logo:
cd mod n = (me)d mod n = m mod n

Suponha que Kawanne queira codificar a palavra UNESP para enviar a


Jayanne. Previamente elas escolhem p = 43, q = 53, e e = 5 como descrito acima, obtendo
n = 2279, φ(n) = (43 − 1).(53 − 1) = 2182 e d = 437.
Para realizar a pré-codificação, Kawanne deve associar cada letra a um número, e para
isso enumera o alfabeto de 1 a 26 e associar A-01, B-02, C-03 e assim em diante:

A B C D E F G H I J

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

K L M N O P Q R S T

11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

U V W X Y Z

21 22 23 24 25 26

Tabela 1: Tabela de definição de números que irão representar letras no processo


11

Obtendo previamente a sequência 21 14 05 19 16. Posteriormente, quebra-se em blocos onde


o valor numérico de cada bloco seja menor que 2279, assim a pré-codificação resulta em 2114
- 519 - 16.
Para a codificação temos:
21145 ≡ 1499 mod 2279
5195 ≡ 1447 mod 2279
165 ≡ 236 mod 2279

Sendo assim a mensagem enviada foi 14991447236 e a chave pública é (2279, 5).
Kawanne ao receber a mensagem codificada e possuindo o valor de d calcula:
1499437 ≡ 2114 mod 2279
1447437 ≡ 519 mod 2279
236437 ≡ 16 mod 2279

Dessa forma ele retorna a mensagem inicial. Se Miguel, um invasor, quiser decifrar a
mensagem conhecendo apenas (n, e) e c, é necessário que ele encontre d, que por sua vez
−1
depende de p e q já que d = e mod ϕ(n) e ϕ(n) = (p − 1)(q − 1) = n − 1 − p − q. Miguel
poderia ainda encontrar ϕ(n) sem conhecer p e q, mas isto também não é viável.

7. SEGURANÇA DO RSA

7.1 A Fatoração de Números Inteiros Grandes

Base da segurança: A chave pública do RSA é o produto de dois números primos


muito grandes. A segurança do sistema reside no fato de que, embora seja fácil multiplicar
esses primos para obter a chave pública, é extremamente difícil fatorar esse produto para
recuperar os primos originais.

Complexidade computacional: A fatoração de números inteiros grandes é um


problema NP, o que significa que não se conhece nenhum algoritmo eficiente para resolvê-lo
em tempo polinomial. À medida que o tamanho dos números primos aumenta, a dificuldade
de fatoração cresce exponencialmente.
12

7.2 Ataques ao RSA e Medidas de Segurança

Relação entre o Tamanho da Chave e o Nível de Segurança

Tamanho da chave: A segurança do RSA está diretamente relacionada ao tamanho da


chave pública, que é o produto de dois números primos. Quanto maior a chave, mais difícil é
fatorá-la.

Nível de segurança: O tamanho da chave determina o nível de segurança necessário para


uma determinada aplicação. Para aplicações com requisitos de segurança mais altos, como
transações financeiras, é recomendado o uso de chaves maiores.

8. APLICAÇÕES DO RSA

• Certificados Digitais

Os certificados digitais são fundamentais para autenticar a identidade de indivíduos,


servidores e dispositivos na internet. O RSA é usado em processos de criação e verificação de
certificados digitais por autoridades certificadoras (CAs), como a Let's Encrypt e a
GlobalSign. Esses certificados permitem que entidades (como um site ou aplicativo)
comprovem sua confiança e confiabilidade.
Processo: A chave privada do RSA é mantida pela CA, enquanto a chave pública faz
parte do certificado. A entidade que deseja se autenticar com o certificado usa sua chave
privada para transmitir digitalmente documentos ou comunicações, e o receptor pode usar a
chave pública para verificar a transmissão da assinatura.

