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Normas de Ornamentação Floral na Igreja

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ORIENTAÇÕES SOBRE A ARTE FLORAL

PARA A IGREJA PAROQUIAL DE VILA


NOVA DE ANHA
Introdução

“Na ornamentação da igreja deve tender-se mais para a simplicidade do que para
a ostentação. Na escolha dos elementos decorativos, procure-se a verdade das coisas e o
que contribua para a formação dos fiéis e para a dignidade de todo o lugar sagrado”
(Instrução Geral do Missal Romano, 292).

Com a intenção de ordenar os assuntos relativos à Ornamentação floral da Igreja


Paroquial de S. Tiago de Vila Nova de Anha, apresento algumas normas que devem ser
respeitadas tanto pelos (as) zeladores (as) da paróquia como por aqueles (as) convidados
(as) para ornamentar o Templo por ocasião de celebrações paroquiais ou familiares
pontuais (casamentos, batizados, celebração de aniversários de casamento e outras).

Como princípio geral, atenda-se a que a utilização de flores nas Igrejas


representa um acto de culto, isto é, através das flores, louvamos a Deus e a sua
Presença Sacramental no Sacrário e real na Palavra proclamada, louvamos os seus
santos e os objectos dignos de veneração como as imagens. Portanto, a ornamentação
floral das Igrejas não pretende ser um simples ato de embelezamento estético de um
espaço, como se faz nas salas de festas e residências particulares. Por conseguinte, as
flores colocam-se na Igreja em determinados espaços com sentido de louvor e não para
«preencher vazios» e muito menos para dar nas vistas.

I. Nesta lógica de ideias atenda-se a que:

1. Quanto à ornamentação do Altar-Mor ou Retábulo principal, recorde-se


sempre que nele se encontra o Sacrário com o Santíssimo Sacramento e que, por isso,
deve usar-se todo o respeito durante a sua ornamentação. Se julgar necessário retirá-
l´O do Sacrário durante o período da ornamentação, para maior à vontade, é só dizer. A
tribuna existe para o Sagrado Lausperene e, só nessa ocasião, se podem ornamentar os
degraus, inclusive com tocheiros e candelabros acesos, dado estar sempre gente na
Igreja para a Adoração. Porém, na Festa do Padroeiro, na Páscoa, no Natal, na
Solenidade da Imaculada Conceição ou da Ascenção, este ano, por ocasião de

PARÓQUIA DE VILA NOVA DE ANHA

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celebrações alusivas ao Ano Santo da Misericórdia, ou numa celebração especial, pode-
se também ornamentar os degraus. Serão sempre exceções. Podem colocar-se arranjos
ao lado do sacrário nas colunas de madeira dourada que existem para esse efeito.
Contudo, há que resguardar muito bem os vasos a fim de não molhar as respetivas
colunas, ou os degraus da tribuna, consoante for o caso, sob pena de provocar danos
irreparáveis na madeira e no douramento.

Aconselha-se a que o Ambão seja ornamentado com uma dignidade paralela à


da Mesa do Altar. Também a estante e a imagem do Senhor Crucificado podem ser
ornamentadas, mas com moderação. Evite-se, tanto quanto possível, o exagero de
flores na Capela-mor ou Presbitério. Torna-se embaraço e retira visibilidade ao principal
que é o Altar, o Ambão e a estante: “O presbitério é o lugar onde sobressai o altar,
donde se proclama a palavra de Deus e onde o sacerdote, o diácono e os outros
ministros exercem as suas funções” (IGMR, 295). É ainda expressamente proibida a
colocação de flores em cima do Altar da celebração, seja à frente (centrado), seja de
lado. Leia-se o que dizem as normas litúrgicas: “Haja moderação na ornamentação do
altar (…). A ornamentação com flores deve ser sempre sóbria e, em vez de as pôr sobre
a mesa do altar, disponham-se junto dele” (IGMR, 305).

Continuo a insistir que a tribuna da nossa Igreja, o Altar e o Ambão são tão ricos
e tão bonitos, com a sua talha dourada (ouro antigo e verdadeiro) que dispensa a
quantidade exagerada de flores. Além do mais, a humidade natural das flores danifica a
madeira e os pólenes das flores oxidam o ouro.

Importa também recordar que o Altar da Celebração ou chamado Mesa do Altar


não é para pousar nele nem flores, nem vasos, nem recipientes de água, nem arames ou
fitas, nem serve de tábua de passar a ferro, enquanto se preparam os arranjos. O Altar é
uma Mesa sagrada e, por isso, não é uma mesa de apoio. Para apoio, é favor trazer de
casa os respetivos utensílios, ou trazer as toalhas já passadas a ferro e os adornos já
preparados. Mesmo quando não se está a celebrar a Eucaristia, o altar é digno de
veneração e respeito.

Toda a ornamentação deve estar de acordo com as boas práticas de conservação


dos Altares e Retábulos e não deve incluir procedimentos que provoquem a degradação
dos materiais (madeiras, pinturas, etc...). Por tal motivo,

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2. Não se coloquem nunca os arranjos em contacto directo com a madeira, nem
sequer as bases plásticas e muito menos as esponjas. Para isso, devem utilizar-se os
recipientes/vasos de barro ou, então, bases elevadas que não devem, em nenhuma
circunstância, derramar gotas ou jorros de água.

Para que a ornamentação não contradiga as celebrações que se realizam na Igreja,


devem as zeladoras atender ao tempo litúrgico que se vive. Assim sendo, de acordo com
o número 305 da Introdução Geral do Missal Romano:

3. “No tempo do Advento ornamente-se o altar com a moderação que convém à


índole deste tempo [...] No tempo da Quaresma não é permitido adornar o altar com
flores” (IGMR, 305). No Advento, podem utilizar-se arranjos apenas com elementos
verdes, excepto na Solenidade da Imaculada Conceição em que podem utilizar-se flores
brancas azuis ou outros tons claros; na Quaresma, não se utilizam de nenhum tipo. Na
Páscoa e no Natal, usem-se preferencialmente flores brancas, amarelas e outras cores
vivas, para além das tonalidades verdes. No Pentecostes, usem-se preferencialmente
flores com tons avermelhados ou cor de fogo.

4. Na mesa do Altar, não se colocam flores senão aos seus pés: “A ornamentação
com flores deve ser sempre sóbria e, em vez de as pôr sobre a mesa do altar,
disponham-se junto dele” (IGMR, 305).

Existem na Igreja, mais concretamente na Sacristia do Senhor, toalhas para o


Altar-mor que estão ao cuidado das respetivas zeladoras. As toalhas dos altares das
capelas laterais estão aos cuidados das respetivas zeladoras. Mas existem alguns cuidados
a observar, que abrangem também a colocação dos arranjos florais:

5. Nunca se coloquem pioneses nem pregos nem se utilizem arames nos Altares,
retábulos ou paredes. Pode utilizar-se velcro grosso para fixar as toalhas mas os
arranjos devem ser independentes dos elementos arquitectónicos da Igreja (não se
devem «amarrar» às colunas ou toalhas ou madeiras) e não devem fixar-se a estes com
nenhum tipo de material.

6. A Pia ou Fonte Batismal também pode ser ornamentada: nas celebrações com
batismos, na Vigília Pascal, nas grandes festas litúrgicas. O que não se deve é colocar
flores ou arranjos florais dentro das mesmas, nem tampouco velas flutuantes dentro da

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água benta. Evite-se enfeitar os topos dos bancos (como se vê em certos casamentos).
Os enfeites florais nos bancos, não são para louvar, mas antes para estorvar.

7. O lugar para trabalhar nos arranjos florais pode ser a Sacristia do Senhor mas
nunca a Sacristia principal onde o Sacerdote se prepara para a celebração. É um lugar
destinado unicamente ao Sacerdote e ao Sacristão. Quando muito, pode-se lá entrar
para ligar as luzes, entrar na Igreja, buscar água necessária e instrumentos de limpeza e,
por fim, sair. O que não serve é para trabalhar.

Os casais de noivos que pretendam contratar os serviços de outras pessoas para


ornamentar a igreja, tenham a delicadeza de informar os/as zeladores (as) habituais da
data em que pretendem compor a Igreja e acertar com o pároco a autorização para o
mesmo. Também o horário, em que irão trabalhar na Igreja, será combinado com o
pároco e com o sacristão de modo a não pôr em risco a segurança da Igreja (não se
emprestam chaves a ninguém), nem sacrificar as pessoas que tão generosamente se
dedicam a ela. Para os/as zeladores (as) oficiais da Igreja Paroquial, existe uma chave da
Sacristia no chaveiro da Centro Social Paroquial. É lá que devem pedir a respetiva chave,
apontar a hora de levantamento e é lá que a devem entregar após os trabalhos de
ornamentação e apontar a hora de entrega.

Aconselha-se a todos que consultem e peçam aos/às habituais zeladores (as) da


paróquia para desenvolver este serviço, por uma questão de respeito pelo trabalho que
realizam durante todo o ano, como forma de gratidão pelo tempo que entregam à
comunidade e porque a sua perícia e elegância nesta missão estão mais do que
comprovadas semanalmente.

Finalmente, quando vierem zeladores (as) que não são da paróquia, devem
pensar na limpeza e aparência da Igreja durante a semana. Não é aceitável que arranjos
florais que morrem depressa por serem flores frágeis ou por ser no tempo quente de
verão, fiquem uma semana inteira na Igreja, deixando cair flores e folhas, sujando tudo
à sua volta (principalmente o chão). A fim de evitar tais situações, o melhor é articular o
serviço com os/as zeladores (as) da paróquia

Também é de bom-tom que se pense na limpeza do Adro da Igreja quando, no


fim dos casamentos, deitam arroz, flores e papéis... Os noivos devem providenciar a sua
limpeza.

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Acima de tudo, deve pensar-se que a ornamentação floral das Igrejas não é uma
questão de vaidade, de ver quem gasta mais, de quem faz diferente ou é “mais original”.
Também nisto devem os fiéis pensar que uma ornamentação discreta e sóbria agrada
mais a Deus do que grandes concursos de dinheiro e beleza. Quem quer gastar muito,
fará melhor para si e agradará mais a Deus se gastar metade do que tinha destinado a
isso e entregar o resto aos pobres. E “Guardai-vos de fazer coisas grandes diante dos
homens para serdes vistos por eles[…] Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua
direita... e Deus que vê o que está oculto, te dará a recompensa” (11,1t 6,1.3.6).

Paróquia de Vila Nova de Anha, Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus

01 de Janeiro de 2016 Jubileu da Misericórdia

Pe. Alfredo Domingues de Sousa, Pároco

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