• Protocolo HTTPS

O RSA é essencial no protocolo HTTPS (Hypertext Transfer Protocol Secure), que


protege a comunicação entre navegadores e servidores da web. Em conjunto com SSL/TLS, o
RSA ajuda a estabelecer uma conexão segura, criptografando as informações transmitidas.
13

Processo: No início de uma conexão HTTPS, o navegador e o servidor trocam chaves


RSA para estabelecer uma sessão segura. Essa troca garante que somente o servidor com a
chave privada correta possa descrever os dados recebidos. Uma vez estabelecida a conexão,
outras técnicas de criptografia simétrica são usadas para tornar a comunicação mais eficiente.
Assinaturas Digitais
As assinaturas digitais permitem verificar a integridade e a proteção de documentos
eletrônicos, garantindo que eles não tenham sido alterados após sua assinatura. O RSA é
amplamente usado para revisar documentos e autenticar transações financeiras.
Processo: Ao criar uma assinatura digital, o emissor usa sua chave privada RSA para
repassar o documento, gerando um hash criptografado que está anexado ao arquivo. O
receptor pode então usar a chave pública do emissor para verificar a integridade e integridade
do documento, garantindo que ele não sofreu alterações.

• VPNs e Redes Privadas

Em redes virtuais privadas (VPNs), o RSA é usado para autenticar usuários e


dispositivos na rede, além de estabelecer uma conexão segura entre o cliente e o servidor.
Processo: O RSA autentica o usuário na rede, e a troca de chaves RSA permite que o
servidor e o cliente configurem uma sessão criptografada para todo o tráfego de dados da
VPN.

• Autenticação de E-mail (PGP e S/MIME)

Ferramentas como PGP (Pretty Good Privacy) e S/MIME (Secure/Multipurpose


Internet Mail Extensions) utilizam RSA para criptografar e distribuir e-mails, aumentando a
privacidade e as desvantagens das comunicações por e-mail.
Processo: Ao enviar um e-mail seguro, o envio criptografado ou conteúdo usando a
chave pública do destinatário e assinar o e-mail com sua chave privada RSA. O destinatário,
por sua vez, usa a chave pública do remetente para verificar a assinatura e sua chave privada
para descrever a mensagem, garantindo que somente ele possa ler o conteúdo.
14

9. DESAFIOS E LIMITAÇÕES ENFRENTADOS PELA CRIPTOGRAFIA RSA


DIANTE DOS AVANÇOS DA COMPUTAÇÃO QUÂNTICA E RELAÇÃO DE
CURVAS ELÍPTICAS (ECC).

Com o avanço da computação quântica, os algoritmos que dependem da dificuldade de


fatoração de números grandes, como o RSA, enfrentam sérias ameaças. Os computadores
quânticos têm potencial para resolver problemas complexos de maneira mais eficiente que os
computadores clássicos, devido a sua capacidade de realizar cálculos paralelos em larga
escala. Em particular, o algoritmo de Shor, desenvolvido para computadores quânticos, pode
realizar fatoração de inteiros grandes em tempo polinomial. Isso compromete diretamente a
segurança do RSA, que se baseia na premissa de que fatorar números grandes é um processo
muito demorado com tecnologia tradicional. Estima-se que, para quebrar uma chave RSA de
2048 bits, seriam necessários cerca de 6.190 qubits lógicos e um sistema quântico capaz de
operar milhões de qubits físicos durante um dia, algo descrito em "megaqubit-days". No
entanto, a realização prática desse ataque ainda depende de avanços em correção de erros e na
eficiência dos qubits, que são grandes desafios técnicos na computação quântica.

Por outro lado, a criptografia baseada em curvas elípticas (ECC) apresenta eficiência
superior ao RSA em termos de tamanho de chave e uso de recursos computacionais,
oferecendo o mesmo nível de segurança com chaves menores. Isso torna o ECC vantajoso
para dispositivos com limitações de recursos, como dispositivos móveis. No entanto, assim
como o RSA, a ECC também é vulnerável ao algoritmo de Shor em um ambiente de
computação quântica, o que levanta preocupações sobre sua longevidade.

Diante dessas ameaças, a comunidade criptográfica tem investido em pesquisas


voltadas para a criptografia pós-quântica. Esse campo explora novas abordagens matemáticas
que são resistentes aos ataques de computadores quânticos, como problemas baseados em
reticulados, códigos corretores de erro e funções hash. Essas soluções buscam garantir a
segurança dos dados no futuro, mesmo em um cenário em que computadores quânticos
comerciais estejam amplamente disponíveis.

Em longo prazo, espera-se que o RSA seja substituído por criptografias pós-quânticas
ou outras tecnologias que ofereçam maior resistência a ataques quânticos. Já o ECC, devido à
sua eficiência, pode permanecer como uma solução de curto prazo, especialmente para
15

aplicações que exigem menos recursos computacionais. A busca por alternativas seguras e
eficientes continua a ser um desafio importante na adaptação da criptografia para a era da
computação quântica.

10. CRIPTOSSITEMAS DE CURVAS ELÍPTICAS

Os criptossistemas de curvas elípticas (ECC) representam uma classe de algoritmos de


chave pública que utilizam propriedades matemáticas de curvas elípticas definidas sobre
corpos finitos, onde é um primo ou potência de um primo. A principal vantagem desses
sistemas é a segurança com chaves menores em comparação com outros sistemas como RSA,
devido à dificuldade do problema do logaritmo discreto em curvas elípticas. Isso reduz o
tempo de processamento e o uso de memória, tornando o ECC atraente para dispositivos com
recursos limitados.

• Multiplicação de Pontos: Um dos fundamentos do ECC é a operação de


multiplicação de pontos em uma curva elíptica sobre um corpo. Esta operação é a base
para a construção de chaves e para a criptografia de mensagens. A multiplicação
escalar, onde representa a soma do ponto consigo mesmo vezes, é uma operação
computacionalmente intensiva que pode ser otimizada através do método de
duplicação e adição. A eficiência da multiplicação de pontos é essencial para a
implementação prática de ECC, e a complexidade computacional dessa operação pode
ser representada por multiplicações, onde é a ordem do corpo.

• Codificação de Textos e Pontos Aleatórios: Para transformar mensagens em pontos


de uma curva elíptica, é necessário mapear o texto de forma sistemática em elementos
do grupo de pontos da curva. Métodos probabilísticos são sugeridos para garantir que
pontos aleatórios possam ser gerados eficientemente, sem risco de colidir com pontos
de mensagens legítimas. Esse processo de codificação é crucial para integrar ECC em
protocolos de criptografia e autenticação de mensagens.

• Exemplo de Curva e Cálculos Práticos: Um exemplo prático apresentado é a curva


sobre. Nesta configuração, operações de multiplicação de pontos são detalhadas para
ilustrar o cálculo eficiente em ECC. Esse exemplo demonstra o uso de ECC para
16

criptografia segura e troca de chaves, utilizando o método de multiplicação escalar


para gerar chaves compartilhadas entre duas partes.

REFERÊNCIAS

FLOSE, Vania Batista Schunck. Criptografia e Curvas Elípticas. Rio Claro-SP:


Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, 2011. Disponível em:
[Link]
8fb8cd65decb/content. Acesso em 05 nov. 2024.
CASTRO, Felipe Lopes. Criptografia RSA: uma abordagem para professores do ensino
básico. Rio Grande do Sul, 2014: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponível
em: [Link] Acesso em 05 nov.
2024.
COUTINHO, S.c. Criptografia. 1. ed. Rio de Janeiro: IMPA, 2016. ISBN 978-85-244-0340-
8. Disponível em:
[Link]
pdf. Acesso em 05 nov. 2024.
CAMARA., Danielle Paes Barretto De Arruda. CRIPTOGRAFIA DE CHAVE PÚBLICA
BASEADA EM CURVAS ELÍPTICAS COM APLICAÇÕES. Recife: Universidade
Federal de Pernambuco, 2001. Disponível em:
[Link]
bb3d-b6b06025cc70 . Acesso em 05 nov. 2024.
GAGLIARDONI , Tommaso . Estimativa de recursos de ataque quântico: usando o algoritmo
de Shor para quebrar RSA vs DH/DSA VS ECC. kudelskisecurity, 2021. Disponível em:
[Link]
shors-algorithm-to-break-rsa-vs-dh-dsa-vs-ecc/
. Acesso em: 04 nov. 2024.

EVARISTO, Jaime ; PERDIGÃO, Eduardo. Introdução á Álgebra Abstrata. 3. ed. Macéio:


EDUFAL, 2020. Disponível em:
[Link]
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CASTRO, Camila Cecilia. Criptografia RSA. Blumenal: Universidade Federal de Santa


Catarina, 2019. Disponível em:
[Link]
&isAllowed=y . Acesso em: 04 nov. 2024.

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